Esme não queria sentar e se acalmar, ela queria que Carlisle parasse de lhe tratar com condescendência e levasse a sério o que ela estava falando. Quando ele voltou da cozinha com um copo de água quase cedeu a vontade de jogar na cara dele e atacar o copo na parede, mas isso não ajudaria em seu caso, então bebeu em goles rápido a água e devolveu o copo.

— Está melhor agora?

— Não! Carlisle... — ela parou e respirou fundo. Precisava se acalmar porque ele continuaria sendo condescendente enquanto ela estivesse histérica. — Sabe quando eu senti isso? No dia em que a Rosalie acabou no hospital. Eu acordei te dizendo que estava com uma sensação ruim e você me disse que era só estresse, que eu devia estar ansiosa pelas meninas e a Rosalie quase morreu! Por favor!

— Eu acredito em você, Esme. Eu acredito. Então, o que você quer fazer?

Esme se levantou do sofá.

— Liga pro Edward e pergunta se está tudo bem, eu vou ligar pra Rosalie.

— O celular da Rose está com a Kate, lembra que a Bella disse ontem no jantar?

— Droga! Ok, então… Eu vou ligar pro Emmett. Isso! A Rosalie estava no Emmett.

— Tudo bem.

— E depois eu ligo pro Jasper, preciso saber que ele está bem também. E você manda o Edward mandar mensagem pra todos pra se certificar que estão bem, ok?

— Certo, vamos fazer isso e vai ficar tudo bem. Primeiro, você se acalma um pouco pra não assustar ninguém com esse tom desesperado.

Esme assentiu e deixou que Carlisle lhe envolvesse em um abraço.

Ela tinha passado os últimos dias com a sensação de que algo ruim aconteceria, mas guardou para si mesma porque: ou diriam que ela estava estressada e precisava relaxar ou poderiam se preocupar com ela, com a possibilidade de qualquer coisa acontecer e ela não queria isso, não agora que toda sua família estava encontrando a felicidade. Mas naquele momento, a sensação ficou ainda pior. Uma sensação ruim se contorcendo no início de seu estômago, uma angústia em seu peito – tinha alguma coisa errada.

Sexto sentido. Intuição feminina. Instinto materno. Esme não se importava em como chamariam, podiam chamar até de besteira mas ela sabia que tinha alguma coisa errada. E só conseguiria respirar direito quando tivesse certeza que estava tudo bem com seus filhos.

…………………………

Rosalie se levantou rapidamente, segurando as chaves com firmeza.

Royce nunca lhe pareceu pior, tão diferente da imagem de perfeito sedutor que tentava passar normalmente. Sua camisa cinza tinha marcas de suor e a calça jeans estava suja. Ele estava suado, com olheiras profundas e seu rosto que parecia mais magro. Seu cabelo, que antes era um de seus maiores charmes, estava mais cumprido e com uma aparência gordurosa, seu cavanhaque parecia que não via um corte há tempos e sua barba tinha crescido desleixadamente por seu rosto.

Ele estava uma bagunça, parecia perturbado e sob efeito de álcool. Não queria chorar e nem sentir medo, mas as lágrimas já desciam por seu rosto e seu coração estava acelerado.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu disse que voltaria por você, querida. Você não está feliz em me ver? — Royce sorriu cinicamente.

— Vai embora — sua voz tremeu. — o Emmett vai voltar e...

Royce a interrompeu com uma gargalhada.

— Mentindo pro seu marido, querida? Tsc, tsc. Eu fiz meu dever de casa, eu sei exatamente que horas aquele filho da puta vai trabalhar e que horas ele volta. Sabe o que eu não planejei, querida? Eu ia te surpreender no carro, mas ai ele desceu e você não... A vida sorriu pra mim. Eu pensei que seria mais difícil entrar nesse prédio de granfino, mas adivinha? Só precisei dizer o nome do advogadozinho e o seu, dizer que não sabia qual era o número do loft e mentir que eu era o Jasper. Então, é aqui que aquele advogadozinho de merda mora? — ele olhou ao redor. — Legal. Quase consigo te entender por ter me trocado por ele, um ticket de refeição melhor. Depois que eu te ensinar uma lição, eu vou revirar esse lugar todo, esse advogadozinho deve ter dinheiro e joias por aqui. Se ele quer foder minha esposa o mínimo que ele pode fazer é pagar por isso.

— Eu não sou mais sua esposa, tenho os papéis de divórcio pra comprovar isso.

— Divórcio? — ele franziu o cenho. — Eu não assinei merda nenhuma.

— É isso que acontece quando você espanca sua esposa, nenhum juiz se importa com a sua opinião. — ironizou.

— E você acha que vai se livrar de mim assim? Você me traiu, estava fodendo pelas minhas costas e ainda se faz de coitadinha?

— Eu nunca te traí, Royce.

— Para de mentir! — Royce gritou e foi na sua direção rapidamente. Antes que ela conseguisse correr, ele estava segurando um punhado de seu cabelo na parte de trás de sua cabeça com uma mão e sua mandíbula com a outra. — Eu te dei tudo e você me traiu! Você me jogou fora como se eu fosse um nada! Como se você e ele fossem melhor que eu!

Rosalie balançou a cabeça, mesmo com a dor em seu couro cabelo e mandíbula. Queria gritar, mas o hálito dele em seu rosto era pura vodca e tinha medo de deixá-lo ainda mais instável então girou as chaves na mão lentamente, colocando-a entre seus dedos.

— Você destruiu a minha vida, Rosalie.

— E você quase me matou. — ela chorou.

— Esse foi o meu erro, eu devia ter te matado quando tive a chance mas eu fiquei com pena. Mas eu não vou cometer esse erro de novo.

As lembranças da surra que Royce lhe deu veio em sua mente como um filme. Se lembrou de como acabou no chão, humilhada numa poça de seu próprio sangue, torcendo pela morte pra toda a dor desaparecer, um desespero subiu no peito de Rosalie. Não ia passar por aquilo de novo.

— Não! — Rosalie gritou e usou a chave no rosto dele; tentou dar um soco em seu olho direito e depois desceu a chave em sua carne como um punhal, como se pudesse rasgá-lo ao meio e foi suficiente pra que ele a largasse com grito de dor, cambaleando pra trás com a mão no rosto.

— Desgraçada!

Rosalie se virou pra dar a volta no sofá e ir na direção da porta, mas Royce se recuperou mais rápido e foi na mesma direção então ela parou ofegante com o sofá entre eles. O coração dela batia tão rápido que podia sentir cada batida em seu ouvido com a adrenalina correndo em seu sangue.

Royce parecia com dificuldade de abrir o olho, tirou a mão do rosto e olhou o sangue nos próprios dedos.

— Você vai pagar por isso, Rosalie.

— Eu não sou mais aquela mulher que aceitava tudo que você dizia, abaixava a cabeça e te pedia desculpas. Sabe o que eu te digo agora, Royce? Vai se foder!

Ela quase sorriu pela surpresa no rosto dele. Surpresa, horror e ultraje. Era quase como se ele estivesse dizendo: quem é você e o que fez com a minha esposa?

— Não antes de você me dar tudo que eu tenho direito. Meu dinheiro!

— Que dinheiro? Você roubou tudo que tinha de valor na nossa casa antes de fugir, você roubou meus cartões e tirou os limites deles, raspou nossas contas, você já me roubou tudo!

— Aquilo mal deu pra pagar o que eu tava devendo e se eu não pagar tudo, eles vão matar, Rosalie.

— Então é por isso que você voltou? Sentiu falta de ter alguém pra te dar dinheiro e te tirar das suas furadas que você se metia? O que foi agora? Alguma dívida de jogo? — Rosalie sorriu debochada. — Você realmente devia sair da cidade, fugir pra bem longe, querido.

— Sua vadia estúpida! — Royce gritou com o rosto vermelho, em fúria. — Eu me casei com você, eu mereço uma parte de tudo que é seu! Eu mereço isso depois de aguentar você, sua família de merda, aqueles seus amigos idiotas! É o meu dinheiro!

Rosalie sentiu suas palavras como um tapa. Quando achava que Royce não tinha mais o poder de feri-la, ele encontrava uma maneira nova.

— Você... Você chegou a me amar em algum momento ou foi só por isso que você casou comigo? Pelo dinheiro?

— Eu poderia casar com qualquer uma, eu te fiz um favor me casando com você e como você me retribuiu isso? Você me traiu e me denunciou, a polícia está atrás de mim!

Ela queria gritar de raiva cada vez que ele falava como se fosse culpa dela, como se ele não tivesse feito absolutamente nada.

— Você me espancou! Você quase me matou!

— Você me fez fazer aquilo! Você queria me deixar e me trocar por outro, eu precisava te dar um corretivo. Você sabe que eu te amo, querida, você é minha e vai ser pra sempre minha mas eu não posso mais confiar em você e nem vou te deixar ficar com mais ninguém, você consegue vê o que você fez? Você não me deixou opções!

— Não! Você passou todos os dias do nosso casamento me esmagando e me enchendo de culpa, eu não vou deixar você fazer isso comigo de novo! Eu não sei se você é doente ou é só um bêbado, viciado em jogo e fracassado, mas eu não me importo! Eu não vou deixar você me culpar por tudo de novo! Vai embora! — Rosalie gritou o mais alto que pode, esperando que alguém no prédio lhe escutasse.

Ofegante, Rosalie sentiu um alívio enorme ao tirar aquelas palavras de seu peito, mas percebeu que talvez tivesse batido em um nervo de Royce quando seu rosto se contorceu de ódio.

Os dois se moveram ao mesmo tempo. Rosalie gritou e correu na direção da escada e foi seguida por ele. Antes que pudesse firmar o pé no último degrau, Royce agarrou sua perna e a puxou pra baixo.

Rosalie gritou quando dor explodiu em seu queixo ao batê-lo na beirada do degrau mas não deixou que aquilo a parasse, girou o corpo e chutou o rosto dele com a perna livre e se livrou de seu agarre; usando as mãos pra se dar impulso, ela continuou subindo.

Correu na direção da porta do banheiro, planejando se trancar lá dentro, sua mão estava no ar, pronta pra alcançar a maçaneta, quando Royce agarrou seu cabelo e bateu sua cabeça contra a porta. O mundo pareceu explodir em dor e sua visão ficou preta por alguns segundos, pensou que fosse desmaiar mas ele a segurou em pé, usando o próprio corpo para prendê-la contra a porta, com a bochecha colada na madeira.

— Eu vou te dar um jeito, é isso que você está precisando. — Royce rosnou ofegante em seu ouvido, empurrando sua virilha contra ela.

Ela quis vomitar com a ideia de tê-lo tocando em seu corpo mais uma vez. Precisava fazer alguma coisa, precisava lutar.

Fingiu fraqueza por alguns segundos, amolecendo seu corpo como se fosse desmaiar pela pancada e ele comprou seu fingimento, passou o braço ao redor de sua cintura e continuou segurando seu cabelo. Antes que ele a jogasse na cama, Rosalie jogou o cotovelo para trás com toda a força que conseguia atingindo em cheio seu nariz, se virou rapidamente quando ele a soltou e acertou o punho fechado no mesmo lugar que seu cotovelo atingiu.

— Sua filha da puta! — Royce gritou e se afastou com as mãos no rosto, controlando o sangramento.

Rosalie correu para a cabeceira da cama e pegou o abajur, puxando com violência para arrancar seu fio da tomada.

— Eu não sou aquela Rosalie que você deixou pra trás, Royce. — Rosalie rosnou ofegante, segurando o abajur como uma arma.

— Bom. — Royce limpou o nariz com o antebraço e cuspiu sangue no chão, então jogou o cabelo grudado no suor do seu rosto pro lado. — Assim as coisam ficam mais divertidas. Não existe prazer nenhum em lutar com uma barata morta.

— Vai embora!

— Embora? Logo agora que estamos começando a nos divertir

O sorriso sádico lhe causou arrepios e trouxe mais lágrimas aos seus olhos. Ela não tinha dúvidas, ele iria matá-la mas Rosalie lutaria até o fim, não iria se entregar tão fácil novamente.

Mas não era idiota, sabia que ele era fisicamente mais forte que ela e perderia uma luta corporal, então precisava pensar porque a sua melhor chance de sobrevivência sozinha era fugir. Precisava que ele saísse do caminho da escada então esperou como um bicho recuado que ele se movesse e lhe atacasse. Era como se algo sussurrasse em sua mente: Espere...

Royce dava passos lentos, como um predador cauteloso antes de dar o bote em sua presa.

Espere…

Coração acelerado. Respiração ofegante. Suor escorrendo por sua testa e suas costas.

Espere…

Quando Royce estava caminhando em sua direção ao lado da cama. Sua mente gritou: Agora!

Rosalie foi pra cima dele e jogou o abajur na direção do rosto dele, passou por cima da cama e correu na direção da escada.

Não soube se foi um erro de cálculo ou se Royce se moveu mais rápido, ela nem teve tempo de registrar o que aconteceu depois, escutou um xingamento — “vadia estúpida” – e todo resto pareceu um borrão. Nada aconteceu em câmera lenta, como nos filmes. Antes que seu pé alcançasse o segundo degrau, ela sentiu um impacto forte em suas costas e seu corpo foi jogado pra frente.

Escutou o próprio grito. O chão pareceu vim na direção de seu rosto. Escuridão.

. . .

Emmett dirigia tamborilando os dedos no volante no ritmo de Viva la vida do Coldplay que tocava no rádio de seu carro e cantando a música animadamente quando seu celular tocou. Parou a música e apertou o botão do bluetooth de seu carro para atender com o alto-falante.

— Emmett Swan. — disse ao atender.

— Emmett? Oi, é a Esme.

— Esme, olá!

— Me desculpe te ligar assim, querido, é que eu sei que a Rosalie dormiu ai com você e ela está sem celular, e eu preciso saber se ela está bem.

— O que? Ela está. Quero dizer, ela estava quando saí, mas já faz um tempinho. Ela ficou tomando café antes de ir pra casa se trocar e depois vai trabalhar, por que?

— Eu sei que pode parecer besteira, é só... Eu estou com essa sensação ruim e eu preciso saber onde a Rose está.

— Não é besteira, Esme. Eu vou ligar na portaria do prédio pra perguntar se ela já saiu e já te ligo, está bem?

— Você é um anjo, obrigada.

Quando ela desligou, Emmett aproveitou o sinal vermelho em que parou pra digitar o número do seu prédio. Depois de uma conversa rápida com o porteiro, ele apertou na tecla para retornar ligação no número da Esme.

— Sim?

— Ela continua no meu loft. Segundo o porteiro, ela está acompanhada, o Jasper está com ela.

Emmett ficou confuso quando o porteiro disse que Jasper tinha aparecido e Rosalie o mandou subir, mas não ficou chateado. Ele era um bom amigo e como um irmão para Rosalie, ficava até feliz que ela não ficasse sozinha, ainda mais depois da ameaça de Royce.

— Jasper? Não, é impossível!

— O que?

— Emmett, eu acabei de falar com o Jasper! — a voz dela ficou mais desesperada. — Eu disse que iria te ligar pra perguntar da Rose, se ele estivesse com ela teria me dito!

Emmett sentiu um arrepio em seu corpo quando gelo pareceu encher suas veias.

— Merda! Merda! — Emmett bateu duas vezes no volante antes de virar o carro rapidamente e fazer um retorno proibido, sem se importar com as buzinas e xingamentos que recebeu.

— Emmett o que está acontecendo? Emmett?!

— Eu não sei, Esme! Eu vou ligar no prédio pra alguém checar e chamar a polícia, eu estou voltando pra casa agora! — precisou desligar antes que ela respondesse porque, com certeza, diria muitos palavrões enquanto dirigia e não queria deixá-la ainda mais nervosa.

. . .

Royce revirava o quarto de Emmett em busca de dinheiro ou qualquer coisa que pudesse vender. Os conteúdos das duas gavetas do criado-mudo estavam no chão e a gaveta na cama, derrubou tudo que estava sobre a superfície, sem conseguir mais que duas correntes e alguns dólares perdidos. Abriu o grande guarda-roupa e tirou todas as roupas das gavetas, derrubou os cabides com seus ternos; aproveitou pra pisar e cuspir em alguns, pensando em como aquele babaca se sentia tão melhor do que ele naquelas roupas. Não via a hora de poder pisar e cuspir nele, não só em suas roupas.

Royce passou a mão na testa pra enxugar o suor, o que não daria por sua garrafa de vodca naquele momento. Pensou em pegar alguma bebida de Emmett, mas ele precisava ficar atento e ter todas suas forças, já que Rosalie agora estava uma gatinha selvagem com as garras afiadas e lutando de volta. Pensou em matá-la ali mesmo no apartamento, deixar aquele presentinho pra Emmett, mas precisaria dela pra conseguir mais dinheiro e não deixaria de experimentar essa nova Rosalie. Ficava excitado só de imaginar como ela lutaria enquanto ele a fodesse ou quando a amarrasse e usasse como quisesse. Talvez até pudesse vendê-la em troca do perdão de suas dívidas.

Voltando sua atenção as buscas e furioso por não achar nada de valor, ele esticou os braços até alcançar uma caixa na última prateleira do guarda-roupa. Foi tirando tudo que não lhe importava e jogando no chão, parou ao abrir um envelope branco e sorrir.

Jogou a caixa no outro lado do quarto e tirou do envelope as notas de cem dobradas ao meio e presas com um elástico, contando rapidamente e guardou os mil dólares no bolso.

— Merda! Filho da puta inútil — rosnou. O que ia fazer com mil pratas? Não ia conseguir nada com essa merreca. — Onde você guarda as suas joias e dinheiro?

—

https://www.youtube.com/watch?v=kwoJTtqsDPg

9 crimes – Damien Rice

O mundo era uma mistura de dor e confusão.

Foi tentando abrir os olhos lentamente, mas estava tudo embaçado e sua cabeça estava latejando demais, tudo que queria era ficar com os olhos fechados, deitada daquele jeito. Se ficasse parada, sem se mexer um centímetro se quer então não sentiria dor nenhuma. Mas algo lhe dizia para abrir os olhos – abra os olhos, levanta, foge.

Tentava organizar seus pensamentos e lembrar do que tinha acontecido. Era tudo uma névoa confusa, mas ela se lembrou de Royce. Tinha pedido o divórcio e ele surtou, avançou sobre ela. Ele tinha lhe machucado. Não tinha do que fugir, Royce tinha lhe deixado ali pra morrer. Não conseguia se mexer nem gritar por ajuda, morreria e seu corpo ficaria ali até que alguém sentisse sua falta.

Mas ela lembrou de um quarto de hospital e sua mãe passando a mão em seu cabelo, dizendo que não era sua culpa. Pediu que Emmett desse entrada nos papéis de seu divórcio. Rosalie fechou os olhos, ainda mais confusa.

A mesma sensação que lhe dizia pra se levantar e fugir, lhe dizia pra não fazer nenhum barulho e ela obedeceu.

Estava no chão de sua casa? Seu coração estava acelerado. Tentou usar seus braços pra se levantar, mas só conseguia mexer o que estava na frente de seu rosto e o outro doeu mais do que ela esperava então continuou no chão. Mas aquele chão não era o de sua casa. Aqueles moveis não era os da sua sala.

“Eu não sou mais casada, Emmett. E eu só consigo pensar em você porque você é a minha primeira opção.”

Estava no apartamento de Emmett. Tinha passado a noite com ele. Mas ele não tinha lhe machucado, ele nunca lhe machucaria.

— Merda! Filho da puta inútil. Onde você guarda as suas joias e dinheiro?!

Rosalie congelou. Royce. Ela podia reconhecer a voz cheia de fúria dele mesmo com seus pensamentos confusos.

“Isso não é maneira de receber seu marido, ainda mais depois de passar a noite com outro homem, querida.”

Rosalie tentou controlar sua respiração, mas foi ficando cada vez mais arfante. Ele estava procurando dinheiro nas coisas de Emmett e quando acabasse, acabaria com ela. Ele tinha lhe empurrado da escada, estava óbvio que ele não iria poupá-la dessa vez, iria matá-la quando tivesse a chance, mas ela não lhe daria essa chance.

Levanta e foge sem fazer nenhum barulho.

Com lágrimas ardendo em seus olhos, Rosalie escutou os barulhos que Royce fazia na parte superior do flat. Estava revirando as coisas de Emmett, procurando dinheiro e coisas de valor que pudesse vender.

Ela parou pra pensar por alguns segundos – a porta devia estar apenas encostada então só teria que se levantar e sair sem fazer barulho, com sorte conseguiria chamar o elevador e fugir. Alguns poucos metros, conseguiria fazer isso.

Respirou fundo contra o chão e usou apenas um braço pra se impulsionar pra cima, apertando os lábios pelo gemido de dor. Mordeu o lábio inferior com força pra abafar o pequeno soluço de dor quando foi apoiar o joelho no chão pra se levantar. Supôs que na hora da sua queda tinha batido o joelho com força no chão e colocado os braços na frente pra tentar proteger seu rosto, mas ainda assim tinha batido a cabeça, seu sangue estava no chão e sentia o líquido pegajoso em sua testa, escorrendo na lateral pelo jeito que ficou contra o chão. Se arrastaria se fosse preciso, mas sairia dali viva.

Manteve um braço dobrado junto ao peito como se estivesse com uma tipoia ao se levantar – além da dor no ombro, tinha machucado seu cotovelo ao ponto de não conseguir esticar o braço e o seu pulso também. Ignorando a dor nos joelhos e olhando pra cima, pra se certificar de que ele não estava olhando pra baixo, ela mancou na ponta dos pés pra ser silenciosa na direção da porta.

Sua mão tremia quando alcançou a maçaneta da porta, girou lentamente pra abrir a porta e tentou puxar. A porta estava trancada. Royce devia ter trancado enquanto ela estava no chão. Seu coração disparou novamente, junto com a sua respiração.

Rosalie olhou pra trás, procurando no chão a chave extra que tinha usado pra arranhar o rosto dele. Não estava mais lá.

— Procurando por isso querida?

Ela se assustou com a voz de Royce e se virou pra vê-lo descendo as escadas com a chave na mão, agitando-a no ar com um ar vitorioso e debochado. Rosalie agitou a cabeça enquanto seu rosto se contorceu em uma careta de choro, desespero.

Mas ela não estava pronta se render ainda. Seus olhos desviaram de Royce por um segundo e encontraram o interfone, e ele entendeu o que ela pretendia fazer. No mesmo momento que ela esticou o braço pro interfone, ele correu na sua direção. Ela só teve tempo de tirar o aparelho do gancho e resvalar o dedo no botão que ligava diretamente na portaria quando Royce jogou seu corpo contra o dela como se quisesse atropelá-la, o interfone caiu de sua mão e Rosalie gritou de dor pelo seu braço ferido ao ser jogada contra a porta.

— Socorro! — ela gritou ao mesmo tempo em que esticava o braço pra tentar alcançar alguma coisa da cozinha de Emmett, qualquer coisa que pudesse usar contra ela.

Royce agarrou seu cabelo e tentou lhe arrastar para longe da porta, mas ela lutou contra sua mão ignorando qualquer dor, sentindo seus dedos esbarrar alguma coisa. Não conseguiu saber o que era, só continuou tentando alcançar e gritou novamente esperando que alguém da portaria tivesse atendido o interfone, escutariam sua voz, os barulhos de briga, saberiam que era do flat de Emmett e mandariam ajuda. Ele tentou calar sua boca usando o corpo para prendê-la contra a porta, mas ela conseguiu mordê-lo e sentiu seu a ponta de seus dedos tocar em alguma coisa.

— Sua vadia!

Royce usou a mão que ela mordeu para segurar sua mandíbula com força e bater sua cabeça na porta com força. Rosalie gritou e conseguiu alcançar o objeto que sua mão tocou, puxou a alça com força – naquele momento não era uma jarra da cafeteira, era apenas algo pra usar contra Royce – sem pensar que a jarra de vidro estava cheia e podia respingar nela, bateu com força contra a cabeça de Royce e virou o rosto.

Ela não soube se ele gritou pelo vidro quebrando contra seu crânio ou pela bebida quente em sua pele, mas foi o suficiente pra que ele saísse de cima dela por alguns segundos. E ela nem teve tempo de sentir a dor do líquido quente caindo em sua mão ou respingando nela, largou o pedaço quebrado da jarra e tentou fugir pro outro lado, mas Royce lhe agarrou pelo pescoço.

— Estou farto de você! — Royce gritou e a empurrou contra o balcão, apertando o pescoço dela com as duas mãos. — E eu vou acabar com você com as minhas próprias mãos!

Rosalie tentou gritar, mas o barulho não pareceu mais do que o som de um animal ferido.

Ela não conseguia respirar, não conseguia tossir, não conseguia falar. Tudo que saia de sua boca era murmúrios incompreensíveis, sua tentativa de gritar por socorro ou dizer o nome dele e implorar por sua vida.

A pressão crescia em sua cabeça como se todo o sangue estivesse subindo para seu cérebro e fosse explodir. Quando não conseguiu soltar a mão dele ou bater em seu rosto, ela começou a se inclinar para trás e esticou o braço ao ponto de sentir seu ombro prestes a deslocar, apalpando o balcão pra procurar algo que pudesse usar contra ele novamente.

— Eu podia fazer isso ser rápido, mas eu quero te ver sofrer e sentir a sua morte chegar pelas minhas próprias mãos.

E ela sentia. Sua visão começava a escurecer com pequenos pontos de luz piscando ao redor. A voz de Royce ficava cada vez mais distante. O apartamento todo se tornou um borrão que parecia estar se mexendo. Os segundos se arrastaram e pela primeira vez ela teve a impressão estar em câmera lenta. Ela tinha certeza que perderia a consciência e depois morrer.

Lágrimas desceram pelo rosto de Rosalie, lhe desesperava saber que o sorriso sádico de Royce seria a última coisa que veria na vida. Não era assim que devia ser. Não agora que estava sendo feliz novamente.

Emmett. Era o rosto dele que ela queria ver antes de morrer, seria a versão idosa dele após passarem uma longa vida feliz juntos. Quando pensou que desmaiaria seus dedos alcançaram algo. Rosalie fechou os olhos e abriu a boca, teria saído se conseguisse falar e pegou o talher.

Quando enfiou no pescoço de Royce com toda a força que conseguiu, no mesmo instante que ele a soltou e Rosalie caiu mole no chão.

Ela não sabia se tossia ou se respirava, seu pulmão parecia desesperado pra fazer os dois ao mesmo tempo. Com os olhos fechados, tossiu com tanta força que sua garganta doeu e respirou profundamente várias vezes.

Esperou que Royce revidasse com um chute, como ele sempre fazia quando ela estava no chão, mas o golpe nunca veio. Quando escutou o barulho de algo metálico cair no chão, Rosalie abriu os olhos. Uma pequena faca de prata ensanguentada.

A faca de aparência inofensiva que ela estava usando em suas torradas. A faca que ela tinha deixado sobre o balcão. A faca que ela tinha enfiado no pescoço de Royce. Ela ergueu a cabeça pra ele, arfando de surpresa.

Os olhos de Royce estavam arregalados, inundados de surpresa e incredulidade. Ele tinha sido idiota suficiente de retirar o objeto que poderia controlar o sangramento então tentava tampar a ferida e controlar o sangue com as mãos no pescoço, mas não conseguia. O sangue já ensopava suas mãos e escorria por seu braço, pingando no chão. Dessa vez, ele não conseguia falar, tudo que saia de sua boca eram barulhos estranhos que se assemelhavam aos de alguém se engasgando, se afogando e tentando respirar – ao mesmo tempo.

Ele se virou e olhou ao redor. Ela não conseguia tirar os olhos dele, nem conseguia piscar. Teve a impressão que Royce quis andar na direção da escada, mas trombou na parede e caiu de joelhos.

A perda de sangue e a falta de oxigênio deviam estar deixando sua visão turva, as paredes e até o chão deviam estar se movendo diante seus olhos, ele devia estar sentindo o desespero de saber que perderia a consciência em breve. Rosalie conhecia muito bem a sensação, tinha sentido tudo isso quando ele apertou seu pescoço e ela não se orgulhava do pequeno prazer que sentia ao vê-lo provar do próprio veneno.

Royce se mexeu no chão tentou se erguer mas acabou sentado no chão e olhou na direção dela como se pedisse ajuda. Rosalie não se levantou nem tirou os olhos dele, ela arrastou a bunda no chão e deslizou para trás até que suas costas encostassem no balcão da cozinha. As lágrimas se acumularam em seus olhos e ela nem precisou piscar pra que elas descessem por seu rosto, elas transbordaram sozinhas. Fechou os olhos quando Royce esticou o braço e a mão ensaguentada na sua direção.

Ela não conseguia mais assistir, fechou os olhos mas continuava escutando os barulhos, aquela mistura horripilante de engasgo e afogamento que ela duvidava que algum dia fosse esquecer.

“Eu quero te ver sofrer e sentir a sua morte chegar pelas minhas próprias mãos” Royce tinha dito mas naquele momento os papéis tinham se invertido e ela não conseguia se obrigar a ser superior pra tentar fazer o contrário. Não conseguia se mexer. Não conseguia ajudá-lo. Ela não queria matá-lo, ela só não queria morrer. Ela só queria se proteger. Só queria ficar livre desse pesadelo de uma vez por todas e ser livre. Não tinha prazer no sofrimento alheio, só queria poder ser feliz sem ter que ficar olhando por cima do ombro esperando que a qualquer momento alguém chegasse para matá-la ou pior, ferir alguém que ela amasse.

Manteve os olhos fechados, talvez fosse tudo um pesadelo. Talvez ainda estivesse no chão, desacordada. Talvez nada daquilo estivesse acontecendo e Royce ainda estivesse bem, pronto para matá-la.

Quando alguém tocou seu braço, Rosalie gritou e tentou se afastar desesperadamente.

— Não! Não, não, não! Não! Não!

— Rosalie, sou eu! Abre os olhos, baby, sou eu!

Ofegante, Rosalie parou de se debater ao reconhecer a voz de Emmett e virou o rosto para ele, que estava ajoelhado ao seu lado.

— Está tudo bem, sou eu.

— Ele... Tentou me matar — Rosalie soluçou. — Eu não... Eu só... Não queria... Morrer.

— Está tudo bem, você está bem.

Emmett passou os braços ao redor de seu corpo e lhe puxou para um abraço. Rosalie se agarrou a sua camisa e enterrou o rosto em seu peito, respirando seu cheiro masculino. Nos braços dele, ela se sentiu segura.

Emmett estava ali, agora ninguém poderia machucá-la. Estava salva.

— Chama uma ambulância!

Escutava Emmett rosnar as ordens, mas não se importava com nada. Não queria sair dos braços dele, seu abrigo.

— Já chamamos. E a polícia. Meu Deus, ele está morto.

Rosalie se enrijeceu, apertando os olhos e a mão na camisa de Emmett, que sentiu sua reação.

— Não toca em nada! Espera lá fora! Ninguém entra, ninguém sobe nesse andar!

Ele está morto. Royce estava morto. Nunca tinha sentido uma sensação de alívio tomar seu corpo daquela maneira. O sentimento relaxou todos os seus músculos e soltou o laço de angústia que apertava seu coração. A mão de Royce tinha saído de seu pescoço minutos antes mas agora ela sentia que a mão invisível que pairava sobre ela esperando pra atacar a qualquer momento tinha lhe libertado também, podia respirar novamente.

Estava livre. Um pequeno soluço escapou de seus lábios com aquele reconhecimento. Estava livre pra sempre.

E então Rosalie quebrou no choro que fazia seus ombros tremerem.

— Está tudo bem, está tudo bem. — Emmett sussurrou carinhosamente e beijou o alto de sua cabeça. — Vamos, baby, eu vou te tirar daqui.

Duas viaturas da polícia e uma ambulância já estava esperando na porta do prédio, e os paramédicos já estavam com a maca retrátil prontos para subir quando Emmett saiu do elevador carregando-a no colo. Ele a deitou cuidadosamente e a mulher da equipe se aproximou.

— Qual o nome dela?

— Rosalie. Rosalie Cullen.

— Não me deixa sozinha, por favor. — Rosalie pediu nervosamente segurando seu braço, sua voz saiu tão rouca que parecia outra pessoa falando.

— Eu não vou a lugar nenhum que não seja te acompanhando, eu prometo. Só vou dar espaço pra paramédica trabalhar, está bem? Ela é minha namorada, eu vou com ela, eu só preciso avisar na portaria pra que guardem meu carro, só um minuto.

— Claro.

Rosalie sentiu os pequenos solavancos quando empurraram a maca em que estava deitada dentro da ambulância, mas permaneceu de olhos fechados enquanto ela checava seus sinais, os abriu apenas quando ela usou uma pequena lanterna pra checar suas pupilas. Gemeu de dor quando ela tocou seu braço, que ainda estava junto ao peito.

Não muito depois Emmett entrou, sentou no lugar do acompanhante e pegou sua mão. Bateram a porta da ambulância e eles foram para o hospital.

— Eu vou ligar pra sua mãe e avisar que estamos indo pro hospital.

Rosalie abriu os olhos com um suspiro cansado.

— Eu não quero deixá-la preocupada.

— Tarde demais. Sua mãe já estava preocupada antes mesmo de me ligar pra avisar que sentia que algo estava errado com você, foi isso que me fez voltar.

— Ok. Emmett?

— Sim, baby?

— Eu vou ser presa?

— O que? Não, claro que não! Você tinha uma ordem de restrição contra o Royce por agressão e tentativa de homicídio, o que quer que tenha acontecido no meu loft foi legítima defesa, Rose. E eu conheço um bom advogado que não vai deixar que você passe nem uma hora sequer na cadeia, eu te prometo, confia em mim.

Rosalie assentiu e abriu um sorriso cansado, ela confiava nele.

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Do momento em que chegou ao hospital até ser transferida para seu quarto, tudo pareceu passar como um borrão e ela não tinha forças pra reagir a nada, estava cansada demais – física e mentalmente. Por sorte tinha Emmett ao seu lado pra responder as perguntas da equipe médica e garantir que estavam fazendo o melhor pra ela. Ele permaneceu ao seu lado, repetindo o tempo tudo que ficaria bem e era naquilo que ela focava, na voz de Emmett.

Ela continuou calada e apática durante todo o processo. Fizeram raio-X em seu braço, costelas e cabeça; administraram medicação para dor; imobilizaram seu braço por causa das luxações no pulso, cotovelo e clavícula – podia ter sido pior, alguém lhe disse enquanto imobilizavam, é uma sorte não ter fraturado nada, mas ela não via como nada daquilo podia ser considerado sorte, sorte seria nunca ter conhecido Royce; limparam e colocaram curativos nos ferimentos de seu queixo, que ela nem se lembrava mais, e outro no da sua cabeça; conectaram um pequeno soro com mais medicação no seu acesso e deixaram pra gotejar lentamente então a levaram pro quarto, onde seus pais já lhe esperavam.

Depois que a passaram pra cama, Emmett se aproximou e pegou sua mão.

— Agora que seus pais estão aqui eu vou sair e cuidar de tudo, está bem? — ele sussurrou perto de seu rosto. — Você não se preocupa com nada, apenas em ficar bem e se recuperar.

— Tudo bem.

Ele beijou sua mão, sua testa e então sua boca, deixando os lábios sobre os seus por alguns segundos.

— Emmett. Muito obrigada, obrigada por salvar o meu bebê! — Esme disse, chorando.

— Eu não fiz nada, Esme. A Rosalie foi incrível e mais forte que qualquer um de nós, ela não precisou de mim pra salvá-la.

Esme abraçou Emmett de qualquer maneira e Carlisle bateu em seu ombro antes que ele saísse do quarto, então Esme foi pro lado da filha e pegou sua mão.

— Minha bebê, eu fiquei tão preocupada, meu deus.

— Eu estou bem agora. — Rosalie tentou garantir com sua voz sonolenta.

— Eu sei, você é forte. Você é tão forte, Rose, mas eu não queria que você tivesse que passar por tudo isso. Eu trocaria de lugar com você se pudesse.

— Vai ficar tudo bem agora. — Carlisle disse confiante, do outro lado da cama, acariciando seu cabelo com cuidado.

— Royce está morto. — Rose disse sem emoção. — Eu matei o Royce, pai. Eu... — ela parou quando o choro embargou sua voz. — Ele ia me matar, ele estava me sufocando e eu... Enfiei a faca...

— Shhh, está tudo bem, querida. — Esme beijou sua mão. — Você fez o que tinha que fazer pra sobreviver, Rosalie, nada disso é sua culpa.

— Você estava se defendendo e lutando pela sua vida — seu pai completou. — Se eu estivesse no seu lugar e tivesse que escolher entre a vida do Royce ou a sua, teria feito a mesma coisa, nós estamos muito orgulhosos de você, filha.

Sorrindo, Esme enxugou as lágrimas do rosto da filha.

— Tenta dormir um pouco, Rose. — Carlisle disse suavemente. — Você passou por muita coisa hoje, precisa descansar.

Rosalie assentiu com os olhos fechados, não seria muito difícil dormir com a medicação lhe deixando sonolenta.

—

Quando ela acordou novamente, Emmett estava com a mão sobre a sua e sorriu como se vê-la acordada fosse a melhor coisa que ele podia ver naquele dia.

— Ei. — Rosalie sussurrou com a voz rouca. — Estou com sede, pode me dar um pouco de água?

— Claro.

— Os meus pais?

— Edward convenceu os dois a irem comer alguma coisa.

— Bom.

Emmett ergueu a parte superior da cama pra que ela ficasse sentada e lhe deu o copo de plástico cheio de água. Ela bebeu lentamente e devolveu o copo.

— Não, deixa a cama assim um pouco, eu não quero deitar.

— Ok. — Emmett sentou novamente, deixando a mão sobre a dela, na cama. — Você está se sentindo bem? Alguma dor?

— Não, eu estou bem. E cadê meu irmão?

— Ele te visitou enquanto você estava dormindo e depois foi com a minha irmã, o Jasper, Jacob, Leah, acho que foi todo mundo pro meu loft juntar as minhas coisas e as da Bella.

— Juntar suas coisas por que?

— Eu não posso mais morar lá, então estão começando a juntar minhas coisas. Vão pegar minhas roupas e coisas do trabalho, que é o que eu preciso pra me mudar pra um hotel e, quando eu achar um lugar fixo, eu levo o resto das coisas.

— Por que você vai se mudar? — Rosalie franziu o cenho. — Você foi expulso do prédio por minha culpa?

— Claro que não, é só... Eu não acredito em assombração, mas eu acredito em energia positiva e negativa, então depois de tudo que aconteceu lá, eu... Eu não gosto da energia do lugar, você entende o que eu quero dizer?

— Entendo. É o mesmo motivo que eu não consegui voltar pra minha casa, vendi e voltei a morar com os meus pais.

— Exatamente. Então eu vou vender o meu loft e arranjar outro lugar pra morar, a Bella vai ficar com o seu irmão enquanto isso.

— Aposto que o Edward ficou feliz com essa parte. — brincou, erguendo uma sobrancelha.

Emmett riu.

— Com certeza, era o que ele mais queria né, minha irmã morando com ele. Eu espero que você me viste muitas vezes e não quero você se lembre de tudo que aconteceu a cada visita, então outro lugar vai ser bom pra todo mundo.

Rosalie sorriu preguiçosamente por causa da medicação.

— E como estão as coisas? Com a polícia, quero dizer.

— Eu estou cuidando de tudo, como eu te disse que cuidaria. Eles vão precisar tirar umas fotos dos seus ferimentos e vão tomar o seu depoimento, mas está tudo bem, todo mundo sabe o que aconteceu, nada vai acontecer com você. Acabou, Rose, você está livre.

Rosalie respirou fundo e soltou o ar lentamente.

— Meu ex-marido está morto por minha causa e eu estou me sentindo aliviada, eu sou uma pessoa ruim por isso?

— Claro que não! Eu estou aliviado por isso, todo mundo está aliviado com isso.

— Você não pensa menos de mim por isso?

— O que? — Emmett se levantou e se aproximou da cama. — Não! Eu te admiro cada vez mais, Rosalie. Tudo isso só me fez te amar ainda mais.

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Save Me – Hanson

— Você... Me ama?

— Eu nunca tinha te dito antes, né? Ok — Emmett riu, constrangido. — Não foi assim que eu imaginei me declarando pra você, não é um lugar muito romântico, mas eu te amo. Eu comecei a me apaixonar por você no primeiro dia em que eu te vi, tão linda e tão gostosa naquela calça jeans.

Rosalie riu com os olhos cheios de lágrimas.

— Eu tentei e tentei tirar você da minha mente, mas continuou lá e conhecer você só aumentou meus sentimentos. A maneira como você ama a sua família e seus amigos, a maneira como você ajuda as mulheres que passaram pela mesma situação que você, sua força e coragem... É impossível não se apaixonar por você. Seu rosto e seu corpo podem ter atraído meus olhos, mas você ganhou meu coração. Meu coração é todo seu e eu amo você.

— Quando o Royce estava apertando meu pescoço e eu tinha certeza que ia morrer... Eu fiquei com tanto medo de que o rosto do Royce fosse a última coisa que eu veria na vida, eu queria que fosse você. Eu queria ver seu rosto... Mas numa versão mais velha. — ela sorriu com as lágrimas descendo pelo seu rosto.

— E vai ser assim, se depender de mim. Eu não sou ele, eu nunca vou te tratar como ele te tratou, você não é minha propriedade mas eu serei seu pelo tempo que você me quiser, Rosalie. E eu vou me esforçar todos os dias pra isso durar por muitos e muitos anos porque eu quero tudo com você.

— Mas você precisa saber que talvez eu não possa te oferecer esse... Tudo.

— Do que você está falando?

— Eu estava tentando ter filhos e não consegui, talvez eu não possa ter filhos, Emmett.

— Talvez o problema fosse com o Royce.

— Ou comigo, você precisa ser realista.

— Podemos adotar uma criança.

— Eu não quero tirar de você a chance de ter um filho biológico, eu não quero tirar de você a chance de ter tudo que você quer, Emmett.

— Podemos fazer tratamentos de fertilidade, usar uma barriga de aluguel ou adotar uma criança. Vamos dar um jeito quando chegar a hora e essa criança será nosso filho de qualquer maneira, não importa de que forma entre na nossa vida. — sem soltar sua mão, Emmett se inclinou sobre ela e colou suas testas. — Vamos deixar para nos preocupar com isso quando chegar a hora e não por antecipação, temos tempo. Mas Rose, você não está tirando nada de mim porque eu só preciso de você, todo resto é um bônus que eu ganho estando com você.

Rosalie ergueu o rosto um pouco e o beijou.

— Meu coração é seu também, Emmett.

O sorriso dele era a melhor coisa que Rosalie veria naquele dia, ela tinha certeza disso.

— Eu era tão arrogante, sabe? — ele disse fazendo carinho em seu cabelo. — Passei tanto tempo pensando que eu te salvaria, mas eu estava errado. Você nunca precisou de mim pra te salvar, você se salvou sozinha. E enquanto fazia isso, você me salvou também.

Rosalie franziu o cenho.

— Eu te salvei?

— Antes de você aparecer eu estava sozinho e perdido, você me deu propósito. Mesmo se a gente não terminasse junto, eu ainda seria uma pessoa completamente diferente depois de você porque eu procuraria alguém que me fizesse sentir o que você me fez se sentir.

— Você está certo numa coisa, eu não preciso de você. Se teve uma coisa que tudo isso me mostrou é que eu sou suficiente, eu não preciso de ninguém pra me completar ou pra realizar meus sonhos, mas eu quero você. E eu quero ter sonhos novos e realizar com você.

— Viu? Você vai continuar me salvando todos os dias me dando algo pelo que lutar, realizar seus sonhos e amar você.

Os dois sorriram antes de se beijar. Rosalie tinha passado tanto tempo idealizando a vida perfeita e feliz que tinha esquecido de viver e ser feliz, mas não cometeria aquele erro novamente. E aquele beijou selou a promessa do novo começo que teriam juntos.