You came back
24 Vigésima Terceira Parte.
Notas iniciais
POV Castle:
Nossas brigas e discussões engolidas, não nos faziam bem, era como se tentássemos conviver próximos a uma bomba, que uma hora explodiria, e nós? Ficaríamos nos escombros. Ou talvez, isso tudo queimaria como aquela paixão de anos atrás, a mesma que permanece viva quando nos encontramos aquela que fala mais alto a cada breve contato, aquela que deveria ser apenas uma lembrança, a que nos deu Johanna.
Adentro o apartamento de Kate e percebo que nada mudou desde a última vez que estive ali, isto definitivamente não foi quando iniciamos aquela pintura que resultou em algo completamente nosso. Este dia, apesar de ter nos reconectado, não me permitiu ir muito além, fiquei apenas pelos lugares considerados não-convidativos da casa.
Carrego Johanna em meus braços e deposito-a no centro da cama, e o quarto de Kate, está meticulosamente igual a como estava há seis anos. Kate cuidadosa como sempre, à cerca de travesseiros visando a proteção de Johanna, por alguns minutos fico a admirando dormir como um anjo. Ela ficava tão tranquila perto da mãe. Elas tinham uma ligação inexplicável. E o tempo só fazia fortalecer isso.
— Ela está crescendo – me afastei um pouco e quebrei o silêncio, tentando iniciar um diálogo que nos levasse em algum lugar que não fosse perdidos dentro de nós mesmos.
— As coisas não foram muito fáceis para nós, não é? — desvia o foco, e o olhar também.
— Você está certa – dou seguimento.
— E também saíram um pouco do nosso controle. É como se tivéssemos feito um emaranhado de coisas que não eram certas e ao mesmo tempo, todas essas coisas — ela faz um vai e vem entra eu e ela — nos levaram até ela, o que é como se tivéssemos feito tudo certo.
— É – fui monossilábico e talvez tenha soado um tanto quanto despreocupado.
— É. Foi completamentecerto. – ela não parecia ter gostado da minha resposta. –Bem Castle, nós precisamos dormir, amanhã ela tem escola e bem, eu preciso ir ao precinto.
— Você precisa... — aponto para a minha filha que dorme tranquilamente na cama dela — digo... De ajuda? Quer que eu a leve para a escola?
— Você sabe que não, Castle — ela fez um movimento com a cabeça que eu posso apostar já ter visto em todos anos que eu passei respirando próximo ao seu cangote.
— Eu sei, é aquela coisa especial de mãe e filha, não é?
— Isso. Nosso tempo. Um pouco do que nos foi tirado – a voz dela estava carregada de mágoa. Aquele encontro anterior, com o fulano, desestabilizou nossa relação e acabou com qualquer progresso que estávamos tendo. Salvo momentos de fragilidade, Kate evitava retirar a guarda. E aquele muro estava lá novamente, com estruturas abaladas e milhares de experiências sobre ele, mas ele insistia em evitar qualquer tentativa de aproximação, ao menos as minhas.
— Sei bem. Então, é... Eu já vou indo – disse sem saber muito bem como agir.
— Se não nos vermos mais, boa viagem! E não se preocupe com ela – disse recostada no batente da porta com os braços cruzados, como sinal de apatia.
— Eu vou até a escola me despedir – avisei.
— Você pode e sabe disto — soou obvio — Não é como se eu fosse te impedir.
Eu faria uma viagem, coisa de três ou quatro dias, mas estava em pânico, era a primeira vez que Kate ficaria com nossa filha desde que tudo aconteceu, a primeira vez que seria mais de um final de semana. Kate teria que cuidar, alimentar, levar e buscar na escola por ao menos três dias, isso sem contar o final de semana. Desde que ficamos juntos, raras haviam sido as folgas dela. Não sabia como ela conseguiria e queria poder ajudar, contudo, sabia que ela seria a pessoa mais qualificada para ficar com Johanna. Ela é a mãe e sei que daria o máximo para isso dar certo, como já o fazia. Kate me garantiu que ajustaria seus horários e assim conseguiria dar conta. Não sabia se ela estava preparada, mas ainda assim, confiava nela, de olhos fechados.
Dei meia volta — Kate, você não precisa... – disse a caminho da saída e fui interrompido.
— Está tudo certo, Castle. Eu acho que ainda sei como alimentar e cuidar de uma criança — respondeu despreocupada. — Nós ficaremos bem.
— É que bem... – pausou – faz um certo tempo que somos somente eu e ela.
Respirou fundo, contendo todo seu nervosismo e respondeu um pouco fria – Agora ela me tem por perto. Você não precisa se preocupar mais.
— Eu quero.
— Afastá-la de mim novamente?
— Não é como se eu já tivesse feito. E não, você sempre entende tudo errado.
— É melhor pararmos por aqui – afirmou segurando a mochila de Johanna e se despedindo de mim, que fiquei sem palavras para evitar minha ida – Tchau, Castle.
Eu não tinha o que brigar, eu fui inescrupuloso quando encontrei ela com o tal cara, mesmo não estando com ninguém, sempre apareciam algumas mulheres para me cercar e não seria certo me descontrolar quando fosse a vez de Kate se unir a alguém. Sempre a respeitei e naquela ocasião, eu certamente havia feito tudo, menos respeitar a mãe da minha filha. Fazendo isso, a Kate sensata, carinhosa e segura, foi substituída pela Kate insensata, fria e insegura. Totalmente insegura. Era como se tivesse medo do que eu pudesse fazer, como se não quisesse mais se jogar na linha de combate, evitava falar, principalmente comigo. Qualquer assunto que não fosse relacionado à Johanna parecia inacessível. Mesmo quando ela andava por um caminho descontraído, insistia em voltar para a estrada anterior, ela considerava um sorriso ou uma ligação descontrolada, um desleixo sem perdão existente. Talvez fosse melhor não insistir. Sabia que pressioná-la podia fazer com que ela corresse e se escondesse ainda mais. Era tudo que não queria.
— É... — fiquei sem jeito — claro que sim. Boa noite, Kate!– Ali, eu não soube controlar meus instintos. Depositei um beijo em sua bochecha e, de maneira atrapalhada sai tropeçando em tudo e arrancando um riso disfarçado dela. Afinal, para ver aquele riso, mesmo com o canto dos olhos, isso valeu a pena. Seria inconcebível não cometer aquele grande pecado, porque ela é, certamente, irresistível. Mesmo quando não tentava ser, mesmo quando este tornado reiterava sua participação em nossas vidas, ainda assim, Kate Beckett sabia como ser extraordinária. E fazia isso sem algum esforço eminente.
***
POV Kate
Noite? Não existe noite quando se tem uma criança em casa. Ela tomou conta de todos os cantos da cama, quase que como um conteúdo se move em um liquidificador, Johanna insistiu em movimentar aquele pequeno, espaçoso e lindo corpo por cada segundo da última noite, espalhando-se, como se fosse um alimento se espalhando em um triturador. Só podia ser nossa filha mesmo. A pequena Kate Beckett tinha o hábito de expulsar o pai da cama, então não há nada mais normal do que isso. Com Castle, as coisas só mudaram devido a sua cama que cabia dois de nós.
— Bom dia, bebê – passei a mão por toda a superfície de suas costas enquanto ela coçava os olhinhos.
— Hm – resmungou – eu não sou bebê, mamãe – ‘mamãe’ era a palavra que eu mais gostava de ouvir de umas semanas para cá.
— Não é como se você já estivesse do meu tamanho.
— Estou quase. – Disse já deitada sobre meu peito.
— Claro. Deve ser. – Sorri e a incentivei em acordar.
— O papai vem me buscar?
— Não amor. Você lembra que conversamos com você? Sobre a viagem do papai?
— Aham – ela acenou com a cabeça — vamos ser só nós duas — suspirou.
— Você não gostou da ideia? — disse temendo a resposta.
— Gostei mamãe.
— Então qual o motivo desse suspiro?
— Queria que o papai estivesse aqui com a gente. Tem espaço demais nessa cama.
— Ah, mas você ocupou todinha nesta noite — disse gozando dela.
— Não, não — ela disse mexendo o dedinho em sinal de negação.
— Sim, sim — respondi a enchendo de beijos — Então. Hoje eu sou sua motorista particular. Pra onde vamos senhora?
— Pra escola! — ficou em pé sobre a cama e ergueu os bracinhos alegando extrema felicidade.
— Hoje o dia é só nosso, bebê.
— E depois da escola, mamãe?
— Depois eu vou te buscar, vamos almoçar e você vai passar o dia no trabalho comigo. Você vai adorar. -Disse, claramente mais animada que ela.
— Eu tenho certeza.
— Então sua sabe tudo, vai já para o banho. – Saltei para seu lado e fiz cócegas nela, a retirando da cama.
— Para mamãe – os gritos finos e descompassados que tiravam seu fôlego saiam acompanhados de risadas desesperadas e pernas desequilibradas, enquanto ela tentava se desvencilhar dos meus ataques.
— Isso vai ter troco mamãe – disse vermelha e com um sorriso no rosto.
— Vai sim. Mas agora, já para o banho! – dei um tapa leve em sua bunda e ri.
Enquanto Johanna tomava banho, eu preparei seu café da manhã. Eu estava absolutamente desacostumada. Um copo de café e meu dia iniciava com um amontoado de positividade. Mas ela, não poderia manter uma criança por tantos dias, somente com café. Por isso, uns dias antes, eu comprei o necessário para ela e para mim. Acompanharia minha filha. Aliás, desde que ela passou a frequentar minha — nossa – casa, eu tenho certeza de que o ambiente está infinitamente mais agradável e abastecido também – ri com meus pensamentos.
— Mamãe, mamãe, mamãe – vi pés pequenos, empalidecidos e gordinhos marcando o assoalho e uma figura minúscula apareceu na cozinha, com o corpo enrolado à toalha e os cabelos molhados, preenchidos pela touca que sustentava orelhas de um panda em sua superfície externa.
— Não corre bebê – gritei ainda um pouco distante dela.
— Eu não estou mamãe, só estou andando em alta velocidade – disse se aproximando da mesa.
— Uhum. – Evitei gargalhar para não intimidá-la, mas a cena e a maturidade era engraçada – O que você quer?
— A minha roupa, ué. – ergueu os braços e revirou os olhos – Nós estamos atrasadas mamãe.
— Ah, estamos?
— Estamos. Quando o ponteiro chega no 6, é porque faltam 15 minutos para sairmos.
— Espertinha você. Mas não há com que se preocupar, estamos mais perto da sua escola e por isso podemos sair mais tarde – sorri à acalmando.
— Ah bom – deu de ombros e sentou-se à mesa trajando apenas a toalha.
— Não mesmo. – ri — Vai se vestir garotinha! – Sorri e a peguei no colo, encaminhando-a para o quarto e auxiliando na vestimenta do uniforme da escola.
— Mamãe, você acha que o Bubble está sentindo a minha falta?
— Ele podia ter vindo – disse enquanto vestia a blusa nela.
— O papai disse que você não iria gostar.
— Ele não sabe de nada — pisquei.
— É – suspirou – não sabe mesmo.
— O Bubble tem a sua avó, bebê.
— É, mas ela não é a mesma coisa que eu, mamãe. – Parecia óbvio que não.
— Mas ela gosta muito de você e por isso o Bubble vai ficar bem, mesmo que Martha não tenha aquela paciência, ele vai permanecer vivo, acredite. – Afirmei — Você não precisa se preocupar quanto a isso. Mas se você quiser, a gente pode buscar ele no final de semana.
— Hm, – ela resmungou e mordeu o lábio. Era um clone, só podia, eu havia sido clonada, estava certa quanto a isso. – eu acho que não.
— Então tudo bem. – disse em resposta – Que tal agora, nós terminarmos de nos arrumar.
— Você já está arrumada, mamãe.
— É, mas a mocinha aqui não. – A incentivei a calçar o sapato e assim, concluir o que iniciamos mais cedo.
— Mamãe! – Chamou quando nos encaminhávamos para a cozinha e eu a dei atenção. – O que aconteceria se a terra fosse invadida por extraterrestres? – eu não consegui conter e comecei a rir.
— O que você acha que aconteceria? – perguntei enquanto servia um copo de leite para ela. O que foi claramente recusado, ela me pediu café, o que claro, eu servi.
— Não se acostume com isso – apontei para o copo de super-herói com café — é somente esta quantidade por dia, você nem poderia ingerir isso.
— Eu acho que eu mereço – sorriu com o azul do donuts entre seus dentes — Mas sobre os extraterrestres, — voltou ao assunto, definitivamente me ignorando — eu acho que eles abduziriam todo mundo – ponderou — Mas deixariam dois humanos e eles casariam e criariam uma nova família.
— Mas então eles voltariam depois – questionei enquanto ela mastigava outro donuts. Era um dia especial, pedia donuts. Ou talvez eu só quisesse mimá-la um pouco mais. Não poderia haver algo errado nisso.
— É talvez.
— Eu acho que seu pai está te deixando muito próxima da televisão – vestia um casaco nela, enquanto ela continuava a mastigar o doce.
— Não está não, mamãe, eu só sei das coisas – ela sorriu e colocou sua mochila nas costas e pegou seu copo de café. A cafeína a movia, com sete anos. Mas um copo pequeno seria o suficiente para a minha pequena viciadinha em cafeína
— Tá bom. Agora, você não está esquecendo de algo?
— Escovar os dentes – disse revirando os olhos.
— Não faz essa cara pra mim, garota. Você ainda vai me agradecer por isso – gargalhei.
Arrumamos nossas coisas e encaramos mais um dia frio, em companhia uma da outra. E eu que há anos eu não sabia como era estar acompanhada de alguém, não podia estar melhor. Ainda mais levando em conta quem era esse alguém.
— Mamãe?
Estava certa de que mais um monólogo estava prestes a começar. Afinal, suas conclusões eram tiradas sozinhas, ela sempre sabia de tudo. Perguntas retóricas eram o seu forte e isso me lembrava Castle, assim como aqueles olhos que não permitiam um segundo sequer que eu esquecesse tudo pelo que passamos e como as coisas estavam agora. De repente, um calafrio me atingiu e eu tive certeza de que o meu medo de me machucar, machucar Johanna e ainda perdê-la, era maior do que qualquer sentimento que eu pudesse nutrir por Castle.
***
Chegamos à escola, depois de milhões de diálogos complexos, questionamentos difíceis de serem respondidos e muita música infantil no rádio do carro, eu definitivamente não queria mais ouvir falar de “A Bela e a Fera”, esse definitivamente havia passado de meu desenho favorito, para o com a trilha sonora mais grudenta e irritante. Passaria a manhã cantando os clássicos do musical e espantaria diversos suspeitos com isso. Ninguém que não seja pai ou mãe aguenta por tanto tempo essa fixação das crianças por uma só música ou um só desenho animado, por sorte, Johanna tinha vários outros favoritos. Mas não naquela manhã, aquele era o dia de ser mãe e suportar a canção que fosse e ah, sem esquecer-se de cantar junto. Ela exigia. Ela tinha claros poderes de liderança. Definitivamente o Castle devia se ver às turras com isso.
Chegamos à escola, e pela primeira vez – eu me sentia uma novata em tudo que tinha relação com ela – eu conversei com a diretora da escola. Ao que parece as notas da minha filha não estavam muito boas. Mas isso não era um problema, segundo a diretora. A mulher, que devia ter uns 50 anos e era a simpatia em pessoa, me explicou que meu bebê sempre teve certa dificuldade com matemática, em contrapartida, disse que Johanna se sobressaia sobre os demais alunos quando o assunto eram as letras. Certamente, filha de um escritor com a garota que perdeu o baile de formatura para ir a uma competição de poesia, não poderia ser diferente. Acordamos que Johanna melhoraria as notas, e que isso não dependeria apenas de mim, para essa missão fomos designados eu e Castle, e para que tudo ficasse bem, teríamos que nos esforçar para convivermos por mais horas em um mesmo ambiente.
Deixei meu telefone no cadastro da Johanna e a diretora me incentivou a procurar o terapeuta da minha filha para sabermos como lidar com as notas. Mesmo isso não sendo uma reação a minha volta. Seria bom ter alguém com quem contar. Um cúmplice além de nós mesmos.
— Bom dia, bebê! – Sussurrei assim que passei pela porta da sala de aula. Em troca, ela acenou e sorriu. Estava certa de que meu dia começaria bem. Era uma certeza que nem o café seria capaz de me fornecer.
***
— E que tal se o tempo todo ele estivesse no deck? – estava certa sobre isso.
— E a Super Beckett está de volta – Esposito passou em frente ao quadro e sentou do meu lado, passando a encarar as pistas, assim como eu.
— E como está a Johanna? – Ryan sentou no lado oposto ao de Espo e me entregou um copo de café.
— Na escola. – prossegui – Como nós poderíamos deixar isso passar? – falava sobre o caso.
— Como ela consegue? – Javi perguntou para Kevin.
— Eu não sei, mas as cenas parecem estar se movimentando em frente aos seus olhos – respondeu.
— Vocês já podem parar de falar de mim como se eu não estivesse ouvindo, meninos.
— É só uma forma de fazer você notar que estamos aqui – revirei os olhos.
— Vocês estão muito dispersos hoje.
— Você é que deveria estar, Beckett. – Ryan falou.
— E porque eu deveria estar dispersa? Minha filha está na escola, só pra você saber, está protegida até onde eu sei.
— Ih, qual foi Beckett, o Ryan só está falando porque é a primeira vez que você fica tantos dias com ela – alegou.
— Ele estava lá, quando demos a batida. Está vendo esta foto aqui? – apontei para a pista no quadro – Aqui está o esconderijo do nosso suspeito. Vamos trazer esse cara! – Arrumei a arma que estava em minha cintura e vesti meu casaco, rumando ao elevador. – Vocês vêm? – questionei e ri, quando vi os dois se deslocarem correndo até o elevador.
***
— Devagar mocinha, você pode tropeçar e cair! – disse enquanto segurava a mochila de Johanna e batia meus saltos com força no assoalho com o objetivo de ser notada.
— Tio Kevin – correu de encontro a Ryan
— Johanna, o que falamos sobre não correr?
— Que eu posso cair e me machucar – imitou minha voz e revirou os olhos.
— É isso mesmo mocinha.
— A sua mãe é uma sem graça. – Kevin sussurrou no ouvido dela
— Eu ouvi, tio Kevin. – retruquei com as mãos na cintura.
— Eu sei, esse era o objetivo – rimos juntos.
— Adultos – Johanna revirou os olhos.
— Tio Espo, esses dois estão me constrangendo – Espo a pegou no colo e eles fizeram um toque especial com as mãos.
— Acho que temos um culpado por ensinar coisas inapropriadas para os filhos alheios – comentei com Ryan.
— É só o meu papel de tio, não invejem se as crianças gostam mais de mim do que dos próprios pais – Espo disse convencido de que era completamente amado pelas crianças.
Passamos uma tarde agradável na delegacia, eu preenchendo papelada e acompanhando de canto, Lanie, a capitã e os meninos mimando Johanna e fazendo todas as vontades dela. Gates cedeu sua sala para que Jo a enchesse de desenhos pelas paredes. O computador também foi muito bem utilizado pela minha pestinha. Os corredores ficaram pequenos para tanta bagunça. Até café escondida ela pegou da maquina. Definitivamente ela era muito inteligente, pois aprendeu com facilidade a manusear o objeto. Com tudo isso, no final do dia ela dormia com o rostinho apoiado em minha mesa. Nem a cafeína em excesso deu jeito nisso. Coloquei-a em meu colo, apoiando sua cabeça em meu ombro e cruzando suas pernas em minha cintura para que ela não caísse, peguei sua mochila, casado e as minhas coisas, me despedi dos meninos e a levei para o carro, colocando-a no banco de trás e fixando o cinto ao redor dela que dormia suavemente.
Quando chegamos em casa, eu tentei acordá-la para jantarmos, mas ela não conseguia manter os olhos abertos e eu não queria interromper o sono agradável que ela estava tendo. Deixei um copo de leite em sua cabeceira, para o caso de uma emergência e passei lenços umedecidos cheirosos em suas mãos e pés, devido o dia exaustivo que teve e coloquei o seu pijama. Em seguida a depositei em sua cama e ainda me recordo de ouvir um ‘apaga o abajur mamãe, o Capitão América precisa dormir’.
No final das contas, havíamos tido um ótimo primeiro dia.
***
3h.
Para: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
De: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
Assunto: Não queria te acordar então...
E-mail é a melhor opção para esta hora. Eu estou com saudades. Como ela está?
Os meus compromissos com o livro vão apenas até sábado, consegui adiantar a minha volta. Domingo estarei aí. Algum plano para o final de semana?
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Para: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
De: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
Assunto: Falha
Tentativa falha, escritor. Eu já estava acordada. Ela está bem. E eu também, mesmo você não perguntando sobre. Estava organizando as coisas para amanhã, sua filha me deu uma trabalheira imensurável.
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Para: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
De: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
Assunto: [chateado]
Não me culpe por ser irresistível, ter te seduzido e te deixado louca a ponto de você querer ter uma filha comigo.
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Para: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
De: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
Assunto: Vocêestácompletamenteerrado
Às vezes eu penso que talvez você tenha esquecido que ela não foi programada. Não dessa maneira que você diz.
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Para: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
De: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
Assunto: Rick Castle é o melhor!
Mas eu merecia ser reconhecido mundialmente por isso. O cara-semi-morto que conseguiu ter uma filha. Com a mulher que ama.
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Para: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
De: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
Assunto: Sem Assunto
Isso não é algo com o qual você deva brincar. Pessoas se machucaram com isso. E ah: A mulher que você amava* Boa noite, Castle!
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Para: Katherine Beckett [katherinebeckett@nypd.com]
De: Richard Castle [rickcastle@escritorrichardcastle.com]
Assunto: Rick Castle é o melhor!
Eu sinto muito. Boa noite, Kate. E ah: A mulher que eu amo.
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O silêncio perdurou pelo resto da noite, eu precisei me calar.
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