You'll Be In My Heart
1 Always
Notas iniciais
Era um pequeno pacote quando chegou a suas mãos. Tão pequeno e tão frágil, mas trazendo com ele uma promessa tão grande: sua felicidade, o preenchimento de seu vazio, seu filho, seu pequeno príncipe. Quando atravessou a porta do orfanato com ele balbuciando em seus braços você sabia que tudo tinha mudado, tudo tinha um novo e melhor significado. Não era apenas você, não era apenas uma vida. A partir daquele momento eram Regina e Henry, e você não precisaria estar sozinha mais uma vez.
Quando ele gritava e esperneava sem parar você se perguntava no que estava fazendo de errado; você o carregava e balançava em seus braços de todas as maneiras possíveis tentando de tudo para fazê-lo se sentir melhor. Você só queria vê-lo bem, queria fazê-lo tão feliz quanto ele a fazia feliz por apenas existir, por apenas estar lá. Uma chance era só o que você precisava. E você poderia mover céus e terras, ir até o fim do mundo, faria qualquer coisa por ele. Ele havia mudado sua vida, havia acabado com o vazio, transformara o nada em tudo. Henry era tudo.
Leva-lo de volta para o orfanato foi uma das decisões mais difíceis que teve que tomar em sua vida. Era tudo tão injusto que você tivesse que abrir mão do que amava novamente, perder mais um Henry em prol de sua vingança, mas uma vez estar sozinha e vazia, ainda mais agora que ele parecia estar se acostumando com ela, agora que ela sentia que tinham uma conexão, que ele a escutava e acreditava nela. Logo agora quando o seu afeto por ele já invadira todo seu ser; amor pleno diferente de tudo que já havia sentido. Por mais que o medo de ser detida lhe assombrava, o que mais você temia era não ser boa o suficiente para ele. Era que sua ânsia de vingança envenenasse a coisa de melhor e mais pura que existia em si, era que estragasse tudo mais uma vez, pior, estragasse tudo com ele. Por mais que ferisse, por mais que sentisse que estavam arrancando suas entranhas você faria este sacrifício por ele, faria muito mais se fosse necessário.
E esta certeza em seu âmago, foi o suficiente para leva-lo de volta, foi tudo o que precisava saber para ter certeza de que faria de tudo por ele. Que você não iria desapontá-lo, que não podia desapontá-lo. O sangue de Henry não tinha importância, não quando o sorriso amoroso dele era pra você, e a mão que seus dedinhos gorduchos seguravam e apertavam eram as suas. Já havia sido tomada pelo amor imensurável e incomparável que lhe fazia amá-lo tanto e não esperar nem querer nada em troca além do bem estar daquele pequeno ser. Seu filho. E seja qual for o preço que tivesse que pagar um dia, Henry não pagaria por este preço. Você nunca mais deixaria nada nem ninguém separar vocês, nenhum dos dois precisariam estar sozinhos de novo. Ele tinha lhe dado uma chance então por quê não das a si mesma esta chance?
O mundo é um lugar incrível, onde cada suspiro pode representar uma nova descoberta curiosa para um bebê, e com ele não foi diferente. E a cada alegria de uma nova descoberta de Henry seu coração se aquecia, e você se era contagiada por aquela alma curiosa, quase tomada por um prazer tão grande quanto o dele. Cada evolução dele era um triunfo para seu coração cheio de orgulho por seu pequeno bebê especial. Não conseguia mais imaginar sua vida sem Henry e todo seu entusiasmo, não se lembrava mais como era chegar em uma casa vazia, sem tê-lo ali abrindo o maior dos sorrisos que lhe enchiam de ternura e erguendo os bracinhos em sua direção para ser acolhido, mesmo que as vezes quem mais se sentia acolhida quando o tinha em seus braços era você.
Henry era uma pequena coisinha valente já quando tinha apenas 2 anos. Os trovões e relâmpagos o apavoravam, então durante a tempestade você o deitava em sua cama encolhidos juntos entre as cobertas e o apertava com tanta força quanto cuidado cada vez que um lampejo rasgava o céu. Mas ele não parava quieto, apesar de se agarrar à você no momento lá estava ele, a cada intervalo de um raio para o outro se esgueirando até a janela e olhando para fora da janela com expectativa e curiosidade em seu olhar infantil, mas era só a próxima luz irromper para o céu que ele gritava e corria de volta para seus braços em busca de proteção. Era reconfortante saber que pelo menos alguém se sentia protegido por você, que alguém confiava em você. E você nunca vai esquecer a maneira como seu aperto era febril, e sua cabeça se aninhava em seu ombro, assim como se lembra que desejava que isso nunca mudasse, que por mais longe que um dia seu garotinho fosse ele sempre voltasse para se abrigar em seus braços para se sentir protegido. Que você nunca deixasse de ser seu porto seguro, assim como ele nunca deixaria de ser o seu.
Sua rejeição foi amarga. Mais do que qualquer outra que já tivera que lidar. Seu desprezo e desconfiança eram como se lhe ferissem fisicamente. Ele não era mais uma criança que precisava de você para tudo, nem tinha mais aquela idealização que as crianças tem sobre suas mães, admirando-as quase como um ser divino, mas além de toda a fase pré-adolescente que ele entrava, havia outras questões. Não poderia nunca lhe dizer a verdade; não Henry era justo, Henry era um menino bom – e você sabia o quanto se orgulhava disso -, e ele nunca a perdoaria, ele a odiaria, e você poderia lidar com o ódio de toda uma cidade, de todo um reino, de sua própria mãe, mas não de Henry, nunca Henry. Pelo seu amor você roubaria, mataria e mentiria. Mentiria até mesmo para o próprio Henry.
Emma Swansó serviu para abrir uma cratera onde antes já existia um espaço em sua relação com ele. Mais do que isso ela chegou para derrubar qualquer máscara, destruir qualquer mentira que você tentasse passou anos erguendo para se proteger. Para Henry, Emma era incrível apenas por existir, não importava se ela o havia abandonado, nem que nunca o procurara, ela estava ali sua outra mãe, a Salvadora. Enquanto você, mesmo que estivesse sempre ali, não parecia merecer sua afeição. Você era uma vilã no fim das contas, vilãs não mereciam a felicidade, e foi ingenuidade sua achar que a sua ao lado de seu filho duraria por muito tempo. Você já devia ter se acostumado nesse ponto da sua vida, afinal tudo o que você amou nunca foi poupado, sempre foi arrancado de você. Mas não desta vez, não ele. Não importava o que tivesse que fazer, Henry você não perderia.
O fim, era o seu fim. Só que foi pior porque era o fim dele. Não fazia sentido o mundo continuar ao seu redor, as vozes das pessoas, você ali de pé quando Henry estava ali deitado naquela maca, sem nenhum sinal vital, sem nenhuma esperança. Não havia ódio, não havia culpados, nem a quem vingar. A culpa era sua. Sua raiva e ciúmes cegos, sua disputa por seu amor, e ali naquela maca ele não poderia dar mais nada a nenhuma das duas à ninguém. O seu mundo havia acabado, então porque você ainda estava ali viva para chorar por seu filho enquanto ele estava imóvel naquela maca? Queria abraçar seu corpo, impedi-lo de ir, pedir-lhe perdão, mas seus pés eram incapazes de se mexer. Duvidava que fosse capaz de respirar sem que seu coração virasse pó como você literalmente já havia feito com tantos outros tantas vezes antes. Você só assistiu Emma Swan aproximar-se, tão perdida quanto ela, e nem naquele momento deixou de sentir inveja de seu amor puro, não como o seu que havia o destruído, havia destruído você mesma. Foi quando Emma Swan o beijou e ele abriu seus olhos verdes e se sentou na maca, respirando, cheio de vida mais uma vez, salvo pelo beijo da outra mãe, que você soube que nunca mais poderia odiar Emma Swan. Que por mais que ela tivesse vindo para salvar o final feliz de todos, salvá-los de você, a Salvadora tinha salvado você. E por mais que a verdade tivesse vindo a tona, que Henry agora lhe odiasse, ele estava vivo para fazê-lo.
Você desejou nunca mais experimentar a sensação da possibilidade de perdê-lo novamente, mas a vida nunca pareceu ser misericordiosa com você. Quando Henry arrancou seu próprio coração e o entregou para Pan, e a pequena besta saiu voando deixando o corpo de seu filho estirado no chão daquela caverna com seus pais biológicos, Regina Mills mais uma vez viu seu mundo desabar. Emma Swan estava do seu lado desta vez; talvez a mais próxima de compreender sua dor, mesmo assim tão distante. No entanto ela esteve ao seu lado, e tornou a missão de tê-lo de volta menos solitária, menos difícil. E quando vocês duas abraçaram um Henry vivo e à salvo naquele navio você soube que ela não era uma competidora pelo amor de seu filho; que ela estava ali não necessariamente para dividi-los, mas talvez para soma-los. Vocês estavam juntos de novo, e talvez não fossem mais vocês dois, e sim vocês três.
Você sabia o que tinha que ser feito. Tudo aquilo havia sido começado por você afinal, nada mais justo que fosse terminado por você. Sua culpa, seu preço. Seu sacrifício. Viu Emma Swan abraçada com seus pais, e não aguentou encarar a cena por muito tempo. Abrir mão daquilo que mais amava parecia ser ainda mais caro desta vez, já que por mais Emma Swan estava longe deste encargo, mas lentamente ela parecia estar ganhando sua simpatia, e por mais que você tentasse negar para si mesma sua afeição. O mínimo que ela merecia depois de tudo o que passara por sua causa era uma boa vida, uma nova chance de fazer as coisas certas com seu filho já que você não teria esta chance. Por mais que você fosse grata por ela permanecer e cuidar de sue bem mais precioso, por mais que tentasse ser altruísta com toda aquela situação pensar que seriam apenas os dois, e não mais os três – como já estava começando a se acostumar – era como se seu coração se fragmentasse dentro de seu próprio peito.
Ao abraçar Henry pelo que seria sua última vez você não pode deixar de pensar na primeira vez que o fizera; no bebê que cabia tão bem em seus braços e agora estava ali, crescido indo crescer ainda mais longe de você. Crescer até ultrapassar sua altura, até que um dia você coubesse em seus braços. Sempre idealizou futuros brilhantes para seu filho e era como uma facada no seu peito que você pensou cada coisa que ele poderia fazer, cada conquista que poderia alcançar, ou cada tombo que a vida lhe desse, e você não estaria mais por perto para torcer por ele, para apoiá-lo, ou apenas para estar ali e lhe falar o quanto amava e que sempre estaria ali, mesmo que não precisasse, mesmo que não quisesse. O bebê que havia se tornado um menino se tornaria um homem sem nem ao menos saber de sua existência, por mais que você tivesse certeza que não passaria um momento sequer sem lembrar-se dele. E por ele, sempre por ele você não se permitiu chorar, arriscou até mesmo um ou outro sorriso vacilante, mesmo que por dentro você estivesse destruída.
Greg poderia ter razão em suas palavras: Vilões não têm finais felizes. Você era uma vilã, você podia não ter seu, mas acima de tudo você era uma mãe. E por mais que você não tivesse seu final feliz, você faria de tudo, qualquer coisa para garantir que seu filho tivesse um. Sempre.
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