You See Me Gerard?

2 Você não pode morrer!


Notas iniciais
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CAPITULO 2 – VOCE NÃO PODE MORRER!

- EU NÃO POSSO SER TÃO INSIGNIFICANTE PARA VOCÊ GERARD! — Eu não esperava uma resposta boa, sinceramente, eu não esperava. Gerard provavelmente diria que eu era tão insignificante quanto uma formiga, também tão fraco quanto a mesma. Assim ele poderia pisar e mim. Eu sentei na cama, minhas pernas não me agüentariam. Recolhi meus joelhos e com os braços apertei-os firmemente contra meu corpo frágil. Odiava chorar na frente dele, odiava parecer mais fraco que sou perto dele, mas eu não o odiava. Não era possível. Eu o amava. Ele me faz sofrer, sim faz, mas eu o amo, o amo intensamente. Ele foi a única pessoa com quem me preocupei em toda minha vida, a qual eu cuidei, dei carinho, amparei. Se isso não é um grande amor eu não sei o que é, isso é amor de irmão, amor de família, não de casal, sendo assim mais sincero.

Gerard se aproximou, sentou ao meu lado e me abraçou. Como ele era frio, seus olhos eram frios e sem expressões, eram olhos verdes, lindos olhos, mas não se era possível perceber graças a camada grossa de lápis negro a qual ele teimava em usar. Ele ficou abraçado a mim por um tempo, mas em nenhum momento me passou uma segurança de que algo ia mudar. Ele sabia o quanto mal me fizera, sim ele sabia, mas estaria bêbado amanhã, se não estivesse estaria drogado, me fazendo sofrer mais ainda. Ambos choravam.

Gerard estava sem camisa, não tivera a decência de por uma camisa para vir falar comigo, dei graças a deus que ele colocou uma calça. Seu corpo, como já havia mencionado, era muito branco, parecia não entrar em contato com o sol há anos, contrastando com o cabelo muito negro, pouco acima dos ombros, franja com metade do comprimento do cabelo, normalmente jogada na cara. Olhos verdes. Ele sempre fora popular na escola, eu sempre fui o CDF, usava óculos, taxado assim de quatro olhos. Isso me irritava. Enquanto Gerard era “O Cara” na escola eu era o rejeitado. Enquanto Gerard sentava-se à mesa lotada de gente que se acotovelava para sentar com ele, eu ficava na mesa do canto com três amigos, Frank, Bob e Ray. Eles eram populares também, não tanto quanto meu irmão. Sempre sentaram comigo, sim, eles eram meus amigos.

- Eu sou tão insignificante Gerard? — Eu perguntei, essa pergunta fez ele levantar a cabeça que estava apoiada no meu ombro. Estava com a cara totalmente borrada. Ele usava pó branco na cara, para que parecer mais branco que já é, pensei comigo. Caminhos pretos do seu lápis estavam por todo seu rosto.

- Não Mikey — Ele falava com a voz arrastada, parecia que ia desabar a qualquer momento. Ele abaixava o tom a cada sílaba que pronunciava. Não deu outra. Caiu. Desmaiou mais precisamente. Tentei carregá-lo, como era pesado. Não consegui descer a escada com ele, teria de ligar para o hospital. Seu rosto era quase angelical quando "dormia". Liguei para o hospital e fiquei esperando a ambulância, com sua cabeça erguida, apoiada em meu braço, que nem naquelas cenas de filme, sabe? Ele parecia um anjo, por incrível que pareça. Seus cabelos, sua pele, tudo contribuía. Um anjo mal na realidade. Um anjo renegado a qual Deus não dava mais instruções ou incentivos. Deus o abandonara, agora ele era mortal, ele viera do céu em missão de ser feliz, ao chegar na terra, traiu a Deus e a ele próprio e só se fez infeliz. Agora ele podia morrer, talvez estivesse morrendo. Esse anjo estava ali, caído, morrendo em meus braços e isso doía. Uma criatura abençoada assim, desse jeito, era inacreditável. Ele não podia morrer, não agora!