Your Lost Girl

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Finalmente uma one shot do meu OTP... Espero que gostem, obrigada por lerem. Muitas em breve virão.

Obs: No final da fic tem alguns trechos de músicas.

Alice estava deitada na cama no esconderijo dos meninos perdidos brigando com seus pensamentos sem parar.

– Eu preciso ir pra casa. — Ela murmurou triste.

A loira amava a Terra do Nunca, os meninos perdidos, os índios, as sereias e até os piratas. São coisas que ela não queria abandonar de jeito nenhum e, só de pensar nisso, lhe dava um aperto enorme em seu coração. Mas tudo isso não é nada comparado ao que ela sentia pelo herói que lhe mostrara tudo isso, Peter Pan.

Pelas suas contas, Alice estava na Terra do Nunca fazia duas semanas, nesse tempo tão curto a garota conseguiu descobrir tantas coisas novas e divertidas ao lado do ruivo, ele era muito especial para a loira.

Mas o pensamento de voltar pra casa flutuava em sua mente, deixando a garota frustrada e perturbada com toda a pressão que ela própria estava formando sobre si.

– Ei Alice. — A garota deu um pulo da cama quando ouviu uma voz familiar interromper seus pensamentos. Era Peter.

– Nossa, desculpa. Te assustei? — Ele disse rindo.

– O-oi Peter. — Ela disse se levantando e arrumando o vestido. — Não assustou não, eu só tava pensando e não vi você entrar.

– Ah, ok. — Ele disse coçando a cabeça. — Então, vim te chamar pra irmos passear de canoa ou brincar de caça ao tesouro com os meninos perdidos, caso você não quiser nenhum desses nós podem...

– Peter. — Alice disse interrompendo-o. — Eu não posso fazer nada disso.

– O quê? — Ele perguntou confuso. — Por quê?

A loira estava com um aperto no peito imenso, mas agora era hora de contar. Alice não suportava a dor que estava lhe causando apenas por imaginar nunca mais ver aquele ruivinho de olhos castanhos escuros.

– Eu preciso voltar pra casa Peter. — Ela murmurou baixinho.

O garoto despencou em sua cadeira com o choque.

– M-mas eu pensei que você ficaria pra sempre. — Ele disse. — Você não pode fazer isso comigo Alice!

A loira se virou para o ruivo ficando a dois passos de distância dele.

– Peter, sinto falta dos meus pais, de Londres, das minhas amigas, dos meus amigos, da minha escola, da Dinah... Sinto falta de tudo lá. Eu posso voltar, mas por favor deixa eu ir pra casa. — Ela disse.

O garoto com raiva, cruzou os braços.

– Uma vez que você cresce, nunca mais poderá voltar. Avisei isso pra você antes. — Ele respondeu, dessa vez virando-se de costas para a garota.

– Você pode me entender? — Ela perguntou inocentemente.

Peter Pan, por sua vez, estava arrasado, queria que Alice ficasse pra sempre com ele, com Sininho e com os meninos perdidos, havia tanta coisa que ainda precisava mostrar para a garota, e ainda mais, torná-la uma garota perdida. Assim nunca precisaria ir embora, ele não queria que a loira a abandonasse, ele precisava dela, mesmo em duas semanas, o ruivo apegou-se demais a ela, criando uma companhia insubstituível em sua vida.

– Não. — Ele respondeu seco e vôou pra fora da árvore, deixando uma Alice chorosa para trás.

– Oh. — A loira murmurou. — O que eu faço agora?

Peter tinha ido voar sobre toda a Terra do Nunca para acalmar os nervos e pensar em um jeito de fazer a garota ficar, mas não conseguiu pensar em nada. Pensou em pedir ajuda para Sininho, que também havia se apegado muito a Alice, mas imaginou que a fadinha ficaria tão arrasada como ele. Então, ele lembrou dos meninos perdidos, será que poderiam ajudá-lo? Provavelmente não, ficariam tão tristes, não queria ferir os sentimentos dos garotos. Eles gostavam muito das histórias que Alice contava sobre o gato sorridente (Cheshire Cat), o coelho de terno (White Rabbit) e o chapeleiro maluco (Mad Hatter), e a garota também amava contá-las.

– Oh minha nossa. O que eu faço? — O ruivo murmurou e resolveu voltar para o esconderijo se desculpar pela arrogância com Alice.

– Alice! Alice, me desculpe! — Peter gritava do lado de fora da toca. — Me desculpe pela grosseria, vamos conversar por favor.

O garoto entrou na árvore e não encontrou ninguém, procurou em todos os cantos e nenhum sinal da loirinha.

– Alice? — Ele gritou mais alto ainda, esperançoso que a garota pudesse responder.

Culpado ele deitou-se na cama que Alice usara o tempo que estivera ali, os travesseiros ainda tinham o doce perfume da loira que Peter Pan tanto adorava. O ruivo apalpou o travesseiro imaginando o rosto da garota quando ela sorria, ele ficava tão encantado com o jeito mágico que seu sorriso tinha.

Pensando no que mais amava na loira, viu um bilhete embaixo do travesseiro.

Peter Pan,

Me desculpe pela nossa última conversa ter sido uma discussão, mas eu precisei voltar pra casa.

Convenci Sininho a me dar um pouco de pó mágico e voar até Londres, se ainda quiser se despedir, eu só vou partir ao pôr do sol.

Se ainda estiver furioso comigo quero que saiba o quanto foi importante pra mim desde que te conheci.

Eu gosto muito de você, Peter.

Mais uma vez, me desculpe.

Alice

Peter vôou o mais rápido que pôde pensando nas palavras da garota, ela iria mesmo tentar voar sozinha até Londres? Alice era mesmo uma garota teimosa, ele se lembra, desde quando se conheceram.

Duas semanas antes

Alice estava rabiscando eu seu caderno de desenhos antes de ir se deitar, no dia seguinte precisaria finalmente deixar a infância de lado e começar o ensino médio. Sua mãe era muito exigente e não gostava nem um pouco da ideia da garota ainda contar histórias fascinantes sobre um certo País das Maravilhas aos quatorze anos de idade, pra falar a verdade, a moça estava preocupada. Garotas da sua idade querem um celular de presente de aniversário, enquanto Alice apenas pedia um caderno de desenhos ou uma boneca, a loira vivia brincando e inventando as histórias com Dinah, sua gatinha, as duas viveram muitas aventuras juntas.

– Mas agora é hora de crescer. — Alice resmungou e fechou o caderno colocando-o na escrivaninha junto com o estojo de lápis.

Ela não conseguia dormir, por isso ficava desenhando sempre os personagens que brotavam em sua mente e criavam vida no papel, mas mesmo depois de guardar os desenhos, não conseguia pegar no sono, virava de um lado para o outro na sua cama e nada adiantava, não saía de sua cabeça que o Ensino Médio seria difícil demais para ela e que ela não queria passar por aquilo.

Quando finalmente pegou no sono, Peter Pan e Sininho bisbilhotavam na madrugada de Londres procurando objetos perdidos.

A fadinha era ótima em achar essas coisas, e o ruivo também adorava ajudar, mas já tinham encontrado todos os objetos da Terra do Nunca, portanto resolveram sair de lá e procurar em Londres.

Sininho apontava para todos os lados e Peter pegava os objetos, até que ela localizou uma janela aberta. Ao chegar perto, viu vários botões e alguns objetos maiores. Ela estava fascinada. Não pensou duas vezes, entrou no ambiente.

– Não entra aí! — Peter disse, mas já era tarde demais, quando viu, a fadinha já estava recolhendo clipes, botões e cordões do chão.

O garoto entrou no quarto para tirar Sininho dali quando viu que tinha uma pessoa no quarto.

– Tem uma garota dormindo ali, Tink. — Peter disse baixinho para a fada que mal se importou e foi bisbilhotar no rosto da garota pra ver algo interessante. O ruivo tentou impedi-la, de novo, mas ficou fascinado em como a garota que dormia era linda e dormia inocentemente.

– Shhh. — Peter disse ao ouvir o bater de asas da fada. — Vamos embora. — Ele sussurrou.

Quando Sininho cedeu, acabou derrubando tudo no chão e acordando Alice.

– Já é de manhã? — A garota levantou da cama lentamente dificultando a abrir os olhos.

– N-não, não. — Peter disse um pouco nervoso. — Volte a dormir.

Alice desobediente esfregou os olhos pra observar de quem era a voz reconhecida e acabou se assustando ao finalmente enxergar o ruivo.

– Quem é você?! — Ela gritou. — Oh, desculpe. Quem é você? — A garota repetiu diminuindo o tom.

– E-eu sou Peter Pan, e você é...? — Ele disse ainda cauteloso.

– Alice. — A garota respondeu e se levantou a cama. — Se me permite perguntar, o que você está fazendo no meu quarto?

O garoto ficou em silêncio e envergonhado por um momento, a garota era tão adorável que tinha medo de responder algo totalmente nada a ver.

– Ãhn.. — Quando Peter começou a falar, Sininho apareceu na frente de Alice, assustando a garota.

– Minha nossa mas o quê... — A garota disse. — Isso é uma fada?

A fadinha balançou a cabeça assentindo e puxando a mão de Alice para ficar mais perto de Peter.

– Esta é Sininho, minha fada. E Sininho, esta é Alice. — Peter disse um pouco envergonhado, e quando a fadinha percebeu isso o puxou para cima para mostrar a loira o que o ruivo sabia fazer.

– Não é possível! — Alice exclamou. — V-você sabe voar? Como?

Peter sorriu. Finalmente achara um jeito de falar direito com a garota.

– Eu sei. E você também pode. — Ele disse e puxou o braço da garota inocentemente. — Pense numa coisa boa. Sininho, você pode me ajudar?

A fada assentiu e começou a voar em círculos um pouco acima da cabeça da garota.

– Oh! — Alice disse surpresa. — O que é isso?

– Pó mágico, — Peter respondeu. — Vai te ajudar a voar.

A loira animada resolveu balançar os braços como se estivesse batendo asas, mas caiu no chão na primeira tentativa.

– Por que eu não consegui? — Ela perguntou frustrada.

O ruivo riu.

– Pense em uma coisa boa. O melhor pensamento que tenha em sua mente agora! — Ele disse.

Alice pensou nas criaturas fantásticas que desenhava, nas aventuras que ela e Dinah já passaram. Em tudo o que reinava em sua cabeça curiosa.

E então, conseguiu flutuar.

– Olhe Peter estou conseguindo! — Ela disse batendo palmas animada.

– Muito bem! Agora abra os braços para dar equilíbrio. — Ele respondeu e Sininho a auxiliou.

Os três ficaram voando pelo quarto por muito tempo, rindo e se divertindo, Alice finalmente conseguiu deixar pegadas no teto e fazer cambalhotas no ar. A garota estava se sentindo uma criança pra sempre.

Um momento, Sininho puxou a touca de Peter, anunciando que estava quase na hora de amanhecer e precisavam voltar para a Terra do Nunca.

– Oh.. — Ele disse triste. — Alice, nós precisamos ir.

– O quê? Mas já? Não, vocês ficaram pouco tempo! Não vão embora por favor. — A garota disse caindo em sua cama chateada.

– Se ficarmos aqui por mais tempo corremos o perigo de crescer. — Ele disse.

Alice levantou confusa e curiosa com a resposta que o garoto acabara de dar.

– O quê? — Ela disse.

– Onde moramos, nunca crescemos. — Peter Pan respondeu causando um sorriso de orelha a orelha na garota.

– Oh! Mas que sonho! — Ela disse. — Amanhã eu vou crescer, e eu não quero Peter. Você tem muita sorte de morar em um lugar desses!

Pan pensou o que aconteceria se levasse Alice com eles para a Terra do Nunca, e puxou Sininho para compartilhar sua ideia.

– Por favor Tink! — Ele dizia. — É só um pouquinho.

A loira observava a conversa dos dois curiosa.

– O que houve? — Ela perguntou e a fada e o ruivo viraram-se pra ela.

– É... Eu estava pensando. — Ele começou. — Se nós levássemos você para a Terra do Nunca.

Alice arqueou as sombrancelhas.

– Terra do Nunca? É assim que o lugar se chama, aonde vocês moram? — Ela perguntou.

Sininho chacoalhou a cabeça positivamente.

– Enquanto eu estiver lá não vou crescer? — Ela perguntou formando um sorriso no seu rosto.

– É, tecnicamente. — Peter respondeu.

Alice começou a pular e a gritar de felicidade pelo quarto causando risadas no ruivo, que achava aquilo adorável. A loira era adorável.

– Tudo bem, vamos lá. — Ele disse. — Vai ser uma longa viagem.

– Onde fica? — A loira perguntou.

– Segunda estrela à direita e então, direto ao amanhecer. — Ele respondeu e a garota ficou confusa.

– N-nós vamos voar? — Ela perguntou, dessa vez estava com medo.

– Sim, não há problema nenhum. — Ele disse animado.

– Peter! Voar no meu quarto é extremamente diferente do que voar lá fora, até a uma estrela! — Ela disse. — Eu não vou.

– Como não, Alice? É fácil, eu posso te levar se você estiver comigo, venha. — Ele disse oferecendo sua mão e ela a pegou, e então, em um segundo, o garoto rodeou os dois braços da garota em seu pescoço e saiu pela janela deixando a loira amedrontada em suas costas.

– Você é louco, Peter Pan! — Alice disse rindo e abraçando levemente o garoto.

O ruivo sorriu, já levou algumas garotas para a Terra do Nunca entrelaçadas em seu pescoço mas nunca as sentiu tão próximas o quanto sentiu com Alice.

Peter estava gostando daquela sensação que a garota deixou em si, seu hálito estava arrepiando a nuca do garoto e seus braços deixavam o seu corpo quente.

A loira observava Londres com curiosidade e alegria, nunca imaginou que pudesse ver a cidade daquela altura. Ela brincava com as nuvens e fingia tocar a Lua e as estrelas.

A melhor visão da noite foi quando os dois atravessaram a estrela que levava-os a Terra do Nunca, a visão da ilha era espetacular para ela.

– É linda, Peter. — A garota sussurrou maravilhada.

O ruivo sorriu satisfeito com o que estava causando na loira.

O passeio foi então ainda mais incrível para Alice, conheceu os meninos perdidos e seu esconderijo, viu Peter provocar os piratas e principalmente Capitão Gancho, conheceu os índios e as sereias... Estava realizada.

Uma semana depois

Nibs (coelho), Cubby (urso) e Slightly (raposa) estavam com Pan em seu esconderijo pensando em algo pra fazer.

– Peter! Hoje nós vamos tomar banho de lama de madrugada, vai com a gente! — Cubby disse para o ruivo que pensava andando de um lado para o outro na árvore.

– Não dá Cubby, não hoje, estou programando alguma coisa pra fazer com Alice amanhã. — Ele disse.

– O quê? Alice de novo? Peter, você tinha prometido fazer um monte de coisas com a gente, o que está acontecendo? — Nibs perguntou.

– Nada gente. Mas eu tenho que aproveitar o tempo que tenho com ela. — Ele disse.

– Peter! Nós adoramos Alice e ela adora a gente, a Terra do Nunca e principalmente você. Ela nunca vai nos deixar. — Slightly disse.

– Onde ela está? — O ruivo perguntou ignorando o que o loiro dizia.

– Com os gêmeos (guaxinins) e Tootles (gambá) no lago. — Cubby respondeu.

– Me desculpem garotos, eu não sei o que está havendo comigo. Eu só quero passar mais tempo com ela, ela é tão incrível e divertida. Me faz sentir diferente, entendem? — Peter disse com seus olhos brilhando só de pensar na loira.

– Não, não entendemos. — Os três responderam.

Sininho vôou até os três e explicou o que estava havendo com o ruivo.

– O que foi, Tink? — Peter perguntou.

– Ela disse que você está amando a Alice. — Nibs disse.

– Amando? O que é isso? — O ruivo perguntou confuso.

A fadinha desenhou um coração no ar com os dedos e em seguida levou a mão ao peito.

– Você sente uma coisa muito forte pela Alice. — Slightly disse.

Peter então percebeu que estava mesmo sentindo algo diferente pela loira.

– Entendi. — Cubby disse. — Agora eu sei porque ele só quer ficar com ela e esqueceu a gente.

– Me desculpem gente.. — Peter disse envergonhado. — Eu vou passar a madrugada com vocês hoje sim, e amanhã faço algo com Alice.

Os meninos vibraram e foram chamar os outros, para um banho de lama na madrugada.

No dia seguinte

– Acorda menina perdida! — Alice ouviu uma voz familiar enquanto dormia, e quando viu quem era começou a rir.

– Bom dia Peter. — Ela disse e se espreguiçou.

– Bom dia. — Ele disse dando um beijo em seu rosto. — Pensei em darmos um passeio hoje.

– Que tipo de passeio? — Ela perguntou apoiando a cabeça nas mãos curiosa.

– Vem, você vai gostar! — Ele disse.

A garota se levantou e saiu da toca junto com Peter, parando na primeira poça de água que viu para checar seu reflexo.

– Eca. — Ela disse. — Estou feia.

Peter, que estava se preparando para voar se virou para a garota para ver se ela estava falando sério.

– Você é linda, Alice. — Ele disse segurando sua mão. — Vem, voa comigo.

A garota entrelaçou os braços no pescoço do ruivo e ele vôou acima das árvores, ela já estava acostumada, fizeram isso praticamente três vezes na semana anterior.

Os dois foram até a cachoeira e voaram sobre a água que caía, em seguida Peter a levou para sobrevoar o arco íris. Alice descobria algo novo a cada dia que passava lá.

E ela estava feliz.

Depois de hora explorando e se divertindo os dois se esconderam em uma caverna para descansar.

– Obrigada Peter. — Alice disse entre suspiros de cansaço. — Pelo passeio.

– Não foi nada. — Ele respondeu, estava cansado também.

– A Terra do Nunca é incrível, voar é incrível, os meninos perdidos são incríveis, a Sininho é incrível, tudo aqui é incrível. — A garota disse sorrindo.

– Você está deixando tudo mais incrível, Alice. — O garoto disse ficando vermelho.

Alice sorriu com sua resposta e olhou pra baixo.

– Você é maravilhoso, Peter. — Ela sussurrou. — É tão bom não crescer e viver isso aqui todos os dias, saber que vai ser sempre assim... É tudo por sua causa! Muito obrigada.

A loira levantou o rosto e encarou os olhos do ruivo, ele fez o mesmo e sorriu envergonhado. As bochechas dele estavam queimando, mas ele gostava da sensação.

– Alice... — Peter murmurou ao ver que seus rostos se aproximavam instantaneamente. O garoto encarava os lábios rosados da menina e ela olhava seus olhos infinitos.

O ruivo não fazia ideia porque estava fazendo isso, nunca teve nenhum tipo de contato com uma garota assim.

Alice, por sua vez nunca havia beijado ninguém em sua vida, então além de medo estava nervosa. Mas não fazia ideia de que Peter não sabia o que era um beijo.

Automaticamente, a loira colou seus lábios com o ruivo fazendo um choque percorrer o corpo de ambos junto à uma sensação de satisfação.

Peter Pan após o contato inesperado ainda estava de olhos abertos e surpreso, então apenas tocou a nuca da garota aproximando mais o rosto dela de si. Alice com o toque aproximou mais o corpo do ruivo do dela, deixando-os a centímetros de distância um do outro.

E então Pan finalmente fechou os olhos e resolveu aproveitar e figurar o contato com as suas próprias sensações.

Voltando ao atualmente

– E-eu preciso dela. — Peter Pan concluiu com um aperto no peito e vôou pra fora da toca a procura da loirinha.

Alice estava na beira da praia da Terra do Nunca apenas relembrando tudo o que de especial passara ali com seus novos amigos. Tantas lembranças boas marcariam saudade a partir do momento que deixasse aquela ilha inesquecível...

Mas ela estava fazendo a escolha certa, voltaria para Londres e cresceria, iria para a escola, obedeceria seus pais e quando crescesse faria faculdade de advocacia e se casaria com um médico como seu pai planejara antes de nascer.

Estava frustrada, passaria a vida inteira longe de sua família numa vida feliz ou ficaria longe de Peter numa vida planejada e cansativa?

– Alice! — Ouviu uma voz familiar. — Por favor não vá!

– Peter? — Ela disse ainda sem se virar.

– Por favor, fica. — Ele disse, dessa vez estava em terra firme, pois a garota ouvia seus passos se aproximarem.

– Eu não posso... — Ela respondeu sussurrando virando-se para o garoto que tinha mágoa em seus olhos. — Me desculpe, Peter.

– Você pode sim! — Ele pegou sua mão e colocou em seu peito. — Escuta, eu sei que não fui legal com você hoje, me desculpe por isso, mas se você ficar eu prometo ser o seu menino perdido para sempre.

I can be your lost boy, your last chance, somewhere in Neverland.

– Fica. Por mim? — O garoto tinha uma lágrima de esperança saindo de seu olho que partia o coração da garota.

– O que eu faço com meus pais, Peter? — Ela perguntou olhando para as avelãs que a encaravam.

– Nós podemos dar um jeito, podemos visitá-los sempre que pudermos. Até trazê-los algum dia, eu não sei, mas se você ficar, eu posso fazer tudo por você. — Ele respondeu, e outra lágrima rolava em seu rosto.

Alice enxugou a pequena gota d'água e sorriu.

– Eu te amo, Peter Pan. — Ela disse e o abraçou, aninhando-se em seu peito.

O ruivo viu que não tinha chances da garota ficar, então resolveu insistir mais uma vez, pegou o rosto da garota delicadamente e direcionou até o seu encaixando seus lábios em um beijo calmo.

Ela se desfez de seus braços.

– Sininho? — Ela chamou.

A fadinha se aproximou dela e jogou pó mágico na garota, o suficiente para ela flutuar um pouco acima do chão.

– Peter? — Ele ouviu a garota murmurar.

Ele não respondeu, apenas aguardou o que viria a seguir.

– Você pode me acompanhar? — Ela pediu com uma expressão angelical.

Ele assentiu em silêncio e vôou em direção as nuvens.

– Ei, aonde pensa que vai? — A loira chamou e o ruivo se virou confuso.

– Para o outro lado, mocinho. — Ela disse rindo fazendo o garoto congelar com a surpresa, ele não sabia se a abraçava ou voava até o limite do Céu de alegria. Alice iria ficar, e isso era a maior realização de sua vida.

Ela vôou até ele e pegou sua mão.

– E agora, que tal aquele passeio de canoa? — Ela disse dando-lhe um beijo no rosto.

Notas finais
E aí? Deixem seus comentários, em breve tem mais ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!