You don't look well, dear.

3 Memories Trapped In Photographs


Notas iniciais
AVISO IMPORTANTE! Eu avisei no outro capítulo que estava (e estou!) adicionando GIFs durante a história. Mas não havia percebido que pelo site somente aparece um GIF por capítulo, enquanto no app da Nyah aparecem todos. Por esta razão, vou adicionar todos os GIFs como imagem, pelas pessoas que leem pelo app, mas deixar o link registrado logo abaixo, para aqueles que leem pelo computador! Desde já, muito obrigada por acompanharem! Espero que gostem do capítulo.

Durante o percurso, Graham tentava ignorar as perguntas constantes em sua mente, sabendo o quanto a Rainha costumava rejeitar qualquer tipo de invasão aos seus problemas pessoais. E mesmo que aquela não fosse a mesma mulher de antes, ainda sentia que precisava respeitar seu espaço, simplesmente porque ela parecia precisar.

O frio estava cortante, e o caçador abraçava o próprio corpo a fim de afastá-lo. Assim que percebeu, Regina sugeriu devolver o casaco, mas foi logo negado. Havia um cavalheirismo inquebrável em Graham, que não deixaria uma donzela passar frio numa noite como aquelas.

Logo chegaram a Rua Mifflin, Nº 108, na Mansão da prefeita. Pararam à porta, enquanto Regina procurava a chave reserva embaixo do tapete, afinal seus pertences haviam ficado no casaco. Graham, por sua vez, percebendo a dificuldade dela, foi até um vaso ao lado da porta, pegando a chave escondida na planta. A mulher volta a postura anterior, o olhando com uma face questionadora, com sua sobrancelha arqueada.

— Você nunca usava essa chave. Somente fez uma reserva porque eu pedi. — o homem começou a se explicar, andando até ela e lhe entregando a chave. — Um dia ventou bastante e seu tapete voou pela rua. Da última vez que precisei da chave, escondi num lugar melhor. — após se dar conta de que se referia a um dos encontros escondidos deles, há anos atrás, pigarreou para poder espantar o constrangimento causado.

— Eu posso te fazer um chá? — disse Regina, assim que a porta se abriu. Percebendo que ele negaria, se adiantou: — É, literalmente, o mínimo que eu posso fazer por você agora. — a culpa do passado foi presente em sua voz, tão presente que fez o caçador aceitar, adentrando na casa de Regina.

Caminharam juntos e em silêncio até a sala. Por mais que ali dentro estivesse um pouco menos frio que nas ruas da cidade, Regina sabia que Graham não tivera uma caminhada confortável pela falta do casaco. Por esta razão, pegou um acendedor elétrico e abaixou-se na altura da lareira, tendo uma certa dificuldade para acendê-la manualmente.

O olhar de Graham era confuso sobre si. Possivelmente se perguntava porquê ela fazia aquilo sem o uso da magia, se podia simplesmente acender uma bola de fogo com as mãos e resolver o problema em poucos segundos.

Percebendo isso somente ao olhá-lo, Regina levantou-se após acender a lareira e colocou o acendedor de volta ao lugar.

— Toda magia vem com um preço. E acender uma lareira com magia, por mais simples que seja, só vai deixar minha dívida ainda maior. — Regina se explica num tom suave, aproximando-se dele. Tira o casaco que estava sobre os ombros e entrega nas mãos dele. — Estou tentando… diminuir os danos. — finaliza com um sorriso de canto. — Obrigada por isso. — diz sobre o casaco. O caçador tenta retribuir o sorriso, mas não conseguia retirar a expressão de surpresa do rosto.

O cômodo logo começava a esquentar, deixando Graham mais aquecido após a caminhada. Regina pede licença e se retira, indo até a cozinha. Coloca a água na chaleira e, por mais que tivesse um tempo até a água ferver, resolve esperar para ter alguns minutos sozinha. A companhia de Graham na caminhada, por mais agradável que tenha sido, ainda a fizera censurar as próprias lágrimas contra a própria vontade. E naqueles poucos minutos sozinha, se deixou chorar um pouco mais.

Graham, por sua vez, andava inquieto pelo cômodo. Percebeu que, por mais que os móveis não tivessem mudado nem mesmo de posição, a decoração estava diferente. De certo modo dizia que aquela mulher havia se permitido receber pessoas em sua vida, pois haviam fotos de pessoas diferentes sobre sua lareira.

Reconheceu Henry de imediato, desde as fotos de quando era mais novo quanto as mais atuais. Também conseguiu identificar uma foto da mãe de Regina, Cora. Não havia visto muito da mulher, mas era bastante surpreendente vê-la sorrindo no retrato, diante do que havia escutado.

Havia um retrato de uma ruiva, que logo reconheceu como a mulher que acompanhou Regina ao Granny’s. As duas sorriam para a câmera, e estranhamente tinham um sorriso muito similar, apesar das notáveis diferenças no restante da fisionomia. Pegou a fotografia em mãos e analisou por alguns instantes, tentando puxar na memória sobre aquela mulher. Mas não se lembrava de vê-la no castelo da Rainha, tampouco durante a maldição.

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Incapaz de lembrar-se da ruiva, passou a analisar as demais fotos. Havia uma de Regina com Emma, Henry, Snow e David, sentados numa mesa do Granny’s. Todos sorriam, mas nenhum olhava para a câmera. Era como se a foto tivesse sido tirada de surpresa. Ver uma foto tão casual num porta retratos da casa de Regina o fez questionar o peso daquela fotografia para ela.

E bem ao centro havia uma bela foto, com uma pluma de uma flecha encaixada na moldura e uma rosa na frente do retrato. Havia uma criança com um belo sorriso, usando um gorro de lã e olhando para a câmera. Beijando suas bochechas estava Regina, de um lado, e um homem que ele não conhecia do outro. Era engraçado como uma fotografia podia transmitir felicidade somente de olhá-la, pois quando se deu por si, Graham sorria para a foto, como se capturasse o momento.

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Na cozinha, Regina adoçou os chás e os colocou sobre uma bandeja, levando até a sala. Encontrou Graham parado na frente da lareira, olhando as fotos. Engoliu a seco, sentindo-se exposta. Ali, naquela pequena estante sobre a lareira, havia partes importantes de sua vida. Julgando pelo fato de que Graham havia perdido os últimos acontecimentos devido a própria morte, aquelas fotos eram como se o pegasse lendo seu diário, expondo o próprio passado.

O som da bandeja com os chás sendo colocados sobre a mesa de centro chamou a atenção do caçador, e logo foi tirado do foco, olhando para trás e encontrando a prefeita sentada no sofá.

— Dois cubos de açúcar, certo? — Regina questiona sobre o chá, recordando-se exatamente como ele gostava da bebida. Recebeu apenas uma confirmação breve.

Graham assumiu uma postura rígida, como uma criança quando é pega fazendo algo que não deve. Não poderia ser diferente. Havia sido pego analisando os detalhes da vida dela através das fotos. E agora, todo respeito que tivera na caminhada para não enchê-la de perguntas, havia perdido para a curiosidade crescente diante das fotografias.

— A mulher que entrou com você e Henry, hoje mais cedo… Creio que não a conheço. Estou certo? — questionou o caçador, tentando ser o menos invasivo possível, enquanto pegava sua xícara de chá, adoçado perfeitamente. Pôde ver Regina tomar um gole do próprio chá, sem açúcar como ele bem se lembrava, de maneira a prolongar a resposta.

— Seu nome é Zelena. — iniciou a resposta, colocando a xícara sobre a mesa e cruzando as pernas, tentando assumir uma postura menos tensa. — Ela é minha irmã. Meia irmã, na verdade. — tratou de corrigir rapidamente, e acabou dando uma risada com a expressão que assistiu se formar no rosto de Graham, completamente confuso. — É novidade pra mim também, pra deixar claro. Não sei dizer quando nossa guerra terminou e nossa amizade começou, mas estamos tentando recuperar o tempo perdido. — dizia tudo com um sorriso leve nos lábios, ao lembrar-se da sensação morna que era ter sua irmã ao seu lado.

— Perdão. Eu acho que não entendi direito. Você disse guerra? — Graham inclinou a cabeça para o lado, demonstrando fisicamente o quanto aquela conversa não parecia ter base alguma. Isso tirou mais uma risada de Regina, que simplesmente deu de ombros.

— Prometo te contar esta parte com mais detalhes. Mas talvez com Snow e David por perto. Digamos que eles, assim como eu, tiveram uma experiencia nada agradável e muito pessoal com minha irmã. — disse referindo-se a quando o casal acabou contratando Zelena para ajudar Snow a lidar com a gravidez, sem saber do interesse da ruiva em usar o bebê de Snow como ingrediente no portal do tempo.

— Certo… — disse apenas assentindo a cabeça, e tomando outro gole da bebida, absorvendo as informações recentes.

Apesar da chuva de informações sobre a mulher ruiva, havia se intrigado demais sobre a foto do homem com a criança. Mas se sua intuição estivesse certa, a mera insinuação ao homem poderia deixá-la mal, e fazer com que saísse da sala como fez no Granny’s, minutos atrás. Por isso reprimiu a pergunta, mantendo-se um tanto inquieto, ainda em pé de frente a lareira.

— O que quer saber? — questiona Regina, percebendo a inquietação do caçador. Ele tenta negar, mas ela levanta uma mão em sinal de silêncio. — O que quer saber? — questiona novamente, desta vez vendo-o menos inquieto, agora que sabia que sua dúvida seria sanada. O viu respirar fundo, para então apontar para a foto sobre a lareira, aquela com o homem e a criança.

— Este é Robin Hood? O cara que citaram antes de você sair do Granny’s? — disse de uma vez, como se dizer mais rápido pudesse amenizar os danos. Percebeu que não funcionaria no momento que ela abaixou o rosto e fechou os olhos. Assistiu uma lágrima solitária descer por seu rosto, sendo logo censurada pela mulher, que passou o dorso da mão sobre a bochecha e pegou a xícara de chá, bebendo um gole como se para esconder o próprio rosto. Parecia tomar força ou coragem.

— Por que não se senta? Isso pode demorar um pouco… — deu duas batidas leves no espaço vazio ao lado no sofá, que prontamente foi ocupado por Graham. Ele segurava a xícara numa mão e o casaco em outra, e seu olhar estava preso no da rainha.

Era como se ela prolongasse a resposta, tentando adiar ao máximo até que Graham desistisse. Mas ele poderia admitir em voz alta se ela questionasse: Era de extremo interesse compreender como a mulher que o torturou e manipulou por anos, havia se tornado o que era agora. Não era o tipo de coisa que acreditaria se escutasse de outra pessoa. Precisava ver com os próprios olhos para perceber que a Rainha Má já não era a melhor definição para Regina Mills.

— Sim, ele é Robin. — confirmou depois de um tempo, agora desviando o olhar dele, focando-se na fotografia sobre a lareira. — Ele era… — tentava encontrar as palavras certas, para então sussurrar: — Amor verdadeiro. — confessou, deixando mais uma lágrima cair, desta vez deixando-a livre, sem censuras.

— O que houve com ele? Vocês terminaram? — a pergunta foi feita rapidamente, mas de modo mais cuidadoso. Resistiu a vontade de acolhê-la, como fez por muitas vezes durante a maldição, quando a via chorar pelas fugas do filho.

— Gostaria que sim. — respondeu a mulher, com a voz meio trêmula. Parecia perdida olhando para o porta retratos, demorando para responder por estar presa na própria mente. — Eu o perdi para a morte. Ele se sacrificou para salvar minha vida. — virou o rosto para Graham, olhando-o com os olhos avermelhados. — Eu gostaria que fosse tão simples como um rompimento de namoro… — tentou dizer com a voz o mais suave que pôde, mas simplesmente não conseguiu conter o tom trêmulo.

— Mas eu voltei da morte. Ele também pode. — disse o caçador, naquela maldita mania de esperança inquebrável que tinham os heróis daquela cidade.

— Como eu disse, gostaria que fosse tão simples. — tentou dar um sorriso conformado com a situação, antes de prosseguir. — Infelizmente meu preço à magia foi alto o bastante para não conseguir reverter a situação de Robin… É como esse esquema de dívidas com a magia tivesse cobrado de uma vez, mas afetando alguém que não merecia. — percebeu o quão complicado era para ele entender, e num impulso, segurou a mão de Graham num sinal de conforto, tentando mostrar que estava bem, apesar de claramente não estar. — O jeito que ele morreu… Não houve submundo para ele, nem uma passagem para algo melhor ou pior depois desse. Ele se perdeu para sempre. E tudo que restou foram as lembranças. — as últimas palavras foram ditas num sussurro doloroso, recolhendo a mão para si. Lembrava-se das vezes que Graham a confortou, por ser o xerife da cidade e amante da prefeita. Resistir aos impulsos de buscar estes confortos era uma tarefa difícil.

Mantiveram-se em silêncio por mais um tempo. Ela tentando manter-se forte, e ele tentando absorver tudo aquilo. Nunca teria imaginado que Regina tivesse encontrado o amor verdadeiro. Percebeu que mesmo após anos a odiando, não desejava que ela perdesse algo tão forte. Mas como ela havia dito, tinham muitas dívidas a serem pagas. Quem sabe agora elas tivessem acabado.

Regina voltou a colocar a xícara sobre a mesa, fechando os olhos e contando até dez em sua mente. Era um pequeno truque que Archie Hopper, o Grilo Falante, havia lhe ensinado nos dias que ela frequentou seu consultório terapêutico em Storybrooke. Ajudava a manter a calma, e principalmente o controle.

A mulher sabia que ainda haviam perguntas pela frente, e pensava consigo mesma se seria capaz de respondê-las sem demonstrar fraqueza. Em momentos como aquele, duvidava da própria resiliência, mesmo sabendo que possuía o coração mais resiliente de todos.

— O garoto na foto, entre você e Robin Hood. — disse Graham com certo cuidado. — Ele é o filho que tiveram juntos? — sua voz era baixa e suave, e estava disposto a ajudá-la a suportar as mágoas que sua pergunta causaria. Imaginava que a dor de perder um amor fosse grande, mas não desejava a ela a dor de perder um filho. Mas surpreendentemente, escutou uma risada. Era chorosa, mas ainda era uma risada.

— Não. Roland, o garoto, é filho de Robin com sua falecida esposa, Marian. — explicou-se com um sorriso de canto. Lembrou-se que ele não sabia de uma parte importante de seu passado, talvez por isso tivesse pensado que Roland pudesse ser seu filho. — Mas eu o amo como um filho. — confessou, talvez pela primeira vez em voz alta, com um sorriso sincero e belo. Sentia tanta falta do garoto, de sua risada infantil ecoando pela casa, e dos constantes pedidos por sorvete “Rocked Road”.

— Ele também… — simplesmente não teve coragem de completar. A foto na lareira parecia recente, e imaginar que uma criança daquela idade tivesse morrido lhe causava arrepios.

— Não! — tratou logo de corrigir. Nunca se perdoaria se Roland morresse, ainda mais se fosse por sua causa. Uma alma inocente como a dele merecia o melhor tipo de vida. Eterna, se possível. — Ele voltou para a Floresta Encantada. Está sendo criado por um amigo de confiança de Robin. — deu um sorriso de canto ao lembrar-se do garoto. Era tão triste não ter tido a chance de se despedir, mas sabia que ele estava melhor na Floresta do que ali entre perigos eminentes.

— Entendo bem. Só pensei que, como Henry foi adotado, teria como oportunidade esse relacionamento para ter um filho biológico. — comentou, lembrando-se de como foi bem para a Rainha quando adotou Henry. Como resposta, inicialmente ganhou uma risada baixa, vendo-a fazer negações com a cabeça.

— Eu não posso ter filhos. Podia, mas… É complicado. Posso te dizer que é mais uma das coisas que me arrependo de ter feito, e que simplesmente não posso mudar. — acabou por se abrir, e ao olhar Graham, deu uma risada baixa com sua expressão. Parecia “fazer contas” em sua mente.

— Bom… — iniciou, franzindo a sobrancelha. — Isso explica muita coisa. — disse sobre as tantas vezes que foram para a cama juntos, sem proteção alguma. Por vezes ia dormir imaginando o que aconteceria com ela caso uma maternidade chegasse. Mas essa informação sobre ela não poder ter filhos teria lhe poupado muitas noites acordado.

"Bom... Isso explica muita coisa".

(https://pmchollywoodlife.files.wordpress.com/2015/05/dornan7.gif?w=245&h=250)

Acabaram por rirem juntos com esse último comentário dele, numa risada que se mesclava em seu som agradável, que se completava de alguma maneira. Graham não admitiria em voz alta, mas após assistir tantas lágrimas no rosto da rainha, era bom vê-la sorrir. Percebeu que não havia assistido tantos sorrisos quanto aquele ao longo dos anos. Talvez tanto quanto viu as lágrimas. Sempre direcionados a Henry.

As risadas foram acabando aos poucos, sendo substituídas por um silêncio confortável. Graham termina seu chá, sentindo-se agora não apenas aquecido por fora, mas por dentro também.

Ficaram se olhando por alguns segundos, como se um analisasse o outro mas sem julgamentos. Somente tentando conhecer melhor daquela maneira. Afinal, conheciam-se muito bem. Graham vivia na cama de Regina, apesar de ser contra a própria vontade. Mas ainda eram completos estranhos um para o outro.

— Você mudou. — diz Graham de repente, num sussurro acompanhado de um sorriso torto. Recebeu da rainha o sorriso mais doce que vira daqueles lábios.

— Eu sei… — sussurrou ainda sustentando o sorriso. Contudo sua fala não foi nem um pouco esnobe ou egocêntrica. Ela apenas admitia algo que tinha muito orgulho nos últimos tempos.

Passaram novamente por aquele silêncio tranquilo, mas que dessa vez não durou muito. A rainha logo finalizou a bebida e colocou as xícaras sobre a bandeja. Dá um sobressalto em seu lugar, parecendo se lembrar de algo.

— Tenho algo pra você. — disse antes de se levantar, retirando-se da sala.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar, e de dar sugestões se tiverem! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.