You Make Me Feel
3 Tentativa de Suícidio
P.O.V. — Priscila Bittencourt
Cheguei em casa, joguei minha mochila na cozinha e subi para o meu quarto chorando já, minha mãe ficou parada na frente da porta do meu quarto falando:
– Filha, por favor, sai dai, vamo conversar. Você teve um dia ruim ? — Perguntou ela desesperada.
– Mãe, meu dia não foi ruim... ele foi péssimo. Ninguém me ama mãe. To falada na escola e hoje é o primeiro dia de aula. Você sabe porque isso mãe por causa de um menino. — Falei ainda chorando.
– Menino ? Que menino ?
– O Thiago mãe, a gente se beijou sem querer.
– Nossa, beijou sem querer ?! como assim ?
– Ele veio me cumprimentar aí o Matheus, irmão dele, veio primeiro e me deu um beijo no rosto e eu não tinha visto que ele também ia dar um beijo na minha buchecha e bem na hora o Matheus me chamou e eu virei, aí ele me deu um selinho e a gente nem se falou depois disso. Porque isso tinha que acontecer comigo mãe ?
– Filha essas coisas acontecem. Mas se foi só isso, porque você ficou falada na escola?
– Porque três meninas que se dizem populares, viram e espalharam o boato por aí.
– Como é o nome dessas meninas ?
– Gabriela Moline, Luisa Canadah e Isabella Muniz. Porque você quer saber mãe ?
– Porque amanhã mesmo eu vou falar com elas.
– Não mãe, você tá maluca ? Elas vão falar que eu não sei me defender sozinha.
– Tá decidido, amanhã eu vou na escola e eu vou falar com essas três.
– Mãe, eu vou me matar se você fizer isso.
– Mas eu vou.
– Tá então mãe. — falei decidida da minha decisão mesmo sabendo que eu ia acabar com a minha vida e também com a vida da minha melhor amiga.
Minha mãe saiu logo depois, tinha horário marcado no salão de cabeleireiro. Ela iria demorar bastante, desci peguei a faca de cozinha e cortei meus pulsos. Mas de repente escutei alguém abrindo a porta estava quase inconciente, ouvi a voz da Giovanna me chamando.
– Priscila ! Priscila ! Cadê você amigaa ?!
Não respondi.
– Priscila não me diz que você tentou se matar... Priscila cadê você amigaa ? — Já tinha um tom preocupado em sua voz.
Ela andou até a cozinha, me viu lá caída ao chão, eu estava inconciente, naquele chão gelado.
Espera... Porque minha melhor amiga está pegando a faca da minha mão ? Não, ela não vai fazer isso...
– Amiga, eu te prometi que se você tentasse se matar e conseguisse eu também iria me matar. — ela disse chorando.
– Amiga, você não vai fazer isso. E eu ainda não morri. — falei quase sem forças, pois havia perdido muito sangue.
– Mas amiga, eu te amo muito e você perdeu muito sangue. Veja você tá quase morrendo. — ela já estava com a faca nos pulsos.
– Mas eu quero morrer e você tem uma longa vida pela frente. Eu também te amo muito é por isso que eu não quero que você faça isso. — eu disse e vendo ela pegar o celular e falando com alguém, tinha quase certeza que era com a emergência.
– Alô, oi, olha isso não é um trote, mas tem duas garotas morrendo aqui dentro. É super urgente elas estão quase morrendo. — uma breve pausa – devem ter uns 18 anos. As duas cortaram os pulsos. Foi a última coisa que eu ouvi.
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