Notas iniciais
Desculpem pela demora...Semana de prova é sempre muito corrida. Ainda bem que acabou!
Aproveitem o capítulo!

-Suspenso?- Charlie gritou ao telefone. Passara a tarde toda preocupada a espera de notícias, e só agora, às dez horas da noite, é que o garoto resolvera ligar. Ela tinha o direito de gritar com ele, mas não gritou.

Em vez disso, respirou profundamente contando até dez. Antes ela
achava que isso não passava de uma baboseira, mas agora, quando realmente pode testar essa teoria, a garota percebeue que aquilo funcionava.

Charlie já estava com os nervos sobre controle quando voltou a falar ao telefone.

- Como assim?- perguntou.

A menina não conseguia entender o motivo da suspensão de Harry, ela também havia infringido as regras da escola, então porque fora apenas advertida e não suspensa?

-É que...- a voz de Harry soou um pouco estranha- Eu tinha outras advertências pendentes.

Provavelmente essa não era a primeira vez que ele era pego com uma menina naquela sala,pensou Charlie, mas achou melhor não dizer nada. Novamente, respirou e contou até dez.

-Por quanto tempo?

-Três dias- disse o menino deprimido- Além do mais, eu estou de castigo, não vou poder sair para lugar nenhum durante esse tempo.

Charlie continuou calada, esperando o que vinha em seguida.

-Você poderia vir aqui, né?

"Eu sabia!", pensou. Ela tinha certeza que o menino iria fazer essa proposta.

-Eu acho melhor não.

-Por quê?

-Porque ao contrário de você, eu tenho aula amanhã e preciso dormir- Charlie falou mesmo sabendo que não iria dormir. Era ainda muito cedo para os seus padrões.

-Mas...- Harry tentou falar alguma coisa do outro lado da linha, mas Charlie o interrompeu rapidamente.

-Tchau Harry! Boa noite- e com isso a menina desligou.

Deitado em sua cama, Harry encarou o celular por um bom tempo. Estava suspenso, de castigo, e namorada dele não estava nem um pouco a fim de lhe fazer uma visita. Harry pensou se as coisas ainda poderiam ficar piores. Logo, a imagem de Will surgiu na sua cabeça.

Charlie ficaria sozinha por três dias, e mesmo que ela passasse todo o tempo ao lado das amigas, Will tentaria se aproximar, e Harry não o queria a menos de cinco metros de distância da menina.

Rapidamente ele tomou uma decisão. Pegou o celular que havia deixado cair sobre o colchão e discou o primeiro número que veio a sua cabeça.

-Louis?- falou assim que o amigo atendeu ao telefone- Você estaria a fim de fazer um favor para mim?

***

Charlie olhava de um lado para outro e a única coisa que conseguia ver era inúmeros casais apaixonados se beijando no pátio do colégio. Justamente no dia em que não poderia se dar ao luxo de fazer algo desse tipo, é que eles haviam resolvido aparecer.

Era terça-feira, e o primeiro dia sem Harry estava sendo um saco!

A menina tentou se lembrar das coisas que ela fazia durante o intervalo quando não estava namorando. Provavelmente ela ficava o tempo todo conversando com as meninas, mas nem elas estavam a fim de muito papo hoje. Quando a campa tocou cada uma foi para o seu lado deixando Charlie sozinha na mesa de sempre.

-E aí?- disse Louis sorridente ao sentar-se do seu lado.

Charlie encarou aquele sorriso e o achou meio fora de contexto.

-Seu amigo está suspenso e você anda sorrindo pelos corredores- falou a menina- Se eu não te conhecesse, poderia jurar que você está feliz com isso.

-Não, eu não estou contente- disse Louis- Mas achou que é melhor sorrir do que andar por aí com essa sua cara de enterro.

-Você não tem que ir á algum lugar, não? Sei lá, encontrar o resto da banda.

Louis balançou a cabeça negativamente.

-Niall está em algum lugar junto com Sophie, Zayn deve estar conversando com Georgina, Liam ficou na sala para terminar um trabalho, e como você sabe, Harry está em casa suspenso. Só me resta você, baby.

Charlie riu, talvez Louis não fosse má companhia naquele momento.

-Então, — retomou o garoto- Harry é um idiota por ter te levado à sala dos faxineiros.

Charlie balançou a cabeça concordando.

-Aquilo não é lugar para levar namoradas, é o lugar para se fugir delas.

A menina deu um murro no braço do garoto. Louis continuou a rir compulsivamente.

-Desculpa, mas é que eu só falo a verdade.

Charlie bateu de novo. Dessa vez o menino parou, mas não foi devido ao murro.

Louis observava Will ir se aproximando aos poucos, ele pensou em tirar a menina dali, mas não deu tempo. Charlie já o havia visto.

-Oi- disse Will com as mãos nos bolsos- Posso falar com você?

-Claro- e Charlie no mesmo instante dirigiu seu olhar para Louis.

O menino fingiu não notar.

-Louis- Charlie pediu delicadamente- Você poderia nos dar licença?

-Não- disse o menino.

Os olhos dela se arregalaram.

-Não – Louis tornou a repetiu.

-E porque não?

-Porque eu não quero.

-Louis!

- Charlie!

Mas Louis continuou com a mesma cara, sem dar qualquer esperança de que iria se mexer pelo menos um pouco. Charlie colocou as mãos na cintura e virou todo o seu corpo para a direção do garoto.

-Eu posso saber o que isso significa?

-Isso significa que eu não acho justo você ficar conversando com outros garotos, que,aliás, possuem um sentimento por você, enquanto Harry fica em casa.

-Harry não irá se importar- rebateu Charlie.

-E como você sabe?

Em um instante, a menina sacou tudo.

-Foi Harry que mandou você ficar comigo.

-Não, não foi.

-Claro que sim!-Charlie se levantou – Me desculpe Will, mas agora eu tenho algo muito importante para fazer.

-Aonde você vai?- gritou Louis quando a menina se distanciava.

-Ter uma conversa com o meu namorado.

***

Harry estava jogado no sofá com Dusty no seu colo. Com uma mão ele fazia carinho na gata e com a outra tentava procurar um canal em que pudesse assistir alguma coisa que não fosse os programas matinais sem graça. Ele parou no primeiro canal de desenho que apareceu.

Mas antes que pudesse aproveitar o desenho que estava passando- que por sinal era os Padrinhos Mágicos- alguém começou a bater na porta. Harry se levantou para atendê-la.

-Charlie, o que você faz aqui?

A menina entrou batendo os pés e com uma expressão não muito agradável.

-Eu gostaria de ter uma conversa séria com você.

Boa coisa não era, pressentiu Harry. Ele se dirigiu para o sofá, pegou o controle e colocou a televisão no mudo.

Charlie então resolveu começar.

-Eu quero saber por que você mandou Louis ficar de olho em mim.

Então era isso.

-Porque eu não confio em certas pessoas- disse Harry calmamente.

-Tipo quem? Will?

-É, Will é uma delas.

Charlie descruzou os braços e os manteve em sua cintura. Essa era a sua postura quando estava com raiva, muita raiva.

-Mas você não tem que confiar nele, tem que confiar é em mim.

-De que maneira?- disse Harry tentando ao máximo não perder o controle já que Charlie havia começado a levantar a voz- Do jeito que você é lesa não vai notar que ele estar dando em cima de você nem que ele lhe esfregasse no rosto.

-Harry Styles!

O grito fora tão forte que até fez com que Dusty pulasse do sofá e se escondesse debaixo dele.

-Não acredito que você me chamou de lesa?

- Eu chamei e chamo de novo, porque eu sei o que é tentar lhe mostrar algo e você não conseguir ver- disse Harry com a voz alterada.

-Não misture as coisas- disse Charlie gritando de volta- Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

-Não tem? Para mim é tudo igual, está tudo no arquivo relacionado a você.

-Então coloque nesse “arquivo”, que a Charlie pode falar com quem quiser e quando quiser.

-Não, eu não vou colocar isso- disse Harry. Já havia muito tempo em que o menino começara a ficar vermelho- O arquivo é meu e nele eu coloco o que eu quiser.

-Então é assim?- perguntou Charlie.

Harry confirmou.

-É, é assim.

-Então observe Harry, apenas observe.

Dizendo isso, Charlie pegou suas coisas, deu as costas ao garoto e saiu.

***

O que Charlie fazia na porta da sorveteria, nem ela sabia ao certo.

Após ter saído da casa de Harry, a única coisa que ela precisava naquele instante era espairecer a cabeça. Ela não queria ir para casa, não queria voltar para a escola, e por isso ficou vagando pelas ruas até chegar ali.

Aproveitando a ocasião, a menina resolveu entrar.

-Um sorvete de creme, por favor- disse se dirigindo ao balconista.

Charlie pegou seu sorvete e resolveu se sentar em uma das inúmeras vazias mesas. Quem iria tomar sorvete às onze e meia da manhã? Aliás, o que ela estava fazendo ali naquele horário?

A menina resolveu não pensar em nenhuma dessas perguntas, apenas no seu calórico e saboroso sorvete de creme.

-Charlie!- Will se materializou a sua frente quando ela se levantou para jogar o guardanapo fora.

O que ele estava fazendo ali? Era para ele estar na escola, assim como ela.

-Eu procurei você por todo canto- disse Will- Eu fui até sua casa. Sua avó me atendeu e disse que você não tinha passado por lá.

-É, eu não cheguei a ir em casa.

Charlie desesperadamente queria estar nela nesse momento.

Will começou a mexeu nos seus cabelos de modo compulsivo. Ele tinha algo para falar, mas parecia estar muito envergonhado em disser.

-Eu precisava falar com você.

Charlie se lembrou do fato.

-Sim, e o que era?

Will encarou os pés, ainda com as mãos em cima da cabeça.

Se ele tinha algo para falar, porque não dizia de uma vez? Charlie estava ficando impaciente com aquele drama todo.

-Will, eu realmente preciso ir para casa agora, você pode falar isso am...

A vida deveria parar de surpreender Charlie, era uma nova surpresa a cada dia, a cada momento, uma maior que a outra. Se perguntasse para a menina como aconteceu, duvido muito que ela saberia responder- como muitas outras coisas, essa continuaria sem resposta.

A única coisa que Charlie sabia era que os lábios de Will estavam pressionados contra os seus.



Notas finais
Então pessoas, algo a comentar? Estou a disposição de vocês...
Ps: Eu tenho adorado os reviews que tenho recebido, muito obrigado mesmo :)