You See Me Gerard?
1 Eu não posso ser tão insignificante para você Gerard!
Notas iniciais
CAPITULO 1 – EU NÃO POSSO SER TÃO INSIGNIFICANTE PRA VOCE GERARD!
"Eu sou Gerard Way, moro em uma cidade MUITO pequena, para entender melhor, imagine uma fazenda de gado de tamanho médio. É o tamanho da minha cidade, para uma fazenda de gado é relativamente grande, mas para uma cidade é muito pequena. Eu moro sozinho na maior casa da cidade. Uma casa media se comparada com a das grandes metrópoles. Oh, perdoem meu erro, eu não moro sozinho, moro com o ser insignificante que é Mikey Way, meu irmão"
Sim, é assim que Gerard deve se apresentar para as pessoas. Ele me vê como o ser mais insignificante da Terra, logo eu, seu irmão. Ele idolatra Bert, o cara mais nojento que eu conheço. Bert fez meu irmão começar a usar drogas, se tornar um viciado em bebidas alcoólicas e fumar três carteiras de cigarros por dia, eu sei que parece que eu estou exagerando, mas não estou. A saúde de Gerard esta piorando, ele tosse muito e respira mal e porcamente como efeito do cigarro, a bebida excessiva deve estar afetando seu cérebro pois ele tem lapsos de memória, as drogas fazem dele uma pessoa fria, grosseira e arrogante com quem tenta ajudá-lo e eu, Mikey, me torno quase invisível a ele, exceto pelo fato de que sou eu quem o traz do bar a noite, dou banho e o coloco para dormir. Sim, eu sou praticamente a mãe de Gerard, mas uma mãe invisível para ele quando está sóbrio, e como uma mãe, eu sofro por isso, mas ele não vê, ou não quer ver.
Um dia cheguei em casa, ouvi gemidos vindos do quarto do meu irmão, achei que ele estava passando mal, mas quando cheguei lá flagrei Gerard na cama com Bert, aquilo me deixou furioso, um sentimento forte queimava meu peito, o ódio transbordava e eu não duvido que meus olhos faiscavam naquele momento. Fui ao meu quarto, deixei-os, afinal ele tem 29 anos (notas da autora: isso é real, Gerard no ano de 2006 tem 29 anos, o Mikey 26), não é mais uma criança. Entrei no meu quarto e fiz questão de bater a porta com toda minha força, com certeza isso os atrapalhou. Sentei na cama e não consegui conter a 1ª lagrima, foi inevitável, ela saiu de minhas pálpebras rolando até minha boca, deixando um caminho de água salgada a qual eu sentia o gosto amargo, depois dessa primeira lagrima teimosa meus olhos se revoltaram e resolveram largar uma cachoeira de outras que eu não consegui, na verdade, nem tentei conter. Como meu irmão, já com quase trinta anos, afundava sua vida de tal modo? deitar-se com seu próprio assassino? O homem que matou o Gerard amável que um dia foi meu irmão, transformando-o em praticamente um morto-vivo? Eu não entendia, talvez não quise-se entender por medo de quão dura seria a resposta.
Deitei-me, queria dormir e esquecer o que havia acontecido, impossível, Gerard entrou no quarto, se a porta estivesse trancada, com a força que fora aberta , com certeza seria arrombada.
— O que foi isso Mikey? — perguntava-me, talvez ele não quisesse que eu visse aquilo, parecia nervoso.
- O que foi o que? — perguntei de volta, fazendo cara de inocente, queria ver até onde ele chegaria.
- Essa batida na porta Mikey, não faça cara de quem não entendeu, você sabe muito bem do que eu estou falando. Por que você bateu a porta? Você viu...
- Você e o Bert? Sim Gerard, eu vi e não queria ter visto, mas afinal você é maior de idade, bem maior de idade, diga-se de passagem, pode fazer o que bem entender. Até deitar-se com um assassino. A vida é sua, se quiser afundá-la eu não posso fazer nada, não é mesmo? — eu disse, deixando-o confuso. Mais uma lagrima escorria pela minha face, eu sequei a rapidamente na tentativa de evitar que Gerard a visse. Tarde demais, ele viu e ficou ainda mais confuso.
- Assassino? — ele perguntou perdido, parecia querer ligar dois fios invisíveis, queria achar esses fios, queria ligá-los, mas não conseguia e sofria na sua própria confusão. Eu não entendi por que daquilo parecia estar drogado, mas há dois minutos atrás parecia estar perfeitamente normal, isso deu um nó na minha cabeça e então decidi deixar esse fato de lado e dar as respostas que ele queria logo.
- O assassino do Gerard amável, vivo, cheio de energia que era meu irmão. O que sobrou foi o corpo desse Gerard morto, que Bert matou. — Eu disse, quase calmamente.
- O que você sabe sobre isso Mikey? Você nunca esteve presente nos meus momentos importantes depois que eu "afundei minha vida", que foi quando eu mais precisei de você! Onde você estava Mikey? — Ele gritava e incessantes lagrimas já escorriam pela sua face pálida, borrando a grossa camada de lápis preto com o qual ele se maquiava, dando a ele uma maior aparência de morto-vivo.
- Onde eu estava? Onde você estava Gerard?! Eu estive com você em todos os seus momentos importantes, só que em todos você estava bêbado ou drogado demais para lembrar no outro dia que fui EU que fui te buscar no bar, que fui EU que te dei banho, que fui EU que te pus pra dormir. Eu estive presente em todos esses momentos, mas, e você Gerard? Onde você estava nos MEUS momentos importantes? Onde você estava quando EU precisei? — ele não respondeu, parecia estar forçando a memória pra lembrar, lagrimas o atrapalhavam, e eu, não sabia por que ele chorava, mas mesmo assim continuei, agora tinha de ir até o fim. — E você ainda tem coragem de me criticar? Você não tem direito de dizer isso Gerard Arthur Way! Você dorme com a pessoa que mais te prejudica e não se lembra de quem te ajuda? EU NAO POSSO SER TAO INSIGNIFICANTE PARA VOCÊ GERARD!
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