You and Me
40 Siga o seu coração!
Notas iniciais
P.O.V Do Freddie
Foram oito anos,oito anos sem ver ela. Até hoje eu não sei como sobrevivi a isso,eu a amo. Amo tanto,mas eu tive que partir,foi necessário deixar Seattle,meus amigos e ela. Eu era um garoto ainda,muito imaturo e inconsequente,e eu me arrependo amargamente por te magoado a minha pequena,a minha Sammy. O amor da minha vida,eu queria tanto voltar atrás e fazer tudo diferente,eu não cometeria os mesmos erros,tudo seria diferente. Eu fui tão idiota e a perdi,foi doloroso demais deixar Seattle,abandonar tudo e tentar recomeçar em outro país,tão longe e sem o amor da minha vida.
Mas eu nunca deixei de pensar nela,todos os dias e todas as noites durante todos esses anos eu a tive em meus pensamentos ou em meus sonhos. E nenhum momento sequer tentei esquecê-la,eu deveria fazer isto? Tentar esquecer a mulher que eu amo? Acho que não,talvez eu nem conseguiria se tentasse. E eu consegui seguir em frente ou nem tanto,mas minha mãe,minha irmã e eu conseguimos nos estabelecer no Canadá,foi complicado no começo,eu tive que cuidar delas,ser o porto seguro delas,ser o homem da casa,essa era função do meu pai.
Minha irmã ainda era muito pequena,por ser tão ingênua e inocente na época,não entendia que o nosso pai havia nos deixado para nunca mais voltar. Leonard estava morto,aquilo quase foi o fim da nossa mãe que descubriu que o homem que ela tanto amava estava traindo-a,e ainda por cima morreu num acidente com a amante,trágico não?
Eu perdi meu pai e a Sam perdeu a mãe,todos nós sofremos no final das contas. Minha mãe,minha irmã,Sam e eu,o destino pode ser muito cruel às vezes,não tinha como evitar. O que tinha para acontecer,aconteceu...
Mas a Sam foi a que mais saiu machucada nessa história. Eu a machuquei,sou ciente que a magoei muito. E ela ainda foi vítima da lunática da Olivia que até chegou envenená-la e ameaçá-la muitas vezes. E a Sam ainda perdeu um filho,nosso filho e a mãe no mesmo dia,e ainda descubriu sobre a minha vingança e acho que ela deve me odiar,isso dói tanto.
Me apaixonar nunca esteve em meus planos,simplesmente aconteceu. E quando me dei conta já era praticamente tarde demais,a Sam estava num hospital e naquele dia eu descobrir que ela estava grávida e que havia perdido o nosso filho.
Ela esperava um filho. O nosso filho,e eu a fiz perder. Foi minha culpa,eu a empurrei e sem querer acabei matando o nosso bebê. Me sinto culpado,e eu nunca consegui me perdoar por isto.
Estraguei tudo. A culpa foi toda minha,estava cego,possesso,apenas queria me vingar. Eu a iludi,a usei,a magoei e brinquei com seus sentimentos. Mas eu me arrependi,sofrer de certa forma foi pagar pelos meus erros e ficar sem ela foi a pior coisa que poderia me acontecer,foi o meu castigo...
Desgracei com a minha vida,a vingança não me trouxe alegria como eu imaginava. Vi tudo desandar,sair dos trilhos,escapar por meus dedos e me levar para um buraco negro sem fim. Tive tantos pesadelos,cansei de acordar chorando,gritando o seu nome,querendo a minha princesa ao meu lado.
Mas os anos se passaram,hoje sou um homem,não sou mais aquele moleque mimado,fútil e egoísta,que só queria se divertir,que era obcecado por uma maldita vingança. Consegui me formar,sou advogado,um excelente advogado por sinal,um homem responsável,honesto,decente e sou orgulho da minha mãe.
E a Maggie é o meu orgulho,já tem 16 anos. Se tornou uma moça tão linda,inteligente e estudiosa. Ela também é o orgulho de nossa mãe,mas elas não quiseram voltar comigo para Seattle,tive que vir sozinho e vim para ficar.
Decidi deixar o Canadá e voltar para Seattle,minha cidade natal,meu verdadeiro lugar. Também voltei pelo meu grande e único amor,para ficar perto dela,para reconquistá-la. Será que Samantha Puckett me odeia? Espero que não,mas isso é bem possível... Eu não sei,só sei que nunca deixei de amá-la.
[...]
Meu coração se apertou quando ela fugiu de mim,entrou no carro e deu partida. Fiquei ali parado vendo-a ir embora,as lágrimas não paravam de descer banhando o meu rosto. Droga,eu havia deixado ela escapar,não podia fazer nada,Sam estava em meus braços e em poucos minutos se foi...
Eu havia chegado já faziam algumas semanas,três semanas e quatro dias para ser mais exato. Acabei alugando um apartamento e consegui entrar em contato com meus amigos,Dylan e Brad. Fiquei muito surpreso ao saber que o Dylan havia casado e já tinha um filho com a Melody,e que Brad havia sido fisgado por Carly e que estava noivo.
E eles me ajudaram,se não fosse por eles eu não teria chegado até a Sam. Fiquei muito feliz sabendo que ela havia se tornado uma grande e talentosa arquiteta. Segundo eles,a loira estava solteira e eles toparam me ajudar no nosso reencontro.
2 horas depois...
— A Carly e Melody vão nos matar quando ficarem sabendo que nós dois te ajudamos com seu reencontro com a Puckett. Eu te dei o número dela e o Dylan te passou o endereço da loira. Elas vão ficar umas feras com a gente,cara. — Brad falou andando de um lado para o outro na minha sala.
— Eu apanho quase todos os dias,então não estou com medo da minha mulher. — Dylan deu de ombros abrindo uma lata de cerveja,sentado no sofá,despreocupado.
— Eu nunca apanhei da Carls,mas ela vai querer me surrar quando souber que escondi isso tudo dela. — O Prentice disse se jogando ao lado do loiro.
— Só lamento. — Prendi o riso,aquilo era engraçado. Dois marmanjos de 25 anos com medo de suas mulheres.
— E aí,conseguiu matar a saudade de sua princesa Puckett? — Brad perguntou para mim.
— Mais ou menos... Eu queria tanto poder beijá-la,congelar aquele momento,sabe? — Fechei os olhos lembrando do abraço que eu havia dado na Sam.
— Entendo. Mas você foi um idiota,marcou um "encontro" com ela,mandou aquela carta cheia de mentiras,fingiu ser um advogado canadense que queria contratá-la para ela arquitetar uma casa que nem existe. Chorou feito um bebê abraçando ela porque não conseguiu se segurar e ainda por cima deixou ela escapar? A mulher ficou assustada,eu te daria um tapa bem dado na tua cara se eu fosse ela! — Dylan falou serio,mas acabou fazendo o Brad rir.
Fiquei pensando. De certa forma,mas não querendo concordar. Dylan tinha razão,eu agi como um idiota,o que ela deve estar pensando de mim?
— Mas você ainda pode consertar isso sabia? Que tal surpreendê-la? Já sabe o enderenço dela,certo? — O Prentice me encarou,me dando uma ideia.
— Garotas gostam de flores e chocolate,isso sempre funciona. — O loiro disse sorrindo.
— Uhum. Mas conta pro Freddie o que a Melody fez quando você deu flores e chocolate pra ela no Dia dos Namorados. — Prentice pediu risonho.
— Ela despedaçou todo o buquê de Rosas vermelhas e me botou pra correr dizendo que ia enfiar os bombons de chocolate no meu... Ah,você entendeu. — O Dylan contou nos fazendo rir. — Mas ela estava de TPM,cara! — Fez careta.
— Tá vendo como é engraçado,Benson? Eles casaram e tiveram um filho,e eu sou o padrinho do anjinho que se chama Antony. — Prentice contou sorrindo.
— Pelo menos eu nunca usei tanguinha rosa com rabinho e orelhinhas de coelhinho para realizar uma fantasia da noiva. Ele ainda deu uma de coelhinho sexy e deu cenouras com Chant...
— Cala a boca,seu idiota! — Brad se irritou jogando uma almofada na cara do Dylan não deixando ele terminar o que ia contar.
— Sério isso,Prentice? — Perguntei rindo.
— Então,Benson,você teve muitas namoradas canadenses? — Ele se esquivou da minha pergunta e mudou de assunto,espertinho não?
— Não namorei nenhuma canadense,mas eu tive digamos alguns "rolos",sabem? Nada sério... — Respondi sendo sincero.
— O cara não é de ferro,é claro que teve que pegar algumas gatinhas para não ficar na seca. — Dylan comentou e eu fiquei calado.
— Foi apenas sexo casual,certo? Mas era a Puckett que você queria,né? Que desejava e que ainda deseja com tanto fervor,não é?
— Sim,Brad. — Concordei.
— Mas cá entre nós,você sempre batia uma pensando nela,né? — Foi a vez do loiro curioso me questionar.
— Dylan! — Brad o repreendeu.
[...]
P.O.V Da Sam
Por quê? Por quê ele tinha que voltar? Eu não consigo entender,não quero entender. Minha cabeça está dando voltas e mais voltas,me sinto tão confusa,estou perdida em pensamentos. Malditos olhos castanhos,eu não devia ter olhado neles,maldito seja o dono daqueles olhos,daquela voz rouca,daquele topete impecável,daquele perfume inebriante.
Eu sonhei tantas vezes com aqueles olhos castanhos,com sua voz sussurrando,dizendo que se arrependeu. E eu sempre acordava em prantos,quase morrendo de saudades,agarrava o Seddie,o meu golfinho de pelúcia e pedia em pensamento que minha dor chegasse ao fim,que ele voltasse para mim...
E então,ele retorna para Seattle,é como se o meu pedido fosse realizado. Mas eu não tenho certeza,isso só pode ser coisa do destino,e agora o que devo fazer?
Só pode ter sido a Shay,ela não deveria ter armado isso pra mim. Quero estrangular minha amiga,isso não vai ficar assim...
— JÁ VAI! — Ouvi o grito da morena,parei de esmurrar a porta e aguardei ela abrir.
— Sam,o que...
— COMO PÔDE FAZER ISSO COMIGO SHAY? — Esbravejei empurrando-a,invadindo o seu apartamento.
— O que eu fiz? — Carly andou para trás me olhando assustada,eu estava com raiva,nervosa e não conseguia parar de chorar.
— VOCÊ FOI TÃO CRUEL,CARLOTTA. VOCÊ TEVE A CORAGEM DE ARRANJAR MAIS UM ENCONTRO PRA MIM... DESSA VEZ COM O BENSON! — Berrei inconformada,explodindo com ela.
— QUÊ? — Soltou um estridente e fino grito que até chegou me assustar. — EU NÃO FIZ NADA! COMO ASSIM VOCÊ TEVE UM ENCONTRO COM O BENSON? ELE VOLTOU PARA SEATTLE? OH,MEU DEUS! SÉRIO? OU VOCÊ PIROU DE VEZ SAM? TEM CERTEZA QUE É ELE? MAS ELE NÃO MORA NO CANADÁ? EU NÃO TÔ ENTENDENDO NADA! — Surtou gritando eufórica.
— J-jura q-que n-não tem n-nada a ver com i-isso? — Perguntei aos soluços.
— Juro! — Se aproximou e vi no seu olhar que ela estava falando a verdade. — Vamos sentar,quer um copo d'água com açúcar ou um chazinho? Me conte como foi isso. — Disse me conduzindo até o sofá.
— Um copo d'água,por favor. — Pedi.
[...]
— E ele disse que não vai desistir de mim. — Contei deitada com a cabeça em seu colo.
— Awwnn que lindo. Isso é tão romântico. — Suspirou afagando meu cabelo.
— Não é... — Funguei fechando os olhos.
— É sim,ele voltou para você. E ele ainda te ama e está disposto a ter de volta,Sammy.
— Mas eu não o quero... — Choraminguei.
— Não minta pra si mesma. Você o ama,disso eu tenho certeza. — Afirmou e eu suspirei.
— Mas eu tenho medo,Carly. Não sei se posso confiar nesse homem,não sei sobre suas verdadeiras intenções e se ele tiver tentando me iludir? Brincar com meus sentimentos novamente? — Me levantei e olhei para a morena.
— Olha,você se apaixonou por aquele garoto que partiu seu coração,que no início queria apenas se vingar de você. Mas esse garoto ficou no passado,não existe mais... Agora o Freddie é um homem,um homem completamente e perdidamente apaixonado por você e você deveria dar uma chance. Dê uma chance à ele,mesmo depois de tudo você ainda o ama. Siga o seu coração! — Me aconselhou.
— Obrigada,Carls. — Agradeci. — E desculpa por eu ter surtado,eu só faltei bater em você. — Abaixei a cabeça,envergonhada.
— Ah,que isso? Fica tranquila,vá pra casa,tome um banho relaxante e descanse. — Deu tapinhas em minhas costas.
— Farei isto. — Sorri.
Seguir o meu coração. Será que devo mesmo fazer isto? Ou devo ocupar a cabeça e fazer de tudo para esquecer Freddie Benson?
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