You're an asshole but I love you
11 What It Feels Like For A Girl
Notas iniciais
A lua nova enfeitava o céu, decorava-o, mas não iluminava; com a janela aberta a morena tinha uma visão do lado direito da sua casa, a rua estava quieta e silenciosa, sem vizinhos nas três casas próximas a sua, sem vizinhos, sem barulho, sem ninguém para dizer bom dia ao sair para ao trabalho, sem ninguém para pedir para telefonar para alguém caso esquecesse-se das chaves, era apenas Regina e sua solidão, foi uma das primeiras coisas que pensou ao lançar a maldição. Queria paz. Agora, pensa com certo descontentamento, que, talvez, paz e silêncio não tinham o mesmo significado, viveu em 'silêncio' por todos esses anos e paz foi o que mais lhe faltou. Com um sorriso lembra-se que no primeiro ano, quase todo, ela conseguiu saborear o gosto da vitória, ver todos as pessoas daquela cidade sem seus respectivos finais felizes era um deleite, e acima de tudo ver o Príncipe em coma, ver Mary todos os dias no hospital tão perto e ainda assim tão distante do seu final feliz... Ela não se enganava sabia que isso ainda lhe agradava, mas nem isso foi capaz de lhe proporcionar a paz que queria, e bem, dezoito anos depois até o gosto da vingança tinha perdido o sabor na sua boca.
Talvez, pensa agora, paz fosse algo inexistente, e particularmente, alguém nas condições dela nem deveria pensar em ter tal mordomia dos justos. A paz podia ser regalia dos justos, mas amor era para quem fosse capaz, e ela tinha se descoberto capaz de amar incondicionalmente alguém, foi a melhor surpresa que já teve, esse bebê significava que não era preciso nem conhecer alguém para ama-lo.
"Posso te perguntar uma coisa?" Regina pergunta, sem desviar sua atenção da rua. Não obtendo resposta a morena olha em direção à Emma, a garota mantinha os olhos fechados e falava sem emitir nenhum som. ”Emma”. Diz a morena, aumentando dois quartos a voz e de imediato ela a olha.
"Perdão?" Indaga, para a música do celular, e em seguida tira os fones, e pousa seus olhos nos obres castanhos.
"Posso te perguntar uma coisa?" Repete a pergunta
"Sim?"
"Você acha que... estar em paz e estar em silêncio são de alguma forma... semelhantes? Sinônimos?" A voz da morena demostra seu incômodo.
"Nossa, bem... eu" Emma franze o cenho "Vejamos, paz e silêncio... Eu diria que não" Responde com confiança, sorrindo ao terminar.
"Como? Se, por exemplo, eu, na minha casa... em silêncio, ouvindo uma boa música... talvez, bebendo algo" diz, criando a situação em sua mente "Eu diria que sim, me sinto em paz" Regina não quis admitir que concordava com Emma.
Emma sorri ao ouvir, reflete um instante "Sim, pode ser. Mas, você pode estar, sei lá, em um show de rock, com uma multidão no seu entorno, meio loucos... Que é como ficam mesmo..., e ainda assim, estar completamente em paz."
A boca de Regina forma um ó, ela deixa a cabeça tombar levemente enquanto ela pondera o que acabara de ouvir. Antes de formular uma forma de rebater a garota, Emma continuou:
"Estar em paz não é sobre as coisas que nos envolve, é sobre encontrar, de alguma maneira, uma forma de estar calmo de dentro para fora, não ao contrário."
"Uau" Foi a única resposta que Emma ouve, levando-a sorrir sem jeito.
"Fez sentido?"
"Completamente... É bom ter alguém para me tirar das minhas fantasias." Regina revela, sua voz um pouco mais distante, como se tivesse falando consigo mesma.
"Você achava isso." Deduz
"Por um longo tempo, mas já não tinha tanta certeza assim." Disse voltando sua atenção para rua, com o vento frio beijando-lhe o rosto.
"Então, Regina... Como foi seu dia hoje?" Indaga a loura, no sofá não muito distante da morena, o assunto Graham e Regina, não tinha abandonando sua mente.
"Produtivo"
"Hum... Nada diferente? Uma conversa.... Ou..."
Regina estreita os olhos, intrigada, olha pra Emma, buscando seu olhar.
"Deixe de rodeios"
Emma ajeita sua postura, estalando os dedos de maneira nervosa.
"Conversa?" A mente da morena faz um clique, ela suspira frustrada "O quanto do remorso do Graham tem dedo seu?" Bufa com a imagem de Emma com Graham, seja quais fossem os motivos.
"Só dei a ideia... E então, como vocês ficaram? Amigos?"
"Por aí..., mas, não confio nele"
"Mas, vocês não se... conhecem a muito tempo?" Indagou, avaliando cada expressão da morena.
"Sim... E o que isso implica? Confiança nem sempre precisa de tempo" Diz Regina, percebendo que aquilo se aplicava a relação das duas.
Emma respira fundo, tentando controlar a irritação na voz ao dizer "Isso é. Mas, vocês não são como, não era não sei..." Leva a mão ao rosto, disfarçando a súbita vergonha, lembra-se das palavras de Ruby 'Eles são tipo um casal?' "Como namorados?" Diz e busca novamente os olhos da outra.
Regina estreita os olhos, não fica surpresa pela pergunta, mas pelo modo que Emma faz aquilo soar, e como as palavras vem carregada de antipatia.
"Estivemos juntos sim. Mas, isso ainda não diz nada. Ele te contou isso?" Explica e ignora a suave agitação em seu estomago ao notar que Emma poderia estar muito bem com ciúmes, seus lábios se curvam no mesmo instante em um sorriso.
"Não contou, mas deu a entender." Regina rolou os olhos "E você tem razão..." Diz, dando-se por vencida "Eu não quero você chateada, e ainda mais por minha causa" Completa Emma, inquieta.
"Eu queria ser essa pessoa altruísta que você vê... Foi meu... Egoísmo e minha natureza que me fizeram fazer o que fiz" Diz, se aproximando da mais nova. "Ainda que sim, o motivo foi você" Ela assume.
Emma deseja muito descobrir o que existia por trás dessas palavras da mulher mais velha. Por fim, não consegue deixar de se comparar com a mulher elegante, apesar de tudo que tinham de diferente, e era muita coisa, Regina faziam parte do seleto grupo de pessoas que ela se sentia à vontade para tudo. Fecha os olhos com força, tentando se livrar do pensamento que tudo, tudo era muita coisa, e por mais que quisesse tudo com ela, sabia que nem de longe isso era possível. Olhar para Regina Mills era tentar enxergar por uma neblina.
"Posso pedir uma coisa?" Indaga. Regina acena, ao tempo que se senta ao lado da garota "Quando você se sentir assim... Se olhe com os meus olhos, e verás algo que vejo com muita facilidade... Você é incrível" Completa, nota o brilho nos olhos da mulher e sorri em saber que havia agradado. Emma a via com características perfeitas e que tinha em si uma confiança necessária para ser intimidante, era com pesar que reconhecia que não era para o lado bom que essa confiança lhe levava. Regina sorri para a garota. "Por que faz isso consigo mesma? O que de tão errado você fez no passado?"
Regina tenta decidir se era uma pergunta que Emma gostaria da resposta.
"Não deveria perguntar o que não aguentaria saber"
O quanto do passado dela é importante saber?, pensa Emma. Não era.
"Na verdade, eu só queria que não se martirizasse tanto"
"Auto piedade não combina comigo. O peso do meu passado, não vai sumir, ainda que eu queira" Sua resposta seca, faz Emma rir.
"Além disso... Você, mais que ninguém, sabe onde esteve... Agora precisa decidir aonde quer chegar"
Um leve sorriso surge nos lábios da morena.
"Onde estive...Queria mesmo acreditar que ficou no passado" Diz e sorri sem humor.
"Hum... O que você carrega além das lembranças? Não acha que só por isso já está no passado?"
Além das lembranças, tem uma cidade inteira amaldiçoada., pensa.
"É um pouco mais complicado... Lembra do Daniel?" Emma afirma. "Depois que ele se foi, depois que eu perdi todas as esperanças, eu notei que não tinha sobrado mais nada... Eu vivi minha vida por anos do jeito que eu via como certo... Cometi algumas sandices, Emma..." A morena respira fundo antes de continuar, procurando as palavras corretas "E passei anos convivendo com as consequências das minhas escolhas... até o hoje" Completa com um sorriso de canto "Quando me vejo aqui, com sentimentos que eu achei não ser capaz de nutrir, tomando escolhas diferentes... Eu..." Reflete por um instante "Ah, mas a questão é: eu cheguei até aqui... Por tudo que veio antes"
Regina lembra-se de ter segurado o coração de Graham em sua mão, por quase um minuto inteiro, em conflito se devia mata-lo já ou mais tarde. Acabou por desistir, lhe dando o privilégio da dúvida após a conversa que tiveram. Acreditou fielmente quando Emma disse que ele não tinha culpa, ainda que tenha o agredido, pode controlar-se, com o desenrolar das horas e da raiva se dissolvendo em si.
"Você está em um conflito? Não sabe se suas decisões foram as mais acertadas?"
"Você não entende? Eu não posso simplesmente me arrepender, porque a vida que eu levo agora é melhor do que a de... anos atrás, hoje eu vejo onde errei, mas a vida que eu tinha... essa eu não podia suportar" Sua mente lhe trouxe imagens do velho rei, Leopold, partes de momentos solitários da sua antiga vida.
"Quando foi que tudo desandou?"
"Quando eu e o Daniel não conseguimos fugir." Diz.
O boca de Emma se abre em surpresa.
"Uh-uh" Gagueja "Vocês iam fugir? Mas como? Para quê"
Regina se dá conta que falar daquilo não foi muito esperto, mas como Emma era sempre assim, se sentia tão à-vontade que se via falando o que não devia.
"Você realmente não faz ideia?"
Emma arregala os olhos. "Não me diga que... Não, sua mãe? Ela impedia pela questão social?" A voz de Emma demostra seu espanto.
Regina confirma com um manear de cabeça.
"Calma..., mas ele não..." Tenta achar uma palavra menos forte, não encontra "Morreu?" Emma para um instante, antes de continuar, totalmente absorta "Não, não!" Ela ri de maneira nervosa, se sente boba por pensar aquilo, mas ao mirar Regina nota que não era bobagem, sente o frio percorrer-lhe a espinha "Sua mãe não fez isso. Fez?"
Emma percebe que tinha juntando as pontas, talvez as mais importantes. Regina nada diz, apenas acena com a cabeça e bem, seus olhos diziam tudo.
"Eu, realmente, não sei o que dizer... Isso é terrível"
Regina nota Emma chocada, e não era para menos.
"Depois ela foi presa?"
"Na verdade, não. Eu que fiquei presa. Em um casamento estupido por cinco anos, pelos caprichos de mamãe."
Emma leva a mão a cabeça, passando as mãos de forma nervosa nos cabelos.
"Me diz que isso tudo é uma história, que não aconteceu... Principalmente com você"
"Eu adoraria"
"Regina" Emma pega a mão de Regina, fazendo um carinho na mesma com o polegar "Eu sinto tanto"
"Eu sei" Emma faz um carinho suave no braço da mulher, com a mão livre.
Emma não pergunta mais nada, embora tenha considerado. Regina deseja contar a Emma tudo, mas foi um lampejo de insanidade. Como explicar a garota as coisas que fizera? Ou que, talvez, seria capaz de fazê-lo, de novo?
"Isso te mudou" Constata. Notando que atingiu uma parede de tijolos, Emma muda para outro tópico. Ainda segurando a mão da mulher, pensa se seria muito estranho continuar segurando-a, decide que sim e solta a mão da morena, fazendo seus dedos percorrer a palma da mão dela, reprimindo sua vontade em agarra-lhe novamente.
"Emma... Eu já fiz coisas que nem sua mente seria capaz de criar"
"Qual é do Hospital Santa Cora?"
"Foi o Gold"
"Gold?"
"Sim... Ele me veio com uma história a uns três meses atrás, o Hospital levava apenas o nome da cidade, então ele fez uma grande doação para o mesmo e pediu que o novo prédio recebesse esse nome..." Notando o semblante de Emma, continua "Não... Ele não conhece a minha mãe" Pelo menos eu achava que na época ela não tinha memórias... Pensando bem..., pensa. "Foi uma piada cruel. Ele chegou a me mostrar essa tal Santa Cora, eu acreditei e, bem, dinheiro extra para saúde é sempre bem-vindo"
Emma resolveu mudar o rumo da conversa, afinal falar daquilo ainda era falar do passado de Regina.
"O parque, você passou por lá hoje? Está ficando incrível, e em breve estará pronto."
"Sim... Você tem sido ótima. Estou orgulhosa."
Emma cora ao ouvir "Nada disso, você tem me encaminhado em tudo"
Elas continuaram a conversar por um longo tempo, ambas chegaram a esquecer do peso da conversa inicial. Emma tirava sorrisos fáceis da morena, e isso, que nunca foi do feitio de Regina, tinha se tornado corriqueiro. E a morena já tinha notado isso, e não tentou negar que aquilo era a melhor coisa que tinha lhe acontecido nas últimas duas décadas.
***
8 meses atrás...
"Regina... Não encontrei nada contundente a respeito da garota."
A voz de Regina soou ríspida do outro lado da linha. "Procure de novo"
"É a terceira... Quarta vez em que faço isso..."
"Não me interessa. Sidney, não volte a mim sem nenhuma informação". Completou a mulher antes de desligar o telefone.
Sidney era o diretor e jornalista do Jornal Storybrooke, além do principal: ele venerava a rainha. Quando Regina o procurou a quase uma semana querendo informações de Emma Swan, ele se animou, se sentindo realmente importante para a mulher. Era o que Regina fazia com maestria, manipular para que a servissem, usando de seus traços e beleza etérea.
Ele sabia que poderia fazer qualquer coisa.
Menos falhar com Regina.
~
Após recuperar a confiança depois de Regina desligar, Sidney refazia ligações, buscava novas informações na internet e com colegas de outras cidades.
De alguma forma que ele não entendia, Emma Swan era um mistério.
Ouviu alguém bater na porta, o tirando de seus pensamentos.
"Sr. Gold?" Pergunta surpreso, ao notar de quem se tratava.
"Boa tarde, Sr. Glass." Diz o homem sentando-se na cadeira em frente à mesa do outro "Tenho uma proposta para você" Completa com um sorriso.
Após Gold explicar o que queria, que se resumia a passar informações sobre Emma em troca de um favor posterior, Sidney manteve-se pensativo, ao que o outro interviu.
"Sei o que te move... A paixão pela perfeita" Diz sem rodeios, o homem em sua frente, encabulado, tem a decência em não negar "E, como sabe, eu sou a única pessoa que ela escuta"
O homem concorda de forma energética com a cabeça "Isso é... mas por quê?"
"Ela respeita meus cabelos brancos" Diz de maneira irônica "Isso importa? Importa que posso ajudá-lo com ela, e então me deverá... dois favores. " Diz, mostrando dois dedos ao homem, com a palma espalmada em sua frente.
"Dois?"
"Pelas informações e outro pela meu... auxilio"
Como tinha previsto o jornalista aceitou. Gold apenas contou coisas triviais, enquanto depositava na mesa do homem os papeis, informava o que cada um continha, a prisão e o motivo dela ter ido para lá; sistema de adoção até os 16, quando ela saiu do sistema; e o namorado bandido, sem informações sobre ele, além do nome e antigo trabalho na relojoaria.
Gold saiu do local com um sorriso triunfante no rosto, conseguiu manter Emma Swan e sua origem longe dos olhos de Sidney, e o mais importante de Regina. Tinha conseguido ajuda do homem, sem precisar de esforços, já sabia tudo ao respeito da garota, e cego pela paixão, Sidney seria muito bem-vindo quando necessário para ajudá-lo em seus planos.
***
Atualmente...
"Você disse que ia me ajudar, e até agora não fez nada. " Diz Sidney, após entrar apressadamente na loja de penhores do Sr. Gold. "Oito meses e nada, você mentiu"
"Você me deve um favor, lembra? Um favor por ter ti ajudado sobre Emma. Não espera que eu o ajude antes de cumprir a sua parte, não é? Depois de me ajudar, quem sabe eu te ajude." Diz com desdém.
Sidney reflete e percebe que o homem está com razão "O que você quer?" Pergunta, tomado por uma súbita alegria.
"Que poste sobre a prisão de Emma. Que ela é uma bandida. Todos precisam saber. "
"E Regina?" O homem engole em seco, temeroso.
"Dará boas risadas, aquela lá não se importa com ninguém... " Diz Gold "Só com você. " Se apressa em completar, com um sorriso no rosto.
"Você acha?"
Gold nota como Sidney é facilmente manipulado, de como era patético sua situação.
"Claro. Você lembra quando ela te liberou no dia do seu aniversário? Vocês não jantaram juntos?"
"O jantar foi mais para tacos, e ela nem comeu. Foi no dia em que me pediu para descobrir de Emma" Completa, indeciso se acreditava ou não. Queria acreditar.
"Não importa, ela estava lá, certo? E em quem mais ela confiaria isso?"
"Talvez você tenha razão" Diz com falsa modéstia. "Na segunda... Amanhã, no caso, está bom?" Completa.
Gold acenou com um sorriso.
"Ninguém deve saber dessa conversa. " Gold alerta ao homem antes de se despedirem.
"Elas precisam se odiar. Eu preciso que isso aconteça" Gold sorri. Em pouco tempo ele reencontraria seu filho, mas antes Emma precisaria quebrar a maldição, seja lá o preço disto. No qual ele supunha, ser a vida de Regina. Afinal, Regina nunca foi de fácil convivência... Sem seu esforço isso deveria já está encaminhado.
~
Na manhã de segunda-feira, Regina acorda antes da neblina se dissipar na rua, fez sua higiene pessoal e saiu de casa antes das 7hr, tinha uma reunião cedíssimo. Sorriu à visão de Emma dormindo antes de sair apressada escada abaixo até seu destino.
"Bom dia Kat" Diz a morena "Traga-me um café, ok?"
"Bom dia, já levo..." Responde com um sorriso. "Regina? Tem visita" Antes de Regina protestar, ela intervém "Ele disse que era de seu interesse, insistiu muito. Senhor Kitsis ainda não chegou"
Regina ao entrar na sala, encontra Sidney. Ao caminhar de encontro ao homem, nota que tinha um jornal em mãos. Não, tinha os jornais da cidade em mãos. Estreita os olhos. Apos os cumprimentos, ele diz:
"Acabou de ser impresso." Colocando na mesa dela o jornal, com um sorriso "Achei que pudesse gostar, agora todos, além de nós, saberão quem é a Emma"
Regina empalidece. ''Que diabos acha que está fazendo?"
"Não gostou” Ele observa.
"Isso é uma brincadeira?" Ela nota a expressão do homem, os olhos esbugalhados, a boca aberta em surpresa "Você fez isso. Você terminará isso. Tire todos os jornais da banca, eu não quero que ninguém veja. Você entendeu?"
"Sim, eu faço o que quiser"
"Por que fez isso?" Indaga irritada.
"Achei que ficaria feliz, iria rir... Assim ninguém mais gostaria dela... Fiquei sabendo que todos adoram a Emma... E não deveriam" Regina tinha os dentes cerrados.
"Você está errado. Concerte isso"
Ele se levanta, esquecendo-se do jornal na mesa da morena.
"Não falhe." Alertou Regina, indo atrás dele.
"Não vou" Disse o homem já fora da sala.
"Sabe o que eu faço com quem falha comigo? Com quem não me serve de nada? Eu as jogo fora!"
Regina vira-se, fechando a porta atrás de si.
Kathryn entra na sala minutos depois com o café, voltando em seguida avisando que os homens haviam chegado, e elas o havia acomodado na sala de reuniões.
"Sei que odeio que me interrompa..., mas, se o Sr. Glass me ligar, quero que passe o recado imediatamente. Certo?" Kathryn confirma, se questionando o que de tão importante teria acontecido.
Encontra a resposta pouco depois de Regina ir até a sala de reuniões; Eddy, dois acionistas e seu advogado estavam presentes, além do advogado da prefeita; em cima da mesa de Regina, Kathryn encontrou o jornal e boquiaberto leu o conteúdo... Não tinha noção de onde Emma tinha vindo, pelo pouco que Regina tinha contado, achou que de um lar de adoção, ou mesmo das ruas.
"Aquela carinha de anjo, é realmente capaz de enganar..." Murmura consigo "Regina fez isso?" Em sua mente era o que fazia sentido, por isso a ligação do homem era deveras importante.
Cerca de 30 minutos depois o telefone toca, o homem na linha, diz a secretária apenas que todos jornais haviam sido devidamente retirados, apenas uma banca havia vendido alguns exemplares. O queixo de Kathryn caiu levemente, então, era muito pior que ela suponha.
"Regina está defendendo a ladra? Isso é realmente... novo"
Kathryn fez o que lhe foi solicitado e com um pedaço de papel depositado para Regina enquanto servia café e água aos homens e a prefeita, informou-lhe as novidades.
Na mente de Regina, enquanto os homens continuavam a minuciar as papeladas, o advogado do negociante apontava o que precisava ser mudado e as cláusulas que deviam ser adicionadas, ela pensava o que diria a Emma quando chegasse em casa. Em uma cidade pequena, se uma pessoa viu e foi o que aconteceu, todos os outros saberão, cedo ou tarde.
~
"Emma?"
"Regina" Emma responde com um sorriso, não passava muitas das 11hr quando a morena enfiou a cabeça pelo vão da porta do quarto da loura.
"Tudo bem?" Tinha uma expressão séria, e Emma viu qualquer coisa em seus olhos.
"Sim... Você vejo que não."
"Aconteceu uma coisa muito chata Emma... " Regina diz, entrando no quarto da garota que estava sentada na cama, com as pernas estiradas. Enquanto Regina contava, Emma abaixou a cabeça, calada, reclusa. "Eu sinto muito, estou me sentindo péssima por isso." Emma a contempla, o olhar de Regina estava triste, ela mexia às mãos de forma impaciente, sentada a sua frente na cadeira na proximidade da escrivaninha.
Ver Regina preocupada, aquece qualquer coisa dentro de si, se esquecendo do todo. Seu foco absoluto na morena preocupada.
Preocupada com ela.
"Não é culpa sua" Diz calma, um sorriso ressurgindo em seus lábios, Regina não tirava os olhos da garota.
"Emma, eu estou focando toda minha raiva nele... eu poderia... eu adoraria..." Fecha os olhos um instante, inspirando profundamente e voltando sua atenção a garota logo depois "Não, o que você quer que eu faça?"
"Eu?" A mulher assente. "Bem, corte a cabeça."
Regina arregala os olhos, semicerrando-os logo depois.
Emma ri.
"O quê? Regina, era uma piada"
Regina sorriu sem humor. Tinha os ombros tensos.
"Bem, o que eu quero..." Reflete meio segundo, seus olhos caíram até os livros que tinha em mãos, abandou-o logo em seguida na criado-mudo "Quero que você venha aqui" Bate com a mão em sua cama, recolhendo suas pernas. Regina franze as sobrancelhas e sorri, fazendo o que lhe foi pedido.
"E agora... Livre-se dos saltos." Regina tira-os, deixando no chão ao seu lado "Bem, faça como eu" Emma estende um travesseiro para Regina. Senta-se sobre outro e cruza as pernas com ambos os pés apoiados na cama debaixo das coxas opostas, Regina imita a garota, sem entender os motivos, apenas confiando "Vamos meditar" Revela Emma.
"Sério?"
"Sim, estou aprendendo a equilibrar meu chacra" Diz apontando para o livro que estava em mãos "Gestos de Equilíbrio".
Regina lhe dá um sorriso generoso "Isso adveio de onde?"
"Ruby. Ela disse que fará bem ao bebe, me acalmar... Mantenha a coluna reta e relaxada" Nota que a morena cerrava os dentes, toca-lhe suavemente com a ponta dos dedos no rosto. "Relaxe o maxilar, mantenha os dentes afastados, e deixe os lábios se tocando suavemente, com a ponta da língua tocando de leve os dentes superiores."
Regina se acomoda de frente pra Emma, posa as mãos sobre o seu colo e junta o polegar e o indicador — tinha visto isso diversas vezes em programas de meditação — fechando os olhos em seguida. Emma sorri, espalmando às mãos nas suas coxas.
"Não precisa fazer isso com as mãos se não for confortável para você" Alerta. Regina continua da mesma maneira. Emma fica olhando-a, apesar da posição, Regina respira desregulamente.
"Controle sua respiração. Quatro inspirando. Quatro segurando. Quatro expirando. "
"Preciso contar?" Pergunta, abrindo os olhos.
"Ajuda a não pensar em nada" Explica.
"Tenho que não pensar em nada?"
"Meditação, honey? Esqueceu? "
Regina fecha os olhos, e começa a contar enquanto respirava. Honey., pensa. Sorri de leve, espiando Emma com um olho, quando nota a garota tremelicar os olhos de leve no intuito de fazer o mesmo, ela fecha o seu de imediato.
"Não pode espiar!"
"Como?" Pergunta Emma, boquiaberta.
Regina sorri "Concentre-se, Swan"
Cerca de vinte minutos depois Regina conseguiu a façanha de conseguir se concentrar apenas em sua respiração cerca de cinco minutos, de forma descontinua, mas esse êxito foi visto com bons olhos para alguém que tem a mente em um turbilhão em toda tempo. Emma tinha o exterior inspirando tranquilidade, mas seu interior estava turbulento, sentiu medo do desconhecido e odiava se sentir assim. O celular de Emma toca fazendo as duas olharem de imediato para descobrir de onde advinha a música, Emma desliza o dedo sobre a tela e destrava o celular, ver na tela o nome da sua mais nova ex-amiga, Ruby, o que ela acharia desse passado conturbado? A chamada cai na caixa e ela o mantêm em sua mão, segundos depois o celular apita indicando a chegada de uma mensagem.
"Emma, 13 hr, aqui. Ñ esquece"
E outra logo em seguida:
"Ñ sei pq se esqueceria, já que fazemos isso toda seg RSRS".
Solta um suspiro pesaroso, chamando a atenção de Regina, que inclina o corpo para espiar o celular, sem êxito.
"O que foi?"
"Ruby" Diz e olha a outra, Regina nota sua aflição.
"Hoje não é o dia que vocês se encontram?"
"Exatamente" Emma diz, seu tom demostra que aquilo era o problema. "Se ela viu?"
"As duas vão te apoiar. Eu conheço-as, lembra-se disso?"
"Talvez, mas..."
"Você, mais que ninguém, sabe onde esteve. Agora precisa decidir aonde vai" Diz Regina com um sorriso, foi o que Emma havia lhe dito alguns dias atrás, o feito faz a loura sorrir.
"Você tem razão" Emma diz com um sorriso generoso, "Mas..." Regina a interrompe
"Mas nada. Você talvez tenha uma boa surpresa hoje, vá até elas, afinal, você já acha que elas não vão gostar, mas e se elas não se importarem? O que você pode perder?" Emma sorri sem muita vontade, assentindo.
"Ei, vai ficar tudo bem" Regina afirma "Se elas não forem uns anjos com você, eu vou conversar com elas" Diz com um sorriso sarcástico, arqueando uma sobrancelha, fazendo a outra ri.
"Se fizer essa cara para elas, te garanto que elas serão uns anjinhos"
A morena para de sorrir ao ouvir Emma, ergue o queixo, mirando a outra de cima, solta um suspiro e arqueia as sobrancelhas. Emma olha todo o jogo de superioridade de Regina prendendo os lábios, evitando sorrir para a cena.
No segundo seguinte, o semblante de Regina desmorona e ela sorri, daquele jeito raro de se ver até mesmo no ver da loura, era um sorriso sincero, precioso e Emma sabia. E sabia também que esse mesmo sorriso que lhe tranquilizava iria lhe roubar o sono mais tarde.
***
"Emma" Ruby cumprimenta-a com um sorriso, a garota acabara de entrar no estabelecimento, tinha resolvido aceitar o conselho de Regina afinal. "Eu sei o que aconteceu. Você não precisa ficar com essa cara" Sussurrou a morena, beijando Emma no rosto e levando ela para fora do Granny's
Emma sorri sem vontade "Me desculpe"
"Emma, vamos lá... Você é a pessoa mais bacana que eu conheço... É como minha vó disse, só lhe faltou oportunidades, e isso nunca será culpa sua."
"Oh, a vovó sabe" Diz Emma, corando, se escondendo com as mãos.
"Ela não te culpou nem por um instante, e disse que expulsaria qualquer um que tentasse te insultar aqui... Inclusive eu" Diz rindo, Emma volta a olhar a morena.
"Por isso essa gentileza" Emma diz rindo também.
"Não. Minha gentileza, na verdade, é resultado do meu amor e amizade por você."
Emma sente lagrimas intrusas em seus olhos, respira fundo "Primeiro eu não confiava para dizer, depois eu não sabia como incluir esse assunto nas nossas conversas... Que sempre me fizeram tão bem" Explica. Ruby leva a mão ao rosto de Emma, que só então nota que chorava, e puxa a loura para um abraço, esbarrando de leve na barriga dela.
"Nosso pequenino está grande demais"
"Ele está sim" Afirma com um sorriso, "Mas, ele não é nosso"
"Você não pensa em mudar de ideia? Você pode. E eu ajudaria você, eu a vovó, a Mary... Teríamos a fera da prefeita atrás de nós, mas daríamos conta" Sinaliza para a amiga.
"Não fala assim dela..." Sai em defesa da prefeita "E eu já disse que não posso... Não posso ser mãe” Diz e faz um muxoxo.
"Certo, não falaremos mais disso. Mas estou aqui, para o que precisar, inclusive para sequestrar seu filho"
"Então, já chegou a algum veredito sobre sua teoria?" A voz de Mary surpreende as duas por um instante, ela acabara de chegar na cerca que circundava o ambiente e ouviu o que Ruby dizia.
"Quais teorias?" Emma indaga, franzindo o cenho. Ruby tomba a cabeça no ombro de Emma.
"Isso foi antes de nossa amizade" Se defende Ruby. "Tá, conte Mary" Incentiva.
"É o seguinte, Ruby tinha duas teorias sobre você estar aqui... Uma delas era: Você e a prefeita eram um casal lésbico."
"Não. O casal lésbico mais quente de Storybrooke" Completa Ruby e Emma cora.
"Ou você era uma barriga de aluguel"
"No fim, nenhuma estava certa" Diz Ruby com pesar, olhando de Emma para Mary "Ainda que a segunda tenha chegado perto, mas, a primeira opção ainda é minha preferida"
Emma sorri da cara afetada de Ruby.
"Sinto muito decepciona-la"
"Tudo bem" Diz, sua voz melancólica.
Emma ri.
"Fiquei com medo de não ver isso mais" Mary revela, ao notar que Emma não entende, ela completa "Seu riso fácil." Nota os olhos de Emma ficar marejados e vai até ela e abraça. "Sinto muito por tudo que passou Emma, sinto mesmo" Mary também tinha os olhos marejados e a voz entrecortada pela emoção.
"Eu fico melhor quando estou com você" Revela, Ruby as olhava com um sorriso amplo "E você também" Diz a Ruby e lhe oferece a mão, ela agarra-lhe no mesmo instante. Emma lhe puxa gentilmente pela mão, a abraçando também. "Obrigada" Sussurra
"Você sempre, Emma, sempre poderá contar conosco" Diz Mary com um sorriso.
"É reciproco" Emma solta as garotas e se direciona a cadeira mais próxima, e senta-se "Agora sentem aqui, eu vou contar para vocês um pouco dessa história." Em resumo Emma conta como conheceu Neal, o plano do Tallahassee, Neal ter ido embora, a história já conhecida pelas garotas, se misturava com o roubo dos relógios, sua parcela de culpa no crime que lhe levou a ser presa, a descoberta da gravidez e por fim, como Regina entrou nessa bagunça.
Dez minutos depois o clima pesado tinha passado junto com essa conversa, Ruby revelou os planos da vó em deixar o Granny's para a mesma, e por isso a cobrança excessiva em cima dela, ela agradeceu para as amigas todos os conselhos que lhe deram quando lhe mandaram ter paciência e gratidão com a vó. Ruby, que estava na cadeira no meio das amigas, alcançou a mão de ambas "Você são as melhores amigas do mundo" Deposita um beijo na mão das duas. No instante seguinte a porta do Granny's abre, revelando a Senhora Lucas.
"Meninas, preparei um milk-shake delicioso para o quarteto fantástico"
"Obrigada vó..." Agradece, até se dá conta do que a vó tinha dito "Calma, quarteto?"
Senhora Lucas levantou os braços e apontou os indicadores em sua direção, piscando em seguinte para as meninas.
"Ai vó, nem vem" Ruby diz, indo em direção da vó que já entrava no Granny's, sendo seguida pelas as outras.
"Pode ser quarteto, ou sair do seu salário"
Ruby para de andar bruscamente, correndo em seguida atrás da vó.
"Quarteto não é meninas? Quarteto super fantástico, vó" Diz, inclinando o rosto e beijando a avó na bochecha.
Emma e Mary se limitaram a ri, sendo acompanhada pelas duas.
***
Regina voltou ao trabalho depois do almoço na companhia de Emma, onde ficou até o fim do expediente. Tinha deixado a garota no Granny's, ainda que não gostasse das garotas, torcia para que a relação não se abalasse pelo surto de Sidney. Depois das 9hr após a janta e Emma ir se deitar alegando cansaço, ouviu a campainha tocar insistente na mansão. A morena no escritório rolou os olhos na orbitas, tentada a ignorar o chamado.
Seu desapontamento dobrou ao mirar o homem a sua frente, empurrou a porta no intuito em feche-la, sendo impedida por Sidney que colocou o pé no vão da porta. A morena inspirou profundamente tentando inutilmente recuperar a paciência.
Abriu a porta e se pôs no lado de fora, fazendo o homem recuar um passo e fechou a porta atrás de si. Antes de ter a chance em enxotar o homem, ele diz:
“Eu te amo Regina, case comigo. ” O homem diz de forma débil, se ajoelhando na frente da morena e lhe oferecendo uma caixinha.
Regina recua, se esbarando na porta atrás de si. “Não. Eu não quero casar com você. ” Diz de maneira rude, tomada pelo asco em ver aquele homem de forma patética a sua frente.
Ele se levanta e se aproxima da morena, fazendo a se esquivar dele. Sentia nojo pelo o que ele causou e apesar de nunca evitar esse tipo de situação, a ideia dele toca-la lhe enviou calafrios pelo corpo, o homem lhe estende a mão com o anel, na sua direção, o que ela se limita a ignorar. Nesse momento Emma abre a porta, fazendo Regina soltar a respiração, que nem notara que prendera. Sidney e Regina estavam um de frente ao outro, com a porta entre eles, e agora Emma observa a cena intrigada.
“Por favor. ” Diz o homem, não dando atenção a nova pessoa na varanda.
“Tudo bem aqui, Regina? ” Emma pergunta.
Regina assente de leve com um sorrisinho de canto. Esperou que Emma entrasse.
Ela para ao seu lado.
Sidney se aproxima de Regina um passo, levando-a abraçar seu corpo, lutando com a vontade em empurrar o homem para a longe.
“Regina, diga sim, diga sim. ” Implora ele. “Por favor... Diga sim. ”
Emma observa Regina de soslaio, nota sua expressão corporal e sem relutar, coloca seu corpo em frente ao de Regina, fazendo a morena sorrir com o gesto, apesar de saber que o homem nunca machucaria ela. Um lampejo de aborrecimento perpassou por Emma, fazendo-a erguer o queixo, quase que rebeldemente, fitando o homem.
“O quê? O que acha que está fazendo? ” Ele finalmente, após a atitude de Emma, quebra o contato visual com a morena, o homem levanta a mão com a intenção de afasta-la, antes de fazê-lo, olha pra Regina que acena em negativa, prevendo o ato. Ele recolhe o braço.
"Você não deveria se aproximar dessa maneira dela, seja educado e mantenha distância" Emma pensa em contar até dez, mas só conta até três, aperta o punho em antipatia. Talvez, socar as pessoas não fosse uma ideia tão ruim agora.
“Emma” Regina sussurra, fazendo a garota desviar atenção para a voz melodiosa tão próximo do seu ouvido. “Está tudo bem. Certo? ” Emma se vira para ela, suas palavras fazendo o coração da mais jovem vibrar. “Eu resolvo isso em um minuto. Entre. ”
Seus olhos se perdem por um instante, em uma conversa muda.
Você tem certeza?
Sim.
“Fique bem. ”
Regina lhe sorrir e Emma entra.
"Sidney, querido." Diz com sarcasmo, aproximando-se do homem, ergue o queixo, mirando o outra de cima, afinal ele era mais baixo que ela, solta um suspiro de desgosto e arqueia as sobrancelhas. Sua mente lhe traz a imagem de quando fez a mesma expressão pra Emma, de brincadeira, sorri por um segundo. Pense em coisas ruins Regina, pensa a morena. "Você sairá agora, e não voltará aqui..." Completa, já recuperando seu semblante digno da Rainha Má. "A não ser que eu te chame. O que não vai acontecer. Faça o que estou inteirando, ou conseguirei um modo de mantê-lo distante."
***
"Sua aula mais cedo foi muito benéfica, me deu uma ideia incrível. Vamos inaugurar o parque essa sexta" Regina conta a Emma minutos após dispensar o jornalista.
Emma lhe dá um sorriso generoso.
"É realmente incrível, mas não é muito cedo?"
"Não. A pessoas precisam de algum assunto para falar" Regina sorriu.
"Obrigada" Sussurrou. Regina deu de ombros, como se dissesse "Não foi nada". Mas tinha sido, e Emma sabia.
"A matéria de capa do jornal será o aviso, mas acho melhor não dizer de cara do que se trata, dizer apenas que temos uma comemoração... No decorrer da semana revelamos o motivo e depois a melhor notícia, a banda que já consegui confirmar" Emma olha a morena em expectativa "Drive Shaft"¹ Completa.
Emma arregala os olhos, seu queixo caindo levemente. "Não." Ela diz.
"Sim" Afirma a morena, com um sorriso de canto
"Eles são incríveis... e cobram uma fortuna para o show"
"Sim" Repete a morena mortificada. "Eu sei"
***
O plano de Regina foi um sucesso, na terça feira o murmurinho na cidade girava em torno de saber o que estariam comemorando, o mistério na notícia deixou todos apreensivos e contentes. Na quarta ao revelar o motivo, as crianças não paravam de falar sobre, e bem, quando uma criança se anima sobre alguma coisa, ninguém consegue tirar isso da mente das mesmas. Na quinta as pessoas estavam quase loucas ao descobrir que uma das bandas mais famosas estaria na cidade, para um show, e ao mesmo tempo que era inacreditável, era totalmente incrível.
De fato, poucas pessoas conheciam a banda, menos pessoas ainda eram fãs, mas o jornal especificava como eram famosos, talentosos e, impossivelmente, caros, e isso despertou em todos qualquer coisa adormecida e muitas adolescentes e jovens se reuniram para fazerem cartazes para os amados integrantes da banda e principalmente para Liam, o cantor da mesma, e aprender a música mais conhecida deles "You All Everybody".
Até mesmo o dia parecia ter amanhecido mais bonito na sexta, o céu azul, o sol brilhando, tudo estava perfeito. Às 2hrs o parque estava lotado, crianças se divertiam nos brinquedos, grupo de jovens conversavam, alguns faziam piquenique, em resumo todos se divertiam e riam, coisa não tão comum naquela cidade.
O parque que se localizava nas extremidades da floresta, tinha sido gradeado para evitar que as crianças saíssem perambulando pela floresta sem os pais notarem, um laço tinha sido colocado na frente do portão junto de um monumento coberto por um tecido preto. O palco tinha sido montado no lado de fora da floresta, uma armação de ferro grandiosa e cheia de luzes. Às 3hr a prefeita chegou em sua BMW, o clima antes cheio de burburinho e vida, foi se calando à medida que a prefeita passava por eles, em seu lado Emma a acompanhava, evitando olhar as pessoas diretamente, tinha saído a última vez ao Granny's, Regina havia a levando e buscando-a, tinha visto algumas pessoas, mas hoje todas estavam presentes. Seu coração batia acelerado no peito.
"Boa tarde a todos" Fala Graham no microfone instalado ao lado do parque, chamando a atenção para si, ao seu lado as duas mulheres, a loura se mantinha um pouco mais afastada. "Hoje está sendo incrível não?" Muitas pessoas sorriam e cochichavam entre sim confirmando "Bem, quero passar a palavra para a responsável por ele então... Prefeita Regina Mills" Ele iniciou uma salva de palmas, sendo acompanhado, pouco a pouco, por todos presentes.
"Boa tarde moradores de Storybrooke. É um prazer ver todos vocês aqui. Bom, nossas crianças já estão aproveitando tudo, mas bem, essa inauguração é um sonho de anos que se tornou realidade. Esse castelo é um presente para meu filho... e todas as crianças. Espero que todos eles tenham bons momentos aqui." Todos aplaudiram. Regina olhava para todos os lados, sem na verdade focar em ninguém, acenando em agradecimento, logo cessaram e ela continuou "Queria pedir uma salva de palmas para a responsável desse projeto ser finalizado tão rápido, e com tanta eficiência." Emma sente-se se corar, Regina vira para ela, lhe saudando com um sorriso torto e uma piscadela. "Emma Swan" A expressão de Regina, somada a seu nervosismo pelo momento, faz seu coração acelerar no peito de novo e seu estomago se agitar. Regina começa as palmas e logo todos fazem o mesmo, cheios de entusiasmo. Emma caminha até o lado de Regina, tomando seu lugar ao microfone.
"Olá gente" Emma diz sem graça, olhando todos rapidamente, seus olhos encontram suas amigas, Ruby e Mary que lhe sorriem e acenam animadas, deixando-a mais confortável "Regina está sendo humilde..., isso tudo partiu dela. Mas foi um prazer fazer parte disso. Essa cidade é incrível, e apesar de ser a menor em que estive, é também a que fiz mais amigos" Os olhos de Emma encontram com o de Graham, a freira Nova, Leroy, voltou para Ruby e Mary, e ela descansou-os em Regina "Obrigada por me deixarem fazer parte disso" Diz Emma ainda mirando a morena, Regina sorri de volta. "Quem aí está animado para a festa?" Diz animada para o povo. Todos gritaram, Emma solta um grito de animação "Incrível. Nossa prefeita é mesmo sen-sa-ci-o-nal" Fala pausadamente, Regina nota o sorriso no rosto de todos, e a animação se estabelecendo "Você" Diz Emma apontando para uma criancinha "Esse não é o parque mais legal... do mundo?" Indaga com um sorriso, o pequeno levanta os braços entusiasmado, acenando positivamente com a cabeça, logo todas as outras crianças soltam gritinhos de felicidade. "Eu agora queria pedir à prefeita cortar logo essa fita" Diz com um sorriso amplo, Graham se apressa em entregar-lhe a tesoura "E para vocês, uma salva de palmas para a prefeita, por favor, por essa tarde incrível que está só começando." As pessoas obedecem de imediato, olhando a morena, aplaudindo e gritando "vivas".
Regina sorri em resposta, mas nota uma diferença, se agora as pessoas estavam olhando para ela com um fascínio cauteloso, antes com Emma eles olhavam com carinho, ainda que alguns nem a conhecesse, certamente seu jeito em lidar com as pessoas as conquistaram rapidamente. Emma desce do palco e fica ao lado da morena, que oferece a Emma um lado da tesoura, que media mais de um metro, e as duas juntas cortam a fita. Graham, logo depois, retira o tecido que cobria uma placa que continua o nome do presidente, da prefeita e de Emma, que não esperava por isso e ficou com um sorriso bobo no rosto, olhando para Regina. As pessoas aplaudem mais uma vez.
Graham sobe ao palco e diz "Às 4hr a banda fará a passagem de som, quem quiser ficar para ver... Às cinco e meia começa a festa, estejam todos aqui, para duas horas e meia de show" Graham sorri. Ruby grita no fundo "Uma salva de palmas para nosso xerife" As pessoas se anima e batem palmas novamente. Graham por sua vez, murmura 'obrigados' e ri para a comoção geral.
Minutos mais tarde, Graham e Regina trocavam algumas palavras, muitas pessoas agradeciam a prefeita e lhe cumprimentava, Emma foi abordada diversas vezes e Regina observava, sentindo-se verdadeiramente contente por as pessoas estarem tratando Emma tão bem.
***
A maior parte dos adultos foram para casa e voltaram no horário da festa, os jovens curtiam e se divertiam com a passagem de som, como não chegava a vinte no total, foram recebidos no camarim da banda, com direito a foto, autografo e muitos gritos de euforia.
Regina foi um desses adultos, pediu a Kathryn que recepcionasse a banda, chegou às 5hr, os minutos passaram a rapidamente enquanto conversavam e logo a banda subiu ao palco, agradecendo calorosamente o convite da prefeita, 90% da população estava presente e demostravam toda a animação quando eles tocaram a primeira música, rapidamente as pessoas se aglomeraram em frente ao palco, além de bom som, a banda tinha presença de palco e um reportório incrível, e enquanto todos pareciam enlouquecer em frente ao palco, Emma e Regina se limitaram a ficar em uma distância segura, acabaram sentando-se em um dos bancos, não muito distante dos outros, que tinha na praça, pelo simples motivo quê: Regina odiava tumulto e Emma, não tinha muitas escolhas pelas suas condições, e queria mesmo ficar ao lado da prefeita.
Uma hora depois do inicio do show a animação das pessoas não tinha se dissipado, pelo contrario, a energia do local era tamanha que chegava a ser magnética, levando Emma a fechar os olhos ouvindo cada nota e cantado com os rapazes, Regina se limitou a olha-la com fascínio, a loura parecia alheia e aparentemente não se importava de fazer um show particular para a outra.
Os acordes finais indicaram o fim da música.
"Quer ir mais perto?" Pergunta Regina. Emma vira seu rosto em direção a outra e sorri.
"De jeito nenhum" Sorri "Aqui está perfeito"
Antes de qualquer uma das duas formularem qualquer coisa a mais, a banda começa outra música, Emma arregala levemente os olhos e faz um biquinho, evidenciando seu espanto. O remixe era envolvente fazendo Emma desejar dançar, antes que perca o entusiasmo levanta-se e canta junto:
Madonna — What It Feels Like For A Girl
"Silky smooth
(Maciez sedosa)
Lips as sweet as candy, baby
(Lábios tão doces quanto uma bala, baby)
Tight blue jeans"
(Jeans azul apertado)
Fecha os olhos e joga os braços para cima, mexendo o corpo e balançando os ombros no ritmo da música.
Continua em seu transe, curtindo a música que cantou muito quando mais nova, sua mente lhe transbordando de memórias. Quando Liam começa a narrar uma parte da letra, Emma abre os olhos e olha Regina, por um instante pensa que seu olhar capturou o brilho da lua, que estava fosca no céu, a impressão que teve ao mirar os olhos, que agora pareciam negros a pouca luz, eram que cintilavam. Lhe sorri antes de dizer "Não fique só olhando. Dance comigo" Clama.
Regina sorri no mesmo instante e lhe nega com uma manear de cabeça. Emma não aceita a resposta, estende a mão para a morena "Vossa majestade" Diz, e inclina o corpo em uma meia reverência. Regina olha para os lados, todos pareciam entretidos com a banda, nega mais uma vez, percebe que Emma não ia ceder, por fim estende a mão e agarra a de Emma, que lhe presenteia com um sorriso triunfal.
"Do you know what it feels like for a girl
(Você sabe como é para uma garota?)
Do you know what it feels like in this world"
(Você sabe... Como é para uma garota neste mundo?)
Logo em seguida, solta a mão de Regina, e recomeça a se mexer, observando a morena que mantem os braços colados ao corpo e claramente desconfortável com a situação, não se move. O último refrão inicia fazendo Emma estender os braços oferecendo as mãos para a morena, que as pega sem pudor, a loura movimenta seu corpo, fazendo o mesmo com os seus braços e os de Regina, consequentemente, lhe sorrindo em incentivo.
"Feche os olhos" Sugere, a mulher obedece, Emma se permite avaliar a morena. Usava um vestido preto que parecia ter sido costurado em seu corpo, modelando-o, a peça tinha um decote sugestivo, além do scarpin também preto, a mulher mais velha trajava um colar de brilhantes e brincos combinando, além dos olhos marcados tinha nos lábios o amigo-fatal-inseparável: o batom vermelho. "Deixa a música tocar sua alma" Sussurra Emma, arrancando um suspiro da outra. Em um segundo ela estava parada em sua frente, estática, e no seguinte mexia seu corpo de um lado para o outro de maneira sensual, sua alma pode até não ter sido tocada e junto, mas, sei corpo tinha sido, sem duvidas; os olhos de Emma mira Regina de cima em baixo, se retardando em seu quadril que parece ter adquirido vida própria, seus olhos alcançam a boca da morena, que como se soubesse da vigília, morde seu inferior. Emma fecha os olhos, pedindo aos deuses a força que nunca teve. Que mal faria roubar um beijo de Regina? Só um? Nenhum., pensa. Certo? Errado. Mas...
Emma abaixa os braços, levando os de Regina junto, se aproxima da morena até sua barriga esbarar na outra, a fazendo refletir o porquê não devia. Porém, pensa, não podia ser tão errado se queria tanto assim. Inspira fundo, só precisa inclinar seu rosto, Regina estava ali afinal, tão perto.
Seu rosto se inclina, como se seu corpo tivesse tomado posse da sua consciência, passa a língua pelo lábio de maneira nervosa.
"In this world
(Neste mundo?)
Do you know"
(Você sabe?)
Os lábios de Regina se abrem de repente, Emma sorri, recua para encara-la, ela canta a música sem emitir nenhum som. Era adorável. A morena sorri, Emma pensa por instante que talvez ela lhe ouvisse o pensamento. Me permita beija-la., pensa de imediato. Espera com expectativa qualquer mudança em sua expressão, obvio, não vem. Bufa frustrada, a morena parece não notar, talvez o fato de Emma continua lhe segurando as mãos e balançando-as no ritmo da melodia, passou para ela o conforto necessário para tal atitude.
"Do you know
(Você sabe?)
Do you know what it feels like for a girl
(Você sabe como é para uma garota?)
What it feels like in this world"
(Como é para uma garota neste mundo)
O que uma garota quer nesse mundo, Madonna, é se apaixonar por quem quiser, poder se sentir assim. Emma pensa com pesar.
Inspira profundamente ao notar os acordes finais da canção, queria chutar a bunda dos deuses por serem tão irônicos, as circunstâncias que a levaram conhecer a morena não podiam ser piores. Nada ruim que não possa piorar., pensa, se chutando mentalmente. Regina abre os olhos e sorri pra Emma que nota sua timidez, suas bochechas corando, fazendo a loura pensar com que expressão estaria. Nada perfeito que não posso ficar... fodidamente perfeito. Solta um suspiro, essa faceta da morena é algo que ela não podia esquecer, nem se quisesse. E não queria.
Madonna, de rainha para rainha, o que uma garota quer nesse mundo é nunca mais se sentir sozinha, segregara mentalmente Regina com a rainha do pop, sorri para Emma uma última vez, antes de soltar suas mãos e sentar-se novamente. A garota imita o gesto e senta ao lado da prefeita. Foca no palco a primeira vez na noite, evitando focar na morena, e ainda assim, mesmo sem olha-la, sentia o peso do olhar dela sobre si. Como imãs, seus olhos se encontram, e por um instante a morena se perdeu nas esmeraldas que eram as iris de Emma, que deixou se hipnotizar pelos castanhos.
A intensidade do olhar que ambas trocavam era palpável. Como se pudessem ver além deles, ver a alma nua e suas feridas... Vê-las exatamente como são: duas almas perdidas. A procura do quê? De quem? Não tardariam a descobrir.
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