Ao terminar de ler sua descrição sobre o inverno europeu, eu fechei meus olhos para tentar imaginar como seria enfrentar temperaturas muito baixas. A sensação foi muito real e ainda mais encantadora quando senti você jogando alguns flocos de neve sobre meu nariz. Sei que isso é impossível, já que você está a milhares de quilômetros de distância e por aqui não há neve, mas naquele momento eu poderia jurar que isso aconteceu.
Esta seria uma história muito poética se terminasse aqui, porém preciso admitir que, quando abri meus olhos, percebi que foi Austen, que estava ao meu lado na cama, que encostou seu focinho molhado em mim.
(Trecho de uma carta de Elisabeta Benedito para Darcy Williamson)

O ar gélido do inverno inglês fez com que Darcy percebesse o quanto sentira falta de seu país. Ele havia acabado de chegar à Inglaterra e ainda estava no Porto de Dover, onde precisou esperar por aproximadamente uma hora até seu motorista ir buscá-lo, quando resolveu caminhar pelo cais enquanto tentava se acostumar à temperatura. Parte da estrutura do porto ainda estava branca, indicando que há pouco tempo acontecera uma tempestade de neve.

O clima era completamente diferente ao qual ele se acostumou no Brasil. O frio, que contrastava com as temperaturas brasileiras que dificilmente marcavam menos de dois dígitos, era, de certa forma, nostálgico. Darcy pensou na sua infância e na de Charlotte, quando eles construíam bonecos de neve sempre que a neve se acumulava no quintal. Francisca, sua mãe, quem saía de casa para repreender os filhos por se exporem ao frio desnecessariamente, acabava por se unir a eles na tarefa quando percebia que era mais divertido que ficar sozinha, e assim os três passavam horas brincando.

É claro que às vezes tais travessuras resultavam em resfriados. Ainda assim, as memórias de Darcy eram agradáveis. Quando percebia o mal-estar dos filhos, Archibald fazia questão de preparar algum chá medicinal — e esta era provavelmente a única característica que o diferenciava do restante da nobreza britânica: ele frequentava a cozinha de sua casa, já que desde criança ele mesmo gostava de preparar seus chás — enquanto Francisca acomodava os filhos em suas camas e lia para eles alguma história que fosse interessante o suficiente para fazê-los esquecer do desconforto gripal.

Era bom estar de volta. Darcy sentiu saudade da Inglaterra, de sua família.

No entanto…

Ele também sentia saudade do que deixou para trás.

Minha mãe me contou que saudade não possui tradução para outro idioma, você sabia? Tenho pensado muito nesta palavra ultimamente, pois está muito presente na minha vida.
Sinto saudades de Camilo e de Julieta, meus grandes amigos.
Saudades de toda sua família; de suas irmãs que são adoráveis — cada uma a sua maneira.
Sinto saudades até mesmo de todas as vezes que Ofélia reclamava para mim sobre quão cabeça-dura você é, mas era possível ver nos olhos dela o quanto ela se orgulha de você (a propósito, eu já te contei que uma vez a surpreendi lendo uma de suas colunas do jornal? Ela tinha um enorme sorriso no rosto).
Saudades do Vale do Café; de São Paulo.
Mas principalmente, saudades de você.
(Trecho de uma carta de Darcy Williamson para Elisabeta Benedito)

Darcy estava perdido em seus pensamentos quando sentiu alguém tocando seu ombro. Ao se virar, se deparou com Francisca.

— Mãe! — Ele a abraçou fortemente e beijou seu rosto. — Eu não sabia que você viria. Ah, mãe, que saudades de você!

— Darcy, meu amor. Eu estou em Londres há alguns dias, esperando sua chegada. — Ela respondeu e se afastou para acariciar o rosto do filho. — Você está tão lindo. Olha só como está bronzeado!

Darcy riu.

— Eu estava pensando agora mesmo no quanto senti falta do inverno daqui.

Francisca deu de ombros.

— Eu trocaria o inverno daqui pelo brasileiro sem nem pensar duas vezes.

Francisca apoiou sua mão sobre o braço de Darcy e os dois andaram em direção ao carro.

— Para ser sincero, eu também. E estou pensando em fazer isso. — Francesa o questionou com o olhar e Darcy sorriu de lado. — Acho que vou me mudar para o Brasil quando tudo estiver resolvido por aqui.

Francisca parou de andar, forçando Darcy a fazer o mesmo. Quando ele ficou na sua frente, ela perguntou:

— Como assim? Você está pensando em morar lá definitivamente?

Darcy assentiu e, antes que respondesse, Francisca continuou:

— Você passou os últimos anos viajando pelo mundo, como se estivesse procurando alguma coisa, não é? Mas sempre voltava para Pemberley, pois acredito que é o lugar onde você mais ama. — Francesca ponderou e então abriu um sorriso. — Ou você aprendeu a amar minha terrinha mais do que aqui?

— Eu sou apaixonado pela Inglaterra, mãe, mas... sim, aprendi. — Darcy respondeu e apertou as mãos de sua mãe, e ambos voltaram a andar. — Eu amo o inverno inglês, mas a verdade é que eu me apaixonei ainda mais pelo verão brasileiro. As serras no interior parecem um caleidoscópio de cores. Eu adoro o canto das andorinhas que pode ser ouvido o ano inteiro. E os vaga-lumes que costumam voar pelo céu à noite…

Darcy suspirou e, com uma expressão nostálgica, olhou ao redor sem realmente prestar atenção na paisagem.

Francisca observava o filho admirada, mas também desconfiada.

— E foi apenas a natureza que chamou sua atenção lá?

Darcy arqueou as sobrancelhas.

— Desde quando a senhora me conhece tão bem?

— Hmmm, vejamos… — Francisca estreitou os olhos, pensativa. — Acho que faz mais ou menos três décadas.

Darcy sorriu e, neste momento, os dois chegaram ao carro e ele deu instruções ao motorista acerca de onde buscar suas malas, que ficaram numa sala de bagagens na recepção do porto. Quando estavam sozinhos dentro do automóvel, Darcy e Francisca voltaram a conversar.

— Eu quero te contar tudo, mãe. Mas antes me fale um pouco sobre você, sobre meu pai. Como vocês estão?

— Nós estamos bem, dentro do possível.

— Você sabe o que meu pai tem? Nas cartas e telefonemas que troquei com Charlotte, ela não foi muito clara.

Francisca suspirou.

— Acredito que o termo médico é insuficiência cardíaca, que vem se agravando com o tempo.

Francisca deixou uma lágrima escapar de seus olhos e Darcy a limpou. É verdade que fazia pouco tempo que soubera do estado de saúde de Archibald, mas ainda assim um aperto surgiu em seu peito ao pensar que ele não estivera com sua família no momento em que seu pai descobrira o que estava acontecendo.

— Me desculpe por ter demorado a chegar.

— Não diga isso, Darcy! Você veio quase que imediatamente. — Ela abriu um sorriso. — Tenho certeza que o coração de seu pai enfraqueceria ainda mais se soubesse que você veio antes de providenciar o funcionamento da ferrovia.

— Ah, sim. Isso é uma grande verdade.

Francisca assentiu.

— Darcy, acredito que você não sabe, mas ele e eu… bom, nos reaproximamos nos últimos meses.

Darcy analisou o rosto de sua mãe para tentar identificar o que as palavras dela significavam, porém ela apenas o fitava com seus olhos doces costumeiros. Ela sempre fora muito serena e, por isso, era difícil ler nas entrelinhas de sua expressão.

— Se reaproximaram? Como amigos?

Ela balançou a cabeça negativamente.

— Eu voltei para Pemberley. Estamos tentando reatar o casamento.

Fazia muito tempo que Darcy não se encontrava completamente sem reação. Ele nunca seria capaz de imaginar que seus pais se reconciliariam, pois durante anos houvera entre eles apenas desentendimentos, desencontros e ressentimentos que Darcy julgava insuperáveis. Será que o fato de seu pai estar doente era o motivo para estarem juntos novamente?

Francisca pareceu notar as dúvidas que surgiram no rosto do filho, pois explicou:

— Ah, Darcy… Quando você recebe uma notícia que muda tudo, como a doença de seu pai que parece se agravar a cada dia, você passa a questionar sua própria vida: se suas escolhas foram as mais corretas; se você não tem sido duro demais com as pessoas ao seu redor; se não era possível ter adotado uma postura mais flexível frente às adversidades. — Ela suspirou e sorriu tristemente. — Seu pai e eu nos amávamos tanto. Quando fui visitá-lo para desejar melhoras, pouco tempo depois de descobrirmos que ele adoeceu, nós conversamos. Pela primeira vez em anos, eu voltei a ver ternura nos olhos dele. E eu me questionei se ela realmente não esteve ali até então e só eu não consegui ver. — Francisca riu. — Eu perguntei a ele e não chegamos a um consenso, mas em relação a outra coisa sim: e se todo o amor que tínhamos antes pudesse ser resgatado? E se, cada vez que estivéssemos prestes a brigar e nos afastar, nos lembrássemos da família linda que criamos? Temos tanto orgulho de você e Charlotte que, mesmo se não sentíssemos amor um pelo outro, isto bastaria para nos unir.

Darcy sentiu seus olhos marejarem quando sua mãe terminou de falar, e então ele depositou um beijo nos dedos dela.

— Eu amo vocês, mãe. Meu maior desejo é que sejam felizes.

Quando o motorista voltou ao carro, partiram para Pemberley. Ao chegarem lá, Darcy reencontrou Charlotte e os dois se abraçaram fortemente.

— Que saudade de você! — Charlotte murmurou quando se soltaram.

— Charlotte, você está linda! — Ele acariciou o rosto da irmã. — Onde está meu pai?

— Ele está repousando em seu quarto, achei melhor não acordá-lo.

Darcy assentiu.

— Mais tarde irei visitá-lo. Mas e você, como está? Como está a faculdade?

— Tudo perfeito. Concluí o segundo módulo há algumas semanas e vim para cá fazer companhia para nossos pais. E você? Faz tanto tempo que não nos falamos. Nunca mais fique tanto tempo sem me visitar, ok?

— Combinado. Ou então você poderia me visitar no Brasil. — Darcy respondeu.

Charlotte sorriu, animada com a ideia. Fazia muitos anos ela não visitava o país de sua mãe.

— Planejo ir quando o filho de Camilo nascer.

— Filha… — Francisca chamou-a. — Darcy decidiu se mudar para lá.

Charlotte olhou para Darcy surpresa.

— Sem mais viagens pelo mundo sem data para voltar? — Quando o irmão concordou, ela perguntou: — O que te fez tomar esta decisão?

Darcy tentou reprimir um sorriso, mas foi incapaz. Sua mãe fez uma expressão igual à dele e então respondeu em seu lugar:

— Acho que tem algo a ver com andorinhas e vaga-lumes…

Charlotte riu e se voltou para Darcy, esperando que ele dissesse algo.

— Sim, tem a ver com tudo isso… e também com o amor da minha vida: Elisabeta Benedito.

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Queria que você estivesse aqui para colocar um pouquinho de razão na minha impulsividade.
(Trecho de uma carta de Elisabeta Benedito para Darcy Williamson)

Meses depois

Elisabeta se lembrava bem do que havia dito a Darcy poucos dias antes de sua viagem: eu vou ficar bem.

Mas ela não estava tão bem assim.

Ah, não que isso tivesse algo a ver com Darcy. Desde que ele se foi, os dois começaram a trocar correspondências e isso era maravilhoso, pois assim se conectavam de uma forma diferente.

As cartas dele, que chegavam regularmente no intervalo de poucas semanas, eram o principal motivo pelo qual Elisabeta ainda mantinha um sorriso no rosto. No início, parecia difícil admitir com precisão o que sentia, mas não havia outra palavra para descrever: paixão. A cada carta, a carta telefonema, cada vez que se lembrava dos momentos que passavam juntos, Elisabeta tinha mais convicção que estava completamente apaixonada.

E tudo que ela mais queria era que ele estivesse por perto para segurar suas mãos quando as coisas começaram a dar errado em sua vida.

Ela se arrependeu de ter pedido a ele que não fizesse promessas em relação ao futuro dos dois, pois tudo que ela precisava era ter certeza que algum dia ele voltaria, que ele faria tudo ficar bem novamente.

Elisabeta nunca fora capaz de relevar injustiças, por isso, quando ela soube do caso de exploração de trabalhadores de uma fábrica de tecidos em São Paulo, resolveu investigar a história, mesmo que isso não fosse parte de sua função em nenhum dos dois jornais para os quais trabalhava. Assim, ela descobriu diversas irregularidades nos contratos dos funcionários e, como nenhum de seus chefes se disponibilizou em ajudá-la a resolver o caso, Elisabeta reuniu todas as provas que tinha e denunciou a empresa.

E isso culminou na perda de seus dois empregos.

Embora a denúncia que fez foi anônima, de alguma forma os donos da fábrica descobriram seu envolvimento. Eles exigiram aos chefes de Elisabeta que a demitissem e em seguida começaram a ameaçá-la, exigindo que saísse da cidade para ter certeza que ela não voltaria a atrapalhar seus negócios.

A vida de Elisabeta se tornou um desastre.

Em poucas semanas, ela se vira sozinha na cidade, sem emprego e com medo cada vez que saía de casa. Ela se sentia pequena; esmagada por um mundo onde o dinheiro e o poder têm mais força que a justiça e dignidade.

Quando percebeu que não conseguiria vencer a batalha, Elisabeta se mudou novamente para o Vale do Café e informou Darcy de seu novo endereço, mas preferiu não contar-lhe sobre o que acontecera, uma vez que ele já tinha preocupações demais em sua vida.

Apesar das incertezas de Elisabeta em relação a seu futuro e da saudade de Darcy que não parava de crescer em seu peito, voltar para casa e estar ao lado de sua família, que apoiavam-na irrestritamente, deu-lhe algum conforto. Ela pôde acompanhar as últimas semanas de gestação de sua irmã, já que as duas passavam todas as tardes juntas. Jane inclusive descobrira a intensidade dos sentimentos de Elisabeta por Darcy.

E foi com ela que Elisabeta chorou quando recebeu uma carta de Darcy lamentando que demoraria mais tempo que o esperado para regressar ao Brasil, pois seu pai tivera uma piora no estado de saúde. E Elisabeta sabia que não tinha direito de ficar triste por isso, pois a dor de Darcy provavelmente era imensurável. Ela desejou mais que qualquer coisa poder estar ao seu lado e tomar um pouquinho do sofrimento dele para si.

Ele escreveu um post scriptum em sua carta pedindo a Elisabeta que contasse sobre seu ou sua afilhado(a) quando nascesse, pois queria se sentir próximo dos Benedito naquele momento tão especial.

Foi o que ela fez. Poucos dias depois, Sarah nasceu. Elisabeta sorriu ao escrever para Darcy que era uma menininha, exatamente como Camilo previra. Ela contou a ele como Sarah parecia sentir a mesma empolgação pelo mundo e pela vida que Elisabeta sempre tivera: toda vez que ela falava sobre a grandiosidade que havia tanto no Vale do Café quanto fora dele, Sarah se animava.

Elisabeta não deixou de notar que sua sobrinha também a olhava atentamente quando ela falava sobre o padrinho maravilhoso que a menina tinha. Quando estava ninando-a, Elisabeta lia para ela as cartas que trocava com Darcy e contava a história dos dois.

E para Sarah, Elisabeta deixava transparecer até mesmo sua vulnerabilidade, que ela tentava esconder de todos os demais. Era como se aquela menininha a compreendesse.

Desta maneira, diversas semanas se passaram. Elisabeta sentia mais e mais saudade de Darcy, de seu emprego, de dar um passo, por menor que seja, em direção a seus sonhos. Apesar de tudo, ela não desistiria de suas conquistas.

Enquanto pensava nisso na sala de estar de Jane, onde estava sozinha com Sarah, Elisabeta sentiu seu dedo indicador ser pressionado pela sobrinha, que estava segurando-o, e sorriu.

— Eu sei, Sarinhah, que eu sou meio metida a decidida quando se trata dos meus sonhos. Mas eu acho que preciso de um pouquinho mais de coragem, sabe? Coragem de vencer meus medos. Coragem de sair pelo mundo atrás do meu lugar.

Elisabeta suspirou e Sarah balbuciou algum som que parecia ser uma pergunta.

— Ah, eu não sei bem onde é. — Elisabeta sorriu. — Mas suspeito que é algum lugar não muito longe de Londres, sabe?

Sarah gargalhou e Elisabeta acariciou seu rosto.

— Eu acho… — Elisabeta escutou a voz de Jane e se levantou do sofá abruptamente, surpresa por perceber que sua irmã estava atrás de si. — … que você deve ir atrás do seu sonho.

— Jane! — Elisabeta disse, constrangida — Eu estava apenas divagando.

— Elisa, você e Darcy precisam um do outro neste momento.

Elisabeta sorriu tristemente e meneou a cabeça:

— Era tudo que eu mais queria, mas...

Jane interrompeu-a enquanto colocava uma mecha do cabelo de Elisabeta atrás de sua orelha.

— Você já pensou em se arriscar?

Elisabeta não respondeu nada, pois não sabia muito bem onde Jane queria chegar com esta conversa.

— Você sempre quis sair daqui, desbravar terras desconhecidas, não é? — Jane perguntou. — Por que não faz isso agora? Começando pela Inglaterra?

Elisabeta ficou diversos segundos encarando Jane, incrédula pelo fato de que sua irmã mais pés-no-chão estivesse apoiando aquela ideia.

— Jane… — Elisabeta suspirou, por fim. — Eu não posso.

— Por quê?

— Não posso ir embora de repente. — Ela afirmou, desejando que a irmã a contradissesse.

— Elisa, não há nada que te prenda aqui. Você sabe que nossa família sempre vai te apoiar, onde quer que você esteja. E nós estamos sentindo falta da sua vivacidade, da sua energia. Quem sabe não é hora de você fazer algo que sempre teve vontade, mas não coragem?

— Eu não tenho tanto dinheiro assim para fazer uma viagem.

— Nem o suficiente para passagens de ida e volta? Para o hotel, caso precise se hospedar alguns dias? De qualquer maneira, nossa família ficaria feliz em te ajudar com isso. E Camilo tem amigos em Londres que te receberiam com muito prazer.

Elisabeta sorriu. Estava amando sua irmã tentando convencê-la de fazer algo que, se tivesse mais coragem, teria feito há meses.

— Talvez eu tenha algumas reservas no banco… — Elisabeta murmurou.

Jane deu um gritinho de felicidade.

— Nem acredito que minha irmã vai sair do Brasil! — Jane disse e puxou Elisabeta para um abraço.

Elisabeta riu e então acariciou o rostinho de sua afilhada.

— Sarah, será que você tem algum recado para seu padrinho? — Elisabeta limpou uma lágrima que escapou de seus olhos.— Pois eu acho que em poucas semanas irei vê-lo.

Elisabeta não conseguia deixar de pensar no quão maravilhosa aquela viagem poderia ser, afinal ela sempre quis fazer aquilo: cruzar o oceano em busca do seu lugar no mundo.

Ela ainda não sabia que a Inglaterra estava pronta para ela…

Mas ela estava pronta para a Inglaterra.

Ah, e mais importante ainda: estava pronta para reencontrar o amor da sua vida.

Seu porto-seguro.

Você se lembra de quando me disse que o vento nas montanhas no Reino Unido é tão forte que uma pessoa precisa se esforçar para manter o equilíbrio?
Mas eu não me preocuparia muito com isso, pois sei que, caso estivesse prestes a cair, você seguraria minha mão. E eu seguraria a sua.
(Trecho de uma carta de Elisabeta Benedito para Darcy Williamson)