You're My Best Friend
4 Capitulo 3
Notas iniciais
A semana prosseguiu, juntamente com ela o desespero que tomava conta de Elliot a cada dia que Olivia fazia de tudo para evita-lo. Tanto na escola, quanto na vizinhança, conseguiu avista-la no máximo duas vezes, em três dias, e isso parecia matá-lo.
Elliot treinou mais pesado, investiu todo o tempo livre que tinha no basquete. Treinava na escola ou na quadra onde costumava ir. Durante esses dias acordava às 5 a.m., colocava seus tênis mais resistentes, roupa leve e saia para correr. Precisava se manter exausto, necessitava não pensar. Nos poucos minutos em que ficava acordado, deitado em sua cama, ouvindo música nos fones de ouvido antes de dormir, Elliot só conseguia pensar em uma única coisa: Olivia!
O nome que trazia a lembrança e a sensação do beijo mais doce que seus lábios já haviam experimentado.
Kathy por várias vezes, procurou por ele na escola para conversar, mas Elliot dizia não estar com cabeça naquele momento, e não estava em nenhum outro. Kathy chegou a ligar na casa dele várias vezes, hora ele pedia para os pais dizerem que não podia falar, hora ele mesmo atendia e a destratava, até o momento em que ela decidiu colocar um fim no namoro, Elliot respondeu com um "Ok", desligou o telefone e voltou para sua cama, para pensar em Olívia. Elliot estava completamente absorvido pela garota, sentia que só poderia libertar-se voltando a beijá-la.
#
Olivia estava mais uma vez imersa em seus pensamentos, a professora de física tinha pedido para que ela citasse a Primeira Lei de Newton em voz alta e obteve o silencio em troca, é claro que ela sabia, mas simplesmente não tinha prestado atenção no que a sra. Cleverden havia lhe falado.
"Olivia Benson". a voz da pragmática professora soou estridente pela sala de aula, todos se entreolharam, enquanto Olivia permanecia completamente imóvel, com os cotovelos apoiados sobre a mesa de madeira, e seu queijo repousava sobre seus punhos fechados.
"Olivia Benson" sra. Cleverden insistiu "se você não mudar sua postura agora, será expulsa da sala" Olivia continuou imobilizada, como se fosse uma estátua. Os alunos começara com um burburinho, risos e conversas alarmadas sobre o que poderia estar acontecendo com a colega de classe deles.
"Calem-se todos" a professora gritou tão alto, que despertou Olivia do transe, que olhou para os lados assustada, sem entender nada.
Porque a sra. Matilda Cleverden está mandando todos se calarem? Está tudo tão silencioso. Na verdade, nem ela está falando, o que é muito estranho. Mas, mais estranho do Elliot ter me beijado não é... alias, nada poderia ser mais...
Os pensamentos dela mais uma vez estavam sendo desleais com ela, e a colocando numa situação ainda pior.
"Srta. Benson, vá para a direção, agora". O tom da sra. Matilda era controlado, porém enérgico. Olivia olhou para ela com os olhos arregalados, pensou em perguntar o que tinha feito, mas todos a encaravam e a professora a olhava com tanto ódio que ela teve medo.
Assustada e em silêncio ela colocou-se de pé e andou a passos largos em direção a porta, encarou a turma e a professora com questionamento antes de se retirar. Olivia caminhou para a Diretoria como quem caminhava para um matadouro, sabia que estava encrencada. Essa não havia sido a primeira, nem a segunda vez que um professor se chateou com ela pela falta de atenção. Todos eles já tinham reclamado sobre seu comportamento, há três dias que ela andava desligada, não conseguia se concentrar, ou sequer respondia as questões que lhe eram direcionadas, parecia não estar presente.
Olivia deu três toques leves na porta da Direção.
"Entre" — a voz familiar do diretor Cragen soou.
Ela entrou, fechou a porta atrás de si e andou lentamente até a mesa do diretor, sob os olhos atentos de Donald Cragen.
"Sente-se srta. Benson" ele apontou a cadeira vaga.
Olivia sentou-se, sentindo-se pesada e apreensiva.
"Srta., eu particularmente não tenho nada contra você, mas... seus professores têm reclamado demais. Dizem que você está desatenta e não contribui durante as aulas, é verdade?" o diretor era muito mais gentil do que Olivia havia julgado, suas palavras eram bem escolhidas e seu tom era suave.
"Sim" ela respondeu ruborizada, com a cabeça abaixada, pensando no que mais poderia dizer para se defender, mas não vinha nada.
"Olha, como sua falta não é grave, eu vou dispensa-la e pedir que tente esquecer o que a preocupa. Além disso te prejudicar está nos prejudicando também, ok?" disse Cragen, demonstrando a maior calma do mundo "mas, se você vier parar aqui pelo mesmo motivo novamente, lhe darei uma advertência, está bem?" ele finalizou seu discurso e esperou que Olivia respondesse.
"Ok, eu prometo que não vai mais acontecer" ela disse inquieta, balançando as pernas compulsivamente.
"Está dispensada" Donald sorriu e apontou a porta.
"Ok..." Olivia colocou-se de pé e caminhou na direção da saída "me desculpa" ela disse antes de retirar.
"Que não se repita" foi a ultima frase que ela pôde ouvir, depois fechou a porta atrás de si.
Olivia ficou parada perto da Diretoria por alguns segundos, tentando colocar os pensamentos em ordem depois da conversa que tivera com o diretos Cragen.
De repente ela sentiu sua cabeça doer, e percebeu que uma mão puxava seus cabelos.
"Venha cá sua vadiazinha" A voz de Kathy era como um sussurro. Levou Olivia até o banheiro segurando-a pelos cabelos, quando chegaram no recinto, soltou-a com brutalidade.
"Elliot terminou comigo, eu quero saber o porque" Olivia olhava para ela aturdida, e enraivecida pela dor.
"O que está acontecendo? Porque você fez isso?" ela levantou a mão, sua vontade era dar um tapa em Kathy, mas sobreveio-lhe a lembrança de que não podia correr o risco de voltar para a direção.
"Quem quer as repostas aqui sou eu. Não se esqueça pequena Benson, eu sou mais velha, estou aqui a mais tempo, sou mais forte, mais popular... você não vai querer se meter comigo" a loira falou com frieza e jogou os cabelos de lado.
"Eu não sei o que acontece entre você e o Elliot" Olivia projetou o corpo para frente enquanto falou.
"Não? Verdade? Então porque desde que você chegou aqui o meu namoro virou um inferno?" Kathy disse, com um ar de riso.
"Eu não sei do que você está falando" Olivia estava prestes a chorar, mas nunca daria a kathy esse gosto.
"Trate de descobrir..." Kathy disse, saindo do banheiro "E... ah, afaste-se dele, pelo seu próprio bem".
Sozinha ali, Olivia olhou-se no espelho e contemplou sua própria face que estava avermelhada, devido a crescente raiva que sentia, notou que seus olhos estavam marejados e sua expressão pesada, sem falar nas madeixas completamente desordenadas.
Negou-se o direito de chorar pelo que kathy havia feito, lavou o rosto e arrumou os cabelos, voltou para a classe e prestou mais atenção ao que o professor falava.
Minutos depois o sinal para a dispensa dos alunos tocou e Olivia saiu da sala sem despedir-se de ninguém.
Enquanto ela esperava pelo ônibus escolar, no canto mais afastado possível, para não ter que dar explicações a ninguém sobre seu humor negativamente carregado, Brayn Cassidy apareceu.
"Ei, porque está chorando?" ele perguntou num tom de ternura, passando a mão pela cabeça dela.
"Nada" Olivia respondeu enxugando as lágrimas.
"Você pensa que sou estupido?" ele soltou um riso.
Olivia o encarou e sorriu, Bryan conseguia deixa-la mais calma. O simples fato dele estar ali se importando com ela, fazia com que ela se sentisse um pouco melhor. Ele parecia ser a primeira pessoa a não ter vontade de ataca-la naquele dia. "Vamos Liv... me conte... o que há de errado..." ele cochichou nos ouvidos dela.
Olivia estremeceu e seu coração parecia bater mais rápido, ela nunca entendia o que acontecia em seu corpo quando Bryan se aproximava e a tocava. Era simplesmente mais do que poderia explicar a si mesma.
O contato dele fez com que quase toda dor dela fosse momentaneamente amortecida.
Talvez eu só precise de carinho. Olivia murmurou algo incompreensível. Bryan a beijou na bochecha e se demorou na caricia, ela virou-se, intencionalmente, esperando pelo beijo que se seguiu. Um beijo longo, que foi interrompido pelo barulho do ônibus que Olivia estava esperando. Ela se despediu e correu até o veículo que já estava quase saindo.
Depois de beijar Cassidy, Olivia sentia-se nas nuvens, por muito tempo ainda, podia sentir resquícios das sensações. Sua euforia poderia ter durado o resto do dia, se ao chegar em casa ela não tivesse se deparado com Serena segurando uma garrafa de Wisky numa mão, e um cigarro na outra.
Infelizmente essa cena a perseguia desde a infância, e o tempo não fazia com que se tornasse natural ou aceitável. Olivia se sentia profundamente ofendida quando isso acontecia, no fundo a principal sensação é que tudo não passava de uma questão pessoal. Porque alguém beberia tanto? Por várias vezes Olivia chegou a pensar, em alguns momentos chegou até mesmo a dizer, para si mesma, outras vezes para Elliot "Se eu fosse uma boa filha, talvez isso não acontecesse com tanta frequência".
"Mãe, o que você está fazendo?" ela perguntou, ressentida.
"O que você acha menina?" Serena respondeu sem dar importância, sentada no sofá da sala.
"Mãe, você disse que essa semana não ia beber". Olivia replicou num tom de voz estridente.
"Querida, é só um wiskyzinho, tive um dia difícil hoje, mas amanhã prometo que..."
Olivia abandonou a mochila em uma poltrona e sentou-se.
"Você está dizendo que "amanhã não" desde segunda... hoje é sexta" Olivia tentou manter-se sob controle.
"Ora, eu já disse que tive um dia difícil... não quero ouvir seus choramingos... suma da minha frente". Serena disse enérgica.
"Eu também tive um dia difícil, e gostaria de poder conversar com a minha mãe, mas ela está sempre bebendo". Olivia disse colocando-se em pé.
"Se você teve um dia difícil, devia beber também, e não me torrar a paciência... some da minha frente garota". A acidez de Serena fez com que Olivia se ausentasse da presença dela o mais rápido que pôde.
Olivia sentou-se na escadaria da varanda de sua casa, desabando em lágrimas.
Que dia está sendo esse? Está tudo dando errado... é o pior dia da minha vida. Se pelo menos eu tivesse alguém. Porque eu sou tão sozinha? E agora, meu melhor amigo, não é mais meu melhor amigo. Somos algo que não posso definir.
Quanto mais pensava, seu pranto aumentava e foi assim que ela chamou a atenção de Elliot, que pode ouvir um gemido desesperado de sua garagem.
"Liv" ele se aproximou, apreensivo "o que está acontecendo?" indagou, envolvendo-a em um abraço. Olivia deixou-se dominar pela carência e saudade que estava de Elliot e chorou ainda mais. Ela tremia, e as lágrimas escorriam livremente.
"Liv... não chore... o que houve?" ele disse baixinho acariciando os cabelos dela, e lhe plantou um beijo nas têmporas, Olivia aceitou bem o afago e sentiu-se menos entristecida e solitária "Tente se acalmar... você está muito nervosa. Vamos pra casa, não tem ninguém, ok?" Elliot sabia que sua amiga não gostava de ser vista naquela situação, mostrar suas fraquezas "Vou fazer um chá pra você" levou-a pra dentro de sua casa, e colocou-a sentada à mesa da cozinha enquanto preparava o chá para que ela se acalmasse.
Olivia continuava chorosa.
Elliot afagou os cabelos dela, e colocou o chá a sua frente.
"Obrigada" disse tentando se conter. Assoprou o chá para que esfriasse um pouco, pois pôde ver que ainda saia fumacinha da xicara e não gostava de beber nada muito quente.
"Por nada meu anjo, mas diga... quer dizer... você quer conversar?" ele lutou para parecer compreensivo, pois seu desejo era fazer com que ela falasse, mesmo que não quisesse. Se ela estava sofrendo, ele precisava saber o porque, ou porquês.
"Tudo deu errado hoje Ell" ela disse com a voz rouca e cansada.
"O que bebezinha, o que deu errado?" Elliot tentava ser o mais carinhoso que conseguia.
"Tudo..." Olivia bebeu um pouco do chá, seu rosto já estava seco "Eu fui para a diretoria"
Elliot riu.
"O que? Olivia Benson? Na diretoria?" ela fez uma careta, desprezando a piada dele.
"Isso é sério... se eu for pra lá de novo... posso tomar uma advertência" Olivia rebateu
"O que mais?" Elliot estava curioso.
Hm... Kathy puxou meu cabelo e disse pra eu nunca mais falar com você, eu beijei Cassidy e minha mãe como sempre está bebendo.
"Nada muito importante... acho que estou dramática hoje..." ela disse, tentando mostrar verdade em suas palavras. Inutilmente, pois Elliot a conhecia.
"Tudo bem... se não quer falar, podemos fazer outra coisa..." ele franziu o cenho, fazendo-se de pensativo "hm... filme?" perguntou tentando anima-la.
"Parece legal" Olivia respondeu, ainda abatida.
"Você não quer tirar o uniforme primeiro?" Elliot sorriu, pois no fundo não desejava que ela trocasse a roupa, ele a achava sexy naquelas vestes.
Meu Deus, o que eu fiz? Tomara que Liv nunca perceba.
A maneira como ele sorria, tirava Olivia da Terra.
"Eu não queria ir em casa agora".
"Ah" ele entendeu o que a amiga estava dizendo.
Serena deve estar bêbada.
#
Os dois sentaram-se um ao lado do outro no sofá da sala, e naquele momento, foi como se as complicações não passassem de fantasmas. Um clima fraternal os envolvia, puderam sentir-se como irmãos novamente, livres da tensão das ultimas semanas. O silencio era reconfortante, tanto quanto as falas eram naturais.
Elliot colocou o filme "Sexta Feira 13", escolha feita pela dupla.
"Eu tenho muito medo desses filmes" ela protestou, encostando sua cabeça no ombro dele.
"Quer que eu tire?"
Olivia balançou a cabeça negativamente e se debruçou ainda mais sobre ele.
Elliot sentiu-se tenso nesse instante, o cheiro dela o invadia, estavam perto demais.
Muito perto.
"Liv, você quer pipoca? Boa ideia, eu vou fazer pipoca". ele levantou-se desajeitado, afastando assim Olivia de seu corpo.
Ela o encarou confusa, não conseguiu entender a reação de Elliot. Escutou barulho de panela caindo na cozinha, então foi até lá.
"El... o que foi?".
"Nada" respondeu, sendo incapaz e esconder o nervosismo.
"Me deixe te ajudar" Olivia tentou se aproximar
"Não" Elliot cobriu os olhos "não se aproxime"
Ela achou a reação do amigo engraçada, mas ao mesmo tempo preocupante.
"Ei... sou eu...".
Elliot olhou profundamente para Olivia, um olhar que parecia penetrar a alma e as roupas dela. Ela sentiu-se invadida, mas isso não a incomodou, pelo contrário a atraiu, e então os dois estavam mais próximos. As mão esquerda dele percorreu delicadamente o rosto dela, os dois soltaram um suspiro profundo. Elliot aproximou-se mais, fazendo com que seus corpos ficasse encostados um no outro. Outro suspiro pesado saindo de ambos os lados. Olharam-se nos olhos, como a muito não faziam, porém de uma maneira completamente nova. Oliva sentia que a resposta para todo o vazio que sentia estava bem ali. Elliot sabia que se pertenciam.
Então ele a beijou, lenta e carinhosamente, sentindo o corpo dela, e fazendo com que ela sentisse o seu. O calor da pele de Olivia parecia aumentar, conforme a mão de Elliot lhe percorria, em cada pedaço... rosto, braços, a lateral de seu corpo. Ela com uma mão acariciava o rosto dele, e com a outra o peito.
Os dois permaneceram absortos no beijo, por um longo momento, não desejavam parar nunca, era a ocasião mais sublime que ambos já tinham vivenciado.
Olivia esquecia-se de respirar as vezes, até que ficou sem ar e precisou parar. Continuaram com as testas encostadas, sentindo a respiração quente um do outro.
Meu corpo está mole, eu não consigo respirar, minhas pernas estão tremendo, eu não queria parar. Nunca.
A caricia dos beijos de Elliot era a sensação mais arrebatadora que ela já havia sentido. Avançou nos lábios dele novamente massageando-os deliciosamente. Ele a apertou mais contra seu corpo.
O corpo de Olivia é perfeito, esse é o beijo mais gostoso que já experimentei, queria toma-la por completo. Oh... isso parece tão errado, mas tão certo.
As mãos de Elliot dessa vez tornaram-se rudes, unindo seus corpos ainda mais. Olivia soltou um suspiro audível.
Por necessidade, ela separou os lábios ofegantes e uniu as testas, mais uma vez.
"Isso não está acontecendo" ela riu um riso quase sem forças, balando a cabeça negativamente.
Ele deu-lhe um selinho e amarrou a cintura dela em seus braços.
"Sua falta de fé é perturbadora".
Os dois riram diante da frase de Darth Vader que Elliot usou.
Olivia sentia tudo, seus quadris colados, seus seios encostados ao peitoral magnificamente definido de Elliot, uma sensação nova a dominava, ela não sabia definir o que era, mas desejava estar nos braços dele, de maneira mais profunda. Encarou-o, olhou seus olhos azuis, sua pele branca, sua barba por fazer e suspirou mais uma vez.
"Ell, o que nós vamos fazer?" disse ela, tentando se soltar dele, mas ele a segurou com força.
"Nada, vamos só ficar aqui". ele disse num tom de ordenança.
Quando ela ouviu a voz de Elliot, um tremor percorreu seu corpo, não era frio, nem mesmo parte das sensações que o beijo lhe causara, ela era tomada por um crescente e familiar desespero.
"Mas somos amigos" os olhos dela estavam cheios de lágrimas.
"Liv... não..." Elliot tentou argumentar afrouxando os braços em torno dela.
"Elliot, não podemos fazer isso" Olivia disse soltando-se, quebrando qualquer contato entre os dois, sentiu-se vazia novamente nesse momento.
"Liv, por que?" Elliot estava nervoso, passou a mão sobre os cabelos "Por que você faz isso?".
"O que vai ser da nossa amizade?" ela questionou, trêmula.
"Nós daremos um jeito" Elliot na verdade não estava pensando em nada daquilo, na amizade, ou como as coisas ficariam depois, só conseguia pensar em beijá-la mais e mais.
"Ell, não... não podemos" ela cruzou os braços no peito e começou a chorar.
Elliot franziu o cenho, preocupado.
"Você está chorando? De novo?... Liv..."
"Foi um erro achar que tudo entre nós poderia voltar ao normal, Ell..."
"Eu e Kathy brigamos, acho que não estamos mais juntos. Eu e você podemos tentar Liv, por favor" ele segurou as mãos dela.
"Acha que não estão mais juntos?" Olivia o olhou com indignação "Você acha?".
"Sim, ela me ligou e eu não dei importância, então ela disse que seria melhor que nós terminássemos, eu disse "ok"". Ele gesticulava enquanto falava.
Olivia fechou os olhos, de repente tudo parecia rodar.
"Elliot, eu te amo" as palavras dela pegaram os dois de surpresa. Olivia juraria que seu coração parou de bater por pelo menos 30 segundos.
Eu te amo. Como eu sou idiota, estou estragando tudo de vez.
Olivia recuou alguns passos, afastando-se mais de Elliot.
"Eu também te amo, minha pequena Liv, você sabe disso".
Eu te amo de todas as maneiras existentes, e tenho certeza que você sabe disso.
Elliot juntou-a a seu corpo e a beijou novamente. Olivia parou o beijo, fazendo com que o estalo dos lábios fosse ouvido.
"Elliot, eu já disse que não" ela engoliu em seco e exclamou "precisamos conversar, quando estivermos mais calmos, sem beijos, sem suas mãos em mim"
"Eu não quero conversar, já estamos conversados Olivia" ele tentou se aproximar novamente.
"Não... eu já disse que não" ela colocou as mãos no peito dele.
Elliot sentiu a revolta tomar conta de si. Todo o clima de romantismo fora espatifado no chão e ele havia estado tão bravo poucas vezes em toda a sua vida.
"Liv, eu quero que você decida o que quer da vida! só então, volte a me procurar!". Elliot esbravejou e foi para o seu quarto, enraivecido.
Olivia apressou-se em sair dali. Ela corria não por causa de Elliot, nem por estar na casa dele, mas por sua própria dor, e suas lágrimas.
Logo que abriu a porta, viu Bernadeth parada, com uma expressão apavorada.
"Olivia o que aconteceu?" ela perguntou enquanto entrava. Colocou a sacolas que segurava no chão.
"Nada" ela disse sem convicção
Mas Bernadeth não se convenceu. Colocou-se perto dela e a abraçou, Olivia cansada demais para resistir se entregou ao abraço e irrompeu e um soluço agudo. Uma dor pesada a dominou por inteiro. Ainda fungando, foi arrastada para a sala, onde a mãe de seu melhor amigo a envolveu em seu colo. Ela soube esperar pacientemente que Olivia se acalmasse, enquanto acariciava as madeixas dela e cantava uma canção suave.
Mais calma, Olivia contou tudo a ela, a ida a diretoria, o que Kathy tinha feito, o acontecido de ter beijado dois garotos no mesmo dia e sentir-se mal com isso, o fato de estar apaixonada pelos dois, e mais perdidamente pelo errado. Também lamentou por sua mãe, pelo vicio e por sentir que não tinha uma.
Em nenhum momento citou o nome de Elliot.
Bernadeth a consolou como pôde, fazendo-a acreditar que tudo não passava de 'emoções a flor da pele depois de um dia ruim'. Encorajou-a a ir para casa tomar um bom banho e trocar de roupa, e ofereceu para que dormisse na casa dos Stablers, mas Olivia preferiu não. Continuou embalada no colo, que era tão aconchegante, por mais um tempo, até que foi para casa, tomou um banho relaxante, vestiu-se e deitou-se para ler um livro. Um delicado sorriso surgiu nos lábios dela com a lembrança do beijo.
Fale com o autor