You're Everything To Me

7 Bola de neve ou chama ardente?


Notas iniciais
e apresentamos: Nico Di Angelo
boa leitura!

O que leva alguém a amar? Amar dói demais para ser algo tão bom quanto todos diziam ser. Amar só é bom quando você é retribuído no sentimento. Se não... É só dor, sofrimento, arrependimento, desespero, dor...

Amor devia vir só com as partes boas.

Annabeth acreditava em alma gêmea. Acreditava que as pessoas nascem já destinadas a ficar com alguém. Não duvido nada que Annabeth já planejava seu futuro com Percy... Até porque ela planejava tudo.

Meu pai abandonou minha mãe antes mesmo de eu nascer, e só resolveu lembrar da minha existência quando eu fiz doze anos. Até aquela idade, lembro de sofrer muito com a minha mãe.

Mas somos muito sentimentais juntas. Prefiro ser sentimental sozinha.

Não acreditei, mas muitas frases foram adicionadas as paredes do meu quarto. Você via mais vermelho do que branco, de tantas coisas escritas.

Uma grande merda.

O relógio marcava quatro e dois. Tinha exatamente vinte e dois minutos para me arrumar.

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Percy rodava as chaves do seu carro, mas não parecia tão irritado. O que tinha sentido, pois só estava atrasada dez minutos. Mas meu atraso-não-atraso não era o motivo da sua felicidade.

Annabeth e Percy só desviavam o olhar quando começavam a rir. Era a cena mais feliz e fofa, que por alguns eu me senti num filme do High School Musical e daqui a pouco eles iriam começar a cantar “Right Here Right Now”

– O que há com vocês? — perguntei.

Os dois trocaram um olhar divertido.

– Estamos — Percy abraçou Annabeth- oficialmente namorando.

– Agora conta a novidade. Seja mais rápido a contar as novidades, alga marinha.

A expressão dele me fez rir.

– Fico feliz por vocês — e abracei os dois. Eles vestiam roupas normais — calça jeans, blusa e tênis — enquanto eu me sentia excluída, pois estava produzida ao meu estilo: blusa longa, short, meia calça e maquiagem. Tudo bem escuro.

Essa sou eu.

Mas boa parte de mim foi dominada pelo medo e pânico de rever Nico. Como ele estava? Como reagiria? Aliás, como >eu< reagiria? Uma bola de neve dentro de mim se formou, e foi crescendo, crescendo, crescendo, até se tornar maior do que um bairro. Brincava com os colares dos meus cordões, jogava no meu celular, mas nada fazia diminuir o tamanho e a velocidade da bola de neve.

Mas ela derreteu. Derreteu no instante em que eu o vi chegar com duas mochilas, o mesmo casaco de aviador – que não estava tão grande – e o mesmo olhar triste que se ilumina ao encontrar o meu.

Ele abraçou Percy primeiro – que pegou suas mochilas e levou para botar no carrinho -, depois Annabeth, e parou na minha frente. Nico me observou, e eu fiz o mesmo. Ele era dois anos mais novo, mas seu passado difícil o fez ficar com a aparência mais velha... Mais “experiente”. Sua mãe morreu no 11 de Setembro quando ele era bem jovem. Restando seu pai, Hades, e sua irmã, Bianca. Hades fechou-se para si próprio, virando um homem amargo e cruel. Bianca foi quem realmente educou Nico.

Infelizmente ela morreu num acidente de carro quando Nico tinha 10 anos. Desde aquele dia, ele vivia com uma tia não sei aonde. Percy diz que Nico vira outra pessoa quando está comigo, como se seu passado não existisse mais...

Seu olhar era triste e sombrio. Os cabelos sempre bagunçados e compridos, um pouco acima dos ombros. Nico ganhou um pouco de corpo, mas continuava extremamente magro. Ainda assim, quando me abraçou, deu pra sentir que havia ganhado músculos.

E do mesmo lugar que nasceu a bola de neve, nasceu uma chama. Uma chama que consumia todo o meu ser. Mas a diferença é que era bom e caloroso.

– Que saudade! – sua voz havia engrossado também.

Há quanto tempo eu não o via? Lembro como se fosse ontem o nosso último encontro.

FLASHBACK ON

Fazia um mês desde que Nico chegou. Faltavam dois dias para as aulas recomeçarem, e Nico tinha que voltar para casa de sua tia. Então, eu e Percy programamos uma tarde de despedida. Almoçamos juntos, e depois fomos ao cinema. Algo normal, divertido. Percy iria levar todos para casa, mas Nico pediu para que eu o acompanhasse até um lugar especial.

Fomos ao parque. Mas ele continuou andando, e me guiou por meio as arvores. O parque da cidade ficava entre montanhas e uma cachoeira a dois ou três quilômetros. Nico me guiou até uma rocha, quase na cachoeira. Ele se sentou na grama, e acenou para que eu me sentasse junto a ele.

Ficamos conversando por um bom tempo. Nico explicava como era sua vida, e as coisas que ele fazia quando a tia surtava. Contou que seu pai, Hades, havia o convidado para morar com ele, mas Nico não estava nem um pouco a fim de viver junto com aquele que deveria te dar amor, carinho e atenção. Então eu contei sobre minha mãe, sobre a pessoa no qual ela se tornou depois de ser abandonada pelo meu pai, e sobre como eu não suportava nem vê-la.

– A vida é uma grande merda bem fudida – ele disse.

Falamos sobre os relacionamentos amorosos que havíamos tido desde então. Contei uma parte da minha história com Luke, tirando alguns detalhes, pois Luke havia viajado para Europa fazia dois meses. Nico tentou não demonstrar, mas ele ficou irritado até demais ao ouvir as traições de Luke. Logo depois me contou sobre uma menina chamada Rachel, no qual ele tivera um caso, mas não deu muito certo. No final, Nico acabou sendo atacado na testa por uma escova azul de cabelo.

Acabei rindo do final, mas avistei algo no qual me irritou. Coisas no braço de Nico. Coisas que, ao tirar o casaco, ficavam a mostra, sem proteção das mangas.

– Nico – ele olhou para onde meus olhos se fixavam e tentou recolher os braços, mas eu o impedi, tocando nas cicatrizes que tomavam boa parte de sua pele exposta do braço.

– Isso é passado – ele murmurou.

– Passado? – seguia com os dedos as linhas das cicatrizes.

– Sim. Na época em que caiu a ficha de que eu não tinha ninguém. – Nico suspirou – Fugi da casa de minha tia, e comecei a viver em más companhias.

Pousei minhas mãos nas dele.

– Bebi, fumei, me droguei – confessou – Tudo era extremamente bom na hora. Mas quando o efeito passava tudo de mal vinha numa onda só. E eu fazia tudo de novo. Era um circulo vicioso, Thalia. Quase que não aguentei. Mas procurei ajuda... Algumas marcas do passado ainda estão em mim. As cicatrizes são uma dessas.

– Dessas?

Nico entrelaçou nossas mãos, e por mais de parecer completamente devastado a ponto de desmoronar, ele sustentou meu olhar.

– O que importa é que isso é passado – ele sorriu fraco.

– Mas o passado ainda dói.

O mesmo deu uma pausa, como se pensasse cautelosamente em uma resposta.

– Aceite o passado e você pode viver o agora.

Sorri. Essa frase com certeza iria para minha parede.

– Você que inventou?

– Tirei de uma música.

– Tá valendo – sorri novamente. Ele continuou me observando, e logo depois riu. Nunca tinha visto Nico rir, então aquele riso tímido e fofo me pegou de surpresa. E antes que eu perguntasse, Nico me deu a resposta.

– Você me faz feliz, Thalia. Mesmo sem querer.

Infelizmente eu sabia disso. E realmente era sem querer. Até porque sabia que amar dói, e principalmente amar sem ser correspondida. O problema é que eu gostava de Nico. Era bom passar o tempo com ele, além de que ele era gentil e tímido. Garotos bonitos e tímidos são tudo.

Só que quem eu amava era Luke. A droga do loiro metido de arrogante. O babaca cafajeste. Seria muito mais simples e bom gostar do gentil, fofo e tímido do Nico. Mas é como um certo livro diz: “Aceitamos o amor que achamos que merecemos ter”.

E eu sei que não mereço muita coisa boa.

Nico me levou para casa logo depois disso, e nos despedimos. Antes de conseguir reagir, Nico me beijou, e disse:

– Vou esperar por você, Thalia.

E eu tive a horrível impressão de que ele estava referindo sobre meu amor por Luke.

FLASHBACK OFF

– Também estava — sorri.

Notas finais
xingamentos? argumentos? criticas boas ou ruins? reviews?