You Only Live Once
4 A viagem.
Notas iniciais
– Emma, acorde estamos atrasados, vá se arrumar. Meu pai disse.
– Ai pai deixa eu dormir mais um pouco estou cansada.
– Você dorme no avião, vamos logo. Ele berrou.
– Que saco! Joguei o lençol pra o lado e fiz um grande esforço pra conseguir ficar em pé.
Levantei, fui tomar banho e me arrumar, não tinha escapatória, eu iria pra Los Angeles de qualquer forma.
Minutos depois já estava pronta, e até agora nenhum sinal de Paul, será que ele não ia vim me ver pela última vez? Talvez ele fosse me encontrar no aeroporto.
Desci pra me despedir de Ruth, estava com muita raiva dela, mas agora estou muito triste por ter que me separar dela.
– Tchau minha menina! Disse ela.
– Adeus, mommy. Era assim que eu a chamava quando não estávamos brigadas.
– Seja um boa garota, e me perdoe por ter dito ao seu pai, só não queria que as coisas fugissem do controle e se tornassem piores, um dia ainda vai me agradecer minha menina.
– Tudo bem, eu não estou com raiva, me mande noticias, certo? Dei um beijo e um abraço bem apertado, iria sentir muita falta das implicâncias dela.
– Vamos Emma, pegue o Chuck, estamos em cima da hora. Meu pai falou me empurrando para a porta.
Peguei o Chuck dentro da casinha de viagem dele, lógico que eu levaria ele, meu melhor amigo, meu amor, meu tudo, nunca o deixaria.
No carro, liguei para Paul, ele ainda não tinha ligado e nem mandado mensagem.
– Alô! Disse ele com uma voz de quem acabara de acordar.
– Paul, cadê você? Pensei que iria comigo até o aeroporto. Falei com um tom que demonstrava que eu estava irritada.
– Oh delicia, me perdoe, mas não poderei ir, tive um probleminha aqui em casa.
– Te odeio sabia? eu estou indo embora e você não tem um pingo de sensibilidade em vim me dar um beijo de despedida. Berrei ao telefone.
– Calma docinho, eu realmente não posso ir agora, vou juntar uma grana pra ir te visitar em L.A. fique tranquila pow.
– Nossa, então terei que esperar deitada, por que se depender de você juntar dinheiro, eu morro até lá. Falei em tom irônico. – Okay, já que você não se importa comigo mesmo, Adeus Paul.
– Olha o drama gata, relaxe qualquer dia apareço na sua nova casa, te amo, vou sentir falta dessa sua bundinha gostosa.
– Vai se fuder seu idiota. Desliguei o celular na cara dele. Como ele consegue ser ridículo, insuportável e irresistível ao mesmo tempo.
Chegamos ao aeroporto e já estavam chamando o nosso voo, fomos correndo para área de embarque, e deixei o Chuck com um homem , que parecia muito mau-humorado, e ficava toda hora puxando a casinha das minhas mãos, deplorável, quase dei uns gritos nele, mas por fim deixei ele levar meu bebê, foi de partir o coração.
Quando entrei no avião, fomos para a nossa poltrona, eu praticamente me joguei nela, a viagem não seria longa, mais ou menos , uma hora e meia. Daria pra suportar o tédio.
– Então o que aconteceu com você e o Paul ao telefone? Perguntou meu pai, com uma expressão que sugeria que estivesse um pouco feliz com a discussão que eu tivera.
– Não aconteceu nada. Falei ríspida.
– Filha, eu to tentando me aproximar de você novamente, mas parece que você sempre coloca um muro à nossa frente, me dê uma chance de ser seu pai mais uma vez, eu sei que nunca devia ter te deixado sozinha em New York, e é por isso que eu estou te levando para perto de mim, quero reparar o erro que eu cometi.
– Eu não sei se um dia eu vou conseguir te perdoar. Tive que me esforçar para não deixar as lagrimas caírem. – Tudo que eu queria era ter um pai e uma mãe presente, uma família de verdade, mas vocês só pensaram em vocês mesmo, o pobre Jack foi mandando para um internato na Suiça, ele é só uma criança, não merece passar por isso sozinho, e eu fui largada em NY com uma babá, se eu pudesse escolher nunca teria escolhido pais tão egoístas como vocês, eu odeio os dois. Nesse momento percebi que estava gritando, e os olhares dos passageiros estavam voltados pra mim, automaticamente me calei, limpei os olhos, as lagrimas tinham descido que eu nem percebi. Meu pai parecia um tanto chocado, ainda absorvendo as palavras que ouvira. – Olha, não é porque eu vou morar no mesmo teto que você, que eu tenha que fingir que esqueci e que está tudo bem, por que não está, então por favor, só fale comigo quando necessário.
Coloquei os fones , virei para o lado e fechei os olhos.
Acordei assustada com a voz do piloto avisando que o avião estava pousando, arrumei os cabelos que estavam uma bagunça, e esperei enquanto pousávamos.
Quando me levantei, senti os outros passageiros me olhando torto, fodam-se todos, não se pode mais ter uma briga de família em paz. Empurrei uma mulher que estava na frente, queria sair logo daquele lugar e pegar meu baby, o coitadinho devia está tão assustado.
– Que demora da porra é essa pai? Cadê minhas malas e o Chuck?
– Calma Emma, parece que ouve um problema, eles estão tentando resolver.
– MEU DEUS. Falei aflita. – Quero o meu cachorro agora.
Uma mulher baixinha, com uma expressão que parecia ter visto um fantasma, nos chamou para uma sala privada.
– Nós sentimos muito, mas as bagagens dos senhores estão perdidas, e não encontramos o cão.
– COMO É? Gritei e me joguei em cima dela.
– Calma senhorita, estamos tentando verificar o que aconteceu, e vamos encontrar suas coisas e o cachorro principalmente. Disse ela
– O que pode ter acontecido? Falou meu pai em um tom muito calmo pra o meu gosto.
– Bom, isso nunca aconteceu, pode ter sido algo com o registro, não sabemos muito bem, talvez as bagagens e o cão estejam vindo em outro avião. Ela parecia bastante nervosa, toda hora mexia as mãos.
– Escuta aqui, se o meu cachorro, não aparecer em uma hora, eu vou armar o maior barraco que esse aeroporto e o mundo já presenciou. Falei em tom de ameaça.
Eu não estou acreditando nisso, meu baby sumiu, acho que vou ter um ataque, to começando a me sentir tonta e sufocada. Não seria uma surpresa eu desmaiar aqui na frente de todo mundo. EU QUERO O MEU CHUCK
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