You and I
3 Capítulo 3
– Bom dia, boss! – falou Murphy. – preciso dizer que hoje a sua agenda está um tanto quanto cheia – informou o assessor – sabe aquele acionista que...?
– Esquece o acionista, Murphy. Depois eu cuido disso. Eu preciso tratar de outro assunto com agora.
– Ok, boss.
– Murphy, ontem aconteceu uma coisa muito estranha comigo – comentou o empresário, sentando-se na sua cadeira. – eu fui dopado por alguém aqui, na minha própria empresa.
– Como assim, boss? Dopado? Por alguém aqui na Marra? Sorry, eu não estou entendendo.
– Isso mesmo que você ouviu, Murphy. Alguém aqui de dentro da Marra tentou me apagar ontem à noite. E eu preciso da sua ajuda pra descobrir quem foi o cretino.
– Oh, my, boss! Mas quem faria uma coisa horrível dessas?
– Eu não não sei, Murphy – respondeu Jonas, pensativo. – quero que você descubra quem teve acesso à comida que comi, à água que bebi, e tudo que você puder saber ou lembrar.
– Claro, boss.
– Outra coisa: esse assunto é top secret, Murphy. Ninguém pode saber. Não por enquanto. Preciso de sua total discrição.
– Pode deixar, boss. Manterei o mais completo sigilo.
– Quando sair, chame o Tommy Lee aqui.
– Sim, senhor.
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Na Plugar, Verônica terminava mais uma entrevista com Herval Domingues – Sabe, Herval, achei muito legal conhecer mais sobre o seu trabalho com as crianças. Muito bacana mesmo. Tô adorando as nossas entrevistas.
– Bom saber que você gostou, Verônica – sorriu ele, enquanto a observava guardar algumas coisas na bolsa. – bom saber também que você admira meu trabalho, me admira como pessoa, eu presumo... e eu gostaria de aproveitar a ocasião para te convidar para almoçar. Topa? – perguntou ele, sedutor, enquanto a jornalista o olhava, surpresa. – sabe o que é? – continuou ele – desculpa se eu tô sendo atrevido, mas é que eu gostei muito de te conhecer, de bater esse papo com você, dessas nossas conversas. Isso tá sendo muito bom pra mim. Sério. E eu gostaria muito que você aceitasse, pelo menos, isso. Almoçar comigo.
– Bom, Herval – respondeu a jornalista, um pouco sem graça. – você vai me desculpar, mas sabe o que é? Eu até adoraria, mas eu não posso. Não vai dar mesmo. Eu não sei se você sabe, mas eu tenho dois filhos pequenos em casa, e obviamente, preciso chegar mais cedo em casa por causa deles.
– Claro, eu entendo – respondeu ele, um pouco decepcionado. – é uma pena. Quem sabe numa próxima?
– Pois é – respondeu ela. – quem sabe? Mas de qualquer forma, muito obrigado pelo convite.
– Desculpa se eu fui inconveniente, Verônica – falou ele. – eu não tive a intenção.
– Não, tudo bem – respondeu a jornalista, colocando a bolsa no ombro. – bom, eu realmente preciso ir agora...
– Eu te levo até a porta.
– Obrigada.
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– Mandou me chamar, boss? – perguntou Tommy, entrando na sala de Jonas.
– Sim – respondeu o empresário, arremessando uma bola de basquete na cesta fixada na parede de sua sala. – Tommy Lee, eu preciso que você faça uma coisa pra mim.
– O senhor manda, chefe.
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Pacientemente, Jonas observava todas as imagens de segurança da Marra do dia anterior, até que uma imagem chamou-lhe a atenção. Era a imagem de Manu entregando uma garrafa d’água para Murphy. Jonas, então, encostou a cabeça na cadeira, pensativo, girando a bola de basquete nas mãos.
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– Boss, Jesús Hernandez no telefone – informou Murphy – ele disse que o assunto é urgente.
– Se o assunto fosse tão urgente, Murphy, ele já teria me ligado antes. Agora só amanhã. Tô indo pra casa.
– Ok, boss. Vou dar uma desculpa qualquer a ele – respondeu o assessor, enquanto o magnata vestia a jaqueta preta de couro, pronto para sair.
– Murphy, ontem, por acaso, você me trouxe uma garrafa d’água?
– Uma garrafa d’água, boss? Bom, eu sempre faço isso pro senhor – falou o assessor, orgulhoso. – trago água, café, o que for preciso para deixar o meu boss Jonas Marra cada vez mais satisfeito. Mas por que o senhor está me perguntando isso?
– É que eu vi hoje numa imagem a Manu te entregando uma garrafa d’água. Você lembra, por acaso, se chegou a beber essa água?
– Sorry, boss... eu não lembro... talvez sim, talvez não. Talvez eu tenha trazido essa água pro senhor. Mas por quê... ? Oh, my, o senhor está achando que a Manuela pode estar por trás disso?
– Não duvido de nada, Murphy, mas eu ainda não tenho provas. Portanto, precisamos de discrição. Só fique de olho na Manu pra mim.
– Pode deixar, boss, eu vou ficar de olho nela sim.
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Enquanto Jonas dirigia o carro, o telefone dele tocou. Era Pamela. Ele pensou em ignorar, mas acabou atendendo. – Oi, Pam.
– Hi, Mr Marra, pensei que não fosse atender o seu marraphone...
– E por que eu faria isso, Pam?
– I don´t know, Djonas, talvez Verônica seja mesmo mais ciumenta do que eu imaginava, até mais do que eu era quando erámamos casados.
Jonas forçou um sorriso. Não sabia onde a loira queria chegar.
– Djonas?
– Estou ouvindo, Pam.
– E está dirigindo também. Tá vendo como eu sei? Como eu conheço o meu hubbie melhor do que ninguém? E sabe de uma coisa? Por que você não pega esse volante e muda de trajeto, hein, honey? Adoraria receber sua vistinha agora no meio da noite.
– Pamela – falou o empresário, procurando as palavras certas. – eu sei que não foi fácil pra você, mas o tempo de Marra man e Marra woman acabou, baby, esqueceu? Nossos times agora são outros.
– Não foi o que pareceu ontem à noite, honey...
– Pam, você é uma mulher linda e muito sexy, você sabe, e eu sei que vivemos uma vida juntos, mas...
– Mas você se apaixonou pela jornalista – respondeu Pamela, antes mesmo de Jonas terminar a frase. – já sei dessa história, do you remember? Você já me contou ela umas mil vezes. Mas sabe em que eu estou pensando agora, Djonas?
– Em quê?
– Que se eu não tivesse tido aquela complicação no parto de Megan, talvez estivesse grávida agora de você. Teríamos os nossos legítimos Marra filhos, já que a sua esterilidade foi para o espaço.
– Bem, Pamela, se você não tivesse tido aquela complicação no parto da Megan, já teríamos tido filhos há muito tempo, e não só agora, honey.
– Oh, Djonas, please! Você não sabe o quanto estou sentindo falta dos seus braços me segurando, de suas mãos, dos seus beijos... come on!
– Achei que tivesse matado a saudade ontem, baby.
– Yeah, e matei... mas quero mais. Muito mais. Você sabe o quanto sou insaciável, Marra man.
– Pam, preciso desligar – informou Jonas, concentrado no trânsito.
– What’s going on, Djonas? Verônica anda controlando os seus passos?
– Bye, honey – falou Jonas, antes de desligar.
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Jonas buzinou quando avistou Vicente atravessando a rua, perto de casa. O garoto, de então dezoito anos, parou na janela do automóvel do empresário. – Fala, Jonas.
– Indo pra casa agora? – indagou o empresário.
– Tô.
– Entra aí, vamos passar na pizzaria primeiro.
– Só se for agora!
Quando padrasto e enteado chegaram em casa com as pizzas nas mãos, foi aquela festa. Edna Bentes, por coincidência, estava lá.
– Edna Bentes, que surpresa! A que nos deve a honra?
– E aí, Jonas Marra? Pelo visto, cheguei na melhor hora possível, né? – falou a blogueira, gargalhando.
– A Edna chegou de viagem ontem, Jonas – informou Verônica, antes do marido se aproximar para dar-lhe um beijo – ela tava em Londres. Não te falei?
– Se falou, eu não lembro – respondeu o magnata, cumprimentando os filhos, que a essa altura, já tinham pulado em cima dele. Em seguida, Verônica foi para a cozinha, sendo seguida por Jonas.
– Preparada para a pizza de calabresa, Edna? – falou Vicente, animado. – tá com uma cara boa, ó.
– Preparadíssima! – falou a amiga de Verônica.
– Pizza! – gritou um dos gêmeos.
– Nada disso, vocês vão jantar – falou Verônica para as crianças. – vocês não almoçaram, não comeram nada saudável o dia todo, só comeram besteira... nada de pizza – brigou ela, enquanto Jonas tirou uma garrafa d’água da geladeira.
– Ué, e eles vão ficar olhando? – falou o empresário, enchendo o copo d’água para beber. – deixa de ser rabugenta.
– Ah, já tá se doendo pelos filhos, né? Que bonito. Você tá acostumando muito mal esses meninos, sabia? – comentou ela.
– São crianças, amor – respondeu ele, abraçando-a.
– Mas eles estão muito mimados, Jonas – respondeu ela, enquanto ele a agarrava e beijava. – agora não querem comer comida, sabia? Só querem saber de biscoito, pipoca, sorvete, só besteira...
– Puxaram a mãe, ué – zombou ele, dando um “cheiro” nela.
– Puxaram a mãe – repetiu ela. – é mesmo? Puxaram a mãe? Só que eu, pelo menos, como comida, sabia, meu filho? Como coisa saudável também.
– Sei – ironizou ele. – biscoito, pão, salgadinho, pizza... só comida saudável.
Ela riu.
– Quer deixar de ser implicante?
– Eu, implicante? – falou ele, beijando-lhe o ombro.
– É, o senhor – respondeu ela. – muito implicante. Implicante demais... quer parar? – pediu ela, rindo. – as crianças estão na sala... – sussurrou ela.
– É, as crianças estão na sala? Então vamos pro quarto – sugeriu ele, insistente.
– Deixa de ser bobo – continuou ela, sussurrando – a Edna tá aí... como é que a gente vai pro quarto? – falou ela, segurando-lhe o rosto para beijá-lo.
Enquanto eles estavam no maior clima na cozinha, Edna, Vicente e os gêmeos repartiam o lanche.
– Os pombinhos aí podem trazer os copos, por favor? – pediu Vicente, que liderava a divisão das pizzas.
– Olha só o outro – zombou Jonas, alto. – todo barbado, ainda quer que leve copinho na sala pra ele.
– Tô gostando de ver o Vicente – comentou Edna. – todo responsável. Virou mesmo o irmão mais velho.
– Sou quase o sucessor do Jonas Marra, Edna – brincou o garoto. – até já criei um jogo.
– Eu sei. Arrebentou, hein, garoto! – falou a blogueira.
– Esse cara é fera – comentou Jonas, voltando pra sala, com os copos nas mãos. – pena que a concorrência chegou primeiro e lançou o game antes.
– Meu filho sempre foi um gênio, Edna, cê sabe – falou Verônica, voltando pra sala também. – aliás, eu só tenho gênio aqui em casa. Agora são mais dois.
– Como assim mais dois? – indagou Jonas, já sentado no chão.
– Os gêmeos – respondeu Verônica.
– E eu? – quis saber o empresário, enquanto Edna morria de rir. – Ah – falou a jornalista, em tom de provocação – eu tava me referindo a filhos e não a marido.
– Como assim? Mas eu não conto? – reclamou ele, segurando-a e fazendo-a sentar no colo dele.
– Meu Deus do céu, como tá implicante hoje! Tá vendo só, Edna, como eu vivo nessa casa? Eu sou o tempo todo pressionada. Qualquer errinho, pronto. É tanta inteligência reunida aqui, sabe, tanta intelectualidade, que eu até me sinto um peixe fora d’água.
– Tô vendo – respondeu a amiga, antes de cair na gargalhada.
Eles se divertiram e, a essa altura, os gêmeos já estavam lambuzados de pizza.
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Após fazerem amor, a jornalista e o empresário namoravam na cama. – Achei super bacana hoje – comentou ela, acarinhando o peito dele. – a gente, as crianças, o Vicente, a Edna... todo mundo junto. Fazia tempo que isso não acontecia...
– É? – falou ele, beijando a testa dela.
– Não sei... tava com saudade desse tempo.
Ela beijou o peito dele enquanto ficavam em silêncio. – Que foi? – quis saber ela. – tá pensando em quê?
– Eu? Nada... tava pensando aqui que a gente podia fazer uma viagem. Só nós dois, os gêmeos, o Vicente... que tal?
– Seria maravilhoso, mas cê sabe que o Vicente, não vai, né?
– Vamos nós quatro então – respondeu ele, acarinhando o braço dela. – você, eu, e os nossos filhos.
Ela sorriu.
– E quando seria isso?
– Amanhã. Pode ser?
– Até parece, né?
– Pode ser quando a gente quiser.
– E a Marra? Você vai se afastar assim da Marra?
– A Marra agora não é mais a minha prioridade, cê sabe – respondeu ele, sincero. – até porque agora existem outras boas cabeças lá. Davi, Manu, Vicente, Ernesto... um time de primeira.
– Que bom – comentou ela, antes de beijá-lo. E eles se beijaram apaixonadamente.
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Pamela chegou toda elegante na Plugar. Assim que avistou o dono da ONG, de costas, ela tirou os óculos escuros do rosto.
– Herval?
Ele virou-se.
– Pamela – respondeu ele, sorrindo.
Eles se aproximaram e não conseguiram resistir à forte atração que sentiam um pelo outro. Logo se agarraram e se beijaram ali mesmo. Um beijo de tirar o fôlego. E quando se deram conta, já estavam na cama.
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