You Wanna Be Loved
3 Capítulo 3
Notas iniciais
-Então, — começou a diretora quando as cinco garotas terminaram de se acomodar- o que eu tenho para falar com vocês é muito grave.
As cinco trocaram olhares assustados, sem conseguirem imaginar qual seria esse assunto grave que exigia a presença delas na sala da diretora. Se fosse pelo atraso, porque então ela não chamou os meninos também? Era o que todas pensavam no momento.
-Olha, Sra. Diretora- começou Olivia vendo que ninguém falava nada- Nós temos uma boa explicação pelo nosso atraso. É que...
-Não é sobre o atraso que eu quero falar- interrompeu a diretora
-Não?
-Não, — confirmou- apesar de não gostar nenhum pouco da situação, o que eu quero falar é sobre o Baile de Verão, aliás, vocês são as responsáveis por ele esse ano.
As cinco exclamaram aliviadas.
-Ah
-Porque essa surpresa toda? Tem algo que as cinco fizeram e que eu não saiba?
-É claro que não!- exclamou Georgina depois que conseguiu recuperar a fala- Nós somos alunas exemplares.
-Sei disso, mas não significa que eu não estou de olho em vocês.
A diretora se levantou da cadeira e começou a andar pela sala seguida pelos olhares das cinco garotas espremidas no sofá em frente a sua mesa.
-Como vocês sabem, o Baile de Verão é uma ótima oportunidade para que todos os alunos possam comemorar o fim de mais um longo e cansativo ano letivo.
Georgina revirou os olhos e sussurrou para Charlie.
-O discurso vai começar.
-É o evento mais esperado do ano, e quem o organiza tem uma grande responsabilidade com que lidar. Todo ano escolhemos uma comissão de alunas para enfrentar esse desafio, e como eu já havia falado, as escolhidas desse ano são vocês.
A diretora continuava andando e falando ao mesmo tempo.
-Mas não era para isso que eu as chamei aqui, eu fiz isso para informá-las de que estão com um sério problema.
Ela parou de frente para as meninas, colocou as duas mãos em cima da mesa e de modo dramático falou.
-O orçamento foi reduzido pela metade.
-O quê?- gritou Olivia se levantando rapidamente.
-Sente primeiro e depois eu explicarei a situação.
Olivia ainda ficou de pé uns instantes, mas depois, relutante, se sentou. A diretora continuou.
-Infelizmente, a escola passou por uns problemas financeiros, mas agora a situação já se normalizou. Mas devido a esses problemas, os donos da instituição resolveram diminuir o orçamento do baile com medo de quê a situação volte a piorar. Vocês vão ter que trabalhar com a metade do orçamento do ano passado.
-Mas isso é impossível, — falou Olivia indignada- não conseguiremos organizar uma festa decente com apenas a metade.
-E como a senhora disse- falou Sophie- é o evento mais esperado do ano, não podemos fazer qualquer coisa.
A diretora continuou calada. Charlotte olhou para Olivia que parecia estar a ponto de chorar. Ela sabia o quanto a amiga estava esperando ansiosamente pelo baile. Olivia queria superar o sucesso que o baile do ano passado tinha tido, além de entrar para a história da Holmes Chapel Comprehensive School como o melhor baile de verão de todos os tempos. Esse era seu objetivo desde que entrara no colégio.
-Nós entendemos a situação, Sra. Diretora- começou Charlotte- Mas não tem nenhuma chance de conseguimos convencer a aumentarem o orçamento pelo menos um pouco mais?
-Vocês não acham que eu já não tentei isso?- perguntou a diretora- Olha meninas, eu também adoro esse baile e tentei de tudo para que isso não acontecesse. Os donos queriam cancelar o baile, mas eu consegui que eles continuassem com o baile mesmo que com o orçamento cortado pela metade.
Ela continuou.
-Eu não posso fazer mais nada, ou vocês fazem o baile com esse orçamento, ou tentam arranjar mais dinheiro. Agora é com vocês.
***
-Eu não acredito nisso!- falava Olivia indignada andando de um lado para o outro no pátio da escola.
Estava na hora do intervalo, e as quatro meninas estavam sentadas na mesa em que sempre costumavam sentar, observando Olivia no meio de um ataque de nervos.
-Justo esse ano, justo com a gente- continuava ela- Porque isso não aconteceu ano passado, hein? Expliquem-me, por quê?
-Eu acho que você deveria se acalmar- falou Carol enquanto enfiava o canudinho no seu suco de caixinha- Tudo vai dar certo.
-Como? Por acaso você sabe como fazer um milagre?
-Se vocês querem brigar, -falou Charlie tentando evitar um barraco- acho que esse não é o momento certo.
Ao redor delas, os outros estudantes começavam a olhar curiosos com o motivo do nervosismo de Olivia, que começava a falar cada vez mais alto.
-Eu não sei como fazer um milagre, — continuou Carol na mesma calma de sempre- mas tenho uma ideia que pode nos ajudar.
Olivia parou de andar e se sentou ao lado de Sophie. As quatro esperavam ansiosamente para que Caroline continuasse.
-Olha, ainda faltam dez semanas para o baile, dois meses e meio, a primeira coisa que precisamos fazer é descontratar a banda e o Dj.
-De jeito nenhum!- replicou Olivia- Sem uma banda e um Dj, nunca que teremos um baile.
-Olivia!- foi a vez de Georgina levantar a voz- Olha, eu nunca me importei com esse baile, mas vocês me obrigaram a entrar para a comissão e agora meu nome está envolvido nisso tudo. Se sair uma merda eu serei uma daquelas que será crucificada pelo povo desse colégio, e é lógico que eu não quero isso. Então vamos escutar o que a Carol quer dizer por que ela foi a única que teve uma ideia.
Carol esperava Georgina respirar para poder falar. A garota tinha falado tudo isso como uma avalanche, sem dar tempo para ninguém contestar nada.
-Eu sei que sem um Dj e uma banda nós não teremos um baile,- continuou Carol- mas não precisa ser a melhor banda e o melhor Dj da cidade. Com esse dinheiro podemos pagar alguém mais barato para tocar, talvez meu primo. Ele não é um profissional, mas toca bem e não se importaria em tocar pelo preço que quiséssemos. O problema é a banda, não conheço nenhuma que tocaria pelo valor que temos disponível, é um quarto do cachê da banda que tínhamos contratado.
-O que precisamos é de um modo de arranjarmos dinheiro- falou Sophie.
-Verdade? Porque eu não sabia disso- falou Olivia com desdém- Eu concordo em contratarmos o primo da Carol, mas precisamos de uma banda, e de uma boa banda. Porque se o primo dela for ruim, e a banda também, o nosso baileestará perdido.
As cinco garotas pararam para pensar. Todas as ideias que surgiam eram logo descartadas, pelo fato delas não conseguirem enxergar como aquilo poderia ser lucrativo para elas.
-Eu tenho uma ideia- falou Charlotte- E se nós organizássemos algumas festas?
As quatro automaticamente se viraram para Charlie.
-Nós não precisamos de muito, apenas de um lugar, de comidas, bebidas e de um som tocando. O pai da Georgina é dono da melhor pizzaria da cidade, ele poderia nos ceder o local.
-Acho que ele não concordaria com a ideia- falou Georgina pessimista
-Eu falo com ele- falou Charlotte cada vez mais entusiasmada- Olha, nós só ficaríamos com o dinheiro do ingresso. Tudo o que fosse consumido iria pro seu pai, aí não precisaríamos pagar por comidas e
bebidas. E em relação ao som, é só selecionarmos uma playlist bacana e deixar tocando a noite toda.
-Isso é uma ideia boa-disse Carol- Mas esse dinheiro seria suficiente para pagar as outras despesas do baile, não para pagar a banda.
-E se fizéssemos um concurso?- perguntou Charlie tentando evitar,
de todas as maneiras possíveis, que essa ideia fosse desperdiçada como as outras- Seria ótimo! Podíamos fazer com que a própria escola escolhesse a banda.
-E como faríamos isso?
-É só fazermos essas festas todas as semanas, e a cada semana, as bandas inscritas no concurso, faziam uma apresentação. O pessoal presente na pizzaria votava, e a banda com menos votos seria eliminada. A banda que ganhasse, tocaria no baile, de graça é lógico.
-E como podemos ter certeza que a banda vencedora vai querer tocar de graça?-perguntou Olivia
-Podemos colocar isso nas regras, além de enfatizar que só pode ser bandas com alunos da escola a participar, desse modo evitaríamos que uma banda profissional, e cara, ganhasse o concurso.
-Mas desse jeito apenas o povo do coral vai se escrever- Olivia continuava pondo defeito na ideia de Charlie
-Claro que não! O pessoal do futebol tem uma banda, eu já assisti a um show e eles são bons.
-É...- Olivia pensou por uns instantes- Essa ideia pode dar certo.
-Que ideia pode dar certo?
As cinco garotas se assustaram com a pergunta. Ao se virarem, viram os mesmos meninos parados olhando para elas curiosas.
-Não é da sua conta, Tomlinson- falou Olivia.
-Porque é que sempre que nos aproximamos, é sempre ela que mais se incomoda?-perguntou Louis se dirigindo para Niall- Até parece que ela tem algo a esconder.
-Eu?- Olivia ria sarcasticamente- É claro que não!
-Por acaso você tem algum tipo de paixão por um de nós?-perguntou Liam desconfiado.
-Oras, eu tenho mais o que fazer- disse se levantando rapidamente.
Apesar do que ela disse, todos puderam ver o quanto vermelha ela estava antes de virar as costas e sair andando.
-Garota estranha- falou Niall rindo
-Muito- Sophie concordou
Os dois se encararam por uns instantes antes de Sophie desviar o olhar.
-Vocês por acaso tiraram o dia de hoje para nos infernizar?- perguntou Georgina ainda de olho em Niall e Sophie.
-É claro que não- respondeu Louis- A gente só faz isso na sexta
Enquanto isso, Zayn e Harry permaneciam fora da conversa. Zayn um pouco afastado do grupo apenas observava tudo isso, já Harry, olhava para algum ponto acima da cabeça das meninas. De repente ele muda a direção do seu olhar e se dirige para Charlie.
-Minha mãe mandou perguntar se você não vai querer uma carona de volta para casa?- disse
-Quê?- perguntou Charlotte um tanto confusa. Até então, ela mantivera a cabeça baixa e encarava os pés debaixo da mesa- Er...não precisa, mas agradeça a ela por mim.
-Claro.
Sem dizer mais nada ele se virou e foi embora com os meninos fazendo o mesmo.
Charlotte ficou encarando as costas de Harry enquanto ele se distanciava. Carol falou algo, mas ela não ouvira, a menina repetiu o que disse.
-É só eu ou vocês também acham estranho o comportamento da Olivia quando eles estão por perto?
-Você tá sugerindo que o Liam esteja certo?-perguntou Sophie
-Nunca se sabe.
-Cara, é a Olivia- falou Georgina-É mais fácil ela se matar do que ficar apaixonada por um deles.
Charlotte escutava tudo isso sem entender muito. Há muito tempo que Harry tinnha saído do seu campo de visão, mas a menina continuava encarando o lugar onde ela o tinha visto pela última vez.
-Depois da aula, eu, Carol e você Georgina, vamos falar com o seu pai- disse Charlie de repente- Sophie, você e Olivia vão falar com o Dj e a banda para demiti-los.
As três concordaram.
Charlotte se levantou foi se afastando em direção a porta da escola.
O sinal havia tocado anunciando o fim fo intervalo.
***
-Então Charlie, o ue foi aquilo mais cedo?- Georgina perguntou.
Ela, junto com Carol e Charlotte, caminhavam de volta para casa. Elas já haviam passado na pizzaria e falado com o pai da Georgina que concordara com a proposta, desde que elas fizessem as festas na sexta e não no sábado, e que arrumassem o local no dia seguinte pela manhã. Sem alternativa, as meninas aceitaram o acordo.
Elas agora estavam indo em direção à casa de Charlotte, já que sua mãe a queria em casa ás cinco, onde encontrariam Olivia e Sophie para fazerem os cartazes anunciando o concurso que já começaria nessa sexta.
-Aquilo o quê?
-Charlie, nós não somos estúpidas, a gente notou tudo- falou Carol- Você chega de manhã junto com o Harry, e depois, quando ele veio falar contigo no intervalo, você ficou toda confusa.
-O que vocês estão dizendo?- perguntou surpresa- Que eu esteja apaixonada por ele? É claro que não!
-E se estivesse não teria problema nenhum.
-Nós não somos a Olivia- falou Georgina- Nós entenderíamos.
Charlotte começou a andar rápido, ela estava surpresa com o que ouvia.
-Charlie!- gritou Carol tentando fazer com que a menina parasse- Quando você se mudou para Holmes Chapel, ele foi o único amigo que você fez. E é comum a gente se apaixonar por aquele que está sempre ao nosso lado, sendo atencioso e gentil.
-Tudo bem que vocês ficaram por um tempo, e ele passou a te ignorar depois, mas, -começou Georgina- ele gosta de você, e você dele.
-Não!-e Charlotte se aproximou delas- A gente teve algo, no passado, que não deu certo, devido ao fato de ele passar a me ignorar completamente. Agora vocês querem me convencer de que aquele menino, que nem olhava na minha cara depois de tudo, está perdidamente apaixonado por mim?
-Perdidamente apaixonado não- falou Carol- Mas ele sente algo por você, sim.
-Olha, só eu sendo estúpida o bastante para permitir ser magoada pelo mesmo garoto duas vezes, sendo que a primeira já foi o suficiente.
Charlotte parou antes de virar a esquina, elas estavam a ponto de entrarem na rua dela que também era a rua do Harry.
-Eu não quero ouvir mais nenhuma palavra sobre isso vinda de vocês- falou abaixando o tom de voz.
As duas meninas concordaram.
-Você caiu nessa de que ela não sente mais nada por ele?- perguntou Carol quando Charlie dobrou a esquina.
Georgina riu e respondeu.
-Mas é lógico que não.
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