You're the one
1 Único
Notas iniciais
Pronto, aqui vai a terceira fic do desafio e agora só falta mais uma xD
Bom, faz tempo que não escrevo Sweenett porque só vem ideias hayffie na cabeça e eu vou aproveitando cada uma que aparece.
Bom, é isso... boa leitura! ;)
- Sabe, Mrs. Lovett — ele começa a dizer, após ingerir mais uma dose de gim. Sweeney pousa seu copo na mesa quando me aproximo para servi-lo mais uma vez. — Seu rosto não me é... estranho.
Rio brevemente e me sirvo com mais uma dose também.
- Talvez de outra vida, Mr. T.
- Não, não — ele diz, balançando a cabeça. — Tenho certeza que foi desta vida — ele aponta para mim e aperta os olhos, como se tentasse se lembrar.
- Acho que não vai se lembrar — digo, por fim. Olho para o meu copo e o balanço devagar, brincando com o líquido dentro dele. — Mas me diga: teve alguém antes da sua Lucy? — indago e percebo que toquei numa ferida quando citei o nome dela. Por um instante Sweeney olha para o além, preso a lembranças, mas rapidamente volta a si. Ele olha para mim e volta para os seus pensamentos, agora menos sério.
- Teve — ele diz. — Teve alguém antes da Lucy.
- E como ela era?
- Não me lembro muito bem — ele responde, apenas, e toma sua dose. Encolho os ombros e olho ao meu redor. — E você? — ele pergunta, pegando-me um pouco de surpresa. — Teve alguém antes do... Albert, não é? Sim, Albert. Com certeza teve.
Rio brevemente e passo as unhas na mesa.
- Teve um homem — digo. Olho para ele e percebo que está esperando que eu continue. — Eu poderia ter ficado com ele pelo resto da vida, na verdade.
- E o que a impediu?
- Ele... ele amava outra pessoa — respondo. Sweeney me fita por alguns instantes e volta a sua atenção para o seu gim.
O silêncio paira sobre nós por um ou dois minutos. Terminamos de tomar mais uma dose, mas ninguém ousa encher o copo com mais uma.
- Nunca pensou em escrever para ele?
Olho diretamente em seus olhos e percebo que ele continua não entendendo a história. Suspiro com tristeza e volto minha atenção para o meu copo vazio.
- Acho que não adiantaria...
- Sabe... — ele começa a dizer, com um tom de voz diferente. Há um pouco de empolgação na sua voz. — Acho que me lembro de você — ele continua e prendo totalmente a minha atenção no que ele está falando. — Lembro da primeira vez que te vi.
- Mesmo?
- Sim — ele confirma. — Perto do cais para ser mais exato. Você estava com um vestido vermelho e tinha insônia frequentemente — à medida que ele vai falando, as imagens começam a surgir na minha mente. Um pequeno sorriso surge em meus lábios. — Até que começamos a nos ver com frequência.
- Você também tinha insônia... — comento, ainda sorrindo de leve. Arrisco olhar em seus olhos novamente, agora distantes, presos num momento passado em comum.
- Às vezes eu observava você — ele continua. — Antes de ir até você eu a observava, de longe... Ficava tentando adivinhar o que se passava na sua cabeça. Sempre com o mesmo livro.
- Romeu e Julieta...
- Romeu e Julieta — ele repete. Vejo uma ponta de sorriso se formar, algo que me custou a acreditar. Estava vendo Benjamin Barker na minha frente, não o temido Sweeney Todd com sede de vingança que chegara há poucos dias na minha loja de tortas. Aquilo acabou me assustando por alguns instantes, mas deixei esse medo de lado. — Às vezes na mesma página e permanecia por um bom tempo. Sabia que não estava lendo, mas gostava de ver — ele faz uma pausa e olha para mim novamente. Seu olhar frio retorna e isso faz meu estômago congelar. — Mas depois você foi embora.
Desvio novamente meu olhar e volto a encarar o copo vazio na mesa. Balanço a cabeça negativamente. Sinto meus olhos ficarem úmidos e tento controlar as lágrimas que começam a se formar.
- Não sabe quantas vezes continuei indo até lá — ele diz, sua voz ainda fria e controlada. — Quantas vezes esperei que aparecesse, até...
- Até encontrar Lucy? — completo e percebo que acertei bem na ferida. Sweeney me fita um pouco assustado mas recobra sua frieza. — Eu sabia que ela gostava de você — continuo. — E sabia que você não iria demorar até sentir o mesmo por ela. Estou errada?
Ele nada diz. Levanto-me, então, e recolho meu copo. Quando estico o braço para recolher o outro, mas sua mão segura a minha. Prendo minha atenção nas nossas mãos enquanto ele se levanta. Seus dedos entrelaçam os meus e sua mão livre vai até o meu queixo, levantando meu rosto, fazendo-me encará-lo. As lágrimas já haviam caído. Tento desvendar o que ele traz em sua expressão, mas continua da mesma forma que os últimos dias: fria. O cenho franzido e o olhar profundo.
- E o que a fez desistir? — ele indaga com a voz baixa.
- Não posso competir com ela — digo.
- Não precisa competir com ela.
- Mentiroso — retruco e ele prende um breve sorriso. Suas mãos descem até a minha cintura e ele me põe em cima da mesa, encaixando-se entre as minhas pernas. Encostamos nossas testas e assim permanecemos.
"Não acredito que perdi você" murmuro.
- Você nunca perdeu.
Sorrio ao ouvir sua resposta e, sem pensar duas vezes, grudo os meus lábios nos dele e sinto-o corresponder. Nosso beijo é calmo, lento, profundo. Foi a primeira vez, em anos, que me senti segura com ele. Acabo me entregando por completa em seus braços, sem ao menos querer saber o que poderá vir depois.
Notas finais
Comentários sempre bem-vindos :)
Fale com o autor