You came back

11 Décima Primeira Parte


Notas iniciais
Olá, depois da chuva de comentários - a maioria ruins - o que confesso, me deixaram imensamente triste, eu voltei. Espero concluir com sucesso essa história, pois nem tudo é para sempre, nem o sofrimento, nem a dor. Acreditem nisso e tudo vai ficar bem. Obrigada à quem não desistiu em nenhum momento, mesmo que tenha pensado em fazê-lo. A demora se deve ao meu desanimo ao ler somente coisas ruins. Mesmo assim, duas ou três pessoas que sabem do rumo da história, me incentivaram a continuar. Obrigada, Tati e Miky, vocês são incríveis. Sem beta. Sem correção. Motivo: estou exausta do final de semestre.

FLASH BLACK ON

Eu estava muito debilitada, emocionalmente falando. Minhas crises nervosas estavam se intensificando cada dia mais, de nada estava adiantando o tratamento, as consultas com o terapeuta e toda a equipe médica, além, claro, dos grupos de mães, nada disso fazia efeito. Eu insisti em ir até uma cena de crime, eu precisava daquilo para provar que estaria ali independente do que acontecesse e, até mesmo para sair daquela rotina exaustiva e entediante. Eu precisava provar que nenhum fantasma me assombrava, o que não era exatamente verdade. Ryan e Espo tentaram me convencer de que eu ainda não estava pronta, que o último mês havia sido demasiadamente pesado para mim e que essa carga emocional poderia recair ainda mais sobre meus ombros, me causando algum desconforto. Eles tinham razão. Sempre têm.

E além do mais tinha a questão da bebê, era uma menina, eu sentia isso, ela estava se desenvolvendo e eu não sabia muito bem como lidar com essa situação, afinal, nunca fiquei grávida ou sequer tive uma figura dessas perto de mim. O mais perto que cheguei de um bebê foi um cachorro que tive quando ainda era pequena, tudo bem, isso não é um bebê, mas a Dra. Begle foi minha grande experiência, a mamãe dizia: ‘Katie, você quem escolheu ter essa cachorrinha, agora arque com as consequências’, ela dizia isso para uma garota de 10 anos, mas tudo bem, eu era muito responsável e sistemática, desde muito cedo, claramente os genes da inteligência deveriam ser dominantes naqueles dois – meus pais. Minha mãe me alertava, mas era a que mais mimava a cadelinha, eu fingia não ver. Era engraçado.

Eu encontrei a Dra. Beagle na rua e mamãe costumava dizer que havia sido simpatia mútua porque a pet quando me viu começou a me seguir. Eu pensei em entregá-la às autoridades, afinal, não é normal um cachorro circulando livremente pela cidade, deveria estar perdido ou abandonado, logo algum órgão público a acharia. Mamãe chegou a checar, mas ninguém procurava por algum animalzinho com as descrições dele. Depois de algum tempo ela desistiu e se rendeu a gracinha. No início foi difícil, eu ficava acordada por várias noites durante a semana, mas, foi gratificante, essa cachorrinha foi minha parceira durante muito tempo.

Ao chegar à cena do crime, ouvimos alguns ruídos, a cena do crime deveria estar lacrada, mas ao que parece foi quase impossível impedir uma mãe e seu filho. Era um amigo, um amigo da polícia que estava sobre a cama, dois tiros, o menininho de apenas dois anos não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas o desespero dele se igualava ao de alguém com toda a experiência de vida. Afinal, ele era apenas uma criança, não deveria passar por isso, perder o pai tão cedo. A mãe dele, esposa de Thomas, tentava acalmar o menino. Ele agora estava sem pai e a única coisa que me passava pela cabeça era como uma criança ia se virar assim, no meu caso, ela não teria o pai para ampará-la, não sei como seria se Johanna – o nome daquela que eu sentia que era uma menina — me perdesse. Foi um quadro de tensão e minha angústia, meu desespero ao ver aquela criança precisando passar por aquilo, as lembranças de quando eu perdi minha mãe... tudo acarretou para o furacão que iniciou-se em mim. Naquela hora tudo dilatou consideravelmente, me tranquei em uma peça qualquer daquela casa... o banheiro – constatei — e, sem que ninguém percebesse eu escorreguei pelas paredes do ambiente, deixando o meu corpo expelir a exasperação que me assestou de forma avassaladora. O desespero me tomou, cumprindo em mim sua missão. As lágrimas corriam livremente e meu corpo respondia com determinada voracidade. As lesões físicas apareceram e me limitaram de forma que não conseguia me mover do chão, do assoalho que passou a fazer parte de mim. Meu coração parecia preso em um cubículo, trancafiado, batia descompassado e apertado, como se estivesse sendo suprimido a não bater. Minha respiração soava entrecortada, em determinados momentos eu parecia sufocar. Meu corpo transpirava abruptamente fazendo com que eu puxasse a gola da blusa a distanciando do meu pescoço. A sensação era de que eu iria sufocar a qualquer momento.

Trancada naquele cômodo escuro eu conclui que eu jamais conseguiria fazer aquilo. Pedi desculpas à minha menina e assim uma luz escura me invadiu. Meu corpo se contraiu naquele canto frio e úmido. Encolhida e desalentada, algumas imagens tornaram-se recorrentes na minha cabeça. Eram imagens de pânico que envolviam a mim e a minha filha. Aquilo não podia ser real, não poderia acreditar, mas me fez paralisar. Nada mais seria como deveria. Aquela experiência desastrosa me mudou.

Quando cheguei em casa, depois de passar por Lanie e meus amigos sem dar nenhum tipo de justificativa, não sabia sequer como havia me deslocado até ali. Meu celular tocou algumas vezes, mas, eu apenas ignorei o choque ainda estava em mim, de maneira que parecia ter sido mais uma descarga elétrica. Só consegui me encolher na cama e puxar um edredom que estava aos meus pés para cobrir meu corpo.

xxx

– Engana-se quem pensa que pessoas fortes não passam por qualquer tipo de frustração, desanimo ou fraqueza, Kate. Você só precisa se recuperar e logo, estará pronta para outra. Mas os nossos encontros, aqui, eu e você – ele fez um movimento de vai e vem entre mim e ele – você terá que continuar caso contrário não posso mais te liberar nem para preencher papelada – assenti positivamente para Dr. Burke e me posicionei melhor na poltrona de fronte a ele.

– Eu não sei, foi como se algum botão de pânico tivesse ativado por aqui. E agora...

– Você não sabe se consegue?

– É como se... – respirei profundamente – eu não consigo.

– Kate, ninguém pode te julgar por isso. Mas pense, você deve estar certa dos seus próximos passos. Uma vez lá, você não poderá voltar e as consequências podem agravar ainda mais as sensações ruins que estão te rodeando nos últimos tempos.

xxx

A partir deste dia, eu me perdi dentro de mim mesma. Nos últimos meses a minha rotina de medicamentos, consultas com o terapeuta e psicólogo haviam se intensificado. Lanie me acompanhou o tempo todo e respeitou a minha vontade de não contar nada daquilo para as pessoas mais próximas, me questionando em alguns momentos, mas sempre entendendo que eu sou dona de mim e sabia o que fazia. Na verdade eu não sabia. Mas mesmo assim estava caminhando para lá. Os remédios me deixavam quase sempre sonolenta, minha carga-horária estava reduzida e quando não estava investigando o caso de Castle, estava com ele no quarto, dormindo pelos cantos do hospital.

A minha única alegria nos últimos tempos era ficar com Castle, desde quando descobrimos — eu digo descobrimos porque sinto que ele entende um pouco disso que se passa aqui fora – isso ele tem tido umas reações enigmáticas. Como mudanças nos batimentos quando eu carrego sua mão até minha barriga, ou até mesmo quando sua respiração fica mais pesada. A única força que eu conseguia extrair servia para solicitar entre sussurros, suspiros e lágrimas, Castle de volta. Porém, isso não me levava a ter esperanças de que algo mudaria, afinal, logo concluiríamos um ano deste transtorno e nada havia mudado. E eu não me enganaria mais, nada iria mudar. O fato era que após a morte de Thomas Thompson, eu nunca mais consegui me estabilizar. A decisão estava tomada.

FLASH BACK OFF

– Beckett.

– Nós precisamos que você e os demais responsáveis pelo senhor Castle venham até o hospital – disse um integrante da equipe médica responsável por Rick.

Tentei questionar e argumentar, na tentativa de extrair informações, objetivando entender o que estava acontecendo, mas nada me foi dito. Só me falariam pessoalmente. Algo havia acontecido, essa era a única explicação cabível para esta ligação. Só nos restava checar os acontecimentos com a esperança de que tudo ficaria bem. Eu precisava que tudo ficasse bem. E que assim seja.

Notas finais
Comentem ou não. Obrigada por quem seguirá comigo até o fim da história e espero não decepcionar.