You came back

17 Décima Sétima Parte


Notas iniciais
O capítulo não está como eu gostaria, mas espero que vocês sejam diferentes de mim e gostem, rs. Peço desculpa pela quantidade de Ponto de Vista, mas não estava muito certa da cabeça quando escrevi esse capítulo, que aliás, não queria postar, pois não gostei, esse foi o motivo da demora. Beijos e obrigada por tudo.

POV Kate:

— É... Castle sou eu Kate, eu acho que devemos conversar e continuar de onde paramos – Droga, droga, droga! — Ensaiei por tantas vezes aquela ligação que quando finalmente iniciei a discagem, desisti. Eu não era mais uma adolescente para abdicar de tudo que eu acreditava, abdicar dos meus desejos e dos desejos do meu coração. Eu não podia descansar sem ver Johanna e ter a certeza de que minha filha estava realmente bem. E de certa forma, ao ir até Castle, eu estaria abrindo mão de tudo isso. Mas por outro lado, havia aquela ligação assustadora com a filha dele. Aquela ligação que nos tornava tão próximos novamente e me colocava a pensar em como as coisas poderiam ter sido diferentes.

Foram semanas incríveis e aos poucos aquilo tudo se tornou normal. Tanto as idas à biblioteca, quanto as tardes frias embaixo do edredom – do edredom dela, da Johanna. Mas as coisas saíram um pouco do controle, ao menos pra mim. As coisas tomaram uma proporção gigantesca e eu não podia voltar atrás, não sabia se podia. Ao mesmo tempo que eu amava aquela criança, eu sabia que aquela não era a minha Johanna e nem aquela a minha família. Os dias que eu passei indo ao loft para ajudar Castle nos preparativos para a festa dela, foram incríveis e a pequena estava ainda mais apegada a mim. Foi assim quando ela ralou o joelho na semana passada, quando perdeu o coelhinho no qual ela não se afastava por nada nesse mundo ou até quando o Bubble ficou doente. Eu estive segurando em sua mão em momentos que nem eu acreditava ter feito. Eu não acreditava tê-la conhecido há apenas um mês. Parecia que nos conhecíamos de uma vida toda.

Eu e Castle? Bem, eu e ele estávamos agindo como se fossemos uma família. Por um instante os planos de achar Johanna foram adiados. Foi ele quem me convenceu. E ele estava incrivelmente gentil, parecendo ter me perdoado, mas tem coisas que não são tão fáceis de serem esquecidas, a adoção da minha filha, uma adoção que não deixou algum rastro, a não ser o rastro emocional, era uma dessas coisas. Dei ao Castle, um ultimato, queria ajuda para saber da nossa filha e sabia que ele poderia mover algumas peças e me facilitar a busca. Eu só queria vê-la e saber se ela estava bem. Só queria saber se quem acolheu a minha filha a tinha amado e se doado para ela, como sei que ela faria.

Quando Castle ignorou o meu pedido, eu notei que havia algo errado, mas não quis insistir, ele talvez pudesse estar como eu, não como eu exatamente porque ele havia retomado sua vida, mas podia sentir muito por isso, ainda.

Não haviam grandes decisões, nem grandes passos a serem dados. Eu só precisava do meu espaço e assim seria. Essa ânsia por um lugar onde somente eu poderia estar, me afastou um pouco deles, dele e da menina. Nós já não éramos tão frequentes nas atividades familiares, aliás, não éramos familiares mais. Castle me tentou algumas ligações naquela semana, mas eu às recusei, assim como as batidas na porta ou o alerta do porteiro do meu prédio. Eu e a porta nos tornamos íntimas, foram tantas as vezes que eu chorei apoiada naquela peça de madeira, éramos confidentes. Não tinha sentido continuar com aquilo, mas a garota, ah, eu sentia muita falta dela, amava-a como se fosse minha e isso era uma das coisas mais complicadas que eu estava vivendo, era como se estivessem arrancado um pedaço de mim.

Sentia falta das mãozinhas tocando o meu rosto ou até mesmo de quando ela dormia em meu colo ao me ouvir contar uma história na biblioteca, quando insistentemente ela reclamava das cores erradas as quais dei a um livro ou mesmo de apenas ficar ao lado dela. Ela fazia uma falta imensa, mas seria bom para ela, afinal o que seria disso tudo se nós continuássemos assim, a menina ia sentir profundamente quando tudo terminasse, quando a minha busca encerrasse ou até mesmo quando Castle resolvesse casar-se com a inconsequente da Gina. Não podia submeter aquela criança doce e incrível aos meus traumas e às consequências de tudo isso. Precisava dar um basta.

***

Depois de uma semana longe deles, eu já não me encontrava tão fácil. Diferente do que eu pensava, havia grandes decisões sim e eu as tomaria. Era uma tarde qualquer, e eu estava na Praça com Josh. Era algo próximo da minha casa, que íamos quando precisávamos conversar. E nós precisávamos muito fazer aquilo. Hoje eu deveria estar no cinema com Josh, mas eu estava ali, prestes a tomar uma atitude que mudaria novamente a minha vida.

— E então, o que você tem a me dizer? Estava tão ansiosa que achei que iria me assediar em um parque.

— Não seja bobo – ele era engraçado, mas o momento pedia seriedade.

— Bem, eu... – eu não pude continuar a frase. Ouvi passos largos e cabelos esvoaçantes vindos ao meu encontro. A voz dela ecoou e eu só consegui sorrir. Como eu estava com saudade. Como aquela menina fazia parte de mim.

— Kate, Kate, Kate! – E lá estava ela correndo pros meus braços. Claro! Castle a alertava logo atrás, sobre correr, sobre estar perto de mim. Certo, ele não faria isso, mas eu estava com raiva e minha imaginação com raiva, voava longe.

— Abelhinha, você vai se machucar – ele chamava a atenção dela.

— Está tudo bem, Castle – disse cortando todo aquele drama desnecessário.

— Eu só estava tentando evitar alguns joelhos ralados e dentes de leite caindo fora de hora – ele riu e eu revirei os olhos.

— Já disse que poderíamos dar um jeito nesse dente de leite, não foi mocinha? – olhei pra ele com um ar de cinismo.

— Vai doer, Kate — é sério, foi o Castle que entoou essa frase e eu só pude voltar a revirar os olhos. Como ele era criança. Bobo. Irresistível. Lindo. – notas mentais, pontuadas com a tentativa inútil de encerrar esses pensamentos.

— Eu já disse pra ela que não é o certo – Josh interpelou. E qual é? Quem era ele pra se meter na vida, saúde e educação dela?

— Tudo bem, tudo bem, dois contra uma.

— Está tudo bem com você, garotinha? – perguntei para ela que estava com as pernas fixas em minha cintura.

— Tudo – ela disse apoiando a cabeça em meu peito.

— Hei tudo isso é saudade?

— Sim – eram tão poucas palavras e tantos suspiros, que não pude evitar suspirar também.

— Certo! E que tal um sorvete? – um livro funcionaria melhor.

— Tudo bem – ela me olhou mordendo o lábio inferior – Nós podemos ir à biblioteca?

— Abelhinha! A Kate está com o namorado dela, e além do mais, você me tem aqui para te levar na biblioteca. Vem! – ele a tomou dos meus braços e certamente aquele foi o momento mais dolorido dos últimos dias. Como ele podia falar por mim, como ele podia tirá-la de mim, se foi ele quem insistiu em que ela entrasse em minha vida.

— Noivo. Nós estamos noivos, a Kate não contou pra você? — Josh inoportunamente desatou essas palavras de forma desprezível e sem o mínimo de compaixão. Firmou seu braço em torno de minha cintura e aguardou uma reação de Castle.

— Oh, parabéns detetive! Parabéns Josh! – ele disse apertando a mão de Josh. FALA SÉRIO! Ele não podia fingir que está tudo bem, porque não estava. Não estava pra mim, não estava pra ele. Definitivamente mais confusa que aquela conversa, estava as nossas vidas. Um conjunto completo de erros e tropeços.

— Obrigada – disse monossilábica e sem jeito.

— É... nós precisamos ir. Vejo vocês no aniversário da Johanna? – ele manteve a compostura. Mas ele não precisava.

— Com certeza estaremos lá – o metido do Josh disse acabando com qualquer possibilidade de entendimento.

— Tchau tia Kate – ela disse com o dedo indicador em sua boca e com a cabeça recostada no ombro do pai. Ela era linda. Era minha. Era nossa. Droga! Ela não era, mas deveria. E eu deveria consertar isso. Ou talvez fosse melhor assim. – Que dia horrível. Era muito mais do que um pesadelo. Eu só precisava que esse dia acabasse logo.

***

POV Castle:

Eu tinha uma reunião sobre, algo referente à venda do meu último livro, não sabia exatamente o que era. Mas eu tinha um problema. Nem tudo parecia ir bem naquela casa. Kate parou de nos visitar e eu ainda lidava com a tristeza de Johanna. Ver uma menina de cinco anos, que geralmente era extremamente ativa, desistindo das coisas daquela forma, não era o que se pudesse chamar de fácil. Ela estava cada dia mais desconectada do mundo. A professora da escolinha já havia me dito que Johanna não estava atenta nas aulas, se negava a fazer as atividades e até mesmo de sair da sala para interagir com os colegas. Isso, claro, além de estar cada dia mais difícil fazê-la comer. Minha filha já tinha acompanhamento de psicólogos, e eles me pediam apenas para deixá-la falar quando achasse necessário e respeitar seu espaço. Acho que poderia fazer. Enfim, o quadro dela me surpreendia, dia após dia, nada era previsível e, assim foi naquele dia. Acordei e preparei seu café, esperando que em breve ela levantasse segurando seu coelhinho pela orelha e arrastando-o pela sala, mas nada. E como previsto, aquele dia não foi como os outros. Eu subi com uma bandeja com tudo que ela gostava, desde as panquecas felizes até o chocolate quente – estava um tanto frio naquela manhã.

Quando cheguei ao seu quarto notei que ela ainda dormia, mas havia molhado a cama com seu suor, ela estava ardendo em febre. A acordei e incentivei a tomar o café, liguei para o pediatra que me indicou os remédios e algumas horas de repouso e observação.

— Eu não quero papai – ela resmungava.

— Vamos lá abelhinha, isso não dói nada, você sabe disso. – insistia para que ela levantasse o braço, e assim ela fez.

— Eu sei que não. — ela revirou os olhos, me lembrando de Kate – Mas isso incomoda – mordeu o lábio inferior erguendo o braço — Papai, e a Kate?

— O que tem ela, abelhinha? – fixei os olhos na bandeja e enchi a colher com pedaços pequenos de mamão, fazendo com que ela ingerisse. Mesmo com tantas preocupações, era impossível não notar o quão parecida com Kate ela era. Até ao mastigar elas eram idênticas, as caras e bocas de Johanna eram todas da mãe.

— Ela não vai mais sair com a gente? – ela disse erguendo o braço para que eu tirasse o termômetro.

— Abelhinha, é complicado...

— Eu sei – ela suspirou – eu não quero mais papai – recusou uma nova colherada da fruta.

— Você precisa comer filha – disse olhando o termômetro.

— Foi alguma coisa que eu fiz? – ela me disse olhando e retomando o assunto. Os olhos dela brilhavam mais do que o normal e então algumas lágrimas se formaram e correram livremente, deixando a região avermelhada. Ela era adulta demais e limpou os vestígios das gotas para que eu não visse. Era a primeira vez que minha filha chorava desde o sumiço repentino de Kate e justo agora que o aniversário dela estava próximo.

— Vai ficar tudo bem, abelhinha. A Kate vai voltar, ela ama você. Ela só está resolvendo uns problemas e na hora certa nós a teremos aqui de novo – aquela mentira iria me sufocar, mas antes eu, do que ela. — Mas enquanto isso, o que você acha de uma guerra de cócegas – a fiz rir e revirar os olhos, como era bom vê-la assim. Fiquei em sua cabeceira aguardando o remédio, aquele que só prometia fazer efeito. Contei algumas histórias, mas eu precisava sair e com minha mãe viajando e Alexis na faculdade, com quem eu deixaria Johanna? E pela primeira vez naquele dia, eu fiz o que estava fazendo há semanas, liguei para Kate. E ela? Ela fez o mesmo que fazia sempre, mas dessa vez não fez questão de disfarçar, recusou antes mesmo do segundo sinal da chamada.

— Qual é escritor? Depois de todo esse tempo? Quem sabe você chama a mãe dela?

— Lanie... não é tão simples assim.

— O que tem de difícil em você chamar a Kate para cuidar da filha? Você não pode esperar que alguém conheça aquele amor de criança e não perceba. A Kate não percebeu porque é uma tonta, mas o que você tinha em mente? Aquele sorriso e aquele revirar de olhos, ela é todinha a Kate.

— Lanie... não é como se eu não quisesse – estava atônito – é tudo... complicado, e eu realmente preciso de você. Ela não está nada bem e – suspirei pesadamente – a Kate sumiu.

— O que aconteceu? – Pela primeira vez ela parecia estar se preocupando com a situação.

— Faz alguns dias que Kate não aparece por aqui.

— Não, isso eu sei – é claro que ela sabia – o que aconteceu com a miniatura da Kate?

— Ela está com febre, não se alimenta direito, nada do que eu faça faz com que ela pare de perguntar sobre a... – pausei bruscamente.

— Tudo bem, Castle, só não enxerga quem é cego. Eu sei que a Kate é mãe dela, não é preciso esconder, e mesmo não apoiando esse ato, eu não vou fazer nada para colocar a integridade dessa criança em risco. Ela já sofreu demais – respirei aliviado – mas isso não significa que nós não vamos ter uma conversa.

— Tudo bem. – eu realmente precisava falar sobre aquilo com alguém – Você pode vir?

— Hm, não escritor, eu falava sério sobre não poder e também sobre você pedir para Kate, ela está de folga.

— Eu já tentei – nada seria tão fácil naquele dia.

— Tudo bem, eu darei um jeito nisso, me espere por aí.

— Certo.

POV Kate:

— Ah garota! Ainda bem! Onde você se meteu? – atendi ao telefone que tocou incessantemente.

— Eu estava no banho, apressadinha. – ela realmente parecia desesperada – Esqueceu? Hoje eu e Josh vamos escolher as alianças.

— Hoje? Não pode ser amanhã, depois ou nunca?

— Lanie... nós já conversamos sobre isso.

— Eu sei, eu sei, é complicado. Mas tem alguém precisando de você e do seu distintivo de super-quase-mãe.

— Certo! Agora, a senhora enigmática já pode parar com a brincadeira.

— A Johanna, ela está doente.

— O que? – sussurrei aquelas palavras, já sentindo um desespero invadir. Aquilo só podia ser brincadeira.

— A garota está com febre e chora pedindo por você.

— Tudo bem, estou indo pra lá – não deixei a Lanie completar.

No caminho, liguei para o Josh, inventei uma mentira qualquer e consegui me livrar do compromisso. Literalmente, porque se depois daquilo Josh quisesse ter qualquer tipo de relacionamento comigo, eu bem, não sei como ia ser.

Não pensei em muita coisa, subi as escadas, pois não queria aguardar o elevador, e quando cheguei ao andar do loft estava bufando.

— O que?

— São só os meus pulmões, certo? – eu disse e revirei os olhos. Ele estava surpreso.

— São os seus pulmões – ele repetiu ainda boquiaberto.

— Você não vai me convidar pra entrar?

— Claro. Desculpa por isso – apontou para as roupas pela sala.

— Tudo bem. As coisas não devem estar fáceis.

— Não mesmo – ele disse e eu senti falta daquele ar brincalhão e das piadinhas inoportunas – Mas então... quero dizer, está tudo bem?

— Você quem deve me dizer. Está tudo bem? – fixei os olhos nos dele.

— Ela está lá em cima – afinal, nós nos entendíamos com poucas palavras e alguns olhares.

Estava aflita e cada degrau pelo qual me movia me deixava ainda mais preocupada com o que encontraria. Não era só a doença que me preocupava, era como ela me receberia depois de tudo o que fiz. Deus! O quão tola eu fui?

— Abelhinha, eu tenho uma surpresa pra você!

— Eu não quero papai — Ela disse apertando o coelhinho e virando-se para o lado contrário.

Foi nesse momento que as coisas dentro de mim começaram a desmoronar. Eu e Castle nos olhamos e ele me deu permissão para fazer o que fosse necessário.

— Então eu acho que você não vai querer esse pirulito que eu trouxe, não é? E nem esse livro de adesivos do Buzzlitzguier, estou certa?

Nessa vez, não foram saltos, nem pulos, muito menos gritos, mas só de vê-la sentar na cama e abrir os bracinhos para me receber, eu definitivamente já havia ganhado o dia. Eu não era mais a quase-mãe como brincava a Lanie, eu era alguém envolvida por aqueles bracinhos e tomada por aquele amor infinito. E então, eu controlava as lágrimas para não deixar transparecer o quanto aquilo foi dolorido pra mim. Certo, talvez eu estivesse dramatizando demais, mas vê-la doente e por minha causa, estava longe de ser uma das melhores coisas da vida. Eu só queria vê-la bem.

Notas finais
Comentem!