You Wanna Be Loved
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Quando Sophie invadiu seu quarto na tarde de quarta-feira, Charlie já tinha uma ideia do que se tratava.
-Nós precisamos conversar- disse a menina enquanto tentava recuperar o fôlego.
Charlie largou a caneta e se virou para a amiga esperando que ela continuasse.
-Bem,- começou Sophie andando de um canto a outro- você se lembra de sábado à noite, certo?
Charlie confirmou com a cabeça.
-Pois é, estava escuro. Eu e o Niall fomos procurar velas e...
-Você ficou com ele- Charlie interrompeu.
-O quê?
-Você ficou com Niall.
-Como você sabe disso?- Sophie estava um pouco espantada.
-Carol havia me dito que vocês passaram um bom tempo longe dos outros, e que quando reapareceram estavam agindo de modo estranho- Charlie falou indiferente- Eu apenas desconfiava, mas o fato de você ter vindo aqui só confirmou tudo.
-Ah- Sophie exclamou aliviada- E o que você acha de tudo isso?
-Eu? Eu acho ótimo.
-Mas e Olivia?- uma linha de preocupação apareceu no rosto de Sophie.
-O que tem ela?
Sophie recomeçou a andar.
-Ela não vai ficar nem um pouco satisfeita quando descobrir tudo.
-E quem se importa com a opinião dela? Olha, vocês se gostam, certo?
Sophie concordou com um sorriso.
-Então, o que interessa a opinião alheia? Quando nós gostamos de alguém, nada mais importa. Você é capaz de enfrentar tudo só para ficar com essa pessoa.
-Então, porque você e Harry não estão juntos?
Charlie resolveu se voltar para o caderno.
-Esse não é o nosso caso.
-Pode não ser, mas que vocês dois mereciam estar juntos, isso é fato.
-Você veio aqui para falar do meu ou do seu problema?- Charlie parecia estar ficando com raiva.
-Do meu- disse Sophie se sentando na cama- Que tem certa ligação com o seu.
Charlie revirou os olhos.
-Olha, eu acho que os dois deveriam parar com as idiotices de vocês, e deveriam começar a se pegar logo- falou Sophie- E não me olha desse jeito! Você sabe tão bem quanto eu, que tudo o que estou dizendo é a pura verdade.
Antes que Charlie pudesse dizer alguma coisa, Sophie recomeçou o seu discurso.
-Eu vou fazer o seguinte, enquanto você e Harry não estiverem juntos, eu e Niall também não ficaremos.
Charlie pensou ter ouvido errado.
-Mas isso é uma babaquice!
-Babaquice que um dia você vai me agradecer por ter feito.
E dizendo isso, Sophie saiu.
Charlie ficou encarado a porta, antes de realizar o tamanho da confusão em que se metera.
***
“Ok, Charlie. Você consegue fazer isso”.
A menina estava em frente à porta da casa vizinha tentando, inutilmente, controlar o nervosismo. Ela só tinha que apertar a campainha, que dificuldade poderia haver nisso?
Muita! Quando se trata da porta de Harry Styles.
Charlie estava a ponto de voltar para casa, quando Harry aparece na porta.
Ele estava apenas com uma calça de moletom azul escuro, e uma toalha na mão esquerda. Os cabelos dele estavam molhados, e diversos pingos caiam sobre o seu corpo. Um aroma de loção pós-barba invadiu o ar fazendo que os sentidos de Charlie ficassem um pouco desorientados.
O menino a olhava um pouco surpreso.
-Ela estava no meu jardim- falou Charlie mostrando a gata que estava em uma das suas mãos.
-Dusty vive no seu jardim, nem por isso você vem trazê-la todas as vezes que a encontra por lá.
Ok. Ir à casa dos outros sem motivo algum, ainda é bem melhor que inventar uma péssima desculpa.
-Mas é que...-Charlie estava envergonhada.
-Obrigado, assim mesmo- disse Harry. Ela tinha vindo até ali, de boa vontade, porque não aproveitar a chance?
-Entra- ele se afastou da porta dando espaço para que ela passasse.
A menina entrou e colocou a gata no chão. Harry jogou a toalha em algum canto e se dirigiu para a cozinha. Ela o seguiu. Em algum lugar, ele deve ter se deparado com uma camisa, porque quando ela chegou à cozinha, ele já se encontrava devidamente vestido.
Charlie não sabia se sentia alívio ou decepção por isso.
-Então, o que faz por aqui?- perguntou Harry olhando o forno.
-Nós dois precisamos conversar, é que...- Charlie sentiu um cheiro bom-Você está fazendo cookies?
-Estou. Daqui uns dez minutos, eles ficam prontos, tem tempo suficiente para a gente conversar. Então, qual é o problema.
Harry estava diferente. Charlie poderia jurar que o menino não se encontrava nas suas normais condições. Ele estava sério, não dera nenhum sorriso até ali, e de nenhum modo tentou dar uma indireta como uma tentativa de flerte.
-Niall e Sophie- Charlie falou afastando essa ideia da cabeça. Talvez fosse só neurose dela- Eu quero que você me ajude a fazer com que eles fiquem juntos.
-Minha ajuda? Em quê, exatamente?
-Sophie me falou que só vai ficar com Niall, se eu e você ficarmos juntos também.
-Peraí!- Harry se sentou na cadeira de frente para a menina. Havia confusão estampada no seu rosto- Você está pedindo para eu ficar com você?
-Não! Eu estou pedindo para que você fale com Niall para que ele convença a Sophie a mudar de ideia. Isso é injusto com eles! Os dois merecem ficar juntos, e se for depender de nós, nunca que ficaram.
Harry ficou pensativo. Desde que havia visto Charlie com aquele menino no domingo, ele tentava ao máximo se mostrar indiferente. Hoje parecia que ele tinha alcançado o ápice. Mas isso não significa que Harry não estava nem aí, muito pelo contrário. Por dentro, uma onda de ciúmes o consumia, e toda vez que encontrava com Will nos corredores do colégio, a vontade que ele tinha era de socar a cara dele. Logicamente, que ele não fazia isso.
-Sabe que não é uma má ideia?
-O quê?- perguntou Charlie.
-Eu e você ficarmos juntos.
-Harry, issonão vai dar certo.
-Preste atenção!- o menino saiu da cadeira e se aproximou um pouco mais- Não vai ser de verdade, a gente finge que se acertou. Se formos bastante convincentes, é capaz deles acreditarem e ficarem juntos. Não é isso que você quer?
-É, mas, e depois?
-Depois a gente finge que brigou. Eles vão estar tão amarrados um no outro, que não vão ter coragem de se separarem. E aí, pronto! Trabalho feito.
Charlie o olhou desconfiada. O que ele estava esperando conseguir com isso?
Na verdade,Harry não estava esperando por nada. Mas o menino estava tão sem alternativas que qualquer oportunidade estava valendo. Ele sabia que aquilo só iria magoá-lo mais. Ficar ao lado de Charlie fingindo um relacionamento, enquanto que na verdade ele a queria mais que tudo, provavelmente não lhe traria coisas boas. Mas quem sabe com isso a menina não percebesse que os dois foram feitos para ficarem juntos?
Como disse, Harry estava apostando todas as fichas.
-Então, nós fingimos um namoro?
Harry confirmou.
-Mas é claro, se o seu namoradinho não permitir, não tem problemas.
Charlie pareceu confusa, ele estava se referindo ao Will?
-Ele não é meu namorado!
-Então, que problema tem nisso? Não é como se nós fossemos nos agarrar por todos os cantos.
Charlie continuava pensando. Enquanto isso, Harry foi até o forno e retirou os cookies. Eles estavam com uma aparência ótima, e com um cheiro melhor ainda. Ele os tirou da assadeira e colocou numa vasilha perto da menina. Charlie não resistiu, ela pegou um e o colocou na boca.
-Eu posso fazer cookies para você- disse Harry quando viu a cara de êxtase que a menina fez ao experimentá-los.
Harry era ótimo na cozinha, não importa o que fosse ele sempre conseguia fazer perfeito.
-Eu aceito, aliás, o que me importa é a Sophie e o Niall.
Charlie falou isso em voz alta para tentar se convencer que realmente estava fazendo aquilo pelos dois. Em parte, ela tinha certeza que sim, mas e o resto?
-Mas tem uma condição: você não vai tentar se aproveitar da minha pessoa.
-Ok- Harry concordou.
-Isso vale desde já.
Harry fez uma careta.
-Eu acho que não.
O que ele quis dizer com isso?
Mas Harry não deu tempo para que Charlie pudesse pensar na resposta.
Em um minuto ele estava do outro lado da mesa, no outro, ele estava com uma das mãos em sua cintura e com a outra segurando o seu rosto.
Harry olhou profundamente nos olhos verdes de Charlie. Desta vez, ele não tinha dúvidas, não tinha do quê se assustar. Era a sua chance, era o momento certo.
Charlie podia sentir a loção pós-barba novamente, ela era doce e totalmente irresistível. Harry acariciou o seu rosto, e encostou a ponta do nariz em seu queixo.
A menina tentava falar para si mesma para virar o rosto, se afastar, de algum modo sair dali. Mas Harry era mais forte. Ele a envolvia sem usar a força, e de algum modo Charlie permanecia ali, cedendo um pouco mais a cada novo toque, a cada nova sensação.
Harry passou os lábios por seu pescoço, era incrível como ele poderia ser totalmente sedutor nesses momentos.
O corpo de Charlie tremeu quando os lábios gelados de Harry encostaram a sua pele quente. Ela pode ouvir o menino rir com aquilo.
Harry levantou a cabeça, esperou um pouco e a beijou.
Foi um beijo rápido, quando terminou Charlie ainda esperava por mais. Em compensação, fora algo bastante intenso.
Harry se afastou com um sorriso de orelha a orelha, ele havia conseguido dessa vez. Já Charlie, estava em um estágio de completa confusão. Seus sentimentos estavam totalmente incoerentes. Uma parte deles xingava Harry por não ter continuado, a outra, xingava por ele ter tido a ousadia de beijá-la. Ela realmente não estava sabendo mais de nada.
-Agora, a condição já está valendo.
O sorriso de Harry não desaparecia.
Charlie o olhou com uma careta.
“Meu Deus, é tão bonito quando ele sorri”, Charlie pensava.
Ela precisava sair dali, e foi o que vez.
-Isso vai comigo- ela disse pegando a vasilha de cookies e saindo da casa.
Harry não se moveu para tentar impedi-la de nada. Ele já havia dado o primeiro passo, o segundo, ele daria com mais calma.
“Você, Charlie, ainda será minha”.
E o menino voltou a sorrir com esse pensamento.
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