You Only Live Once
2 Parte I- Capítulo II
Mike já tinha carteira de motorista e um carro, então ele nos levou para o tal bar. Violet já estava lá, consegui ver seu cabelo ruivo e seu vestido roxo no meio das pessoas, ela estava acompanhada de uma menina que eu nunca havia visto na vida.
—Alex! Você veio— Violet era, digamos, alegre demais—Essa é Anne, ela é da minha turma de biologia avançada!
—Oi Anna!—eu respondi, enquanto procurava pelos meninos, que sumiram— Eu sou a Alexandra!
—É Anne—Ela sorriu, sua pele era negra e seu cabelo era bastante cacheado e acima do ombro—Prazer em conhece-la!
Após algum tempo os meninos apareceram, com uma garrafa de vodka e uma de refrigerante. Anne conseguiu arrumar uma mesa perto do palco para a gente, ninguém sabe como, mas ela conseguiu. Liam, como sempre, começou a dar em cima da Violet, e dessa vez ela estava caindo na dele. Violet está um ano a baixo do resto de nós e Anne é da turma dela.
O Show começou 23:40 da noite, eles fizeram cover de várias bandas, como: The strokes, the killers e coisas do tipo. Eu havia decidido não beber aquela noite, mas Anne, Liam e Violet já estavam bêbados. Então resolvi conversar com Mike, ele era mais na dele, mas parecia ser interessante. Conversamos um pouco sobre tudo, o porquê dele não beber, como ele e liam estavam se dando, coisas da vida. Já estávamos conversando havia um tempo, e eu comecei a me aproximar dele e tentei beija-lo, só que, novamente, ele desviou.
—Se ferrou de novo—Liam gritou no meu ouvido, rindo—Desculpa, mas é engraçado o fato do Mike não querer te beijar.
—Fica quieto, Liam— respondi, meio de mau humor—Olha lá, Violet e a Anne tão se beijando.
—Se você acha que eu vou cair nessa de no...—ele se virou e viu que era verdade— CARALHO!
Como as meninas estavam perto do bar, Liam foi para lá, me deixando sozinha com Mike, um pouco constrangedor. Fiquei encarando o meu copo e as vezes olhando com o canto do olho para ver se o Mike me olhava.
—Não é que eu não te ache bonita ou atraente— Ele começou a dizer e eu me virei— eu só não quero, não agora, não assim.
—Assim como? Meu Deus, você já beijou alguém na sua vida? —Respondi, debochada— Esquece, também não quero mais.
Voltei a olhar para o copo em cima da mesa, o clima estava mais constrangedor que antes. Vimos Liam, Violet e a tal Anne saindo do bar, muito embriagados, então o Mike resolveu me levar para casa, mesmo eu dizendo que não era necessário, mas ele insistiu tanto e como já passavam da 03:00 eu acabei aceitando.
Caminhamos até o carro, que estava na outra rua, a caminhada foi silenciosa. Estávamos quase em frente ao carro quando um homem se jogou em cima de mim, ele estava claramente sob efeito de alguma droga e tinha uma faca na mão e encostava sua ponta em meu pescoço.
—Solta ela agora e eu não chamo a polícia— Mike falou e o homem apertou a faca contra a minha pele, senti o sangue escorrer pelo meu pescoço—eu mandei soltar!
—Sai daqui playboy—O Homem tirou a faca da minha pele e apontou para Mike enquanto me dava uma gravata— vai embora e você sai vivo, só a vagamunda que precisa sofrer!
—Me larga! —comecei a gritar e me debater, mas o braço do homem apertava meu pescoço e eu já estava começando a ficar sem ar—Mike, por favor...
Eu achei que ia morrer, que o cara ia enfiar a faca em mim e depois no Mike, mas algo aconteceu, eu já estava quase desmaiando sem ar então não entendi o que aconteceu, mas senti o braço daquele homem me soltando e finalmente consegui respirar. Quando me dei conta Mike estava jogado no chão com a blusa encharcada de sangue e com o rosto muito pálido, e o homem acelerava em seu Jeep Branco.
—Mike, o que aconteceu, olha pra mim, onde ele te acertou— O desespero e medo na minha voz eram claros enquanto eu o ajudava a se levantar.
—Acho que foi...— não terminou a frase pois quase caiu enquanto eu tentava mantê-lo em pé— superficial.
—Você entra no banco do carona, vou te levar para um hospital— destranquei a porta do carro com as mãos tremendo e tentei faze-lo entrar, mas ele não quis— AGORA!
—Você não tem carteira, vamos ser presos, deixa que eu...— Sua voz falhou e ele colocou a mão sobre o peito, talvez percebendo que ele não conseguiria dirigir, por que ele entrou no carro.
Para a minha sorte, o carro era automático igual ao carro do meu pai, que eu dirigia as vezes e não haviam carros estacionados atrás ou na frente. Acelerei tentando lembrar onde era o hospital mais próximo e me desesperei ao lembrar que o hospital que estava mais perto ficava a uns 15 minutos dali. Dirigi igual a uma louca, passando dos sinais vermelhos e acelerando acima do limite permitido.
Tentei manter meus olhos na rua, mas as vezes olhando para o banco do carona onde o Mike sangrava sem parar, até que ele pareceu desmaiar, então fiz uma curva brusca e entrei em um estacionamento qualquer. Parei o carro e me virei para ele, sua cabeça pendia sobre o ombro porém ele estava respirando bem. Tive que empurrar o banco pra trás e deita-lo o máximo que pude, então peguei o celular no bolso e liguei a lanterna para ver onde estava o corte, mas era impossível, então subi no colo do Mike e apoiei um perna de cada lado de seu corpo. Havia um grande corte em seu peito, mas a camisa estava tão suja que não dava para ver a profundidade que estava, então, com minhas mãos tremulas, rasguei a camisa e isso fez Mike acordar.
—Só por que eu não quis te beijar você não tem que rasgar minha roupa e eu to bem... só fico tonto com tanto sangue— ele sorriu, e um lampejo de dor passou por seu rosto—ok, talvez eu não esteja tão bem.
Tirei minha camiseta e pressionei contra o ferimento,fiz ele segurar ela naquela posição e voltei para a direção em silêncio. Acelerei o máximo que podia sem que fosse extremamente perigoso e segui em direção ao hospital. Ultrapassei o máximo de sinais fechados que consegui, as pessoas devem ter ficado achando que eu era louca. Uma menina de cabelo azul, de sutiã, dirigindo igual uma louca, mas no momento eu não conseguia pensar nisso, o meu único pensamento era “Não vou deixar esse menino sangrar até a morte”.
Cheguei no hospital e percebi que havia um carro da polícia me seguindo, mas não liguei, não no momento. Sai do carro sem blusa mesmo e tirei Mike de lá e o arrastei para dentro do hospital, um enfermeiro apareceu com uma maca e colocou ele deitado e levou embora. Me joguei em uma cadeira da recepção e olhei para as minhas mãos, estavam manchadas de sangue, minha cabeça doía, assim como meu corpo.
Um policial entrou na recepção e caminhou em minha direção.
—A senhorita está presa—Ele olhou para as minhas mãos e para meu rosto— Levante-se por favor.
—O senhor não pode me prender— eu procurava palavras para explicar o ocorrido, mas minha cabeça estava doendo muito, levantei e minha visão começou a rodar—eu...
E então tudo ficou preto. Acordei não sei quanto tempo depois, estava deitada em uma cama, havia um tubo preso ao meu braço e a uma bolsa de soro. Meu pai estava parado ao meu lado, ele estava com um olhar preocupado.
—Pai— me sentei e meu pai logo veio me apoiar— eu to bem.
—Meu deus, Alexandra, você me deixou tão preocupado, nunca mais faça isso.
—Você sabe se o Mike tá bem? Ele tava sangrando muito.
—A família dele tá no hospital, inclusive o Liam, quer que eu chame ele?— meu pai perguntou—sua mãe e seu irmão ficaram em casa. Vou chamar o Liam.
Meu pai saiu do quarto com pressa e logo o Liam apareceu. Ele estava com a camisa do lado avesso, seu cabelo estava bagunçado e seu rosto estava inchado de chorar, ele chorava por qualquer coisa, principalmente naquele tipo de momento.
—Lexie— Ele “correu” até mim e me abraçou forte— Você tá bem?
—Eu to bem— Meu pensamento estava no Mike— Ele ta bem? Me diz que sim.
—O corte não foi fundo, mas tiveram que dar alguns pontos e fazer uma transfusão, mas ele tá bem—Liam se sentou na beirada da minha cama— como você tá se sentindo? O cara te machucou muito?
—Só arranhou com a faca, e apertou meu pescoço.
Liam queria me distrair do fato de eu ter que dar meu depoimento à um policial e começou a me contar sobre ele, Violet e Anne, mas logo recebeu uma mensagem e saiu do quarto. Peguei meu celular e meus fones e coloquei na minha playlist, logo começou a tocar Mr. Brightside e eu me perdi na música.
Eu estava quase dormindo quando um policial entrou no meu quarto, então tirei o fone e me sentei na cama. Percebi que não era o mesmo que tentou me prender mais cedo, esse parecia mais novo e mais bonito que o outro.
—Senhorita... Martin— O policial olhou minha ficha— Vou pedir que você conte tudo que aconteceu, seu colega estava sob efeito de alguns medicamentos e não conseguiu nós dizer o que aconteceu direito, então vim conversar com a senhorita, se quiser eu posso chamar seu responsável.
—Não precisa, posso contar o que aconteceu sem meu pai.
Contei tudo o que havia acontecido a partir do momento em que saímos do bar. Pelo o que eu entendi o tal homem que me agarrou já havia tentado fazer isso antes, mas nenhuma das vítimas lembrava como era o rosto ou o carro dele. Após ouvir meu depoimento, o policial saiu do quarto e eu coloquei o fone novamente, começou a tocar the suburbs e não demorei muito para dormir
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