You're My Best Friend
8 Capitulo 7
Notas iniciais
Bryan estava em frente ao espelho, com os braços flexionados, conferindo seus músculos. Sorriu ao constatar que estava mais forte, para ele a aparência era algo extremamente importante. Seu raciocínio foi quebrado ao ouvir a campainha tocar, como estava sozinho, adiantou-se para atender a porta.
"Liv" exclamou surpreso. Observou a aparência de Olivia, ela ainda estava usando o vestido da noite anterior, sem motivo aparente segurava um casaco em seus braços, parecia triste e desolada.
"Oi" ela forçou um sorriso, tentando em vão esconder sua alma estraçalhada.
"Você quer entrar?" ele perguntou abrindo passagem e apontando a direção da sala de estar para ela.
Olivia caminhou por onde ele indicou em silencio, tentando se conter. Esquecer.
"Então... O que a trouxe aqui? Você não parece bem... quer conver..."
Foi interrompido por um beijo violento de Olivia. Ela nunca havia o beijado assim. Era como se tivesse tentando compartilhar algum tipo de experiência com ele. Brian se sentiu sem folego, pela primeira vez, beijando Benson.
"Liv... o que aconteceu..." tentou perguntar, mas mais uma vez sua boca foi atacada por Olivia. Ela segurou os cabelos dele com força e pressionou seu corpo contra o dele. Cassidy ficaria excitado, como sempre ficava quando a beijava, se não estivesse achando a violência e urgência dela tão estranhas.
Ele a afastou de seu corpo, mas manteve seus braços enlaçando a cintura dela.
"Liv... o que há?" perguntou curioso "Você nunca foi assim, sempre tive que ralar pra beijar você. De repente você chega em casa me agarrando" ele sorri.
"Não é nada, talvez eu tenha mudado" Ela disse sorrindo, numa tentativa frustrada de maquiar a tristeza em seus olhos.
"Liv... você parece triste, o que aconteceu?" ele insistiu.
"Nada..." disfarçou "Brian... ontem você ia procurar um quarto, não ia? Aqui tem quartos, não tem?" arqueou as sobrancelhas.
"Ei..." ele desfez o abraço que os envolvia "Ontem, eu ia cometer um engano... estava chapado..." olhou para baixo, envergonhado "Liv... tem alguma coisa muito errada com você".
"Desde quando você é sensível?" perguntou incrédula.
"Eu também não sou um monstro" sorriu, complacente.
"Então... você não quer mais?" Olivia tornou a beijá-lo.
"Liv... não quero com você nesse estado..."
"Que estado?" fez-se de desentendida.
"Você está nervosa, triste... ainda está usando as roupas de ontem... Você dormiu na sua casa? O que aconteceu?"
Bryan expressou sua confusão. Olivia fitou-o atenta, desejando matá-lo.
Esse idiota passa o semestre inteiro tentando me levar pra cama e quando vai conseguir o quer... Eu não entendo...
"Vamos na sorveteria... podemos conversar... vamos aproveitar, porque aqui em NY temos pouco tempo de verão e..."
"Não..." ela bradou enraivecida "eu vou embora" disse pisando duro em direção à porta.
"Liv... eu estou preocupado. Nunca vi você assim... O que você tem?" ele a segurou pelo braço.
"Não coloque a mão em mim" afastou-se violentamente.
"Liv... fala..." a intimidou, decidido.
"O que você quer saber? Que eu sou a filha de um estuprador? É isso?" queixou-se, zangada.
Bryan arregalou os olhos surpreso, mas pode entender tudo.
O mistério sobre o pai.
"Liv... eu sinto muito" resmungou, solícito.
"É claro que sente. Todos sentem" a voz de Olivia estava impregnada de dor e ironia, o que deixou Bryan mais preocupado.
"Você... você ainda não chorou?"
"É claro que chorei seu idiota. O que você acha que eu fiz no caminho até aqui?" ela disse com os olhos marejados.
Ele balançou a cabeça, como quem não sabia a resposta.
"Liv, eu sei que isso é muito difícil, vamos conversar"
"Eu não tenho tempo para conversas"
Olivia saiu da presença de Bryan sem que ele pudesse impedi-la.
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Já passava das 10 p.m. e sua filha ainda não tinha voltado da rua, Serena sentiu seu peito se apertar. Apreensiva, pensou em Elliot. Atravessou a rua para conferir se Olivia estava lá.
"Olá Serena" Elliot foi cordial.
"Olá Elliot, desculpe incomodá-lo, eu sei que é domingo e você deve estar com sua namorada..."
"Tudo bem, pode falar" respondeu ele, enquanto Kathy apareceu atrás dele.
"Olivia sumiu, estou desesperada. Pensei que ela poderia estar aqui, mas na verdade sabia que não estaria" discursou ansiosa.
"Como assim sumiu?" questionou demonstrando espanto.
"Sim... hoje pela manhã, perto da hora do almoço, tivemos uma conversa terrível" estava prestes a chorar "ela saiu sem dizer para onde ia. Saiu levando um casaco, não sei porque"
"Kathy com licença" Elliot fechou a porta, deixando a namorada do lado de dentro, e foi para a frente da casa de Serena, ela o seguiu.
"Liv estava em casa hoje cedo. Ela dormiu aqui. O que aconteceu?" perguntou apreensivo, já esperando pelo pior.
"Ela ficou me perguntando sobre o pai. Eu nunca quis falar sobre isso" lamentou "mas ela insistiu. Estava decidida".
"Hm... e então?" O coração dele acelerou, o sangue gelou.
"Eu contei" ela disse chorando "que ele me estuprou, e então ela nasceu"
Elliot paralisou.
Chegou a imaginar que poderia ser isso algumas vezes, pois Joseph vez ou outra contava histórias semelhantes ao cenário no qual Olivia vivia. Mas imaginar era muito diferente de saber. Seu corpo formigava e sentiu ânsia de vómito.
Abraçou Serena, que chorava descontroladamente.
"Fique calma, nós vamos encontrá-la. Vou pegar meu carro".
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Serena estava no banco do carona, confiando que Elliot acharia Olivia. Aquele era o primeiro dia em muito tempo em que ela ficou sem colocar nenhuma gota de álcool na boca.
Elliot se encontrava pela primeira vez num grau altíssimo de histeria, embora não pudesse demonstrar.
E se não a encontrarmos...
Foram até casa de Alex em primeiro lugar, pediram desculpas pelo horário e perguntaram se ela sabia sobre Olivia, sem contarem os pormenores da história. O mesmo se repetiu com Cassey. Com Thomas. Ted. Até mesmo Danton, que morava do outro lado da cidade. Até que Elliot engoliu seu orgulho e decidiu fazer o mais obvio, ir até a casa da Bryan.
"Sim... ela esteve aqui... mas estava muito nervosa e foi embora chorando" disse alarmado "imaginei que estaria com você Elliot"
"Você deixou ela sair daqui no estado em que ela estava?" rosnou Elliot.
"Ei cara, ela estava arrasada com a história do pai..."
Elliot e Serena se entreolharam.
"Sim, ela me contou"
Elliot aproximou-se dele ficando cara a cara e então, deu meia volta.
É engraçado perceber que na verdade esse babaca tem medo de mim.
Sentiu-se mal por conseguir pensar nisso num momento tão delicado.
"Não temos mais onde procurar Serena..." constatou, desolado "Vamos procurar pela cidade, vamos para NYC..."
Assim passaram a noite em claro, procurando por Olivia sem obter resultado.
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Chegando em casa Elliot foi lembrado de que ele também tinha pessoas que se preocupavam com ele. Colocou a mão na cabeça, diante do olhar de condenação de Joseph.
"Pai, me desculpa... esqueci de avisar. Passei a noite procurando por Olivia, que sumiu"
"Deve desculpas a sua namorada também, eu tive que leva-la embora" disse duramente "Espera... Olivia sumiu?"
"Sim... ela descobriu a verdade sobre o pai... está sumida desde ontem a tarde. O ultimo a vê-la foi o idiota do Cassidy" disse colocando café numa xícara.
"Qual é a verdade sobre o pai?" fez a pergunta cautelosamente.
"Ele estuprou Serena" respondeu reticente.
"Isso é terrível"
Os dois permaneceram em silencio por muito tempo. Joseph era um homem de poucas palavras. Em alguns momentos seus olhares se cruzavam, mas ninguém falava nada.
"São 7 a.m. Se Olivia não aparecer na aula, colocamos a policia para procurá-la" disse Joseph, com uma naturalidade que assustou Elliot.
"Ela vai aparecer na aula".
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"Olivia Benson faltou na aula, o que pode ter acontecido?" questionou Kathy cheia de ironia.
"Não comece Kathy" ele disse indignado com a insensibilidade de sua namorada, por alguns segundos arrependeu-se de ter reatado com ela "eu já disse que ela teve um problema sério com a mãe" involuntariamente disse isso alto, fazendo com que todos no refeitório olhassem para eles.
"Ela é cheia de problemas" rebateu.
Elliot, resignado, escolheu o silencio.
Permaneceu assim, por opção própria, até Bryan tocar seu ombro.
"Ei, Elliot... E... Vocês encontraram?" perguntou com os olhos estreitados.
"Não..." sua soou vazia de qualquer emoção.
Cassidy sentou-se de frente para ele.
"Ela vai aparecer cara..." nasalou, esperançoso.
"Ela tem que aparecer".
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Então é por isso e sempre foi. Ela sempre me odiou, mas quem não odiaria?
Eu me lembro até hoje da única festa de aniversário que tive, onde ela destruiu o bolo e afugentou todos no meio do parabéns por estar muito bêbeda. Eu ainda consigo sentir o cheiro do banho de água sanitária que ela me deu certa vez, porque eu estava muito suja. Eu ainda posso sentir a dor de quando ela me empurrou para longe quando tentei abraçá-la. Mas quem iria querer ser abraçada por um monstro?
Eu tenho certeza que sou como ele. Sempre soube que tinha algo errado comigo.
Porque ela deixou que eu nascesse?
Olivia chorava dominada por uma dor latente e real. Pontadas agudas no peito e na cabeça faziam-se presentes. Entre as árvores do Central Park viu-se protegida, de si mesma. De sua própria maldade.
Ela sempre gostara de parques, amava o contato com a natureza, do contato que o sol fazia com sua pele de oliva e seus cabelos castanhos. Mas a noite tudo era diferente, escuro, silencioso e assustador. Exausta, adormeceu sobre seu casaco, oscilando entre a oração para ser protegida e o desejo de que algo terrível acontecesse.
Acordou espantada sob o forte som do apito do policial Dick, o qual ela veio a saber o nome depois.
"Encontramos uma menina, venha ver se é Olivia".
Joseph apressou os passos, esperançoso.
"Sim. É Olivia" exclamou aliviado "obrigada Dick, passamos duas noites procurando e não pudemos encontrá-la"
O clarão da lanterna fez seus olhos arderem, ela murmurou algo incompreensível. Não pôde enxergar quem estava tomando-a nos braços. Sequer teve medo.
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O verão estava se despedindo do Brooklyn, dando lugar ao primeiro dia de outono. O sol frio passaria a ser rotina dali por diante. Elliot tomava seu café da manhã juntamente com Bernadeth, conversavam apenas o necessário. Não se surpreenderam quando ouviram gritos de histeria do quarto dele. Não era a primeira vez.
Desde o dia em que a encontraram, Olivia achava-se adoecida. Física e emocionalmente. Uma febre constante não a abandoava era acompanhada por pesadelos tenebrosos.
Mais alcoolizada do que aliviada Serena recebeu a boa noticia de que sua filha fora encontrada com indiferença. Não aguentou quando na primeira noite Olivia se mostrou tão fragilizada. Leva-la ao médico, dar os remédios nas horas certas e cuidar de sua filha não parecia-lhe possível. A melhor opção fora a família de Elliot, que sempre cuidaram da menina melhor do que ela seria capaz.
Elliot subiu as escadas apressadamente.
"Liv..." ele colocou a mão sobre a testa dela, que estava dominada pelo suor, devido a temperatura alta de seu corpo "Liv, sou eu... está tudo bem...".
"Ell..." suspirou segurando a mão dele.
"Estou aqui" com serenidade na voz, tentou passar segurança à amiga.
"Ell... meu pai é um estuprador..." ele a acomodou em seu colo e a abraçou.
Sem forças para chorar, permaneceu calada nos braços de Elliot, deixando que ele afagasse seus cabelos e acariciasse seu rosto.
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