You're an asshole but I love you
7 Our differences.
Notas iniciais
“Pegou-se rindo, por que, mesmo se desejasse, – não sabia ao certo se desejava — achou impossível fugir de encantar-se pela beleza e sapiência de Regina Mills.” Swan, Emma.
“Quem que ela conhecera, começaria uma conversa sobre isso? Possivelmente, ninguém. Riu por dento. Emma era atrevida, divertida, uma companhia adorável. E Regina queria conhece-la mais afundo mesmo que não tivesse admitido isso nem para si mesma.” Mills, Regina.
“Nossa Regina, você não tem defeito?” Perguntou Emma, tirando sorrisos da morena. Em sua frente, sem dúvidas, a melhor versão de seu prato favorito: Medalhão de filé mignon e batatas gratinadas. “Hum... Sério, isso está divino... O que é isso? Tem manjericão?” Perguntou, levantando com o garfo um molho de ervas de cima da carne.
“Sim, molho pesto. Você gostou mesmo?” Perguntou sorrindo com os olhos fixos em Emma. Regina mal havia tocado no seu prato, observando a garota; experimentou e sabia que estava bom, melhor do que das outras vezes que preparou esses alimentos. Mas a opinião de Emma era o ultimato, afinal, foi feito para ela.
“Está brincando? Isso é... mágico.” Respondeu, revirando os olhos. Levou mais uma generosa porção a boca e mastigou avidamente, sentindo a mistura do molho com a carne, uma explosão de sabores em sua boca… E, ficando ainda – impossivelmente — melhor junto com as batatas douradas, sentia-se até mais feliz depois disso.
Regina sorriu de novo, um sorriso sincero que Emma achou que ia de orelha a orelha e então ela retribuiu, sorrindo também.
~
Após sentir-se satisfeita, Emma encostou-se desleixadamente na cadeira e soltou um suspiro.
“Acho que vou explodir” Disse brincalhona.
“Oh, isso é mesmo uma pena...” Disse Regina, fingindo pesar. Emma tinha uma expressão curiosa “Fiz uma torta de maçã, que é meu doce favorito... E, modestamente, uma das minhas melhores receitas. Uma pena que esteja satisfeita” Completou com um sorrisinho.
“Me dê dez minutos, pode ser?” Regina assentiu “Agora veja... Você é uma líder politica, cozinha com maestria, tem resposta pra tudo, musicista... E ainda por cima modesta” Disse a ultima parte com certa ironia. “O quê não sabe fazer?” Emma perguntou.
“Cantar?” Respondeu divertida arqueando as sobrancelhas e tombando a cabeça pro lado.
Emma balança lentamente o seu corpo, de maneira ritmada, como se ouvisse uma boa música.“Então, assumo que sabe dançar?” Perguntou.
Deu de ombros “Se houver alguém para me conduzir... Sim” A mente de Emma trabalhou mais rápido que seu bom senso e não conseguiu evitar pensar que ela seria esse alguém em conduzir a morena. Sorriu com seu pensamento.
“Apesar de tentar ser a ovelhinha negra da casa, com seu sonho de amazona, você acabou sendo tudo que sua mãe quis, não é?” Perguntou Emma, ela não conseguia conter-se em perguntar sobre a mãe de Regina, porque, uma mãe, foi tudo que ela sonhou na vida. Regina assentia afirmativamente, até a loura completar “Você casou-se e age como uma perfeita lady e é tão prendada”
“Perfeita lady”
Regina sorriu com o comentário “Swan, você supõe demais. E o sonho da minha mãe não era meu casamento, ela queria que eu fosse ra... prefeita, seu sonho era me ver liderando. Ter todas a minha mercê”
“Tem todos a sua mercê não porque é a prefeita” Emma sentiu-se uma pervertida por seus pensamentos, e ainda assim, não pode controlar seu sorriso presunçoso.
“E, pra ser sincera, aprendi a cozinhar algumas coisas pelos erros e acertos. Quando vim pra cá, uma das raras coisas que sabia fazer era torta de maçã... Uma receita de família”
“Família”
Emma sentiu raiva de si mesma por ser tão vulnerável as palavras de Regina. Sentiu-se estupida por sentir, por menos de meio segundo, que eram família.
“Cozinhar é relaxante” Disse Emma, Regina a olhou estupefata “O quê? Me julgando só porque errei nos ovos, ainda? Esperava mais de você, Regina” Disse rindo. Regina a acompanhou no riso, Emma havia mesmo percebido pela sua expressão o que ela tinha pensado e ela achou adorável.
~
Minutos depois Regina sumiu pela porta da cozinha e voltou com dois pratos, contendo a sobremesa: torta de maçã e sorvete de creme.
“Espero que goste de torta com sorvete.”
O cheiro que exalava deixou Emma salivando, a torta ainda estava quentinha e contrastava com o frio do sorvete, uma combinação ideal. Regina apreciou a maneira que ela parecia deliciada com sua sobremesa.
“É tão crocante... Leve, saborosa, é doce na medida certa e muito cheirosa. E você caprichou na canela, eu sou viciada nesse sabor... Hum”
“Obrigada. Você é gentil.” Disse, lisonjeada.
“Não, nada de gentileza aqui, eu diria se estivesse menos que perfeita.”
“Oh, não duvido da sua sinceridade, Senhorita Swan”
“Acho bom.”
***
Emma não soube como, mas elas haviam começando a falar de musica, artes e cinema. Emma disse que adorava todo tipo de filme, menos terror, preferia um bom drama, comédia ou mesmo romance. Regina disse que adorava filme de terror, pois pra ela a vida real era muito mais aterrorizante do que as balelas desses filmes. Emma notou que a visão de Regina sobre a vida se assemelhava com a dela, mas flagrou-se falando sobre algo que não tinha há tempos: Esperança.
“A vida é uma merda? Sim. As pessoas que mais amamos vão nos decepcionar? Sim.”
Regina cortou Emma e falou irônica. “O que eu vejo é que você só não tem coragem de assumir”
“Calma...” Disse sorrindo “Mas vale a pena, entende? Apesar de tudo. E ainda que uma pessoa fique pouco tempo em nossa vida, vale a pena. Devemos olhar com a alegria pro passado...” Emma parou uns instantes, refletindo “Não posso viver no passado. Se assim fizer perderei toda oportunidade em ser feliz. Aqui. Agora. No presente.”
Ambas ficaram em silêncio. Regina relutou, mas algo em seu intimo concordava com aquelas palavras, mas ela não queria acreditar que tudo bom era findável. As coisas boas e principalmente, amor verdadeiro não deveriam ter fim. Emma sorriu e resolveu que, talvez, quem sabe, ela deveria assumir aquele conselho para sua vida. Aproveitar o presente. Então, ela percebeu uma máxima, quando ajudamos alguém acabamos por curar nossas próprias feridas.
Regina adorava musica clássica e rock alternativo e Emma, apesar de gostar dos dois tipos, seu tipo preferido era indie, cantor favorito Duncan Sheik. Regina acabou por revelar sua paixão por pinturas; principalmente, Monet, que pintou quadros incríveis que retratam a natureza, seu lugar preferido de todos. Emma era seu oposto, disse que amava mesmo as luzes artificiais dos prédios, carros, o movimento, as multidões, desejava conhecer Las Vegas: a cidade mágica por trazer a sensação de que todos os sonhos são possíveis.
“Todo movimento e agitação nas cidades grandes, me fazem esquecer a agitação aqui dentro” Disse, pousando a mão no peito.
“O campo, o piano fazem-me lembrar de casa. Por isso eu toco... Tocava, me lembram dum tempo bom, um tempo a muito perdido”
“Sente saudades.”
“Sim” Não tinha sido uma pergunta, mas Regina havia reafirmando o que já havia ficado obvio pra Emma: Ela sente saudades de casa.
“Por que foi embora, Regina? O que você busca?”
“Recomeçar.”
Aquela conversa foi um clique, fazendo a morena lembrar-se de uma conversa há um pouco mais de seis meses...
“Prefeita... O que está te preocupando? O que está sentindo?” Perguntou o Dr. Hoper. Ele notou sua intranquilidade. Regina havia o convocado em sua residência, a principio ele achou que havia tido uma falha de comunicação; e que, a mulher havia achado que a licença de seu cachorro, pongo, estava vencida.
“Nada” Disse dura, e depois completou, desviando o olhar dos olhos de Archie, em uma timidez velada. “Eu não estou sentindo nada” Completou chateada.
“Se eu tivesse de adivinhar... Eu diria que você é determinada.” Ele notou a mudança de expressão de Regina, seus olhos tinha um brilho novo e até seus lábios se curvaram em um sorrisinho. “E isso pode deixar um vazio, a vida não é só trabalho, talvez, por isso se sinta insatisfeita”.
“Não estou insatisfeita, eu amo a minha vida” Disse bruscamente, seu semblante desgostoso com o rumo da conversa.
“O que adianta? Se não tem ninguém para compartilhar?”
Foi nesse momento que ela soube o que faltava, soube o que precisava, notou que a única vez que se sentiu completa, naquela cidade, foi quando o pequeno Owen esteve por lá. “Uma criança pode trazer tanto significado” Foi o que o Dr. Hoper disse. E era o que ela já sentia, mesmo ele ainda não estando em seus braços, sua vida tinha uma cor diferente; agora ela sentia vontade em voltar pra casa depois do trabalho, sentia-se ansiosa quando se aproximava o momento de ficar mais perto do filho... E, bem, de Emma.
“Conseguiu?” Perguntou Emma.
Regina ponderou um instante ou dois. “Por algum tempo faltou-me algo... Algo primordial. Não falta mais.” Disse, olhando Emma nos olhos.
Emma sentiu-se boba por desejar que fosse ela, pois ela soube a resposta assim que Regina falou. O bebê que ela carregava era a chave, a chave do coração de Regina e provavelmente, o que a faz sorrir tanto. Indo em choque contra a “amargurada e triste Regina” que ela ouviu. Mas sozinha naquela casa e com amigos que falam essas coisas, ela sorriria de quê?
***
Elas passaram a tarde juntas conversando, ora ou outra elas assistiam o que passava na tevê, desistindo minutos depois, quando umas das duas interrompiam o programa com qualquer comentário fútil, e dali surgia uma conversa fácil. Logo, o silêncio se estabelecia, mas hoje, ambas perceberam que não incomodava e não tinham, entre elas, a necessidade de falar para quebrá-lo. Sentiam-se tão à vontade, que nem chegaram a questionar-se sobre as mudanças de sentimentos que nutriam em relação a isso.
Elas assistiam a um programa de auditório qualquer e, apesar da falta de nexo nas provas e sentido para existência do mesmo, Emma ria das besteiras contidas nele e Regina flagrou-se sorrindo, às vezes, o riso da loura era contagiante.
~
“Você tirou meu foco ontem, acabamos não assistindo meu programa favorito”
“Oh, verdade... é sobre o quê? é programa de culinária? de moda? Alguma dessas frescurites de mulher?”
“Está me chamando de fresca, Senhorita Swan?” Emma se apressou em negar “E, pelo o que me consta, você é tão mulher quanto eu” completou Regina.
“Eu não quis dizer isso, só quero um spoiler do que teremos sábado que vem”
Regina riu.
“Spoiler? Isso não vai acontecer... Esse programa eu não vejo há alguns anos, mas...” Ela calou-se, amaldiçoando-se pela boca grande. Com Emma era sempre assim, ela apenas não conseguia se conter.
“Como assim? Quando eu tenho uma coisa favorita eu não consigo passar um dia sem pensar, falar, ver, ouvir... qualquer coisa assim”
Como explicar que nos últimos dez ou doze anos ela viu todo dia o mesmo programa? E que, apenas há pouco tempo, ela cansou-se dele?
“Exatamente o que eu disse, não vejo há tempos” Disse simplesmente, em seu usual tom seco, tentando parecer convincente.
Emma curvou ainda mais os lábios e balançou lentamente a cabeça, dos seus lábios Regina ouviu um ‘runf’. Ela entendeu o recado: Regina não esta a fim de continuar aquele assunto.
“Próximo sábado te manterei focada” Regina avaliou Emma, sentindo qualquer coisa diferente em seu tom de voz, mas não detectou nada além do olhar malicioso. Ficava cada vez mais evidente para Emma que ouvir Regina e aprender, falar e vê-la tinha se tornado a coisa favorita no seu dia.
Minutos depois se pôde ouvir um trovejo, intenso e seco, rimbombar a distância. Emma notou Regina estremecer. Logo, uma chuva fina começou a cair lá fora, ora ou outra um trovejo – tênue, mas poderoso-, além dos clarões que rompiam o céu. O mormaço foi substituído por um clima frio e úmido; naquele fim de tarde, Regina e Emma, se aconchegaram no sofá em frente à lareira, enquanto as nuvens cinza escureciam o céu e a chuva antes fina, agora caia em pingos gradualmente mais grossos.
A chuva lá fora cada vez mais intensa...
Caia...
E o vento mais forte lá fora...
Arrancava as folhas das árvores e fazia os galhos dançarem...
Emma sentiu-se inebriada com essa aproximação, não antes compartilhada, estavam a um braço de distância e não havia mal estar entre elas. Ainda que próxima, ela desejou que pudesse ser só um pouco mais perto...
E quando um trovejo fez Regina se encolher por um instante, Emma, sem cogitar, alcançou-lhe a mão e entrelaçou os dedos, confortando a morena. Regina agradeceu-lhe com um sorriso, fechou os olhos por uns instantes, sentindo o calor que emanava da mão macia da outra mulher; e, algum tempo mais tarde, trouxe a mão dela com a sua para seu colo, colocando a mão, antes livre, em torno da mão da loura, mantendo a firmemente entre as dela.
Apertou levemente a mão de Emma, controlando sua ansiedade. Dias como esse a fazia lembrar-se da mãe, por vezes, quando ela brigava com Regina o céu escurecia e trovões faziam se ouvir de longe; ela temia isso quando criança e ainda hoje, ela consegue ouvir a mãe gritar-lhe impropérios, enquanto ela apenas prometia, jurava “Serei uma boa menina”.
No momento que teve a certeza que a voz não falharia,ela confessou isso a Emma. Enquanto o fogo crepitava na lareira, pouco depois dos trovões cessarem, garantindo assim que não estremeceria no meio da frase, de sua mais nova memória compartilhada com Emma Swan.
***
Os dias se passaram, uma nova semana findava-se. E entre Regina e Emma parecia sempre haver um assunto pra conversar, da comida preferida ao melhor dia de suas vidas, tudo era motivo suficiente para iniciar uma calorosa conversa. O que prefere café com ou sem açúcar? Você pularia de paraquedas? Já fugiu pra encontrar alguém? Qual música, filme, você prefere? Um verdadeiro “diga qualquer coisa, mas deixe-me apreciar sua voz”. Inicialmente, esses tipos de perguntas eram formuladas por Emma, mas não tardou muito e Regina havia adquirido seu costume e perguntava-lhe sobre tudo também. Compartilhavam pequenezas do cotidiano, traquinagens da infância – Emma tinha as imagens muito mais vivas dos que as de Regina, contava-lhe detalhes, Regina por muitas vezes pegava-se falando de Daniel, ela não tinha intenção de dizer-lhe sobre ele, mas a menção a essa parte boa de sua vida, sua infância, era o nome dele que vinha em sua boca. Emma contava-lhe seus sonhos secretos: ser detetive, viajar e conhecer diversos lugares e culturas diferentes, restaurar seu fusca e adotar um animal, talvez dois ou três, quem sabe.
Regina negava ter sonhos, segundo ela: tudo era muito realista, tinha tudo que precisava e o elo que faltava já estava sendo formado, tudo era como devia ser e ela sentia-se satisfeita assim. Foi o que ela disse, mas não o que a loura sentiu como uma verdade, talvez — e foi o que Emma pensou — ela nem soubesse que faltava algo.
A garota encarou Regina e a avaliou. Então, estreitou os olhos.
E estreitou mais um pouco.
E um pouco mais.
“O quê, Emma?” Perguntou Regina, ela só chamava Emma assim por descuido, a aproximação latente entre elas a faz esquecer-se, por vezes, das formalidades; mas isso não ocorre tanto, não na visão de Emma. Ela notou as feições da loura e, sem ao menos perceber, estreitou também os seus.
“Você fala como se tudo estivesse... Digamos, completo. Mas, age como se procurasse por algo” Como explicar a Regina que ela brilha quando fala de Daniel, e apesar de todo sofrimento que amar alguém lhe causou, é exatamente isso que ela quer, que se corpo e alma desejam? Ela já havia notado, em tão pouco tempo e Regina, até hoje, não percebeu.
“Procurar por algo? Não acho que eu esteja procurando por nada, Swan”
Emma revirou os olhos, mas também sorriu.
“Certo, também não digo” Diz Emma, fazendo birra.
A morena a olhou e pensou que só faltava um bico e um bater de pés impacientes, para caracterizar ainda mais o jeito infantil que ela faz quando Regina era sarcástica “Desculpe” Sussurrou tão baixo que Emma só ouviu, pois prestava muita atenção.
“Desculpe, Swan” Disse, mas ainda assim, sua voz carregada de ironia.
Seu sorriso gentil fez Emma não importar-se com o tom usado. Deu-se por vencida e disse apenas “Se pudesse se ver a minutos atrás, saberia exatamente do que eu falei... Amar... Você precisa amar, de novo”
Regina recebeu as palavras de Emma como uma bofetada no rosto. Era sua opinião sobre aquele tema, mas não foi apenas por isso, sua mente fez um clique, como se estivesse esquecendo-se de algo e sabendo disso, mas não se recordado do quê.
“Eu jamais vou deixar-me dominar por tamanha fraqueza” Disse na defensiva e tão friamente que Emma, quase que sentiu de onde estava, o frio percorrer lhe a espinha.
***
“Não, Daniel. Eu não vou permitir que isso aconteça. Você foi o único que amei.” Seu tom como uma cobra preste a do o bote.
Sorriu docemente “Eu te conheço, Regina. Sei o que é melhor pra você”
“Então volte pra mim”
“Isso é impossível... Primeiro porque nunca te deixei, eu tenho te observado todos os dias. E eu estou morto”
Era tudo tão vivo: o sol sobre suas cabeças, o coaxar de um sapo a distancia, o canto dos pássaros em uma árvore próxima. Era tão real, que aparentava, pra Regina, que eles estavam realmente juntos e mesmo em sonho, ela sentiu-se momentaneamente triste, por saber que ele conhecia as coisas ruins que fez durante seu tempo de Rainha... De quanta miséria infligiu as pessoas.
“Eu jamais vou deixar-me dominar por tamanha fraqueza”
“Eu sei que tudo mudará, quando alguém atrair seu interesse”
“Isso nunca vai acontecer”
“Temo que já aconteceu” Ele disse, sorrindo. Seu sorriso a última coisa que ela viu antes de acordar
***
Só depois percebeu, percebeu e lembrou-se que sonhou com Daniel. E que ela respondia a ele do mesmo jeito que fez com Emma. Havia sonhado com Daniel nas ultimas semanas e ele pedia exatamente isso: Ame de novo.
O problema é que ela se vangloriava de sua indiferença. Sua invulnerabilidade era seu troféu, apesar de envolver-se com muitos homens, seu coração não entregou para nenhum. Nem mesmo o homem com tatuagem de leão a fez declinar, preferiu fugir dele.
Emma sentiu seu coração gelar, pois apesar de não desejar amar de novo, ela queria que Regina fosse feliz como ela era com Daniel. Regina via o amor como uma humilhação, uma fraqueza; e Emma ficou desapontada com isso.
“Não quero te chatear com essa conversa” disse Emma, Regina não moveu um músculo se quer “Tem algo que eu possa fazer? Pra que se sinta melhor?”
“A única coisa que poderia fazer pra isso é entrar no seu carro e ir embora, mas isso não acontecerá”
“Não precisa ser rude... Eu também tenho problemas... Tive meu coração dilacerado mais vezes que ouso contar, eu juntei os pedaços e segui em frente. Te aconselho a seguir em frente também”
Emma levantou apressada e se retirou do cômodo. Regina se arrependeu assim que proferiu as palavras, não sabia o que dizer para apaziguá-la e sentiu-se estupida por isso. “Desde de quando eu me preocupo com alguém que não eu mesma?” Pensou, irritada consigo. “Bem, até Emma entrar em sua vida.” Foi sua mente quem a respondeu a verdade dura, mas fatídica.
~
Regina tinha dado um tempo pra Emma, um tempo pra ela pensar e na expectativa, de quê seu bom coração já a teria perdoado quando fosse falar-lhe. Ela bateu no quarto de Emma e ela não respondeu, talvez, ela estivesse cochilando, empurrou a porta apenas o suficiente para vê-la deitada; só que Emma não estava lá. Regina sentiu o coração parar no peito e acelerar segundos depois. “Emma aceitou meu conselho e foi embora” Ela acelerou o passo até a porta, sem saber ao certo porquê, se Emma saiu já estaria longe.
Respirou aliviada, quando viu Emma sentada em frente a casa. Sorriu pra sua imagem, de costas, sentada e com os braços apoiados na barriga. “Tão linda e cheia de vida.”
“Emma me desculpe.” Emma se virou para porta, de onde vem a voz familiar de Regina. Levantou-se e foi ao seu encontro.
“Okay” Ela apertou de leve a mão de Regina e passou por ela, entrando em casa.
Regina não se deu por satisfeita e foi atrás de Emma, mais uma vez. Alcançando-a no primeiro degrau da escada.
“Me desculpe por ser hostil, mesmo. Esse assunto é delicado pra mim... Mas eu sei, isso não me dá o direito de falar-lhe assim”
“Tudo bem, Regina. Eu que não devia me meter... Mas eu gosto desse seu jeito... quente, você é direta, e inicialmente, foi por isso que eu gostei de você. Só que...” Ela aprumou o corpo e pairou seus olhos naqueles olhos castanhos, que lhe eram tão especiais “Sei que vamos nos separar em breve, mas não destrua meu carinho por você”
Regina ficou espantada com a amabilidade de Emma. Sentiu um misto de fascinação e carinho por ela naquele momento, sem necessidade de auto explicação, ela tentou sorrir e buscar qualquer palavra que fosse páreo para as de Emma. As palavras não vieram, não no primeiro minuto, naqueles instantes, ela apenas fixaram o olhar.
Depois das palavras sinceras de Emma, a morena nem tencionava ser menos verdadeira que ela.
“Sabe qual o problema? Você está certa. Depois de ouvir isso tantas vezes, eu aceito... aceito como verdade. Mas, eu não sinto nada, nada por ninguém.”
“Então é isso que pediria ao gênio da lâmpada?” Brincou Emma, lembrando-se do filme infantil que passou na tevê e que elas acompanharam 1/3.
Regina recorda-se, mais uma vez, do sonho com Daniel “Ame de novo”. Ela o queria porém ele se foi e não tinha retorno da morte. “Sim, eu queria amar de novo... Você é a única pessoa que me faria dizer isso em voz alta” Ela fingia –muito mal na visão de Emma- desapontamento, mas seu sorriso lhe entregava, ela estava contente em poder contar com alguém.
Emma franziu o nariz em desagrado “Isso é loucura. Bem, isso foi a maior burrada da minha vida”.
“Hum... E se pudesse desejar algo o que seria? Qualquer coisa...”
“Uma mãe”
“A minha mãe destruiu cada sonho que tive, esmagou cada esperança que eu tive e...”
Elas começaram a rir do que estava acontecendo, apesar das divergências – ou exatamente por elas – elas gostavam de estar juntas. É interessante aprender a conviver com uma pessoa diferente de você. Que goste de matemática, como Regina; que goste de canela, como Emma; que não tenha medo de filme de terror, mas se amedronte com uma trovoada, como a morena; ou ame cantar no chuveiro e sonha com seu Tallahassee, como Emma.
De forma surreal; quando passaram a conviver com alguém diferente, ambas passaram a fazer coisas, que por vontade própria jamais faria, como acordar mais cedo para falar com Regina antes dela ir ao trabalho, como Emma fazia – quase sempre — ou como não preparar nada com salsa, pois Emma não suporta o cheiro e sabor, sentia ânsia só de pensar, como Regina fazia, apesar de adorar o tempero.
Regina constatou que, quando ela percebeu que Emma não era perfeita, mas mesmo assim ela queria ficar com a loura, a fez enxergar além, que ela também não era nada perfeita e que mesmo assim Emma queria ficar com ela.
“Nosso primeiro desentendimento” Disse Regina arqueando a sobrancelha
“Nosso último desentendimento” Completou Emma, sorrindo e tirando um sorriso da outra.
***
Havia passado quase um mês que Regina e Emma tinham ido até o obstetra e desde então, todos os dias, elas ficavam mais próximas e dependentes da campainha uma da outra; Regina abandonara a razão e cedia a seu lado que desejava a presença constante de Emma.
Hoje à tarde Emma iria novamente ao médico, dessa vez apenas uma conversa, tirar dúvidas, tudo por vontade de Regina. “Preciso saber se esta tudo indo bem, Emma” Palavras da própria, Emma fez o que podia, cedeu. Ela esperava Regina chegar, mas em vez dela, quem chegou à porta, com um sorriso – um tanto exagerado na opinião de Emma — no rosto foi Katryn. Puxou-a para um abraço e durante todo o caminho ela falou, falou e falou, sobre coisas que a mais jovem não tinha interesse de ouvir, e apesar da amabilidade de Kat, Emma sentiu-se mal, mal por Regina não ter ido e nem avisado que não ia e mal por sentir-se mal com algo tão bobo. Culpou os hormônios da gravidez, e talvez, realmente o fosse.
O bebê estava em torno de 30 a 31 semanas, a imprecisão era comum. O Dr. Horowitz alertou Emma para possíveis faltas de ar nas próximas semanas, devido ao útero esta pressionando o diafragma e mandou-a seguir com a dieta prevista, o hemograma não tinha indicado anemia, mas ele mandou continuar atenta a alimentação, pois Emma já apresentou esse problema em outra fase da vida.
Depois de sair do Hospital Santa Cora, Katryn levou Emma pra casa, antes de sair do carro Emma disse “Regina devia está muito atarefada.” Afirmou, olhando pra mulher ao seu lado.
“Na verdade não. Ela desmarcou tudo pra essa tarde.” Emma sentiu as palavras da mulher como um tapa. Katryn continuou a falar, mas Emma não ouviu.
~
Despediu-se da mulher, minutos mais tarde e entrou em casa.
Katryn chegou ao escritório um quarto de hora mais tarde, a morena estava finalizando a reunião por Skype, então ela foi até Regina, contar-lhe sobre tudo que aconteceu mais cedo, deixando-a tranquila em saber que ambos estavam bem.
“Podíamos sair hoje, eu e Jon, você e Graham...” Kat foi cortada por Regina, que diz “Eu nunca sairia com ele” Katryn a mira com um olhar estupefato.
“Eu nunca sairia com ele em publico” Desdenhou, encostou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos, encostando o queixo sobre eles. “Ele sempre foi uma diversão e sabe disso...”
“Ok, Rê. E o que pretende fazer hoje?”
Regina revirou os olhos. “Não me chame de Rê, Kathryn, meu nome é Regina. E hoje irei jantar, ver tevê. Ou seja, ficar em casa” Disse a morena.
“Você diz que odeia tevê” Não mais que a você, pensou Regina. “Emma?” Perguntou Kat, como se tivesse descoberto a cura do câncer.
“Esta ótima, obrigada por perguntar” Disse irônica, sabia que ela suponha que sua mudança tinha um causa: Emma.
“Você está se apegando a ela. Acabará adotando os dois” Disse, sorrindo.
“Você esta sendo sarcástica? Odeio quando você faz isso... E você já pode ir pra casa” Diz, voltando a atenção aos papeis em sua mesa.
“Nem são 4hr30...”
“Está reclamando?” Perguntou.
Logo a mulher a sua frente se despediu, agradecendo e indo embora... Mas, não antes de insistir uma porção de vezes nesse encontro –falido — de casais.
***
Horas mais tarde, Regina chegou a casa, apesar do cansaço aparente, Emma notou que sorria.
“Como foi seu dia?”
“Manteve-me ocupada.” Respondeu amigavelmente Regina.
Ela não parecia ter mentindo. Mas ainda assim Emma ficou com raiva quis vociferar “O filho é seu. Você deveria estar lá” Tentou fazer uma feição neutra, mas acreditou que falhara.
“E o seu? Kathryn contou-me que estava tudo bem com vocês...” Emma ainda não respondeu, o que levou Regina a continuar “Emma, aconteceu alguma coisa?”
“Não é nada”
“Emma” Chamou para que olhasse pra ela e sentou-se ao seu lado.
“Por que você não foi?” Regina não esperava uma pergunta, achou que Emma fosse contar-lhe o motivo de sua aflição, mas animou-se em contar o motivo.
“Você vai adorar, lembra-se daquele projeto do parque? Kat conseguiu uma reunião com eles, hoje, não tinha com dizer não... Pois, ficara pronto antes de você ir” Ela contou os detalhes à garota. Ela planejava que o parquinho lembrasse um castelo. Logo ela se estendeu no assunto e começou a contar seus planos para a cidade.
“Você é... Nossa, isso é incrível...” Regina mostrava a visão panorâmica do projeto do parque. “Você é muito dedicada. Se entrega cem por cento, em tudo.”
“Isso nem sempre é uma qualidade.” Disse lembrando-se que passara boa parte da sua vida dedicada em destruir Branca de Neve. “O arquiteto desenhou. Está perfeito não é?” Emma assentiu “Exatamente como eu imaginei, minha criança vai adorar” Disse com um sorriso e deposita, automaticamente, a mão sobre a barriga de Emma.
“Agora é fácil entender porque te elegeram prefeita, não foi porque você é popular” Regina assente, ela não era mesmo popular “Mas porque é uma líder nata e se entrega de alma as suas questões.”
Elas sorriem olhando-se, Emma deposita a mão sobre a de Regina e desliza com ela até o ponto onde o bebê pressionava, mexendo-se, tirando uma expressão adorável de Regina.
***
Após o jantar naquela mesma noite, elas foram para a cozinha, Regina na frente e Emma em seu encalço.
“Aceita um chá? Um que eu gosto bastante... de maçã?”
“Maçã” Pensou um instante, e continuou “Com canela, o que acha?”
“Você põe canela em tudo?” Disse zombeteira.
“Não implique comigo.”
“Especiaria com maçã. Deve combinar, vamos tentar...”
Instantes mais tarte elas provaram o chá caseiro que Regina preparou, Emma arregalou os olhos em uma expressão divertida.
“Isso está incrível... É sem duvidas o melhor chá de todos.”
“Maçã com canela” Sua voz uma melodia suave.
“Eu queria que esse chá, esse sabor e cheiro... Se transformasse em uma pessoa, eu casaria com ela.” Disse Emma rindo.
~
Enquanto apreciavam o chá, Regina olhava pra Emma, sem conter seu sorriso, que logo foi notado por Emma.
“Pelo que me consta, conheceu todas as pessoas importantes pra você em furtos ou em consequência dele” Seu tom era livre de critica.
“Então errei pouco” Emma diz, divertida. “Neal, Lily, Ingrid e você”
“E você” Regina sorriu contente.
“Ele foi seu único namorado?”
“Não, mas foi o único que amei e o único, que... Fui até os finalmente”
Regina sentiu o amargor daquelas palavras e uma raiva colossal de Neal, que logo havia se misturado da que tinha do falecido-marido. Ela já havia contado a Emma sobre ele, contado que se casou sem amor, pois acreditava não ser capaz de amar de novo, ele foi o primeiro homem em sua vida e mesmo sendo bom pra todos, ele nunca a amou, nunca se quer se importou com ela, por vezes, ela era esquecida, enquanto ele viajava com a filha e não só assim, pois ela se sentia sozinha mesmo estando os dois ao seu lado.
“Você tinha ciúmes?” Perguntou Emma.
“Nunca foi ciúmes, era mais como raiva”
“Por que?” Interessou-se Emma.
“Desculpe, eu não quero falar disso. Você não precisa conhecer essa parte da minha vida.”
“Não vou julgá-la”
“Eu sei... mas eu fiz coisas terríveis, Emma.” A loura notou que Regina tentava protege-la de si mesma e sorriu em resposta.
“São coisas passadas” Foi tudo que respondeu a morena.
“Eu faria tudo de novo.” Disse Regina. Emma surpreendeu-se. Sim, sempre a algo novo para aprender sobre Regina. Mas, não discordou dela, os erros dela trouxeram-na ate ali, e Emma sabia que Regina adorava a posição e vida que tinha.
“Ouvir muitas coisas sobre você nessas semanas...”
“Você não devia da ouvidos a eles”
“Eles não a conhecem, né?”
Se aquilo foi mesmo uma pergunta, Regina não respondeu.
“Né?” Emma disse, de novo, ela queria mesmo que ela confirmasse.
“Acredite, tem muita coisa sobre mim que eles nem imaginam”
“Como o quê?” Emma perguntou um tanto curiosa.
“Tudo o que você sabe; e uma porção de coisas que nem você”
“Imagino... Conte-me uma” Suplicou
“Eu faço a melhor sidra de maçã...” Emma riu baixinho, esperava algo mais... Destrutivo “Mas, ligarei pro Dr. Horowitz saber se ele permite que você experimente” Completou Regina.
“Maçã? Você põe maçã em tudo?” Disse, repetindo o que a morena lhe dissera a pouco, revira os olhos e depois pisca para a prefeita, recebendo um sorriso lindo de volta.
Cerca de dez minutos depois...
“Golpe de sorte, ele disse que uma taça é até bem vinda... Sabia que não há estudos que comprovem que o álcool cause danos ao feto? Não que eu vá lhe permitir beber Emma, mas é um fato interessante” Sim, tudo havia de ser como apetecesse Regina. E Emma não se importava, na verdade, até gostava, a fazia se sentir cuidada.
Emma levou à taça a boca e Regina a interrompe. Levanta a taça e propõe um brinde ao passado de ambas “Aos momentos felizes que tivemos” Diz.
“Aos que teremos.” Emma disse ao encostar as taças. Pensando consigo mesma “Juntas”.
Apesar de Emma nada ter dito, pra Regina foi quase como se ouvisse da boca da Swan o: “Juntas”. Pode ouvir ou desejou ouvir, não soube ao certo.
Fale com o autor