Notas iniciais
A história se passa na 1° temporada, enquanto a maldição ainda não havia sido quebrada. Espero que gostem!

Emma nunca fora o tipo de garota que precisava ter alguém ao seu lado para ser feliz, mas não podia negar que se imaginava ao lado da morena desde que a viu pela primeira vez. Perguntava-se se algum dia iria ouvir aquelas tão famosas palavras sair da boca da mulher deitada ao seu lado na cama, mesmo sabendo que Regina nunca confessaria amor a qualquer outra pessoa que não fosse o seu filho. Os cabelos escuros pousavam sobre os ombros da loira e esta tentava não se mover a todo custo. Era lindo poder observar aquela mulher sem ter de desviar o olhar para que as outras pessoas não percebam e, mesmo que isso custe toda a noite de sono que Swan poderia ter, era o único momento em que podia estar no mesmo quarto da Prefeita sem que esta tentasse ataca-la para mostrar o seu poder. Os olhos verdes se fecharam pesadamente, sabia que teria de ceder ao sono, cedo ou tarde. Regina a acordaria cedo para Henry não soubesse que esteve ali e Emma não tinha nem mesmo o direito de sair pela porta da frente. Um nó começava a se formar em sua garganta e os lábios secavam rapidamente. Aquilo nunca foi o que ela planejou. Claro que Emma tinha plena consciência que a morena nunca iria assumir um relacionamento com ela, não esperava nada próximo disso. Agora, desejava nunca ter aceitado tomar uma bebida, nunca ter contra-atacado as ameaças da mais velha. Não era a primeira vez que ponderava meios de sair dessa situação.

Os lábios de Regina sempre pareciam saber o momento certo de calar a loira, de fazê-la desistir de lutar contra o desejo que sentia. Perdera as contas de quantas vezes foi empurrada contra a parede, seu corpo entrando em total contato com o da Prefeita e os seus dentes cerrados, tentando reprimir os gemidos de aprovação. Os beijos sobre o seu abdômen definido, a pressão dos dedos da outra sobre o seu centro e os sussurros seguidos de mordidas em sua orelha. Emma podia senti-la perto todas as vezes que fechava os olhos, mesmo quando tentava fugir da tentação real.

No final do dia, ela estava machucada. Sempre. Não chorava mais como nos primeiros dias, mas não tinha descanso desde a primeira vez que resolveu escalar até a janela da outra mulher. Doía saber que tudo o que acontecia naquele quarto não passava de uma brincadeira, um passatempo. Desejava ardentemente que fosse desejada e amada com a mesma intensidade de seus sentimentos. Não há nada que a loira quisesse mais do que Regina dando-lhe uma chance para tentar, uma chance para as duas de superar tudo de ruim que já havia acontecido. Emma sabia que não tinha chances nenhuma ali. Mesmo assim, todas as vezes que ela olhava para o corpo dormindo ao seu lado, tinha esperanças de que pudesse ficar um pouco mais. Um minuto, uma hora... Não importava. Ela só queria ter a oportunidade de estar ao lado de Regina. Não pediria nada mais, não precisava que conversassem. Só queria parar no tempo, adorando a mulher ao seu lado. Todas as vezes que estava ali, sofrendo com a insônia diária, imaginava-se sendo cuidada, recebendo abraços e beijos. Talvez fosse apenas uma simples carência e Emma torcia para que encontrasse outra pessoa que a fizesse sentir daquela forma – Qualquer pessoa. No fundo, não iria acontecer. Já estava acostumada a sonhar, mesmo conhecendo a verdade. Regina nunca seria dela, não estaria com ela. Teria de se contentar com as noites de sexo sem compromisso até enquanto seu coração aguentasse, pois não iria ter a mulher de seus sonhos em seus braços. Tudo o que podia fazer era continuar ali, parada na cama, guardando tudo o que podia daquele momento para si, porque assim que os primeiros raios de sol cruzassem as janelas de vidro, tudo aquilo acabaria.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!