You Wish

1 Capítulo Único


Eu enxergava sua silhueta delicada através da cortina da janela. Bati no vidro com delicadeza, e vi sua cabeça se erguer do travesseiro e olhar diretamente para mim. Mesmo sem saber se ela conseguia me ver, acenei.

Brooke abriu a cortina com rapidez, e sua expressão se aliviou de imediato.

— Audrey! – reclamou, suspirando. – com esse capuz na cabeça, eu pensei que fosse...

— Brandon Face? – respondi, enquanto erguia a janela para passar para dentro do quarto. – não se preocupe. Sou apenas eu, a Bi-curious que se assustou com uma mensagem sua no meio da madrugada. Eu achei que você estava brava comigo pelo áudio. E por que diabos me pediu para entrar pela janela?

— Primeiro, eu estava brava com você por conta dos áudios até o Noah vir falar comigo. Só disponibilizaram a parte do áudio em que você fala que trouxe a Piper para cá, e ele me mostrou o resto com o porquê. Me pediu para mostrar para a Emma, porque ele não conseguiu falar com ela. E, antes de tudo, eu queria pedir desculpas.

— Às três da manhã?

Brooke cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha em sinal de reprovação. Então seu olhar caiu e ela deixou sair, em meio a um suspiro:

— Ontem de madrugada eu chamei o Stavo aqui nesse mesmo horário e acho que isso foi meio errado. Trazer você aqui foi uma forma de afugentar ele caso ele viesse atrás de alguma coisa.

— Espera, você chamou o Stavo no seu quarto no meio da noite? Aquele cara?

— Nós não fizemos nada, ele só dormiu do meu lado. Eu queria alguma companhia.

— E você chamou o Stavo?

— Isso não era o assunto dessa conversa, para começar! Eu te chamei aqui para me desculpar por ter te julgado mal pelo áudio que vazaram, e perguntar se você concorda que eu mostre o resto do áudio para a Emma.

— Que outra escolha eu tenho?

Brooke soltou um longo suspiro e deu de ombros. Então caminhou até sua cama, se sentou sobre o cobertor e deu leves batidinhas sobre o espaço ao seu lado, me convidando a me sentar. Fui até ela, me sentei, e ficamos encarando a janela escancarada diante de nós.

— Estamos mais do que vulneráveis aqui de frente para uma janela aberta, não é? – ela murmurou.

— É...

— Sabe, eu nem me importo mais. Se o Brandon Face entrar aqui agora, eu não ligo.

— Isso é maluquice – me virei para ela, garantindo que a olharia nos olhos. – até porque, se aquele cara matasse você, seria mais uma morte para eu carregar nas minhas costas, e eu não ia conseguir me perdoar.

— Eu te perdoo – Brooke murmurou, abrindo um sorriso gentil.

Devolvi o gesto, voltando a encarar a janela aberta. Então senti seu cabelo tocar meu braço, e em questão de segundos, Brooke repousava a cabeça em meu ombro. Apoiei minha cabeça sobre a dela.

— Você realmente me chamou aqui a essa hora por causa do Stavo? – deixei escapar, quebrando um pouco o clima agradável que se formava.

— Na verdade praticamente a cidade inteira ouviu o seu áudio, incluindo o meu pai. Foi o jeito mais discreto que achei para te chamar sem que ele soubesse. Sem contar que eu consigo ser mais sincera e eu mesma de madrugada.

— Eu gostei dessa Brooke que é mais fofa e compreensiva. Mas eu já a vi sem ser às três da manhã.

— Quando?

— A sua festa, aqui na sua casa, no dia do baile de Halloween. Onde você me disse que eu era a sua pessoa favorita naquela festa.

— Ah sim. Não leve isso como uma ofensa, por mais maligno que soe – Brooke segurou minha mão, sem ousar demais ao ponto de entrelaçar os dedos. – para ser sincera, é raro eu ter uma pessoa favorita em qualquer situação. Jake ocupou esse espaço por um tempo, mas acho que ele foi o único quem eu pude chamar de pessoa favorita. Entende o que eu quero dizer?

— Acho que sim – deixei um riso escapar.

— Acho que você retomou o cargo de pessoa favorita para mim, Audrey.

A mão dela que segurava a minha se moveu, e seus dedos se encaixaram entre os meus, se entrelaçando. Senti um arrepio me percorrer toda a espinha. Ela estava bêbada? De novo?

— Ahn, eu acho melhor voltar para casa... – tentei me levantar, mas Brooke me puxou de volta, enquanto se deitava na cama.

— Fica mais um pouco – murmurou, me fazendo deitar-me ao seu lado, frente a frente com ela. De novo, um arrepio me percorreu a espinha.

O hálito dela estava mais limpo do que nunca. Ela estava completamente sóbria.

— Amanhã temos aula – sussurrei em resposta, levando a minha outra mão até a dela, tentando fazê-la me soltar. Ela ergueu também sua outra mão e a juntou à minha, entrelaçando nossos dedos mais uma vez.

— Então dorme aqui. Estudamos na mesma escola, não é?

— Brooke... – Okay, usar um pouco de senso de humor poderia ser efetivo. – você está dando em cima de mim?

— E se eu estiver?

Não era exatamente a resposta que eu esperava.

— Brooke... Não é o melhor momento...

— É o momento perfeito – ela me interrompeu, aproximando seu rosto do meu. – essa cidade está voltando aos seus momentos de murdererville, e eu parei para pensar... Eu posso morrer amanhã. Por que não fazer o que eu quero fazer hoje? Aproveitar que estou respirando para cometer as loucuras que eu tenho tanto medo de cometer?

— E dar em cima de mim é uma das suas loucuras?

Brooke fez que sim e chegou mais perto. Mais um arrepio me percorreu a espinha.

Ai meu deus, ela ia me beijar?

Brooke ia me beijar... Mas... Que mal havia?

Ela era linda, e havia se tornado uma grande amiga de uns tempos para cá. Eu não me ofendi, nem por um segundo, quando ela disse que na ausência de todos, eu era a pessoa favorita dela naquela festa. Me senti acolhida mais uma vez.

Assim que nossos lábios se tocaram, eu me esqueci da existência de qualquer tragédia lá fora. Me esqueci daquelas treze mortes. Me esqueci de tudo.

Me lembrei como era a sensação de ter alguém que me olhava nos olhos e dizia que não ia deixar me sentindo um lixo, e provava que não me via daquela maneira.

Brooke era uma em um milhão, e eu, a partir daquele momento, jamais deixaria que alguém tirasse alguém como ela de mim de novo.

Mande áudios, vídeos, fotos, o que tiver. Me destrua, me quebre, me mate. Mas não ouse tocar nela.

Não ouse.

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