Young But Forever

14 I need a Hero


POV Mila:

O quarto de banho estava vazio as duas puxaram-me depressa e com força contra a parede enquanto Julie olhava satisfeita. Então tudo se passou a uma velocidade inacreditável. Elas tiram-me o telemóvel e atiraram-no para uma das sanitas. Enquanto uma delas me tapava a boca e me agarrava a outra despia-me e descalçava-me, deixando-me apenas com as meias, parte de baixo da roupa interior e o meu relógio. Encostada à parede, voltada para nós Julie assistia a tudo sorrindo. A única frase que disse foi “ Na próxima vez não te metas com o namorado das outras”. Tentei defender-me, pedi-lhes que parassem com aquilo vezes sem conta, mas elas não o fizeram.

Como se fossem criminosas profissionais fizeram um trabalho rápido e eficiente, no fim guardaram as minhas roupas e os meus sapatos num daqueles sacos de plástico pretos do lixo e levaram-no com elas, saindo as três a correr do quarto de banho.

Depois de elas saírem fez-se um silêncio tal que ouvia a minha própria respiração. Ali fiquei, sozinha encostada à parede sentada no chão, nua, agarrava-me aos meus joelhos com o objetivo de tapar o meu corpo e de me aquecer, estava incapaz de me mexer. Passado algum tempo levantei-me e olhei-me ao espelho, a imagem refletida não se parecia comigo, aquela não podia ser eu. Branca, gelada, a tremer e a chorar, não podia. Por uns segundos pensei que talvez fosse um pesadelo e que eu fosse acordar em breve, mas não, era realidade, passado alguns segundos fugi para um dos cubículos e fechei a porta, deixei de pelo menos ver a estranha figura refletida no espelho, que pelos vistos era mesmo eu. O coração parecia ter parado de bater loucamente, comecei a achar que não ia conseguir continuar a respirar, todo o meu corpo estava gelado, deixei-me escorregar pela porta do cubículo e ali fiquei no chão . Todo o meu corpo doía e pela primeira vez em toda a minha vida pensei que ia morrer e fechei os olhos e tentei respirar devagar, o tempo foi passando devagar e eu tremia descontroladamente, as lagrimas caiam-me e eu apenas me apercebia da existência delas pois eram a única coisa quente em mim. Algum tempo depois ouvi passos.

Seriam elas novamente? Seria alguém à minha procura? Ou simplesmente um aluno a passar no corredor e que não fazia a mínima ideia de que eu estava ali?

Eu queria-me levantar para pedir ajuda mas eu tremia de tal maneira que isso era impossível, então permaneci quieta no chão.

POV Harry:

Eu tinha aula de inglês, a Mila iria ter também. Fui para a aula e sentei-me numa mesa, ninguém se sentou à minha beira pois como a Julie também iria ter aula ela sentasse sempre a minha beira. Logo depois entrou Rosalie, mas Mila não estava com ela, achei estranho eu tinha-as visto juntas. A professora começou a aula e Julie também não apareceu assim como as amigas delas e elas não costumam faltar. Rosalie estava com uma cara de preocupada, ela estava sentada na mesa à frente da minha

– Rosalie – chamei-a e ela olhou para mim – A Mila não vem?

– Ela tinha ido ao quarto de banho, mas já devia ter voltado

– Achas que se passa alguma coisa?

–Não sei

Logo a seguir bateram à porta, nós os dois olhamos para a porta na esperança que fosse Mila, mas era Julie e as suas amigas e elas vinham com umas caras de muito felizes, como ficam quando fazem mal a alguém, será que elas fizeram alguma coisa à Mila?

– Desculpe o atraso Sra. Professora

– Sentem-se

Ela aproximou-se da minha mesa e sentou-se

– Ola bebé!

– Olá

Algum tempo de aula passou e Mila não aparecia então decidi saber onde ela estava.

– Sra. Professora desculpe mas posso ir ao quarto de banho, é rápido, prometo

– A aula está quase a acabar menino Styles

–Mas eu não aguento, por favor

– Vá lá

– Obrigado

Sai da sala e andei pelos corredores tentando encontrar Mila, mas nenhum sinal. Procurei nos pavilhões, no campo e nada, fui a alguns quartos de banho tanto de rapazes como de raparigas, quando fui a um deles, ouvi alguém a chorar, parecia Mila, seria ela o que será que lhe aconteceu.

– Mila? -O choro parou por instantes — és tu? Abre essa porta por favor.

POV Mila:

Era Harry, que ao ouvir-me a chorar pediu que eu abrisse a porta, a custo, levantei-me e abri a porta do cubículo onde estava fechada. Ao ver o meu estado Harry arregalou os olhos, mas não pronunciou um única palavra, também se fizesse alguma pergunta duvido que conseguisse responder porque por mais que tentasse não era capaz o meu queixo tremia mais que todo o meu corpo. Ele despiu rapidamente a t-shirt que tinha e vestiu-ma, depois massajou energicamente os meus braços para me aquecer e abraçou-me, um dos melhores abraços de toda a minha, mesmo naquela circunstância foi o melhor abraço.

Eu chorava no peito dele, estava quente o peito dele, conseguia ouvir os batimentos do coração dele, estavam acelerados, mas ao mesmo tempo eles acalmavam-me pois eu sabia que ele estava ali, ali comigo e que me ira proteger.

– Calma, eu estou aqui. Esta descansada que eu vou tratar de ti pequenina – ele sussurrou no meu ouvido e em seguida deu-me um beijo na testa, não pude deixar de sorrir – Agora vamos-te tirar daqui

Ele pegou em mim e saímos do quarto de banho e ele levou-me para o gabinete do diretor, para dizer o que aconteceu

– Menina Caffrey o que é que lhe aconteceu, quem lhe fez isso? – ele perguntou verdadeiramente preocupado

– Eu… não… eu não consegui ver quem era – eu menti, acho que tive medo, eu já percebi que Julie não é mesmo para brincadeiras.

– Assim vai ser difícil de castigar os culpados, mas nós vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para os castigar, não se preocupe menina Caffrey

– Obrigado Sr. diretor, mas será que eu podia levar Mila a casa, ela não esta em condições de ficar aqui e ela não devia ir sozinha

– Claro, sim, vá menino Styles, e podem faltar o resto da semana uma vez que estamos na quarta e a menina Caffrey precisa de descansar e o menino Styles fica-lhe a fazer companhia

– Obrigado e com licença – disse Harry para sairmos do gabinete. Ele pegou em mim outra vez e saímos, quando chegamos aos corredores estes estavam vazios, o que me deixou mais descansada não queria que ninguém me visse assim, fomos até ao parque de estacionamento pois Harry conduz e ele sentou-me no lugar do passageiro e depois sentou-se no do condutor. Ligou o carro, olhou para mim e disse:

–Preferes ir para minha ou para tua casa

– Pode ser para tua? – perguntei tímida

–Vamos- ele disse, enquanto começava a dirigir-se para casa e deu-me a mão, olhei para ele e sorri levemente.