You came back

10 Décima Parte


Notas iniciais
Lencinhos em mãos? Me senti escrevendo A Usurpadora. Juro que as coisas vão tomar um rumo legal, mas, precisamos disso. Hannah, agradeço o incentivo e a ideia do novo plot em meio a fic. Não me abandonem. Não betei e nem corrigi. Fiquem atentos para as passagens de tempo, serão várias já que tenho que dar andamento. O que não for esclarecido será nos demais capítulos. Beijos e obrigada. Nesse capítulo será abordado o ponto de vista de Kate, apenas.

O tempo se passou, minha relação com Martha e Alexis havia se limitado ao hospital e eu podia sentir a tristeza que Alexis sentia. Mas se eu não estava fazendo bem nem para mim mesma, como poderia fazer para ela? Eu não queria me sentir culpada por dar fim à vida de mais um Castle. Gates não havia me liberado para nada além de papelada. As coisas andavam calmamente como sempre. Martha se convenceu de que ela havia visto ‘coisas de mais’, mal sabia ela que não, ela não estava vendo além e que eu realmente esperava um filho, fruto do meu relacionamento com Rick. Cada dia mais eu me sentia mais apta para funções do dia-a-dia, coisas que há algum tempo atrás, eu nem cogitaria em fazer. O bebê crescia e se desenvolvia bem, mesmo com uma dor imensurável na alma, já havia tomado minha decisão e quer as pessoas venham a acreditar, ou, não, eu estava sentindo um vazio mesmo antes daquele que seria o ato final.

Visitar o Rick e lhe contar sobre como as coisas iam, tinha torando-se rotina, conseguinte, sempre que saia do quarto dele tarde da noite eu ia para o The Old Haunt e bebia algumas poucas doses de álcool, eu de forma alguma queria prejudicar a criança, eu queria era acabar comigo mesma. Não via mais sentido em viver. Eu cheguei onde nunca achei que poderia, em um abismo em que só uma pessoa poderia me tirar. Aquela intempérie de sentimentos se manifestava de forma bruta e cada vez levava consigo um pouco mais do pouco de sentimento que me tinha restado.

Como sempre, segui a minha rotina, acordei, segui para o hospital para a visita matinal, indo até o hospital como fazia sempre.

– Eu sei, não é como se você não tivesse me alertado, mas definitivamente esses enjoos são horríveis. Eu estou... horrível. Eu sabia que você estava certo, só não queria ceder – alisei seus fios, escrachados como estavam e soltei um pequeno sorriso acompanhado de um suspiro cansado — Mas eu estou aqui por outro motivo, vim mesmo, vim sim contar vitória sobre você, como eu havia dito, eu acertei o sexo do bebê – sorri interiormente depositando um beijo em sua testa. — Eu sinto sua falta. Não demora muito porque as coisas estão realmente complicadas sem você por aqui. Eu... espero que entenda as minhas atitudes. E que um dia possa me perdoar. Vocês dois.

Após algum tempo decidi ir para a delegacia munida do meu imenso copo de café. Gates me questionou se não haviam ocorrido mais imprevistos com a gravidez e o que eu pretendia fazer sobre aquilo, eu fui fria e talvez até um pouco rude com ela. Mas, definitivamente ninguém poderia me julgar, absolutamente ninguém sabe como é estar na minha pele, depois de perder minha mãe e perder a pessoa que eu mais amei depois de sua morte. Não havia alguém que pudesse entender como é ter perdido a fé na humanidade e na justiça, como eu perdi. Não conseguiria criar uma criança em meio a tanta coisa podre.

– Kate, você terá a minha anuência em qualquer que seja a sua decisão. Mas pense garota, você poderá se arrepender e aí não haverá nada que você possa fazer para reverter a situação que você – estendeu o dedo até o meu coração, ou próximo dele – vai causar – Apenas acenei positivamente já com os olhos carregados e Lanie apenas me estendeu os braços. Afinal, ela jamais me julgaria. Mas do contrário do que se pudesse pensar, o meu drama só estava só começando.

***

Eu escondi o quanto pude aquela gravidez. A única que sabia era a Lanie, já que eu engordei pouco e cabia em quase que todas as roupas do meu armário. Eu já me alimentava melhor, por causa dessa pessoinha que me fez pensar mais em mim e nele. Aliás, nem a Lanie sabia, era uma menina. A nossa menina. Que eu esperava um dia poder rever sem pesos na consciência, sem culpa e nada que pudesse atormentar a nossa relação. Eu esperava que ela ficasse bem também, que tivesse tudo o que eu certamente não poderia lhe dar. Eu apenas traria ao mundo aquela que havia me dado forças para seguir com essa gravidez: Johanna. Ela levaria o nome da pessoa mais incrível e extraordinária que eu conheci, para que pudesse se encontrar sempre que se perdesse e que por meio da verdade vencesse tudo. Eu queria que ela fosse a pessoa mais inacreditável que eu pudesse encontrar. Não queria que a minha filha crescesse apegada às coisas ruins como aconteceu comigo. Quero que ela se desenvolva em um ambiente saudável em que sua única preocupação vai ser o que levar de lanche para a escola no dia seguinte. A Johanna é a melhor parte de mim, que certamente ficará melhor longe de mim. Eu decididamente estava sendo algoz comigo mesma, mas seria para o bem dela. Pelo bem de minha filha. E nada mais me passava pela cabeça a não ser isso. Eu seria altruísta o suficiente para proteger aquele serzinho, a ajudaria a se encontrar, sempre. Mas eu precisava me desapegar. Ela ficaria bem. A minha única esperança era não ser execrada pela minha filha.

A gravidez andava a todo vapor e se encaminhava para a reta final. Todos os dias em horários de visita eu ia até Castle atualizá-lo do quadro do nosso bebê e contar as surpresas oportunas que essa gravidez estava me causando. Com ele eu desabafei por várias vezes, deixando escancarado que a minha escolha não se dava por falta de amor ou algo do tipo. Ele precisava entender isso. Os dois.

Aquele serzinho fez com que meu peso aumentasse, saí dos 57kg em que me mantive por anos para 67kg, engordei 10kg que só era possível de se notar se você fosse o Castle, minha mãe ou algo do tipo. Ninguém reparou pois fiz tudo de forma prudente, sem causar ruídos.

***

O dia finalmente chegou. A minha Johanna nasceu. Conforme já havia realizado toda a composição da burocracia tudo aconteceu como planejado. E foi a pior dor que eu já senti. Eu tentava me conformar pensando que ela ficaria bem. E que eu estava fazendo o melhor, mas Lanie só conseguia me alertar para a burrada que eu estava fazendo ao entregar Johanna para adoção. Ao final do dia eu estava acabada e completamente desolada. Tentando não me posicionar como a vítima daquela história, afinal uma parte de mim correria mundo a fora e exploraria cada cantinho desse universo lindo que eu vou continuar tentando manter intacto em sua cabecinha infantil.

Eu entreguei Johanna para a enfermeira por várias vezes naqueles três dias em que ‘sumi’ do mapa e dei entrada naquele hospital para a cesariana. Nenhuma das vezes doeu tanto quanto da última vez. Ela me informou que eu teria 30 dias para refletir sobre o ato e voltar atrás. Eu fui incisiva e mantive minha decisão.

***

Finalmente depois de todo o processo para que Johanna fosse encaminhada para adoção eu fui até o lar onde ela ficaria na espera. O transtorno com os papeis eram imensos e minha bebê ficaria lá por algum tempo. Eu tentava desapegar dela e mesmo as cuidadoras do local me incentivavam a não ir mais lá se eu já havia tomado minha decisão. Diziam-me para sair de sobre o muro, mas, eu não estava por lá.

Ao final dos cinco primeiros meses eu decidi que iria parar de visitar minha filha, pois a dor só aumentava. A Johanna se desenvolvia de uma forma incrível e estávamos cada vez mais apegadas. Mas as coisas não seriam sempre assim. Não deveriam ser.

A nova família da minha filha já a visitava com certa frequência e em determinados finais de semana quando ia de encontro a minha bebê, ela estava com a família provisória. Eu só conseguia pensar se ela estava com frio, fome ou se algum mal lhe sucederia. Ela era tão frágil e incapaz. Quando não a encontrava na praça tomando sol ou no bercinho batendo palminha o meu coração se dilacerava e se partia em mil pedacinhos. Mas isso não aconteceu hoje e eu agradeci mentalmente.

A cuidadora do local disse que os papeis andavam com determinada pressa pois os pais de Johanna eram pessoas influentes – só consegui me concentrar na palavra pais, aquilo rodeou minha mente por todo resto da visita. Mas logo sucumbi a uma dor maior, quando ela me disse que se as coisas continuassem andando naquela velocidade até o final do ano a Jo já estaria com sua família. A cuidadora me contou também que eles eram muito atenciosos e que já tinham um bebê de três anos. Disse que amavam a Jo de um jeito que nunca havia visto. A cada palavra que saia da boca dela eu pressionava mais a minha filha contra meu corpo. Eu precisava deixa-la ir. Precisava. Eu tratei de ficar no parquinho com ela, construindo boas memórias que me acompanhariam por toda a vida, até o momento em que nos encontraríamos novamente e eu pudesse lhe contar o quão desejada ela foi. O quanto eu só queria o seu bem e que os pais tem dessas de fazer tudo pensando no melhor para os filhos. Queria que a minha pequena de apenas cinco meses me entendesse e me amasse assim como eu já a amava incondicionalmente. E assim o dia se foi. Ela chorou tanto na hora de se despedir, parecia entender o que estava se passando. E foi ali que eu não pude conter as lágrimas e me deixei desaguar em meio ao berçário. Eu prometi que no dia em que eu estivesse pronta eu estaria lá para ela. E assim faria. Mesmo que fosse contra as regras da adoção, mesmo que fosse contra tudo o que o mundo me diria, mesmo que fosse contra a futura vontade dela, eu a encontraria e a daria o que eu não posso lhe dar agora. Eu estou em cacos e cacos não seria o suficiente para ela. Junto com ela foi à carta. Aquela que eu gostaria que chegasse até aqueles que receberiam a Johanna.

FLASH BACK ON

Era noite e naquele dia decidi que não mais iria ver Johanna, escrevi de forma sincera, sentindo o peso das gotas salgadas que escorriam pelo meu rosto irem de encontro a folha de papel:

A você que também será mãe da minha filha, a você que me deu o presente mais valioso que jamais ganhei em toda a minha vida, ao receber a minha filha como sua. Peço todos os dias que você esteja bem, que tenha saúde, para que possa cuidar da minha filha e que talvez venha a ter outros filhos para fazerem companhia para a Jo. É assim que eu me referia a ela quando ela ainda era um pedacinho que habitava o meu corpo. Que você nunca, jamais se arrependa do gesto de amor que praticou, que por mais que não me conheça, que não saiba de onde veio o bebê que eu gerei e pari, quero que de todo coração cuide dela e a mantenha bem. Tenho certeza que ela está com a melhor família que poderia ter encontrado. Uma família que o desejou por tantos anos e que fará de tudo para que ele seja a criança mais feliz do mundo. Peço também que minha filha carregue consigo o peso de seu nome, Johanna foi e será uma grande mulher, tenho certeza. Com um incrível senso de responsabilidade, e vai saber arcar com as consequências dos seus atos, que não prefira o caminho mais fácil ou rápido, mas sim busque o caminho correto. Obrigada por ter tomado essa decisão e acolhido a nossa filha.

FLASH BACK OFF

O Castle jamais me perdoaria. Eu jamais me perdoaria. Mas assim foi feito.

Notas finais
A carta que a Kate escreveu, na verdade é uma carta inversa de uma mãe que adotou para uma mãe biológica, eu adaptei ela. Ela está disponível neste link: [http://gravidezinvisivel.com/tag/carta-aberta-a-mae-biologica-do-meu-filho/]. Comentem, favoritem e indiquem. Próximo capítulo está quase pronto.