You're mine, Angel.

14 A Glória do Arcanjo


Notas iniciais
Olá amores. Espero que gostem do novo capítulo. Beijinhos

Minha mente corria em vários quilômetros por hora. Eu conseguia ouvir meus batimentos cardíacos nos ouvidos.

Patch segurou minha mão, impedindo-a de tremer. Olhei rapidamente para minha direita e vi Kurt totalmente devastado.

Todos na boate pararam e observaram. Depois que a música e tudo voltou ao normal foi como se nada tivesse acontecido. Eles voltaram a dançar e se divertir.

Rixon caminhou até a saída da boate e falou alguma coisa para os seguranças. Olhou para trás, certificando se estávamos o seguindo e caminhou até um carro preto que não consegui identificar qual era.

Controlando meu desespero, olhei ao redor e vi que o Jeep não estava mais lá. Apenas as motos de Patch e Kurt, e a caminhonete.

“Onde estão todos? ” – Pensei. A caminhonete permanecia lá, mas os encarregados de cuidarem da entrada não estavam.

— Ouçam bem o que eu vou dizer. Eu vou sozinho no carro com ela. – Rixon falou calmamente, sacudindo o braço de Vee – E vocês vão me seguir em suas motos. Alguma mudança de rota... – Ele colocou a mão no cós da sua calça e mostrou uma arma – Estouro os miolos dela. Está claro?

— Está mais que claro. – Kurt falou, subindo em sua moto.

— Ótimo. – Rixon pegou Vee pelo braço, abriu a porta e praticamente a jogou no banco.

Vee não chorou, não gritou, não reclamou. Continuou impassível. E aquilo me deixou muito nervosa.

Subi na moto com Patch e observei quando Rixon ligou o carro. Quando estávamos prontos para dar partida, Rixon saiu do carro com uma sacola na mão.

— Coloquem os celulares de vocês aqui. – Ele estendeu a sacola.

Patch colocou a mão no bolso e tirou os dois celulares que ele carregava com ele, inclusive o meu. Hesitei e pensei no celular que carregava no sutiã.

Rixon me encarou, esperando algum movimento meu, mas continuei encarando-o sem pegar o celular. Se ele percebeu que eu tinha um celular, não pareceu ligar. Caminhou até Kurt e pegou o celular dele. Após isso, caminhou de volta até o carro, pegou uma garrafa de água e despejou na sacola.

— Seu filho de uma... – Kurt bufou de raiva.

— Qualquer reclamação da sua parte, eu acabo com ela. – Rixon falou para Kurt com olhos semicerrados, entrou no carro e deu partida.

Patch e Kurt avançaram atrás do carro e eu me agarrei na cintura de Patch, pedindo mentalmente aos arcanjos que nos ajudassem.

****

Depois do que pareceram horas, Rixon estacionou seu carro em um lugar deserto, sem qualquer civilização. Havia apenas árvores, morros... nada de prédios, nada de casas ou torres de comunicação.

Droga. Se eu precisasse usar meu celular escondido... Patch desligou o motor de sua moto, mas ficou apoiando o peso da mesma na perna, sem descer.

Abracei Patch com todas as minhas forças e conseguia sentir seus batimentos acelerados.

— Vai dar tudo certo. – Sussurrei para ele.

Kurt desceu de sua moto e ficou de braços cruzados olhando para o interior do carro de Rixon. Como os vidros do carro eram filmados era impossível ver o lado de dentro.

Desci da moto, caminhei até Kurt e apoiei o corpo no dele.

— Desculpa por gritar com você daquele jeito. – Falei para ele em voz baixa.

Kurt continuava olhando para dentro do carro, sem se mexer. Olhei para cima e agarrei seu queixo, forçando-o a olhar para mim.

— Kurt, eu pedi desculpa por gritar com você. – Repeti.

Kurt levantou o queixo, soltando minha mão do mesmo.

— Tudo bem, Nora. Eu sei que a culpa é minha. Eu prometi fazer uma coisa e não consegui cumprir. Eu vou sair da vida dela, assim que sairmos daqui. Desse modo eu evito chatear ela. – Kurt abaixou o olhar e olhou para mim. – Tudo que eu coloco as mãos, eu destruo, Nora. Não sei porque pensei que seria diferente.

— Kurt... – Fui interrompida com as portas do carro de Rixon se abrindo.

Ele saiu pela porta do motorista e Vee – que tinha os olhos vermelhos – saiu pela porta traseira.

Controlei o impulso de correr até ela.

— O que estamos fazendo aqui? – Perguntei.

— Recomendo a você que fique de boca fechada, Nora. – Rixon respondeu.

Quando ia responder, arregalei os olhos e contive um grito de surpresa. Na beira da estrada, onde não havia nada além de árvores surgiu uma espécie de galpão. Velho e desgastado.

— Que diabos é isso? – Patch perguntou, se colocando na minha frente no intuito de me proteger de qualquer coisa.

Rixon soltou uma gargalhada.

— Necromancer trabalha com magia das trevas. As almas contaminadas de todos os anjos que receberam as artes do mal ficaram presas nas profundezas do inferno. Então depois de todos esses anos ele ascendeu, com toda sua glória. – Rixon falou com um certo orgulho na voz. – A minha alma pertence a ele, pois ele é meu novo criador. Assim como todos os outros anjos que ressuscitaram. Daqui por diante, o novo inferno será aqui.

Senti um arrepio passar pela minha espinha.

— O que estamos fazendo aqui? – Repeti a pergunta.

— Jesus Cristo, você continua chata. – Rixon agarrou o braço de Vee e arrastou-a em direção ao galpão.

Vee puxou seu braço e pela primeira vez o olhou com uma expressão assassina.

— Escute aqui, seu desgraçado de merda. Eu sei andar. Tenho duas pernas. Então, não coloque mais suas mãos imundas em mim.

Rixon conteve o passo e se voltou para Vee, olhando dentro de seus olhos. Dei um passo à frente, assim como Kurt e Patch.

— Mãos imundas? – Rixon soltou uma risada baixa. – Qual é, Vee? Você adorava essas mãos no seu corpo.

Vee deu um tapa no rosto de Rixon, que riu. Kurt tinha a respiração acelerada e estava com os punhos cerrados.

— Eu já tinha esquecido o quão gostosa você fica quando está brava. – Rixon disse, puxando Vee para sua frente. – Vá andando e qualquer passo errado você vai para o saco.

Entramos no galpão e era imundo. As luzes não eram tão fortes, porém consegui distinguir Jett, Chase, Mason e David – que estava desmaiado – amarrados em cadeiras, totalmente machucados.

Minha respiração falhou. Atrás deles haviam certa de dez homens, com braços cruzados como robôs.

— Anjos caídos. – Patch sussurrou.

Rixon pegou uma cadeira no canto e apontou para ela.

— Sente-se ali, Vee.

— Eu não vou me sentar. – Vee respondeu, fuzilando Rixon com os olhos.

Rixon avançou na direção de Vee e agarrou seus braços com força.

EU. MANDEI. VOCÊ. SENTAR!— Ele gritou pausadamente.

Em questão de segundos Kurt estava em cima de Rixon, socando seu rosto. E no que pareceram milésimos, dois daqueles anjos caídos estavam segurando um Kurt descontrolado e cego de raiva.

— Amarre essa vagabunda e esse desgraçado. – Rixon falou, limpando o canto da boca, que estava sangrando.

Os anjos caídos obedeceram. Eu e Patch não nos mexemos, porque sabíamos que as coisas só piorariam.

— O que você quer com a gente, Rixon? – Patch perguntou com expressão séria e braços cruzados.

— Quero informações. Preciso saber onde estão as penas de todos os anjos caídos. – Rixon respondeu, espalmando as mãos no ar.

— Elas foram queimadas a seis anos atrás, Rixon. – Respondi, lembrando do meu desespero quando a pena de Patch se queimou.

MENTIRA! – Rixon gritou na minha cara. Estremeci, porém, continuei de cabeça erguida, olhando dentro de seus olhos.

— Não estou mentido. A pena de Patch foi queimada junto com a dos outros anjos. Você deve lembrar da pequena excursão de vocês até o inferno. – Falei, examinando minhas unhas.

Rixon estremeceu de raiva e agarrou meus braços.

— Pequena excursão? PEQUENA? Eu fiquei naquela merda de inferno esses seis malditos anos, gritando em agonia. Morrendo, revivendo e morrendo de novo. Várias e várias vezes! Enquanto você e esse merda estavam tendo uma vida de maravilhas. – Rixon parecia um cão selvagem. – Patch teve tudo, TUDO o que eu nunca tive. Ele pode sentir você, sua desgraçada. Eu não tenho alma. Eu sou oco. Vazio.

Depois de Rixon mencionar os sentimentos de Patch eu recuei, como se tivesse levado um tapa na cara.

Rixon me olhou com olhos semicerrados e olhou para Patch. Sem dizer nada ele caminhou até Patch e tocou seu braço.

Um sorriso de deleite surgiu em seus lábios, quando ele olhou para mim de novo.

— Patch não está sentindo. – O sorriso de alargou. – Patch está vazio, desprovido de qualquer tipo de sentimento.

Rixon gargalhou, como se fosse a coisa mais engraçada que ele viu em toda sua vida. Olhei para Patch, que continuava de queixo erguido, porém um via uma hesitação em seu olhar. Aquela vulnerabilidade que só eu conhecia.

— Ao contrário de você, Rixon, Patch tem uma alma. Patch sabe o que é ser bom e ser ruim. Patch é uma pessoa. Você? É um monstro, que não possui dignidade. Você não tem nada, Rixon. – Ofereci a ele um olhar cheio de dó. – Você não tem nem a própria alma.

Senti meu rosto arder com o tapa que ele me deu e meus olhos se encheram de lágrimas.

Patch avançou na direção de Rixon, mas um de seus homens agarraram Patch pelas costas, puxando seus cabelos, imobilizando-o.

— Você é ridícula. Patch ainda vem com essas conversinhas que te ama? Mesmo estando sem sentimentos? Aposto que você sabe da briguinha dele com Mason. – Rixon balançou a cabeça – Não existe ciúme de você. Isso não é sobre você. Ele não sente nada por você no momento. Ele finge. E você acredita.

Respirei fundo, tentando bloquear todas as palavras dele. Caminhei na direção de Rixon.

— Você quer saber? – Dei um sorriso debochado – Foda-se.

Rixon me deu as costas e foi até Kurt.

— Sabe? As coisas que a Vee faz na cama são espetaculares! Você já provou da fruta?

Kurt cuspiu na cara de Rixon, que deu um soco em seu rosto.

— Éramos irmãos, Kurt. O que aconteceu com você? – Rixon perguntou.

— Eu abri meus olhos. – Kurt respondeu, com a respiração entrecortada.

Rixon balançou a cabeça, em desaprovação.

— Vocês ainda não responderam minha pergunta. Onde estão as penas.

— Eu já falei. Foram queimadas. – Respondi.

— Não foram. Kurt e esse bando de filhos da puta ainda estão vivos. E eu preciso saber onde essas penas estão. E vocês sabem. – Rixon disse, apontando ao redor do galpão.

— Não sabemos. – Patch repetiu.

Rixon olhou sem paciência para Patch e caminhou até onde os outros estavam e se agachou na frente de Jett.

— Onde está sua pena, meu amigo? – Rixon perguntou.

— Não te interessa, meu amigo. – Jett respondeu sorrindo. Depois cuspiu no chão. Sangue.

Arregalei meus olhos e olhei para Jett, que tinha um corte na altura do peito. Uma perfuração.

O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?— Gritei para Rixon.

— Eu não fiz nada. Meus homens fizeram. Se ele tivesse colaborado, certamente não estaria sangrando como uma ovelha no matadouro. – Rixon respondeu com as sobrancelhas arqueadas.

— Filho da puta. – Xinguei, ofegante.

Rixon apanhou uma faca na cintura de sua calça e foi para as costas de Jett.

— Não machuque ele! – Gritei.

Rixon segurou o cabelo de Jett, que estava amarrado com uma tira de couro e passou a faca. Soltando o pedaço do cabelo no chão.

Ouvi um som, do tipo engasgado na direção de Jett e vi que ele estava chorando.

Olhei para Patch, confusa.

— O cabelo de Jett era a única coisa que fazia ele lembrar da sua vida antes da queda. Se ele cortasse, nunca mais cresceria. Eu e Rixon éramos os únicos que sabíamos o quando isso era importante para ele. – Patch me contou, com olhos marejados.

O choro ficou preso na minha garganta e meus olhos arderam.

Rixon se abaixou, pegou o tufo de cabelo de Jett e mostrou a ele.

— Isso aqui, meu irmão, era uma vida falsa.

Jett, olhou para Rixon com o rosto molhando de lágrimas.

— Vá para o inferno.

— Acredite. Eu já estou nele. – Rixon falou e jogou o cabelo no rosto de Jett.

Rixon caminhou até os outros e eu virei as costas, pegando o celular que milagrosamente provia de dois pontos de rede.

Patch me olhou de soslaio e se pôs na minha frente, bloqueando a visão de qualquer um sobre mim.

Procurei pelo número de Louise e liguei. Depois de quatro toques ela atendeu.

— Não tenho tempo de explicar, o GPS do celular do Patch está ligado. Rastreie e venha até aqui com o resto da gangue.— Sussurrei.

— Como o Jett está?— Louise perguntou com a voz estranhamente trêmula.

Franzi o cenho. Por que ela queria saber sobre Jett?

— Não tenho tempo para...— Me interrompi, pois um dos anjos caídos estava na minha frente.

— Me dê o celular. – Ele disse impassível.

— Não.

Rixon virou e me olhou com olhos semicerrados.

— Você está com um celular?

Não respondi.

Rixon correu até mim como um raio e me jogou na parede de madeira do galpão e prendeu minha mão com uma faca.

Soltei o celular com um berro estridente enquanto a dor tomava todo o meu braço direito. Uma tontura se abateu no meu corpo e Patch gritou alguma coisa, me segurando. Me impedindo de cair.

— Seu filho da puta! – Patch gritou apavorado, olhando para todo o sangue escorrendo pela minha mão, até o braço e a lateral do meu corpo.

— Patch... – Sussurrei fraca.

— Shhh, fique calma, Anjo. Vai ficar tudo bem. – Patch falou sustentando meu corpo e segurando meu queixo. Seus olhos estavam arregalados e cheios de lágrimas.

— Lilith vai vir... – Sussurrei para ele, sentindo pontos pretos invadirem minha visão.

— Tudo bem, Anjo. Fique quieta. – Patch me abraçou pelo lado esquerdo.

Rixon olhava para nós como se tudo aquilo fosse uma espécie de show.

— Se você tentar tirar a faca da mão dela, eu mato vocês.

— Você é um desgraçado, covarde. – Kurt gritou do outro lado do galpão.

— O que foi que disse? – Rixon perguntou colocando a mão na orelha de forma dramática.

— Você ouviu. Você bate em mulher, você trabalha para outras pessoas que não estão se importando com sua miserável existência. – Kurt riu, balançando a cabeça. – Você sempre foi usado. Você sempre sobrou na minha gangue. Você era o pau mandado, o que fazia o trabalho mais delicado. Você pensava ser especial, mas não. Você era apenas usado.

Rixon inspirou com força e foi até Vee, soltando suas amarras.

— Se você se mexer, — Rixon tirou a faca da bainha e passou lentamente na garganta de Vee, onde um filete de sangue apareceu – Eu te mato.

Vee estava absurdamente trêmula, porém não se mexeu.

Rixon abraçou Vee pela cintura e beijou seu pescoço, olhando para Kurt com uma sobrancelha arqueada.

Kurt forçou os braços nas cordas, mas não obteve resultado.

Rixon continuou com seus jogos sujos, beijando Vee e passando as mãos por seu corpo, até que segurou seu queixo e depositou um beijo com força em seus lábios.

Com rapidez, Vee deu um chute na virilha de Rixon, que gritou e caiu de joelhos no chão.

Kurt se levantou com a cadeira nas costas e de lançou contra uma parede do galpão, onde pedaços de madeira voaram para todos os lados e ele conseguiu se soltar das cordas.

Os anjos caídos se espalharam pelo galpão e Patch se colocou em defesa na minha frente.

De repente uma parede do galpão se abriu com um estrondo. O Jeep freou e a gangue de Kurt entrou no galpão, e a luta começou.

Patch olhou para mim, como em um pedido de desculpas e puxou a faca de minha mão.

Soltei um grito e caí no chão do galpão.

— Fique aqui, Anjo. – Patch falou e eu assenti, tentando controlar a dor.

Patch correu até Jett e os outros, soltando suas cordas.

Como em um sonho o galpão foi tomado por um clarão e os poucos anjos caídos de Rixon caíram ajoelhados, gritando.

Louise abriu a porta do galpão e os outros ajudaram Patch com David desmaiado. Kurt pegou Vee no colo e desparou porta a fora.

Patch me agarrou, me levantando do chão. Senti minha cabeça girar com todo aquele clarão.

Quando saímos do galpão, olhei para cima e senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.

Com o pouco de força que tinha, sorri. Patch olhando a expressão do meu rosto, seguiu meu olhar e prendeu a respiração. Eu não acreditava no que estava diante dos meus olhos.

Ali, em cima do galpão estava o homem responsável pelo momento mais feliz da minha vida.

Respirando fundo, consegui encontrar forças para dizer seu nome em voz alta.

— Detetive Basso!

E então, foi engolida pela escuridão.

Notas finais
Até o próximo capítulo. Beijos