Joel seguiu o caminho da casa de Billy cantarolando e pensando no que finalmente diria a Benji. Chegou mais rápido do que esperava.
Respirou fundo e bateu na porta. Demoraram a atender, mas finalmente Billy abriu a porta de leve, apenas para identificar quem era. Ao ver Joel, se assustou, abrindo a porta totalmente.
— Oi Billy. O meu irmão está aí? – Joel estava tentando parecer o mais natural possível, como se nada tivesse acontecido. Mas aparentemente não conseguia. Estava um pouco nervoso e tímido.
Billy se mostrava espantado, e sem saber o que fazer, apenas deu espaço para Joel entrar.
Joel entrou um pouco encabulado, mas não viu seu irmão na sala. Billy percebeu que Joel o procurava e o avisou.
— Ele está no banheiro.
— Ah... Certo.
— Joel... O que você quer?
-Você já sabe de tudo não é?
— Sei... – Billy ficou encabulado e Joel mais.
— Olha Billy, você é meu amigo certo?
— Por que essa pergunta agora, Joel? É claro que sou!
— Eu só quero poder contar com você...
— E você sabe que pode, mas o que você fez com o Benji foi...
— Ridículo, eu sei. E é por isso que eu preciso da sua confiança.
Billy indicou para que Joel prosseguisse para que pudesse entender onde ele queria chegar.
— Quando eu disse tudo aquilo, era realmente o que eu sentia. Estava com raiva e nojo de Benji, apesar de agora achar que foi tudo uma estupidez, naquela hora eu fiquei fora de mim.
— Hm...
— Há pouco tempo eu percebi o que fiz. Há pouquíssimo tempo. Foi tudo muito rápido, e eu ainda estou confuso... Eu não sei bem o que está acontecendo comigo.
— Joel, do que você está falando?
— Eu tive um sonho, Billy, onde Benji vinha me beijar, e eu me assustava, mas permitia que ele continuasse. Então eu o beijava. E sinceramente, Billy, eu gostaria de ter continuado com aquele sonho. – Joel estava cada vez mais encabulado, e Billy cada vez mais pasmo. Não acreditava no que estava ouvindo. Apenas fitava o carpete da sua sala incansavelmente, tentando processar a toda a informação que Joel lhe passava.
— Então, é por isso que eu estou confuso, Billy. Eu não entendo. Como eu posso estar sentindo o que eu condenei meu irmão por sentir?
— Eu... Eu não sei o que dizer Joel...
— Nem eu. – Disse uma voz vinda de trás dos dois, da escada.

Joel congelou só de pensar em Benji ter ouvido tudo que contou para Billy. Billy ficou ainda mais pasmo. Estava pálido e completamente sem reação.
Ficou um silêncio incômodo naquela sala. Um estava congelado, outro pasmo e o outro estava desacreditado.
— Aquilo é verdade, Joel?
— O quanto você ouviu, Benji? – Joel se recusava a responder.
— Tudo. — Benji respondeu enquanto o encarava.
— Tudo? Absolutamente tudo? – Billy parecia mais desesperado do que os dois juntos.
— Sim, Billy. Tudo. – Benji ainda encarando Joel com uma calma surreal em seu tom de voz.
Benji e Joel se entreolhavam, como se quisessem um ler o pensamento do outro. Aquilo durou alguns segundos, até Billy finalmente sentir que estava sobrando alí.
— Eu acho melhor deixar vocês a sós... Vocês têm que conversar. – E saiu da sala. Mas o silêncio continuou, quebrado apenas pelos passos de Benji em direção ao sofá, onde estava Joel.
Ainda sem dizer uma palavra, sentou-se ao lado de Joel, que observava cada movimento seu, tentando descobrir o que pretendia.
— Eu ouvi tudo escondido, mas agora eu quero ouvir você falar diretamente para mim o que está sentindo e acontecendo. Quero a sua versão da história, sem resumos. Quero saber de tudo o que se passa em sua mente.
— Você tem todo o direito... – Joel pensou alto. – Okay.
Joel contou tudo o que havia contado para Billy anteriormente, e uma parte da história que não tinha contado. Quando os viu se beijando no parque.
— E eu fiquei... Com um pouco de ciúmes de você. – Joel disse pausadamente não conseguindo esconder sua timidez. Evitava olhar Benji nos olhos, e estava cabisbaixo para que ele não visse sua cara avermelhada.
Quando Benji ouviu Joel dizer aquilo, tentava conter a felicidade que sentia. Não dava para acreditar que seu irmão, que o tinha humilhado há algum tempo atrás, agora estava arrependido e tudo indicava que até apaixonado por ele como sempre sonhou, mas nunca achou que poderia acontecer. Apesar de ter alguma esperança bem no fundo, guardada, sabia que não seria aceitável. Mas naquele momento aquela pequenina esperança, tomou seu corpo inteiro quase o fazendo gritar.
A timidez de Joel o fazia crer que aquilo que dizia era verdade, e não um sonho.

- Então eu tive aquele sonho, o que me deixou ainda mais confuso, e sem saber o que fazer ou pensar.
— Isso é tudo?
— Do que está acontecendo, sim. Mas do que eu quero dizer, não.
— Então continue.
— Me desculpe Benji. Eu te fiz sofrer, eu fui um idiota sem tamanho e ainda acho nem que esse adjetivo, e nem nenhum pode descrever o quão estúpido eu fui com você.
Eu não perdoaria alguém que fizesse isso comigo, então eu vou entender se você nunca mais olhar na minha cara, ou resolver se vingar. Mas eu quero que saiba que eu já estou pagando pelo que disse, pois estou sentindo o que te condenei por sentir.
Os olhos de Benji brilhavam de felicidade e por conta das lágrimas que haviam se juntado alí, e que Joel não tinha visto por manter sua cabeça ainda abaixada timidamente.
Benji enxugou de seu rosto as lágrimas que caíram, e suavemente levantou o de Joel o segurando pelas as mãos. Joel apenas olhava confuso. Benji o olhava profundamente em seus olhos, que também acumulavam poucas lágrimas.
— Você sempre foi o gêmeo idiota. – Ambos riram com o comentário, e então Benji continuou. – É claro que eu te perdôo, pois eu não tenho como saber quando será a próxima vez que eu te terei tão perto assim de mim, a ponto de poder te dizer o que eu sempre sonhei, sem que você me ignore pelo resto da sua vida. Eu te amo.
Vagarosamente, Benji aproximou o rosto de Joel para si, também encurvando o seu em direção ao dele. Parou por uns instantes como se pedisse permissão, e Joel sem hesitar continuou a se aproximar. Como em seu sonho, tomou conta da situação, e cada vez mais podia sentir a calma respiração do irmão. Benji deslizou uma de suas mão para a nuca de Joel, acariciando seus cabelos e os aproximando mais ainda. Estavam milimétricamente distantes um do outro. Joel já podia sentir o gelado do piercing de Benji, exatamente como em seu sonho e em um movimento só, fechou os olhos e juntou seus lábios.

O beijo começou com movimentos leves que foram se intensificando a medida que se aproximavam. Joel ainda estava um pouco inseguro no começo, mas logo estava totalmente entregue aos braços de Benji. Naquele momento, Joel se deu conta de que Benji era o que mais queria, e que aquilo existia muito antes daquele sonho e de tudo aquilo. Aquele sentimento sempre existiu, mas Joel por se negar ou simplesmente por inocência sua, não acreditava que fosse tão intenso.
Não acreditava nem que existisse.
Benji continuava a passar a mão por entre seus cabelos, o arrepiando. Joel acariciava o rosto de Benji delicadamente com uma mão, enquanto repousava a outra em seu ombro, passando pelo pescoço algumas vezes.
Aquilo não podia ser mais perfeito. O tempo parecia parar a cada movimento seus. Diferente do beijo que Benji havia dado em Billy, esse era carinhoso, doce e certamente apaixonado, de ambas as partes.
Separaram-se com sorrisos estampados. Benji se aproximou novamente e deu um selinho demorado em Joel. Abraçaram-se e desejaram que aquilo nunca acabasse. Estava silêncio, até ouvirem um som distante. O som parecido com o de alguém que tentava controlar um choro de profunda tristeza.
Olharam-se desconfiados, e Benji levantou-se, foi à cozinha, de onde deduziu vir o som, e viu Billy agachado junto ao pé da mesa, chorando.
Benji agachou-se, para poder falar com o amigo.
Eu sabia que isso iria acontecer. — Disse Billy com a voz trêmula e chorosa. – A partir do momento que Joel entrou por aquela porta eu vi meu mundo desabar. Vi meus planos com você desabarem. Eu não estou te condenando ou brigando com você. Apenas não esperava que Joel tivesse aquela reação.
— Nem eu, Billy...
— Mas para você é diferente! – Dessa vez gritando. – Para você é bom! Agora você pode ser feliz ao lado de quem ama, e eu não! Você me enganou com aquele beijo no parque, Benji! Você me iludiu.

Joel estava na porta da cozinha, observando a discussão, sem ser notado.
— Eu percebi o que fiz, Billy. Por isso disse que não deveria ter acontecido!
— Mas foi tarde, Benji!
— Eu estava numa situação sem saída!
— E você acha que eu estava como? Você queria que eu me recusasse a te beijar? Mesmo sabendo que essa poderia ser a única oportunidade de te ter?
— Me desculpe Billy! Eu já pedi desculpas! Mas você sabe e sempre soube que eu não te amo.
— Mas todo aquele sentimento no parque...
— Não passou de atração, Billy... Me desculpe... – Os olhos de Benji começaram a marejar. Levantou-se e viu Joel cabisbaixo na porta da cozinha. Foi até ele e fez sinal para irem embora.
— Você vai deixá-lo aí sozinho? – Sussurrou Joel.
— Eu não tenho escolhas... Eu não posso fazer nada. Eu não o amo.
— Mas ele é seu amigo. E se ele decidir fazer alguma besteira?
— O que você quer que eu faça?
— Eu não vou me matar... Não vai ser dessa vez que vão se ver livres de mim. Posso estar com o coração destruído, mas eu ainda tenho o meu orgulho, sabe?
Os gêmeos se olharam em silêncio, e Billy continuou.
— Vão logo! Eu quero ficar sozinho.
Deram as costas a Billy, e saíram da casa.