You and I
12 Capítulo 12
Jonas Marra estava em sua sala quando, de repente, Davi entrou, agitado.
– Davi – falou Jonas, levantando-se da cadeira – precisava mesmo falar com você...
– Jonas, por acaso, foi você que mandou surrarem o Herval?
O empresário, por um momento, ficou sem saber o que dizer, encarando o seu sucessor.
– Como é?
– Só me responda isso, Jonas, foi você ou não. Sabe por que eu tô te perguntando isso? Porque, no fundo, eu sempre soube que Jonas Marra não era exemplo de pessoa pra ninguém, mas daí mandar espancar alguém... acho que você já foi longe demais.
– Do que você está falando, Davi?
– Do que eu tô falando? – continuou o rapaz – bom, dois homens estranhos e armados invadiram a casa do Herval Domingues na madrugada da terça e surraram ele. Bom, será que você não tem nada a ver com essa história? Eu gostaria de uma explicação.
– Peraí, Davi – falou o empresário, pondo a mão no queixo, pensativo – deixa eu ver se eu entendi. Então quer dizer que você veio até aqui, até o meu escritório, pra dizer na minha cara que praticamente tem certeza que eu mandei alguém espancar o Herval. É isso?
– Pois é, Jonas. Acho que eu mereço uma explicação, você não acha?
– Davi, eu sempre te achei um cara bacana, sabe, inteligente, sensato. Impulsivo, sim, mas sensato. Mas hoje tenho que admitir que você caiu consideravelmente no meu conceito. Me responda só uma coisa: por que você acha que eu faria uma coisa dessa?
– Não sei, Jonas. Me diga você. Eu vim aqui em busca de respostas.
– Presta atenção, Davi, se você é mesmo esse cara super esperto, cabeça, prodígio, que todo mundo acredita que você é, por que você mesmo não vai até a casa do seu mentor e pergunta pra ele? Ele, com certeza, vai saber te explicar muito melhor o que aconteceu.
– Jonas...
– Agora, deixa eu te perguntar uma outra coisa, muleque: você realmente acha que eu, Jonas Marra, sou burro o suficiente para mandar invadirem a casa de alguém, mesmo que esse alguém seja Herval Domingues, e o surrarem? Você, com certeza, está subestimando demais a minha inteligência, não acha? Quem você pensa que é, Davi Reis?
– O que eu sei é que de você não espero mais nada, Jonas Marra. E que eu me lembre, vocês dois brigraram feio lá no lançamento do Marraphone. Ou estou enganado? Eu estava lá. Eu vi que o Herval ameaçou você e você, claro, deve ter corrido depois atrás do seu prejuizo.
– Ah, é mesmo? Então quer dizer que agora, além de nerd, você também é onisciente, Davi? E tem super poderes também? Ou será que devo te chamar Golias? Quer saber de uma coisa? Eu sei que você não vai acreditar mesmo no que eu vou falar, mas eu quero deixar bem claro aqui pra você: eu não tenho nada a ver com essa história. Não armei pro fundador da ONG. Nem pra ninguém. E, evidentemente, não era sobre isso que eu queria falar com você... – falou Jonas, antes de ser interrompido por Murphy, que apareceu, de repente.
– Boss, desculpe interromper, mas Mr Carter está no telefone querendo falar com o senhor. Parece importante.
– Ok, Murphy – respondeu Jonas, pegando o telefone da mão do assessor – Davi, acabamos por aqui.
– Engano seu, Jonas – falou Davi, se preparando pra sair – a gente ainda tem muito o que falar. Essa história não acabou aqui. Com licença.
Davi saiu da sala de Jonas, confuso, não sabendo o que pensar. Se por um lado se sentia mal por ter acusado o magnata sem ter provas, por outro, não confiava nele e na sua versão dos fatos. Bom, mas agora era esperar para a verdade aparecer.
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Assim que terminou a ligação, Jonas sentou-se novamente e enconstou a cabeça na cadeira.
– Murphy?
– Sim, boss?
– Chame o Tommy Lee e o Will Smith aqui pra mim.
– Claro, boss. É pra já.
Quando o assessor saiu, Jonas continuou pensativo. Que história era aquela que Davi acabara de contar? Mas que droga, agora que estava indo tudo bem, que ele e Verônica tinham feito as pazes... bom, mas ele, Jonas, tinha a consciência tranquila, pois não havia contratado ninguém para surrar o fundador da ONG, isso sequer havia lhe passado pela cabeça, já que os socos que ele dera no dono da Plugar já haviam lhe aliviado a alma. Mas quem fizera aquilo? Será que havia alguém querendo incriminá-lo? Ou será que o próprio Herval estava armando tudo para se fazer de vítima? Jonas não sabia o que pensar.
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Verônica e Edna conversavam...
– Edna, pelo amor de Deus, que história é essa que você tá me contando?
– Verônica, o Herval sumiu durante aquele dia porque foi parar no hospital. Ele foi atacado por dois homens estranhos na noite do evento. Você lembra?
– É claro que eu lembro. Foi a noite que ele e o Jonas se desentenderam. Mas como assim? Que história é essa de surra, Edna? Pelo amor de Deus.
– Parece que dois homens apareceram de madrugada na casa dele nessa mesma noite. Ninguém sabe dizer o que aconteceu – falou a blogueira, fitando a amiga – e, Verônica, estão achando que o Jonas está por trás disso.
– Como assim? – falou Verônica, fitando-a – Como assim o Jonas está por trás disso, se ele passou toda essa noite comigo? Que maluquice é essa?
– Estão achando que ele mandou alguém surrar o Herval, Verônica e não que o próprio Jonas tenha feito o serviço, entende?
– Pior ainda – falou Verônica, chocada – seria um ato muito mais covarde da parte dele. Meu Deus do céu, Edna, claro que não! Que doideira é essa?– falou a jornalista – claro que o Jonas não tem nada a ver com essa história. Por que ele faria uma coisa dessas? – a jornalista, então, passou a mão na testa e mordeu o lábio superior, nervosa – claro que não foi ele, Edna. Que isso? O Jonas... o Jonas já mentiu muito, sim, já errou pra caramba, mas mandar alguém dar uma surra em alguém, mesmo sendo o Herval... isso não. Pelo amor de Deus, claro que não.
– Verônica – falou a amiga – você me desculpe, eu sei que você ama o Jonas, que vocês se amam, que vocês têm dois filhos lindos, que a história de amor de vocês é maravilhosa, mas eu posso ser sincera com você?
Verônica limitou-se a encarar a amiga.
– Eu não confio no Jonas – falou Edna – me desculpe, mas não confio. Pra mim, essa história tá muito suspeita e acho, sim, que ele pode estar envolvido nisso. Você confia? Bota a mão no fogo por ele? Me fala do fundo do seu coração, Verônica.
– Edna – falou Verônica, tensa – eu acho que você não tem esse direito. Não tem o direito de acusar o Jonas dessa forma. Aliás, você e mais ninguém tem esse direito. Você tem noção do que está me dizendo?
– Eu não tô acusando, Verônica, presta atenção – defendeu-se a blogueira – só estou comentando. De amiga pra amiga. Seja sincera comigo. Você acha mesmo que o Jonas não teria coragem de fazer isso com o Herval, depois daquela confusão na Plugar? Acredita piamente nele?
– Eu acho que... acho que essa história toda tá muito enrolada, muito estranha... e eu tenho que ouvir o Jonas primeiro.
– Claro. Ninguém tá dizendo o contrário... bom, eu vou indo, ok? – falou a blogueira, dando um beijo no rosto da amiga – desculpe se eu te chateei... não era essa a minha intenção. De verdade.
– Não, tudo bem.
– Depois a gente se fala, ok? Fique bem.
– Ok – respondeu Verônica, tensa, sentando-se no sofá. Em seguida, começou a sentir um enjoo insuportável e teve que ir às pressas até o banheiro. Era estresse, Verônica pensou. Devia ser. Agora com frequência sentia esses enjoos e muita tontura também. Será que era gravidez? Não, sua regra tinha descido normalmente no último mês... devia ser mesmo estresse.
*************
Herval levou um susto quando a ex-amante apareceu, de repente, na Plugar.
– Pamela.
– Herval.
– O que veio fazer aqui?
– Well, eu soube do que aconteceu com você, Herval. Vim ver como você está. Are you ok?
– Estou bem, obrigado. O pior já passou. Mas o que você quer, Pamela? Como está o cretino do seu ex-marido? Feliz com tudo que aconteceu?
– Não sei de Djonas, Herval. Agora que ele e Verônica voltaram, estou quase sem notícias dele, e perdendo a esperança também, se é que você me entende.
– Como assim ele e a Verônica voltaram? Do que você está falando?
– Well, you don't know, baby? Djonas e Verônica fizeram as pazes. Estão juntos de novo. E a essa altura, devem estar rindo da minha cara. E da sua também, maybe.
– Do que você tá falando, Pamela? Isso deve ser piada. Só pode, né. Será que não veio aqui só pra me perturbar?
– Oh, Herval, a sua jornalista não te contou? Não te contou a novidade?
– Eu não tive com a Verônica. Desde aquela noite que a gente não se vê... nem se fala.
– Ok, estou vendo... mas, well, eu não vim aqui falar de Verônica e sim de Djonas. Então você acha mesmo que foi Djonas que mandou te atacarem, Herval? Why? Ok, talvez ele tivesse motivos, mas Djonas nunca foi do tipo violento...
– Claro que foi ele – respondeu ele, irritado – quem mais poderia ter sido? Qual é, Pamela? Tá querendo defender aquele canalha agora, é?
– I don't know, eu não sei mais o que pensar... – respondeu ela – mas talvez você só esteja tentando destruir a imagem do grande rival, sabe? Será que estou errada?
Nervoso, Herval pegou Pamela pelo braço.
– Quer saber de uma coisa, Pamela Parker Marra? Por que você não me faz um favor e vai some daqui? Chega de me encher o saco. Corre atrás daquele canalha do Jonas e esquece de vez que eu existo.
– Oh, stop – gritou ela, chocada – você está me machucando!
Herval, então, colocou a loira pra fora. Depois, fechou a porta na cara dela. Em seguida, suspirou fundo, passando as mãos nos cabelos.
**************
No fim da tarde, Jonas chegou no quarto e encontrou Verônica deitada na cama deles, acarinhando os filhos, que dormiam tranquilamente ali mesmo.
– Oi – falou ele, antes de beijá-la no rosto – tudo bem? Estão dormindo feito anjos... – falou, orgulhoso, obervando os gêmeos.
– Estão – concordou ela, sorrindo – depois de aprontarem bastante hoje.
O marido também riu, imaginando a cena.
– E você? – perguntou ele, cheirando-lhe o ombro – que foi? Tá aí quietinha por quê? Tudo bem?
– Jonas – respondeu ela, se endireitando pra virar pra ele – a gente precisa conversar.
Ele, então, passou a mão no rosto. Sabia onde ela queria chegar.
– Verônica, eu já tô sabendo de tudo – falou ele, sério – sei o que aconteceu com o Herval Domingues. Aliás, o Davi teve a petulância de entrar na minha sala hoje e me acusar de ser o mandante de tudo.
– Meu Deus – falou ela, chocada, com as mãos tampando a boca – que isso?
– Pois é – respondeu ele, acarinhando o braço dela.
– Jonas – falou ela, fitando-o – pelo amor de Deus, olha pra mim... me fala a verdade, responda agora me olhando nos olhos... por tudo que é mais sagrado... pelos nossos filhos... você está envolvido nisso? Me diz.
Ele fitou-a por alguns sengundos, antes de responder.
– Não. Eu não tenho nada a ver com isso. Te dou a minha palavra. E não tenho ideia do que aconteceu com ele.
– Está falando a verdade? Sério?
– Sério. Eu tô falando a verdade – respondeu ele – não fui eu. Eu não surrei o Herval e muito menos mandei alguém fazer isso. O que aconteceu no evento foi só naquele dia. Depois da confusão eu só tive cabeça pra pensar em você. Tava pouco me lixando pra ele. Mas é claro que agora vão me acusar, desconfiar. Mas eu não tô nem aí pra o que eles pensam porque o que importa pra mim é você. O que você pensa.
Verônica, então, o abraçou fortemente, como se temesse que algo pudesse acontecer.
– Eu acredito em você, ok?
– Ok – falou ele, abraçando – e nada vai separar a gente. Eu prometo.
*************
Verônica foi procurar Herval, na Plugar. Ela o encontrou, em pé, de costas, arrumando algumas coisas numa estante antiga.
– Herval?
– Verônica – falou ele, virando-se pra olhá-la – nossa – sorriu ele – quanto tempo... como é que você tá?
– Tô bem, obrigada – respondeu ela – e você?
– Melhor agora te vendo – falou ele, rindo.
A jornalista abaixou a cabeça, sem graça.
– Herval, será que podemos conversar?
– Claro – respondeu ele, se aproximando dela – bom, mas será que podemos ir para um outro lugar?
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