Notas iniciais
Só um resquício de capítulo que sobrou, daquelas ideias desconexas que disse e eu resolvi postá-lo para vocês iniciarem a semana felizes. Beijos no core. ♥

Pela primeira vez desde que essa problemática se instalou em nossas vidas, ela havia me chamado de mamãe. Era final de domingo e Castle viria no dia seguinte antes que eu fosse para a delegacia, havíamos combinado isso. Mas aquela noite foi especial, ninguém poderia entender o sentimento que me preencheu, quando depois de dar banho na minha filha e vê-la brincar em minha casa, nossa casa, deitar com ela para assistir filme e outras coisas de mãe e filha, depois de tudo isso, ouvir aquele sonzinho quase que inaudível, de um ‘boa noite, mamãe’. Eu sorria de orelha a orelha e queria muito sair espalhando por aí que a minha filha havia me chamado finalmente de mãe e não era por obrigação, nem nada do tipo, foi espontâneo. Isso era muito mais do que uma simples palavra, ela tinha me perdoado, mesmo que sem saber que estava magoada, sei que estava, e agora, caminhava para superar e me aceitar de vez como sua mãe. Era uma palavra carregada de significados, sentimentos e emoções.

Mesmo depois de dois meses, sei bem que tudo deveria ser extremamente confuso para aquela cabecinha pequeninha, mas ela estava indo bem e agora isso, ela me chamou de mãe. Mamãe. Alguns segundos depois, ela me chamou no quarto dela perguntando com aquela voz linda e sonolenta: “mamãe, você pode colocar o homem de ferro para dormir aqui? Ele deve estar com frio”, agora ela já usava quarto e eu me perguntava onde estava àquela pessoinha de meio metro que só queria saber de dormir na cama comigo. Ela preferia mil vezes mais dormir em seu próprio quarto, ela amava aquele lugar e agora tinha certeza que me amava também.

— Está tudo certo?

— Sim, pode ficar calmo.

— Ah, ok.

— Eu te acordei?

— Sim.

— Desculpa, não foi a intenção. É melhor falarmos amanhã.

— Não. Kate, porque você me ligou?

— Não é nada que não possa esperar.

— Se você ligou, é porque não é algo que possa também. Está tudo bem com vocês?

— O que... com nós? Tudo bem, sim – o silêncio se instaurou na linha – A Johanna me chamou de mãe. Mamãe e não foi por obrigação, nem nada do tipo como parecia nas outras vezes. Então, é a primeira vez.

— O que? Como isso aconteceu? – ele parecia radiante e isso era somente uma cópia de como eu estava.

— Eu estava me despedindo como todas as noites, e ela disse ‘boa noite, mamãe’, foi, foi, tão instantâneo, Castle, aquelas palavras saindo daquela boquinha minúscula – respirei – desculpa te acordar, mas eu precisava.

— Eu não iria te perdoar sem não tivesse feito. Você respondeu?

— Não, não deu tempo, ela pediu o homem de ferro e nem esperou por ele, dormiu logo antes de eu chegar com o boneco e com a resposta. Você entende a importância disso, Castle? – é claro que sim, ele frequentava a terapia com ela, assim como eu.

— Eu queria ter presenciado isso. Deve ter sido um momento lindo.

— Foi. – mais silêncio.

— Eu ainda lembro quando ela disse papai pela primeira vez.

— E como foi? – me deslocava para o quarto dela, para deitar ao seu lado.

— Não foi assim fofinho, como foi com você. – ele disse bufando.

— Não sinta inveja, Castle, as mães sempre são mais bem quistas.

— Você vale muito menos do que eu.

— Continue, Castle. Como foi?

— Ela já falava tudo, Kate, absolutamente tudo. Chamava ‘Lex’, chamava ‘Bó’, mas nunca saia pai. As comidas, ela sabia perfeitamente pedir e tudo que não fosse ‘papai’. Eu insisti por meses. – ele disse frustrado, me arrancando gargalhadas – Não ria.

— Tudo bem, não chore, apenas continue. – mais risadas, era inevitável.

— Então, certo dia, ela deitou para dormir e notou aquele bendito coelho, no alto de sua estante. Aquela palavra ela não sabia falar, e isso era engraçado.

— Deve ter sido.

— Ela iniciou um choro infinito e eu tentava adivinhar o que ela tanto queria e depois de um tempo e muito desespero, ela choramingou em um alto tom, ‘papai’. Ela não me queria, na verdade ela só tinha como objetivo que eu pegasse o coelho, o que não adiantou, porque não entendi. – eu ria sem parar.

— Ela chamou o coelho de papai, vamos confessar a derrota, Castle.

— Não desvalorize a minha luta para ouvir um simples ‘papai’, detetive. Eu alimentei aquela criança gordinha e nem me chamar de papai ela queria. Mais uma mulher ingrata na minha vida.

— Ela te ama – disse aos risos – e você sabe.

— É, eu sei, mas ‘papai’ é bem importante para o amadurecimento dos pais.

— Onde você leu isso, papai? – eu disse zoando.

— No CDPEB – disse certo de si.

— E o que seria isso? – disse esperando o que poderia vir.

— Código de Defesa dos Pais Extremamente Bonitos.

— Fala sério! – ele gargalhou – Boa noite, Castle.

— Boa noite, mamãe.

— Obrigada.

— Sempre.

Notas finais
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