You're an asshole but I love you
9 Apaixonando-se por uma incógnita.
Notas iniciais
Graham rompeu os dois passos que os mantinha afastados e levou a mão
Graham rompeu os dois passos que os mantinha afastados e levou a mão direita ao pescoço dela, puxando a levemente para frente, em seguida pressionou seus lábios nos dela, um beijo calmo.
~SQ~
Ela fazia Emma estremecer. Derreter... Os olhos de Regina. O sorriso. Seu humor. Sua voz. Seu jeito... Ela estava apaixonada.
Por mais que se esforçasse, Emma não conseguia camuflar seu desconforto. Ela não tinha mais o que esconder de si, as coisas apenas fluíram até o estado atual. Havia acontecido, apenas. Num belo dia, sem que ela estivesse contando com aquilo, ela olhou Regina e sentiu que ela estava muito mais dentro do seu coração do que ela imaginou. Tão dentro que o faz bater descompassado. Tão forte que a faz suar frio.
Tinha se apaixonou pela amiga. O inverso seria possível? Ser apenas amiga da sua paixão secreta? Sabia que havia diferenças triviais.
Emma que se auto denominava péssima em relacionamentos pessoais, se considerava amiga de Regina — claramente alguém nas mesmas condições. Ela riu de seu pensamento contraditório.
Três dias se passaram desde que Graham havia a beijado e desde então não tinha o encontrado mais e isso não a deixou feliz, pois ele tinha se tornado alguém especial. Mas, ela sabia como era difícil ver todo dia o motivo dos seus devaneios e não poder fazer nada.
Então o entendeu.
Ainda que a ideia de mantê-la distante fosse infinitas vezes pior... Por hora, sofrer com sua presença era mais bem quisto, já que a sua ausência seria em questão de semanas inevitável.
Infelizmente.
Sua presença podia ser uma tortura. Mas, não mais que sua ausência seria.
No sábado, ela sabia que o plano vigente não daria mais certo, Regina era esperta demais para não perceber nada. Decidiu às pressas que iria reprimir isso, não tinha por que alarmar Regina, correndo o risco dela odiá-la. Ou pior achar que isso seria alguma forma de invadir – ainda mais – sua vida, na intenção maldosa em interferir com o filho dela.
Mas, ainda assim, sempre que se distraia se flagrava pensando nela.
~
“Emma, você não vai nem mesmo reclamar?” Diz Regina, já acomodada ao lado de Emma e passeando pelos canais da teve.
Com um meio sorriso, Emma entra no jogo de Regina.
“Vou! Está passando Um sonho de liberdade”
Regina rir. Pisca os olhos, mantendo os fechados por mais tempo que o natural, contente por Emma estar agindo quase como sempre.
“Nada disso. Vimos esse a semana passada... e na anterior.”
Era uma verdade. Mas Emma tentou persuadi-la.
“Assistimos o seu todo sábado. Todos, desde daquele sábado que não vimos”
“Pensei que você gostasse”
“Gostei, nas primeiras cem vezes.” Diz exagerada “Você sempre fica vendo esses documentários? Não cansa? Florestas, bichos e chatices evolutivas ou comportamentais. ”
“Swan não seja impertinente. Você não tem outra opção.” Seu tom passivo.
Emma arqueia a sobrancelha, desafiando-a “Na próxima semana você escolhe” Cede por fim.
~
Seus olhos estavam ardendo e ela pisca-os uma sucessão de vezes no intuito de que parasse. Fecha-os pelo que parece um segundo e acaba por adormecer.
Olhar para aquela moça à beira do sono acaba mexendo com a morena, que tardou pouco mais de um minuto para nota-la; seus olhos estavam sempre à procura da garota.... Ainda eram como imãs. Assistir àquela deliciosa quietude em Emma, contendo apenas tranquilidade, a trouxe paz, bem-estar.
Buscou em sua memória como era tudo antes de Emma? O que ela fazia? Quando chegava em casa, ela preparava o jantar com tanto esmero? Dormia cedo, era verdade. Mas, fazia o quê? Não se lembrava. Realmente, não lembrava. Sentiu um carinho inesperado, confessa para si.
Emma mexeu desconfortavelmente no sofá. E abriu os olhos preguiçosamente, fazendo Regina desviar o olhar no segundo seguinte, mas ela não deixou de sorrir de canto.
“Já acabou” Diz Emma, surpresa.
“Gostou?” Perguntou Regina.
“Do panda” Responde rápido demais, se arrependendo um segundo depois. Tinha visto um panda? Não sabia ao certo. E não sabia, também, se tinha sido em sonho.
“Oh, realmente incrível, não é?” Regina indaga, seus olhos analisando Emma.
“Sim, sim” Diz nervosa. Por que escolhe sempre a saída mais difícil? E por que, merda está nervosa com isso? Revira os olhos. “Não. Teve panda mesmo? Eu cochilei aqui”. Diz pousando a cabeça no encosto. Sem deixar o olhar de Regina.
Regina fica desnorteada por um momento, logo depois sorri, achando adorável o jeito de Emma e acena negativamente.
***
Emma ouviu a campainha tocar e tentou ignorar o som irritante, não estava com ânimo para levantar-se do sofá, mas a campainha continuou a soar obrigando a atender. Emma encarou o homem a sua frente com os dentes cerrados, não sabia por qual razão, mais apenas a presença dele a irritava. Na verdade, hoje, ela se irritaria até com a farfalhar das folhas lá fora.
Ele entregou um buque de rosas vermelhas: lindas e entediantes. Quem em sã consciência compra flores como aquelas? São comuns de mais... E isso era insuportável também.
"Tem um cartão aí senhora" Diz o homem. Sua voz grave demais.
“Não consigo ficar um dia sem pensar em você. Eu te vejo a noite. Seria a pessoa mais feliz do mundo, se você me permitisse que eu te beijasse”
Estreitou os olhos, a letra era provavelmente do rapaz da floricultura.
"Você que escreveu?"
"Sim, senhorita"
"Emma" Diz ela, apresentando-se.
"Moe French"
"Quem mandou isso?"
"Desculpe, o pedido foi feito por meu ajudante."
"Não sabe o nome?” O homem respondeu com um aceno de cabeça que não “Sabe me dizer se foi uh... uma mulher?" Perguntou Emma, em uma prece silenciosa que ele dissesse sim.
O homem franziu as sobrancelhas, intrigado.
Merda, ele leu o cartão. Ele escreveu o cartão. Lembra Emma tarde demais.
"Realmente não sei senhora, talvez? Eu não sei mesmo". Emma controla sua vontade em revirar os olhos.
Emma já sabia dos seus sentimentos por Regina. E agora sua mente gritava que era correspondido. Mas por que flores vermelhas? Ela sabe que odeio rosas vermelhas... Mas se foi ela... Se for ela, passo a amar.
~
Horas mais tarde, ao ver um carro estacionar em frente a casa, se apressou parando em frente à porta. Não era Regina. Era o carro do xerife. Sentiu o pânico crescer e percorrer seu corpo. Então foi ele., pensa.
Ele já cumprimentava Emma, quando Regina chegou. Emma a olha acima do ombro esquerdo de Graham, os olhos de Regina ia de Emma a Graham, o que diabos ele fazia ali?, pensa ela.
Emma não consegue tirar os olhos dela.
“Eu não quero te assustar, mas adoraria sair com você”
“Hum” Emma havia ouvido mas não assimilara. Do que ele fala tanto?, pensa.
“O que você acha?”
“Graham, eu não estou aqui procurando um namorado” Chutou o tema. Pelo cartão e rosas só podia significar isso. Namorada talvez. Por sorte. Suspirou fundo. Não seja tão iludida. Emma estava decepcionada. Achou que tudo ficaria bem. Estava enganada.
“Poderíamos sair como amigos”
Emma respirou fundo, seus olhos ainda em Regina que se aproximava dos dois, com Graham ainda alheio a sua chegada por conta do nervosismo que sentia.
"Boa noite" Trocou um olhar rápido com Emma e olhou para o homem, mas não antes de varrer o corpo de Emma com os olhos. A procura... de quê? Certamente não saberia colocar em palavras. Qualquer coisa em seu íntimo desejava se certificar que tudo estava perfeitamente bem com Emma, como pela manhã. "Algum problema xerife?" Diz se posicionando ao lado da garota na varada, de frente ao homem.
"Boa... N-nenhuma prefeita, de jeito nenhum... " Ele foi pego de surpresa.
"Ele já está de saída..." Completou Emma.
"Você não me deu a resposta."
Emma vacila por um instante, sentindo pena do rapaz.
"Amanhã. Granny's. Quinze para às uma. " Falou apressada e com um aceno de cabeça se despediu, entrando na casa antes mesmo de Regina.
Regina por sua vez, que se encontrava na varada, desceu os três degraus de mármore que iam até o nível do homem, parando na sua frente.
"Não sei suas intenções, mas isso não me parece bom"
"Não preciso de sua aprovação"
"Cuidado com a língua xerife ou pode acabar sem ela." Notou que estavam respirando fundo e em sincronia, tentou não fazer isso. Estava com... raiva. Raiva pela presença dele. Não, pela existência dele.
Arqueou uma sobrancelha e deu um sorriso sínico "Eu e Emma temos muito o que fazer, se me dá licença." Disse já indo até a porta.
Por fim, olhou para trás, o homem havia sido atingido em cheio pelas suas palavras, estava notavelmente frustrado e isso a divertiu. Levou a mão a mesma e a bateu, propositalmente.
Depois do jantar, Emma subiu as escadas deixando Regina sozinha por algum tempo.
“Não bastava me fazer gostar de você desde o dia em que te vi, tinha que me deixar totalmente apaixonada também” Murmurou para si.
Por mais que isso a incomodasse a priori, havia confiado em Regina desde o primeiro dia e foi um alivio quando aconteceu... E desesperador. Um misto dos dois e ela ao menos sabia o porquê daqueles olhos singularmente castanhos lhe causarem um frisson tão intenso. Tudo em Regina era tão misterioso. Poético.
Superior, autoritária e linda. Tão linda que inspiraria os deuses. Desejo esculpido.
Ficou na frente do espelho por um instante analisando seu reflexo, se sentia leve... Feliz. A presença dela era suficiente, o cuidado dela e sua atenção eram suficientes, por hora. Deixaria para ficar triste em outro momento. Agora não. Qualquer hora que a exuberante morena tivesse longe e não pudesse ler em seu rosto a sua tristeza.
Era incrível o poder exercido por Regina sobre ela. Ao seu lado se sentia vulnerável. Mas, uma fragilidade boa. Pois, ainda assim, sentia-se a pessoa mais forte do mundo, capaz de tudo. Sentia uma sensação maravilhosa, a felicidade explícita, a transpondo, transbordando.
Queria não hesitar e fazer o que seu coração mandava.
E se Regina a desprezasse por isso?
Mas... E se não?
Ela não ousou se impor para descobrir. Nem quando suas bocas estiveram a quinze centímetros de distância quando a morena se aproximou, sem nem parecer notar como aquilo mexeu com Emma. A pele, aparentemente, tão suave ao toque... Macia, tentadora, convidativa.
Seus lábios tão perto...
~
Diferentes do que muitos pensam, o que transforma as pessoas não são as circunstancias. é o que elas carregam dentro de si. Como lidam com isso. E ninguém pode oferecer aquilo que não tem dentro de si. E estar cheio de ódio é estar queimando por dentro. Estar cheio de ódio significa que, antes de mais nada, você está machucando a si mesmo. Antes de poder odiar, você tem que ter sofrido muito.
O ódio acontece só quando você se desvia da natureza, quando já não está em harmonia com a existência, já não está em harmonia com seu próprio ser, com sua essência mais profunda.
E a essência de Regina era amor. Sempre foi. Até o dia em que o ódio a consumiu e ela se transformou em tudo que ela abominava em Cora, sua mãe. Quando ela ama o faz com ardor. Com a alma.
E com o ódio ela fez o mesmo.
Sentiu como se tivesse sido tirado um fardo de seus ombros, o ódio que a consumiu durante anos não queimava com mesma intensidade de outrora. E isso foi a sensação de liberdade que ela desejou, em seu íntimo, durante toda sua vida.
O modo que ela podia agir com Emma, livre, sem rótulos, a mudara, a mudara porque ela desejava ser alguém melhor para dividir-se com a linda mulher de olhos esmeralda. Emma era como ar. Tão livre. Tinha uma beleza selvagem. Agora ela podia colocar um plano antigo, um que não teve a audácia de fazê-lo sozinha: mudar. Era necessário ter coragem para crescer e se tornar quem você realmente é. Ela queria ser. Ela precisa ser, apenas Regina.
E Emma a inspirava nisso, ela tinha acreditando na morena antes dela fazer isso, reconheceu seus sonhos e estimulou a não desistir, quando mais ninguém fez, quando ninguém mais o faria. Nada podia mudar isso.
***
O dia amanheceu fresco com a maior parte dos dias de outono no Maine. Emma e Graham mantinham uma conversa agradável onde ele contava-lhe sobre as “aventuras” em ser o xerife de uma cidade com Storybrooke, tudo era calmo ali, sempre. A garota ouvia tudo com atenção e se divertia na companhia dele, enquanto se deliciavam com a famosa lasanha da vovó. Até que o celular de Graham vibrou roubando-lhe atenção por um instante, mas ele desviou o olhar, ignorando-o.
“Graham, pode atender”
O celular parou de vibrar.
“Nada disso, é meu horário do almoço. Deve ser algum gato em cima da arvore, ou... as freiras precisam de ajuda para fazer a manutenção de qualquer coisa. Podemos deixar tudo para mais tarde”
O celular voltou a vibrar segundos depois, roubando o sorriso de seus lábios. O homem fez um gesto com as mãos se desculpando. Emma observou, ele arregalou levemente os olhos e logo depois se aborreceu.
“Isso é impossível. Mas.... Você tem certeza? Estarei aí em dez minutos.... Por nada. ” Ele ficou um instante em silêncio, visivelmente desapontado “Vou precisar interromper nosso almoço, não ficarei para a sobremesa, mas sinta-se à vontade em continuar. ” Ele sorriu de leve, pensando no encontro maravilhoso que teve, sabia que poderia conquistar o coração de Emma. E faria o impossível para isso. Disse rapidamente o motivo do surto do interlocutor no outro lado da linha: Leroy estava aprontando no bar, que deveria ter fechado a duas horas.
Ele se despediu depositando um beijo suave na bochecha de Emma.
E saiu.
***
Ela sorria, tinha os braços descansados na mesa e um sundae, parcialmente devorado na sua frente, seus cachos loiros se movimentavam suavemente enquanto ela ria. Ruby estava ao seu lado e também sorria, enquanto dizia qualquer coisa que fazia Emma gargalhar. Regina cerrou os dentes.
Ruby se aproximou e segredou com a loura, fazendo ela rir novamente e se entreolharem, como se não só as palavras fossem suficientes, conversavam com os olhos. Em seguida, algo chamou a atenção de Ruby, fazendo-a olhar para trás. Regina seguiu, com os olhos, para o que ela olhava. Quem. Senhora Lucas. Elas trocaram algumas palavras e sorriram. Regina esteirou os olhos. O que havia mudado na relação das duas?, pensou. Elas sempre estavam discutindo. E agora isso?
Uma chama fria queimava no peito da rainha, cogitou em dá meia volta, mas, como um ratinho que pressente o gavião em seu encalço, Emma olhou para porta e viu a morena, em seu conflito interno. Sua mente esvaneceu, agora tudo que pensava se relacionava com Emma. Enquanto, dava mais um passo e passava pela porta de entrada sentiu o coração se acelerar no peito.
“Senhorita Lucas” Cumprimentou com um sorriso dissimulado. Ruby sorriu de volta e levantou-se, por costume em servir, cedendo o lugar para ela. Regina ignorou o gesto e sentou na cadeira ao lado. “Traga me um café, por favor."
“Mais algo?”
“Acho que meu pedido foi bastante claro” Emma notou que apesar da suavidade na voz, o recado havia surgido efeito. Ruby corou, disse qualquer coisa, sumindo logo depois na cozinha.
“Regina” Emma diz em tom de alerta, contrariada pelo modo em que falou. Regina pousou os olhos de encontro aos de Emma, os olhos castanhos cheios de fogo.
“Senhorita Swan” O queixo de Emma caiu levemente. Regina parecia irritada com ela. Ela não sabia o que tinha feito. Se é que tinha feito algo.
“Senhorita Swan” Repetiu de forma zombeteira. Mesmo que aquilo pudesse soar sexy vindo da boca de Regina. E afinal, o que Regina fazia ali? “Não tem café na prefeitura?” Alfinetou.
Regina mascarou sua vontade em rir.
“Não seja infantil, Emma” Agora é Emma?, pensou. Engoliu sua súbita cólera.
Regina abriu a boca, mas, se silenciou quando Ruby chegou educadamente e pousou a xícara na mesa. “Mais alguma coisa?” Perguntou acessível.
“Sua ausência” Disse com um sorriso generoso. Ruby olhou de soslaio para Emma, que lhe sorriu em apoio.
Regina sorveu o conteúdo da xícara, não abandonando o olhar de Emma. Esperou que ela falasse, que ela contasse sobre o seu encontro. E desejava saber o que Emma havia achado sobre a ausência de Graham.
***
“Leroy.” Disse o barman do Habit Hole. Pousando dois copos no balcão e enchendo-os de uísque. O mais forte da casa.
“Hoje é terça, você sabe eu não bebo nas terças, quartas e quintas” Disse o homem, mas seus olhos o traíram, olhando a bebida sendo posta no copo.
“Uma dose”
O homem vacilou.
“Vamos, Leroy. Por conta da casa”
Depois da oitava dose Leroy ria histericamente.
O barman depositou a garrafa sobre a mesa. “Esse é um presente especial para você, honras da prefeita” Disse batendo levemente com a mão no ombro do homem, com um sorriso.
“À prefeita” Disse alto sentindo a cabeça girar. Virou outro copo.
“Alô? Xerife? O Leroy acabou de aprontar, de novo... Sim, ele acabou de torrar todo dinheiro dele em uma garrafa do uísque, mais caro do bar. Mas, esse não é o problema, o dono certamente o perdoará... Ele não me permite ajuda-lo. Está bêbado, mas se nega a largar o copo... Sim? Muito obrigado.”
***
Percebeu que de bom grado, Emma nada diria a ela.
“Pensei que seu encontro fosse com o Graham, não com a garçonete” Sua voz saiu mais na defensiva que esperava.
“Quem te ouve falar assim, supõe que estás com ciúmes” Emma disse e arqueio a sobrancelha.
Regina desviou o olhar um momento. Realmente parecia., pensou. Mas, não significava que fosse.
“Só não quero que saia machucada” Disse “Não estou disposta a ouvir lamentações” Acrescentou, na tentativa de parecer indiferente.
“Eles são meus amigos”
“Pra você, sim” Ela disse.
“O que isso te importa?” Indagou a loura.
“Eu vi o beijo de vocês” Emma ficou rubra. Olhou por segundos a expressão dela como se pudesse decorar aquela expressão: lábios entreabertos e rosto corado a fazendo pensar em coisas não muito puras. Arqueou de leve as costas. Em seguida, piscou fortemente mandando os pensamentos embora. “E... Eu queria saber se gosta dele...” Emma nada respondeu “Ele é uma boa pessoa, ocasionalmente. É bonito... Bem...”
“Você ficaria com ele?” Disse interrompendo a outra. De tudo que a morena disse, o que chamou a atenção da loura foi o modo: bonito, boa pessoa...
Regina engoliu em seco. Emma desconfiava do caso entre ela e Graham?
“Porque você fala dele, como se fosse um bom partido” Completou Emma.
“Não é isso. É o contrario. Ele não merece você” Emma franziu o cenho “Conheço-o muitíssimo bem para afirmar isso”
“Muitissimo?” Emma riu do superlativo.
Regina levou a xícara mais uma vez aos lábios, confirmando com a cabeça. Emma notou que a mulher sorria por trás da xícara.
***
Regina fez questão em deixar Emma em casa, a garota pediu um momento e foi até a garçonete, enquanto Regina seguia em caminho ao carro. Observou, de longe, o abraço que elas trocaram. O que Emma conversava com Ruby? Falavam sobre o que?, se questionou. Desejou ser novamente a Rainha e poder apenas usar sua magia para saber do que conversam, talvez, para evitar que conversassem novamente.
Ruby deve me odiar, sem dúvidas... e eu não me importo, mas ela pode interferir na minha amizade com Emma... Será? Deu de ombros, contudo uma coisa a inquietava. Se via a Swan apenas como amiga, por que ansiara tomar os lábios de Emma com os seus? E por que agora seu corpo estremecia só de pensar nessa possibilidade?
Emma saiu pela porta no mesmo momento com o sorriso lindo estampado no rosto, roubando-lhe os pensamentos intrusos e assentando-os em qualquer lugar no mar de escuridão que era Regina.
~
“Vamos lá Regina, seja maleável”
“Não” Regina não se lembrava quantos nãos já tinha dito a loura, mas tinha certeza que cada vez que os dizia, eles perdiam sua força de convencimento. Sua natural altivez se esvaindo. Emma desejava fazer da sobremesa o jantar.
“Eu fiz o melhor brigadeiro do mundo... E vou comer com ou sem você. Mas prefiro contigo”
Emma viu uma súbita mudança de expressão na outra, quando ela saboreou a primeira colher e Regina balançou impacientemente a perna.
“Quebre algumas regras. Se não agora, quando? Você será mãe em breve”
“Isso configura pra você, uma quebra de regra?” Sorriu pretensiosa. Ignorou o “será mãe”, pois a muito já se sentia uma.
Emma deu de ombros.
“Crianças podem ser bem insistentes e azucrinantes. Os exemplos mais importantes que as palavras...”
“Desculpa, não me recordava que conversava com uma velhinha de 80 anos”
“Pois, respeite os mais velhos” Emma levou uma colher no brigadeiro e estendeu para Regina, esperando que ela pegasse.
Regina pendeu o corpo na direção da colher com um vislumbre de sorriso, provando delicadamente da ponta do utensílio. Emma a encarava, sentindo seu corpo responder aquele pequeno gesto. A morena saboreou e parecendo satisfeita, tomou-a da mão de Emma. Um traço de divertimento as perpassou.
Emma sorriu, sentindo o sorriso singelo da outra a atingir em cheio.
~
Elas estavam em silêncio, Regina lia alguns documentos e rubricava suas páginas. Emma se mantinha ocupada com o celular, conversava com Ruby por mensagens, tinha um livro ao lado que ela não conseguiu dá muita atenção.
Elas estavam na biblioteca, hora e outra Emma observava a morena a fim de saber se já teria acabado seu trabalho, quando por fim aconteceu, lembrou-se de algo:
“Sei basicamente tudo ao seu respeito, menos sua cor preferida... Bem ainda que eu sinta, às vezes, que não sei nada sobre você” Regina arregalou os olhos levemente “Às vezes quero dizer, sempre”
Regina enfim sorriu.
“Azul...”
“Por quê?”
“Por quê?” repetiu ela.
“Nunca parei para pensar no porquê”
“Pode fazer isso agora.”
Regina olhou para ela com curiosidade. Qualquer pessoa teria ficado satisfeita apenas com sua resposta. Bem, Emma não era qualquer pessoa, então foi mais fundo.
Regina suspirou e ficou com um olhar nostálgico. As sensações que sentiu ao pensar nisso foi o de sempre: seu passado.
“Uma das coisas que mais me recordo: O céu, o sol alto em minha cabeça brilhando e o mar... Eu olhava pela janela do quarto, se o céu estivesse azul eu poderia...”
“Cavalgar” Emma falou antes dela.
“Sim, mas, acho que o mar é parte importante disso...” Momentaneamente Regina teve um vislumbre do seu passado, de quando se fez passar por Úrsula, levou inconscientemente a mão direita ao pescoço, onde a bruxa do mar tinha sufocado, a punido por fingir ser ela.
“Não foi tão difícil...” Emma disse.
Ela balançou a cabeça.
“E a sua?” Disse Regina.
“Nenhuma ou, talvez, todas” Regina a olhou intrigada, Emma teve a estranha sensação que quando ela a fitava nos olhos, poderia enxergar sua alma. “Por exemplo, amarelo, eu gosto de amarelo, mas, você nunca me vera usando uma roupa dessa cor.”
Regina sorriu, concordo com um aceno de cabeça.
“Devíamos fazer um passeio pelo deck, já esteve lá?” Indagou para Emma.
Emma engoliu em seco. “Não” Isso parecia um encontro e... romântico., pensou. Antes que Regina percebesse sua evasiva, lembrou:
“O céu aqui é, com certa frequência, mais cinza que azul”
“Talvez, seja disso que eu sinta falta... de céus azuis e do sol brilhando.”
Claro, mais uma vez era por ele., pensou. “Daniel?”
“Também”
O falar em Daniel que nunca lhe incomodara, hoje lhe causou um mal estar. Regina a analisava e contemplava-a, seus pensamentos uma bruma, nada se fixava. Teve a impressão que Emma a sondava com o mesmo zelo.
Quanto mais sabia sobre ela, mas, a instigava a aprender qualquer coisa nova e ainda que se falassem todo dia, a sensação que tinha foi que a morena era uma incógnita que a prendia, fazendo-a enlouquecer lentamente tentando decifra-la.
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