Notas iniciais
Feriado=capítulo novo!!
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-Nem pense em colocar isso na boca! – advertiu Carol se aproximando de Charlie e tomando o copo que estava em uma das suas mãos- Você não vai beber mais nada hoje.

Charlie fez uma cara visivelmente contrariada. Porque isso agora?

Ela nem havia bebido muito, no máximo foram cinco copos, ou será que foram dez? Ela não
se lembrava direito.

-Eu disse que não-tornou Carol a repetir quando a amiga tentou retomar o seu copo.

-Porque eu não posso beber?- perguntou Charlie deixando que suas mãos caíssem sobre a
mesa.

Eram cinco horas da tarde e elas ainda estavam na casa do Michael curtindo a festa. A mãe de Charlie já havia ligado três vezes, e em cada uma das ligações ela tinha ameaçado com um castigo diferente. Mas a menina não estava preocupada, se preocuparia depois, não hoje.

-Porque a bebida não vai lhe levar a lugar nenhum.

-Você só diz isso porque não bebe.

Carol ignorou o comentário.

Olhando ao redor, a menina procurava pelas outras três meninas que estavam desaparecidas fazia um bom tempo, mas por mais que ela esticasse a cabeça, não conseguiu ver nada. Charlie aproveitou que a amiga estava distraída para se levantar e se
afastar dali.

Enquanto andava pelo enorme jardim, a menina procurava por um local adequado para se
beber tranquilamente, mas cada canto, beco ou cômodo daquela casa, estava ocupado por um casal de jovens apaixonados. Charlie nunca viu tantas pessoas se pegando ao mesmo tempo, e isso era algo muito estranho para ela. Será que tinha alguma coisa na água?

Isso também explicaria o fato dela não ter sido atingida, aliás, ela não tinha colocado uma
gota de água na boca desde que ultrapassara os portões de entrada.

A cada novo casal que aparecia se beijando na sua frente, Charlie se certificava para ver se não era Harry e Amy, mas nunca era. Pensando bem, Charlie só os tinha visto no começo da festa e nada mais. Será que haviam ido embora? Se foram, melhor para Charlie, ela não se importava mesmo.

Dobrando para a esquerda, Charlie se deparou com um banco vazio. A menina resolveu se
instalar nesse local que ficava bem no fundo do jardim. Ela dobrou as pernas, colocou o celular ao seu lado, e começou a beber.

Charlie não era uma bêbada, ela mal bebia para falar a verdade. Só que hoje, ela resolveu
abrir uma exceção. E a causa disso, era Harry.

Como só tinha um copo, a bebida logo acabou e a garota ficou na dúvida se deveria ir atrás de mais ou deveria parar de beber de vez.

Não, ela não iria parar.

-Olha o que temos aqui!- Charlie estava se levantando quando ouviu alguém se aproximar- Se não é Charlotte Miller.

A menina reconheceu a voz e antes mesmo de levantar a cabeça já sabia quem era.

Na sua frente um Harry, não muito melhor do que ela, apareceu.

Ele estava com uma camisa vermelha, um jeans e um tênis branco. Seu cabelo estava mais
bagunçado do que o normal e, como Charlie percebeu depois, ele estava bêbado, muito mais do que ela.

-O que você está fazendo aqui?- perguntou a menina.

-O mesmo que você- ele respondeu indicando o copo que agora estava vazio- Bebendo.

-Não basta o que você bebeu ontem?

Ele fingiu não ouvir.

-Sério Harry, o que você está fazendo aqui?- Charlie tornou a perguntar.

O menino pensou por uns instantes mas não conseguiu achar uma resposta. No começo, Harry tinha vindo para aquela festa idiota com o único intuito de se desculpar para Charlie. Mas durante todo o tempo, a menina nem ao menos notou que ele estava por perto, em vez disso ficou a tarde inteira bebendo e flertando, não só com Will, mas com todos os meninos que apareciam. Harry então ficou furioso.

O beijo com Amy fora uma estupidez causada pela bebida, mas aquilo que Charlie estava
fazendo era em sã consciência. Ele não tinha motivos para se desculpar já que ela estava tão bem assim. O melhor a fazer era beber, e foi o que ele fez.

-Esquece- disse Charlie se levantando quando o menino não respondeu.

-Aonde você vai?- perguntou Harry segurando o braço da menina e impedindo que ela fosse
embora.

-Vou atrás de bebida.

O menino mostrou a garrafa de vodca em uma de suas mãos.

-Eu tenho aqui.

-Eu não vou beber com você.

-E porque não? Você já não está se importando comigo, nem eu com você. Vamos beber com se fossemos dois...colegas.

Charlie olhou para a garrafa. Porque não?

-Mas se tentar alguma coisa eu vou embora.

Harry concordou com a cabeça.

Ele se sentou no banco e esperou que ela também se sentasse ao seu lado para poder encher o copo dela.

-Porque você beijou a Amy?- perguntou Charlie depois de se ter passado alguns minutos no
completo silêncio.

Harry deu de ombros.

-Sinceramente eu não sei, acho que foi o efeito do álcool.

-Achei que fosse porque você quisesse me magoar.

-Eu nunca magoaria você.

Charlie riu com essa resposta.

-O que foi?- o garoto perguntou confuso.

-O que você respondeu não passa de uma ironia.

-E porque seria uma ironia?

-Porque o que você mais faz na vida é me magoar Harry- disse a menina olhando diretamente nos olhos do garoto.

-Isso não é verdade- disse Harry desviando o olhar- Eu só...

-Não vamos falar sobre isso- interrompeu Charlie- Nós estamos aqui como colegas e não como ex-namorados.

Harry concordou, e o silêncio voltou a reinar.

-Você se lembra da primeira vez que bebemos?- foi a vez de Harry tomar a iniciativa.

Charlie riu acenando positivamente com a cabeça.

-Foi no casamento da sua mãe com o Josh- continuou Harry- Nós roubamos uma garrafa de
vinho da cozinha e corremos para o seu quarto para bebê-la.

-Depois disso passamos o resto da festa com medo de que alguém descobrisse- acrescentou Charlie.

-E eles acabaram descobrindo dois dias depois, quando acharam a garrafa vazia debaixo da sua cama.

-É- concordou Charlie olhando para os seus pés- Muitas coisas aconteceram naquele casamento.

-Muitas- Harry se limitou a dizer.

E de repente inúmeras memórias começaram a surgir no pensamento dos dois. Imagens de quando eram crianças, de quando eram amigos, de quando pensavam que nunca mais iriam se separar.

O menino sentiu seus olhos se encherem de água.

Porque ele teve que ser tão burro?

-Acho melhor eu ir- disse se levantando antes que as lágrimas começassem a cair.

-Espera, ir para onde?

Mas o menino não respondeu.

Ele atravessou toda a multidão para que pudesse chegar do outro lado do jardim, onde deu a volta. Harry parou na varanda da frente tateando os bolos, foi quando Charlie conseguiu alcançá-lo.

-Harry, você está bem?

O menino achou as chaves e começou a ir ao encontro de um carro preto, que Charlie percebeu ser dos pais de Louis.

-Você não está pensando em dirigir, está?

-Qual seria o problema?

-Você está bêbado! –a menina exclamou.

-E você também- ele disse entrando no veículo.

-Mas eu bebi menos do que você- Charlie falou segurando a porta e impedindo que ele a
fechasse- Me deixa dirigir.

-Não!

-Harry Edward Styles, me deixa dirigir esse maldito carro.

A voz de Charlie soou tão autoritária que ele não teve alternativa a não ser ceder.

-Se não tem outro jeito- disse Harry enquanto ele se movia para o banco do carona e Charlie assumia o volante.

***

Eram exatamente sete horas quando Charlie estacionou o carro dos pais de Louis bem na frente da sua casa. Ela deu uma breve olhada tentando descobrir algum sinal de vida humana, mas todas as luzes estavam apagadas e isso provavelmente significava que eles haviam saído para jantar fora.

Ainda bem, pensou a menina. Ela não estava a fim de dar de cara com a mãe, bêbada como estava.

-Harry!- Charlie se assustou quando o menino, ao abrir a porta do carro, acabou caindo no chão.

Ele havia conseguido, em vinte minutos, ficar mais bêbado e tonto do que já estava. O fato
de ter bebido o restante da vodca, que era ainda pelo menos dois terços da garrafa, ajudava bastante.

Charlie saiu do carro e deu a volta para que pudesse ampará-lo.

-Eu não preciso da sua ajuda- disse o menino empurrando as mãos da garota- Eu consigo muito bem andar sozinho.

Harry não chegou a dar três passos quando se desequilibrou novamente. Ele estava prestes a bater com a cara no chão quando Charlie passou seus braços por baixo dos seus ombros
impedindo tal acontecimento.

-Ok, talvez eu precise de um pouco de ajuda- disse Harry afinal.

Charlie apenas suspirou.

Eles não haviam trocado uma só palavra durante a volta para casa, e a menina não sabia o
porquê. Eles até que estavam se dando bem! Só que aí Harry se levantou do nada e começou a ignorá-la e a beber como um condenado, o que fez com que voltassem a estaca zero.

-Harry, para de se mexer- pediu Charlie- Desse jeito nós vamos acabar caindo.

Mas o menino não ouviu e de fato...eles acabaram caindo.

Ele caiu primeiro, com as costas no chão, só depois, quando ele a puxou de propósito, foi que Charlie caiu, por cima dele.

As bocas dos dois, por poucos centímetros, não se tocaram. Eles ficaram nessa posição por um tempo até que Charlie resolveu ficar do mesmo modo que Harry, com as costas no chão, ao lado dele.

O menino começou a rir.

-Qual é a graça?-perguntou Charlie.

-Você caindo foi hilário- e ele voltou a rir.

Charlie balançou a cabeça em sinal de reprovação. Era melhor se levantar.

-Não- disse Harry pegando na sua mão.

-Me solta, Harry- disse a menina tentando fazer com que ele largasse- Você está bêbado.

-Eu sei, eu sei.

Ele confirmou, e isso deu mais gás para que Charlie lutasse para se levantar.

-Eu sei que eu estou bêbado-disse o menino segurando o queixo dela e virando o seu rosto em direção ao dele- Mas eu te amo.

Charlie não levou essa declaração em consideração.

-Você está bêbado- ela se sentiu na obrigação de repetir.

-Eu sei,- o menino largou sua mão- Eu estou bêbado e eu te amo. E amanhã eu não estarei bêbado e mesmo assim, eu ainda vou te amar.

Charlie estava livre para se levantar e ir embora, mas ao invés disso, ela permaneceu.

A pouca luz proveniente da entrada da casa do Harry era suficiente para que Charlie pudesse ter uma boa visão do garoto. Ela poderia ver os olhos verdes, brilhando intensamente, e aquele sorriso maravilhoso. E aquelas covinhas!

Deus, ele era lindo demais! Pensou Charlie.

Harry também a observava, e o sorriso no rosto era proveniente dessa observação. Ele estava feliz de tê-la ali, nem que fosse por poucos minutos. O silêncio que pairava sobre os dois não era aquilo silêncio tenso. Ao invés disso, era maravilhoso para o momento.

Mas nem tudo pode ser perfeito.

-Vocês estão bem?- perguntou Gemma, a irmã de Harry, aparecendo na porta e olhando para os dois com uma expressão meio assustada.

-Estamos sim- disse Charlie se levantando e caminhando até sua casa.

Harry esperou que ela entrasse para poder se levantar.

-O que foi que aconteceu?- perguntou a irmã.

Harry não respondeu.

Entrou dentro de casa e subiu direto para o seu quarto. O menino estava precisando de uma boa noite de sono.



Notas finais
Foi diferente do que vocês esperavam?? Acho que sim....
E aí? Qual a opinião de vocês??
Ps: Feliz Dia das Crianças para quem continua sendo mesmo depois de grande (eu continuo) rsrsrs