You and I
1 You and I
Notas iniciais
Era uma fria madrugada de fevereiro, na rua, a neve caía sem parar e o vento assoviava uma melancólica canção para a cidade deserta. Nova York, conhecida por ser a cidade que nunca dorme, estava rendida a madrugada de frio intenso. Não havia sinal de vida nas ruas, provavelmente todos indivíduos estavam recolhidos em suas casas, trajando pijamas de inverno, envoltos a cobertas quentes e travesseiros aconchegantes. Todos, exceto Regina Mills e Emma Swan. Há um pouco mais de um mês, ambas não sabiam o significado da palavra frio.
Estavam no bar que pertencia a morena, suas roupas jogadas pelo chão, a única coisa que as iluminava era a luz quase inexistente vinda da rua. Nuas, dividiam um sofá pouco confortável, beijos, caricias, calor e suor. Não, não tinha espaço para frio naquele lugar, quando a loira adentrou ali há um mês, trouxe consigo calor, um calor tão poderoso que acabou derretendo o coração gelado da morena nova-iorquina, fazendo com que se apaixonasse.
– Quer saber um segredo? — Emma sussurrou enquanto beijava a morena.
– Todos. Quero saber todos os seus segredos. — Pediu com uma certa urgência, desesperada para saber o mínimo que fosse sobre a mulher que tinha lhe roubado a sanidade.
– Todos? — Afastou a boca da boca da morena para que pudesse olha-la nos olhos e então sorriu. — Todos não, baby! Apenas os necessários. — Ferrada. Regina se sentia ferrada. Seus olhos estavam presos nos olhos misteriosos de Emma Swan, ansiava por saber o que quer que fosse, já tinha tentado de diversas maneiras conhecer um pouco da vida daquela mulher, mas o máximo que conseguiu descobrir foi seu nome e Nebraska, o estado em que viva aquela amostra de perfeição. — Vou lhe contar um! — Ronronou ao mordiscar o queixo da morena, a arrancando um suspirou. Trilhou beijos preguiçoso pelo maxilar da morena, até chegar em sua orelha, mordiscou a ponta, lhe arrancando arrepios. — Esse tem sido o inverno mais quente da minha vida, e isso não tem nada a ver com o tempo lá fora. — Sussurrou ao pé do ouvido de Regina, fazendo o corpo da morena reagir. Se sentia uma maníaca sexual, quando estava na presença de Emma. Não fazia ideia de que horas eram, mas tinha certeza que já era muito tarde e que estavam ali há algum tempo, durante esse tempo tudo que tinham feito era sexo, sexo e mais sexo. — Você me faz queimar, baby. — Mordeu o lóbulo da morena e antes que a mesma pudesse reagir, a loira já estava de pé. Caminhou lentamente até o lado oposto do bar, onde ficava o piano. Regina acompanhou o caminhar da mulher sem perder nenhum detalhe sequer. Perguntou-se como poderia existir alguém tão fodidamente perfeita com Emma Swan. O corpo escultural, seus cabelos loiros e ondulados que iam até o meio das costas, sua pele alva, o caminhar gracioso, tudo era perfeito demais. A morena suspirou e lembrou-se dos belos anjos das pinturas de Michelangelo. Se anjos existiam, com certeza Emma era um, um anjo caído, provavelmente Lúcifer, o mais belo e poderoso de todos. Sua missão na terra provavelmente era enlouquecer os mortais com sua beleza, fazerem se apaixonar e depois, simplesmente sumir. Emma sentou-se ao piano, correu os dedos pelo mesmo, então olhou em direção a morena e lhe sorriu. — Vou tocar para você. — Avisou.
– Sou toda ouvidos. — A morena suspirou e sentou-se no sofá que a pouco dividiam. Cruzou as pernas e alcançou seu copo de whisky que tinha abandonado em cima da mesa.
– Não seja mal agradecida, venha até aqui, sente-se ao meu lado. — Bateu com a mão sobre banco e lhe lançou um sorriso diabólico. — Vem, baby! — Dessa vez chamou a morena com seu dedo indicador. Regina deu um grande gole no seu whisky, levantou-se, pegou a garrafa do whisky e foi.
– Você é personificação do diabo, só pode ser. — Sussurrou ao colocar a garrafa em cima do piano e sentar-se ao lado da sua perdição. Emma jogou a cabeça para trás e deu uma sonora gargalhada ao ouvir aquilo.
– Por que você diz isso? — Quis saber. — Que maldade, baby! Sou praticamente um anjo. — Piscou para a morena que sorriu e concordou.
– Lúcifer, já ouviu falar? Era o anjo mais belo e estava acima de todos os outros, até que um dia ele tentou trair Deus e foi expulso do céu. Agora ele é um anjo caído, que anda por aí, matando, roubando, destruindo. — A loira sorriu e começou a dedilhar o piano.
– Eu não estou matando, roubando, nem destruindo. — Comentou sorrindo enquanto começava uma canção.
– Matando eu não sei, mas roubou meu coração, e amanhã o destruíra ao ir embora sem ao menos me deixar saber para onde exatamente você está indo. — A loira voltou a sorrir, seus olhos estavam nas teclas do piano.
– Eu sendo Lúcifer, você nada mais é do que uma criatura de Deus, a mais bela de suas criaturas. — Concluiu sorrindo. — O bem e o mal. — Tirou os olhos das teclas e encarou a morena estonteante sentada ao seu lado. — Quem diria que lados tão opostos poderiam ser simplesmente perfeitos juntos? — Compartilhou seu pensamento com Regina, deixando a morena ainda mais perdida e curiosa.
– Por que você quer separar o que é perfeito? — Indagou, arrancando um sorriso tristonho da loira.
– São perfeitos porque não podem estar juntos. Só é perfeito aquilo que você não tem. Cobiçar, é perfeito. Possuir sem ser seu, é perfeito. Quando passa a ser seu, torna-se normal, imperfeito. — Regina se sentia cada vez mais perdida, Emma parecia falar em códigos, charadas, palavras que não levavam a lugar algum. As vezes achava que a loira tinha o intuito de enlouquece-la, e as vezes achava que ela parecia uma pessoa perdida, completamente perdida.
– Está dizendo que se ficar vai cansar de mim? — Emma sorriu e voltou a prestar atenção no piano.
– Provavelmente você de mim. — Deu de ombros.
– Oh não, querida, isso jamais. — Respondeu com convicção.
– Baby, por favor, não vamos mais falar sobre isso. — Pediu, deixando a morena irritada. — Esse assunto é uma completa perda de tempo.
– O problema é que não existe nada para falarmos, você se recusa a conversar, se recusa a me falar sobre você. As vezes acho que você é uma foragida, que deve algo a alguém ou coisas do tipo. — Esbravejou com a loira que nada disse. Por alguns minutos tudo que ouviu foi o som do piano, heart of gold a velha melodia de Johnny Cash, ecoava pelo bar. A loira parecia compenetrada no instrumento, o tocava com paixão, seus dedos pareciam acariciar as teclas, seus olhos há muito já estavam fechados, ela tinha um pequeno sorriso nos lábios. A morena sentiu um pouco de ciúmes daquele piano, ao ver o quanto Emma parecia entregue, ao instrumento.
– Eu não sou foragida nem nada assim. — Começou. — Sou uma pessoa chata, baby. Minha vida é um tédio. Você cansaria de mim. — Murmurou, ainda de olhos fechados, sem para de tocar. — Não há nada sobre mim que valha a pena você saber, caso contrario, o encanto se quebrará e tudo que você vai ver é um sapo. — Começou a balançar a cabeça no ritmo lento da melodia.
– Se isso acontecer, prometo beijar você e lhe devolver a perfeição. — Falou com convicção, coração acelerado com a possibilidade de saber mais sobre seu anjo caído. — Por favor, Emma. — Suplicou e de novo por um tempo tudo que se fez presente entre elas foi a melodia do piano.
– Lincoln, Nebraska, sou de lá. — Murmurou por fim. — Morei lá todos os anos da minha vida. Não pergunte a minha idade, baby, é muito desagradável perguntar isso a uma mulher. — Fez uma pausa, de novo dedicando-se só ao piano, sem nunca abrir os olhos. Regina teve a impressão que aquele era o jeito que a loira encontrou para falar sobre si. — Eu tenho um cara. — Confidenciou, fazendo os olhos da morena crescerem em sinal de surpresa. — Apesar dos pesares, um cara legal. Podemos chama-lo de Nebraska. Ele é meu marido. — Incrédula e um pouco tremula, a morena pegou sua garrafa de whisky de cima do piano e a entornou. — Ele é paraplégico. — Ao ouvir a mais nova revelação, Regina quase se afogou com o whisky o que a fez deixar o líquido escorrer pelos cantos da boca. Além de estar tendo um caso com uma mulher casada, o marido da sua amante era paraplégico. Oh Deus! Não existia nada no mundo que odiava mais do que traição. Abominava tal coisa, julgava sem piedade pessoas que traíam, e de repente descobre que fazia parte da seleta lista de amantes. Era amante de uma mulher que tinha um marido paraplégico. Era muita informação para absorver em uma noite só. — Nós nos envolvemos em um acidente de carro, quando ele completou 18 anos. Ele ficou paraplégico. Eu tenho alguns pinos de titânio na coluna. — Sua voz entristeceu ao contar aquilo. — Há apenas três coisas nessa vida a quem eu servirei. Meu pai, Nebraska e Jesus Cristo. — A morena juntou as sobrancelhas, sem entender a mudança de assunto. Era só aquilo? Ela dizia que era casada, que tinha um marido paraplégico e de repente estavam falando sobre Nebraska, Jesus e o pai dela? — Poderia passar a noite lhe contando sobre meu pai, mas não temos tempo para isso. Resumindo, ele sempre foi um homem sério, responsável, trabalhou duro a vida toda, e sempre exigiu o mesmo dos filhos. — Suspirou. — Ele me responsabilizou pelo acidente, e fez casar com o Nebraska. Aceitei sem reclamar. Nada mais justo, depois de beber todas no aniversário do cara, dirigir o carro novo dele, capota-lo e deixar o cara paraplégico, certo? — Sorriu sem humor e voltou a dedicar-se única e exclusivamente ao piano.
– Eu... eu sinto muito. — Regina murmurou atordoada pelo o que acabara de ouvir, jamais imaginou ouvir qualquer coisa daquele tipo, jamais imaginou que por trás daquela mulher aparentemente indestrutível e inabalável, existia uma garota quebrada, que perdeu boa parte da vida tentando consertar algo que não tinha conserto.
Emma limitou-se a balançar a cabeça em sinal de concordância e esboçou um sorriso triste.
– Quem não sente, não é mesmo? — Sussurrou. — Você sabe, eu tento dar o meu melhor, mas as vezes... as vezes as coisas ficam pesadas demais. Os dias longos demais e as noite intermináveis. — Soltou com o ar. — As vezes eu preciso fugir da realidade, tomar algumas doses de entusiasmo, é um jeito não muito nobre que encontrei para não enlouquecer. — Confidenciou, antes de começar a cantar um trecho da música. Regina sabia que tinha mais, então nada falou, permaneceu em silêncio, esperando para que a loira continuasse seu desabafo. Sim, aquilo com certeza era um desabafo. Tinha certeza absoluta que aquela era a primeira vez que Emma contava sobre sua vida para alguém. — Temos um piano na sala de casa, e é com ele que eu divido muitas das minhas noites solitárias. Há algo em noites assim, sabe? Algo triste, melancólico, porém mágico. Nessa noites quando eu sento ao piano, fecho os olhos, deixo a melodia preencher minha alma e me teletransporto. Vejo o dia da minha liberdade. É algo tão real, que juro para você que eu quase consigo toca-lo. Vejo lugares, pessoas, amizades, amores, sorrisos, lágrimas, felicidade, vejo uma vida. — Suspirou. — Ah baby, noites solitárias podem ser boas companhias as vezes. — Sorriu. — Meu camarada do Nebraska soube que um médico aqui de Nova York, está procurando pacientes para um tratamento experimental e aqui estamos nós. Como não deu certo, estamos voltando para casa amanhã. — Mais uma vez Emma parou de falar, e dedicou toda sua atenção ao piano, enquanto Regina estava estática, sem reação. Não sabia o que dizer, o que fazer, como agir. Se sentia cada vez mais atordoada com tudo que ouviu. — Vou lhe contar outro segredo. — Avisou. — No mês passado, quando entrei por aquela porta, e bati meus olhos em você, eu soube que era você, baby. Era você, exatamente você, a vida que imaginei em todas as minhas noites solitárias. — Parou de tocar, abriu os olhos e voltou-se para Regina. — Existe algo aqui, nessa cidade, mais precisamente nesse bar, nas nossas noites, no seu gosto de whisky, nos seus olhos, no seu sorriso, no seu jeito de falar. — Sorriu e levou a mão até o lábio superior da morena, onde tinha uma pequena cicatriz. — Nessas marcas de batom, nas nossas roupas jogas nesse chão. — Sussurrou ao passar o polegar por lá. — Existe muita coisa, muita, muita coisa nesse lugar, muita coisa entre você e eu. Há um magnetismo. — Sorriu. — Você já teve a sensação de encontrar o caminho de casa? Essa é a sensação que eu tenho quando estou aqui com você. — Sorriu. — Então não, baby, não é só sexo. — Respondeu o que lhe tinha sido perguntado na noite anterior, então tirou a mão do rosto da morena e voltou a dedilhar o piano. — Se houvesse uma outra alternativa, eu ficaria e arriscaria, faria qualquer coisa por você. Tornaria essa nossa perfeição, imperfeita pelo resto da minha vida, juro, mas você sabe, eu tenho que servir ao meu pai. — A morena balançou a cabeça concordando.
– É, você tem. — Sussurrou, arrancando um sorriso triste da loira.
– O sapo não volta a ser Lúcifer no final da história, não é? — Voltou a fechar os olhos.
– Não é certo com ele. — Voltou a sussurrar. — Com o seu cara do Nebraska. — Lamentou-se.
– E é certo comigo? — Indagou um pouco chateada.
– E é comigo? — Rebateu. — Você deu sua palavra a Jesus Cristo ao obedecer seu pai e casar-se com o cara do Nebraska. Posso mesmo competir com os três homens a quem você serve? — Emma parou de tocar e por longos segundos um silêncio perturbador se fez presente naquele lugar. A morena esboçou um sorriso triste. Aquele silêncio respondia as suas perguntas. Não, ela não podia competir com tais coisas. — Como eu suspeitei. — Lamentou-se. — Acho melhor você colocar suas roupas e ir embora. — Pediu. — Quanto mais cedo você for, mais cedo podemos esquecer tudo isso. — Regina pensou em levantar e ir em direção as suas roupas, mas Emma pareceu prever aquilo e antes que a morena pudesse levantar, a segurou pelo braço. Abriu os olhos e encarou Regina. Pela primeira vez não viu mistério nem segredos nos olhos claros da loira, tristeza, era o que via nos olhos marejados de Emma.
– Eu não tenho alternativa, mas juro para você, baby, um dia eu vou voltar, juro que vou. Você não precisa me esperar, nem nada assim. Vou voltar nem que seja só para ver você do outro lado da rua. Me contento em ver de longe o seu sorriso lindo. Doses diárias desse sorriso será o bastante para o resto da minha vida. — Deixou uma lágrima cair. — Me deixa ficar, me deixa aproveitar o tempo que me resta. É meu aniversário hoje, me dê a sua companhia de presente nas poucas horas que me restam aqui. Por favor, baby, me dê isso. Me dê algo ao que me agarrar. Me dê boas lembranças para eu conseguir suportar. — Pediu, deixando mais lágrimas caírem.
– Regina! Regina! Regina! — Zelena estalava os dedos na frente dos olhos da irmã, tentando a tirar do transe em que se encontrava. — Regina! — Sacudiu os ombros da morena, que piscou, balançou a cabeça tentando apagar de sua mente a lembrança de sua perdição.
– Onde é o incêndio, Zelena? — Indagou sem paciência ao encarar a irmã.
– Sua sorte é que não tem um. Se não você morreria queimada e sequer iria perceber. — Implicou, a fazendo rolar os olhos.
– O que você quer? — Esbravejou.
– Avisar que estou indo e perguntar se você ter certeza que não quer vir junto. — A morena rolou os olhos pela insistência de Zelena.
– Pela milésima vez, eu não quero ir junto. Boa noite e até amanhã! — Tentou despacha-la.
– Por favor, Regina! É dia dos namorados, vem comigo, prometo arrumar alguém para você. — Regina lhe lançou um olhar de fúria. Não, ela não queria arranjar alguém. Estava bem daquele jeito, ficaria na companhia da solidão, assim não correria o risco de se envolver, se apaixonar e se ferrar mais uma vez. Amor, palavra idiota, sentimento idiota que só servia para jogar as pessoas para baixo. Que raio de sentimento era aquele afinal? Como aquela porra de palavra conseguiu virar sua vida de cabeça para baixo daquele jeito? Não conseguia mais nem ver um filme de romance sem se abalar. E as músicas? Se via em todas as músicas de dor de cotovelo que ouvia, gostava tanto de se martirizar, que as colocava para repetir.
– Você sabe onde você enfia esse dia dos namorados, Zelena? Tomara que congele com todos os outros idiotas que saírem na rua na noite estúpida de hoje. — A mulher levantou os braços em sinal de desistência.
– Ok, não está mais aqui quem falou. — Beijou o rosto da irmã. — Estou indo. Tenha uma ótima noite na companhia do silêncio. Só cuide para não arrumar uns gatos, porque só está faltando eles para eu ter certeza que você vai terminar sua vida sozinha e rabugenta. — Falou enquanto caminhava até a porta do lugar.
– Vai se foder! — Esbravejou com a irmã, que batendo a porta do lugar antes de ouvir o xingamento da morena. — Idiota! — Resmungou. Foi até a estante das bebidas, pegou sua garrafa de whisky, um copo e caminhou até a sua mesa preferida. A mesa que costumava dividir com Emma. — Sete gatos, sozinha e mal amada. — Resmungou enquanto despejava o líquido dentro do copo. — Tudo culpa sua, Emma Swan! — Seus sentimentos por Emma, eram muitas vezes confusos. As vezes, quando lembrava dos momentos que tiveram, a amava, mas a maior parte do tempo, a odiava. A odiava principalmente pelo fato de ainda espera-la. Noite após noite ainda fazia aquilo. Sentou-se a mesa, prendeu os olhos no piano, suspirou e entornou a primeira dose de whisky da noite. — Eu odeio você! — Falou entre dente. — Ah como eu amo! — Lamentou-se ao admitir a verdade. Balançou a cabeça em sinal de negativo e voltou a encher seu copo. Novamente entornou e então deixou sua testa cair sobre a mesa, ficou daquele jeito por um tempo, até o sino que tinha na porta lhe avisar que alguém estava entrado. — Volte outra hora, o bar já fechou. — Avisou sem se dar ao trabalho de levantar a cabeça e encarar o infeliz que chegou ali para perturba-la. — Se veio roubar, sinta-se a vontade, o dinheiro ainda está no caixa. — Não ouviu uma resposta, tudo que ouviu foi o barulho de saltos ecoando pelo chão do lugar.
– O que eu pretendo roubar, não está no caixa. — Ao ouvir a voz que há muito não ouvia, o coração da morena foi a boca e suas pernas fraquejaram. Lentamente ela foi levantando a cabeça. Viu um par de scarpins pretos, pernas alvas torneadas, um vestido preto envolto a um corpo esculpido, uma jaqueta de couro vermelha, cabelos loiros, e por fim, um rosto angelical, que carregava um meio sorriso sedutor e olhos claros brilhantes.
– Lúcifer. — Murmurou incrédula, como se estivesse vendo um fantasma.
– Baby! — Seu sorriso cresceu. — Oh baby, você é ainda mais perfeita do que eu conseguia lembrar. — Regina queria dizer muitas, muitas coisas, mas a surpresa por ver sua ruína ali, diante de si, não a deixava dizer nada. — Eu trouxe algo. — Avisou tornando visível o buquê de flores que segurava atrás das costas. — Gosta de rosas vermelhas? — Os olhos da morena ficaram presos no buquê por um tempo, ela sorriu sem humor e voltou a encarar Emma.
– Acha que pode me comprar com flores? — A loira sorriu e então tornou visível seu outro presente.
– Não tinha certeza sobre isso, então trouxe chocolates também. — Depositou os dois presentes em cima da mesa. Passou a mão pelos cabelos, jogando a franja para trás e então jogou as mãos para dentro dos bolsos da jaqueta. — Vim atrás do seu coração, pode me dizer onde encontra-lo? — A morena balançou a cabeça em sinal de negativo, mas por fim acabou sorrindo pela cara de pau da loira.
– Sente-se aqui no seu lugar. — Convidou ao bater com a mão no sofá ao seu lado.
– O nosso sofá. — Lançou um olhar sugestivo a morena, mordeu os lábios de forma provocativa e sentou-se ao lado da morena. — Vamos brindar. — Avisou ao encher o copo da morena e pegar a garrafa para si.
– E vamos brindar ao que exatamente? Ao Nebraska? — Provocou.
– Não, ao Nebraska não, baby. — Balançou a cabeça negando. — Já brindamos muito ao Nebraska, vamos deixa-lo no passado. Hoje vamos brindar a outra coisa, uma coisa nova. — Sugeriu, enchendo a morena de curiosidade. — Faz algum tempo, eu sei, mas eu voltei, baby, e eu juro pelo meu pai, pelo Nebraska e por Jesus Cristo, que e dessa vez eu não vou embora, pelo menos não sem você. — Aquilo soou como uma promessa. Estendeu a garrafa e bateu ela contra o copo da morena. — A você e eu!
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