Notas iniciais
Olar, aqui mais um capitulo para vocês, espero que gostem ^^ Tá bem longo esse!

Kageyama

Antes eu estava só a desconfiar sem ter a certeza se era isso mesmo. Mas depois de pesquisar melhor sobre o assunto, pude constatar realmente que eu fiquei excitado sexualmente diante de certas reações do Hinata.

Admito, não sou bom em lidar com essas coisas. Se precisei da internet para entender o que eu sentia afetivamente pelo Hinata, imagina em relação a essas questões mais promíscuas. Pois por mais que eu já tivesse lá meus dezesseis anos, nunca senti excitação por nada até então, nem mesmo naquelas revistas e materiais obscenos que Oikawa-san levava pro treino na minha época em Kitagawa Daiichi. Mas sentia agora pelo Hinata.

O ruivo ainda via-me como sempre, com muita pureza no olhar e foco só nos sentimentos de afeto e companheirismo, sem maldades em mente. O pior é que depois de toda essa pesquisa e da constatação final, não tinha como eu olhar Hinata da mesma forma. Sentia-me muito sujo com isso, pois eu via que eu me tornava descontrolado, e essas reações me remetiam à fraqueza.

Hinata estava normal até agora, isso mostrava que ele era forte o bastante para não ser tomado por esse sentimento hormonal primitivo o qual eu estava passando. Eu tinha que conseguir superar isso, então fui para a escola com bastante confiança, pois com confiança, tudo se consegue.

Hoje fui um pouco mais frio com Hinata na hora do intervalo e disse que, ao invés de ficarmos sozinhos no vestiário do clube, seria legal comermos um lanche juntos no refeitório para armazenarmos energias para o treino. Ele mostrou leve chateação no começo, mas depois de eu mencionar o vôlei ele logo aceitou animado. Até então correu tudo bem. Senti o clima de sempre entre nós. E não fiquei mal por não tê-lo dado um único selinho ainda. Isso me aliviou, pois significava que eu não era um descontrolado que não conseguia ficar um minuto perto do Hinata sem beijá-lo.

Durante os nossos treinos no vôlei foi mais tranquilo ainda. Eu conseguia me focar boa parte do tempo nos aperfeiçoamentos das minhas habilidades individuais assim como as em grupo.

Entretanto, Hinata estragara minha concentração. Algumas coisas que ele fazia na maior inocência, eu estava vendo como algo um tanto sensual. E não eram lá grandes coisas. Por exemplo, Hinata sempre tinha o costume de lamber os lábios quando recebia um bom levantamento e estava prestes a fazer sua cortada. Era um gesto bobo, mas na minha visão era bem erótico... O pensamento acabou fazendo-me errar o levantamento.

E eu fico puto quando erro levantamento.

— Kageyama...? – O ruivo pendeu a cabeça de lado.

— F-foi mal! Foi meio curto, no próximo eu acerto! – Falei duro, sentindo as bochechas corarem levemente.

— Não liga, Kageyama! Prepare-se para a recepção! – Exclamou o capitão Daichi-san, se pondo em pose de expectativa. Eu imediatamente respirei fundo e tentei esvaziar minha mente de tudo. Do estresse, da pressão, da sensualidade do Hinata. Foquei só na precisão de mira e controle de força para executar levantamentos perfeitos.

Assim, continuamos nossas partidas treineiras. A respiração realmente ajuda a abaixar o nível de ansiedade, pois conforme eu o fazia, mais leve e controlado eu ficava. O que me permitiu jogar o restante dos jogos com melhor foco. Minha cara de paisagem se via presente e executei as jogadas das melhores formas possíveis até o fim. O que era o normal. Para mim, sempre foi fácil conter reações corporais e expressivas.

Mas apesar de me manter na postura, eu ainda dava umas olhadas em Hinata durante o restante do treino de forma bem discreta, obviamente. Não apenas seu rosto, mas eu mirava seu corpo também... Seus braços, suas pernas, seu pescoço, um pouco de suas costas e barriga quando ele dava saltos e sua camisa levantava... Todas as partes dele que estavam expostas eu observava.

~*~

Hinata

Durante o horário de intervalo, numa sexta-feira, eu e Kageyama estávamos na sala do clube tendo nosso praticamente único momento particular diário.

Novamente sentados no chão, um de frente para outro, trocando vários beijos. A sensação ainda era boa e viciante, só que hoje Kageyama parecia mais reprimido do que nas outras vezes. Seu corpo estava duro como se estivesse no meio da Antártida com roupas de verão.

Fora que suas mãos permaneceram apoiadas no chão o tempo todo... Embora nunca comentasse sobre, eu gostava quando ele as colocava em meus ombros ou em minha cintura durante o beijo. Como meu temperamento era enérgico e transparente, sentia a necessidade imediata de tirar dúvidas sobre coisas mínimas que me perturbassem, então separei o beijo e o olhei com o rosto ainda bastante próximo.

— Que foi, Kageyama...? – Perguntei.

— Que foi o quê?

— Por que está mais frio ultimamente?

— Frio? Desde quando...?

— S-sei lá... Eu tô notando que você... não beija como antes. Lembra? Aquele “Gwaaa”.

— Hum... – Ele desviou o olhar, franzindo o cenho. Ficou quieto repentinamente.

— Kageyama!

— Ahh, sei lá. Não tenho resposta pra isso...

Fiz bico diante de sua fala.

— E-eu nunca falei isso antes, mas... Você não está nem encostando em mim mais... E... Eu gostava disso. Fazia-me sentir mais próximo de você! Mas agora você... – Eu olhava sua expressão que, por mais carrancuda que fosse, exalava claramente um nervosismo ou algum sentimento de culpa. — ...você está criando uma barreira, Kageyama.

— Hum?! – Agora ele olhou-me com mais seriedade. – Não estou criando barreira nenhuma...

— Então me mostra. – Falei em tom desafiador.

— Você quer que eu faça o quê...?!

— Põe as mãos em mim!

— O quê?!

— Anda, Kageyama! – Eu mesmo segurei seus pulsos e levei até as laterais de minha cintura. Ele imediatamente fechou os olhos com força, como se tivesse acabado de se queimar com o óleo de uma fritadeira. Estranhei sua reação. Suas mãos tremiam e ele não parava de suar frio. Parecia que ele não queria mesmo me tocar... então resolvi soltar seus pulsos, sentindo-me levemente chateado. – D-desculpe...

— Hu...? – Ele então olhou-me. – Hinata... não, espera...

Então o sinal do fim do intervalo tocara. Rapidamente nos pusemos em pé, tirando a poeira das roupas, prontos para voltar para a aula.

— Tudo bem. Vamos voltar logo, da ultima vez chegamos depois dos professores. – Falei acanhadamente e ele continuava sem conseguir responder muita coisa para mim. Isso só me deixava mais chateado ainda.

~*~

Já em minha casa, depois de ter jantado, estava sentado em minha escrivaninha conversando com Kenma pelo celular.

Desde que eu e Kageyama começamos a sair, não tinha enchido tanto o levantador do Nekoma com assuntos a respeito, mas hoje eu precisava falar com ele.

—------------

[H.Shouyou]

Kenma, me ajuda com uma coisinha aqui...

[K.Kenma]

Diga

[H.Shouyou]

É sobre o Kageyama... =3=

[K.Kenma]

Ah tenho que dar uma saída agora, ok? Um abraço.

[H.Shouyou]

O quê?! Volta aqui! Não faça isso comigo, Kenmaaa. Vai ser rápido, prometo!! ºAº/

[K.Kenma]

Estou brincando ^^ O que quer falar?

[H.Shouyou]

Então... na verdade eu ia pedir conselho pro Sugawara, o outro levantador do meu time, mas... não parecia ser uma coisa tão grande assim que eu tenha que consulta-lo, então... Bem e achei que você tenha o conhecimento para tal...

[K.Kenma]

Shouyou, pelo amor de deus, vá direto ao ponto =.=

[H.Shouyou]

É que o Kageyama está frio comigo esses dias. Quero dizer, mais frio do que o usual... E não sei identificar se é uma frieza preocupante ou não. Ele pode ter enjoado de mim!

[K.Kenma]

Olha, Shouyou, como eu não estou com vocês aí vendo a situação, não acredito que eu consiga te ajudar muito. Acho melhor você falar com o seu outro levantador aí.

[H.Shouyou]

Ah, na vdd eu tinha escolhido falar contigo primeiro pq, bem, confesso que você tem a personalidade fria também, então poderia me ajudar a identificar a frieza do Kageyama...

[K.Kenma]

Ah, entendi...

Mas você sabe que a minha frieza é de “pessoa paradona”, enquanto que a de Kageyama é mais pro mal-encarado, desculpe falar assim mas é como eu vejo u.u

[H.Shouyou]

Eu sei, e até concordo na vdd xD Mas é que... bem, tenho vergonha de compartilhar isso mas, antes estávamos.... “ficando” com mais vontade =///= Agora ele parece estar desmotivado. Por isso penso que ele pode, sei lá, ter se enjoado de ficar comigo...

[K.Kenma]

Desmotivado?

[H.Shouyou]

É... mais ou menos. Ele fazia uma estranha cara de sofrimento...

[K.Kenma]

Ele não está desmotivado. Ele está se segurando. Ele quer seu corpo nu, chibi-chan xD

[H.Shouyou]

O.O

QUE? Como assim, Kenma?! o/

[K.Kenma]

NÃO FUI EU!

Kuroo idiota roubou meu celular e mandou isdo!

*isso

[H.Shouyou]

Kuroo está aí com você?!

Mas é de noite O.O Estão treinando até agora?

[K.Kenma]

Não! Eu tô em casa. É que o Kuroo aparece aqui às vezes... ¬¬ E minha mãe adora ele, então...

[H.Shouyou]

Ohhh.... Heheheheh acho que entendi ¬3¬

[K.Kenma]

???!!!

[H.Shouyou]

Podia ter me avisado que estava com Kuroo-san, aí eu não teria atrapalhado =3=/ heheheheheheheheheh

[K.Kenma]

NÃO

Não, Shouyou, espera!!

Não é nada disso!

Esquece isso e deixa eu te responder certo u.u

Sobre o Kageyama... acho que inacreditavelmente pode ser o que o Kuroo digitou aí... só que não desse jeito! o/ Mas, na minha visão de pessoa introvertida, eu digo que teria receio de “avançar” numa relação assim sem que o parceiro me dê a devida permissão com clareza. Entende o que eu digo?

[H.Shouyou]

Ahhhh entendi

Tenho que deixar claro para Kageyama que ele pode avançar.

[K.Kenma]

Isso

[H.Shouyou]

Ok, obrigado, Kenma!

Er

Agradeça ao Kuroo-san tbm =///=

—------------

Assim, fechei a conversa e deixei o celular de lado. Joguei-me sobre a cama sentindo grande alívio. Kageyama não estava deixando de gostar de mim então, ainda bem!

Passamos meses na mesmice, sempre se encontrando para nos beijarmos só na hora do intervalo. Visto que, desde que Tsukishima nos pegou na rua, ficamos ambos com vergonha de beijar no caminho de volta pra casa.

Eu tenho que mostrar que posso ser um bom e gentil namorado para que ele se sinta mais à vontade de avançar as carícias comigo. E vou fazer logo, pois estava ansioso para sentir aquele “Gwaaa” de novo.

Kenma

Assim que terminei de responder Shouyou, deixei meu celular no criado-mudo e voltei o foco total no meu videogame, era uma fase difícil então precisava de concentração. Até que o capitão de topete arrepiado foi se achegando ao meu lado na cama.

— E aí? O que ele disse, hein? – Perguntou curioso, querendo explicitamente que eu desviasse minha atenção do jogo.

— Nada de mais... Ele te agradeceu pelo seu conselho.

— Ohh, tenho certeza que sim, ninguém manja de relacionamentos melhor do que eu. – Ele disse com o peito estufado de ego.

— É, mas o jeito que escreveu foi meio impróprio. Devia ter escolhido melhor as palavras. Shouyou é muito inocente para essas coisas ainda.

— Oh, então quer dizer que você não é? – Ele abriu um sorriso malicioso.

— N-n-não foi isso que eu quis dizer... É que o Shouyou... E-eu sei que ele no final das contas entendeu tudo de forma inocente. Ele deve estar achando que o “avanço” que Kageyama quer dar é umas passadas de mão e nada além disto.

— Quer dizer, igual você faz comigo...?

— ...!! – Nesse momento mordi o lábio inferior e quase perdi a jogada do game. – N-não sei do que está falando...

— Você sabe sim.

— Para...

— Você sabe que eu morro de ciúme quando você fica conversando com o Chibi-chan... – Ele começou a fazer aquela voz manhosa. – Dá atenção pra mim, Kenma...

— A-agora eu tô jogando...! V-vai pro chão, Kuroo, é onde você vai dormir. – Falei tentando arduamente me concentrar no jogo, eu estava para atravessar o último obstáculo: passar pelo guardião da ponte.

— Se eu jogar isso aí, passo essa fase na metade do tempo que você levou pra chegar até aí. – Ele disse de forma zombeteira.

— Que? Passa nada! – Mirei-o com indignação.

— Ahh... finalmente olhou pra mim! – Com aquele sorriso matreiro ele veio vindo pra cima de mim. Eu corei violentamente e senti o coração quase explodir.

— Kuroo, não!! Para! Kuroo!! Minha mãe tá em casa, seu idiota!!

~*~

Kageyama

Na segunda-feira, dado o sinal do intervalo, fui às pressas à procura de Hinata, esperando que ele não esteja muito chateado com a minha reação de sexta-feira. Isso deixou um clima um pouco chato entre nós durante o treino e até na nossa ida juntos pra casa.

Chegando à sua sala, o vi sentado ainda, terminando de escrever algo em seu caderno. Resolvi ir me aproximando de fininho até sua mesa.

— Oi. – Para dar um ar mais amigável, abri um sorrisinho para ele.

— Oi, Kage... Eita! – Ele deu um pulo na cadeira, ficando na defensiva. – P-por que tá fazendo essa cara?

— Ah... Foi mal. – Logo voltei à minha feição normal, sentindo leve embaraço. Eu ainda não conseguia sorrir de forma não-assustadora, isso me deixava pra baixo.

— Tudo bem... Eu ia te encontrar agora, só tava terminando de copiar isso aqui. – Explicou ele, já logo fechando o caderno e se pondo em pé. Logo enfiou a mão no bolso e dali tirou a chave da sala do clube, mostrando-a a mim. – Você ainda quer, não quer...?

— ... – Logo comecei a coçar a nuca. – Claro... por que não?

— É que eu fui meio rude contigo na sexta. A gente nem marcou de sair esse fim de semana... Achei que estivesse chateado.

— Eu achei que você estivesse chateado. – Falei.

— Ué, por quê?

— Eu tô meio frio com você esses dias. Acho que é a crise emo que dá nos adolescentes do primeiro ano que o Tanaka-san mencionou outro dia. – Dei essa desculpa esfarrapada, pois eu não encontrava palavras para explicar de forma não vulgar que eu me excitava dependendo da forma como beijávamos. Isso era o cúmulo da fraqueza. Graças à isso eu não podia mais beijar Hinata como bem queria e ele não fazia a menor ideia disso.

— Oh, sério?! – Ele logo gargalhou. – Não acredito, era só uma TPM?

— Er... é, tipo isso. Mas deixa isso pra lá. Vamos indo, o tempo do intervalo é curto. – Lembrei, já enfiando as mãos no bolso e seguindo caminho para fora da sala. Hinata logo se juntou a mim.

~*~

Na nossa ficada de intervalo, Hinata foi bem tranquilo hoje. Não ficou tremendo tanto, não beijou de forma selvagem, e nem reclamou de eu novamente não ter colocado as mãos em seu corpo. Isso me deu maior tranquilidade e pudemos ter bons beijos hoje. Apesar de eu passar boa parte do tempo contendo reações corporais de nível preocupantes...

. . .

Na hora de ir embora pra casa, Hinata e eu fomos juntos como o usual. Ele com a bibicleta, eu com as mãos no bolso, ambos caminhando como dois colegas de time comuns. Logo fitei o céu, vendo que estava bem escuro apesar de ainda ser seis da tarde, várias nuvens cinzentas faziam uma grande barreira impedindo a luz do sol de chegar à cidade. As baixas trovoadas só serviram para confirmar o que nos esperava.

— Acho que vai chover. E vai chover muito. – Comentei com o ruivo e ele logo olhou as nuvens.

— Argh, droga, eu não gosto disso. Bem, gosto de chuva, mas andar de bike nela é horrível... E eu nem trouxe capa hoje! – Ele lamentava. Eu simplesmente o olhei apreensivo.

— Pode ir indo na frente. Se for pedalando desde já, pode chegar na sua casa antes da chuva...

— E você...? – Ele me lançou um olhar de preocupação que quase me fez querer bater nele de tão adorável.

— Eu vou andando, normal.

— E quando chover?

— Eu espero passar. Em alguma loja, sei lá.

— E se demorar pra passar?

— Hinata, não se preocupe, vai logo ou vai pegar chuva também.

— Não, seu babaca! É claro que eu me preocupo com você! E se pega um resfriado?

Dei um longo suspiro. Esse baixinho, apesar de prestativo e compreensivo, era teimoso no quesito mudar uma ideia que já estava enfiada na cabeça. Logo ouvimos outra trovoada, indicando que nosso tempo era curto caso quiséssemos ficar secos.

— O que sugere então? – Perguntei.

— Eu te levo de bicicleta até onde a gente se separa! De lá até sua casa é perto, né? Se você correr, chega a tempo. E eu, continuando de bike, consigo chegar até a minha também antes da chuva. – Ele falou num super tom de óbvio, entretanto ele ignorava o problema mais escancarado que tinha em seu plano.

— Hinata... Olhe para nós... e olhe para a bicicleta.

— Não se preocupe, ela é forte. Aguenta de boa a gente!

— Não é aguentar, não cabe!

— Não lembra o que eu disse no outro dia lá? Você pode sentar no banco, eu pedalo em pé.

— Ah claro, porque todo mundo consegue pedalar em pé o percurso todo. – Falei com sarcasmo. – Você vai precisar sentar em algum momento pra fazer alguma curva, tipo aquela esquina que dá pra rua da loja do treinador Ukai, ou nós vamos cair com o peso.

— Não cai não! Tá me subestimando? Sou ciclista há anos, Kageyama! Confia em mim e sobe nela logo! – Assim, ele estendeu a bicicleta. Eu olhei para o céu antes imaginando se a chuva ia ser forte mesmo a ponto de eu ter que passar por esse risco com ele.

— Você anda bem nela, né? Mesmo em pé? – Perguntei só a título de confirmação.

— Sim! Pode relaxar. Se eu precisar sentar... eu sento no seu colo. – Ele disse simplesmente e isso me fez arregalar os olhos.

— O quê?!!

— Ué, por que essa cara?

Agora eu dava um tique no olho esquerdo, olhando de forma inacreditada a criatura ruiva à minha frente.

— Você... Está fazendo isso de propósito ou é sem noção mesmo?!

— Hã?! Do que está falando? Para de perder tempo e sobe na bicicleta logo, Kageyama. Tá parecendo que vai ser chuva de granizo! – Ele disse um tanto preocupado, fitando as nuvens e os vários pássaros dando aquela revoada pré-tempestade.

Parece que Hinata não tinha mesmo segundas intenções e não via maldade da ideia de ele... sentar em meu colo. Eu, sentindo mais medo da sua fala sobre a chuva possivelmente ser de granizo, acomodei-me ao acento do magrelo veículo, apoiando os pés bem plantados no chão. Aliás, meus joelhos até se curvavam de tão baixa que era aquela bicicleta. Mas pude servir de apoio para que Hinata pudesse subir também, já apoiando em ambos os pedais.

— Ae, pode tirar os pés do chão! – Ele deu o sinal verde e com grande esforço na arrancada, conseguiu fazer a bicicleta se mover e ir pegando velocidade aos poucos. De fato, ia ser bem mais rápido chegar em casa assim. O percurso que fazíamos juntos era relativamente longo.

No início foi meio ruim de me equilibrar, pois Hinata era quem segurava o guidão e por estar em pé, estava muito alto para que eu me apoiasse em seus ombros sem tirá-lo da estabilidade. Então optei por segurar forte no próprio assento, além de tudo eu estava com os pés soltos no ar, fazendo o maior esforço para não tocá-lo no chão e manter o nosso equilíbrio estático.

Como eu havia pensado, não seria uma viagem confortável. Eu só conseguia me preocupar mais ainda ao ouvir os trovões acontecendo em intervalo de tempo cada vez menor.

— Vou acelerar, tá? – Hinata avisou.

— Tá... – Simplesmente concordei, querendo apenas chegar logo ao ponto onde separamos e poder descer da bicicleta.

Foi então que, subitamente, Hinata inclinou-se para frente a fim de por mais força em suas pedaladas e deixou seu traseiro bem na minha visão. Eu fui arregalando os olhos e sentindo o coração começando a bater mais forte...

Isso não poderia ficar pior.

Hinata era tão lerdo pra não perceber isso? Ele estava praticamente rebolando na minha frente a cada pedalada. Eu fui inclinando para trás e querendo desviar o olhar... Mas simplesmente não dava para não olhar aquilo.

Mesmo a calça de moleton preta do time ser levemente grossa, ainda contornava perfeitamente toda sua curvatura de forma bem justa. Os movimentos de pedalar apenas deixavam a visão mais sensual do que já era. Minha mão já estava voluntariamente indo até ali para sentir no tato aquela região rechonchudamente provocante à minha frente. Mas no meio do caminho, me veio o choque de razão eu imediatamente me freei.

— Não! – Só que minha reação foi meio intensa, pois eu me inclinei completamente para trás, fazendo a bicicleta perder o equilíbrio.

Eu fui o primeiro a cair dali e me espatifar no chão de costas e forma bem doloroso, visto que estávamos em alta velocidade. Para minha sorte não bati a cabeça em lugar nenhum.

Hinata, apesar de perder o eixo do guidão, só fez uma manobra de lado para não cair com o veículo e o fez frear. Logo me olhara apavorado.

— K-Kageyama!! – Ele largou o guidão e veio rapidamente me ver. – Meu Deus, me desculpe!! Você está bem?! – Ele examinara meu rosto de todos os ângulos, procurando por qualquer mínimo arranhão.

— Estou... Relaxa... – Logo dei um murmúrio de dor. Assim, arregacei a manga do braço direito e vi ali um ralado grande que renderia bons dias de ardência. Hinata ficou mais apavorado do que antes ao ver.

— Ahh droga!! Não está bem não! Olha isso! E-eu... S-sinto muito, não sei o que aconteceu. Eu não devia ter acelerado tanto. – Ele começava a se punir. Eu não falei muito no começo primeiro por causa do ardido que sentia em meu braço, e também por que parcialmente era culpa dele sim. Hunf, rebolando na minha cara daquele jeito...

— Tudo bem, relaxa. – Eu afaguei sua cabeça, pois via que ele estava mais desesperado do que eu.

— Kageyama...

Assim, logo sentimos as primeiras gotas caírem sobre nossos rostos. Olhamos para cima e vimos que estava prestes a cair o mundo. Hinata logo se pôs em pé e estendeu a mão para eu levantar também. Cada segundo que passava, os pingos pareciam aumentar em quantidade, assim, o ruivo ergueu sua bicicleta rapidamente e veio me puxando.

— Vamos até a farmácia da próxima rua. A gente espera lá. – Disse ele com firmeza e concordei seguindo-o.

Felizmente, depois de uma boa corrida, conseguimos alcançar o tal estabelecimento antes da chuva cair de vez. E como Hinata suspeitara antes, era chuva de granizo. O que era meio louco, pois hoje cedo estava um sol de lascar e sem nuvens no céu.

— Que tempo doido... – Comentei.

— Aqui! Cuida da minha bicicleta rapidão, eu já volto. – E assim, ele correu pra dentro da farmácia às pressas. Eu por outro lado, aproveitando o toldo largo que havia ali do lado de fora, sentei-me no degrau e me acomodei ao canto da parede.

Fechei mais o zíper da minha jaqueta e fiquei só observando aquela chuva forte que deixava a visão até esbranquiçada de tão densa que estava. Algumas das pequenas pedrinhas de gelo pingavam para perto de mim. O vento frio também não dera trégua.

Não tinha ideia de quanto tempo que essa chuva iria durar, seja como for, ela nos pegaria de qualquer jeito antes de chegarmos em casa... O jeito era esperar mesmo.

Depois de um tempinho, Hinata retornara da farmácia com uma sacolinha de plástico. Eu o fitei interrogativo.

— Ei, o que foi fazer lá?

— Me dá o seu braço. – Hinata pedira, enquanto retirava da sacola um pequeno frasco de líquido.

— Isso é merthiolate?

— Aham, vai arder só um pouco, tá?

— Hunf, tá falando como a minha mãe. – Comentei em tom irônico e ele riu.

Estendi meu braço para ele e arregacei a manga, deixando meu machucado à mostra. Ele, com bastante delicadeza, passou o remédio ali. Mordi o lábio inferior ao sentir o ardido daquele líquido, mas logo suspirei de alívio.

Hinata soprava o local como se já estivesse acostumado a fazê-lo sempre. Seus lábios fazendo bico deixaram-me levemente hipnotizado. Fiquei mirando-o fixo durante todo o processo curativo lembrando do dia que ele colocara gelo no meu machucado no pé.

— Pronto. Agora vai melhorar. – Ele disse com seu sorriso sereno.

— Você é bom em cuidar de machucados, hein.

— Hehehe, é o que acontece quando se tem uma irmã pequena enérgica.

— Enérgica que nem você?

— É...! – Ele riu de novo e brincou com os dedos em acanhamento.

— Valeu. – Agradeci-o e inclinei-me até beijar sua testa. Ele alargou mais ainda o sorriso e segurou meu rosto, trazendo-me para um beijo em sua boca. Assim que nossos lábios encostaram, fechei os olhos. Fui deixando de ouvir a chuva forte que caía, de sentir o frio do vento que passava, nem me preocupei se alguém veria e foquei só na sensação do roçar de nossas bocas.

Era bom como sempre e nunca enjoava. Melhorava mais ainda quando aprofundávamos. Deixando meu braço ralado de lado, passei o outro por detrás dos ombros de Hinata. Ele também timidamente levou suas mãos até as laterais de meu rosto. Eu já estava começando a ficar embriagado. Separei o beijo rapidamente e admirei seu rosto corado.

— Isso foi tipo “Gwaaa” pra você? – Perguntei.

— Hum... Foi tipo normal, mas foi bom. – Ele respondera e, como sempre, de forma sincera. Isso era outra coisa que eu também gostava nele. Era autêntico o tempo todo.

— Vou te mostrar algo novo então... – Assim inclinei o rosto e fui até seu pescoço, onde comecei a espalhar vários beijos. Hinata imediatamente estremeceu.

— Q-que é isso?! Kage... Kageyama, a gente tá no meio da rua! – Lembrou ele com receio.

— Não tem ninguém aqui... tá chovendo, seu bobo... – Falei entre beijos e Hinata ainda não parecia satisfeito com essa desculpa.

— P-por que não fez isso na hora do intervalo...? – Sua voz dera uma entonada languida no final que me deu arrepio nas costas.

— Porque... fiquei com vontade só agora...

Eu dava uma série de beijos e delicadas passadas de língua em seu pescoço até então. Mas ouvir sua respiração começar a ficar fora de ritmo, me fez querer ir mais além. Com uma mão roçando em seus cabelos, dei simultaneamente o que as pessoas chamam de chupão. Assim que dei uma forte sugada em sua pele, Hinata gemeu daquela forma sensual que me fez sentir a excitação sexual de novo. Eu imediatamente abri os olhos e afastei-me dele.

O ruivo, por sua vez, tinha um olhar um tanto entregue agora. Suas bochechas continuavam coradas e sua boca entreaberta mostrava um sorriso embriagado.

— Kageyama... Uau... Isso foi... gostoso. Posso fazer em você...?

Não sei se foi esse tom de voz estranhamente manhoso que ele fazia ou o fato de eu imaginá-lo fazendo essa mesma chupada em meu pescoço. Mas agora, minha resposta sexual foi um pouco mais além e pude sentir minha intimidade reagir fisicamente.

Eu logo me coloquei em pé antes que Hinata pudesse fazer qualquer coisa.

— Eu...!! Eu tenho que ir no banheiro!! – Falei um pouco mais alto do que gostaria e isso fez o ruivo me olhar estranho.

— Kageyama...?

— Me espera aqui! – Nem dei mais satisfações, saí andando até a entrada da farmácia com pressa. No meio do caminho dei uma discreta olhada em baixo e vi que não havia elevação alguma em minha calça, mas mesmo assim era bom dar uma checada, pois eu havia sentido-o se manifestar.

De qualquer forma, fiquei frustrado de novo por ter me deixado levar igual um descontrolado. Parece que não tinha como resolver isso. Mas é que foi muito tentador para mim. Te todas as regiões expostas de Hinata, onde eu mais fiquei olhando hoje foi seu pescoço. E agora, que estávamos em local “semiparticular”, não hesitei em atacá-lo.

E o detalhe é que... Hinata parecia não se importar com esses avanços que dou. Pelo contrário, parecia até ficar chateado quando eu parava.

Respirei fundo enquanto pensava nisso tudo. Hinata e eu estamos juntos há vários meses, acho que estava mais do que na hora de eu, no mínimo, conversar com ele sobre “sexo”. Mas ele parecia tão inocente sobre o assunto que eu ficava com medo de falar... Eu mesmo era um completo tapado sobre isso há pouco tempo. Mas com o mínimo de conhecimento que tive durante as últimas semanas através de sites informativos, fotos e vídeos (aliás, que vídeos!), já fiquei com a maior curiosidade de sentir na prática como era.

São sei se era uma boa falar sobre isso com Hinata agora... ou será que era? Não. Era sim! Eu tinha que falar, só tinha que ser sutil para não assustá-lo. Para isso eu precisaria de dicas, de preferência de alguém que eu conheça e que conheça Hinata também... Alguém que seja bastante experiente no assunto “sexo”.

Notas finais
Oie, chegaram vivos aqui? Bem, primeiro de tudo, só queria pedir desculpas a quem não shippa KuroKen =3=/ Foi meio inevitável por um momentozinho deles aí, mas prometo que é a ÚNICA vez que terá isso, tenham em mente que não deixei explícito o que aconteceu depois hein, fica à imaginação de vocês o que pode ter ocorrido ehueheuheuhe E, bem, para KageHina, as coisas vão tomando seu rumo mais caliente no ritmo KageHina. =w= Desculpem-me estar lerdando tanto isso, mas faz parte ;* Kageyama queria tanto fugir da chuva pra não se molhar e acabou ficando molhado da mesma forma xD *apanha muito* Whatever, espero que tenham gostado ^^/ Um grande beijo ♥