Youre Not My Fucking Kryptonite

2 This is a kidnapping?


– Só veio aqui realizar os sonhos de Directioner né? – perguntei a fitando com o olhar mais penetrante que eu consegui. – Então por que motivo, razão ou circunstância que tem que ser boa até demais, eu tive que vir junto?

– Porque você é a minha melhor amiga, e desde que eu soube disso comprei os ingressos pra nós duas, desculpa ter feito você vir, sei que odeia One Direction, boates badaladas ou qualquer modinha do gênero. – Isa respondeu desviando o olhar pro chão.

– Tá, eu perdoo você. – falei, já rindo da carinha de cachorro que caiu da mudança dela. – Então já que estamos aqui, vamos aproveitar não é?

– Exatamente! – ela respondeu.

Nós ficamos na fila bem meia hora antes de conseguir entrar, falando do visual de todas as meninas, Isa disse que elas pareciam mais garotas de programa brasileiras do que tudo.

– Ai Isa, você não presta sabia? – falei entre lágrimas de riso, quando ela comentou do vestido de uma loira bunduda que tava na frente da gente.

– Fala sério, me diz se não dá pra ver os furinhos da celulite dela nesse vestido? E esse cabelo é com certeza aplique.

Eu me acabava de rir, era engraçado porque eu nunca soube fazer comentário sobre moda, nem roupas, maquiagem, outras garotas ou coisas do gênero. Andar com a Isa era como sair do meu mundinho Guns n’ Roses e Nirvana e entrar no mundo das garotas e todas elas, sem exceções, eram muito malvadas.

– Ingressos, por favor. – disse um segurança enorme e mal encarado quando chegou a nossa vez de entrar.

A Isa passou dois pedacinhos de papeis laminado pra ele que eram os ingressos, e antes da gente passar ele me deu uma olhada de cima a baixo, como pensando que eu deveria estar entrando ali por engano. Também, depois de tanto salto, rosa e purpurina eu não podia culpá-lo.

– Isso aqui tá... Perfeito! – suspirou a Isa, quando nós saímos de um longo corredor que dava acesso à pista de dança.

Ela era completamente iluminada em tons de roxo e preto com alguns lasers verdes no chão e teto, o gelo seco cobria até acima do meu tornozelo, sendo impossível ver os pés das pessoas. Ainda não tocava nada além de umas musiquinhas eletrônicas baixinho, mas o sistema de som era de primeira, dava pra ver caixas espalhadas por todo o redor do salão.

Eu sai arrastando a Isa pra o bar e pedi duas vodkas com coca, quando já eram quase 1:30h da manhã o Zayn tomou o lugar na picape, fazendo as meninas ficarem completamente histéricas. Ele deu um olá rápido, falou algumas coisinhas que eu não me dignei a prestar atenção e começou a tocar.

Tá, momento confissão: Eu sou completamente louca por músicas eletrônicas. Eu amo dançar, é umas das coisas que eu sempre gostei na vida, é como se me transportasse pra outro lugar. Eu faço balé desde os sete anos, então eu acho que isso sempre influenciou a minha paixão pela dança.

– E ai, quer dançar? – perguntou um menino muito gato logo no meio da segunda música, mas ele não me chamou, chamou a Isa obviamente.

– Claro gatinho, vamos lá. – ela respondeu toda espevitada pegando a mão dele, disse que qualquer coisa me ligava e desapareceu no meio da multidão.

Eu fiquei lá no bar, com cara de tacho por uns vinte minutos, enchendo a cara de vodka com coca e prestando atenção no Zayn tocar. Ele era lindo, e a carinha de concentração que ele fazia era muito engraçada. Então eu decidi que eu ia dançar também. Paguei as bebidas, e fui pro meio da pista sozinha.

A batida me deixava meio surda e louca ao mesmo tempo, era uma das sensação que eu adorava sentir. Enquanto eu dançava na pista, olhei na direção do Zayn e senti como se ele também estivesse olhando pra mim, mas eliminei logo isso da minha mente, com certeza era impossível.

– Você é muito linda sabia? – sussurrou alguém no meu ouvido. Virei e dei de cara com um loiro muito mais gato ainda mais do que o menino que chamou a Isa pra dançar. – Bem queria te ver remexendo assim na minha cama. – lindo e babaca, com certeza. Só lancei um olhar gélido pra ele e fui na direção do bar de novo, pedir mais bebida.

Eu não sei quanto tempo passou, só sei que eu estava ficando completamente bêbada e a Isa não voltava, eu não tava nem ai pra isso, mas por outro lado já estava ficando com vontade de ir pra casa.

Depois de algum tempo eu olhei pro celular: Nenhuma ligação. Eram 4h da manhã, a boate já estava esvaziando e nenhum sinal da vadia que me arrastou até aqui. Bebi muito, mas muito mesmo, e dancei mais ainda. Ai do nada, a música parou, eu fiquei lá em pé, com cara de tacho já vendo basicamente tudo trocado e cambaleando um pouco, quando alguém chegou na minha frente e começou a me encarar, era uma íris perfeita de um castanho totalmente encantador. Foi só o que eu tive tempo de meio que pensar depois de tudo apagar.

****

Eu sonhei que estava sendo carregada no colo por alguém, essa pessoa me fitava com uma expressão entre o riso e a desaprovação. Ela me colocava no banco traseiro de um carro esporte, e não era como se eu a visse fazendo isso no momento, era como se eu tivesse vendo de fora, como em um filme. Depois ela me olhava de novo, me beijava na bochecha e sussurrava alguma coisa pra mim do tipo: ‘‘Eu sabia que você era diferente...’’ Mas eu não conseguia saber o que isso queria dizer, eu não conseguia distinguir nem a aparência dele ou dela pra falar a verdade. Ai a pessoa entrava no banco da frente e ia dirigindo até parar na frente de um condomínio luxuoso, enquanto eu sacudia que nem uma boneca de pano no banco traseiro, desmaiada. Depois de entrar em um loft me carregando novamente, ela me botava em uma cama king size de madeira preta e os lençóis também pretos, chamava mais quatro pessoas que me olhavam com um misto de curiosidade e divertimento, depois que as outras quatro saiam, nos deixando sozinhos de novo, ela me beijava levemente meus lábios e ia embora.

****

Acordei toda dolorida, sem nem saber onde eu estava. Só sei que definitivamente não era meu quarto, nem nenhum outro em que eu já havia estado antes, porque quando abri os olhos aos poucos, me achei em um emaranhado de lençóis escuros de uma cama enorme. Com uma tontura dos infernos, tentei sentar, mas o mundo girou, e junto veio uma vontade louca de vomitar. Respirei fundo pra não fazer isso na cama de um estranho, então fui saindo aos poucos da cama, quando já estava em pé vi que ainda vestia a mesma roupa da boate.

Sai tateando pela parede, quando achei uma porta que dava pra o banheiro. Me olhei no espelho e só pude chegar a uma conclusão: Horrível! Minha maquiagem tinha escorrido toda e eu tava igualzinha a um panda! Sem falar nas roupas amassadas, e o cabelo que parecia ter servido de ninho pra algum bicho com penas.

Limpei uma parte da maquiagem do meu rosto, mas mesmo assim os olhos ainda estavam super pretos, escovei o dente com uma escova verde que tava na pia, – eu sei que é anti-higiênico, mas eu tava fedendo a vodka né?- passei a mão pela roupa pra desamassar um pouco e prendi o cabelo em um coque mal feito com um grampo que eu tinha no bolso. Falando em bolso, olhei meu celular e tinha uma mensagem da Isa perguntando onde eu tinha me metido, ia responder, mas lembrei de que nem eu mesmo sabia. Olhei a hora: 10:22 a.m

Sai do banheiro pra tentar descobrir onde diabos eu tava. Era um apartamento, mas bem maior do que os comuns que a gente vê por ai, e ainda era uma bagunça do caramba, mas dava pra ver que era bem sofisticado por baixo das tralhas e roupas e tudo que estava jogado pelo meio do caminho. Achei uma geladeira, lá dentro só tinha porcaria, mas eu peguei água e um copo no armário e tomei, depois abri a porta pra por a garrafa lá dentro de novo, quando fechei e virei pro lado, tinha um par de ávidos olhos azuis me fitando!

– AAAAAH! – gritei me afastando da geladeira.

– AAAAAAAH! – gritou o menino de volta.

– AAAAAAAH! – continuei gritando e fui correndo pra sala.

– AAAAAAAAAH! – ele também continuou gritando, mas correu pra uma porta lateral da cozinha.

– MAS O QUE PORRA QUE TÁ ACONTECENDO AQUI EIM? – falou um outro menino me segurando pelos ombros quando eu trombei nele na sala.

– É O QUE QUERO SABER! – berrei de volta.

– POR QUE TÁ TODO MUNDO GRITANDO? – perguntou um terceiro menino que tinha acabado de entrar na sala, e ele também gritava.

– QUE TIPO DE SEQUESTRADORES SEM NOÇÃO SÃO VOCÊS? – perguntei me livrando do aperto do que estava me segurando e indo me refugiar do outro lado da sala.

Então eu virei a cabeça pro lado, e o carinha da cozinha estava lá, me olhando de novo.

– AAAH! – gritei de novo e me espremi contra a parede.

– AAAAAAAH! – ele gritou e foi se esconder atrás do menino que tinha me segurado antes.

– DÁ PRA VOCÊS PARAREM COM ISSO POR FAVOR? – gritou já um quarto menino, com cara de sono e vindo na nossa direção.

– QUEM TÁ MORRENDO AQUI? – um quinto menino, só de cueca Box preta tinha acabado de entrar na sala também.

– SANTO MONTEIRO LOBATO, VOCÊS ESTÃO BROTANDO DE ONDE? ISSO É UM SONHO CHARLOTTE, SÓ UM SONHO, A QUALQUER MOMENTO VOCÊ VAI ACORDAR NA SUA CAMA. – berrei, me beliscando pra provar que aquilo era mesmo apenas um sonho.

– Aah, você acordou então. – o menino que tinha entrado na sala antes do de cueca veio chegando perto de mim, então eu prestei atenção direito nele pela primeira vez.

– Zayn? Mas que merda é essa? – perguntei. Então me dei conta... Se aquele era o Zayn... Deus, ali estavam os rostos tão estampados nos tabloides todos os dias, e na internet, e pra onde eu virava em Londres. – Harry, – sussurrei o reconhecendo, foi o que tinha me agarrado na sala. – Niall, — o que tinha gritado depois dele. – Liam, — o da cueca preta. – LOUIS! POR QUE VOCÊ É TÃO RETARDADO? – sai andando até pegar ele pelos cabelos e arrastar de trás do Harry pro meio da sala, — por que você me assustou lá na cozinha criatura?

– Você que me assustou. – respondeu ele se defendendo e massageando a cabeça onde eu tinha puxado.

– Bom, pois é, deixa eu te apresentar pro pessoal. – disse Zayn tomando a frente. – Mas... Você já nos conhece não é? Você que tem que se apresentar.

– Claro que conheço, quem em Londres não conhece a One Direction? Façam o favor né... Eu sou Charlotte Coleman, prazer meninos. Mas e aí, eu posso desmaiar agora ou depois por ter sido carregada no colo por Zayn Malik? – perguntei ironicamente. Eles só deram sorrisinhos irritantes e não falaram nada. – Agora alguém me explica como eu vim parar no meio da casa da boyband mais conhecida de todos os tempos?

– Bom, — recomeçou o Zayn. – você estava completamente bêbada na pista de dança ontem, quando eu ia perguntar se você tava bem você simplesmente desmaiou em cima de mim, ai eu não tinha escolha a não ser te trazer aqui pra casa do Louis e do Harry, não ia deixar você desmaiada sem ninguém com você lá né?

– Não... – falei baixando a cabeça. – Valeu mesmo Zayn, e meninos, desculpem ai o escândalo.

– Que é isso... – responderam eles de volta.

– É muito comum um de nós chegar com meninas bêbadas e desmaiadas por aqui, e depois que elas acordam pensam que foram sequestradas sabe? Realmente já estamos acostumados. – disse o Niall dando de ombros e fazendo todos nós cair na gargalhada.

– Se a Isa descobre que eu conheci vocês... Cara, eu não vou nem contar pra ela, ela vai me esganar.

– Quem é Isa? – perguntou o Liam.

– É a minha melhor amiga, ela que me arrastou pra festa ontem, só por causa do Zayn, mas depois sumiu e obviamente não voltou mais. Ela é directioner sabe?

– Ah tá... E você, não é directioner?

Soltei mais uma gargalhada. Ok, minha risada era estranha e todos eles ficaram me olhando com cara de WTF? Menos o Niall que riu da minha gargalhada, e a risada dele era tão engraçada que me fez rir de novo.

– Tá de brincadeira né? – perguntei depois que consegui controlar o riso. – É lógico que eu não sou directioner!

‘(Waiting for a girl like you) / The night shines / It's getting hot on my shoulders’


– Não é directioner né? – falou o Louis com uma risada. – Então por que o toque do seu celular é Stole my Heart?

– Porque toda vez que e a retardada da Isa liga toca isso. – falei, fechando a cara pro lado dele.

– Oi Isa. – falei atendendo.

– Charlie, onde você se meteu menina? Eu to quase me descabelando de preocupação aqui! – disse ela do outro lado da linha.

–Se descabelando... – resmunguei. – Mas na hora de me arrastar pra um boate e depois sumir com o bonitão não estava preocupada não é? – respondi ironicamente.

– Tá, confesso que errei. – disse ela. – Mas diz logo, onde tu tá?

– Na casa do Harry... – falei baixinho.

– Que Harry? A gente não conhece nenhum Harry! Qual o sobrenome dele?

– Ér... – droga, ela ia descobrir! – Harry Edward...

– HARRY EDWARD O QUE?

– STYLES, É STYLES OK? –

No momento seguinte eu só ouvi um grito, e afastei o telefone do ouvido enquanto ela falava palavras desconexas.

– Ai meu deus, ai meu deus, to passando mal. – dizia ela. – Como tu foi chegar na casa dele? Como? Eu quero um autógrafo! E uma foto, e um pedaço do cabelo dele se possível!

Ela tava falando tão alto que os garotos estavam ouvindo isso e rindo.

– Calma ok? E eu não vou pedir um autógrafo, tá me achando com cara de fangirl?!

– NÃO PEÇA E EU NUNCA MAIS FALO COM VOCÊ! AGORA PODE VIR VINDO PRA MINHA CASA E ME CONTAR TUDO OK? OK – depois desligou o telefone na minha cara sem mais cerimônia.

– Bom meninos... – falei virando pra eles com cara de envergonhada. – A conversa tá boa, mas eu tenho que ir agora, enfim né...

– Ah, eu levo você. – disse o Zayn botando uma blusa que estava em cima do sofá, e pegando as chaves do carro.

– Obrigado.

– Tchauzinho. – falei, e depois dei um abraço e um beijo na bochecha de cada, e aí fui embora, com um dos motoristas mais famosos que alguém poderia querer ter.


Notas finais
Se não receber nenhum comentário vou parar de postar a história daqui ok? ):
E aí, o que acharam? *O*