Harry’s POV.

- Você é um merdinha, nunca vai ser nada. — Disse meu pai, aos berros, enquanto eu fazia minha mala. — Muito obrigado! O senhor me incentiva muito, pai. — Ironizei. Ele virou as costas e bateu a porta. Parei de enfiar roupas dentro da mala e sentei na beira da cama, pondo as mãos no rosto. Revolta, essa era a palavra. Quando menor, não entendia o fato do meu pai viver trancado no escritório com pilhas de planilhas à sua volta e mal parar para comer e dormir. Eu sabia que era o trabalho dele, mas conhecia alguns garotos que também tinham pais donos de empresas e muito ocupados, mas sempre arrumavam tempo para viajar, jogar bola com os filhos e levar a esposa pra passear. Meu pai sempre foi vidrado no serviço. Hoje eu entendo que ele é doente e precisa de ajuda psiquiátrica. Terminei de fazer as malas e desci as escadas da sala de estar. Minha mãe estava lá, aos prantos.


- Mamãe, não fique assim. Vou morar duas quadras daqui, na casa do Dougie. Você pode me ver sempre que quiser.

- Não, aqui eu sei quando não está bem e posso cuidar de você. Lá você vai comer aquelas bobagens de Fast Foods e dormir tarde tocando aquela bateria barulhenta. – Falou, me abraçando.

- Eu já tenho vinte anos. Sou bem grandinho, não acha?! – Apoiei meu queixo no topo de sua cabeça e beijei sua testa. – Agora me deixe ir, o Dougie está me esperando.


Quando consegui me desvencilhar do abraço de minha mãe, fui até minha Yamaha YBR 125 preta. Quando subi na moto, olhei para trás e avistei meu pai como um soldado na porta. Liguei-a e, mesmo com o barulho do motor, ouvi meu pai gritar “Irá se arrepender, Harry. Você não é mais bem vindo aqui”. Aquelas palavras causaram um impacto mais forte do que eu imaginei que causaria. Elas ficaram martelando em minha mente. Deixei escorrer uma lágrima. Lembrei do dia em que minha mãe estava em trabalho de parto, prestes a dar a luz ao segundo filho que morreu logo em seguida. Minha mãe estava muito mal e eu era bem pequeno, fiquei com medo de perdê-la. Foi a primeira vez que fiquei totalmente sozinho com meu pai, eu chorava muito. Quando ele perdeu a paciência com meu choro, me pegou pelos braços, sacudiu-me e gritou “homens não choram”. Desde então eu sempre evitei chorar, mas hoje foi inevitável. Decidi sair de casa pelo jeito autoritário de meu pai. Desde que nasci ele só me vê como seu herdeiro, não como seu filho. Para ele, eu não tenho querer. Quando completei doze anos ganhei meu primeiro violão da mãe de um amigo. Quando aprendi a tocá-lo, passei a dizer a todos que queria ser músico quando crescesse. Meu pai ficou louco quando ouviu isso. Sempre sonhou que seu filho fosse seu reflexo no espelho. Pois bem, não sou. E foi por isso que decidi sair daquele hospício. Não ligo pra gorda conta bancária de meu pai. Quero ter o suficiente pra viver bem. Quero ter mulher e filhos e dar a devida atenção a eles, atenção que eu e minha mãe nunca recebemos do Sr. Judd.


Cheguei à casa de Dougie, meu melhor amigo. Iria morar lá até ter condições de morar sozinho. Toquei a campainha e demorou até alguém me atender, só atenderam depois de uns cinco minutos. Mas aquela pessoa, definitivamente, não era o meu melhor amigo. Ela era loira, tinha pele clara, olhos azuis e um sorriso lindo. Acho que cheguei a babar, não sei. Quando dei por mim, estava boquiaberto mergulhando no azul de seus olhos. Estava tão hipnotizado por seus olhos e sorriso que nem reparei que ela atendeu a porta de calcinha e sutiã...


Notas finais
Sim, sou mendiga de reviews. Por favor, enviem :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.