Young and Reckless
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Despois de descarregarmos tudo o que havia dentro do camião para o jardim e para dentro de casa, Draco decidiu colocar-nos à prova, atirou-se para uma cadeira de secretária que ainda estava no jardim e perguntou, para quem quisesse ouvir:
– Então, meninos, cansados das mudanças? Estava a pensar tomar um banho e comprar algumas coisas de última hora para vocês que começam as aulas amanhã e depois jantávamos fora. O que dizem? – Eu sentei-me no degrau que dava acesso do jardim para a casa e bocejei. - Rosie, vens connosco?
Rosie?? Sério?? Só Scorpius é que a chamava assim, quando a queria ver a largar fumo pelas orelhas.
Rose fez uma careta e Draco apenas sorriu.
– Por mim tudo bem. De todas as maneiras os meus pais ainda não chegaram. –Ela comentou olhando para a casa ao lado. Draco assentiu e os seus lábios contorceram-se num pequeno sorriso, quase impercetível. Talvez ele estivesse a divertir-se às nossas custas, já que achava que eramos uns incompetentes.
Acabamos de colocar o resto das tralhas para dentro de casa e fomos Tomar um merecido banho. Fomos respeitosos o suficiente para deixar a suite com casa de banho para Draco, mas o problema é que agora eramos 3 pessoas, para tomar banho e nos arranjarmos em apenas uma casa de banho.
Eu e Rose fomos para o quarto, escolher as roupas que iriamos vestir, e quando nos demos conta, Scorpius já estava fechado na casa de banho.
– Ahh Não acredito que aquele traste nos passou a perna! Aposto que vai ficar lá imenso tempo. O cavalheirismo está morto por estes dias! – Reclamou Rose, exaltada. — É as aulas de Cultura e Assimilação não funcionaram com ele, porque certamente na cultura inglesa o cavalheirismo é muito presado e ele não se importa nem um pouco!
– Temos de concordar que as aulas de Cultura e Associação eram das mais chatas que poderia existir. Sobretudo a parte em que tínhamos de dançar! Espero sinceramente nunca ter de usar essas danças, apesar de ter quase a certeza que um dia vai ser uma dessas danças que me salvará a vida. — Disse dramática. Rose riu e depois a sua face adquiriu uma expressão pensativa. — Está tudo bem?
– Estava a pensar no Albus. – Ela suspirou. - Ele é uma das melhores pessoas que conheço. Tenho tantas saudades dele! Nós eramos inseparáveis. Mas depois eu entrei em Hogwarts e apenas nos víamos durante as férias em que os meus pais estivessem em missão, pois eu ficava em casa dos meus avós Weasley e ele também ia para lá muitas vezes. E agora ele corre perigo – Ela não continuou, e deu para perceber que estava angustiada.
Pouco tempo depois Draco apareceu no corredor. Trazia umas calças jeans e uma camisa branca. O cabelo ainda estava por pentear e ainda estava descalço.
– O Scorpius ainda está a tomar banho? – Perguntou-nos.
– Parece que sim, a água ainda está a correr. – Foi Rose quem respondeu.
Eu nem me dignei a olha-lo na cara. Sinceramente, falaria com Draco apenas quando fosse estritamente necessário para a missão. Era confuso para mim, descobrir que o meu pai não estava morto, e ainda assim, ele não se dignara a dar qualquer tipo de explicação do seu desaparecimento, e muito menos tentara tratar-me como filha. E agora, tínhamos de agir como se fossemos realmente pai e filha. Mas eu tinha de aprender a separar a minha vida pessoal do trabalho e sem dúvida que comecei logo com uma prova de fogo.
– Bom, uma de vocês pode utilizar a casa de banho da suite e eu vou tentar dar um jeito de tirar o Scorpius dali. – Nós as duas assentimos e olhamos uma para a outra. Apenas uma troca de olhares foi suficiente para Rose perceber que era ela quem iria tomar banho na suite.
Rose revirou os olhos, ela achava que tanto eu como Draco eramos muito casmurros e por isso é que nunca tínhamos conseguido falar sobre o que quer que fosse que não tivesse a ver diretamente com a nossa vida profissional.
– Scorpius! O que raio estás a fazer nessa casa de banho há tanto tempo? – Perguntou Draco, enquanto dava socos na porta.
– Oh, eu certamente não queria saber o que raio esteve ele lá a fazer. – Murmurei enquanto pegava a minha toalha e me dirigia para perto de Draco.
– Que tal essa espera, maninha? O meu banho de hidromassagem foi ótimo! – Scorpius disse assim que saiu da casa de banho apenas com uma toalha enrolada na cintura. Draco lançou-lhe um olhar indignado.
– Começo a concordar com a Rose, és um traste com falta de cavalheirismo e que não aplica nada do que aprendeu nas aulas de Cultura e Associação, porque se bem me lembro, tu eras um aluno excelente e a Sra. Longbottom adorava-te, maninho . – Revidei, enfatizando a última palavra e tranquei a porta da casa de banho para finalmente tomar o meu merecido banho.
Tomei banho em tempo record, não queria que Draco colocasse as culpas em mim por estarmos a sair atrasados.
Vesti umas calças jeans pretas, e um tank top também preto, nos pés, as minhas all star pretas. Eu estava a secar o cabelo quando Rose entrou no quarto.
– Err talvez não queiras ir a um jantar de família em modo espia muda pelo menos a cor do top. – Sugeriu Rose. Sempre que eu ia sair com a minha mãe ela não se importava com o que eu vestia. E o que realmente me fazia sentir à vontade era levar uma roupa discreta e preto era a minha cor favorita, no que toca a roupas.
Bufei, mas aceitei a sua sugestão e troquei o tank top preto por um branco e adicionei uma camisa ao xadrez por cima. Não era discreto como eu queria, mas era o que a maior parte dos adolescentes usava hoje em dia, e se não podias ser invisível, pelo menos que conseguisses misturar-te na multidão, certo?
Rose vestiu uma saia amarela e uma camisa bege e adicionou um blazer preto enquanto eu sequei o cabelo e o apanhei com um elástico. Rose certamente teria de trabalhar os seus disfarces se quisesse integrar mais missões de campo, pensei.
A verdade é que quando entramos em Hogwarts, os primeiros três anos temos aulas em comum. História, Países do Mundo, Informática básica, Línguas do Mundo, Anatomia, Química e Física básica, entre outras que nos preparam para o que quer que seja que desejarmos seguir a partir do quarto ano. Então, no quarto ano somos divididos por casa: Gryffindor e Slytherin integram os Agentes que querem seguir um trabalho de campo. Gryffindor acolhe as raparigas e Slytherin os rapazes. Ravenclaw inclui técnicos informáticos, engenheiros e mecânicos que desenvolvem grande parte das nossas armas e materiais utilizados nas missões. E Hufflepuff são as pessoas que nos ajudam quando nos damos mal, são médicos e bioquímicos que desenvolvem medicamentos, antídotos, e que zelam pela nossa vida quando algo dá errado.
Eu pertenço a Gryffindor, Scorpius a Slytherin e Rose a Ravenclaw. Foi nesta altura, em que se deu a separação de casas, que Rose e Scorpius deixaram de ser tão competitivos, porque não tinham realmente em que competir, uma vez que faziam coisas completamente diferentes no seu dia-a-dia. Mas sinceramente, parece que a única maneira que aqueles dois têm para se comunicar é através de uma bela discussão. Espero que isso mude pelo menos enquanto estamos em Oxford High School, ou o mais provável é sermos descobertos ainda antes de a missão propriamente dita começar.
Scorpius foi o último a ficar pronto. Ainda não eram 17h quando saímos da casa e voltamos a entrar na SUV preta.
Compramos alguns cadernos e esferográficas e fizemos uma pequena visita a Londres.
Draco parecia muito mais descontraído. Rose e Scorpius discutiam sobre o que iriamos ver de seguida. Draco levou-nos até ao Palácio de Buckingham e Scorpius pediu-me que lhe tirasse uma foto junto a um dos guardas. Draco sorriu e depois seguiu-se uma data de fotos em frente ao palácio e com os guardas, pela parte de Scorpius e de Rose. Era uma daquelas muito raras vezes em que estavam os dois a sorrir, mesmo que a dividir o mesmo espaço.
– Estás muito calada. – Observou Draco.
– Não tenho nada para dizer, Sr. Malfoy. – Respondi, seca.
– Pai. – Ele disse simplesmente.
– Ou isso. – Encolhi os ombros. - Estou preocupada com o dia de amanha, e com todos os outros que se seguem. Tenho medo que algo corra mal. – Desabafei.
– É o medo que nos mantem vivos. É bom ter medo. Mas não podemos ter medo ao ponto de este nos paralisar. A minha primeira missão foi aqui, no palácio de Buckingham. Eu deveria ter uns 18 anos. Tinha-me formado como o melhor aluno de Slytherin, naquele ano. Estava confiante demais, cometi algumas imprudências, mas no final, a missão foi cumprida. Olhando em retrospetiva, acho que devia ter tido um bocadinho mais de medo, e talvez a missão fosse um sucesso em vez de ter sido apenas cumprida. Vais ver que te vais sair bem. - Ele dirigiu-me um pequeno sorriso e levantou-se do banco.– Rose, Scorpius, acho que está na hora de irmos jantar.
Aquela tinha sido, sem dúvida, a única conversa pessoal que podemos chamar de decente que tive com Draco. E isso fez um pequeno sorriso britar dos meus lábios.
Draco tinha reservado uma mesa num restaurante na baixa de Londres, quando lá chegamos, fomos dirigidos para uma mesa, onde comemos calmamente, apenas com conversas casuais. Ninguém se referiu à missão, ou a Hogwarts ou ao que quer que fosse, uma vez que aquele não era o lugar apropriado.
Quando chegamos à casa, deparamo-nos com Hermione no andar de cima com uns óculos para ver no escuro, estava a deixar os nossos uniformes nos nossos quartos. Draco saia que ela estaria lá, portanto não se assustou.
–Mãe!? – Exclamou Rose e correu para abraça-la.
– Olá meu anjo. Boa noite a todos. – Ela cumprimentou quando desfez o abraço de Rose.
– Boa noite.– cumprimentamos os três em uníssono.
– Bom, eu vim apenas deixar-vos os uniformes e os kits de comunicação, eles já chegaram no inicio da semana, mas entre vigias, relatórios de vigias e alguns percalços em Hogwarts não tive tempo de os deixar aqui. Queria-vos deixar também uma pequena ficha sobre Albus e o seu grupo de amigos em Oxford High, e algumas pessoas que pensamos que podem ser relevantes, para que vos seja mais fácil identifica-las amanhã. Peço-vos para darem uma vista de olhos antes do vosso sono de beleza.– disse com um ar bem disposto enquanto nos entregava uma pequena pasta a cada um, menos a Draco, ele certamente já tinha tido acesso a todas estas informações.– Há também um cofre em cada quarto. Se não tiverem tempo de arquivar as fichas na sala de Operações. E aqui têm um telemóvel, também com informações sobre a operação encriptadas. À primeira vista é apenas uma telemóvel regular. Para terem acesso a informações da missão, terão de entrar no processador de impressão digital e identificador de íris. – Ao dizer isto entregou-nos os respetivos telemóveis.
– Hermione, alguma novidade na vigia de hoje? – Draco perguntou à mãe de Rose. Achei estranho ele trata-la pelo primeiro nome, mas pelas idades, provavelmente, eles haviam sido colegas em Hogwarts.
– Nem por isso. Lily já está desde ontem em Hogwarts. Hoje pela manhã foram levar James à Universidade de Cambridge, depois Harry foi para o escritório e Ginny ficou em casa com Albus. Mais tarde apareceu Andrew Zabini, mas nada de mais. – Hermione suspirou. Conseguia perceber-se na sua expressão os sinais de cansaço e de preocupação. Os Potter eram seus grandes amigos, e apesar de a missão se focar em proteger o seu filho, Hermione sabia que todos os Potter corriam perigo, a única pessoa que ela sabia estar protegida era Lily.
– As vigias não têm levantado suspeitas? – Perguntou Draco mais uma vez.
– Não, nem Ginny tem reparado, pois ligou-me ontem a perguntar quando faríamos alguma coisa. Lembrem-se, apenas Ginny sabe da existência de Hogwarts, e ainda assim, ela não conhece os agentes, portanto, vamos continuar assim. Se Ginny não desconfiar, certamente mais ninguém desconfiará. – Hermione concluiu e Draco assentiu. – Muito bem, se não têm mais questões eu vou descansar um pouco. Rose, talvez fosse uma boa ideia se entrasses pela porta da frente, querida, e depois voltas pela passagem subterrânea, ok? –Perguntou Hermione docemente antes de se dirigir para a passagem subterrânea.
Todos nos despedimos de Hermione, que nos desejou boa sorte para o dia seguinte.
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Lyra Jones Malfoy
Filha de Draco Malfoy e Lucy Jones
17 anos
Agente Secreta Júnior
Ela não fazia a mínima ideia que uma escola de Agentes Secretos existia em Londres, mas, certo dia, um professor dessa tal escola apresentou-se pessoalmente explicando que ela era uma aluna excecional e que preenchia todos os requisitos para ser aluna de Hogwarts.
É uma pessoa muito discreta e paciente, o que contribuiu para se tornar uma agente de campo.
Tem alguns problemas por resolver com Draco Malfoy, o seu pai, mas tornou-se uma grande amiga de Scorpius mesmo antes de saber que eram irmãos.
Rose Weasley é a sua melhor amiga, o que torna a sua vida complicada, uma vez que é difícil estar com o seu irmão e a sua melhor amiga na mesma sala por muito tempo.

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