Your Heart Have Owner
1 Porcelana
Notas iniciais
A última vez que escrevi uma Fanfic deste universo (que por tanto tempo é meu hiperfoco) foi em 2017, então tô um pouco enferrujado,
Decidi escrever pois estou FASCINADO PELO ROY! É uma fascinação que não cabe no peito, juro!!!
E com um grande pontapé de um grupo de amigos, decidi postar.
Espero que gostem, e me perdoem desde já por quaisquer erro! Estou velho!!!
Eu costumo criar playlists das coisas que eu escrevo (seja casais de Roleplay, histórias de origem ou outras coisas XD). Para quem tem interesse, estarei deixando o link abaixo, talvez possa deixar a sua leitura mais imersiva. Fiz de acordo com os gostos da pequena Emi, então terão um pouquinho dela consigo ♥
https://open.spotify.com/playlist/1uXuDa4yy2kxnfikSRVnlW?si=46856a53f63c415c
Se passaram alguns dias desde aquele happy hour...aquele maldito happy hour. Não acho que nossa relação "colegas de serviço" mudou, mas ele parece estranho, tão estranho...me dói, como se eu tivesse voltado alguns anos atrás, sofrendo por um namorico de escola. Não consigo esquecer o seu perfume amadeirado, e seus lábios macios em minhas bochechas, como selinhos de um anjo, o anjo mais inocente e adorável que tive o prazer de conhecer.
Mais uma semana tinha se passado, e eu acabei acordando mais cedo que o habitual. Meu estômago revirava, o nervosismo e a fome faziam uma valsa insuportável, então não perdi tempo para preparar meu café. O silêncio infernal das manhãs me fez dar play na primeira música que aparecia no menu principal do aplicativo de música, para o meu azar, aquela que me faz lembrar dele. Eu queria não pensar nele, mas é tão difícil. Meu peito dói, as pequenas poças D'água se formam em meus olhos, e eu sequer tenho forças para impedir isso...eu sou fraca...
—Panquecas feitas, suco de laranja batido, e gansinha alimentada. Tudo nos conformes. -Indaguei para mim mesma, falar sozinha me faz sentir menos sozinha nesse pequeno apartamento, talvez eu devesse alugar o segundo quarto, conhecer pessoas novas, expulsar o "Sr. Aquino" do meu coração. Mas será que tenho coragem para isso? Só fazendo para descobrir, ainda não tenho o dom de prever o futuro, como naqueles seriados de TV.
Assim que termino de me vestir, "mergulho" no aroma doce da minha colônia, trancando todas as portas e janelas. Assim que boto os meus pés na calçada, lá estava ele, em sua corrida matinal, ou melhor, eu não sei, ele não parecia estar no seu ritual matinal. Educadamente aceno para ele, como quem não quer nada, mas querendo, óbvio...
—Olha só! Não esperava te ver tão cedo! -Disse o filipino, com aquele sorriso amigável e doce de sempre, e eu faço o mesmo, me curvando para ele no mesmo instante. Costumes esquisitos que sequer consigo me desfazer.
—Haha! Acabei acordando mais cedo do que o habitual. -Eu comentava com ele, enquanto guardava meu bolo de chaves (extremamente barulhento) dentro da pequena bolsa cor-de-rosa, talvez destoante com o look que montei para o dia. -Mas e você? Parece bem arrumado para quem costuma caminhar bem cedinho por algumas dezenas de quilômetros.
—Bem, digamos que eu já fiz isso tem um bom tempo. -É, ele parece daqueles que acorda á cinco da manhã e toma banho gelado, que pergunta... -Aproveitando a deixa, me permita acompanhar a Srta. até o seu trabalho. -Ele se curva, fazendo um gesto esquisito com as mãos, ainda mantendo seu sorriso fofo em sua face. Não consegui me conter e soltei uma risada baixa, abafando com a palma da mão.
—Oras, para quê tanta formalidade?
—Eu quis entrar no personagem, Emi! -Ele fez o mesmo gesto que o meu, cobrindo o rosto para abafar sua risada baixa, que quase não consegui escutar, mesmo naquela rua silenciosa, com o pouco barulho dos carros passando pela avenida. Ele novamente estendeu o braço para mim, na intenção de que eu a segurasse, eu imagino.
—Personagem? O que quer dizer com isto, 'Milorde'? -Entrei na brincadeira, me curvando para ele, segurando a barra de minha camisa. Apenas não segurei sua destra, receio que não deveria...como ele havia dito, "Brune não iria gostar".
—Ainda não consegui esquecer de como sua casa é...como posso dizer...- A dominante foi para o seu queixo, enquanto começara a caminhar, e eu apenas o fiz, seguindo-o, á sua direita, caminhando com os mesmos passos largos que ele dava, um pouco difícil de fazer por conta do salto.
—Hmmm?
—Bem, é diferente do quê eu imaginava! Parece uma casinha de boneca, as cores, os móveis...suas roupas! -
Ele me olhou dos pés a cabeça, não fazendo muita questão de disfarçar aquele olhar, o olhar de canto, ele sabe bem fazer isto. Galanteador, sacana, um verdadeiro devasso. Inferno...
—Consigo entender o que quer dizer. De fato, eu tendo a separar o profissional do meu pessoal...não acho que seria bom para o Devon ter uma funcionária "cosplayer" em sua empresa. Haha! — Eu fiz aspas com os dedos. Eu acho que foi a melhor forma de explicar para ele um pouco do quê eu ''sou''. Desde o meu último emprego, tenho extremo receio de usar o "meu dresscode". Babados, vestidos bufantes, penteados extravagantes...como minha mãe diz: Uma bonequinha da Era Vitoriana.
—Acredite, isso sequer seria um problema para ele! Para nós! Sabe o quanto somos a favor da individualidade de cada um da equipe. -Ele sorria para mim, com os olhos fechados.
—Talvez eu pense no seu caso.
—Vou me lembrar disso!
—Tenho certeza que irá. Você tem uma memória muito boa. Deve ser resultado dos seus exercícios matinais. -Eu comecei a ficar um pouco nervosa. Ele estava próximo de mais, muito próximo, o suficiente para que eu consiga cheirar o perfume de seu shampoo, e ele impressionantemente estava com os cabelos soltos...-Maior prova disso é que você parou de usar os cabelos presos, desde a última vez que eu o elogiei!
—Você disse que foi uma brincadeira, não? -Ele voltou a me olhar de canto, esse patife...merda.
Eu não conseguia parar de fantasiar, mesmo que estávamos a caminho do trabalho as 08:45 da manhã, eu queria voltar para aquela noite...ter aproveitado mais, tão mais...
—Emi? -Ele indagou, balançando as mãos á frente do meu rosto, que em resposta, apenas pisquei para o mesmo, da mesma forma que ele sempre fazia para mim, que me olhara confuso.
—Algumas brincadeiras tem um pingo de verdade.
—Estamos no mesmo assunto de antes? -Roy questionou, com os olhos cerrados.
—Acho que estamos. Me perdi um pouco. -Não era novidade para ninguém da Devenementiel sobre meu TDAH, quis deixar isso claro para todos para não houver futuros desentendimentos, me calhou bem usar isso como desculpa pelos devaneios de uma idiota apaixonada.
—Ah sim, compreendo.
E aquele silêncio constrangedor voltou. É normal, claro, eu sou nova na equipe, é comum não ter muito assunto. Mas com ele era bem ruim, mais do que deveria ser. Passou-se alguns minutos caminhando, trocando alguns olhares e risadas idiotas, até que partiu de mim voltar a fala.
—Me fala, por que está me encarando tanto hoje? Estou mal-arrumada? -Meus olhos cerraram, o olhando com um sorriso amarelo no rosto, com a simpatia que me faltava nos últimos anos.
—Sabe como é, nenhum de nós três conseguiu não imaginar você com aquele Cupcake gigante no corpo!
—Ah, para! Eu já falei que aquilo não era um Cupcake, e muito menos gigante! -Ele se referia a uma das minhas araras que tenho em meu quarto. Foi a primeira coisa que ele mencionou quando abriu a porta. Como esquecer? Eu me senti um pouco palhaça.
—Claro, Emi, eu sei que é uma saia.
Ele tentou disfarçar seu descontentamento com a forma que falei com ele. Claro, o chateei, de novo.
—Bem, também não é uma saia...é uma anágua, fica por debaixo do vestido. -A simpatia me faltava, mas fiz uma força para parecer menos chata. Pelo menos por perto dele e de Devon. Só um pouquinho.
—Mas...vocês podem ver em algum outro momento. Eu meio que aposentei meus vestidos.
—Hm? Eu lembro que você mencionou isto, mas não me disse o porquê. -Paramos um pouco de andar, esperando o semáforo abrir para nós, estávamos na calçada da Devenementiel.
Minhas mãos suavam, e minhas pernas estavam inquietas. Eu só entrei em detalhes com Devon por questões de contrato. Com ele seria diferente, ainda é meu tópico sensível, sensível até de mais. Me recordo da forma como foi só de mencionar o assunto...
—É uma longa história...em outro momento mais oportuno poderia entrar em detalhes contigo.
—No seu temp- Antes que ele pudesse falar, eu o interrompi, colocando o indicador em seus lábios, claro, num tom de brincadeira. Pelo menos para ele, eu espero.
—Com uma condição!
—Haha! O que vai ser dessa vez, Emili?
—Se você entrar em detalhes sobre...
Eu parei. Me senti nessa obrigação, talvez eu pudesse destruir de vez o que restou de nossa amizade. Coleguismo. Relação de conhecidos. Qualquer coisa que nós somos ainda, o que restou.
Ele me olhava curioso, com aquele olhar sapeca de sempre, talvez nem passando em sua cabeça que eu queria saber mais a fundo sobre a rixa entre a Goldreamz e a Devenementiel. Ele já havia seu ressentimento com a dita cuja que havia antes de mim, claro, ele fez questão de mencionar isso mais de uma vez em meu primeiro dia. Talvez esse seja o tópico sensível dele? Eu tenho o direito de tocar nessa ferida? Parece ter afetado mais ele do quê os outros, até mesmo Devon.
Não...melhor não...
—Sobre o que? Falaaa! ‘Tá me deixando curioso desse jeito! -Ele se curvou um pouco para mim, ficando com o rosto próximo a mim, exalando sua curiosidade. Não tenho direito disto, e muito menos de mexer com a sua ansiedade. O que eu devo fazer é apenas desconversar.
Antes que eu sequer pudesse abrir a boca, novamente, ele volta a falar. As coisas se escalonaram tão rapidamente nesses 30 minutos de caminhada que está me deixando perfeitamente perdida. É uma pergunta atrás da outra, eu tenho medo do quê mais ele pode falar e perguntar durante o dia.
—Você quer falar mais sobre aquela sexta-feira? É isso? -Ele tombou a cabeça, desfazendo seu sorriso, com uma expressão preocupada.
Eu não esperava que partiria dele voltar nisso. Depois daquelas mensagens, eu só achei que iríamos fingir que nada aconteceu, tal qual Devon e Elenda fizeram. Eu...devo? Devo perguntar isso? Não seria uma troca justa.
Eu gelei, meus olhos o olhavam arregalados, e minhas mãos pregadas na barra de meu casaco, e meu coração palpitava, esse dia me deixa nervosa, extremamente nervosa. Não somente pelo óbvio, eu estou atraída pelo Roy. Mas me faz pensar na Brune, ela quem mais me afeta. Eu não gostaria de repetir o mesmo caso com as garotas do meu último emprego, eu quero ser próxima dela. Eu não quero fazer parte disso...
Ou talvez isso seja só a minha razão tentando falar mais alto que o meu coração.
O que eu tô pensando?
—Emili? -Sua voz me fez voltar á realidade, aquela que eu tenho uma obrigação maldita de não poder fugir...
—Hã? Claro, sim sim...por favor...
Eu me deixei levar, mas eu também sinto que preciso de respostas.
—Tipo, eu não sei se fui emocionada de mais com a forma que conversamos ou...-Ele foi colocando o indicador em meus lábios, o que me fez sentir as bochechas esquentarem. Seu toque era macio, e eu já pude sentir quando ele segurou minhas bochechas para cumprir aquele desafio do jogo de cartas.
—Acredite, a culpa não é sua. Foi o que eu disse. Sem crise. Sério. -Seu olhar foi para o outro lado da calçada, imediatamente arrumando sua postura, que estava até aquele momento bem próximo de mim, próximo o bastante para olhares curiosos terem suas desconfianças. -Olha, depois conversamos sobre isso, beleza? Eu prometo.
Seus cabelos eram jogados para trás, enquanto ele os prendia com um elástico de tecido preto. Até que me dei conta, ela estava lá...próxima de nós. A uma calçada de distância. Meu coração parou na hora, a culpa que eu senti com uma droga de beijo na bochecha voltou como um soco no estômago. Aquele enjoo, que nem sentia quando era criança e fazia besteira com as peças de minha mãe. Ele não percebeu que fiquei agitada e ofegante, estava ocupado tentando decifrar se Brune nos viu tão próximos daquela forma ou não. Aproveitei a brecha, e esperei os carros pararem de passar, atravessando tão rápida quanto um corredor profissional. Eu passei por ela, eu não conseguia olhar para ela.
Por que eu me sinto tão culpada?
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