You're My Best Friend
6 Capitulo 5
Notas iniciais
Às 23h30 Olivia tocou a campainha da casa de Alex Cabot. Extremamente ansiosa, balançava as pernas freneticamente.
"Liv..." a loira disse surpresa "como você chegou aqui?".
"Taxi" ela a abraçou.
"Vamos entrando" Alex fez um gesto a chamando para dentro.
Quando adentrou a sala de estar, a impressão que teve foi de que sua visão estava embaralhada. O local estava repleto de pessoas, parecia não existir espaço vazio, nenhum. Todos eles efetuavam atividades diversas, bebiam, dançavam, riam, beijavam, tudo em um único e minúsculo lugar.
A sala da Alex parecia bem maior antes! E porque estão aglomerados aqui?
Reconheceu alguns colegas de classe e da escola. A principio sentiu-se um pouco tonta, devido a quantia enorme de gente em uma área tão pequena, e à música alta.
Olivia caminhou sem ao menos saber para onde ir, esgueirava-se entre um e outro, procurando por alguém a quem pudesse reconhecer.
Meu Deus, o que eu vim fazer aqui?
"Ei Benson" sentiu uma mão em sua cintura e foi pega de surpresa por um beijo. Ela não teve tempo de ver quem era. Soltou-se dos braços do garoto violentamente e então descobriu que era Bryan Cassidy.
"Não faça mais isso" ela o repreendeu, deixando um sorriso escapar.
"Me desculpa" ele sussurrou em seu ouvido "quer dançar?" disse abraçando-a. Olivia entregou-se aos comandos de Cassidy e aproveitou a dança. Assim ficaram por bastante tempo. Os olhos dela percorriam tudo ao redor dos dois, pôde ver uma menina de sua turma vomitar, dois garotos ficando com uma mesma garota e Dick, o amigo de Elliot, enrolando um baseado.
"Quer beber alguma coisa?" Bryan perguntou, sedutoramente.
Beber? Minha mãe faz isso o tempo todo, eu não quero ser como ela. Mas ao mesmo tempo, sempre tive curiosidade. Acho que um drink não vai matar ninguém.
"Pode ser..." respondeu reticente.
Cassidy a guiou por entre a multidão até a cozinha, onde para a surpresa e choque de Olivia, existiam ainda mais pessoas.
"O que temos?" Bryan deu um tapa no ombro de Danton, que naquele momento estava tomando conta das bebidas.
"Oi Liv" Thomas a avistou e cumprimentou de longe, mas não foi até ela, pois estava acompanhado. Olivia respondeu à saudação com um gesto.
"Você viu Liv? Tem vodca e saquê de morango... O que você prefere?"
"Saque de morango" respondeu depois de pensar por alguns segundos.
Era a primeira vez que colocava algo alcoólico na boca, achou extremamente forte, sua garganta ardeu, mas ela não se ateve e continuou bebendo. Entre os beijos de Bryan e as mãos dele percorrendo seu corpo, Olivia bebeu vez após outra. Já não sabia o quanto tinha bebido e não havia resquício de preocupação nela quanto a isso. Continuou se entregando, à Cassidy e aos copos que ele colocava em suas mãos.
"Liv, fique aqui só um instante. Eu vou ver se consigo um quarto pra nós dois" ele acariciou o rosto dela "ok? Não saia daqui"
"Ok" respondeu Olivia, rindo.
Viu Cassidy se afastar e momentaneamente permaneceu onde estava, escorada no balcão da cozinha, logo tentou dar alguns passos na intenção de segui-lo, mas não conseguia. Sentia seu corpo leve e uma crescente euforia dominando-a.
#
"Liv?" Elliot a avistou rindo e tentando, em vão, andar sozinha.
"Ell, você veio. Eu me perguntei a noite toda se você viria" ela disse o abraçando, soltando todo o peso de seu corpo sobre ele.
Elliot sentiu o cheiro de álcool na boca de Olivia e teve certeza do que já desconfiava.
"Você está bêbada" constatou preocupado.
"Não seja exagerado Stabler"
Elliot pôde sentir seu sangue esquentar, a raiva aumentando gradativamente.
"Liv, quem te deu bebida?" ele a segurou pelos braços, chacoalhou-a lentamente e olhou diretamente em seus olhos.
"Bryan" ela respondeu eufórica "ele não é o melhor?"
"Onde ele está?" A fúria então o dominou por completo.
"Ele disse pra eu esperar... Mas eu não me lembro porque... Ah... Ele foi procurar um quarto pra nós dois... Não nós dois "eu e você"... Nós dois "eu e ele"... Na verdade, "ele e eu"... Porque..." ela não parava de tagarelar, enquanto Elliot tentava controlar seus impulsos mais terríveis.
Elliot não sabia o que fazer, seu descontrole o tinha cegado.
Esse canalha, a embebedou para leva-la para a cama. Minha Liv. Minha amiga. Minha. Minha. Minha. Minha menina. Minha.
Elliot deu as costas para Olivia, estava disposto a deixa-la para ir atrás de Cassidy, mas não foi preciso. No mesmo momento em que Elliot virou-se avistou Cassidy vindo. O recepcionou com um soco que o fez cair no chão, antes que o mesmo pudesse falar qualquer coisa. Olivia gritou assustada, mas riu, achando a atitude de Elliot heroica. Ele ajoelhou-se ao lado de Bryan e proferiu cada palavra como se fosse única:
"Eu não quero você embebedando minha Liv". Cassidy tentou revidar o soco, mas Elliot segurou sua mão e teve mais força, pois não estava bêbado.
Várias pessoas, incluindo Alex aglomeraram-se em volta dos dois, para saberem o que estava acontecendo. Bryan levantou-se com ajuda de dois amigos.
Elliot pegou Olivia pelos braços, tirou-a da festa e colocou-a no carro.
"Porque você está sendo tão chato? Eu não quero ir embora..."
"Coloque o cinto" ele ordenou.
"Eu não quero, você não pode me obrigar..." ela foi interrompida pelas mãos dele afivelando o cinto de segurança nela.
"Desde quando você bebe? Hãn?" Elliot tentou controlar seu tom, mas a pergunta soou como um grito.
"Desde quando você está falando comigo? Lembra? Não está falando comigo... porque eu beijei você e o Cassidy..." Olivia replicou, zombeteira.
"Fica quieta, até chegarmos. Por favor" dessa vez sua voz soou de maneira branda.
Elliot dirigiu quase completamente em silencio até chegar em sua casa. Olivia tentou falar, vez ou outra, mas devido a quantidade de bebida que havia enjerido, não demorou até pegar no sono, depois de vomitar duas vezes.
Elliot subiu as escadas carregando-a no colo, em seu quarto, colocou-a sobre a cama, e arrumou para si um lugar no chão para dormir.
#
"Elliot... acorda" a voz agoniada de sua amiga fez com que ele acordasse assustado. Olhou pela janela e pôde ver que ainda era madrugada alta.
"O que foi?" respondeu impaciente, ainda deitado.
"Ell... minha cabeça está doendo, muito" respondeu chorosa "o que estou fazendo aqui?".
"Você está encrencada, bebeu muito ontem... não podia levar você pra sua casa" ainda sonolento, sentou-se ao lado dela, na cama.
"Eu bebi?" ameaçou se levantar, mas a dor em sua cabeça não lhe permitiu "é verdade, eu bebi" constatou envergonhada.
"Eu vou pegar remédio pra você, fica bem quietinha, ok?".
Olivia permaneceu encarando a escuridão que a rodeava tentando lembrar-se do que tinha acontecido na festa.
Cassidy. Beijos. Drinks. Elliot. Briga. Oh meu Deus, o que aconteceu ontem?
"Aqui... tome que vai melhorar" ele deu-lhe a pílula e um copo com água.
Olivia olhou para o contorno de Elliot no escuro, o contorno mais lindo que poderia existir, certamente.
"Você ainda está bravo?"
"Com o que?" perguntou honestamente. Sabia com o que estava bravo, e eram muitas coisas, mas não sabia à o que ela se referia.
"Com o beijo em Cassidy, depois em você... Os dois no mesmo dia... Você sabe" titubeou. Teve a sensação de que conversar sobre isso na escuridão, seria menos embaraçoso. Pois não precisaria lidar com o ar de decepção do amigo.
"Sim..." Elliot decidiu que se teriam que conversar sobre aquilo, não existia melhor momento do que aquele, quando os dois estavam no escuro, sem poderem ver as expressões um do outro.
Olivia soltou um suspiro profundo.
"Olha... me perdoa, por favor?" suplicou.
"Por que eu deveria?" rebateu duramente.
"Porque eu estou muito confusa Ell..." os dois ficaram em silêncio por um intervalo de tempo relativamente longo.
"Ell... você se sentiu traído?" a voz de Olivia quebrou a quietude que os envolvia.
"É claro... Como você se sentiria?" acusou, cheio de mágoa.
'Como você se sentiria?'
Olivia lembrou-se de como se sentiu a alguns anos, quando era apenas uma criança, tinha cerca de onze anos de idade. Ela estudava em colégio e horário diferentes de Elliot. Vez ou outra, Bernadeth a levava junto para pega–lo na escola no fim da tarde. Certo dia, seu amigo não saia de lá de dentro, ela e a mãe dele esperaram do lado de fora por muito tempo, até que Olivia decidiu entrar para busca-lo. Ela deu de cara com a cena mais decepcionante que já havia visto até aquele momento. Elliot beijando uma garota. Fora um dos piores momentos de sua vida. Em sua inocência de criança, não imaginava que Elliot tinha uma vida ativa nesse âmbito, mas os fatos lhe mostraram o contrário.
Olivia fechou os olhos com força, afim de espantar a memória ruim.
"É diferente Liv. Não é só ciúmes. Mas... eu tenho a obrigação de proteger você. E Cassidy, só quer tirar vantagem de você. Eu posso ver isso no rosto dele" disse ele, de repente "ele pretendia te levar para o quarto. O que você acha que ele ia fazer com você Liv? Você tem ideia do que poderia ter acontecido se eu não tivesse aparecido?"
"Eu sei o que poderia ter acontecido. E se eu quiser Ell... e se eu não quiser mais ser virgem?" perguntou, sorrindo um sorriso torto, esperando pela resposta de Elliot.
"Você o que? Eu não acredito que você possa considerar perder sua virgindade bêbada, num quarto qualquer com Brian" Elliot berrava agora.
"Seus pais estão dormindo" alertou Olivia.
"Porque você acha isso?"
"O que? Que ele quer tirar vantagem de você? Que você não deveria sequer pensar em pensar nisso? Ora, Liv..." respondeu mais controlado.
"Não Ell... Porque você acha que tem a obrigação de me proteger?" questionou enfática "porque pensa isso sobre mim? Acha que eu não sei me defender?"
Elliot permaneceu pensativo. Abriu e fechou a boca diversas vezes, alguns ruídos escaparam de sua garganta.
"Liv, você é a parte mais frágil de mim. Eu não suporto pensar em nada que possa machuca-la... ou..." calou-se de repente.
"Ou?" perguntou interessada, olhou para baixo, tentando visualizar o rosto do amigo que estava suavizado pela escuridão.
"Tirar você de mim".
Tirar você de mim.
A frase ecoou no ar, nas mentes e nos corações dos jovens envoltos pelo breu. Nada mais foi dito. Nenhuma palavra foi ouvida. A noite seguiu, silenciosa e permeada de pensamentos soltos e confusos de ambas as partes.
Eu não suporto pensar em nada que possa machuca-la, ou tirar você de mim.
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