Your Eyes

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Oi gente!
To aqui de novo com essa ideia louca, eu já tinha essa one shot pronta faz tempo, mas só agora tomei coragem de postar. Eu acho muito interessante explorar a relação da Regina com a Pistache, por isso escrevi ela.
Quero agradecer a Jeane Karla e a Natasha que me ajudaram bastante com essa one. Obrigada meninas!
Boa leitura!

Balões coloridos estavam pendurados por todo o Granny’s. Crianças corriam de lá para cá, gritando, rindo e brincando. Snow e David conversavam com a filha e Killian, enquanto o pequeno Neal se sentia maravilhado pela atenção que estava recebendo no dia do seu aniversário. Havia salgadinhos e docinhos para comer e Regina estava se perguntando se o casal não havia feito uma má escolha ao fazer o aniversário no Granny’s, um lugar tão pequeno para todas aquelas pessoas.

Sentada em um banco no balcão, a mulher observava aquele monte de gente se perguntando onde Henry estaria. Ela chegou no local juntamente com ele e Violet, e os dois sumiram logo depois. Henry já estava um homem e ela se lamentou pelo tempo passar tão rápido. Enquanto passava os olhos pelo local mais uma vez, não pode deixar de notar sua irmã, que estava com a filha de 5 anos no colo. As duas riam de alguma coisa e Regina sorriu com a imagem. Robin era uma garotinha muito esperta, com cabelos ruivos que acabavam em lindos cachinhos. Os olhos da menina, esses mexiam com Regina. Eram os olhos dele.

Regina a evitava quase sempre, porque a garotinha adorava correr atrás dela quando estavam no mesmo ambiente. Ela se sentia egoísta por isso, mas não conseguia. Não conseguia olhar para a menina e enxergar o amor de sua vida. Não conseguia acreditar que ela era filha da sua irmã com sua alma gêmea. Sabia que a garotinha não tinha culpa nenhuma, que era um ser inocente e puro, que não devia ser prejudicada pelas ações de sua mãe. Mas Regina preferia ficar longe.

Durante esses anos, a saudade que sentia de Robin só cresceu. Ela aceitou o que aconteceu, mas jamais deixou as lembranças dele irem embora. Pelo contrário, mantinha elas vivas. Pois tinha vezes, que se ela fechasse os olhos, quase conseguia sentir ele perto dela. Era loucura, ela sabia.

Enquanto dava mais um gole em seu copo de chá gelado, Regina sentiu duas mãozinhas puxarem a ponta de seu casaco.

— Oi, tia Regina. – falou sua sobrinha, sorrindo para ela. Regina largou o copo de volta no balcão e olhou para a ruivinha, que esticava as duas mãozinhas pedindo colo.

— Filha, não incomode a tia Regina. – Zelena chegou, pegando a garota pela cintura, tirando Regina daquele transe. – Volte a brincar com seus amiguinhos, vai.

— Mas mamãe... – a ruivinha começou.

— Nada disso, filha. Já conversamos sobre isso. – Zelena repreendeu e piscou, soltando a menina que anuiu com a cabeça e foi em direção as outras crianças. – Peço desculpas por isso. – encarou Regina.

— Não tem problema, Zelena. – disse Regina, forçando um sorriso para a irmã.

— Eu não sei o que você tem, Regina, que até a minha filha é fascinada por você. – disse, soltando um riso irônico. – Acho que ela acha que ficando perto de você, ficara perto do pai também.

— Eu... Por que ela acha isso, Zelena? Você contou a ela sobre Robin e eu? – Regina perguntou, virada para a irmã.

— Ela perguntou sobre o pai, e quando eu achei que ela estava preparada, eu contei a ela a história dele. Claro que numa linguagem mais leve, mas ela é uma menina muito esperta e entendeu tudo direitinho. Ele a amava, ela deve saber dele.

— Fico feliz que você tenha falado dele para ela. – os olhos de Regina marejaram, e isso foi tudo o que ela se permitiu dizer antes delas entrarem em um silêncio, as duas observavam a ruivinha que brincava no meio das crianças.

— Zelena! – chamou Belle, se aproximando das duas. – Eu queria falar com você, a sós.

— Ah claro. Regina, você poderia dar uma olhada na Robin um minutinho? – perguntou á irmã.

— Claro. – concordou, logo depois observando as duas mulheres irem até um lugar mais reservado.

Pousou os olhos na sobrinha, que estava no meio daquelas crianças tentando brincar junto com elas. Mas Regina percebeu que a garotinha não se sentia muito confortável, devia ser porque estava no meio de crianças grandes e muito esnobes pra idade dela. Viu quando Robin desistiu de entender a brincadeira, olhando na direção dela, fazendo com que seus olhos se encontrassem. Sorrindo, começou a seguir até a tia.

Nenhuma das duas percebeu quando um garoto veio correndo na direção da ruivinha, esbarrando nela e deixando cair o copo de vidro que segurava no chão. Regina levantou ligeiro, vendo a sobrinha cair em cima dos cacos de vidro do copo do menino.

Correu até a garotinha, que não entendia o que havia acontecido. Os olhos da mais nova se encheram de lágrimas e o queixinho começou a tremer, indicando que um choro vinha por aí. Regina se agachou perto dela e a pegou no colo.

— Tudo bem, querida, eu peguei você. – tentou acalmar a ruivinha em seu colo, que escondeu o rosto em seu pescoço e começou a chorar. Regina passou os olhos pelo corpinho dela e percebeu o ralado que alguns cacos deixaram nos joelhos e um caco de vidro na mão, que estava sangrando, causando mais desespero nas duas.

Rapidamente Regina levou Robin até a sala que ficava no fundo do restaurante, sendo seguida por Ruby e Snow. Logo Zelena entrou desesperada atrás da filha. A menininha abraçou a mãe e Zelena pediu para Ruby trazer um kit de primeiros socorros.

— Zelena, você sabe que podemos curar isso com magia. A dor vai passar mais rápido. – Regina sugeriu,vendo as lágrimas caindo dos olhos de Robin, que agora já não chorava tanto.

— Não, Regina. Não uso magia com ela. – Zelena disse, cortando Regina. A mesma assentiu e viu Ruby chegar com o kit, e logo Zelena estava cuidando do machucado da filha.

Quando a menina estava mais calma, e com a mão enfaixada, Zelena pegou ela no colo e se despediu, indo embora.

Regina passou as mãos no cabelo, se acalmando. Deuses, que susto havia levado!

***

Dois dias depois, Regina se encontrava em seu escritório, lidando com várias burocracias, quando recebeu a visita de sua irmã.

— Regina, eu preciso de um favor. – a ruiva foi direta, sentando-se na cadeira na frente de Regina, que sem erguer os olhos dos documentos em sua mão disse:

— Bom dia para você também, Zelena. Sente-se, por favor. – Regina disse, sendo irônica.

— Regina!

— O que posso fazer por você, Zelena? – perguntou Regina, encarando a irmã.

— Eu tenho um encontro essa noite e eu preciso de alguém para ficar com Robin. – Zelena disse e Regina suspirou. – Regina, eu não pediria isso se eu realmente não precisasse. Mas é importante pra mim, e eu não tenho ninguém para ficar com ela.

— Eu posso ficar com ela, Zelena. – disse. Era estranho pensar que até Zelena estava tendo um encontro, um homem na vida dela. E Regina não tivesse mais nada disso. Não mais.

— Obrigada! – exclamou Zelena, com um brilho nos olhos que Regina jamais havia visto. Zelena realmente estava envolvida. A ruiva se levantou, dizendo que levaria a filha as 19h na casa de Regina.

Bom, pelo menos ela não passaria a noite sozinha. Mas ficar com aquela ruivinha também não seria fácil, visto que ela precisava enfrentar os sentimentos dentro de si. Robin era a única coisa que ele deixou para trás, visto que havia perdido Roland também.

Suspirou, forçando sua cabeça a voltar ao trabalho. Pensaria nisso depois, ou nem pensaria.

***

Robin observava a tia sentada atrás da mesa, concentrada em papeis com muitas letras. Ela baixou os olhos para o seu desenho, e perguntou por que a tia não estava desenhando também, já que ela parecia triste lendo aqueles papeis. Talvez as letras não fossem tão legais assim. Levantando do tapete, ela andou calmamente até Regina, que levantou os olhos para a menina assim que notou o movimento.

— Precisa de alguma coisa, querida? – perguntou.

— Você parece triste. – disse, se aproximando mais de Regina.

— Pareço? Eu não estou. – forçou um sorriso para a ruivinha.

— É por que você não gosta de mim? – perguntou, tímida. – Eu estou te incomodando, tia?

— Claro que não, Robin! – exclamou, perplexa. – De onde você tirou isso?

— As vezes eu escuto as pessoas falarem. Só não conte para a mamãe, ela não sabe que eu sei. – confidenciou. Regina respirou fundo, percebendo pela primeira vez como estava sendo injusta com sua sobrinha. Com a filha do homem que amava. Seu coração apertou ao ver o olhar triste da garota. Os mesmos olhos, ela pensou, enquanto observava a menina.

— Vem aqui. – Regina chamou, colocando a cadeira para trás e batendo a mão em suas pernas. Robin se aproximou devagar, subindo no colo da tia e sentando lá. – Você não deve acreditar no que as pessoas dizem, elas falam coisas por maldade.

— Então por que você nunca fala comigo? – perguntou, deixando Regina muda. Tentou várias vezes falar algo, mas fechava a boca logo em seguida. Olhou nos olhos da criança em seu colo e fez a mesma pergunta para si mesmo. Por que eu nunca falava com ela? — É por causa do meu papai?

— Um pouco sim, querida. – concordou, não sabendo como negar aquilo. – Você me lembra muito o seu pai. – sussurrou.

— Eu sou parecida com ele? – perguntou, os olhinhos brilhando.

— É. Muito mesmo. – Regina disse.

— Eu queria ter conhecido ele. – a ruivinha disse triste.

— E eu tenho certeza que ele queria isso também. – Regina comentou, não conseguindo evitar a lágrima que escorreu em seu rosto.

— Você sente saudades dele? – indagou de novo, numa curiosidade típica de criança. Regina apertou os olhos, tentando segurar as lágrimas, e sentiu uma mãozinha em sua bochecha. – Pode chorar, tia. Mamãe sempre me diz que chorar faz bem.

Naquele momento, Regina percebeu que sua sobrinha havia herdado a coração e a bondade do pai. Nesses anos que se passaram, foi conversando com uma garotinha de 5 anos, que Regina sentiu uma paz enorme no coração. Como se ela soubesse que Robin jamais partiria sem deixar algo de bom para ela. Sem deixar alguém que ele soubesse que iria tomar conta dela. Regina abraçou a garotinha fortemente, deixando as lágrimas caírem. Sentiu as mãozinhas mexendo de lá para cá em suas costas, tentando passar conforto. Depois de minutos no abraço, Regina afastou a menina e a olhou nos olhos.

— Eu sinto muita saudade dele. Todos os dias. – fungou. – Acho que foi por isso que eu fui tão fria com você todos esses anos, querida. Porque você é igualzinha a ele, e pra não me machucar de novo, eu resolvi me afastar. Mas jamais pense que eu não gosto de você, pelo contrário, você é um presente.

— Eu sou? – perguntou, olhando atentamente para a tia.

— Sim. Você é um presente na vida da sua mãe, e foi um presente na vida do seu pai. Ele amava muito você. – sorriu, fazendo carinho nas madeixas ruivas. – E, se você quiser, gostaria que fosse um presente na minha também. – pediu.

— Eu quero! – exclamou, jogando os braços em volta de Regina. – Eu acho você linda, tia. Mas você está sempre triste, eu não quero isso.

— Não vai mais me ver triste. Prometo. – disse.

— Promete de dedinho? – perguntou.

— De dedinho? – Regina repetiu, soltando uma gargalhada. – De dedinho. – confirmou, esticando o dedinho para a ruivinha, que entrelaçou no dela. Sorriram e Regina depositou um beijo na bochecha da sobrinha. – Você me perdoa, querida?

— Claro que sim. Você só precisava conversar comigo e me entender, tia. – sorriu e Regina sorriu também. A barriga de Robin roncou, e Regina riu. – Eu acho que estou com fome.

— Eu acho que podíamos pedir uma pizza, o que você acha?

— Eu amo pizza!

— Que bom, eu gosto também. – sorriu, esticando o braço até alcançar o telefone em cima da mesa. – Qual sabor você quer? – perguntou.

— Chocolate!

— Chocolate? – ergueu as sobrancelhas, sorrindo. – Tem que escolher um sabor salgado também, espertinha.

— Filé com fritas? – sugeriu, encolhendo os ombros. Regina anuiu com a cabeça, apertando o narizinho da menina e logo depois discando o número do telefone.

— A pizza chega em 40 minutos. – disse, colocando o telefone na mesa.

— Podemos desenhar até lá? – perguntou, fazendo um beicinho.

— Podemos. – concordou, e viu a garotinha pular do seu colo, indo até a mesa e pegando seus lápis e canetinhas. Ela voltou correndo para o colo de Regina, e juntas, começaram a desenhar. Regina tirou um minuto para observar a sobrinha, concentrada em seu desenho.

Robin podia ter sido gerada no meio de uma mentira, podia ser filha de sua alma gêmea com sua irmã, mas a menina era especial. Só quem a conhecesse saberia que, dentro daquele coraçãozinho de criança, vivia uma vontade enorme de fazer bem a sua mãe, a sua tia, a todos que viviam ao seu redor.

Ela sabia que a garota iria passar por muitas dificuldades, afinal ela era filha da Bruxa Má do Oeste e sobrinha da Rainha Má. Mas Regina estaria ali, ao lado dela, para espantar qualquer um que tentasse fazer mal a ruivinha.

Notas finais
E aí, viajei demais? Tomara que não... kjsadhjksa
Espero que vocês tenham gostado, até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!