Notas iniciais
Oie! Gente, eu sou a única pessoa que está viciada em Live While We're Young? Acho que não...rsrsrs Bem, aproveitem o capítulo...e para quem não ouviu a música(o que eu acho difícil), ouça!! :)

–Charlie, você está bem?- perguntou Carol assim que entrou no banheiro.

A menina confirmou com a cabeça sem retirar os olhos da frente do espelho. “Medrosa” era o que ela repetia mentalmente para si mesma e para o seu reflexo, “Medrosa”.

–Você tem certeza que está bem?- Carol tornou a perguntar.

Charlie desviou o olhar e através do espelho passou a encarar a amiga.

–Não.

Carol se aproximou.

–O que foi?

A menina não respondeu.

Tocando no ombro de Charlie, Carol fez com que ela se virasse e a olhasse de frente, desde modo, repetiu a pergunta.

–Will me beijou- Charlie respondeu.

Um, dois, três, Charlie perdeu a conta de quanto tempo Carol passou sem falar nada. O espanto na cara da menina era totalmente visível.

–O quê?- Carol se negava a acreditar naquilo que a amiga tinha acabado de lhe contar- Quando? Onde? Como?

–Terça. Na sorveteria. Não sei.

Carol permaneceu imóvel. Charlie aproveitou para se sentar na pia do banheiro, sem se importar com o vestido branco que poderia sujar.

Sexta-feira. Competição. Problemas. Banheiro da pizzaria.

Essas coisas estavam se tornando rotina para a menina.

–E Harry?- perguntou Carol.

No mesmo instante a imagem do menino surgiu na sua cabeça. Os cachos, os olhos verdes, a covinha nas bochechas, cada detalhe que o fazia único.

Charlie se lembrou do modo tristonho como ele havia se desculpado na quarta-feira. A voz dele parecia tão real, que a menina pensou que as palavras estavam sendo ditas naquele exato momento.

“O que eu fiz foi errado”, ele começou. “Não deveria, nem por um segundo, ter desconfiado de você. Eu sei que você não seria capaz de nada, mas é que... Eu te amo Charlie, e não quero te perder. Eu vou lutar com todas as minhas forças para mantê-la ao meu lado; Para sempre. ”

O que ele pensaria dela agora? Ela o havia traído, mesmo que sem intenção, e não havia dito nada. Se tivesse, será que ele entenderia?

Charlie realmente queria ter contado sobre o beijo, mas eles haviam acabado de se reconciliar e a menina não queria estragar o momento, ela havia resolvido que contaria depois. Mas esse depois nunca chegou.

E mais uma vez, ela se encontrava em uma sinuca de bico. Escondida no banheiro, sem ter coragem para sair e observar Harry e Will competindo, não só pela vaga no Baile de Verão, como também por ela.

Charlie voltou a si quando Carol repetiu pela milésima vez a pergunta que já havia feito.

–Ele não sabe.

–Como não? Você não contou?

–De que maneira?- Charlie se exaltou- Eu não posso chegar para ele e dizer: Harry, mil perdões, mas eu te traí. Eu não vou fazer isso!

–Claro que não. Eu só-...- Carol pensou antes de continuar- Você ama ele, certo?

–Certo- Charlie respondeu como se aquela pergunta fosse a mais óbvia de todas. E realmente era.

–E ele te ama. Então, ele vai compreender. Aliás, você não teve culpa, ou teve?

O olhar mortífero de Charlie foi o suficiente para que Carol pudesse entender a resposta.

–Se não teve culpa? Porque tanto medo?

Charlie deu de ombros. Ela realmente não sabia a resposta.

–Eu acho que deveria contar- sugeriu Carol.

Charlie desceu da pia resoluta, ela já havia decidido o que fazer.

–Eu não vou contar.

–O quê?

–Eu não vou contar- repetiu- E você também não.

–Mas Charlie!

– O que os olhos não veem o coração não sente.

***

“Shot me out of the sky

You're my kryptonite

You keep making me weak

Yeah, frozen and can't breathe”


A música que o One Direction havia acabado de cantar não saia da cabeça de Charlie. Como eles conseguiam ter sempre as melhores músicas?

A menina cantarolava um trecho quando sentiu uma mão sobre seu ombro. Charlie se virou para encontrar os lindos olhos verdes de Harry a encarando.

–Oi, baby- disse ele puxando uma cadeira e sentando ao seu lado.

Charlie sorriu para ele, se esquecendo completamente dos problemas que a fizera se esconder no banheiro.

–Porque vocês não foram para a escola hoje?- perguntou.

–Ensaio- respondeu Harry beijando levemente a testa da garota- E aí? Gostou da música?

“So get out, get out, get out of my mind

And come on, come into my life

I don't, I don't, don't know what it is

But I need that one thing

And you've got that one thing”


Como não gostar?

–Ela é ótima, como todas as outras.

Harry riu.

–Desse jeito, daqui a pouco estaremos lançando um hit mundial.

–E porque não? Vocês iriam ser um tremendo de um sucesso.

O menino apenas riu e não disse nada. Não precisou, Charlie tinha certeza de que ele havia pensado na possibilidade.

–Eu não acredito nisso?- disse Harry encarando a pista de dança.

Charlie olhou e se deparou com uma Georgina muito mais alegre do que o normal, tentando ensinar um Zayn a dançar. Charlie pensou se não era imaginação sua. Não, não era.

Georgina e Zayn realmente estavam na pista de dança, e realmente estavam se dando muito bem. A garota já havia notado que os dois estavam se relacionando de certa forma, mas não esperava tanto.

–Eles ficam bem como um casal- disse Harry sem parar de observá-los.

–Você acha?

Harry voltou sua atenção a Charlie.

–É claro. Aliás, se eles ficarem juntos, nós só teremos que nos preocupar em juntar mais dois.

Charlie pensou um pouco. Será que ele estava pensando em juntar Liam e Olivia, além de Louis e Carol?

–Porque você quer que eles fiquem juntos?

Harry não disse nada. Em vez disso, ele segurou o rosto de Charlie e o puxou para mais perto do seu, fazendo com que os lábios de ambos se tocassem com um beijo.

O coração de Charlie deu um salto. Não importava quantas vezes Harry a beijasse, a menina nunca deixaria de sentir aquela sensação. Era desejo, misturado com um pouco de... Charlie não conseguia descrever. Mas ela tinha certeza de uma coisa, o beijo de Harry era incomparável.

Nenhuma pessoa que a beijasse poderia reproduzir exatamente tudo aquilo que ela sentia quanto era com Harry. O beijo dele era único, e ninguém beijava tão bem quanto ele. Nem mesmo Will.

–Charlie?- chamou Harry. A garota estava tão entretida com o beijo, que quando os dois se separaram, ela demorou um pouco para voltar ao normal. O menino apenas riu da situação.

–Você quer refrigerante?

Charlie confirmou.

–Espera um minuto que eu vou pegar.

E Harry se afastou em direção ao bar.

***

Era quarta ou quinta música que tocava e Harry ainda não havia voltado. Provavelmente, os barmans deveriam estar lotados para que ele demorasse tanto. Ou talvez ele tivesse encontrado alguma companhia no caminho de volta. Não, ele não seria capaz disso. Ou seria?

Enquanto mil dúvidas passavam por sua cabeça, Charlie percebeu que alguém estava se aproximando pelas suas costas. A garota se virou pensando encontrar Harry, mas ao invés disso se deparou com Will.

–Oi- ele disse.

Charlie congelou. O que ela deveria fazer?

–Posso me sentar?

–Não- respondeu Charlie friamente.

–Olha, Charlie...

– Olha o quê?- Charlie aumentou um pouco a voz, abaixando logo em seguida- Você não tinha o direito de ter feito o que fez. Nem adianta se desculpar, eu não aceitarei.

–Ok- disse Will. O menino parecia terrivelmente abatido, até no palco ele tinha passado essa impressão e ele costuma ser tão ativo cantando. Ele estava diferente- Você não precisa me perdoar, eu só queria explicar a situação.

–Porque agora?

–Porque você fugiu de mim a semana toda.

Era verdade. Charlie tentou de todas as maneiras possíveis escapar das vistas de Will, e de certo modo ela havia conseguido. Aliás, essa era uma de suas especialidades.

Mas a menina não estava ali para ouvir o que já sabia.

Charlie se levantou, deu as costas para o garoto e começou a andar. Foi quando ele agarrou o seu braço.

–Eu realmente preciso falar com você.

–Will, me solta. Está me machucando.

O menino realmente segurava o braço dela com uma força mais do que necessária. Charlie olhava para todos os lados procurando por ajuda. De repente, se deparou com Carol que olhava a cena estampada.

Antes que pudesse dizer ou gesticular algo, Will a empurrou para o canto, onde era escuro e onde ninguém repararia.

Chegando lá, ele a soltou. A menina começou a esfregar o local onde ele havia segurado. Estava vermelho e doendo.

–Agora Charlie, você vai me escutar.

A menina não tinha outra opção.

–O que eu fiz foi errado, eu sei. Eu nunca deveria ter feito aquilo sem o seu consentimento. Mas eu quero que saiba, que por mais errado que seja eu não me arrependo. Eu fiz aquilo porque eu quis fazer. E principalmente, porque eu queria que você pudesse comparar nós dois, Harry e eu.

A medida que o menino falava, ele ficava mais e mais agitado. A intensidade com que ele gesticulava demonstrava o sentimento que ele colocava em cada palavra que dizia. Era tudo muito intenso, muito verdadeiro. Eram os reais sentimentos do garoto.

–Só agora, Charlie- continuou ele- é que você pode refletir e tomar uma decisão. Agora você pode realmente fazer sua escolha. E então? Quem vai ser eu ou o Harry?

Mais uma vez, uma pergunta óbvia. O que Will esparava que ela respondesse?

Sem pensar duas vezes, sem refletir sobre o assunto, Charlie deu aúnica resposta considerável naquele momento, a resposta mais que verdadeira.

–Harry.

Notas finais
O que acharam desse final? Foi quase como um tapa na cara.
Comentem!Eu preciso saber a opinião de vocês :)