Março, 13. 04:45 da Manhã

-Apenas saia.

Isabella Swan estava sentada no chão do seu enorme quarto. Em posição fetal ela balançava para frente e para trás. Os olhos, uma cor de chocolate, estava vermelho, inchados e pareciam não enxergar nada a sua frente. Mas enxergava, mais do que queria. Os cabelos soltos e desgrenhados era um sinal do descuido consigo. Aqueles cabelos longos e marrons que encantavam e que voavam como em um comercial de shampoo. E no rosto uma expressão vazia, um rosto que há semanas atrás sempre exibia um sorriso de dentes brancos – com os dois dentes da frente um pouco maior que o normal. Pra falar a verdade, o sorriso estava sempre em sua face. Mas não neste dia, não neste alvorecer. Um vulto deixou claro que seu pedido foi atendido. Edward Cullen havia ido embora.

Março, 13. 01:21 da Madrugada

Bella estava parada no meio da rua. O asfalto molhado pela recente chuva, o cachecol voando e no rosto lágrimas escorriam como uma queda d’agua. A sua frente, na porta de entrada do Hospital Central de Phoenix, duas silhuetas estavam entrelaçadas. A mulher com os braços ao redor do pescoço do jovem que a beijava e que mantinha seus braços entrelaçados a sua cintura. Os dois mantinham-se alheios ao seu redor. Talvez pelo fato de a cidade estar entrando madrugada a fora e sem uma alma viva em frente ao Hospital, a não ser uma ambulância e claro, Isabella Swan, a moça chorosa. Assim que o casal se separou, a moça com um sorriso enorme no rosto e o jovem tomando consciência de que não estavam mais sozinhos. Ao reconhecer a companhia ele se afastou consideravelmente da companheira, dando três passos à frente, a boca abrindo em um O perfeito enquanto avançava em sua direção a mesma virou as costas e em cima de saltos saiu correndo sem se preocupar em cair, pelas ruas solitárias e úmidas onde uma brisa gélida passeava. O jovem, Edward Cullen emitiu apenas uma palavra:

-BELLA! E então, perdeu de vista sua noiva, a escuridão consumindo a silhueta feminina.

Abril, 09. 1º Andar do Condomínio Borboletário

-Bella, por favor! Você só está enfurnada neste quarto todos os finais de semana. E durante a semana sua rotina é a mesma: correr pela manhã, trabalhar a tarde inteira e a noite assistir algum filme, ler ou comer cookies. Por favor! Levanta! Viva! Por favor!

Alice Brandon estava de cócoras em frente ao sofá da amiga. Encarava seus olhos cor de chocolate – agora amargos. Sua amiga não expressava qualquer sinal de que a estava escutando. Olhava fixamente para a imensidão de azul dos olhos de Alice, mas não a escutava.

-Bella! Alice sibilou, não aquentando mais derramou as primeiras lágrimas e por fim se levantou. Caminhou até a varanda do apartamento de Bella, abriu a porta de vidro e deixou o ar frio adentrar a sala de estar. Estremeceu assim que ele tocou seu corpo, virou-se para a sua amiga, que usava apenas uma camisa de banda e derramou mais lagrimas ao perceber que a brisa não teve efeito nenhum em Bella. Não tremeu, não reclamou, não baixou a blusa e não se abraçou. Apenas continuo encarando o nada.

Abril, 09. Hospital Central de Phoenix

-Por Deus, Edward! Seu nome está sendo chamado no auto falante. Estão precisando de você no pronto-socorro. Edward!

O Dr. Benjamin falava sozinho. Ou quase sozinho. Edward Cullen estava com a testa apoiada na parede de um dos muitos corredores do Hospital Central de Phoenix, aspirando o cheiro de álcool, com os olhos fechados e as mãos em punho. Não conseguia se concentrar no trabalho e muito menos em si mesmo.

-Se mova.

Benjamin deu uma cutucada no amigo que se mexeu alguns milímetros, mas logo voltou a posição inicial. Apertando os olhos enquanto brotavam duas gotas cristalinas no canto dos seus olhos. Em um acesso de raiva, abriu os olhos, se afastou da parede e começou a socá-la. Benjamin assustado demorou a ter alguma reação. Por fim, ficou de frente para o amigo e segurou seu ombro, ganhando de bônus um soco no seu.

-PARE! PARE!

Gritou atraindo espectadores. Saiam pessoas dos quartos: médicos, enfermeiras, acompanhantes, faxineiros. Edward encarou o amigo. Os olhos verdes brilhando. De dor. Se soltou das mãos do amigo e correu atrapalhado até a sua sala. Pode enfim escutar uma voz fina e calma soar nos auto falantes.

-ATENÇÃO, DR. EDWARD CULLEN O PRONTO SOCORRO PRECISA DE SUA PRESENÇA. ATENÇÃO, DR. EDWARD CULLEN O PRONTO SOCORRO PRECISA DE SUA PRESENÇA.

O médico apenas ignorou o chamado. Esbarrou em diversas pessoas pelo caminho que assustados encaravam sua pressa, reclamavam ou chamavam por ele. Novamente ele ignorou. Chegou a sua sala, bateu a porta ao entrar e por fim gritou. Gritou com toda a força, colocando para fora toda a sua raiva, a sua dor, os seus lamentos.

Junho, 01.

Bella estava sentada junto dos amigos em uma mesa pequena, redonda e alta. Na sua frente um copo de caipirinha. E a três mesas o seu ex-noivo, acompanhado de amigos da faculdade. Continuava lindo, mas estava apagado. Seu olhar se concentrava em suas mãos acima da mesa, no seu dedo anelar direito uma aliança grossa de ouro. Em uma das conferidas pelo salão pouco iluminado ela encontrou Edward, ele não a viu. Mas ela sim. No palco um casal terminava de cantar uma música country e então o apresentador já estava estendendo o microfone e chamando o próximo para cantar. Relembrando toda a sua vida ao reencontrar o ex-noivo Bella decidiu que precisava cantar. Precisava colocar para fora. Então se ergueu das cadeiras altas e seguiu até o palco. Seus amigos a encararam surpresos e acompanharam seus movimentos. Escolheu a música e comunicou á banda. Com a cabeça baixa, o microfone na mão e o coração doendo ela começou a cantar.

When I first saw you, I saw love And the first time you touched me, I felt love And after all this time, you're still the one I love

Edward ergueu a cabeça assim que escutou aquela voz conhecida. no segundo verso sabia que aquela música era para ele.

Looks like we made it Look how far we've come my baby We might took the long way We knew we'd get there someday

Bella ergueu a cabeça e concentrou-se no par de olhos verdes que não conseguia ver direito, mas que sabia que estavam olhando para os seus. E manteve seu olhar. Encarando-o.

They said "I bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong

Edward se aprumou na ponta da cadeira e tentou decifrar se aquela música era alguma mensagem que Bella queria lhe passar. Talvez o tivesse perdoado. Ou então estava dando adeus para sempre.

(You're still the one) You're still the one I run to The one that I belong to You're still the one I want for life (You're still the one) You're still the one that I love The only one that I dream of You're still the one I kiss goodnight

Bella começou a falhar com a voz assim que começou a chorar. Apertou o microfone em suas mãos. Em sua cabeça apenas duas palavras que lhe acompanham e lhe pertubavam dia e noite: e se.

Ain't nothing better We beat the odds together I'm glad we didn't listen Look at what we would be missing

Definitivamente Edward compreendeu que aquela era uma mensagem. Tomando um gole de sua bebida ele se levantou e começou a caminhar em direção ao palco. Se era uma segunda chance ou não, ele não sabia. Mas precisava olhar para ela.

They said "I bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong

Bella observou quando ele levantou e a cada passo seu, a cada aproximação flashs de sua vida ao lado daquele homem explodiam em sua cabeça. Apertou os olhos assim que o rosto de Edward apareceu na claridade em frente ao palco.

(You're still the one) You're still the one I run to The one that I belong to You're still the one I want for life (You're still the one) You're still the one that I love The only one that I dream of You're still the one I kiss goodnight You're still the one

Edward a observou espremer os olhos e então parou. Talvez aquela fosse a despedida de Bella. A despedida dos dois. E de tudo que eles vivera juntos. Talvez aquelas lembraças se tornassem apenas momentos inesqueciveis do passado. De um passado que não poderia voltar.

Yeah... (You're still the one) You're still the one I run to The one that I belong to You're still the one I want for life (You're still the one) You're still the one that I love The only one that I dream of You're still the one I kiss goodnight

Bella por fim abriu os olhos e encarou bem de perto aquela imensião verde de quem sentiu tantas saudades. Já finalizando a música ela conseguiu sentir o peso que carregava, a dor, a frustração, a desesperança, a amargura, a infelicidade, a depressão e todas as coisas, pensamentos e sentimentos ruins que um fim de relacionamento como aquele em que ela viveu por 07 anos poderia despertar quando ele chega ao fim. Ela se sentiu livre.

I'm so glad we made it Look how far we've come my baby

Edward por fim entendeu. Era um adeus em que Bella estava agradecendo por todas as coisas maravilhosas que os dois viveram juntos, mas que não teria volta. Ele sabia que havia destruido o centro vital dos relacionamentos onde se encontrava a energia que movia tudo: a confiança.

Os dois continuaram se encarando enquanto a banda finalizava com a melodia. Bella deu um sorriso e recebeu outro em troca. O dela carregado de alivio, o dele admirado com o sorriso dela.

-Eu te amo. Edward sussurou.

-Eu te amo. Bella sussurou de volta.

Foi ao encontro do apresentador, entregou o microfone e desceu o palco sob aplausos dos espectadores. Edward acompanhou enquanto ela voltava para sua mesa e recebia os elogios dos amigos.

Ele deu as costas, passou direto por sua mesa e saiu do clube para o leve chuvisco da noite. Ela tomou um gole de sua bebida e sorriu.

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