You are not alone...

5 I ain't going anywhere


Notas iniciais
Eu deveria dormir porque tenho aula cedo amanhã? Sim. Eu deveria estudar para minha prova que terei amanhã a tarde? Sim. Eu deveria fazer o meu dever de biologia? Provavelmente. Mas escrever isso aqui é muito mais legal, então... Sem mais delongas, Boa leitura!

Emma e Regina foram diretamente para o hospital. Emma estava ansiosa para conhecer Henry e a morena doida para rever seus filhos. Quando chegaram, Emma achou melhor fazer os testes primeiro enquanto Regina conversava sobre a situação com os filhos.

Regina olhou pela janela na lateral do quarto de seu filho e viu Alycia deitada na cama, abraçando seu irmão de lado e fazendo carinho em seus cabelos. Henry estava bem mais pálido desde a última vez que Regina havia o visto. Parecia menor e mais fraco também, mas nem isso tiraria o sorriso de seu rosto enquanto conversava com sua irmã.

Ela chegou mais perto da porta do quarto e ficou parada encostada na parede, ouvindo a conversa dos filhos.

— Ally, me conta uma história? — ouviu a voz fraca de Henry.

— Humm… qual? — ela respondeu.

— Qualquer uma – a menina pareceu pensar um pouco e quando decidiu a história abriu um imenso sorriso.

— Okay então… Era uma vez…

— Sério? — interrompeu Henry.

— O que? — perguntou abaixando a cabeça para vê-lo melhor.

— Você vai começar a história com “Era uma vez”?

— E qual é o problema disso? — perguntou divertida.

— As pessoas só começam a contar histórias assim quando é pra criança.

— E você é o que exatamente?

— Um homenzinho – respondeu com um sorriso fraco, mas grande. A resposta arrancou uma leve gargalhada de sua irmã e uma risada contida da mulher atrás da porta.

— Okay, homenzinho, mas eu sou a mais velha e eu começo a história do jeito que eu quiser.

— Ah, são só 3 anos… — reclamou.

— Bom, não sou eu que ainda uso meias dos Padrinhos Mágicos— Disse apontando para os pés do irmão que estavam cobertas com a tal meia.

— Ei! Você também usa – Apontou para os pés da irmã.

— Não uso não – O menino ergueu as sobrancelhas e com esforço levantou a cabeça mirando a irmã. “com quem será que ele aprendeu isso?” pensou irônica – São os Power Rangers! — tentou se defender. — É diferente.

— Sei, sei… — Disse Henry em tom de deboche voltando a mirar a parede do quarto.

— Shiu. Deixa eu continuar.

— Vai em frente – o menino se aconchegou melhor nos braços da irmã, abraçando sua cintura, e esperou o começo da história.

— Era uma vez… — Henry revira os olhos. – uma menina. Ela era a menina mais linda de todo o reino, morena de olhos castanhos. Ela era animada, cheia de felicidade. E uma coisa que ela sempre quis fazer, era cavalgar.

— Eu amo cavalos… — Disse Henry baixinho, não querendo atrapalhar a história.

— Eu sei. Ela também amava. — Disse sorrindo. — Um dia, ela decidiu que iria aos estábulos e montaria em um cavalo pela primeira vez. Lá ela conheceu um rapaz, e eles se apaixonaram a primeira vista – Alycia olhou para o irmão, que não dava nenhum sinal que adormeceria, então continuou. — Os dois passaram dias e noites juntos, cada vez mais apaixonados. Mas a mãe da menina não gostava nada disso. Ela queria que a filha virasse uma Rainha e não a esposa de um camponês – Alycia viu Henry fazer uma cara feia que fez ela rir. — Um dia, quando os jovens apaixonados pararam para descansar depois de uma longa cavalgada, os dois viram um cavalo descontrolado com uma garota montada gritando passar correndo! — Mesmo conhecendo a história, Henry ainda fazia caras e bocas, se surpreendendo com o decorrer da história e soltava uma gargalhada infantil fraca quando sua irmã gesticulava exageradamente com as mãos. — A morena não perdeu tempo e foi ao resgate da pequena menina.

— Então ela é uma heroína!

— Ela é muito mais que isso garoto – Disse Alycia dando um sorriso para Henry. — Mais tarde, a morena descobriu que a menina que havia salvado era uma princesa. O pai da princesa, o rei, em agradecimento, pediu a mão da jovem menina em casamento. Sua mãe prontamente aceitou por ela, mesmo sabendo que não era o desejo de sua filha e que ela amava outro…

— Nossa que mãe mais…

— Henry… — advertiu sua irmã, que já sabia o que o menino tinha em mente.

— Ahnnn… que mãe mais… boba… — sorriu inocentemente. Alycia apenas levantou a sobrancelha e riu.

— Continuando… — Disse voltando a história. — A morena, nada feliz com a decisão de sua mãe, decidiu fugir com o rapaz por quem estava apaixonada. Mas naquela noite, a princesa que a menina havia salvado, viu os dois se beijando e planejando a fuga. A princesa prometeu guardar segredo, mas a mãe da menina enganou a princesa que, no fim, revelou o segredo. — A boca de Henry formava um perfeito “O”. O menino estava morrendo de sono, mas não perderia o final da história por nada. — Na noite da fuga, a mãe da morena… arrancou o coração do rapaz, deixando sua filha inconsolável – Sua cabeça estava baixa, ela odiava essa parte da história, assim como Henry. — A menina descobriu que havia sido a princesa quem revelou o segredo, e nunca a perdoou…

— Essa história é sempre muito triste…

— Sim… mas tem mais.

— Tem? Você nunca me contou o resto.

— Bom, está na hora de você saber – Respirou fundo. — Depois disso ela acabou se casando com o rei e virando madrasta da menina. Anos mais tarde a morena mandou matar o rei e virou a única governante do reino. Ela prometeu que iria se vingar da princesa, não importava as consequências. A princesa cresceu e fugiu da madrasta para não ser morta. Enquanto fugia, encontrou um príncipe. Mas seu pai estava o forçando a casar sem amor. Os dois se apaixonaram e fugiram juntos, ficando noivos. No dia do casamento a madrasta da menina, que era conhecida como a Evil Queen por todos os seus súditos, invadiu o casamento. Ela prometeu lançar uma maldição que arrancaria a felicidade de todos.

— Então ela virou uma vilã?

— Calma que tem mais história – o menino assentiu com a cabeça e voltou a prestar atenção na história. — Meses depois, um bebê nascia. Era a filha dos recém-casados e a única esperança de salvar todos da maldição da rainha. Eles tiveram que mandar o bebê por um portal, para que anos depois ela pudesse salvá-los. A maldição chegou e mandou todos para outro reino, um reino sem magia. Você sabe qual reino? — Perguntou olhando para Henry.

— Hmm… — ponderou por alguns segundos. — Não…

— O nosso – Henry arregalou os olhos de um jeito que fez sua irmã rir. — Pois é. A maldição fez o tempo parar e apagou a memória de todos, as substituindo por novas. Assim, ninguém nunca mais conseguiria seu final feliz.

— Uau! Ela é muito má…

— Mas tem uma outra coisa que você não sabe…

— O que?

— Alguns anos se passaram e a rainha começou a se sentir sozinha. Assim, ela adotou duas crianças que trouxeram alegria e amor para a vida dela e agora ela quer achar a filha de sua ex-enteada para quebrar a maldição e se redimir.

— Hmm… E como a história acaba?

— Eu ainda não sei, mas quando eu descobrir eu te aviso — os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, até que Alycia quebrou esse silêncio. — Henry.

— Sim… — Disse ele meio sonolento.

— Se você fosse um dos filhos da rainha… Você perdoaria ela?

— Ally, eu não teria nada o que perdoar.- Ele se ajeitou e olhou nos olhos da irmã.- Ela quer se redimir, e tudo que aconteceu não foi exatamente culpa dela. Não importa o que ela teria feito no passado. Ela ainda seria a minha mãe — Os olhos de Alycia lacrimejaram. Ela se segurou para não apertar seu irmão e dar vários beijos por todo seu rosto. Então ela só sorriu. — Por que? — perguntou ele, se ajeitando na cama e fechando os olhos.

— Um dia eu prometo que te falo – Alguns segundos passaram e o menino já estava em um sono profundo. — Eu tenho muito orgulho de você Henry. Você é um ótimo filho… e irmão — Sussurrou e colocou seu ajeitou seu irmão na cama, saindo dela logo em seguida.

Regina chorava e sorria ao mesmo tempo, ouvindo a história contada por sua filha. Quando ela havia começado a contar, ficou triste e apreensiva, mas a resposta de seu filho fez toda a dor, que acabará de reviver, valer pena.

Ela limpou as lágrimas dos olhos e abriu a porta cuidadosamente. A primeira coisa que viu foi Henry dormindo na cama, agarrado a um cavalo de pelúcia. “Obra de Dona Alycia, presumo”. Pensou.

Seu sorriso abriu ainda mais quando viu sua filha sentada na poltrona no canto do quarto, olhando o irmão dormir. Ela se encostou no batente da porta e ficou olhando para ela até ser percebida.

— Mama? — Seu sorriso ficou enorme.

Ela levantou e andou rapidamente até sua mãe, tentando não acordar Henry. Ela envolveu Regina em um forte abraço, que foi retribuído na mesma hora. As duas foram para o corredor ainda abraçadas e quando Alycia levantou a cabeça para olhar a mãe, viu que seus olhos estavam vermelhos. Ela se afastou e abaixou a cabeça.

— A senhora ouviu… — Um sorriso triste tomou conta dos lábios da mais velha. — Mama…Desculpa…

— Hey… — Pegou no queixo de sua filha para fazê-la encará-la. — Não se desculpe — A mais velha abriu um sorriso genuíno tão bonito, que fez sua filha sorrir também. — Obrigada… Por tudo — As duas se abraçaram de novo, dessa vez por mais tempo.

Quando finalmente se separaram, elas se afastaram um pouco do quarto e Regina explicou tudo sobre a mãe biológica de Henry. Quanto mais ela falava, mais a menina se contraia. Regina achou estranho, afinal, Emma estava ali para salvar Henry.

— Regina, eu já acabei de…- a loira chega na hora exata em que a morena tinha acabado de explicar tudo para a filha. — Oi…

— Então, você é a mãe biológica do meu irmão?- Perguntou Alycia sem cerimônias.

— Ahnn… sim, eu sou – a menina não demonstrou nenhuma expressão e não respondeu nada, apenas saiu andando para outra parte do hospital. Regina ficaria preocupada se não soubesse que Mary estava trabalhando como voluntária naquele mesmo momento. — Eu disse algo errado?

— Não… ela é assim mesmo… depois eu vou conversar com ela. Conheço a minha filha e nesse momento ela precisa andar para se acalmar – Explicou a morena – Qualquer coisa, minha amiga Mary me avisa. Ela trabalha como voluntária aqui e eu tenho certeza que é para lá que ela está indo – a loira deu um sorriso triste, mas entendeu.

— É aqui? — perguntou meio apreensiva, apontando para a porta que estava mais afastada.

— É aqui sim – Sorriu. — Eu ainda não tive a chance de conversar com ele, pois esta dormindo. Mas se você quiser ver ele, podemos entrar mesmo assim – Emma apenas assentiu com a cabeça e abriu um sorriso nervoso. As duas entraram no quarto e os olhos da loira começaram a lacrimejar.

— Ele é tão pequeno… — Ela se aproximou e tocou o rosto dele cuidadosamente para não acordá-lo. — Tão frágil… — Quando se deram conta, as duas já estavam chorando.

Regina sorria amavelmente. Ela chegou mais perto dos dois e segurou a mão de Henry na cama e botou a outra mão no ombro de Emma. A loira, em um movimento automático, segurou a mão da morena em seu ombro e ficaram assim por alguns minutos até que o celular de Regina começou a vibrar.

Ela pediu licença e foi atender o celular do lado de fora, enquanto Emma ficava com Henry.

— Mary? — Disse ao atender.

Regina!

— Algo de errado com a Alycia?

Eu não sei exatamente. Ela foi pro canto…

—Ela foi pro canto?!- Exclamou Regina um tanto mais alto. Passou a mão pelos cabelos em um ato de nervosismo. — Obrigada por me avisar Mary, já estou indo – A morena desligou o celular e respirou fundo.

— Aconteceu alguma coisa? — Emma pergunta saindo do quarto e fechando a porta atrás de si. — O que é o canto?

— Alycia…- começou a explicar, mesmo não entendendo o porquê de estar se abrindo com uma recém-conhecida. — Sempre que alguma coisa muito séria acontece ou quando ela não consegue lidar com seus próprios sentimentos, ela vai pro canto dela no telhado do hospital.

— Por que o telhado?

— Lá ela consegue ver a maior parte da cidade. Não tem movimento e o ar é mais puro. Isso acalma ela – Regina estava claramente preocupada. Sua voz trêmula entregava isso. — Eu preciso ir falar com ela…

— Eu vou.

— Emma…

— Regina, isso é obviamente por minha causa – chegou mais perto da morena, a olhando bem fundo nos olhos e segurando seus braços, fazendo a morena se arrepiar com o toque. — Pode deixar que eu falo com ela. E você fica aqui com Henry, talvez consiga falar com ele… Ainda mais que os testes que eu fiz vão demorar algumas horas para ficarem prontos.

A mais velha pareceu pensar. Ela respirou fundo, aproveitando o toque macio de Emma e, por fim, assentiu com a cabeça.

— Okay… acho que você pode tentar…- a mais nova sorriu em agradecimento e saiu na direção das escadas. — Miss SwanChamou Regina em um tom mais alto.

— Sim, Madame Prefeita? — respondeu Emma, se virando para encarar a morena.

— Não traumatize a minha filha.

— Hmm… Não posso prometer tal coisa – disse com um sorriso sapeca no rosto enquanto andava de costas, recebendo um olhar reprovador de Regina e uma revirada de olho. Mesmo assim, a loira sabia que a prefeita estava segurando o riso.

Quando chegou no telhado, Emma não teve dificuldade para encontrar a menina. Ela estava sentada longe da beirada, encostada em um dos tubos de ventilação. Ela olhava para todos os cantos. Olhava para a cidade, para o céu ou até mesmo para o chão.

A loira se aproximou lentamente de Alycia e quando percebeu que a menina não reclamaria de sua presença, se sentou ao seu lado. Ficaram em silêncio por alguns minutos. Emma tinha se voluntariado para ir conversar com ela, mas não sabia o que falar.

— Você vai tirar ele de nós?- perguntou Alycia em um tom tão baixo que Emma não conseguiu entender.

— O quê? — a menina levantou o olhar até encontrar com o de Emma.

— Você vai levar o meu irmão embora? — Emma finalmente entendeu o que estava incomodando a garota.

— Não! É claro que não… — a menina nada respondeu, apenas virou o rosto e voltou a encarar os altos e baixos prédios da cidade.

— Alycia… — hesitantemente, a menina se virou para Emma. — Eu nunca faria isso com você ou a sua mãe. Nem com Henry. Vocês são uma família, e eu nunca interferiria nisso. — Alycia sorriu com esforço, mas sorriu.

— Quando tudo acabar, você vai embora? — Emma lhe deu um olhar interrogativo. – Quando você e Henry se conhecerem, ele provavelmente vai gostar de você. Se você for embora, vai partir o coração dele… — Emma se virou totalmente para ela.

Kid… Eu não vou a lugar nenhum.

26 anos se passaram. Depois de 26 anos, os ponteiros da torre do relógio, começaram a se mexer.

Notas finais
Eu revisei, mas é exatamente meia noite e dezoito aqui, então eu não tenho certeza se tá tudo bonitinho. Nesse exato momento eu decidi que vou botar alguma coisinha sobre mim nas notas finais de alguns capítulos (só pra botar mesmo), e se vocês quiserem falar alguma coisa sobre vocês nos cometários, ficarei muito feliz... A minha música favorita é Iris do Goo Goo Dolls, mas a minha banda favorita é o Red Hot Chili Peppers. Até a próxima meus amores, e não se esqueçam de comentar!