Notas iniciais
Olá, meninas! Vocês não sabem on quão feliz me deixaram, sério! Mas enfim, não enrolar eu muito aqui. Apenas aviso que as notas finais são muuuuuito importantes, então vamos lá! Ah, a partir desse capítulo começam narrativas mais explícitas, afinal, como verão, Alura e Clark entram em um mudo tipo de envolvimento, ou seja: contém cenas 18+, amoras! Estão avisadas. Gif de gente aleatória, mas que representa bem o momento. Boa leitura!

Em noites normais não era do seu costume ficar alcoolizada além da média estabelecida por si mesma. Alura tinha um sistema: ela media seu nível alcoólico pelo o de Rosaly. Levando em conta que ela não tinha o costume de se embriagar sozinha e levando em conta que Rosaly era mais inútil em defesa pessoal bêbada do que sóbria, ela havia criado um 'álcoolmêtro mental': Ela só bebia uma quantidade equivalente ao da loira, considerando que a mesma era mais fraca para bebidas do que ela mesma, mas nunca além. Ela não poderia defender a amiga se a sua mente e os seus movimentos estivessem severamente alterados pelo álcool.

Bem, Rosaly não estava aqui agora.

Tudo ao seu redor zunia como um plano de fundo agradável, como um rádio velho tentando achar uma frequência. As pessoas estavam borradas, a música e as risadas misturadas em espirais na sua mente, nenhum pensamento fixo preso em sua cabeça: sabia que pensava em várias coisas ao mesmo tempo, mas todos estavam tão longe que ela não podia simplesmente estender o braço e alcança-los. Os movimentos do seu corpo foram alterados também, como se ela flutuasse. Alguma parte no fundo da sua cabeça gritava que era uma má ideia, que ela deveria se recolher e voltar para casa, aquela era a voz do seu sexto sentido infalível. Normalmente ela o escutava, sua capacidade de percepção sempre foi a sua melhor amiga — mas não essa noite. Ela já estava fazendo tudo contra o seu normal mesmo, que mal faria em quebrar um pouco mais da sua rotina?

Wi... liam... – lamentou com uma voz embolada, rindo da sua própria tolice ao tentar pronunciar o nome do barman corretamente – Meu copo está vazio!

Ela gritou. Não dava para ouvir muita coisa pelo o som da pista de dança, mas sabia que não era o suficiente para que ela gritasse tão alto. Wiliam balançou a cabeça negativamente.

— Acho que você já bebeu demais, mocinha – ele repreendeu num tom brincalhão.

Alura franziu o cenho e tentou contar nos dedos quantos copos doces haviam sido. Foram oito? Foram nove? Ela não se lembrava, e depois de um tempo não dava mais a mínima.

— Foram quinze, mais três canecas de cerveja. Uma mistura não muito sábia – Wiliam interrompeu suas indagações com um bufo brincalhão. Ela não percebeu que falava em voz alta – É doce mas não é sobremesa, Alura. Você estará péssima amanhã.

— Eu estou péssima agora! – rebateu lentamente, o calor ao seu redor a fazendo tirar a jaqueta e colocá-la no balcão – Você não entende. Estou uma merda. Me sinto uma merda.

— Isso com certeza é verdade, mas não será nesses copos que você vai achar as suas respostas – ele parou por um momento, escorando no balcão á sua frente e erguendo o seu rosto baixo pelo queixo – Oh não, não chore, moças bonitas chorando me quebram as pernas.

Alura fungou disposta á responder rispidamente que não estava chorando, que pessoas como ela não mostravam suas fraquezas simplesmente assim, mas ao invés disso um soluço patético escapou dos seus lábios fazendo seus olhos transbordarem. Era tudo o que ela precisava pra encerrar a noite, ter a sua dignidade mastigada e cuspida na cara de estranhos.

— Eu não sei porque estou chorando, não consigo parar! Eu não devia fazer isso! O choro é uma resposta natural fraca! – ela esmurrou a mesa com raiva, seus ombros tremendo.

— Tudo bem, querida. A vida é dura e não precisamos ser fortes o tempo inteiro – as mãos dele estavam em seu rosto, os polegares varrendo as suas lágrimas – Vamos fechar um acordo, tudo bem? Eu lhe dou mais um copo e você vai pra casa, que tal?

— Só mais um? – ela perguntou cabisbaixa o fazendo rir.

— Droga, você é mesmo fofa. Sim, só mais um. Tem alguém que possa a levar pra casa?

— Não! Sei me virar, sou uma mulher crescida. Eu chamo um Uber – resmungou chateada, não deixando de lembrar que Rosaly não estava ali pra consola-la. Claro, esse não era um pensamento que ela teria á quatro copos atrás.

— Certo, como quiser Srta. Independência – ele se virou novamente e preparou a sua bebida, deixando pra queimar o açúcar com o maçarico na sua frente fazendo os seus olhos brilharem – Aqui está o meu lado do acordo. Beba devagar.

E ela o fez. Alura virou o copo lentamente esperando o sabor causar aquele comichão quente em seu corpo, como das outras vezes que bebera, mas inesperadamente o doce já conhecido não passou pela a sua garganta como ela esperava. Ela se sentiu repentinamente enjoada, sua garganta queimava e os seus olhos lacrimejaram. De repente o barulho ao seu redor se tornou massivo, os cheiros a oprimindo.

— Eu-Eu não me sinto bem – ela resmungou mas Wiliam não a ouviria, estando no momento servindo outro cliente. Ela se levantou lentamente do balcão se lembrando de ter visto um banheiro no fundo do bar, caminhando á passos lentos para o seu destino atravessando o meio da pista de dança.

Foi uma má ideia.

As pessoas a pressionaram, a música alta estourando os seus tímpanos e balançando o seu cérebro, o calor dos corpos á sua volta se tornando sufocante. De repente uma certa urgência fora desperta por seus instintos: ela precisava sair dali, precisava sair agora. Alura empurrou algumas pessoas sentindo uma pequena onda de pânico invadi-la quanto mais gente entrava na sua frente, os movimentos exagerados á sua volta machucando o seu corpo. Ela precisava sair dali! Alura se tornou mais agressiva, empurrando as pessoas com força e xingando antes que enfim achasse uma brecha, correndo desesperada para o corredor mais silencioso que a levaria para os banheiros. Quando ela enfim alcançou o cubículo ela entrou batendo á porta, seu corpo tremendo pelo pequeno pânico que sofreu á segundos atrás. Ela cambaleou até as pias se apoiando no mármore e tentando estabilizar sua respiração, e quando percebeu que não iria vomitar ela ergueu o seu rosto para o enorme espelho. Pelo o pouco que via sabia que a sua imagem era lamentável. Seu rosto ainda estava assustado, a sua visão severamente turva pelo álcool e os seus lábios rosados tremendo, lágrimas quais ela não sabia quando começou á cair brilhando em suas bochechas. Patética, absolutamente patética. O que diabos ela estava fazendo ali? A pergunta muda trouxe mais lágrimas aos seus olhos, e então ela quebrou. Pequenos soluços escalaram pela a sua garganta aos seus lábios, se tornando grandes de acordo com que as suas lágrimas desciam. Estava cansada, machucada e magoada. Estava bêbada e em estado lamentável completamente sozinha. A solidão, sua tão amada e recém rejeitada amiga, nunca foi tão ansiada nesse momento.

Ela só queria ir pra casa.

Alura não percebeu o momento exato que perdeu controle sobre a restrição da sua marca, mas quando os sentimentos de desespero e preocupação pesou em seus ombros ela não teve forças para afastar Clark Kent do outro lado da ligação de alma dos seus corpos. Sentia-se fraca e patética, ela realmente só queria ir pra casa. Os sentimentos melancólicos dela misturados com os preocupados dele fez suas pernas bambearem a fazendo escorregar para o chão, se sentando e apoiando as suas costas no mármore frio da pia. A marca rasgou o seu meio agora, pulsando e lamentando com tanta força que a deixou enjoada. Uma parte ainda sóbria dela sabia que só precisava levar os dedos á marca e dizer que estava tudo bem para o seu receptor, respirar fundo e se concentrar em manter sua seriedade, poupar o resto da sua dignidade. Mas ela não fez, porque não estava nada bem. E a culpa era dele. Então, infantilmente concluiu, se ela tivesse que o punir com sua própria tristeza então que assim seja. Uma parte egoísta da sua mente pensou que ele merecia pelo o que a fez passar – que afinal de contas todo o estado lamentável em que se encontrava era por causa dele e das suas origens absurdas.

Mas então a adrenalina explodiu no seu peito.

Não era seu, ela sabia que não, e não soube o que diabos Clark Kent estava fazendo para que ele se sentisse repentinamente posto ao limite mas a deu forças para se levantar e caminhar até a porta do banheiro e a destrancar. Chega, ela pensou. Aquilo era até onde ela e o resto da sua dignidade estava disposta a ir, não iria continuar com essa bebedeira patética e desnecessária, iria pra casa lamber suas feridas na solidão como ela sempre fazia, como ela deveria ter feito desde o começo. Quando ela saiu do banheiro convicta á pagar a conta e pegar um Uber direto pra casa o seu rosto foi de encontro com um peito maciço, o cheiro de cigarro e bebida entrando em seu sistema a fazendo recuar bruscamente.

— Opa – uma voz masculina gracejou, sua visão turva não conseguindo dar uma forma exata ao seu rosto – Cuidado, amor. Você pode se machucar.

— Sai da minha frente, idiota – ela tentou manter o seu tom firme, tentou fazer a melhor versão da seriedade que herdou da sua mãe. Mas nem os seus músculos faciais e nem a sua voz correspondia com o que ela queria passar, transparecendo a versão patética e chorona de si.

O cara á sua frente riu, um som que fez os pelos dos seus braços se levantarem não de forma agradável.

— Você tem uma ferocidade, não? Eu percebi isso na pista de dança quando me empurrou, sabia que era uma gatinha nervosa – ele deu um passo á sua frente a fazendo recuar para dentro do banheiro, estando ciente que o seu estado embriagado pouco faria contra o homem desconhecido – Eu levei um soco por isso, sabia? Derrubei a minha cerveja em alguma vadia estúpida de namorado valente. Eu não gostei disso, gatinha. Não gostei mesmo.

— Eu... – a voz de Alura engasgou na garganta, sua ferocidade se encolhendo enquanto piscava freneticamente tentando dar foco á sua visão – Eu não queria. Não foi a minha intenção. Agora sai da minha frente

— Oh, não, claro que não, não a culpo – ele deu mais um passo a fazendo recuar, batendo á porta do banheiro com o pé às suas costas audivelmente – Mas me foi ensinado a aproveitar das oportunidades quando elas me são apresentadas. E você é uma bela oportunidade, querida.

— Não me chama assim! – rebateu nervosa, seu peito ardendo, seu sangue pulsando contra os seus ouvidos. Ela precisava sair dali, será que ninguém viu um homem grande entrar no banheiro feminino? – Não chegue mais perto de mim, seu punk imbecil! Ou eu vou-

— Vai o que? – então ele a empurrou contra a parede com força, seu corpo pressionando o dela contra a cerâmica dolorosamente, segurando os seus pulsos com pressão suficiente para deixar marcas. – Você é uma coisinha realmente bonita, não é?

— Estou avisando pra sair de perto de mim ou eu vou acabar você, porra! – ela tentou novamente, suas palavras normalmente duras saindo dos seus lábios de forma trêmula.

Ele riu divertido com a sua miséria.

— Adoraria vê-la tentar – gracejou irônico. Alura se conhecia bem o suficiente para saber que aquela era uma briga perdida, o excesso anormal de álcool ativo na sua corrente sanguínea jamais a permitiria agir de acordo com os seus extintos, com a sua força.

Então sentiu medo. Um genuíno e grande medo.

Ela sentiu uma língua na sua bochecha a fazendo se encolher, lágrimas de raiva escapando pelo o seu rosto. Maldita seja a hora que saiu de casa, maldita seja a hora que bebeu ao ponto de ficar indefesa, maldita seja a hora que permitiu que alguém a tocasse. Maldita seja sua imaturidade. Ela precisava de ajuda, ela não queria ficar ali, ela não queria que ele a tocasse.

“Por favor, não deixe que ele me toque. Por favor, por favor, Kal!” sua mente entoou num mantra, seu desespero a fazendo tremer, se apegando ao nome do herói como se em algum lugar ele pudesse ouvi-la, como se uma parte dele pudesse sentir que ela precisava dele.

— Vamos nos divertir, amor – o homem voltou a dizer, sua rigidez pressionando contra sua coxa trazendo bile á sua garganta. Era o seu fim, ela jamais havia passado por um assédio físico sem poder se defender antes e ela jamais se recuperaria se algo do tipo acontecesse com mais intensidade.

E algo realmente aconteceu.

Só não era o que ela esperava.

COMO VOCÊ OUSA?— uma porta bateu com força contra a parede e um grito retumbante invadiu o pequeno banheiro como um tufão, Alura jura que a potência da voz fez as cabines dos sanitários tremerem. Então o homem fora arrancado de cima dela bruscamente, as mãos dele ainda presa aos seus pulsos a fazendo cair no chão de bruços.

Sua cabeça zuniu, sua visão confusa. O que estava acontecendo?

— Acha que pode tocar na minha mulher?! Acha que tem o direito de amedronta-la?! Como ousa?! – ela piscou mais fortemente, uma euforia alegre invadindo o seu peito ao reconhecer o dono da voz.

Clark. Ele veio por ela. Ele a salvou mais uma vez.

Ela ergueu seu corpo pelos antebraços, seus pulsos doendo ao depositar força em suas mãos. Ali, sentada no chão e piscando rapidamente para ganhar foco, ela contemplou uma cena que nunca iria se esquecer: Clark flutuava com uma mão envolta no pescoço do seu agressor tirando o seu ar até que a cabeça do mesmo estivesse encostada ao teto do banheiro, sua outra mão fechada em punho ao seu lado. E ela sabia, oh, e como sabia, que os seus olhos brilhavam em um vermelho vivo prontos para derreter o crânio do homem vil. A ideia não deveria lhe ser atrativa, mas a exibição de masculinidade em prol da sua segurança esquentou áreas em seu corpo que não sabia que poderiam ser ativas em momentos de tanta adrenalina.

Quer dizer, por Deus, ela quase fora violada á poucos segundos atrás e Clark estava á ponto de matar alguém bem na sua frente. Ela não deveria sentir sua boceta latejar com a visão dele nessas circunstâncias.

— Clark... – sua voz chamou, e mesmo que fosse baixo como um sussurro ela sabia que ele tinha a ouvido – Clark, pare.

Ele a ignorou apertando o homem ao teto com tanta força (embora ela tenha absoluta certeza que ele não usava nem um por cento do seu real poder naquele ato) que tinha certeza que nem um fio de ar passava pelo os seus pulmões nesse momento. E por mais que ela quisesse com todas as forças que o desconhecido miserável sofresse ela não poderia permitir que o herói dourado de Metrópolis sujasse as suas mãos de sangue contra um homem insignificante por sua causa.

— Clark, por favor-

— Ele ousou toca-la – o barítono rouco ameaçador em sua voz fez os pelos do seu braço se arrepiarem, a masculinidade territorial exalando em ondas do seu corpo flutuante. – Ousou coagi-la. Assusta-la. Como se alguma parte desse monte insignificante de lixo tivesse sequer o direito de respirar na sua presença.

Foi a primeira vez que viu aquele lado sombrio do inocente Kent. Era forte e potente, determinado e selvagem, como se ele estivesse pronto pra enfrentar e vencer um exército. E mesmo que a condenasse á queimar lentamente no inferno ela tinha que admitir que o adorou, mesmo que o momento não fosse nada adequado. Alura lambeu os lábios secos antes de tentar tirar a atenção dele do homem novamente.

— Clark-

— Ele machucou a minha senhora. E eu farei com que se arrependa. – terminou sua sentença friamente, de uma forma tão convicta e intimidadora que a fez engolir em seco pela vida do seu agressor.

Ele ia mata-lo. Não era o pensamento que gostaria de ter, sabia que o doce Kent com seus princípios moralistas jamais faria algo tão extremo, mas é quase como se ele não fosse Clark nesse momento, ele parecia até... Kal, Kal-El, o guerreiro de Krypton que estalou o pescoço do general Zod além da vida. Kal-El não tinha medo de sangue em suas mãos, pela forma que Clark falava dos maneirismo exagerados do seu povo agora ela sabia que a parte Kryptoniana dele não hesitaria em mostrar seu real poder para aquela criatura fraca se ele viesse totalmente á superfície, e mesmo que Alura inexplicavelmente soubesse disso ela não poderia deixar que ele cometesse tal erro; primeiro porque era uma luta desigual uma vez que esse homem insignificante não podia sequer arranha-lo, e segundo porque de alguma forma ela sabia que se ele quebrasse ao menos um braço desse mortal a parte mais racional da sua mente o puniria para sempre.

Não, além dos seus princípios terráqueos ela precisava para-lo para salva-lo da sua consciência depois.

— Kal – ela tentou, inesperadamente tímida por chamá-lo pelo o seu nome de berço, se levantando tremulamente do chão. Isso pareceu chamar a sua atenção, sua cabeça se mexendo minimamente em sua direção – Kal-El, por favor. Você vai mata-lo.

— Ele merece – respondeu prontamente, sem um pingo de remorso – Ele não a tocará novamente, não incitará o seu medo. Nunca mais. Eu não vou permitir. Ninguém irá feri-la-

— Enquanto vida você tiver – ela não sabia como mas completou sua sentença como se a tivesse ouvido várias vezes antes, caminhando um passo trêmulo em sua direção, sua mão hesitante se erguendo lentamente para a panturrilha do mesmo frente ao seu rosto – Você me protegeu, Kal. Você não permitiu que ele me machucasse mais. Por favor, solte-o.

— Eu não devo ter misericórdia contra os miseráveis. Você é a minha senhora! Como ele ousa achar que pode sequer olha-la? O ímpio iria agredi-la! – ele esbravejou arrancando o ar dos seus pulmões, calando-a. Sua inesperada proteção exagerada não era algo que ela queria lidar agora, Kal-El não era algo que ela queria lidar agora, a possessividade e proteção Kryptoniano em Kal-El e o que isso estava fazendo em seus países baixos não era algo que ela queria lidar agora. Ela precisava trazer Clark Kent e sua racionalidade de volta o quanto antes, não só para o bem do seu agressor como para a sua saúde mental também.

Alura pigarreou se sentindo cansada pela tensão e o agravante dos seus pensamentos.

— Mas ele não fez! Você o deteve, Kal-El. Então, como... Como s-sua senhora eu peço que o deixe ir. Por favor. Ele não me fará mais mal – sua mão hesitante agarrou sua panturrilha e só aquele toque fora o suficiente para enviar calor por todo o seu corpo, relaxando o dele também. Clark flutuou até os seus pés alcançarem o chão suavemente, sem pressa, o homem semiconsciente lutando fracamente contra a mão ainda erguida envolta do seu pescoço.

— Você tem certeza?

— Sim! Por favor, Kal-El. Eu peço que o deixe ir – Clark hesitou alguns momentos antes de lentamente desprender os seus dedos do pescoço do homem, o vendo desabar no chão em um baque alto enquanto os seus pulmões chiavam por ar. Clark ainda estava de costas para si, seus grandes músculos se flexionando visivelmente atrás do seu casaco, respirando fundo, seus punhos abrindo e fechando ao lado do corpo como se repensasse em sua decisão de deixá-lo ir.

Alura não soube se foi para acalma-lo ou se foi o seu próprio desejo a puxando em direção a ele mas quando deu por si os seus braços rodearam a grande estrutura de Clark com suas mãos agarrando o tecido que cobria seu estômago os apertando nos seus punhos até os nós dos seus dedos ficarem brancos, seu rosto se afundando em suas omoplatas respirando o seu cheiro como se dependesse disso para viver. Os músculos rígidos dele derreteram instantaneamente, Clark voltando á superfície e o seu corpo se virando com rapidez no seu abraço e a embalando em seus enormes braços, um braço envolta da sua cintura e o outro contra os seus ombros, puxando sua cabeça para o seu grande peitoral rígido a embriagando com o perfume da sua pele que invadiu as suas narinas e a entorpeceu, seus sentidos concentrados inteiramente em seu olfato como se quisesse arrancar cada odor que os seus poros exalassem.

Em três semanas ela nunca esteve tão em paz. Isso sim parecia tentador como o inferno: doce e quente. Nenhuma bebida poderia deixa-la mais alta que o calor do seu corpo e o cheiro da sua pele.

— Alura, oh Alura, eu fiquei tão preocupado, querida – sua conhecida voz gentil temperada com uma forte emoção chorou contra os seus cabelos, beijando seu coro cabeludo com devoção. Alura sentiu os seus joelhos fracos, seus olhos quase sumindo nas órbitas ao respirar com mais afinco o seu peito coberto com uma fina blusa de algodão, seus braços tentando esmaga-lo num abraço envolta da cintura musculosa dele. Ela podia morrer ali, naquele exato momento, e estaria em paz – Eu fiquei tão preocupado, meu amor. Tão fodidamente preocupado. Porra.

Alura sorriu docemente, quase boba. Embalada no abraço seguro do seu herói e coberta pelo o seu cheiro inebriante a sua mente turva de álcool não pode deixar de pensar o quão quente era a sua voz quando praguejava.

— Você veio por mim – Alura murmurou sonhadora, um sorriso em sua voz. A parte clara da sua mente que havia superado o álcool pela vida do seu agressor se fora, a embriaguez sincera novamente fluindo por suas veias.

As mãos dele correram pelo o seu corpo até que ambas estivessem em seu rosto, puxando o seu nariz enterrado em seu peito e a fazendo encarar os seus olhos azuis nublados.

— Eu nunca deixarei ninguém machuca-la, eu nunca permitirei isso. Você é a minha senhora, Alura. Mesmo que não aceite. É meu dever cuidar de você.

Ela franziu o cenho, seu olhar triste.

— É só por isso que veio? Porque estamos ligados?

— Não, não é só por isso. Meus sentimentos por você vão além do que você acredita o que a marca represente, meu amor – ele recitou lentamente, admirando suas feições com afinco.

— Mas – ela franziu o cenho, seu rosto confuso e os seus olhos pateticamente se enchendo de lágrimas – Você me deixou.

Clark sentiu o seu coração falhar no peito, sua garganta seca. Sentia pelo o cheiro da sua prometida que ela estava fortemente embriagada mas tinha certeza que essa confissão chorosa não havia sido forçada pelo o álcool uma vez que sua marca recém ativa o enviou vibrações de tristeza. Ela realmente achava que ele havia a deixado?

— É o que você acha, Alura? Que eu a deixei? – ela assentiu lentamente, suas lágrimas derramando pelos seus olhos claros e bochechas coradas. Ele limpou as suas lágrimas com os seus polegares, segurando o rosto da sua senhora com mais firmeza – Eu nunca faria isso. Eu jamais a abandonaria, Alura.

— Mas você fez! — ela rebateu num soluço, seus lábios tremendo entre os dentes. Clark não sabia o que fazer, embalado pelo calor da sua prometida tão próximo que sentia a marca entre os seios dela pulsando contra seu peito. Como ele poderia consolar a sua senhora? Porque ela havia achado que ele a tinha deixado?

— Eu não entendo, minha lua. Você pediu que eu não a seguisse, disse mais de uma vez que gostava do seu espaço, bloqueou minhas ligações, me privou... – então sua própria voz embargou, o nó em sua garganta contido por semanas enfim querendo se romper – Me privou de senti-la. Você sabe o quão machucado eu fiquei? O quão me feriu me proibindo de sentir minha própria senhora? Eu estava desesperado, lua. Acabado. Não havia esperança em meus dias.

Alura não sabia como rebater, seus próprios argumentos quase inexistentes evaporando como fumaça. Ela realmente o manteve longe como uma covarde, ela realmente o privou do seu dia a dia, e de alguma forma, ouvindo as suas dores cara a cara, ela sentiu como se tivesse cometido o maior pecado do mundo. Como se privar uma alma gêmea de sentir a outra fosse bárbaro demais até para ser pensado.

— Me desculpe – ela soluçou frágil, a culpa e a vergonha quebrando a barreira qual cuidadosamente havia erguido nessas semanas que se passaram. Suas lágrimas não paravam, seus ombros vibrando com a força das suas emoções. Ela estava verdadeiramente envergonhada – Eu fiquei... Com tanta raiva, Clark. Me senti tão traída. O único motivo qual você estava investido sua amizade em mim era unicamente porque a marca o dizia para faze-lo, eu me senti tão enganada!

— Ei, ei, quem te disse isso? Quem inventou tal mentira e a colocou na sua cabeça? – ele alisou as maçãs das suas bochechas rosadas, olhando profundamente dentro dos seus olhos claros com a seriedade de um El. – O motivo qual nos conhecemos foi a marca, mas o meu tempo investido em você não é porque acho que é isso que devo fazer. Você é além da minha senhora, Alura. É a mulher qual tem o meu coração além da minha alma.

Alura gaguejou surpresa, sua boca aberta incrédula. Ela não esperava isso, assim como não esperava o salto feliz que sua marca deu contra o peito, os joelhos trêmulos oscilando suas pernas quais com certeza cederiam se ele não estivesse a segurando.

— Eu sou? – ela perguntou pateticamente, perdida. – Você não está me aturando só por causa da ligação? Por que é o que deve fazer?

— Passar os meus dias com você jamais seria o fardo qual você diz ser, meu amor – então uma das suas mãos pegou a sua menor envolta da cintura dele, a erguendo lentamente até o seu peito, em cima do coração o sentindo bater com força – Você o sente, Alura? O ouve?

Ela assentiu muda, hipnotizada pela força do momento.

— É seu, amor. Além da marca. Não havia amor imediato para o que estamos destinados, o que eu sinto é puramente meu para você.

— Você está dizendo... Está dizendo que-Ai! – ela se encolheu quando, embalado pelo momento, Clark apertou o seu pulso lentamente a fazendo pular com a dor. Ele rapidamente pegou sua outra mão e pôs frente aos seus olhos com preocupação, suas orbes azuis se escurecendo e o seu semblante se fechando ao ponto de ira ao ver as marcas brutas dos dedos que pintaram os seus macios pulsos alvos.

— Ele a machucou – Clark sussurrou sombrio, a revolta vindo de dentro do seu peito o fazendo exalar tremulamente.

Alura então percebeu que apesar de toda mágica elétrica que os envolvia ela ainda estava no banheiro apertado do bar do Tony’s, seu malfeitor jogado no chão com os olhos fechados e sem reação. Ela sentiu seu coração pular de medo.

— Estou bem, Clark. Mas ele não está... morto, não é?

— Ele não merecia a sua misericórdia, assim como não merece a sua preocupação – respondeu duramente, seus braços a envolvendo num abraço apertado a isolando do mundo. Pelo pulsar da sua marca ela sentia o quão abalado ele estava pelo ocorrido de mais cedo – Eu demorei. Não cheguei a tempo.

— Chega, Clark – ela murmurou docemente, drogada pelo torpor embriagante do cheiro da sua pele contra suas narinas. Já havia sentido o seu aroma natural espalhado pelo apartamento dele mas a necessidade que a invadiu de sentir o delicioso cheiro direto da fonte nunca foi tão avassaladora, quase primal. Fazia a sua pele formigar e o seu monte de vênus contrair, fazia suas áreas sensíveis esquentarem e enviava um sinal de segurança da sua marca direto para todo o seu corpo que amolecia os seus membros. Fazia com que ela se sentisse em casa, tão segura e acolhida – Você cheira tão bem, porra.

Clark ronronou de olhos fechados contra os seus cabelos com um sorriso sincero nos lábios, absorvendo o seu cheiro também. Ela cheirava algo doce, quente, acolhedor ao mesmo tempo que ardente. Algo familiar que só podia ser sentido se estivesse tão perto quanto ele estava agora. Ele estava no paraíso, flutuando contra nuvens e sendo servido do melhor vinho por anjos. Depois de tantos dias sombrios se sentindo completamente sozinho e indesejado no mundo era disso que ele precisava pra curar suas feridas e apaziguar o martírio dos seus pensamentos; do amor da sua senhora e da sua rendição contra os seus braços, aceitando a atração que eles sentiam um pelo o outro. Mesmo que ela ainda não estivesse em seu estado mais lúcido.

Lembrando somente desse fato ele se afastou, recebendo um olhar de protesto da morena.

— Vamos, amor. Vou levá-la pra casa.

— Mas – ela mordeu o lábio inferior, insegura – Você vai ficar, não é? Me fazer companhia?

— É o que você quer? – ele sussurrou esperançoso, seu peito pulsando feliz. Ela assentiu insegura com as bochechas vermelhas – Então sim, minha lua. Vamos, já tivemos o suficiente desse lugar.

— Sim – concordou tropeçando alguns passos em direção á porta do banheiro, não deixando de perceber o olhar sombrio qual Clark lançou para o seu agressor no chão – Ele está mesmo vivo, certo?

— Seu coração ainda bate – respondeu duramente a guiando para fora do banheiro contra o seu peito para polpá-la da visão do seu agressor precariamente ainda mantido no mundo dos vivos. Ela fora recepcionada pelo o cheiro de suor e música alta que vinha da pista de dança, sendo um bar alternativo parecia muito mais uma boate do que um lugar qual poderiam beber e discutir sobre os jogos na tv, o que a fez se perguntar novamente porque diabos estava ali, aquele lugar não tinha nada a ver consigo.

Algo clicou na cabeça de Alura quando ela puxou a mão de Clark, percebendo então que suas mãos estavam entrelaçadas nas dele. Deu de ombros. Nesse momento, embalada pelo álcool, pelo o cheiro de Clark e pelo conforto da sua marca ela não se preocupava com nada.

— Eu preciso ir ao bar, não fechei a conta e a minha jaqueta está lá – ela sussurrou em seu ouvido e Clark assentiu apertando sua mão com mais força, liderando o caminho e desviando da sufocante pista de dança pelo o que ela era grata.

Pela sua visão ainda falha ela viu que Wiliam continuava rodopiando bebidas de forma artística e jogando conversa fiada mas o percebeu varrer a multidão envolta do balcão volta e meia como se procurasse alguém, assim como os seus olhos brilharam quando a percebeu atrás da muralha Kent ao se aproximarem.

— Aí está você, garota. O que aconteceu? Você sumiu do nada! Não me diga que se perdeu no caminho? – Alura riu quando ele rolou os olhos dramaticamente de novo, a imitando, sentindo uma leve pressão em seus dedos ainda ligados a Clark.

— Ela foi atacada no banheiro por um homem covarde o suficiente pra não enfrentar alguém do seu tamanho – sua voz saiu firme para Wiliam, como se o homem tivesse culpa do que aconteceu com ela.

— Clark! – ela o repreendeu se pondo frente a ele com um rosto sério, seu objetivo morrendo com rapidez, não resistindo ao seu corpo e perfume tão próximo quando envolveu sua cintura em um abraço e cheirou o seu peito novamente o sentindo derreter contra os seus braços.

— Minha nossa, eu sinto muito Alura. Você se machucou? – Wiliam soou preocupado, deixando de servir uma bebida para vir até eles. Alura deitou a bochecha no peito de Kent, sua mão apoiada em seu estômago enquanto a outra estava entrelaçada aos seus dedos.

— Não. Estou bem. Ele não deixaria nada de ruim acontecer comigo – respondeu suavemente, o álcool ainda correndo em seu sangue tornando-a radicalmente mais sincera do que ela normalmente seria sobre si mesma. Wiliam ergueu uma sobrancelha incrédulo não reconhecendo a garota durona que entrara no seu bar mais cedo quando encarou o homem que a segurava em seus braços com proteção, de olhos brilhantes como o de uma pessoa totalmente rendida.

Ele reconheceria o olhar que ambos partilhavam um com o outro á quilômetros de distância. Idiotas apaixonados de cabeça dura.

— Ora, não me diga que você é o noivo? Muito prazer, Sr. Corta Bolas! Sua futura esposa é bem nervosinha, não? – Alura sentiu o seu estômago afundar quando a incredulidade a abraçou, seus joelhos fraquejando por motivos diferentes de atração na mesma proporção que o rubor tomava conta do seu rosto e peito. Oh, maldito seja Wiliam, ela estava ferrada.

Noivo?— Clark inalou profundamente uma respiração aguda, e vagarosamente Alura ergueu o rosto em sua direção esperando um rosto incrédulo ao invés do enorme sorriso idiota de pérolas brancas de Clark Kent. Ela queria muito se enfiar em um buraco agora – É isso que disse que somos? Noivos?

— B-Bem, talvez? Era um assunto hipotético!

— Ah, sim, um hipotético bem específico quando disse que estavam presos por um casamento arranjado por seus pais. Mas você parece gostar muito dele pra não querer uma aliança, dona Cruela – o ar não entrou nas vias respiratórias de Alura com precisão a fazendo se engasgar e tossir com falta de ar, seu rosto incrivelmente vermelho. Clark riu, um som alto e masculino que enviou arrepios pelo os seus braços enquanto ele devolvia o aperto de mão de Wiliam com entusiasmo.

— Foi assim que ela narrou nossa situação? Então eu sou o noivo, sim – ela escondeu o rosto no seu peito novamente, envergonhada, sentindo sua marca contrastar com a sua vergonha ao pulsar como uma acrobata de felicidades. – E o você que acha, Wiliam? Ela irá se casar comigo?

Ah, Deus, cacete! Sim, ela realmente estava pronta, o chão podia se abrir agora e a engolir diretamente para o inferno. Na verdade ela implorava.

— Pelo o jeito que ela está lhe segurando eu diria que já passou da hora, amigo – ambos riram. Alura se afastou de Clark rapidamente e se dirigiu ao balcão com alguns passos trôpegos, sentindo Clark as suas costas pronta para ampara-la.

— Sim, eu gostaria muito que você calasse a merda da boca agora, obrigada! – ela arrulhou vergonhosamente enquanto se atrapalhava contra o balcão. – Você guardou a minha jaqueta? Minha carteira está lá.

Wiliam pegou sua vestimenta debaixo do balcão a entregando com um sorriso malicioso qual ela ignorou. Alura vasculhou os seus bolsos internos com rapidez, seus dedos gaguejando nervosamente ao sentir as mãos quentes de Clark pousarem em sua cintura, seus polegares acariciando sua pele através da blusa enviando calor ao seu corpo sensível.

— Se você quiser eu pago, querida – ele murmurou contra seus cabelos a fazendo suspirar, seu ventre se esquentando e o seus mamilos se esticando contra as taças do seu sutiã. Merda, como ele havia conseguido tanto controle sobre o seu corpo? Porque o seu toque queimava de forma maravilhosa? O que estava acontecendo?

— Não! Eu bebi, eu pago. Wiliam, estou com pressa! – disse nervosamente, seu rosto impossivelmente vermelho ainda sentindo a presenta de Clark pairando sobre si, seu nariz em seus cabelos e suas mãos em sua cintura deixando o seu corpo em estado febril a fazendo suspirar.

— Sim, claro, eu percebi. Assuntos urgentes para tratarem em casa, certo? – ele a lançou um sorriso de lado ignorando sua expressão incrédula pegando o cartão das suas mãos, hesitando quando viu as marcas nos seus pulsos – Droga, garota. Foi o idiota do banheiro? Onde ele está agora para que eu possa chutar a porra das suas bolas pra fora dele?

Clark ficou tenso atrás de si, puxando suas costas protetoramente mais perto do seu peito.

— Ele não vai incomodar mais ninguém.

Wiliam o olhou atravessado pelo repentino tom grave do grande homem, passando o seu cartão na máquina e a entregando.

— Você não o espancou até o coma, não é? Eu não quero a polícia vasculhando as minhas bebidas.

Clark riu com humor, não perdendo o tremor nos ombros da sua prometida o fazendo acaricia-la das suas mãos ao seu pescoço até a sua cintura novamente para fazê-la mais confortável.

— Embora ele merecesse, não. Mas está desmaiado. Não vai saber o que o acertou quando acordar.

— Droga, cara — Wiliam gargalhou, convidando Clark pra apertar sua mão novamente qual ele prontamente respondeu – Se acaso ele lembrar do seu rosto não se preocupe, eu nunca te vi por aqui.

— Vamos, Clark. Não me sinto bem. Tchau, Wiliam!

— Tchau Sr. e Sra. Corta bolas, não sumam do meu bar.

— Foi um prazer, Wiliam – Clark respondeu. Alura não teve mais ânimo pra falar nada, seu rosto ainda nadando em vergonha. Ela acenou e ambos, ainda de mãos dadas, se dirigiram á saída com Clark a auxiliando quando achava que ela ia cair. – Como quer ir pra casa, amor?

— Não sendo voando, de qualquer forma. Só quero deitar – ela se apoiou em seu peito, abraçando a sua cintura e absorvendo o cheiro da sua pele mais uma vez – Tão bom, porra. Tão bom.

Murmurou, alheia ao efeito elétrico que teve em seu amante. Clark respirou fundo afastando um pouco sua virilha do corpo da sua senhora enquanto envolvia seu braço esquerdo em seus ombros, sacando o telefone e pedindo um Uber. Não demorou para que ele chegasse, não teria percebido se demorasse de qualquer forma, entretido demais no corpo da sua alma gêmea pressionado contra o seu, ambos entrando no carro ainda grudado juntos.

— Eu não disse o meu endereço – ela murmurou sonolenta contra o seu pescoço enviando arrepios pela sua estrutura.

— Esta tudo bem, querida. Eu cuidei de tudo. Descansa um pouco – sussurrou de volta apertando a sua cintura, a sentindo se aconchegar mais ao seu lado.

— Você vai cuidar de mim?

— Enquanto vida eu tiver.

A resposta firme do mesmo foi a cereja no topo do bolo, seus pensamentos felizes por adivinhar com precisão o que ele falaria como se já tivesse ouvido tal confissão diversas vezes, seus olhos se fechando lentamente e sua marca pulsando em paz quando ela se deitou contra o seu peito largo, abaixo do seu queixo. Antes de mergulhar no primeiro sono tranquilo que teve em dias ela não podia deixar de pensar com um sorriso que os braços de Morfeu nunca seriam tão acolhedores quanto os da sua alma gêmea.

Clark sentia-se tolo, bobo, seu corpo todo vibrando e suas mãos tremendo como uma criança insegura, alisando com carinho o rosto adormecido da sua senhora enquanto seus olhos cheios de lágrimas contemplava os seus traços. Sua prometida havia chamado por ele, clamado por ele e se confortado nele. Ela confiava nele ao ponto de adormecer ao seu lado, confiava nele ao ponto dele ser o primeiro nome em seus lábios á clamar quando estivesse em perigo, quando estava frágil. Ela gostava do seu cheiro. Gostava do seu abraço. E mesmo que talvez essa Alura que o recepcionou com calor e saudades tivesse sumido de manhã ele ainda a amaria, e ainda se sentiria acolhido. Nada nunca vai tirar das suas memórias essa noite que se passou, desde as piores partes até às melhores. Sua pequena e adorável alma gêmea já era definitivamente sua a partir do momento em que o seu nome Kryptoniano fugiu dos seus lábios.

Assim como ele era devotamente, unicamente e eternamente dela a partir do momento em que á viu.

Assim que o Uber estacionou em frente ao seu prédio e a corrida foi paga ele á pôs no colo com sua jaqueta a cobrindo e protegendo do frio de setembro. Caminhar com ela nos braços o fazia comparar o quanto o seu peso era leve e reconfortante como uma pilha de cobertores macios sobre os braços numa noite fria frente a lareira. Já dentro do elevador ainda contemplando o seu rosto ele beijou a sua têmpora carinhosamente, as emoções dentro do seu peito fraquejando a sua estrutura. Sua bela e amada Alura. Quando o elevador se abriu para o corredor da sua porta ele se viu inesperadamente perdido. Claro, nas suas aventuras havia descoberto onde ela morava e em qual andar mas uma vez que nunca fora convidado oficialmente á entrar na sua casa ele não sabia o número da sua porta. Ele repensou várias vezes antes de acorda-la, equilibrando suas pernas no chão enquanto abraçava o seu tronco contra a parede do corredor, beijando os seus cabelos.

— Querida, amor... – sussurrou dando pequenos beijos no seu rosto, o cheiro doce da bebida que ela ingeriu perfumando os seus sentidos – Acorda, minha lua.

— Hmm, Clark, não – Alura resmungou fugindo dos seus beijos, o fazendo rir.

— Qual é o número do seu apartamento, querida? E onde está a chave? – ela se aconchegou mais em seu peito enquanto tateava o próprio corpo, tirando a chave do bolso interno da sua jaqueta e o entregou.

— Dois nove cinco – então em pouco tempo ela estava dormindo de novo. Clark sorriu carinhosamente antes de pegá-la no colo mais uma vez, a levando para uma porta de aparência nova e a destrancando com a chave estrelada. Clark passou pela a sua porta com cuidado a fechando silenciosamente em seguida, seu coração pulando alegre por dessa vez não precisar entrar escondido num ataque de carência ou para afugentar os seus pesadelos; sua senhora havia o convidado. Ele acendeu a luz da sala e se guiou ao conhecido quarto, abrindo a porta do mesmo e caminhando lentamente á sua cama. Ele sentou na mesma com ela ainda em seu colo, beijou sua têmpora mais uma vez e a ponta do seu nariz com carinho e sorriu, verdadeiramente sorriu, as lágrimas de felicidades nunca indo embora por muito tempo.

— Você está mesmo aqui, minha lua. Depois de tantos dias de sofrimento você está finalmente aqui, você chamou por mim – ele suspirou a abraçando mais forte a sentindo se aconchegar ainda mais contra o seu corpo, a corrente da sua alma pulsando com força contra a dela á enviando as ondas da sua alegria sentindo-se livre por finalmente poder sentir a sua senhora novamente. Depois de tantos dias solitários em completo desespero ele se sentia saudável novamente.

E a sua senhora estava em paz também.

Alguns minutos depois ele relutantemente a pôs na cama, tirando os seus sapatos com cuidado e o cinto das suas calças, recolhendo sua jaqueta para que ele pudesse cobri-la. Alura se mexeu desconfortável, grunhindo emburrada enquanto piscava.

— Onde estamos? – murmurou ainda sentindo a presença de Clark ao seu redor soltando os seus cabelos.

— Na sua casa, querida. Descanse agora, foi uma noite agitada – ele trouxe a coberta no fim da cama e a cobriu até os ombros, tendo o seu antebraço preso em sua mão em um aperto firme quando se levantou para sair.

— Você vai ficar, não é?

— Eu não acho que seja uma boa ideia, lua – ele alisou as maçãs do seu rosto com os nós dos dedos suavemente – Você pode não se lembrar de me pedir para ficar e se chatear por eu ainda estar aqui quando acordar.

— Eu não sofro de amnésia pós ressaca, Clark. Por favor. Você... Esteve longe por muito tempo – ela mordeu o lábio inferior fugindo do seu olhar, sabendo que se arrependeria de ter ficado tão exposta ao herói. Mas não podia se conter, sua marca pulsava alegre em seu peito, ela finalmente teve paz. Ele estava aqui, ela não precisava se preocupar com o mesmo se matando sozinho em casa ou levar sua mente e corpo á exaustão para impedir a conexão que ambos compartilhavam. Ele estava com ela agora.

— Oh, meu amor – ele sentou ao seu lado na cama, se inclinando acima do seu corpo e beijando a sua testa com carinho. Alura envolveu o seu pescoço com os seus braços antes que ele se sentasse com a coluna ereta de volta, puxando o seu corpo ao ponto em que o rosto dele estivesse deitado na cortina de cabelos acima do seu travesseiro, sua boca em sua testa enquanto ela enfiava o nariz em seu pescoço e respirava fundo, o cheiro da sua pele enviando vibrações pelo o seu corpo.

Senti a sua falta— ela confidenciou num sussurro secreto, sua voz rouca. As mãos de Clark não se conteram, a sua esquerda entrando no couro cabeludo da sua senhora ao lado do seu rosto enquanto a outra acariciava a sua cintura com ternura.

Finalmente depois de tantos dias de fraqueza, mesmo depois de salvar diversas pessoas ao redor do mundo, ele sentia-se forte. Poderoso. Aquele era o lugar da sua senhora, ao seu lado e sentindo-se bem, sentindo o corpo do homem que a ama mais do que qualquer coisa contra o dela, o corpo qual a amaria e a protegeria para sempre. Clark nunca se sentiu tão realizado em sua vida quanto naquele momento.

— Eu também, meu amor – ele confidenciou de volta com sua voz pesada, esmagada pelo os seus sentimentos – Meus dias sem você, sem poder sequer sentia-la, foi uma privação que não desejo ao meu pior inimigo. Foi terrível. Tão, tão, terrível. Era como se o sol não brilhasse mais. Como se os meus deuses tivessem me abandonado.

— Me desculpa – ela fechou os olhos brilhantes de lágrimas, sua respiração instável – Eu estava com tanta raiva, fiquei tão chateada, Clark. Isso tudo é tão... Ferrado. Não é justo!

— Shh, shh, tudo bem amor, você está bem, eu estou aqui agora – ele sussurrou de volta, sua própria voz oscilando – Descansa um pouco e amanhã conversamos. Eu prometo que nós vamos passar por isso, querida. Nós podemos fazer isso. Juntos.

Alura sorriu ainda de olhos fechados assentindo, contente com a forma que aquela proposta soava.

— Sim, nós vamos passar por isso – afirmou mais calma, doce. Clark se ergueu lentamente beijando a sua testa mais uma vez e lamentando ter que sair da posição confortável, como se o corpo de ambos tivesse o encaixe perfeito um contra o outro. Antes que ele pudesse se levantar Alura o surpreendeu com um ataque repentino. Os braços da sua senhora abraçou os seus ombros com mais força, inesperadamente enredando os seus dedos em seus cabelos e puxando a raiz levemente o fazendo trincar os dentes para que um grunhido travesso não escapasse. Acima de todos os cuidados e preocupações o seu corpo estava bem sensível com toda atenção e ministração da sua senhora essa noite, afinal.

— Alura... – ele começou suave, ainda que em tom de alerta. O seu corpo imediatamente reconheceu ao da sua senhora, o seu corpo sabia que a sua prometida estava ali.

— Aonde você vai? Disse que ia ficar – ele respirou fundo com o seu tom genuinamente confuso, os dedos da sua senhora ainda dentro dos seus cabelos arranhando a raiz enviando vibrações para todo o seu corpo.

— Para a sala, amor. Vou dormir no sofá.

— Mas Clark, minha cama é grande – ela lamentou tristemente o fazendo morder os lábios, tentando se concentrar unicamente no cheiro forte do álcool que exalava da sua senhora para que não cedesse as tentações. – Não vou conseguir dormir sem o seu cheiro por perto.

Como se para provar o seu ponto ela enfiou seu nariz na gola da sua camisa, o arrastando em uma tortura lenta até o seu pescoço se demorando ali. Para o seu completo desespero Alura trancou os seus lábios em seu pescoço, distribuindo beijos de pena em cima das suas veias até o lóbulo da sua orelha, seu nariz se afundando abaixo daquele ponto doce e inalando com força. Os cílios de Clark tremeram, seus olhos quase se revirando atrás das pálpebras, sua boca levemente aberta, seu corpo rígido e trêmulo acima da sua senhora. Era pouco, mas o suficiente para fazê-lo oscilar na sua sanidade. E também era injusto, tão injusto. Ela não podia levá-lo ao limite quando ambos não estavam inteiramente sóbrios para consumarem os seus vínculos.

— Você cheira tão bem, Clark. Como consegue? Merda, sabe o que isso faz comigo desde que o senti pela primeira vez? – sua voz arrastada começou lentamente, o som das sílabas sendo acentuadas roucamente pela sua língua como um doce na boca de uma sereia — Porra! Me deixa tão, tão molhada.

Clark abriu os olhos em estado de alerta e recuou de vez, seus mãos abertas aos lados da sua cabeça contemplando o rosto corado da sua senhora de respiração levemente ofegante, como se o seu cheiro a afetasse mais do que o álcool ainda ativo em suas veias. Ele tremia, se sentia tremer, mas nada tremia tanto quanto a rocha dura que se tornou o seu membro dentro das suas calças desconfortáveis, como se o seu doce canto necessitado fosse uma ordem direta para sua libido. Não, ele não podia ter ouvido o que a sua senhora disse com uma voz tão arrastada, para a sua própria sanidade ele não podia levar aquilo adiante.

— Alura, não – ele tentou soar firme mas se sentia vacilar, seu comando não passando de um sussurro. Sua senhora mordeu o lábio inferior daquela forma tentadora que o fazia imaginar vários cenários e o olhou inocentemente, como se há segundos atrás não tivesse dito algo que seria a sua ruína pelo resto do tempo que teria ainda sem toca-la. – Você precisa parar, querida. Não está em seu melhor juízo, por favor, pelo o bem de nós dois, me ajude a-

— Eu odeio os seus óculos, sabia? Me causa dor de cabeça, esconde o verdadeiro você. Tira isso – ela o cortou nem um pouco preocupada com a sua repreensão. Suas mãos se dirigiram ao seu rosto paralisado, puxando os aros dos seus óculos desnecessários de trás das suas orelhas o escorregando do seu rosto. E então, para agravar o seu desespero em níveis jamais alcançados, ela soltou um pequeno gemido de aprovação do fundo da sua garganta mordendo os lábios enquanto jogava os seus óculos em algum lugar do quarto e alisou carinhosamente o seu rosto de maxilar trincando, traçando as suas bochechas com o polegar, seus olhos, seu nariz e os seus lábios levemente abertos com admiração – Aí está você. Meu pesadelo particular que tem tornado a minha vida um inferno.

Não foi dito de forma negativa, na verdade fora a voz mais doce que Clark ouviu Alura usar, quase em reverência. E talvez fosse uma mudança tão brusca de cenário que ele quase cometeu uma tolice ao sentir seu rosto ser puxado por Alura em direção a sua boca, desviando poucos segundos antes de chegar ao seu objetivo, respirando fundo contra a sua bochecha com os olhos abertos como pires.

— Clark...

— Não – ele a cortou com a voz tensa, mais sério do que realmente queria.

— Mas-

— Não, Alura! – repetiu gravemente, e embora sua voz ainda fosse contida Alura recuou com aquele tom. Algo clicou dentro da nuvem embriagada da sua mente e ela soube que havia passado dos limites. Clark exalou lentamente contra o seu rosto, seus lábios semiabertos formigando contra a pele leitosa da sua bochecha, seu corpo ainda tremendo muito além de conter o seu tesão mas também para conter Kal-El que arranhava com a ponta das unhas dentro do seu peito, rugindo e gritando para reivindicar a sua senhora. Mas não, Clark não poderia de aproveitar disso, ele jamais o faria. Não deveria ser assim, não nessas circunstâncias.

— Você não... Não me-

— Não se atreva á pecar perguntando se eu não a quero, sabe que não se trata disso – ele ergueu o rosto novamente a olhando nos olhos, vendo o seus ambares magoados desviarem dos seus – Olha pra mim, Lua. Por favor, querida, olha pra mim.

Ela deixou seu olhar deslizar timidamente para as suas orbes azuis, a vergonha varrendo cada célula do seu corpo quebrando ainda mais a embriaguez em seu sangue.

— Me desculpa, eu passei dos limites. Não queria deixá-lo desconfortável – ela murmurou vergonhosamente, a humilhação da rejeição se tornando quase demais.

— Não é sobre mim, lua. É sobre você. É sobre nós. Eu a quero tanto, por tanto tempo... – balançou a cabeça para se orientar, se afastando um pouco mais da sua prometida e retirando relutantemente os seus braços envoltos do seu pescoço, os apoiando com carinho na sua barriga – Mas você ainda está embriagada e ambos estamos eufóricos por estarmos fisicamente juntos depois de tanto tempo isolando a marca.

— Eu não entendo – sua voz soou confusa, evitando olhar nos seus olhos por muito tempo. A humilhação ainda presente.

— Eu já disse, querida. Para o que estamos prometidos não existe amor imediato, mas a atração física é inegável, é o que está acontecendo com você agora por permitir a marca fluir livremente, ela me reconhece como seu. E embora os meus sentimentos por você sejam mais do que o esperado nas atuais circunstâncias os seus sentimentos por mim ainda são meramente físicos. Tudo bem, não importa, temos tempo, mas eu não a quero embriagada. A quero lúcida, a quero quando estiver no seu perfeito normal, quando tudo entre nós estiver resolvido. E aí sim, se me quiser, eu prometo que a levarei até o seu limite, ouviu?

Alura engoliu em seco assentindo, o pulsar da sua marca se acalmando e a fazendo perceber o quanto sua visão ainda estava turva e no quanto ainda se sentia leve pelo o álcool. Certo, maldito seja Clark Kent, ele tinha razão. E quando o álcool passasse ela ia sentir um trem bala a acertando em cheio de vergonha.

— Eu não sei o que dizer...

— Shh, não diga nada. Está tudo absolutamente bem – ele se inclinou e beijou a sua testa com ternura, se levantando e caminhando rigidamente para a já conhecida poltrona do seu quarto qual ele jogou sua jaqueta. Voltou com a mesma em mãos cobrindo os seus ombros, agora de costas para si. Ele beijou a sua têmpora a vendo pegar o colarinho da blusa timidamente e levar ao nariz, o fazendo sorrir carinhosamente.

— Tem cobertas e travesseiros na parte de cima do guarda roupa – Alura murmurou repentinamente sonolenta. Clark sorriu.

— Não se preocupe comigo. Boa noite, querida.

— Boa noite, Clark.

Ele se dirigiu ao guarda-roupa pegando um cobertor, travesseiro e lençol silenciosamente, indo até a porta e olhando uma última vez para os ombros tensos da sua prometida antes que saísse e caminhasse até a sala. Clark preparou um lugar pra dormir quase mecanicamente, sua mente voltando e nadando nas sensações inebriantes que era ter os lábios macios da sua prometida contra a sua pele, seus suspiros contra o seu ouvido, seus cabelos macios contra o seu rosto, o seu voluptuoso corpo abaixo do dele e oh, merda, o fantasma que o assombraria para sempre; dela confessando que estava molhada para ele, que apenas o seu cheiro já a deixava assim. Merda, mil vezes merda. Suas mãos se fecharam em punhos enquanto respirava tensamente forçando o seu cérebro a pensar em algo que não fosse á morena a poucos passos de si, tão perto que o máximo de esforço que ele teria seria esticar os dedos.

— Merda, querida – praguejou se sentando na sua cama improvisada, suas pernas abertas apoiando os seus cotovelos e suas mãos contra o seu rosto aflito apontado diretamente contra a dureza firme entre suas pernas. Ele achava que sonhar com a sua senhora caminhando dentro do seu apartamento chamando o seu nome iria enlouquece-lo, mas ela mudou sua perspectiva rapidamente para uma mais agonizante: seria a sua voz doce declarando o quão pronta pra ele estava, o quão úmida ele havia a deixado.

‘Rao, me dê forcas', sua mente rezou piedosamente.

Clark se deitou rigidamente no sofá olhando para o branco do teto da sua alma gêmea vendo os segundos se transformarem em minutos, e os minutos logo em horas. Dando uma olhada rápida no relógio em seu pulso descobriu que fazia somente uma hora que ele tentava controlar sua respiração, mas nenhum exercício mental apagaria a voz da sua prometida dizendo o quanto estava molhada pra ele, consequentemente o mantendo firme como uma rocha.

Como nunca esteve por ninguém antes.

Ele não queria, a ideia era repugnante sentindo que iria profanar a casa da sua senhora, mas ele precisava se aliviar ou não poderia passar a noite ali, naquele apartamento altamente perfumando com o seu cheiro. E ele também não podia quebrar a promessa que fizera de que estaria perto aquela noite para o que ela quisesse. Sua senhora que o perdoasse mas ele precisava agir como um adolescente, qual tal ela tanto enfatizou que não gostava, sob o seu teto. Ele se concentrou em Alura e na frequência da sua respiração, assim como os seus batimentos cardíacos. Ela dormia profundamente, serena, alheia ao estado em que havia o colocado. Clark respirou fundo antes de fechar os olhos, sua mão direita passeando lentamente por cima da sua quase dolorosa rigidez por cima da calça o fazendo trincar o maxilar. Merda, ele estava tão excitado que não iria demorar muito. Abriu lentamente o botão e o zíper vendo o seu pênis se esticar contra a cueca implorando para ser libertado da sua prisão de tecido. Ele abaixou sua cueca até às bolas e viu como o seu pênis pulou livre como uma alavanca, veias grossas pulsando enquanto elas saltavam dos lados da sua rigidez. Clark mordeu a língua levando sua mão aonde ele mais precisava sentindo-o quente e dolorido ao toque contra a palma calejada, a ponta do mesmo em um tom irritado de vermelho latejando contra os seus dedos.

Clark grunhiu suavemente de prazer movendo a mão lentamente pelo o seu eixo. Ele pensou na sua prometida, nenhuma memória vindo com mais força do que a de momentos atrás. Ele podia dar corda na sua imaginação também.

— “Você cheira tão bem, Clark. Porra. Me deixa tão molhada— sua voz carente sussurrou contra os seus ouvidos mais uma vez, suas mãos gaguejando no ritmo lento em que ele puxava e estimulava a pele contra o seu membro inchado.

Mas na sua imaginação ele não a recusaria chocado pela a sua confissão, ele gemeria contra a sua testa e abaixaria o seu rosto em seu pescoço alvo e macio, beijando com lábios de pluma á sua pele e provocando aquele ponto doce qual ele acharia que a faria ofegar o seu nome. Quando Clark se erguesse não seria para repreende-la, mas sim para admirar o estado ofegante em que a induziu sem toca-la, a sua pele corada, a sua boca cheia ligeiramente aberta com os lábios implorando para Clark os ter entre os dentes, respiração lenta e difícil, seus olhos nublados de tesão olhando para ele através dos seus cílios grandes numa perfeita imagem de submissão aos seus cuidados.

Ele fechou os olhos, pré-gozo vazou da ponta do seu pênis e ele o recolheu com o polegar o esfregando em círculos ao redor da sua fenda, grunhindo guturalmente com as sensações de prazer que o seu estímulo misturado com sua imaginação o dava. Com tão pouco ele já podia sentir a pressão na base da coluna, o aviso que se espalhava pelo o seu corpo o alertando que ele estava perto – mas não, ele ainda não havia terminado.

Em sua cabeça ele se imaginou retirando lentamente a blusa branca qual marcava com tanta perfeição o corpo alvo da sua senhora observando aqueles seios perfeitos e descobertos livres do único tecido que o impedia de contemplar a sua pele macia. Ele se ajeitaria se movendo acima dela, uma perna perto do seu seio e a outra perto do seu quadril o dando espaço suficiente para descobrir seus pontos fracos, sua mão esquerda segurando a sua mandíbula e arrastando seu polegar contra os seus lábios rosados. Ele precisava urgentemente senti-la, tocar a sua pele, sentir a maciez qual ele nunca podia descrever o quão bom pareciam. Na sua imaginação Clark agarrou um dos seios pesados com firmeza, sua outra mão se enchendo com a carne volumosa do seu busto, massageando com atenção, prendendo o seu mamilo endurecido entre um dos dedos e o puxando em provocação. Ele se abaixaria em direção ao seu pescoço leitoso, seus lábios travando em sua pele e chupando lambidas de amor a fazendo gemer contra o seu polegar e sua pele vibrar contra a sua mão, sua marca pulsando e implorando como ondas em direção ao seu peito para que ele se apreçasse. Clark riria ternamente, apertando seu mamilo entre o indicador e o polegar o girando levemente com uma leve pressão, beijando abaixo do seu queixo com carinho.

— Acalme-se, amor. Eu ainda não terminei – ele diria com uma voz rouca pelo prazer, inebriado por enfim tocar a sua prometida.

Ele moveria a mão numa última carícia ao seu seio, sobre o estômago até chegar a barra da sua calça. Ele se atreveria? Sim, ele sim. Com uma única mão ele abriria o seu zíper e deslizaria as suas calças até metade das coxas, a impaciência não permitindo que a calcinha ficasse por muito tempo. Como seria sua boceta deliciosa? Seria barbeada ou não? Lábios grandes ou pequenos? Qual seria a cor? Vermelha, rosada, castanha, escura? O pensamento fez a sua mão tomar um impulso mais firme ao redor do seu próprio eixo, um gemido mudo escapando da sua boca levemente aberta. Era pouco, muito pouco, sequer o começo do que ele imaginava com ela mas o seu cheiro preso á cada mínimo pedaço de espaço ao seu redor juntamente misturados com os sons e declarações que ela fez naquela noite foi o suficiente para rechear a sua imaginação e o deixar á beira do limite.

Mais um pouco. Ele só precisava de mais um pouco.

Então Clark se via olhando para a sua boceta perfeita em completa e genuína apreciação reconhecendo que aquele seria o lar aconchegante que ele empalaria profundamente e o acolheria para sempre, podendo ver um pequeno brilho na luz entre os lábios da sua vagina, tão molhada para ele como ela alegou que estaria. E mesmo em sua imaginação Clark engoliria em seco, sua garganta sedenta arranhando e implorando para beber o doce mel que sua senhora produzia para ele e somente para ele.

— Oh, meu amor – ele murmuraria em tom de admiração, seus dedos nervosos dançando em seu monte e deslizando para suas dobras húmidas gemendo de aprovação com o quão molhada ela estava, seu dedo brincaria com a sua abertura e voltaria para a sua pérola brilhante, esfregando-a lentamente ouvindo um gemido sôfrego da sua senhora – Tão pronta. Você quer que eu a faça gozar, querida? Quer vir nos meus dedos?

Ela assentiria rapidamente, seus olhos o suplicando com aquele olhar que despertava cada átomo do seu corpo. Ele acariciaria ao redor do seu clitóris com seus dedos molhados da sua própria essência a observando inclinar a cabeça para trás em prazer enquanto absorvia seu polegar dentro da boca o fazendo vibrar. Os seus sons seriam lindos, tão melodiosos quanto sua própria voz, uma sinfonia angelical comparada á Bach ou Mozart. Ela parecia tão linda embaixo dele, tão sua. Então ele a acariciaria com mais pressão em cima do seu ponto doce, diretamente onde seu broto excitado estava inchado e o chamando, esfregando os dedos indicador e médio um ao lado do outro em cima do seu clitóris carente vendo a boca da sua senhora se abrir e gritar num prazer delicioso o empurrando para o seu próprio, a ligação de ambos fluindo nada menos que puro e genuíno êxtase. Acelerando os seus dedos em movimentos circulares, pressionando sua pérola carente ao mesmo tempo, ele a viu se contorcer enquanto ondulava seus quadris em seu próprio ritmo contra os seus movimentos, então ele soube que ela estava perto, sentia por tê-la tremendo contra os seus dedos.

— Você vai gozar por mim, meu amor?

Ela acenaria rapidamente, se deliciando da nova pressão que Clark depositaria em seu ponto inchado ouvindo os seus gemidos cada vez mais altos ecoar por cada parede do quarto. Ele acelerou um pouco mais olhando no fundo dos seus olhos, e num movimento repentino ele mergulhou na sua entrada quente com os dois dedos enquanto continuava a estimular seu clitóris rapidamente com o polegar. Foi quando ela se perdeu erguendo o seu tronco e gritando o seu nome de prazer, suas costas se arqueando enquanto ele batia sua boca na dela para engolir seus gemidos e o preservar para dentro de si, o músculo doce da sua língua se entrelaçando ao dele.

E foi nesse exato momento que Clark fechou os olhos e não pôde se conter, gemendo alto quando jorrou quatro longas tiras grossas de esperma contra sua própria barriga, fazendo pressão pra cima e pra baixo rapidamente tirando suas últimas gotas sentindo suas bolas se contraírem, arrepios subindo pelas suas coxas até a sua nuca. Quando desceu do alto a visão de Clark estava turva, por alguns segundos desorientado. Foi a primeira vez que teve uma imaginação com tantos detalhes visuais da sua senhora, foi a primeira vez que a teve tão perto de si se esfregando contra a sua pele e declarando o que ela fazia com ele. Clark levou a mão limpa até a testa respirando pesadamente de boca aberta, seu coração acelerado e sua mente ainda navegando no mar branco do seu orgasmo, o canto da voz da sua sereia ainda soando como plano de fundo na sua mente repetindo como um disco quebrado o quão molhada ela estava para ele.

Alura seria a sua ruína. Ela acabaria com ele, o enrolaria em seu dedo mindinho, tinha certeza disso.

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Em sua adolescência, algumas vezes – nas raras vezes, quando bebia ao ponto de se embebedar Alura jurava que o dia seguinte nunca seria tão ruim quanto os motivos que a levaram á tomar a estúpida decisão de afogar suas frustrações no álcool. A sensação doentia que deixava em seu corpo não era nada comparado com o caos da sua mente; a dificuldade em absorver as suas disciplinas, a pressão que os seus amigos faziam para forçá-la a ser uma sociável e presente amiga, a desistência dos mesmos quando percebiam que sua personalidade ruim era tudo que ela realmente era ou a guerra muda não declarada dentro da sua casa. Naquela época em especial ela quase não via o seu pai, mal suportava ficar no mesmo ambiente que a sua mãe tão quanto ela mal a aturava também. Ao menos a ressaca tinha um motivo, ao menos o caos da bebedeira era algo que ela podia enfrentar.

Ela nunca deixava de se surpreender o quão rude o seu corpo podia reagir a uma noite ruim.

Não se lembrava de dormir, seus olhos abrindo instantaneamente assim que o som cortante de um celular tocando penetrou os seus tímpanos e feriu as suas têmporas. Normalmente ela ignoraria, viraria para o lado e voltaria a dormir para amenizar o martírio das dores, mas depois de alguns minutos percebendo o quão insistente a pessoa insistia ao liga-la ela só tinha duas opções: ou chafurdar na sua fúria sentindo sua cabeça á castigar ou mandar a maldita pessoa para o inferno. Seu corpo estava pesado, sua cabeça dolorida como se houvesse a chocado contra uma parede repetitivas vezes, sua boca seca e a sua garganta rouca. E então, parcialmente desperta, ela sentiu o seu corpo vibrar de dor.

— Que porra que eu fiz? – praguejou baixo levando suas mãos pesadas aos seus olhos o esfregando com lentidão. E então o seu estômago despertou também, enviando sinais de alerta que ele precisava despejar os resíduos nocivos da noite anterior para fora do seu organismo – Merda, mil vezes merda.

Ela se levantou lentamente sentindo a luz da sua varanda rasgar sua visão como navalhas, a sensação de morte súbita quase a fazendo chorar. ‘Não, idiota' ela se repreendeu, lentamente pondo os pés para fora da cama, 'não seja uma marica, se resolva como a adulta que você é'. Ela não percebeu os seus pés dormentes, assim como não sentiu suas cobertas trançadas em suas panturrilhas ou a queda inevitável quando se levantou e sentiu o seu mundo escurecer por alguns segundos, machucando ainda mais as carnes presa em seus ossos. Deitada com o rosto contra o chão ela desejou que o sono voltasse, o seu estômago protestando com mais firmeza a fazendo reagir. Por mais que quisesse ceder ao sentimento doentio ela não queria se afogar em seu próprio vômito. Então ela se apoiou na mesinha ao lado da cama, lentamente fazendo o seu corpo trabalhar. Quando se firmou em pé o seu mundo deu várias voltas, o seu estômago a dando o último aviso antes que ela corresse ao banheiro por reflexo, chegando a tempo de vomitar parcialmente no chão e depois no vaso.

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O que diabos ela tinha feito?

Alura segurou o seu sanitário como se sua vida dependesse disso, seus cabelos grudando na espessura pegajosa que jorrava da sua boca e fazia os seus olhos lacrimejarem. Evitou pensar em sua situação, evitou respirar o cheiro doentio da sua bile, se levantando quando achou que não iria ceder aos joelhos novamente e se pondo a limpar a bagunça que fez, seu corpo entrando debaixo da água fria do chuveiro assim que terminou. Não pensou em nada, não fixou em nada, seu corpo enviando arrepios de dor e alívio ao contato com a água gelada, esfregando sua bucha com força, lavando os seus cabelos e escovando os seus dentes. Ao sair ela se enrolou na toalha evitando o espelho que denunciaria o seu reflexo, indo direto ao quarto e vestindo seu pijama de lamento já usado jogado numa pilha no chão: composto por uma calça de algodão folgada preta com uma blusa dois números maior que ela também preta. Secou os cabelos com rapidez na toalha e pegou o celular na poltrona do quarto antes de se jogar na cama de novo. Agora, limpa e mais acordada, a sua mente clicou.

— Não – Alura murmurou sombriamente, abrindo os seus olhos rapidamente sentindo sua respiração ficar tensa – Não, não aconteceu. Não.

Antes que as memórias totais da noite anterior viesse á tona o seu celular berrou novamente, o rosto bonito de sorriso radiante da infame Rosaly-pé-no-saco-Campbell zombando da sua desgraça enquanto seu celular ainda gritava em desespero.

— Me dê um motivo – ela começou ao atender, sua voz rouca – Um bom motivo para eu não te mandar ir á merda nesse momento, Rosaly.

“BOM DIA, LUAAAA! Meu raio de sol sempre alegre e receptivo! Eu também sinto tanto a sua falta!”

Alura afastou o celular do ouvido tarde demais, a voz aguda da loira martelando seus tímpanos sensíveis.

— Eu espero que que o seu salto quebre e você tropece na frente dos investidores do seu pai – Alura murmurou maldosa, seu coração acelerado de acordo as memórias do que ela havia feito e do que havia acontecido chegavam lentamente á sua mente. Rosaly gargalhou do outro lado a tirando do foco.

“Eu paguei dois mil dólares nesse par poderoso, miga! A única coisa que vai cair serão as ações dos inimigos do meu pai quando eu pisar na fuça deles”

Alura só não revirou os olhos porque o movimento a machucaria, seu corpo morto no colchão.

— O que você quer, ross?

“Cruzes, é assim que você diz que estava com saudades?”

— Não, é assim que eu digo que estou de ressaca e mal suporto a mim mesma agora. Não é um bom momento.

“Você foi beber sem mim, sua vaca!” ela gritou novamente fazendo a morena apertar os olhos com força, querendo nada menos que voltar a dormir e empurrar os seus problemas para mais tarde. “Por favor, me diga que você não fez nenhuma besteira”

Alura emudeceu, sua respiração saindo culpada entre os lábios. Não era do seu feitio sair pra beber sozinha mas uma ou duas vezes que ela cometeu esse erro nunca havia terminado bem, seja para o seu corpo ou para o seu psicológico. Na última vez ela entrou sem querer em uma briga intensa entre dois homens, um soco perdido se chocando direto contra seu estômago ferrado que a fez ver estrelas de dor por vários dias. Alura sabia que era uma mulher resistente em vários aspectos, mas seu lado Murray sempre sumia quando passava por cima dos seus próprios limites de álcool.

— Você não tem ideia – confessou, tentando controlar o seu tom de voz para não sair trêmula. Ela não pensaria nos detalhes da noite anterior, ela não poderia, não agora.

“Merda, Alura! Você está bem? Onde você está? Precisa de alguma coisa?”

— Estou bem, relaxa – respondeu mais firme, não querendo preocupar á loira – Estou em casa. Eu só preciso descansar agora.

“Eu só vou desligar quando tiver certeza que você está bem. Na escala de um á dez, como se sente?”

Vinte abaixo de zero, sua mente sussurrou sombriamente. Mas ela não diria, não porque não confiava em Rosaly mas gostava de acreditar que no relacionamento entre as duas ela era a mais responsável, a mais séria e talvez a mais madura. Ela não preocuparia a loira desnecessariamente, já havia demonstrado fraqueza demais pelo o resto da sua vida. Ela podia lidar com aquela merda sozinha.

— Seis, talvez cinco. Não se preocupe, tá bem? Eu posso lidar com isso. Você está bem?

“Estou, claro que sim. Mas o foco aqui não sou eu!”

— O foco, ross, é que eu preciso urgentemente de um café e uma pizza. Talvez mais algumas horas de sono. Estou bem, juro.

Rosaly suspirou, dividida entre acreditar na sua amiga ou deixar passar. Pensou então que nunca havia conhecido alguém tão responsável quanto Alura, deixando o acontecido para debater depois.

“Tá bom, eu vou deixar passar dessa vez. Só liguei pra te avisar que volto segunda feira á tempo de almoçarmos juntas, okay? Não precisa morrer afogada em suas lágrimas de saudades minhas”

O que? Me ligou às seis horas da manhã de sábado só pra me dizer isso, Rosaly? – sua voz saiu indignada, repentinamente se esquecendo da sua própria miséria. Rosaly riu do outro lado da linha.

“Obvio! Quem mais te perturbaria além de mim?”

— Rosaly, vá á merda!

“Também te amo, vagabunda. Beijos!”

A chamada se encerrou ao som bonito do riso de Rosaly zombando da sua cara. Então, sozinha na solidão do seu quarto e dos seus próprios problemas, ela sorriu. Mesmo á vários quilômetros de si Rosaly tinha a incrível capacidade de desviar a atenção dos seus próprios problemas para coisas triviais, aliviando a sua mente mesmo que a causasse dor de cabeça pelas suas besteiras.

Ela a amava mais do que diria á loira.

—__

Quase seis horas depois Alura se levantou estalando as suas costas, se dirigindo ao banheiro e tomando outro banho, trocando sua roupa de lamentos por uma legging preta e um suéter azul bebê, prendendo os cabelos em uma polpa desleixada no topo da cabeça. Parada frente á porta do seu quarto, uma mão estendida á maçaneta prateada, ela hesitou por vários minutos. Sua respiração tensa.

Havia convidado Clark Kent para dormir na sua casa.

Ela o convidou para muito além disso, sabia, mas não pensaria nisso agora. Ainda não tinha processado todas as lembranças, ainda não acreditava totalmente nos acontecidos, ainda não tinha aceitado suas próprias palavras. Não. Agora, nesse momento, o pavor que ela sentia seria direcionado unicamente para o contive libertino que fizera e pelo o fato dele ter aceitado, afinando seus ouvidos tentando captar qualquer sinal dizendo que a sua presença ainda residia em seu apartamento. Nada. Sua casa de paredes desbotadas estava tão silenciosa quanto sempre fora, os sons que ouvia senão dos outros moradores do prédio de paredes finas era das ruas fora das suas janelas de uma Metrópolis muito bem acordada. Ela respirou fundo de olhos fechados tentando empurrar sua covardia para dentro do seu ser e num ato de coragem girou a maçaneta de vez, pisando dois passos pra fora do quarto dando de frente com a parede do corredor.

Ela respirou fundo novamente.

Então caminhou á passos leves até a sala, uma parte de si se sentindo estúpida pois sabia que a audição dele com certeza superava a de qualquer mortal, mas empurrou aquela insegurança pro fundo também. Estava nervosa, suas mãos soavam. E naquele pequeno ato covarde, uma sombra em comparação á vários outros qual ela teve durante os meses anteriores, sua mente ironizou a alertando que uma geração antepassada Murray inteira fazia cara feia para ela nesse momento. Sua mãe sempre a ensinou que uma Murray jamais se acovardava. Desde pequena ela fora ensinada que o peso do seu sobrenome envolvia punhos prontos para o ataque, um rosto feroz para o adversário, o maxilar erguido em desafio para ser acertado — se esse fosse o caso — e pernas fortes para se levantar quando caísse. Ser uma Murray era ser portadora de uma coragem animalesca, quase irracional, pronta para ferir e ser ferida. Bem, até meses atrás ela lidava bem com o desafio que as gerações da sua família materna jogou nos seus braços. Mas a coragem não era exatamente uma palavra recorrente em seu vocabulário se o assunto fosse Clark Kent ou qualquer coisa que o envolvia, sempre achou mais fácil fugir dele do que enfrenta-lo.

Só que ela não poderia evita-lo para sempre, principalmente porque era debaixo do seu teto que ele estava.

Então ela forçou seus pés contra o chão, não sabendo distinguir o sentimento de desapontamento que alfinetou o seu peito ao ver suas cobertas dobradas em cima do sofá e uma casa tão vazia quanto sempre esteve. Alura respirou fundo ainda podendo sentir o cheiro inebriante do mesmo entrar em suas narinas e se agarrar á sua garganta, envolvendo o seu corpo. Era uma confissão qual ela não podia culpar a marca: desde que saíra do apartamento de Clark semanas atrás o fantasma do seu cheiro a acompanhou e a assombrou até o momento em que ela pôde enterrar o nariz em sua pele novamente. Era másculo, potente e ardente, completamente natural, e abraçava os seus sentidos como um colo celestial.

Tolo. Mas sua rendição na noite anterior, ela deveria engolir o orgulho e admitir, não havia nada á ver com o álcool. Ela disse tudo o que disse com genuína sinceridade.

Merda!

Alura caminhou cabisbaixa até a sua cozinha, uma mistura humilhante de vergonha e falta dele que fazia suas bochechas queimarem e o seu peito se apertar. Ela sentia o cheiro dele mas não o via, e depois de ontem, depois de tal proximidade e tais confissões, ela não queria realmente o evitar até á morte. Um sentimento muito além de precisar vê-lo para discutirem o destino da marca, ela precisava ver o seu rosto bonito de novo simplesmente porque queria, para perguntar se as palavras que ele a confessou eram reais. Se ela fosse totalmente honesta consigo mesma ela diria o quanto precisava sentir os braços dele envolta do seu corpo novamente para ampara-la e firma-la na sua nova realidade, lhe passar a segurança que ela precisava e a isolar do resto do mundo em seu peito.

Mas ela não era completamente honesta consigo mesma.

Então, com um bolo na garganta enquanto abria sua geladeira e uma ardência inexplicável atrás dos olhos, ela pegou a cartela de ovos qual recentemente comprara a colocando na mesa respirando fundo pra conter suas emoções. Havia muita coisa não explicada entre eles, ela ainda estava com raiva, mas seus momentos juntos na noite passada, sua proteção, sua presença, quebrou um muro muito importante qual a envolvia. Ela não sabia que sentimento era esse que a deixava tão desamparada estando longe dele mas ela não queria senti-lo mais, era uma mistura muito intensa de coisas qual ela jamais tinha sentido e não poderia nomear, e sendo uma amante de rotinas o fato de não saber identificar algo novo em sua vida á deixava extremamente aflita.

Alura respirou fundo mais uma vez, erguendo sua cabeça ao teto e tentando fazer os seus sentimentos de garotinha voltarem pra dentro do peito. Certo, talvez ela sentisse algo por ele que não fosse influência da marca e que talvez passasse de uma simples atração, um que ela ainda não queria dar nome, mas isso não lhe dava o direito de reagir tão sentimental. Sua mãe á criou melhor que isso.

— Foco, Alura – ela murmurou consigo mesma, piscando rapidamente e respirando fundo – Foco. Já estamos velhas demais pra isso.

E quando achou que havia estabilizado as avalanches dos seus sentimentos e o sufocado com sua apatia ela percebeu sua nunca-usada-bandeja de prata qual pegou da sua mãe escondida na mudança, coberta em cima do balcão que dividia sua sala da sua cozinha. Ela franziu as sobrancelhas confusa caminhando até o recipiente puxando a tampa e se surpreendendo ao encontrar um prato com uma gorda omelete bem feita ao lado de bacon e salsichas fritas, o cheiro sendo o suficiente para fazer o seu estômago pular e a sua boca salivar. Á quanto tempo seus sentidos olfativos não eram presenteados com o cheiro de comida caseira? Ainda mais preparados em sua cozinha inóspita? Ao lado do prato havia um guardanapo com letras pontudas e bem-escritas quais só podiam pertencer á Clark Kent. O pegando com mãos trêmulas ela leu:

“Bom dia, querida! Imaginei que estaria com fome. Não é muito mas foi tudo o que consegui achar em seus armários, e aliás eu mexi em algumas coisas para preparar sua refeição então espero que não se importe. Também há café na cafeteira. Precisei sair cedo, me perdoe, mas se precisar de mim é só me ligar. Tenha um bom dia, minha lua”

Alura amassou o pequeno bilhete entre os dedos e o levou ao peito bem acima da sua marca ansiosa e fechou os olhos respirando fundo, o aroma inebriante de Clark e da comida qual ele fizera para si entrando em seus sentidos á fazendo se sentir mais calma. Era um gesto simples qual ninguém havia feito por ela além da própria Rosaly, e por um momento imaginou o grande homem se esgueirando em sua pequena cozinha e remexendo em suas não-utilizadas panelas, sorrindo como um bobo com os seus lindos olhos honestos por preparar uma refeição para ela. A imagem que sua mente criou foi tão real que ela quase podia ouvi-lo murmurar a receita para si mesmo e sentir a sua insegurança caso ela não gostasse do que ele havia preparado.

Alura não sabia como mas por um momento, tocando a sua marca e se concentrando na imagem doce de Kent na sua cozinha, quase podia seguir o rastro de calor que ele havia deixado para trás até onde ele estava agora. Então ela abriu o olhos, o maravilhoso sol de Metrópolis lançando faixas de luz para a sua casa. Ela precisava ligar pra ele. Alura correu para o seu quarto quase tropeçando na tapeçaria da sala e pegou o seu celular, voltando á cozinha e se sentando na mesa com o seu prato á sua frente.

O celular dele não precisou tocar muito para que sua voz doce, embora inegavelmente masculina, soasse do outro lado.

“Querida!” ele á saudou em uma genuína felicidade qual fez seu coração acelerar “Espero que tenha gostado da sua comida”

— E-Eu, ahn... – Alura pigarreou, sua tolice fazendo suas bochechas queimarem – Eu acordei agora e ainda não comi, na verdade. Mas cheira deliciosamente bem. Obrigada.

“Não por isso, lua.” Ele sussurrou, meigo, um sinal direto para a marca em seu peito. “Fazê-la feliz é meu maior prazer. Está se sentindo bem? Tomou o remédio pra dor de cabeça que deixei na sua cabeceira?”

Alura sentiu sua garganta secar, suas mãos soarem. Claro, ela não esperava que depois de todas as suas palavras carentes qual confessou na noite anterior ele mantivesse uma postura indiferente, mas aquela declaração e aquele cuidado genuíno era um pouco demais para o seu humor desacostumado.

— Eu... Nós... Nós precisamos conversar, Clark – sua voz saiu séria, embora baixa. Ele suspirou do outro lado.

“Eu sei, querida. Eu sei. Você sabe que precisa ser em um lugar discreto” ela rolou os olhos cansada, pondo uma mão na testa enquanto apoiava sua cabeça nas costas da cadeira atrás de si.

— Meu corpo está dolorido e a minha cabeça está péssima, não vou sair de casa hoje. Você... sabe... onde eu moro — as palavras saíram com dificuldade. Alura tinha certeza absoluta que ninguém havia estado em seu apartamento além de Rosaly e o antigo síndico quando a apresentou o imobiliário anos atrás. Ainda era difícil quebrar velhos hábitos, ela não estava confortável com a ideia. Mas ele já havia dormido em sua casa mesmo, não?

“Tudo bem, está marcado. Me desculpe querida mas eu preciso voltar ao trabalho agora, me foi dado um caso de última hora. Eu termino às quatro, está bom pra você?”

— Sim, parece bom. Até às quatro, então.

“Até, querida”

Quando Alura encerrou a chamada ela teve que tomar fôlego duas vezes antes de beber uma caneca inteira de café, seus olhos fechados e suas bochechas queimando. Não podia deixar de notar o quão surreal aquele diálogo parecia, o quão inusitado para uma pessoa como ela, o quão repentino. E por um momento... Por um momento, em seus pensamentos, aquilo se encaixou como rotina. Sua tão amada e cobiçada rotina. Quão idiota sua mente era por encaixar Clark Kent no seu dia a dia mesmo que em pensamentos?

Era a marca. Só podia ser a marca.

—__

Ela não podia se esconder atrás da marca pra sempre.

Alura não se gabava das suas qualidades, seja elas sobre intelecto ou sobre sua personalidade. Ela honestamente não achava que possuía muitas coisas boas á serem listadas embora soubesse que apesar de tudo não era a pior pessoa do mundo; ela só era alguém comum de vida e mente mediana e estava plenamente confortável com isso. Os seus pais, por outro lado, de certa forma, eram brilhantes. Quando criança ela gostava de vasculhar o guarda-roupa da sua mãe para vestir os seus terninhos do trabalho e calçar os seus saltos, brincando no espelho que um dia seria a maior corretora de toda a Inglaterra, e foi em uma dessas travessuras quais sua mãe não podia sequer sonhar que ela encontrou uma caixa com velharias escolares dos seus genitores se surpreendo genuinamente com as notas acadêmicas dos mesmos ao longo dos anos e a quantidade de certificados dos cursos quais eles haviam concluídos com louvor. O seu pai tinha fortes tendências a ser um genuíno e brilhante físico enquanto a sua mãe mostrava seus grandes dons na área química. Alura ficou estupefata, segundo aqueles registros os seus pais eram quase gênios e não entendia como eles não exerciam as profissões quais claramente tinham talento.

Ela nunca os perguntou e eles nunca jamais tocaram no assunto.

Mas a questão é que Alura não tem uma mente brilhante escondida atrás da sua personalidade monótona e tediante como os seus pais, ela podia até ter sim um certo talento para tudo que envolvesse números mas não era nada especial ou extraordinário que a colocasse na linha de frente para grandes projetos. E honestamente ela já estava confortável com as suas poucas conquistas. Em seus dias comuns ela sempre fora uma pessoa dolorosamente realista, algumas vezes beirava á frieza extrema que deixava as pessoas ao redor de si desconfortáveis, mas ela não podia realmente evitar: Alura conhecia a si mesma, conhecia a sua mente e corpo e conhecia suas limitações. Ela não nasceu para nada grandioso ou luxuoso que causaria grandes impactos em sua existência, havia se confirmado que ela era apenas Alura, apenas mais uma na grande massa, um amontoado de células insignificante no meio da imensa mãe natureza.

E por ser dolorosamente ciente de si e da sua realidade que ela sabia que o ato covarde de pôr a culpa na marca qual ostentava não a levaria á lugar algum.

Havia sentido na pele a dor física e mental que foi ficar longe do jornalista surdino qual mudou radicalmente sua vida á quase seis meses atrás. Essas três semanas que se passaram pesou em suas costas como uma cruz de mármore pois havia sentindo a realidade crua ao seu redor com mais impacto quando conseguiu bloquear a conexão da ligação. Foram dias sóbrios quais ela o interceptou até mesmo em pensamentos, se recusando a divagar com algo minimamente tolo qual pudesse trazê-lo pra superfície. E estando totalmente ‘limpa’ dos vestígios e influências de Clark Kent ela pensou que poderia voltar á ser quem era antes dele, que o evitando e fingindo que sua existência não significasse nada para ela pudesse trazer a antiga Alura apática e indiferente de volta. Mas não trouxe. No mais só reviveu os seus pesadelos da batalha contra Zod, só á fez se sentir mais sozinha. Claro, nunca teve problemas com a solidão antes, mas não soube o quanto realmente bloqueava as pessoas ao seu redor até fingir que a marca não existia. Dentro de si um lado da sua mente se defendia apontando que ela nunca precisou de ninguém desde tenra idade, aprendeu desde nova que seria ela por ela mesma, que suas batalhas seriam vencidas pela sua própria força e que jamais deveria se preocupar se alguém a apoiava ou não.

Isso até Superman aparecer.

Alura não pensaria o quanto ela ficou com medo da sua existência, da sentença marcada no seu corpo, das previsões sombrias da sua mãe sobre si sibilando silenciosamente como uma serpente ao redor dos seus pensamentos e das alucinações do seu pai sobre homens do espaço muito antes de Clark aparecer. Os primeiros meses para aceitar a sua existência foram os piores, sabia que gritava até sentir a garganta crua em seus pesadelos. E depois de tudo, de tanta luta e de tanta relutância contra ele e a sua curiosa existência, olha onde ela estava agora. Sentada em sua sala contando os minutos para as quatro da tarde, ansiosa por ver seu belo rosto estando sóbria. Estava com raiva, confusa e magoada. Seus muros ainda a cercavam, á nuvem acima da sua cabeça ainda estava nublada. Mas depois de analisar os meses que se passaram, de tentar lidar com a sua existência sozinha e das semanas que o evitou até a morte, ela sentia dentro de si que só estando ao seu lado conseguiria achar respostas para os seus conflitos. Que apenas ele poderia lhe trazer paz e descanso para a sua alma.

O seu celular, qual segurava com firmeza entre os dedos para verificar as horas a cada trinta segundos, brilhou com uma nova mensagem em sua mão a fazendo baixar a barra de notificação, um sorriso bobo e um aperto no peito qual não saberia dizer se era bom ou ruim surgindo assim que leu o conteúdo.

Quase saindo, querida. Quer que eu leve algo? Precisa de alguma coisa? Eu já estou indo no mercado, não hesite em pedir. Como usei os seus ovos estou levando mais.”— enviado por Clark-fodido-Kent, às 15:30pm.

Seu coraçãozinho morto repentinamente ganhou vida, os batimentos acelerados cantando dentro da sua caixa torácica...

...E ela não podia culpar a marca por isso.

—__

Nunca havia se encontrado com Clark por livre e espontânea vontade, os poucos e raros encontros que tiveram foram frutos dos meses que o evitou e o pôs ao limite da paciência. Mas algo dentro de si dizia que o herói era um homem pontual, talvez por causa da conversa qual tiveram na sua casa sobre estar sempre precavido. Mas o fato é que assim que o relógio digital marcou 16:00pm, suas batidas suaves foram ouvidas. Ela quase poderia rir da sua pontualidade exagerada.

E só não o fez porque estava paralisada de nervoso.

Alura levantou lentamente do sofá olhando pra sua porta como se ela fosse uma criatura intimidante, seu coração acelerado e sua boca repentinamente seca. ‘Você está sendo uma maricas de novo, Chelsea!’ a parte feia da sua mente gritou a fazendo respirar fundo, tentando recompor sua ansiedade e trazer a versão mais forte dela mesma pra superfície. Depois de algumas respirações profundas, achando que estava enfim pronta para enfrenta-lo, ele falou do outro lado.

— Alura? Querida, sou eu. Está tudo bem? – e então todo o seu exercício sobre autocontrole foi por água abaixo, por que nem em mil anos ela estaria pronta para enfrentar Clark Kent. Mas ela precisava, havia algo extremamente sério para eles discutirem, e focando somente nisso ela foi até a porta em largos passos e a abriu de vez num lapso de coragem.

Ele ainda era tão bonito quanto se lembrava.

Alura deu de frente com um peito largo, tendo que levantar o queixo para olhar pro seu rosto forte. Ele sorria para ela de forma tão linda e honesta que fez os seus joelhos tremerem, como se ela fosse algo precioso e ele estivesse completamente encantado por isso. Seus olhos limpos e claros a fez se sentir repentinamente mais calma, absorvendo a serenidade que eles exalavam e quase a fazendo sorrir também. E de repente toda a sua raiva, fúria e angústia se derreteram como um doce insignificante abaixo do poderoso sol.

Maldito seja o caipira.

— Quase deu pra acertar o relógio – apontou irônica, mas não maldosa. Na verdade ela soou suave, doce. Diferente da versão cotidiana de si, diferente da fera qual queria ser quando o confrontasse sobre a marca novamente. Ele sorriu acanhado, abaixando a cabeça por alguns segundos e voltando a olha-la daquele mesmo jeito de sempre.

— Se pontualidade for crime, pode me prender – ela rolou os olhos divertida, apontando com o polegar atrás de si.

— Entra antes que a polícia te cace, foragido.

Alura foi inesperadamente golpeada com o seu cheiro quando seu corpo grande passou pela porta, instigando os seus sentidos e momentaneamente a desequilibrando. Mentalmente ela se golpeou, sua parte mais rígida gritando contra os seus tímpanos – ‘O que você é? Um maldito cachorro? Controle-se!’ – a fazendo firmar os pés na realidade novamente.

Seja lá o que Clark expelia pelos seus poros extraterrestres era forte, potente e perigoso para os seus sentidos.

— Eu trouxe os ovos que usei. E bolo. Não sabia de qual sabor você gostava, então trouxe de chocolate. Todo mundo gosta de chocolate, certo? – ele estava nervoso, seus olhos claros fixos no chão era um sinal, assim como suas mãos escondidas nos bolsos das calças. Se ela não estivesse na mesma situação que ele quase acharia cômico sua timidez em relação á noite anterior, qual não conseguia manter as mãos longes de si e a protegeu de tudo e todos. Voltando á realidade, não percebendo o sorriso tolo que esticava os seus lábios, ela o olhou com uma mistura de sentimentos que não eram ruins.

Ele era lindo, bem provavelmente não só por fora. Clark Kent de repente parecia grande e brilhante demais para o seu precário apartamento sem vida, como uma pintura renascentista no meio do entulho. Não se encaixava, quase um insulto, como se ele merecesse melhor moldura para a obra de arte que era.

Alura suspirou frustrada consigo mesma.

— Maldito seja! Você não precisava trazer nada, seu teimoso – ela foi em sua direção lentamente como se estivesse se aproximando de uma fera, seus passos calculados, seu coração sambando de emoção em sua caixa torácica.

A cinco pés de distância ela estendeu uma mão trêmula, evitando os seus olhos bonitos, sentindo a inexplicável conexão que ambos compartilhavam tentando puxa-la em sua direção. Mas ela firmou os pés no chão com força, seus dedos se encolhendo contra seus chinelos, convicta a não ceder aos instintos mais primitivos quais sua marca lançava em seu corpo.

— Eu vou levar a sacola pra cozinha – sua voz não saiu tão natural quanto antes, instável como a de uma garotinha. E embora se estapeasse mentalmente ela não podia realmente fingir que não havia uma tensão entre eles, tão forte quanto uma corrente, quase palpável.

E no fundo, lá no fundo, um lado desconhecido havia surgido com uma voz doce cheias de promessas impossíveis.

O quão fácil seria ceder? O quão bom seria enterrar o seu corpo contra Superman e respirar até a última gota da essência da sua pele? Espantar sua frieza no calor dos seus braços e esquecer o resto do mundo e os seus problemas?

Alura ergueu a cabeça rapidamente, seus olhos abertos como pires, suas íris pequenas como a de um gato. Aquela parte nova dentro da sua mente era muito perigosa com sua voz aveludada e o seu tom carente. Ela não podia permitir que algo tão desprovido de senso real criasse raízes em seu ser, ela não podia cogitar uma ideia tão absurda quanto se render á um desconhecido qual supostamente havia tomado a sua liberdade. Alura olhava pro homem á sua frente sem realmente vê-lo, o pulsar da sua marca lançando uma fina cortina de conforto ao seu ser por estar na presença do seu receptor, seus pensamentos travessos fugindo do seu controle.

Ela foi desperta por um toque. Dedos fantasmas roçando as maçãs do seu rosto com a leveza de uma pluma, mas que abalou o seu ser como um golpe certeiro. Inevitavelmente os seus olhos se fecharam apreciando o carinho em deleite, seus sentidos sendo invadidos com o forte cheiro inebriante dos seus pesadelos. Com olhos semiabertos vislumbrou a silhueta de Clark á sua frente, muito mais próximo do que estava segundos atrás, sentindo a carícia fantasmagórica dos seus dedos ficarem sólidas quando ele abraçou a palma das sua mão em sua bochecha numa carícia tenra, mas firme. Como se para provar que ela era real, que ela estava realmente ali.

Me desculpe— ela abriu os olhos com o seu tom murmurado, sendo presenteada com o aroma do seu hálito ao tê-lo pairando acima de si. Seus olhos estavam nublados de emoções, algumas quais ela poderia captar: saudades, vontades, agonia, esperança.

Talvez por que no fundo ela sentia a mesma coisa.

— Me desculpe – voltou a repetir, e não sabia se foi a incerteza em seus olhos ou o leve inclinar dos seus próprios lábios que denunciou sua confusão, mas ele continuou a falar – Me desculpe, querida. Eu sei que gosta do seu espaço, e que prometi ficar longe e respeitar a sua bolha, mas eu preciso... Eu preciso...

Alura não soube porque fez, mas fez. Seus braços magros envolveram a cintura esbelta e tensa como uma rocha do grande homem a sentindo se desmanchar pelo calor dos seus braços. Sem pensar direito ela relutantemente, e muito lentamente, apoiou a bochecha em seu peito com sua cabeça abaixo do queixo dele, ouvindo seu forte coração sadio trotar como um cavalo indomável correndo livremente por campos selvagens. Clark fez um som misturado com soluço e engasgo, a surpresa o atropelando como um trem de carga o acertando em cheio da forma mais maravilhosa qual ele jamais poderia imaginar. Seus grandes braços instantaneamente á cercaram num casulo de proteção, seus lábios trêmulos beijando seus cabelos negros com adoração.

Por um momento, ambos ficaram assim. Alura ainda estava rígida, Clark sentia sua relutância em seus ombros tensos, mas ela estava ali. Por sua própria vontade. Mas ainda sim... Ainda sim...

— Me desculpe, querida – ...ainda sim ele pediu desculpas, por que mesmo que ela estivesse em seus braços agora porque queria, sabia que havia uma parcela da marca a puxando também.

— Shh. Não diga nada, não me traga pra realidade ainda – Alura murmurou, seus olhos ainda assustados como um cervo nos faróis prestes a ser atropelada cruelmente, mas se sentia em paz. Se sentia em casa.

— Mas eu-

— Eu sei, Clark. Eu sei. Precisamos disso – o interrompeu em um timbre carinhoso o fazendo se esquecer das suas culpas e lágrimas instantaneamente – Como... Como vamos passar por isso, Clark?

Lá estava. A rendição não declarada, a falta de firmeza em sua voz como se esperasse ser amparada. Clark riu suave, seus olhos aguados, seus braços a abraçando com força.

— Eu já disse, minha lua. Nós vamos passar por isso. Juntos.

A declaração á pegou de surpresa, seu corpo tenso, sua mente trabalhando com rapidez. Alura estava com medo, terrivelmente com medo pois odiava, detestava novos assuntos em sua rotina. Mas não podia fugir disso, seja lá o que era acontecendo entre eles. Não queria, realmente. Clark deve ter sentido sua angústia pois depositou pequenos beijos em sua cabeça, suas mãos acariciando suas costas com leveza. Nesse momento sua senhora precisava dele como ele precisava dela.

E de repente a realidade veio á tona, seus pensamentos a atropelando numa enxurrada de confusões e incertezas. E ela soube que ambos estavam numa situação qual não planejaram, qual não almejaram e qual não imaginavam. Mas Clark, ela podia ver em cada gesto singelo e palavras doces, tinha caído de cabeça em tudo isso, Clark havia se comprometido com o seu futuro, e lutava tanto com ele mesmo quanto contra sua frieza que não facilitava para ambos. E havia uma parte de si, a parte qual fora desperta por doces vozes e promessas impossíveis, que sentia seus conflituosos e divididos sentimentos girarem e girarem para todos os lados e se curvarem em uma única certeza: ela gostava dele. Mais do que amigos, menos do que amante. Mas gostava dele. De uma centelha que se tornaria grande. De uma forma surda e muda, silenciosa e sorrateira, que repentinamente mostrou as suas caras e a desarmou.

Ela não podia lutar contra algo que já estava dentro de si, como um vírus mutante incurável com tendências á só crescer e crescer até que tenha tomado todo o seu ser. Alura arregalou seus grandes olhos ainda mais, quase cômica, seu coração parando por breves segundos com o resultados dos seus cálculos.

— Estamos tão fodidos, não estamos? – sussurrou incrédula, sua voz abaixo de uma oitava. Contra o seu rosto ela sentiu o peito largo de Clark retumbar suavemente em uma risada sem humor, seus braços a apertando mais firme enquanto seu nariz se enterrava contra sua cabeça.

— Sim, querida. Estamos sim.

Sua voz era um bálsamo. Ele era seu carrasco e o seu salvador, seu martírio e o seu alívio, seu deus e o seu diabo. Sua existência á atormentava, mas só sua presença podia á fazer bem. E ela sabia, oh, com lágrimas de incredulidade surgindo em seus olhos assustados ela sabia...

...Que não podia culpar a marca por isso.

(As notas finais são extremamente importantes, por favor, as leiam ❤️)

Notas finais
Olá cá estamos nós novamente, muito mais cedo do que eu previra, não vou mentir. Acho que como toda escritora eu tenho um sistema mental de postagem, como eu escrevo muito, e quebro a cabeça para postar nesse site (qual a formatação ainda não vai com a minha cara) eu não gosto de liberar capítulos antes de atingir ao menos 10 comentários. Mas vocês fizeram isso! E mesmo cansada do trabalho e com a mente totalmente gasta, eu fiz um acordo com vocês na minha cabeça. Como havia dez comentários, eis aqui o capítulo ❤️ Esse capítulo me deu um certo trabalho, admito. E admito também que escrever angústia é mais fácil para mim do que cenas de romance, então espero que esteja bom pra vocês. Eu, honestamente, estou feliz com ele. Não era o rumo qual eu daria pra esse capítulo, e sinceramente também não era o rumo qual eu daria pra essa fanfic, mas de acordo os tempos passaram em senti um certo amadurecimento tanto nas minhas ideias quanto as de Alura, então estou imensamente feliz com o resultado. Espero que estejam do seu agrado, também. Ah! Bem, eu não gosto de postar capítulos antes de responder os comentários do capítulo anterior, mas já disse que vocês me surpreenderam. Até agora já respondi todos os comentários do capítulo 19 e alguns do vinte, e espero até o final da semana responder todos do 21 e 22. Então não se preocupem, eu não deixo comentários passarem em branco, na verdade é a minha motivação para postagem. Então continuem comentando! O que me leva ao próximo tópico. Essa fanfic tem exatamente 12.500 visualizações e 129 acompanhamento, e 59 favoritos. São muuuuuitas pessoas! E fico um pouco abatida que vocês não dêem sinal de vida. Eu sou um pouco insegura com essa fanfic, principalmente porque volta e meia há um hatezinho nas mp's, então eu gostaria de pedir, por favor, que comentem. Não precisa ser longos textos (embora me encham os olhos, literalmente), apenas diga o que acha. Opinem! Eu escrevo mais para vocês do que para mim. Além do mais eu gostaria de pedir novamente, por favor, não esqueçam o botão de 'Favoritos'. Se você não favoritos a fanfic, por favor, façam. Dá mais visibilidade para o meu trabalho e me motiva mais. Além do mais é super rápido, é só um botaozinho, apertem vaaaai ❤️❤️❤️ Falando em hate, recentemente recebi uma mensagem de uma leitora apontando que não leria a minha fic porque o Clark era um personagem abusivo. Eu sinceramente fiquei sem chão. Quando comecei a fic eu estava em um relacionamento ruim e tentei fazer uma versão do Clark que fugia de tudo aquilo, e aos meus olhos ele é um cristal intocado. Me perdoem se eu dei a entender que ele seja um homem ruim em algum momento, já vou logo esclarecendo: ele não é. Pode ter, sim, traços poucos pensados em suas atitudes e uma certa fúria qual eu faltei nos filmes interpretado por Henry e já vou logo avisando que vai continuar (como ele sendo protetor e agressivo contra quem faz mal á altura, por exemplo), mas ele não é uma pessoa ruim. Clark é maravilhoso e ama Alura mais do que tudo, e por isso no capítulo 23 eu desenvolver eu um diálogo qual eles fecham as pontas soltas nós capítulos anteriores. Será longa e de certa forma angustiante, mas eles não vai brigar e se afastarem mais, não se preocupem, viu? A partir desse capítulo estamos engajando num romance. O que me leva a falar de sexo. Sim, meninas, vai ter. Explícito e bem narrado, e nem sempre com apelidos bonitinhos para partes íntimas. Clark e Alura são adultos, afinal. E adultos transam, viu? Não vai comprometer o roteiro, mas vou avisar logo que a partir desse capítulo cenas mais quentes serão cada vez mais comuns. Enfim, acho que é só. Estou aliviada com esse capítulo, sinceramente. Feliz em poder desenvolver esse romance finalmente. Espero que gostem. Enfim, me perdoem. Só lembrando novamente que NENHUM COMENTARIO DEIXARÁ DE SER RESPONDIDO! Podem comentar normalmente, as respostas virão. Mas estou trabalhando ainda, então sejam pacientes. Então, o que acham de presentear a tia dark com suas palavras? Seus favoritos? E até mesmo, quem sabe, se eu merecer, com alguma recomendação? Meu sonho bater a meta pessoal de ter 15 recomendaçoes na fic. Ajudem a tiaaaa ❤️❤️❤️ Enfim, orbigada por tudo e até a próxima, gatas. Beijos da tia Dark!!! EDIT: anteriormente havia aqui, nas notas finais, que a fanfic só seria atualizada se alcançasse uma certa meta de comentários. Peço desculpas às minhas leitoras fiéis e informo que isso não acontecerá novamente, é injusto com as presenças constantes e não posso estabelecer uma regra. A fic será atualizada quando o capítulo ficar pronto, como normalmente sempre será. Se você se sentir tocada ou compelida a me presentear com um comentário, saiba que eu ficarei imensamente feliz. Obrigada a todas vocês! Beijos da tia Dark ❤️