Notas iniciais
Oi gente!
Fiz essa one faz algum tempo e decidi postá-la hoje.
Estava assistindo o episódio 1x17 e me veio um surto de criatividade.
Espero que gostem!
Enjoy it :*

“– Eu montei essa equipe! – May o cortou, tentando controlar a voz.

- O quê? – Coulson perguntou, sentindo-se zonzo.

-Avaliei o que foi necessário, passei os resultados ao Fury, e ele lhe deu os parâmetros para sua unidade. – Em nenhum momento, a oriental conseguiu desviar os olhos dele.

- O que foi necessário, May? – Ele estava simplesmente incrédulo. Fora traído. E fez questão de deixar a raiva que sentia por isso transparecer no tom de voz e no olhar. Era impossível para May se sentir pior do que estava se sentindo.

-Alguém que pudesse recuperar o seu corpo, um técnico que reprogramasse seu cérebro, e um especialista para me ajudar a abatê-lo, se necessário. – Ela engoliu em seco, não querendo imaginar a possibilidade. — Mas eu não fiz isso pelo Fury, eu fiz isso por você, para proteger você! Eu... — A frase ficou presa na garganta. E ela se sentiu fraca, tola. A visão ficou ainda mais embaçada pelas lágrimas, mas ela não iria chorar. — Você significa muito pra mim. Muito mesmo. Ouvir que você estava morto... Talvez você não acredite em mim, mas essa é a verdade.”

Melinda May passava pelas ruas de Washington D.C, sem realmente prestar atenção em nada. O que estava em sua cabeça era a lembrança de Phil. De como ele vinha tratando-a desde o dia em que descobriu que ela sabia sobre o Taiti. Era mais do que ela podia suportar, por isso partiu. Sabia que isso um dia aconteceria, mas não esperava que fosse tão rápido. Ainda não estava preparada. Sentia-se vazia, como se um buraco negro tivesse sugado tudo de si. Odiava essa sensação. Fazia-a lembrar o que sentira após Bahrain, e como ele estava lá para ajudá-la. Ele sempre esteve lá.

Ela sempre dizia aos outros para não deixar os sentimentos tirarem o melhor de si, e agora? Estava sozinha, não conseguindo segurar as lágrimas por causa de um agente nível 8. Era fraca. Tão fraca que ao menos conseguira dizer que o amava. Não queria ter mentido para ele, mas eram ordens. Acima disso: era para a segurança dele. Se ele soubesse o que havia acontecido, poderia apresentar os sinas de deterioração que Fury havia mencionado. Ela não podia arriscar perdê-lo. Não de novo.

Mas agora o jogo era outro, porque ele havia descoberto, e estava surtando. May sentia medo por ele. Não sabia quem havia encoberto o projeto, e esperava que não fosse ninguém da H.I.D.R.A. Por isso ela estava indo para um cemitério naquela hora da noite. Se Fury havia enterrado a informação para não enterrar Coulson, só podia significar uma coisa. E ela devia isso a ele.

Estacionou o carro em frente ao cemitério e pegou uma pá no banco traseiro. Saiu do veículo e caminhou até o local bem conhecido por ela. Encarou o nome gravado na pedra: “Phillip Coulson”. Como sempre, um arrepio percorreu sua espinha. Mesmo depois de dois anos, mesmo sabendo que ele estava vivo, era um péssimo sentimento. Recordou-se do dia em que lera o arquivo de morte dele. Do dia em que viera ali pela primeira vez, e do quão horrível tinha sido. Respirou fundo, limpando as lágrimas com as costas das mãos e começou a cavar.

Melinda corria pelos corredores da Academia sem realmente ver nada. Estava atrasada para uma aula, e sabia o que acontecia por cada minuto perdido: teria que fazer barras, e ela odiava fazer barras. Foi quando sentiu algo contra si. Não estava realmente prestando atenção.

-Wow, acho melhor ir devagar. – Ela conhecia muito bem aquela voz. Sentiu o coração falhar uma batida.

-Desculpe. – Respondeu baixo, se concentrando em não virar um pimentão enquanto recolhia os papéis que ele segurava antes. – Estou atrasada. — Dizendo isso, entregou-lhe as folhas, saindo. Mas ele segurou seu braço.

-Sem problemas, Melinda. – Ele sorriu, educado. – Cuidado por aí.

Ele continuou o caminho que fazia antes de ser atropelado, mas ela continuou parada ali. Não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Desde o primeiro dia na Academia ela havia reparado no veterano, ele era tudo que as garotas queriam: bonito, educado, inteligente e o mais talentoso de sua turma. Ele se formaria em menos de dois semestres, isso significava que ele era demais pra ela. Mas isso não a impedia de sorrir.

Porque Phil Coulson sabia quem ela era.

May sorriu, lembrando-se das outras vezes que o vira na Academia, correndo por aí com os amigos, rindo, treinando. Quando ela virou uma cadete na S.H.I.E.L.D. estava determinada a não deixar nada nem ninguém atrapalhar seus planos: queria ser a melhor. Contudo, depois que o viu, foi impossível controlar. Quando ela devia estar se concentrando para uma luta, ou estudando para um teste, ele estava lá. Isso a deixava irada. As coisas apenas melhoraram quando ele se formou. Era horrível não poder vê-lo pelos corredores, mas ao menos conseguia se focar, e ela se formou com honras, como era o planejado.

Depois de anos em missões sozinha, ela era uma nível 5. E Fury a colocou em sua primeira equipe. Phil estava lá também. Melinda pensava que a essa altura do campeonato, aquela paixão já tivesse sido esquecida. Fora coisa de adolescente, e ela já era adulta fazia tempo. Doce ilusão. Precisou de menos de uma semana para que ela sentisse uma espécie de baú muito bem trancado se abrir dentro dela e, ao olhar para ele, o coração sempre batia mais rápido.

Mais alguns meses e era possível dizer que May havia se acostumado com a presença dele. Seu coração não acelerava com tanta frequência e ela já se sentia muito mais a vontade perto dele. Tinham se tornado bons amigos, e Melinda percebeu que nunca passaria disso: amizade. Bom, era melhor do que nada, mesmo que isso a fizesse se sentir uma idiota. Coulson nunca percebera os sentimentos dela em relação a ele, e ela se esforçava o máximo para continuar assim. Sabia que ele não queria uma família, nem mesmo uma namorada. E ela não queria estragar as coisas.

Carros da S.H.I.E.L.D. cercavam o perímetro do edifício. Agentes andavam por todo lado. Essa era a maior Comissão de Boas-vindas que ela já vira. Aparentemente, algum psicopata queria matar uma civil, e ninguém sabia o motivo, então a primeira equipe entrou no local, mas não saiu.

-Há no mínimo vinte agentes lá dentro, sendo feito de reféns. Não sabemos o número da força inimiga. – Coulson estava sério. Não era uma situação nada boa, e dois agentes da equipe deles estavam lá dentro. – Precisamos de um agente que entre para descobrir isso.

Ele olhou para May. Nunca havia dito abertamente, mas ela era a melhor da equipe. Não tinha certeza se a queria lá dentro, porque ela era uma espécie de melhor amiga, e era uma missão realmente arriscada. Sentia medo de um dia ficar sem a amizade dela. Porém, ela era a melhor.

-Sem problema. – Ela disse, antes que ele pudesse abrir a boca. – Eu conserto isso.

Pela primeira vez, Phil sentiu-se desconfortável em ter que mandar alguém de sua equipe para uma missão. Melinda caminhou em direção ao prédio, entrando por uma janela. Lá dentro, entrou em um dos tubos de ventilação e começou a subir. Em certo ponto, os tubos não continuavam, e ela se viu obrigada a sair dali. Quando o fez, foi vista por um segundo, e ouviu o primeiro tiro.

Ela não viu com clareza o que fazia, só se defendia. Dava socos, chutes, tiros, e então, não havia mais ninguém em pé além dela. Cerca de quarenta homens estavam caídos aos seus pés. Antes de conseguir pensar a respeito, um grito preencheu o edifício. May correu em direção ao som, subiu um lance de escadas e se viu em uma sala ampla. No meio, um homem grande segurava uma garota que não devia ter mais que quinze anos.

-Meus parabéns. – O desconhecido riu, apontando uma pistola para a civil. – Você luta bem. Pena que foi por nada.

- É a minha vida pela dela.

-Na verdade, é a vida das duas. – Ele sorriu, enquanto outros dois entravam na sala, segurando Melinda.

Ela respirou fundo. Coulson estava confiando nela, e ela não iria desapontá-lo. Não foram precisos mais que trinta segundos para os dois estarem no chão. E nem mais um para o tiro. Ao olhar para frente, Melinda viu a garota caída. E a culpa era dela. Era seu dever consertar o problema, mas ela estragara tudo. E de repente, o maldito homem não estava mais ali. May tentou ir atrás dele, mas uma mão forte segurou seu braço.

-Vamos sair daqui, May. – Era Coulson.

*

- Ela vai morrer. – May disse, com raiva. Estavam no hospital. Coulson se recusara e sair de seu lado. – A culpa é minha.

-Como?

-Achei que poderia salvá-la. Se tivesse feito as coisas certas... Não posso deixa-la morrer!

-Você fez tudo o que podia. Não se pode desfazer o que foi feito, isso vai ficar com você para sempre. – Phil a abraçou de lado, pegando sua mão. – Você saque que esse cara não ia parar até conseguir matá-la. Ela não vai mais sofrer agora. Se você se importa com ela, e eu sei que sim, tem que deixá-la ir. Deixe a garota ir. Ela vai ficar bem.

O céu já estava totalmente claro, e Melinda finalmente havia encontrado a caixa. Sentou-se ao lado dela, deixando as lágrimas caírem. Bahrain era a pior coisa de sua vida. Ela secou o rosto – de novo – com as costas da mão. Não restaria nada dela hoje se Coulson não tivesse a abraçado e dito o que ela precisava ouvir. Ela devia tudo a ele, e nada no mundo poderia quitar essa dívida. E só agora ela percebia que não podia tê-lo traído daquela maneira. Ele merecia saber, mesmo que isso implicasse não querer olhá-la na cara nunca mais.

Phillip Coulson fora a melhor coisa que acontecera na vida dela. E ela o amava mais do que a si mesma. Nunca teria coragem para dizer-lhe isso, e mesmo que muitos anos tivessem passado desde o esbarrão na Academia, ele continuava sendo muito para ela.

As lágrimas cessaram. Ela precisava saber o que tinha na caixa, esperava que isso resolvesse um pouco as coisas. Ela abriu o pequeno fecho, e no meio de muito papel, encontrou um pequeno tubo de metal. Respirou fundo outra vez, saindo do buraco. Ali, um senhor a encarava, curioso.

-Meus pêsames. – Ela disse, saindo em direção ao carro.

Destravou as portas e entrou no veículo. Analisou melhor o tubo, abrindo-o em seguido. Era um pen-drive. Ela pegou o computador no banco ao lado, plugando o objeto ali.

Restrição nível 10. Projeto Taiti. Supervisionado por Diretor Fury”.

-Hill? – Melinda disse. Um vestígio de surpresa e raiva na voz. Ela não esperou saudação da agente do outro lado da linha. – Onde ele está?

*

Suas mãos suavam. As pernas tremiam e o coração estava acelerado. Sentia medo. Medo do que aconteceria quando ele passasse pela porta. Ela era realmente fraca. Deixara que suas emoções tomassem conta dela, mas não se importava mais com isso. Só se importava com ele.

- Eu estava esperando que voltasse. – Coulson disse, sem jeito. Sentia-se péssimo por tê-la tratado daquela forma, mas de algum jeito, Melinda May conseguia fazer com que ele ficasse perdido. Queria abraça-la, pedir desculpas, desabafar. Só não sabia por onde começar. Foi quando se lembrou do envolvimento dela com Ward, e não pôde explicar a raiva que sentiu. – Ward é...

-Eu sei. – O que menos queria era falar naquele Bastardo. – Hill me contou.

Ela o encarou com os olhos cheios d’água novamente, mas não ia se permitir chorar mais uma vez. Ele não parecia querer mata-la, e isso a deixou aliviada.

-Há algo que você precisa ver. – May o levou até o computador, onde o arquivo estava aberto. – Queria saber quem estava atrás do Projeto Taiti? Isso foi tudo o que consegui descobrir.

Coulson não sabia o que sentir. Via a si mesmo na tela, falando sobre e projeto ao qual havia sido submetido. Estava surpreso, assustado, com medo. Melinda não sabia como agir ao vê-lo como estava, por isso, colocou a mão no ombro dele, tentando passar-lhe algum conforto. Quando o vídeo acabou, Coulson estava estático.

-Ah. – De tudo o que queria dizer, isso foi o que conseguiu.

-Me desculpe. – May disse, de repente. Phil a olhou, interrogativo. – Não devia ter escondido nada de você. Mas você é importante demais para mim, e eu não sei se conseguiria sem você.

Ela ia sair do quarto, mas foi interrompida pela voz dele.

-Obrigado. – Quando ela se virou, viu os olhos dele cheios de lágrimas. – Por tudo. Por me proteger. Por fazer as coisas por mim. É mais do que eu mereço.

-Não é. – Os olhos dela estavam cheios de lágrimas mais uma vez. – Eu não estaria aqui se não fosse por você, Phil. Você fez coisas por mim que eu nunca vou conseguir pagar. Eu... – Amo você. – Eu não sei onde estaria agora se não fosse sua ajuda.

Quando percebeu, tinha os braços de Phil envoltos na sua cintura, num abraço apertado.

-Obrigado por ter voltado, Melinda.

- Eu vou sempre voltar por você, Phil. – Ela desfez o abraço, saindo pela porta.

Notas finais
That's all, folks!
Espero que tenham gostado.
E deixar review não mata, né? hu3 ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!