You Only Live Once
29 Uma garota não deveria ficar sozinha
Notas iniciais
PDV da Alícia
O barulho ensurdecedor das caixas de som em altíssimo volume incomodava meus ouvidos, os cachos tradicionalmente dourados de Marie brilhavam bem na minha frente, e uma espécie de luz piscante fazia com que tudo ao meu redor parecesse estar em câmera lenta. Me perguntava pra quê as pessoas usavam drogas e outros alucinógenos tento tantas baladas por aí. Juro que só as luzes, a fumaça, e o som já estavam me deixando maluca.
Eu estava distraída, já tinha perdido Marie na multidão umas 3 vezes, e ainda nem sinal dos meninos. Seria quase impossível achá-los no meio de tanta gente.
A festa era praticamente um plano de fundo da confusão que estava a minha cabeça no momento. Marie me arrumou como se eu fosse uma boneca de pano, depois me arrastou até ali, e eu mal prestava atenção em tudo o que ela fazia.
Eu ainda tentava entender o que raios tinha acontecido naquele coreto.
Eu tinha conseguido cantar, e foi incrível, mas tinha uma coisa maior que quase ofuscava esse sentimento de vitória. Eu não sabia o que era, só sabia que tinha a ver com Ryan, e a maneira como me olhara, e tocara meu rosto. Ele nunca fez nada nem remotamente parecido com isso.
Não era justo. Simplesmente era muito injusto ele encher meus ouvidos de lamúrias sobre Stella e depois agir desse jeito, ser todo doce e protetor e me deixar assim, cismada, bitolada, paranóica.
O vestido vermelho que Marie me deu pra vestir era bem bonito, e confortável. Ela o deu pra mim, disse que tinha ficado apertado nela, lhe marcava o quadril. Ele parecia tomara que caia, mas tinha uma alça de rendas que subia até a parte de trás do meu pescoço. A saia era meio rodadinha e ia até um pouco acima do joelho.
Eu não conseguia tirar a cena do coreto da cabeça.
Parei diante do bar, eu precisava de uma bebida pra animar. O barman simpático logo veio me atender, e eu pedi a ele uma dose de tequila. Olhei em volta a procura de Marie, mas claro, a essa altura eu já havia me perdido pela quarta vez.
Eu queria que existisse um botão na minha cabeça onde eu pudesse desligar meus pensamentos, ou então um que me permitisse escolher por quem me apaixonar. Eu acho sinceramente que o responsável por esse tipo de decisão tinha que ser o cérebro, e não esse coração imbecil que só faz merda.
E quando Stella voltar (E eu era capaz de apostar que ela voltaria, não importa que tipo de coisas tenha que fazer pra isso), e procurá-lo? Ele vai voltar pra ela como um cachorrinho abanando o rabo, e quem vai se ferrar nessa história? Eu claro, sou sempre eu que me ferro em todas as histórias.
– Alícia... – Joshua falou bem perto do meu ouvido, era o único jeito de estabelecer alguma comunicação num ambiente tão barulhento. A voz arrastada associada aos dedos gelados em meu braço me causaram um arrepio desconfortável. – Eu queria me desculpar sobre a noite em que saímos.
Eu não sabia o que responder, não acreditava que aquele cara estava falando comigo depois da cena daquele dia. Talvez eu devesse fazer certa média, não arrumar mais confusão, ou talvez eu devesse meter-lhe um chute nas bolas e sair correndo.
– Não... – Eu disse. – Não, eu que me desculpo por ter te acusado de assassinato.
– Na verdade foi mais omissão de socorro. – Ele riu, e eu me forcei a rir também.
– Ah, mas isso você fez mesmo ué – Dei de ombros, tentando manter o tom de descontração. – E aí, o que faz aqui??
– É a única boate da região, não é como se eu tivesse muitos outros lugares pra ir. – Sorriu, mostrando-me todos os dentes com uma simpatia que era típica dele, mas graças aos acontecimentos anteriores e a paranóia de Ryan, não me convencia nem um pouco. – Posso te pagar outra dose de tequila?
– Argh, sabe o que é? Eu estou aqui com os meus amigos, estamos comemorando. – Ele franziu as sobrancelhas de modo engraçado, como quem sabe que está levando um toco comportado. – É sério, eu cantei no coreto hoje! Eles me ajudaram muito, não posso abandoná-los.
Eu estava com uma frase na ponta da língua, prontinha pra sair, no impulso, como quase tudo o que eu digo. Dessa vez me forcei a pensar sobre isso pelo menos por mais alguns segundos.
Será que eu devia continuar flertando com ele?
– Bom... – Dei um passo em sua direção e ajeitei a gola de sua camisa. Algo me embrulhava o estômago, mas ignorei essa sensação. – Nós podemos sair outro dia.
– Ah, pode apostar que sim. – Piscou pra mim. – Que pena que eu perdi sua apresentação no coreto, queria ter visto.
Será que não tinha visto mesmo? Agora seria difícil me livrar dessa impressão de que Joshua é onipresente em minha vida.
– Depois eu canto só pra você... Mas agora tenho que encontrar meus amigos. – Eu disse, rondando-o, provocante. Lá estava eu, cutucando o monstro com vara curta novamente. – Até mais – Sussurrei, e saí saltitando em meio a multidão.
Ryan ia arrancar meus olhos e cozinhá-los com pimenta. E claro, se eu sobrevivesse a isso ainda teria que remarcar com Joshua. E se sobrevivesse a Joshua, ainda correria o risco iminente de alguém descobrir um jeito de me matar e fazer parecer um acidente.
Pra quê uma vida normal né Alícia? Isso é para os fracos!
Por falar em Ryan, eu precisava achar meus amigos.
Abri minha bolsinha de mão e tirei meu celular de lá de dentro, digitei rapidamente uma mensagem de texto para Marie e coloquei meu celular no vibra, assim eu o sentiria vibrar quando ela me respondesse.
Dei mais uma olhada ao redor, os meninos eram bastante altos, tinha esperança de ver as cabeçonas em meio a multidão, mas não tive sucesso.
Suspirei, e resolvi me jogar na pista de dança, de qualquer modo Marie ia acabar me respondendo, ou eu ia acabar esbarrando neles por aí.
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PDV do Noah
Ryan estava bastante estranho. Estava avoado, não prestava atenção em nada do que eu dizia ou fazia, a cabeça estava no mundo da lua. Esperávamos as garotas na área de fumantes da balada por quase uma hora já, e eu conhecia a minha magrela o suficiente pra saber que esperaríamos bastante ainda.
– Ta afim de uma cerveja? – Perguntei a Ryan, que apenas se dignou a recusar com um aceno de cabeça.
– Não, cerveja não. Talvez uma garrafa de Vodka. – Acrescentou, suspirando longamente.
Arqueei a sobrancelha, debochando dele.
– Uau, o que não faz uma garota de sangue latino, não? – Soquei-lhe o ombro de maneira brincalhona, mas o olhar que me lançou não era o de alguém que estava afim de brincar. Claro que isso só fazia crescer minha vontade de encher o saco. – “Muy caliente, no?”
– Você devia parar de pensar besteiras e prestar atenção na sua namorada. – Retrucou, carrancudo.
Não achei graça no comentário, não achei mesmo. Eu sou bastante atencioso com a minha namorada, pelo menos ela nunca reclamou.
– O que está insinuando? – Perguntei, meio cismado. Ele não respondeu, apenas voltou a prestar atenção em nada e viajar em meio aos próprios pensamentos. – Pois se quer saber minha opinião, eu acho que Alícia poderia te fazer um bem enorme. Não seja burro que nem eu, não perca meses e meses inventando obstáculo onde não tem.
Silêncio, e mais um suspiro longo.
Dei de ombros e o larguei ali, decidi andar alguns metros e procurar o bar para comprar uma cerveja, talvez meu velho amigo só precisasse de um tempo sozinho pra entrar no clima da festa.
Estava me esgueirando em meio as pessoas para chegar ao bar, fui esbarrado, meu pé foi pisado, tinha gente bem louca já. O som devia estar bem alto já que o chão tremia sob meus pés e as pessoas gesticulavam quando tentavam se comunicar.
Levei quase 10 minutos para chegar ao bar das cervejas (Essa boate tem essa divisão pois até meia noite a cerveja é de graça), e assim que me debrucei sobre o balcão, senti um par de braços me agarrando a cintura, acompanhados do cheiro adocicado do perfume de Marie.
Deixei a cerveja pra lá e virei de frente pra ela, abraçando-a pelos ombros e beijando-lhe os lábios de maneira demorada.
– Nossa, já estava quase montando uma barraca ali na porta pra ver se te esperava até sábado que vem. – Reclamei, beijando-lhe as bochechas, a ponta do nariz, e mordiscando seu lábio inferior em seguida. Eu adorava fazer aquilo, ela fazia uma careta engraçada.
– É meu amor, ficar lindinha assim leva tempo, sabia? – Ela afastou nossos rostos, tocando minhas orelhas daquele jeito que me fazia arrepiar.
– Você é linda até quando acorda 6 horas da manhã, descabelada e de pijama de cachorrinho. Eu tenho essa foto de plano de fundo no meu celular.
– Mentira! – Suas mãos voaram em direção ao bolso da minha calça e arrancaram o celular de lá antes que eu tivesse tempo sequer de piscar. – Noah, eu não acredito! Eu vou dar com esse celular na sua cara!
Ela ficou brava e bicuda, usou os dedinhos ágeis para escolher outra imagem pro plano de fundo, tudo isso em tempo record. Observei suas bochechas corarem, ela é tão branca que não precisava muito pra ficar parecendo um tomate. Eu ri, o que pareceu irritá-la ainda mais.
Se ela soubesse o quanto eu adoro irritá-la! É irresistível cara, ela fica uma graça bravinha.
Claro que quando você vai cutucar a onça de perto, tem que saber como acalmá-la depois.
– Ah, mas eu acho a foto linda, acho mesmo. – Beijei-lhe o maxilar, em seguida o lobo da orelha, e a nuca. Ela estremeceu sob meu toque, mas ainda resistia. Claro que não por muito tempo, eu conhecia a minha ferinha.
– Mas eu não! Eu preciso aprovar todas as fotos minhas no seu celular.
– Ah nem pensar mocinha, eu gosto das espontâneas, e você vai apagar todas elas. – Ela continuava brava, e eu tinha vontade de mordê-la toda por causa disso. – Ninguém vai ver, só eu. Prometo.
Ela ergueu os olhos azuis pra mim como quem busca uma reafirmação, então pisquei pra ela. Muito, mas muito relutantemente, ela devolveu o celular ao bolso traseiro da minha calça.
A puxei pela cintura e beijei-a repetidas vezes, levantei-lhe a blusa alguns centímetros, meus dedos gelados em contato com sua pele a fizeram estremecer.
– Esquece as fotos. – Sussurrei em seus ouvidos, aos poucos ela cedia ao meu charme e se deixava envolver. – Vem, vamos nos divertir.
Peguei uma de suas mãos e a puxei em direção a pista de dança, mas ela não se moveu. Pisquei algumas vezes completamente confuso, mas palavra nenhuma saiu de seus lábios. Ela apenas me olhava como se eu devesse saber de algo que sinceramente eu não fazia ideia do que era.
– Hey, o que foi? – Perguntei, retornando a minha posição inicial.
– Nada... – Ela balançou a cabeça e apertou mais firmemente minha mão. Arqueei a sobrancelha, desconfiado.
– Não, com certeza não é nada. Tem alguma coisa. – Insisti. Ela permaneceu quieta e abaixou a cabeça, então levei minhas mãos ao seu queixo e o ergui delicadamente. – Não faz isso, fala comigo.
Ela suspirou e jogou os cabelos pra trás.
– É besteira minha... Você levantou minha blusa.
Permaneci imóvel, esperando que prosseguisse com o que quer que a estivesse incomodando. Não era esse o problema, não podia ser. Nada mais foi dito, Marie parecia estar disposta a brincar de adivinhação, e eu sou muito ruim nisso.
– É, por dois centímetros, no máximo. – Levei minha mão à testa dela, a coitada não estava dizendo coisa com coisa, devia estar com febre. – Eu sempre fiz isso. Por que de repente é um problema?
– Não é um problema, só me lembrou de uma coisa. – Mordeu o lábio inferior, procrastinando o que quer que tivesse pra me dizer. Parecia sem jeito, chegou a enrubescer novamente. De repente despejou as palavras de supetão, quase sem pausa pra respirar. – Noah, você sente falta de sexo?
Por um momento eu me perguntei se tinha lido seus lábios corretamente. Apenas a encarei por um tempo, estudando sua fisionomia. Os olhos me encaravam cheios de expectativa, e a boca estava contraída numa linha fina. É, ela estava falando sério. E o que eu fiz? Pra variar, eu caí na gargalhada.
Ah cara, não me leve a mal, mas era inacreditável que isso a tivesse preocupando a ponto de chegar a mim e perguntar. Marie foi criada como uma princesa francesa, foi ensinada a ser recatada e jamais falar dessas coisas. O esforço que ela fazia pra tocar nesse assunto era sobrenatural, e isso só tornava tudo ainda mais engraçado.
Eu me curvava sob meu abdômen de tanto rir.
– Noah! Eu estou falando sério! – Ralhou, batendo os pés no chão.
– Eu sei, por isso é tão engraçado.
Não conseguia parar de rir, e ela estava ficando puta de verdade com isso. Não bravinha como costumava ficar sempre que eu a provocava, mas muito brava, brava de verdade.
– Meu amor... – Comecei, ainda entre risos. Segurei seus ombros entre minhas mãos, ela tentou se desvencilhar, mas eu sou mais forte. – Hey, você não tem que se preocupar com isso.
Bufou e cruzou os braços.
– E você quer que eu acredite nisso quando você claramente trata o assunto como se fosse uma piada?
Droga, cada vez que ela abria a boca triplicava a minha vontade de rir. Me contive ao máximo, e respirei fundo algumas vezes. Se ela tivesse qualquer coisa quebrável em mãos agora, com certeza já a teria quebrado na minha cabeça.
Mas eu tinha uma coisa séria pra falar, e eu precisava que ela entendesse muito bem.
– Marie, eu quero você. Só você. – Acariciei-lhe a maçã do rosto, aos poucos a carranca foi se desfazendo, mas o bico de chateação continuava lá. – Eu não tenho pressa, a única coisa que eu quero é que seja na hora perfeita e do jeito perfeito pra você. Sabe porque?
Balançou a cabeça negativamente.
– Por que eu amo você. – E amo mesmo. Pouco me importa que tenhamos tão pouco tempo de namoro, ou as convenções. Não me interessa a teoria das outras pessoas sobre o tempo que se leva pra amar alguém. Essas pessoas nunca amaram ninguém, se já tivessem experimentado, saberiam que o amor acontece em um segundo. Esse segundo pode acontecer rapidamente, ou muito tempo depois, de qualquer maneira, eu me vi apaixonado por ela de repente, sem aviso prévio, por isso defendo minha teoria de um segundo.
Eu simpatizei com Marie desde o primeiro momento, mas não me imaginava com ninguém, não queria ninguém. Ela se tornou minha melhor amiga, e eu juro que não pensava em namorá-la.
Até o dia em que eu a vi correr em direção a um cara semimorto enquanto todos iam no sentido contrário. Ela debruçou-se sobre ele no meio daquela praça e não desistiu dele nem por um segundo. Conversou com ele, doce, calma e sorridente, como se fossem amigos de longa data se reencontrando numa ocasião feliz. E quando o cara morreu, ela desabou em lágrimas, e quase bateu nos paramédicos da emergência quando chegaram tarde demais.
Era alguém que ela não conhecia, um completo estranho.
Ok, foi um pouco mais do que um segundo, mas mesmo assim foi um único momento que mudou completamente a imagem que eu tinha dela. Como eu disse antes, ela foi criada em meio a bibelôs, luxo, glamour, e mesmo assim não tinha nada de arrogante ou prepotente sobre ela. Marie se doava para os outros com uma facilidade até difícil de compreender.
– Você nunca tinha me dito isso antes. – Ela ergueu os olhos pra mim, me encarou sem ao menos piscar.
– É a verdade. – Sorri, e ela sorriu também, um sorriso enorme e maravilhoso que me fez tremer por dentro. Logo seus braços estavam em torno do meu pescoço, e eu a abracei, apertando-a contra mim. – Sua boba, olha as coisas com que você se preocupa. Parece que não sabe que eu só tenho olhos pra você.
– Eu também amo você. – Ela manteve suas mãos em minha nuca, fazendo movimentos circulares com os dedos. Se afastara para poder falar, mas era muito difícil manter o auto controle e não agarrá-la no meio da frase. – Deve ser por isso que eu tenho tanto medo o tempo inteiro.
– Não precisa ter medo. Eu não vou sair daqui. – Fiz questão de enfatizar cada palavra.
– Os médicos deviam estudar você, Noah Manson. – Disse, divertida. – Poucos caras no mundo conseguem ser tão idiotas e maravilhosos ao mesmo tempo.
Eu ri e a tomei em meus braços, tirando-a do chão e beijando-a ternamente.
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PDV da Stella
Eu vou pegar aquela biscate e bater tanto nela que nem a falecida mãe a reconheceria sem um exame de DNA! Quem ela pensa que é? Se fazendo de boazinha e tímida, tomando toda a atenção de Ryan pra ela, e agora da minha banda também!
Eu mal acreditei quando ouvi Ryan anunciar o nome dela pelos auto-falantes espalhados pela praça. Já estava puta por estarem tocando sem mim, mas tocar com aquele filhote de cruz credo já é sacanagem!
Acabei largando meu posto no quiosque de sucos com o pretexto de que precisava levar Joe pra fisioterapia, foi fácil, prometi chegar mais cedo no dia seguinte e me deram permissão para sair. Trouxas.
Assisti ao espetáculo bem ao pé do coreto, escondida em meio a um grupo de pessoas que ali estavam. Torcia pra que algo desse errado, que ela caísse, ou errasse a letra, mas a pilantrinha cantou muito bem. E essa nem era a pior parte. Tinha uma espécie de sintonia perfeita entre eles que pairava no ar, e me fazia querer subir lá e acabar com a festa naquele mesmo instante. A maneira como ele olhava pra ela me deixava louca de raiva!
Ryan nunca me olhou daquele jeito.
Se eu fosse uma perdedora qualquer, aceitaria que o tinha perdido pra sempre ali mesmo. Acontece que eu não sou desse tipo.
Eu vou esperar essa mosca morta baixar a guarda, e aí ela vai se ver comigo!
E foi assim, cega de ódio, que eu segui ela e Marie de volta a república e depois a uma boate próxima ao campus. Era meio decadente, mas a única que tinha nas proximidades, eu já tinha ido lá algumas vezes.
As observava de longe, andando em meio as pessoas que dançavam e se divertiam na boate. Gostava desse lance de espiã, estar sempre a espreita esperando uma chance de acabar com a raça daquela folgada.
Alícia era um alvo fácil demais, só no tempo em que eu as observava, a garota conseguiu se perder de Marie duas vezes. Sorte a dela que a loira estava um pouco mais atenta e quase sempre se encontravam pouquíssimo tempo depois.
Acontece que houve uma terceira vez, e agora parece que as duas se desencontraram de vez.
Encostei-me à caixa de som e observei a certa distância, a garota olhou ao redor em busca de Marie e então rumou para o bar mais próximo. Joshua se aproximou dela minutos depois, o danadinho já devia estar vigiando-a a um tempinho também. Eu não sabia, tampouco me importava, o que raios ele queria com ela, se eram intenções boas ou ruins. O que eu sei é o que meus informantes me contam, e é melhor eu ficar de olho nesse aí também, porque a única pessoa que vai pegar essa latinazinha de jeito sou eu!
Alícia tratou logo de dispensar ele, e eu encarei isso como a minha deixa. Era hora de entrar em ação.
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PDV do Ryan
Noah foi buscar a tal cerveja e nunca mais voltou, as meninas estavam demorando, os outros caras da banda sabe-se lá Deus aonde tinham se metido, aqueles lá adoram um bom rabo de saia. De repente tudo me pareceu estranho demais, nada parecia certo. Eu sei que tenho tendências paranóicas ok? Ninguém precisa me dizer isso.
Eu estava com aquela sensação. Não sei se consigo me expressar bem, mas é como se a noite estivesse estranha e eu não soubesse dizer por que. Alguma coisa não estava certa.
De repente avistei Marie e Noah dançando ao longe, e sinal nenhum de Alícia.
Alguma coisa definitivamente não está certa.
Corri até os dois meio aos trancos e barrancos, esbarrando em todo mundo. Puxei Marie pelo braço num ato quase instintivo e segurei seus ombros com força. A garota me fitava com os olhos arregalados.
– Cadê a Alícia? – Perguntei.
– Hey – Noah me empurrou pra longe dela e parou em frente a mim. – Você vai machucá-la, calma! O que foi?
– Eu, eu não sei. – Balbuciei. – Tem algo estranho, Marie devia ter ficado de olho nela.
A garota segurou meu rosto entre suas mãos e olhou bem pra mim.
– Não pira, ta legal? Eu sei que você quer que ela fique bem, mas não se preocupe, ela ta por aí se divertindo. Logo vamos achá-la.
Balancei a cabeça afirmativamente.
– Me ajudem a procurar, por favor.
Os dois concordaram, e saíram pela direita enquanto eu fui pela esquerda em meio a multidão enlouquecida, a maioria já regada pelo álcool e vai saber que outras substâncias.
Eu sabia que não tinha motivos pra essa tal sensação estranha, mas preferia achá-la logo e acabar com isso.
Rodei a boate toda, mas achar uma baixinha de um metro e meio entre toda aquela gente era praticamente impossível. Mandei uma mensagem de texto no celular dela e me encostei em uma das paredes para dar uma respirada e aguardar a resposta. Eu duvidava que ela fosse ouvir o toque do celular com o som ensurdecedor do ambiente.
Apesar disso, a resposta chegou razoavelmente rápido, pra minha surpresa.
Acontece que não era a resposta que eu esperava. Era uma mensagem estranha que me arrepiou todos os pêlos da nuca.
“Pode rodeá-la e vigiá-la o quanto for, meu caro. Nós podemos pegá-la bem debaixo do seu nariz. “
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