Notas iniciais
Mais um personagem SÓ meu!

não empresto, dou, ou qualquer coisa!
não ganho nada pra isso mesmo. ù_u
Quarta quinta e sexta-feira se foram. E os gêmeos, ao contrário de como temiam, não tiveram nenhum sinal de Billy ou da foto pela escola. Sábado e Domingo se passaram no mesmo ritmo. E logo chegou a tão detestada segunda-feira. Segunda-feira essa que seria mais detestada ainda pelos gêmeos, do que por qualquer outro aluno da La Plata High School.Entraram no ônibus com toda má vontade de adolescentes de quase 17 anos em plena sete da manhã. Ouviram todos aqueles comentários ridículos, como de costume, enquanto dirigiam-se ao usual fundo do ônibus, onde já estava Paul. Cumprimentaram-se, os três sentando-se. Paul e Joel estavam conversando desanimadamente sobre algo insignificante, enquanto Benji pensava em coisas também inúteis olhando para um ponto fixo. Segundos depois, percebeu onde, ou melhor, quem era o tal ponto fixo que olhava tanto, sem querer. Surpreendentemente era um rosto familiar, estampando um sorriso mais do que familiar, e aqueles grandes e intensos olhos azuis, que também o fitavam. Benji desviou rapidamente o olhar de Billy, assustado por ele estar novamente indo à escola de ônibus. Sentiu um rápido frio em sua barriga, juntamente com uma forma de angústia e medo. Benji não sabia bem o que era, mas sabia que não era bom. Algo de bem errado aconteceria naquele dia, e disso ele tinha certeza.Acordou assustado de seus devaneios com Joel o chamando e chacoalhando.- Benji, você está bem, cara? Benji... Benji!- O quê? O que foi, Joel? Não grita!- Você estava com uma cara de assustado aí, olhando pro nada.- Queria eu estar olhando para o nada. – Benji sussurrou para si mesmo, pensando alto.- O que você disse?- Que não era nada. Só estava pensando, ok? – Joel afirmou com a cabeça e voltou à sua conversa sem importância com Paul. Benji ficou cabisbaixo e pensativo durante o curto resto do percurso até a escola.Desceram como sempre, por último para evitar comentários, o que não foi possível mesmo assim. Entraram na escola e todos os olhavam, apontando, principalmente para Benji.Eles acharam natural afinal sempre eram os que mais sofriam com as brincadeiras idiotas.Benji percebeu que todos tinham uma cópia do estúpido jornal da escola. Sempre odiou aquilo e achava apenas uma desculpa para falar mal dos outros. Despediu-se de Paul e Joel, e foi à sua classe, ignorando todos que continuavam a cochichar e comentar apontando em direção a ele. Benji então teve certeza de que havia algo errado. E era com ele. Benji ignorou todos os olhares que percebeu serem lançados a ele, enquanto ia até a sala onde deveria ter aula. Foi avisado pela inspetora do corredor que o horário havia sofrido algumas modificações, e Benji não teria aula de Geometria naquele início de manhã. Não teria a mesma aula que Billy. Benji agradeceu a Deus silenciosamente por essa graça alcançada, e seguiu para a sala indicada pela inspetora.Chegou junto com o professor de história. Ao menos uma aula de que ele gostava. “Não poderia ser melhor.” – Pensou ele.A aula passou voando para Benji, mas aparentemente o contrário ocorreu para os outros alunos que ou simplesmente dormiam debruçados em suas carteiras ou continuavam a o fitar incansavelmente. Benji começou a ficar incomodado com aquilo, mas a sua atenção na aula que tanto admirava, o fez esquecer dos idiotas ao seu redor.Ao soar do sinal indicando o final da primeira aula, o professor chamou sua atenção.- Benji, eu peço que você fique por mais alguns instantes na sala de aula, pois eu preciso falar com você. – Lewis era o único professor naquela escola que não o chamava de Benjamin. Benji sempre ficava pouco tempo depois da aula com esse professor. O professor Lewis, com o tempo, se tornou alvo de uma grande admiração de Benji, e os dois expandiram a relação ‘professor/aluno’ para uma relação de amizade. Michael Lewis era um dos poucos amigos que Benji tinha certeza de que podia confiar. A não tão grande diferença de idade e o parecido gosto musical apenas os aproximou mais ainda. Lewis era novo. Não era um adolescente, mas era jovem e aparentava ter seus 25 anos ou até menos, quando na verdade tinha quase 27. Podia-se afirmar que os dois eram grandes, se não melhores amigos. Os outros alunos saíram da sala, e Benji então começou.- Então, professor. O que o quer falar comigo? – Por mais amigos que fossem Benji não perdia o costume de chamá-lo de professor. E isso irritava um pouco Michael.- Você sabe que pode, e deve me chamar de Michael. Agora quem precisa falar com você não é o professor Lewis. Quem quer falar com você, é o seu amigo Michael. — Prof... Digo Michael, você está me assustando.- Benji, eu quero que saiba que não importa o que digam você é um rapaz maravilhoso que certamente terá um futuro brilhante. Não dê ouvidos às pessoas idiotas ao redor. Você já passou por coisas muito piores, e essas pessoas não podem fazer nada contra você, então não abaixe a sua cabeça para eles. Não jogue o jogo deles e não se dê por vencido. Não há nada de errado com você. Os errados são eles por não aceitarem as pessoas como elas são. Essas pessoas são tão medíocres, Benji, que tenho certeza de que a maioria lá fora não aceita nem a si mesmo. Há, lá fora, muitos garotos como você que infelizmente, por algum motivo, não têm coragem para enfrentar as pessoas, e ser o que realmente são. — Me desculpe Michael. Mas eu não estou entendendo do que você está falando.- Você... Você não leu o jornal da escola, Benjamin? — Você sabe que eu odeio isso. – Michael então se virou indo para trás de sua mesa de professor e abriu a gaveta usada para guardar seus pertences, e tirou de lá uma cópia do jornal da escola daquela semana, o entregando para Benji. Esse continuava sem entender, mas mesmo assim começou a folhear o jornal sem saber o que procurava exatamente. Passou reto pelas partes de esportes e de ciências sabendo que com certeza não seria lá que encontraria algo. Chegou à parte que mais odiava. As letras garrafais no topo da folha diziam: “Coluna Social.”. “Social?” – Pensava Benji. “Se tem uma coisa que eles não fazem é ser social.” Passou rapidamente os olhos pela página, até uma imagem, infelizmente conhecida prender sua atenção. Abaixo da foto, um comentário extremamente estúpido fez Benji então entender o porquê de Michael ter dito tudo aquilo que disse alguns instantes antes. “O Gay Benjamin Madden e seu anônimo namorado.” Benji sentiu seu corpo amolecer com o baque da “notícia” escrita. Na manchete dizia: “Algumas verdades do La Plata High.” E logo abaixo: “Você realmente conhece as pessoas com quem estuda?”. Benji começou a ler, horrorizado, a matéria que falava de uma aluna que mantinha um caso com o colega de trabalho de seu pai e de um garoto que fora expulso de sua antiga escola por tentar saquear a secretaria da mesma, mas focava principalmente em dois alunos gays que foram flagrados por um dos “repórteres” da escola se beijando no vestiário do ginásio. Ele agora apenas rezava para que não identificassem Joel, que era com quem ele mais se preocupava. “Expulsos de outra escola, amantes de homens mais velhos e gays. Você pode não saber, mas cruza e convive com pessoas com essas características todos os dias. É só olhar ao seu lado e provavelmente verá um deles.” (...) Benjamin Madden foi flagrado aos beijos com seu então namorado (foto) não identificado pelo nosso fotógrafo, por estar de costas, no vestiário masculino do ginásio da LPH.(...) — Filho de uma puta... – Exclamou ele indignado com aquilo. Sentiu-se aliviado ao perceber que o nome de Joel não havia sido citado na ‘reportagem’. Mas o mais chocante vinha apenas no final da reportagem. (...)"E é com esse tipo de pessoas que convivemos, conversamos, e até somos amigos todos os dias. Certamente os citados nessa matéria não são os únicos em situações assim. E não me espantaria se você mesmo for um deles. Por William D. Martin.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.