You and I
7 Capítulo 7
Antes de voltar ao Rio, Verônica sentiu vontade de ligar para o telefone exclusivo de Jonas na Marra. Mas em vez do marido atender, quem atendeu foi Pamela, deixando-a surpresa.
– Pamela?
– Verônica, é você, dear?
– Sim, sou eu – respondeu a morena, sem saber o que pensar – E o Jonas?
– Bom, dear, eu não sei se você sabe, mas mesmo divorciada de Djonas, a gente mantém uma relação muito bonita de amizade e cumplicidade. Well, Djonas foi resolver um assunto very important, e talvez demorar um pouquito. Você quer deixar recado?
– Não, tudo bem – respondeu Verônica – vocês devem estar ocupados, eu presumo... eu ligo numa outra hora e falo diretamente com ele. Obrigada.
– Ok, dear. Bye.
Quando Verônica desligou o telefone, tensa, a amiga logo a encarou com a cara mais curiosa do mundo.
– Que foi? Era a Pamela? Pela sua cara, sim, né?
– Era a Pamela, Edna. A Pamela atendeu o telefone na sala do Jonas.
– E o que ela falou?
Verônica levantou-se, agitada, e voltou a arrumar as malas que estavam em cima da cama.
– Eu vou voltar agora mesmo pro Rio, Edna, e avisar ao Jonas que acabou. Pronto, acabou. Agora acabou. Eu não tenho mais paciência pra isso não – falou a jornalista, arrumando as coisas.
– O que você vai fazer? – perguntou a blogueira.
– Vou embora, Edna. Vou pegar minhas coisas, meus filhos e voltar pro meu apartamento. É isso o que eu vou fazer. Chega. Chega de Jonas, chega de Pamela, chega de mentiras... chega de tudo. Cansei. Não tenho mais estrutura pra isso não – suspirou a jornalista, sentando-se na cama, cansada – Cansei.
– Verônica, deixa eu ver se entendi: quer dizer então que a Pamela atendeu o telefone na sala do Jonas? É isso? Mas e ele?
– Ele não estava... parece que foi resolver um assunto importante... ah, mas quer saber? Foi bom ter acontecido isso, de eu falar com a Pamela na sala do Jonas, porque assim eu me livro de vez disso tudo, sabia? Edna, até ontem, eu já estava decidida a me separar, mas aí ele apacereceu aqui, com toda aquela lábia, aquele charme que ele tem, falou uma porção de coisas maravilhosas pra mim, e eu, boba como sempre aqui, caí. Como eu sou idiota. Sou uma idiota.
– Verônica, só pensa no que você vai fazer, tá legal? Não tome nenhuma atitude precipitada. Você já parou pra pensar que é isso mesmo que a Pamela quer? Te provocar?
– Edna, não é a Pamela, não é uma questão de ciúme, não é isso. Sabe mesmo o que eu acho da Pamela? Eu sinto pena dela, de verdade, do fundo do meu coração. O problema não é ela. O problema é que eu nunca mais vou confiar no Jonas. Perdi completamente a confiança nele. Mais uma vez eu perdi a confiança nele.
– Entendi... mas calma, deixa eu te ajudar a fazer as malas...
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Quando Pamela saiu da sala do ex-marido, Manuela se escondeu para evitar um possível cruzamento com a loira. Bóris observou tudo de longe e se aproximou da sucessora de Jonas Marra.
– É impressão minha ou você tá se escondendo? Tá se escondendo de quem, hein, Manuela Yannes?
– Ai, Bóris, que susto! Não tô me escondendo de ninguém. Só se for dessa sua cara feia – falou ela, irritada.
– Eu vi como você correu pra se esconder da Pamela Parker, ex mulher do Jonas. Qual o problema? O que você aprontou com ela, Manu?
– Me deixa, Bóris! Eu não aprontei nada. Deixa de ser maluco ou eu então...
– Ou então o quê? Tá me ameaçando, é?
– Ou então eu conto tudo pra Jonas.
– Conta o quê? Tá maluca?
– Conto que você não para de me perseguir, Bóris, que você vive me assediando dentro da Marra. Aposto que ele não vai gostar nada de saber disso.
– Eu vou descobrir os seus podres, Manuela Yannes, e quando isso acontecer, você vai implorar pra beijar essa minha cara feia.
– Vai sonhando, Bóris. Vai sonhando.
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Jonas chegou no quarto e ficou surpreso quando viu Verônica com as malas prontas – Que isso? Eu não tô entendendo... o que significa isso? – quis saber ele.
– Eu tô indo embora, Jonas. E dessa vez é pra valer – respondeu ela, encarando-o.
– Como assim indo embora? Verônica, eu pensei que nós dois …
– Jonas, antes de você aparecer ontem lá em Petrópolis, eu já tinha decidido isso... já tinha decidido me separar de você... só que aí você apareceu daquele jeito, de surpresa, e eu fiquei confusa... como eu sempre fico com você por perto.
– E a noite de ontem? Não significou nada?
– A noite de ontem foi um erro, Jonas... mais um erro que eu cometi nessa minha droga de vida enrolada – respondeu ela, controlando o choro.
– É assim que você pensa? Mais um erro? E a nossa relação, os nossos filhos... isso tudo também foi um erro?
– Os nossos filhos não, mas o jeito como tudo aconteceu sim. Jonas, a nossa relação começou toda errada. Por mais que você não admita, você foi errado, eu fui errada... nós fomos errados.
– Tá, mas a gente já pagou pelos nossos pecados. Verônica, até quando você vai ficar se martirizando? Eu fiquei preso, ficamos quatro anos longe um do outro. Do mesmo jeito que eu sofri, você também sofreu. Até mais. Eu não vi o nascimento dos nossos filhos. Você sabe o que é isso? Sabe o quanto isso significou pra mim? Ficar esses quatro anos longe de vocês foi o maior sofrimento da minha vida. E depois de tudo que passamos, você ainda quer desistir? É isso mesmo?
– Jonas, eu não estou feliz. Eu não consigo estar feliz assim. Eu não confio em você. Você continua mentindo. Eu nunca sei quando você está falando a verdade. Não consigo mais confiar em você. É isso. Perdi totalmente a confiança em você, Jonas.
– Verônica...
– Jonas, não adianta dizer que me ama porque... – falou ela, antes de dar uma pausa, emocionada – porque esse amor tá acabando comigo... tá me fazendo sofrer... você mentiu muito pra mim e continua mentindo.
– Eu te faço sofrer? É isso? Entendi – falou ele, emocionado – me perdoe então... Verônica, não precisa sair de casa... deixa que eu saio.
– Não, Jonas, eu saio. Eu faço questão.
– E vai pra onde? Voltar pra aquele apartamento minúsculo? Claro que não. Não tem necessidade disso. Você tem duas crianças. Não têm espaço pra vocês três lá. Ainda tem o Vicente... deixa que eu saio. Fique aqui com a casa, os gêmeos, o Vicente, que, pelo menos, aqui o espaço é grande. Tem piscina, jardim... eles adoram a piscina. Vão poder brincar, pular, correr...
– E você, vai pra onde?
– Eu me viro – respondeu ele, passando a mão na testa, tenso – já que o problema sou eu, eu saio... vou para um apart hotel da Marra, depois eu... – suspirou ele, tentando controlar a emoção – depois eu vejo um outro lugar. Não se preocupe. Eu, com certeza, vou ficar muito mais tranquilo sabendo que vocês estão bem aqui... eu só peço a você que me deixe ter acesso à casa, aos meus filhos...
– Claro. Você vai poder ver os seus filhos a hora que quiser. Tem a minha palavra.
– Quer que eu vá hoje ou eu posso passar a noite com eles?
– Passa a noite com eles... vai ser muito bom pra você, pra eles... claro – respondeu ela.
– Tá certo – respondeu ele, antes de dar-lhe um selinho carinhoso. Em seguida, Jonas afastou-se, não demonstrando o quanto estava arrasado com aquilo, e Verônica sentou-se no sofá, quase aos prantos.
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– Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando aceitei te encontrar, Pamela – comentou o dono da Plugar, irônico – tô perdendo meu tempo aqui.
– Herval, eu não sou mulher de desistir fácil das coisas, dear. Querendo você ou não, eu irei até o fim.
– Pamela, me desculpe parecer grosseiro, mas eu não tô nem aí pra o que você vai fazer da sua vida. Não mais. Você é bem adulta e sabe o que faz. Só vou dizer uma coisa: se você quer se vingar, se vingue do Jonas. Esquece a Verônica. Ela não tem nada a ver com isso.
– Oh, yeah – falou a loira, sarcástica – está defendendo agora a sua joarnalistazinha, Herval?
– A Verônica é bacana, Pamela. Eu conheço ela. Se você a conhecesse também, saberia disso. Saberia que o único canalha dessa história toda é o Jonas.
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Na cama com os filhos, Jonas contava histórias para eles, como de costume – Conta essa aqui agora, pai? – pediu a menina, entregando um livro a ele.
– Olha só! Pinóquio! – comentou ele, pegando o livro.
– É o menino que fala mentira – falou Loló – a gente não pode falar mentira, sabia?
– Não, não pode – respondeu Jonas, folheando o livro, enquanto os filhos aguardavam.
– Falar mentira é errado – falou Pedrinho – por isso que o Pinóquio ficou com o nariz grande.
– Isso aí – respondeu Jonas, rindo – por isso que ele ficou com o nariz grande. E sabiam que cada vez que ele contava uma mentira nova, o nariz dele crescia mais, ficando cade vez maior?
– Criança também fica com o nariz grande quando fala mentira, pai? – perguntou a menina.
– Se criança fica com o nariz grande quando fala mentira? Sabe, isso eu não sei. Eu nunca vi uma criança falando mentira. Vocês já viram? Mas o Pinóquio, que era um boneco e acabou virando menino, ficou com o nariz grandão. Querem ouvir a história?
– Quero – responderam os gêmeos.
DEPOIS...
Quando Verônica entrou no quarto dos filhos, encontrou-os adormecidos em volta do pai. Os três dormiam tranquilamente, com o livro de história perto. Sorrindo, ela os cobriu com cuidado para não acordá-los. Em seguida, apagou a luz e saiu.
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ALGUMAS SEMANAS DEPOIS...
– Bom, Herval, por hoje é só... – comentou a jornalista, guardando as coisas.
– Pois é, e sabe o que eu tava aqui pensando? – perguntou o dono da Plugar, simpático.
– Não. O quê?
– Você ainda tá me devendo aquele almoço, Verônica Monteiro. Lembra? – falou ele – e antes que você invente uma desculpa aqui para frustrar os meus planos, eu vou logo avisando: eu sei que os seus filhos estão passeando com os irmãos, pois você mesma comentou isso aqui durante a entrevista. Então isso significa que você não precisa sair correndo hoje pra casa. Estou errado?
– Não, não está errado – respondeu ela, rindo – e você é insistente demais, sabia?
– Eu sou – respondeu ele – agora mais do nunca – em seguida, ele pegou na mão dela, deixando-a um pouco desconsertada.
– Bom, Herval – falou ela, retirando a mão – eu até aceito o convite do almoço, mas com uma condição...
– Qual?
– Eu quero escolher o cardápio. Posso?
– Mas é claro que pode! Pode não, deve! Só vou te pedir uma coisa: lembra que eu trabalho numa ONG, sabe, que meu salário é pequeno... e vou te falar uma coisa: você não vai se arrepender: você vai ver que eu posso ser, sim, uma companhia muito agradável.
– Eu imagino... mas então, vamos? Que eu não sei você está, mas eu tô morrendo de fome – confessou ela, fazendo-o rir – aliás, isso é mais uma coisa que você precisa saber sobre mim, Herval: eu vivo com fome!
– É mesmo? Não acredito. Uma mulher linda dessa e ainda por cima, faminta? É isso mesmo?
– Isso mesmo – respondeu ela, antes deles se levantarem.
Enquanto eles se preparavam pra sair, Rita apareceu – Fala, Herval! Oi, Verônica!
– Oi, tudo bem? – falou a jornalista.
– Rita, eu e a Verônica vamos dar uma saidinha agora pra almoçar fora... você fica de olho aqui na Plugar pra mim?
– Claro, Herval. Vão lá. Eu olho aqui sim. Tá tudo sob o controle.
– Valeu, Rita – respondeu Herval.
– Tchau. Divirtam-se!
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Jonas estava deitado no sofá, no apart hotel da Marra, pensando na vida, nos últimos acontecimentos, em seus filhos... em Verônica... ah, Verônica... que saudade sentia dela, de sua companhia, da sua pele, do seu cheiro, do seu beijo, do seu toque, do seu cafuné, do seu corpo... o fato é que ele a amava e não conseguia esquecê-la. Estar com ela agora era tudo o que ele queria. A solidão estava acabando com ele. Enquanto o gênio da tecnologia estava mergulhado nos seus pensamentos, a campaínha de repente tocou. Por um minuto, Jonas desejou que fosse Verônica. Mas logo caiu em si e lembrou que Manu tinha ficado de entregar-lhe alguns documentos pessoalmente. Antes que a campainha tocasse outra vez, Jonas foi atender.
– Manu.
– Oi, Jonas, tudo bem? Eu trouxe aqui o que você me pediu.
– Entre, por favor – falou ele, abrindo a porta para ela, que entrou, pedindo licença – e como está tudo hoje na Marra?
– Tudo muito bem. O Murphy comentou que você chegaria mais tarde hoje. Aí eu vim trazer esses papeis de antemão pra você dar uma olhada – falou ela, entregando-lhe uma pasta.
– Fez muito bem. Senta. Fique à vontade.
– Obrigada – respondeu ela, sentando-se, enquanto ele avaliava os papeis.
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